*          1.1                   no trigésimo ano. Julho de 593 a.C. Parece que o livro de Ezequiel tem um duplo título, um na primeira pessoa (v.1), e outro na terceira (vs. 2 e 3). As datas, nesse livro, normalmente são calculadas a partir do ano do cativeiro de Joaquim (cap. 40.1). Mas a primeira data do livro especifica um "trigésimo" ano (v.1) e, imediatamente em seguida, refere-se ao "quinto ano" de Joaquim. Provavelmente esse trigésimo ano fosse a idade de Ezequiel quando de sua chamada profética, o que coincidiu com o "quinto" ano de Joaquim. Um candidato ao sacerdócio ordinariamente assumia as plenas responsabilidades de seu ofício aos trinta anos de idade (Nm 4.3). Em lugar de atingir esse alvo importante, Ezequiel estava vivendo no exílio, distante do templo de Jerusalém, incapaz de cumprir a seu chamado como um sacerdote.

 

rio Quebar. Os judeus que viviam fora de sua terra natal comumente estabeleciam lugares de adoração ao longo de correntes de água (Sl 137.1; At 16.13). Dois textos com escrita cuneiforme, originários de Nipur, mencionam um naru kabari (cujo sentido é "grande rio"), que, provavelmente, é o Quebar. Este era um grande canal de irrigação que trazia água do Eufrates até um ponto abaixo da cidade de Babilônia.

 

*          1.4—3.15 A visão inaugural de Ezequiel deve ser comparada às narrativas do chamamento de Moisés (Êx 3), de Isaías (Is 6) e de Jeremias (Jr 1). À semelhança de Moisés, o profeta modelo (Dt 18.15,18), aqueles que o seguissem deviam, ordinariamente, começar suas carreiras proféticas sendo admitidos à presença divina. No concílio celestial, eles ouvem as palavras de Deus. Os profetas deixaram registradas tais experiências não tanto como dados autobiográficos, mas porque a admissão deles ao concílio divino foi a base de sua reivindicação de autoridade profética. Essa era a qualificação que distinguia um profeta verdadeiro de um profeta falso (1Rs 22.19-28; Jr 23.16-18).

 

*          1.4                   um vento tempestuoso. Quanto ao vento tempestuoso ou redemoinho como um modo de teofania, ver 2Rs 2.1,11; Jó 38.1; 40.6; Sl 77.18; 83.15; 148.8; Is 29.6; 66.15; Jr 4.13; 23.19; 30.23; Na 1.3; Zc 9.14.

 

*          1.5       Quando esses "seres viventes" apareceram novamente, foram identificados como "querubins" (10.1,15,17,20). Existem pontos de semelhança com os serafins que estavam com Deus por ocasião da chamada de Isaías (Is 6.2,3), e com a visão de João do trono divino (Ap 4.6-9). Suas asas "se uniam uma à outra" (v.9), tais como as asas dos querubins sobre a arca no Santo dos Santos do templo (1Rs 6.27; 2Cr 3.11,12). Os livros de Crônicas descrevem a arca como "o carro dos querubins" (1Cr 28.18).

 

*          1.10     seus rostos. Os quatro rostos, provavelmente, representam as cabeças de quatro reinos da criação. O homem é supremo e olha para o lado de fora. O boi é o cabeça dos animais domésticos; o leão, dos animais selvagens; e a águia, dos pássaros. Ao que parece, as criaturas formavam um quadrado, com as faces humanas olhando para o lado de fora, para os quatro pontos cardeais, tornando os outros rostos visíveis lateralmente.

 

*          1.13,14            carvão em brasa... tochas... relâmpagos.  O fogo é um componente regular das teofanias (manifestações ou aparições de Deus) no Antigo Testamento (Gn 15.17; Êx 3.2; 13.21,22; 14.24; 19.18; 24.17; Nm 11.1; Dt 1.33; 4.11,12,24,33,36; 5.22-26; 9.3; Sl 18.8; 78.14,21).

 

*          1.24     como o rugido. Um distintivo som forte acompanha as teofanias que envolvem o exército divino (2Sm 5.24; 2Rs 7.6; Is 13.4; 66.6; Jl 2.5; cf. Gn 3.8; Êx 19.19; Is 6.4). Ver particularmente 3.12,13 e 10.5.

 

*          1.27     um resplendor. A luz que se irradia da presença divina é avassaladora (Dn 7.9), pois Deus habita em "luz inacessível" (1Tm 6.16). Ninguém jamais viu a Deus, e Ezequiel não ousou descrevê-lo. Ele pôde falar somente sobre a "aparência da glória do SENHOR" (1.28), uma maneira de falar essencialmente distante de uma descrição direta de Deus.

 

*          1.28     arco que aparece na nuvem. O arco-íris não somente reflete o resplendor ao redor de Deus, mas também testifica de seu domínio sobre o mar e sua promessa feita a Noé (Gn 9.16,17). Ver nota teológica "A Glória de Deus", índice .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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