*          16.1-63           Ezequiel conta a história de uma criança não desejada, o casamento dela e a sua infidelidade. Oséias usou o matrimônio como analogia do relacionamento segundo a aliança entre Deus e Israel (Os 1—3; ver também Ef 5.22-33; Ap 19.7; 21.2,9). O discurso de Ezequiel parece ter uma base judicial; ele declarou a acusação de Deus contra a nação, desde os seus primeiros dias até os tempos dessa profecia.

 

*          16.3     o teu nascimento. Originalmente, Jerusalém era uma cidade pagã; seus primeiros habitantes são descritos como amorreus, cananeus, jebuseus e heteus (v.45; Gn 10.15,16; Js 10.5; Jz 1.21; 19.10; 2Sm 5.6). Quanto a esse respeito, a cidade não era diferente dos patriarcas, que eram de origem pagã síria (Dt 26.5; Js 24.14).

 

*          16.5     foste lançada. As crianças não desejadas eram freqüentemente abandonadas e deixadas ao léu para morrerem. A menina recém-nascida que Ezequiel descreve foi abandonada antes mesmo de ter sido lavada.

 

*          16.7     cresceste. A criança não desejada cresceu até tornar-se uma donzela bonita. O início da puberdade aparece com o desenvolvimento de seus seios (cf. 23.3) e de seus cabelos; mais tarde, a menina atingiu a idade dos amores (v.8).

 

*          16.8     estendi sobre ti as abas do meu manto. Ver referência lateral. Cobrir uma mulher com o manto simbolizava o começo das relações conjugais (Rt 3.9). "Descobrir" essa relação é violá-la (Dt 22.30).

 

dei-te juramento. O relacionamento de aliança entre Deus e Israel fora selado com um juramento: "vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus" (36.28; Lv 26.12; Jr 11.4; 30.22; contrastar com Os 1.9). Quanto ao juramento divino, ver Gn 15.7-21; 26.3; Dt 1.8.

 

*          16.9-14           A enjeitada se tornara uma rainha. Ela recebera todos os cuidados que lhe tinham faltado ao nascer, e mais ainda. Sua vida, sua posição social, sua riqueza e sua beleza, todas se derivavam do dom gracioso daquele que a tinha escolhido.

 

*          16.17 Tudo quanto a enjeitada que se fizera rainha tinha recebido de seu amoroso marido e rei, agora, se transformara em lascívia e promiscuidade (cf. Dt 6.10-12). As ações dela demonstravam a irracionalidade do pecado: não havia razão sã para tal conduta.

 

*          16.20   os sacrificaste. Quanto à prática de sacrifício infantil em Israel e nos países circunvizinhos, ver v.36; 20.31; Gn 22.2,13; Lv 18.21; 20.2-5; Dt 12.31; 18.10; 2Rs 16.3; 17.17; 21.6; 23.10; Sl 106.37,38; Jr 32.35; Mq 6.7. Em Jerusalém, essas práticas estiveram associadas ao vale do Filho de Hinom, ao sul da cidade.

 

*          16.26   te prostituíste. A falha de Israel, por não obedecer a Deus, não era apenas uma questão de idolatria descarada. Alianças com potências estrangeiras também foram consideradas como prova de falta de confiança em Deus, em face de dificuldades políticas. Tais alianças eram uma violação da lealdade de Israel exclusivamente ao Senhor (cf. 23.7; 29.16; Is 7; 8; 30; 31; Jr 2.36,37; 22.20-22; Os 7.11-13). O autor dos livros de Crônicas enfatiza esse ponto de modo especial (2Cr 14.9-15; 16.1-9; 19.1,2; 20; 25.6-8,28).

 

*          16.37   ajuntarei todos... contra ti. Judá havia buscado a lealdade e o afeto de seus amantes; ao invés disso, porém, eles tornaram-se o instrumento de sua humilhação e castigo. Embora as nações tivessem sido usadas por Deus para castigar o seu povo, elas levariam a culpa dos pecados que também haviam cometido (cap. 25; Is 10.5,12; Zc 1.14,15); ver nota em 14.9.

 

descobrirei as tuas vergonhas. A degradação pública mediante a exposição da nudez de prostitutas e adúlteras também é mencionada em Jr 13.22,26; Os 2.10; Na 3.5.

 

*          16.38   Julgar-te-ei... as sanguinárias. Quanto à ira de um marido ciumento, ver Pv 6.34. As riquezas e as vestes da mulher lhe seriam tomadas, e ela seria deixada tão nua como quando a história começou. Ela seria coberta não com o sangue do parto (v.6), mas com o sangue de seus ferimentos. O adultério era uma ofensa capital, punido com o apedrejamento (Lv 20.10; Dt 22.21-24; cf. Jo 7.53 - 8.11).

 

*          16.41   Queimarão. Ver 23.47; cf. Jr 32.29; 34.22; 37.8; 38.18. Uma grande parte da cidade de Jerusalém foi incendiada pelo exército babilônico (Jr 39.8).

 

*          16.44   o que usa de provérbios. Ezequiel, por mais de uma vez, referiu-se a provérbios populares (12.21-28; 18).

 

*          16.45   hetéia... amorreu. É assumida aqui a depravação moral dos hititas e dos amorreus; cf. o v.3.

 

*          16.49   Sodoma. Os leitores da Bíblia geralmente pensam nos pecados de Sodoma como principalmente sexuais (Gn 19.5-9), mas Ezequiel acusou a cidade de materialista e de negligência quanto aos pobres e necessitados. Jesus fez uma comparação semelhante com Cafarnaum, em Mt 11.23,24. Os pecados de Jerusalém ultrapassaram os pecados de suas irmãs, as cidades próximas.

 

*          16.60   uma aliança eterna. Uma vez mais, Jerusalém terá a primazia sobre as suas irmãs, mas não à base da anterior relação de aliança entre Deus e a cidade. Haverá uma nova aliança, um novo relacionamento entre Deus e a cidade, no futuro. O próprio Deus fará expiação pelos pecados da cidade.