* 37.1-14 Os intérpretes há muito tempo debatem o
relacionamento entre a visão de Ezequiel e a ressurreição geral no fim dos
tempos. O Antigo Testamento não apresenta uma doutrina completa da
ressurreição; isso teve que esperar pela vinda de Cristo (Jó 14.14; 19.25,26;
Dn 12.2; ver também 1Rs 17.17-24; 2Rs 4.8-37; 13.21). A visão de Ezequiel deu
uma esperança imediata aos exilados que anelavam por ser restaurados à sua
própria terra (37.14), e ela tem uma aplicação ainda mais permanente à
ressurreição geral.
* 37.1 pelo Espírito. As
palavras "assoprar", "Espírito" e "vento", nesta
passagem, representam a mesma palavra hebraica, ajustada pelos tradutores aos
requisitos do contexto (vs. 1, 5, 6, 8, 9, 10 e 14).
um vale. Temos aqui
o mesmo vocábulo usado em 3.22; ver a nota ali. Visto que essa palavra é usada
somente por Ezequiel, nessas duas passagens, o local dessa visão pode ter sido
o mesmo que o do chamamento do profeta. Alguns estudiosos têm sugerido que a
visão deu-se nas cercanias de Jerusalém, possivelmente no vale do Cedrom, a
leste da cidade (47.1-6; Jl 3.12; Zc 14.4).
* 37.4 Profetiza. A palavra
profética era como a palavra de Deus, por ocasião da criação. Deus falou, e
nova vida foi criada (Gn 1). As palavras de Ezequiel foram similarmente
eficazes nesta visão, pois também eram palavras de Deus.
* 37.9 assopra. A infusão do sopro da vida
nos faz lembrar de Gn 2.7.
* 37.12 vossa
sepultura. A visão começara com ossos expostos e sem serem enterrados
(v.2), mas agora se amplia para incluir a abertura de sepulturas.
* 37.14 Então,
sabereis. A restauração de Israel seria o próprio testemunho de Deus
quanto a seu poder e governo.
* 37.16 um
pedaço de madeira. O profeta realizou outro ato simbólico (4.1-3, nota).
Dois pedaços de pau, um trazendo o nome do reino do sul, Judá, e o outro
trazendo o nome do reino do norte, Efraim, foram postos extremidade com
extremidade nas mãos do profeta, para que parecessem ser um só pedaço de pau.
* 37.18-23 O profeta interpretou seus atos
simbólicos (vs. 16 e 17). Os dois filhos de José foram Efraim e Manassés; essas
duas tribos formavam a parte central do reino do norte, tanto que o reino do
norte (Israel) era, algumas vezes, designado simplesmente como
"Efraim" (2Cr 25.7,10; Is 7.2,9,17; 11.13; 17.3; Jr 31.20; Os 4.17;
6.4; 8.9; 9.8; 10.6; Zc 9.13). Coube aos assírios dominá-los quase um século e
meio antes do exílio de Judá, e assim Efraim foi disperso entre outras nações e
assimilada por elas. Esta passagem relembra a monarquia unida sob Davi e
Salomão, e prevê uma futura restauração ideal (33.24; Jr 3.18; 23.5,6; Os 1.11;
Am 9.11).
* 37.24 Davi
reinará sobre eles. Ezequiel relutava em usar a palavra "rei"
para indicar qualquer dos governantes históricos de Jerusalém, preferindo
chamá-los "príncipes" (v.25; 12.10,12; 19.1; 21.12,25; 22.6; 34.24).
Aqui, entretanto, ele descreveu o futuro governante davídico como
"rei" (vs. 22,24), possivelmente uma maneira sutil de distinguir de
outros, esse futuro governante. O Novo Testamento revela que esse pastor-rei é
Jesus (34.2-10,23 e notas), que reinará para sempre sobre o renovado povo de
Deus (v.25; 34.31; Jo 10.11,14; Mt 2.2; Atos 5.31).
* 37.25-28 para sempre... para sempre. A
repetição da frase "para sempre" (vs. 25, 26 e 28) indica que a
reunificação em vista é escatológica, ou seja, um evento que ocorrerá nos
últimos dias.
* 37.26 aliança
de paz. Ver 34.25 e nota.
aliança perpétua. Essa
aliança perpétua teve lugar através do oferecimento do sangue de Cristo (Hb
13.20).
* 37.27
eu serei o seu Deus, e eles serão o meu
povo. Ver nota em 34.30.
* 37.28
quando o meu santuário estiver para
sempre no meio deles. Ezequiel esperava por uma cidade de Deus renovada
(caps. 40—48). Mais de seiscentos anos mais tarde, João teve uma visão
semelhante (Ap 21), de uma cidade que não precisava de um edifício como templo
(Ap 21.22).
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sergiovalentin