*          40.1—48.35  A visão de Ezequiel da cidade restaurada combina muitos subsídios da tradição bíblica. Ezequiel entrelaça a compreensão familiar sobre Jerusalém como a cidade onde Deus tinha preferido habitar, com referências ao monte Sinai e ao jardim do Éden.

            Um anjo guiou o profeta em um passeio pela cidade, começando pelos portões que conduziam ao átrio externo do templo (40.6-27) e terminando, após diversos capítulos, com uma divisão do território entre as doze tribos (47.13—48.35). As interpretações desses capítulos variam muito. Muitos têm visto nessas passagens uma planta e especificações de construção para uma cidade normal que deveria ser construída (43.10,11). Entretanto, há elementos na visão profética que parecem ir além de uma compreensão literal (p.ex., 47.1-12). Outros intérpretes entendem a visão do templo, de Ezequiel, como, principalmente, uma descrição simbólica da maneira como Deus gostaria de abençoar o seu povo, com o templo proeminentemente representando a presença de Deus no meio de seu povo. Por meio da utilização de visão e simbolismo (40.2; Nm 12.6), o profeta descreveu um ponto no futuro quando a presença de Deus entre o seu povo transcenderia qualquer coisa que Israel já tenha experimentado na história.

 

*          40.2     um monte muito alto. Presumivelmente o monte Sião, local do templo de Jerusalém (17.22-24; 20.40; cf. Sl 48.1,2; Is 2.2; Mq 4.1). O profeta passearia pelo monte santo, tal como o fizera o salmista (Sl 48.12,13).

 

*          40.3     um homem. O profeta foi conduzido em seu passeio pela cidade por um guia angelical (cf. Zc 1.14).

 

uma cana de medir. Ver 2Rs 21.13; Am 7.7,8; Zc 2.1,2; Ap 21.10,15.

 

*          40.4     anuncia... tudo quanto estás vendo. João recebeu instruções semelhantes (Ap 1.11).

 

*          40.5     seis côvados. Existiam pelo menos dois côvados padronizados, o côvado curto, com cerca de 44 cm, e o côvado longo, usado aqui, com cerca de 52 cm (43.13; 2Cr 3.3). Essa cana, pois, tinha cerca de 3,12 m.

 

*          40.6     subiu pelos seus degraus. As pessoas aproximavam-se do templo por meio de degraus, e o edifício estava sobre uma plataforma elevada que ficava no átrio externo. Mais degraus levavam a uma plataforma mais elevada, que era o átrio interior (vs. 34,37). Um lance de escadas levava dali para o edifício do templo (vs. 49; 41.8). Quanto mais alta fosse a elevação, e quanto mais perto se chegasse do santuário interior, maior era o grau de santidade.

 

*          40.9     o vestíbulo. Esses portões assemelham-se aos portões do período salomônico, escavadas em Hazor, Medigo e Gezer (1Rs 9.15). O caminho através do centro do portão era flanqueado por três câmaras de cada lado.

 

*          40.16   palmeiras esculpidas. Ver também os vs. 22,31,34 e 37. A decoração nos antigos santuários de Israel era, principalmente, botânica; variedades de árvores e plantas decoravam a área sagrada (Êx 25.34; 37.19; 1Rs 6.18,29,32,35). Quanto a essa questão, os santuários de Israel sugeriam a beleza do jardim do Éden e punham, diante de Israel, o alvo de voltar a residir no jardim de Deus (28.13,14, nota).

 

*          40.17 átrio exterior. Os adoradores eram admitidos no átrio exterior, mas somente os sacerdotes e os levitas podiam entrar no átrio interior. O texto não especifica o uso das trinta câmaras no perímetro do átrio exterior (cf. Jr 35.2).

 

*          40.20-27  Os portões do norte e do sul eram iguais ao portão oriental (vs. 5-16).

 

*          40.28 átrio interior. O átrio interior era separado do átrio exterior por meio de uma parede; e também tinha três portas (vs. 28-37).

 

*          40.38 onde lavavam. Os animais oferecidos como sacrifícios eram mortos nas portas do átrio interior (43.13-27). Quando os animais tinham sido sacrificados, os seus pedaços eram lavados (Lv 1.9,13; 2Cr 4.6) e pendurados em ganchos (v.43).

 

*          40.46     Zadoque. Ver 44.15, nota.

 

*          40.48—41.4    Tal como o antigo templo de Salomão, na visão de Ezequiel o templo possuía três ambientes: um vestíbulo ou pórtico (40.48,49); um santuário exterior (41.1,2); e o santuário interior ou Santo dos Santos (41.3,4). O edifício do templo ficava em nível mais alto do que o átrio circundante e subia-se a ele por escadarias que davam no pórtico (40.6, nota). O aumento na altura representava uma santidade crescente, à medida que alguém se aproximava do ambiente interior.

 

*          40.49     aos pilares. Os pilares presumivelmente assemelhavam-se a Jaquim e Boaz, as colunas que ficavam do lado de fora do templo de Salomão (1Rs 7.15-22).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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