*          47.1,2 O átrio do tabernáculo tinha uma grande bacia ou lavatório onde os sacerdotes se lavavam (Êx 30.17-21). No templo de Salomão havia um "mar" bem maior (1Rs 7.23-26). Esse mar era usado nas lavagens rituais (2Cr 4.6), mas, em adição a isso, simbolizava o oceano primordial, não mais como um símbolo ameaçador do caos (28.2, nota), mas sujeito a Deus e ao serviço do seu templo. Na visão de Ezequiel sobre o templo, essas bacias anteriores foram substituídas por um rio vivificante (Ap 21.1; 22.1,2). O lavatório do tabernáculo e o mar do templo ficavam ao sul do altar, no átrio do santuário; o rio também se originará do sul do altar. Esta passagem deve ser comparada com outras que falam de um rio na cidade de Deus (Sl 46.4), ou descrevem a erupção de uma torrente na cidade (Jl 3.18; Zc 14.3-8). Visto que o templo, pelo menos em parte, simbolizava o paraíso, o rio de Ezequiel relembra os rios que manavam do jardim do Éden (Gn 2.10-14).

 

*          47.3-12  O rio leva a vida por onde quer que vá, transformando Israel em um jardim paradisíaco. Jerusalém está construída sobre uma linha divisória de águas, no alto de uma serra de colinas. A chuva que ali cai flui para o vale do Cedrom e abre caminho para o mar Morto. Jesus apelou para as figuras de linguagem usadas nesta passagem a fim de descrever a si mesmo. Ele disse à mulher samaritana que ele era a fonte de água doadora de vida (Jo 4.10-14). Quando os discípulos se surpreenderam que Jesus estivesse falando com uma mulher samaritana, ele lhes falou sobre uma colheita perpétua que já havia começado (Jo 4.27-38), na realidade, tirando proveito do quadro de Ezequiel sobre árvores que produzem doze colheitas por ano. João também registrou a declaração de Jesus de que ele é a fonte de rios de água viva, adicionando o comentário que Jesus estava falando sobre o Espírito de Deus (Jo 7.37-39).

 

*          47.10     En-Gedi. Na praia ocidental do mar Morto (Js 15.62; 1Sm 23.29; 2Cr 20.2).

 

En-Eglaim. Perto da extremidade noroeste do mar Morto.

 

*          47.11 os seus charcos e os seus pântanos. O fato que os charcos e os pântanos seriam deixados para a produção de sal mostram familiaridade com a tradição que as extremidades rasas do sul do mar Morto eram os locais onde estavam as antigas cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 19.27-29).

 

*          47.13     José terá duas partes. Na visão de Ezequiel, a terra seria dividida igualmente entre as doze tribos. Visto que a tribo de Levi recebeu sua herança territorial dentro dos recintos sagrados de Jerusalém (45.1-8, nota), o número doze foi mantido, substituindo José pelos seus dois filhos, Efraim e Manassés (Gn 48.1-6).

 

*          47.14     a vós outros em herança. Essa é a terra que Deus prometera aos patriarcas (Gn 12.7; 15.18-21; 22.17; 28.4), e que foi possuída durante os reinados de Davi e Salomão (1Rs 8.65; 1Cr 13.5; 2Cr 9.26).

 

*          47.15     o limite da terra. As fronteiras aqui detalhadas (vs. 15-20) mencionam várias localidades desconhecidas, mas correspondem, de modo geral, a outras dessas listas (Nm 34.1-12; 1Rs 8.65). Entretanto, a repartição das terras (cap. 48) é inteiramente diferente das fronteiras históricas entre as tribos. As fronteiras oriental e ocidental são fáceis de identificar; a leste, a fronteira começava nas cabeceiras do rio Jordão, ao sul de Damasco, descia pelo rio Jordão e ao longo das praias ocidentais do mar Morto; a oeste, a fronteira era o mar Mediterrâneo. As fronteiras norte e sul são mais difíceis de estabelecer; ao norte, a linha começa perto de Tiro, e continua na direção leste até um ponto ao norte do mar da Galiléia; ao sul, corria de um ponto abaixo do mar Morto até ao ribeiro do Egito (o Wadi el-Arish), nas costas do mar Mediterrâneo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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