* 8.1-18 O profeta
Ezequiel viu quatro tipos diferentes de idolatria florescendo na cidade: (a)
adoração da "imagem dos ciúmes" (vs. 5,6); (b) adoração dos
"animais" (vs. 7-13); (c) o culto a "Tamuz" (vs. 14,15); e
(d) a adoração do "sol" (v.16). Todos os segmentos da sociedade
estavam envolvidos: os anciãos (vs. 11,12), as mulheres (v.14), e os sacerdotes
(v.16).
* 8.3 me levou a Jerusalém. Não é
necessário concluirmos que Ezequiel foi fisicamente a Jerusalém. Sua
experiência visionária de transporte não é diferente de outras experiências
visionárias na Bíblia (3.12,14; 37.1; 40.1; 2Co 12.2).
porta... que olha para o norte. Esta leva
do átrio exterior para o átrio interior do templo.
* 8.5 esta imagem dos ciúmes. Essa
imagem foi definida no v.3 como algo que "provoca o ciúme de Deus",
isto é, provoca a ira de Deus que é zeloso de sua própria honra (Êx 20.5). À
glória do Senhor cabia ficar ali (v.4); ao ídolo, não. O ídolo, provavelmente,
era uma Aserá, uma imagem de uma deusa cananéia que talvez fosse vista como a
consorte de Yahweh. Manassés pusera uma imagem dessa categoria no templo (2Rs
21.7).
* 8.10 animais abomináveis. Adorar os
animais era adorar a criatura, e não o Criador (Rm 1.25). Animais sobre os
quais o homem deveria governar e exercer domínio tinham se tornado objetos de
veneração (Gn 1.28).
* 8.11 Jaazanias, filho de Safã. Safã tinha
sido um dos cooperadores da reforma de Josias (2Rs 22.3-14; 2Cr 34.8,15-20).
Queimar o incenso no recinto do templo era um rito reservado aos sacerdotes (Êx
30.1-10; Nm 16.40; 18.1-7; 2Cr 26.16-21).
* 8.14 Tamuz. Nos dias de Ezequiel, Tamuz
era adorado tanto como um deus da fertilidade quanto como o senhor do submundo.
Os ritos usados na adoração a Tamuz estavam vinculados aos ciclos anuais de
morte e renascimento da vegetação. Quando as plantas definhavam sob o calor do
sol do verão, Tamuz teria morrido e descido ao mundo inferior; ritos de
lamentação marcavam o seu falecimento. O reaparecimento da vegetação era visto
como o retorno de Tamuz; e então, ritos de fertilidade procuravam assegurar a
produtividade da terra.
* 8.16 cerca de vinte e cinco homens.
Provavelmente, esses homens eram sacerdotes, visto que o acesso à área entre o
altar e o pórtico do templo normalmente ficava restrito aos sacerdotes. O
templo dava a frente para o oriente. Em lugar de se por de frente para o
templo, para lamentarem e chorar por seus pecados e para interceder pela nação,
como deveriam fazer (9.4; Jl 2.17), aqueles homens literalmente voltavam as
costas para a casa de Deus e adoravam o sol nascente (2Rs 21.5; 23.11). Cultos
aos astros eram comuns no antigo Oriente Próximo e Médio.
* 8.17 encham de violência. Os pecados
denunciados neste capítulo são, primariamente, referentes a práticas religiosas
corruptas, mas não com exclusividade. As religiões corrompidas deixam-se
acompanhar, inevitavelmente, por relações corruptas entre o povo, pelo que a
terra inteira foi descrita como cheia de violência ou desregramento. Este tema
é ainda desenvolvido em 9.9 e 11.6.
o ramo ao seu nariz. Baixos-relevos
assírios mostram pessoas segurando ramos diante de seus rostos, em um gesto de
reverência e adoração; temos aqui o que parece ser uma referência àquele gesto
ritual.
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sergiovalentin