*          1.1                   no trigésimo ano. Julho de 593 a.C. Parece que o livro de Ezequiel tem um duplo título, um na primeira pessoa (v.1), e outro na terceira (vs. 2 e 3). As datas, nesse livro, normalmente são calculadas a partir do ano do cativeiro de Joaquim (cap. 40.1). Mas a primeira data do livro especifica um "trigésimo" ano (v.1) e, imediatamente em seguida, refere-se ao "quinto ano" de Joaquim. Provavelmente esse trigésimo ano fosse a idade de Ezequiel quando de sua chamada profética, o que coincidiu com o "quinto" ano de Joaquim. Um candidato ao sacerdócio ordinariamente assumia as plenas responsabilidades de seu ofício aos trinta anos de idade (Nm 4.3). Em lugar de atingir esse alvo importante, Ezequiel estava vivendo no exílio, distante do templo de Jerusalém, incapaz de cumprir a seu chamado como um sacerdote.

 

rio Quebar. Os judeus que viviam fora de sua terra natal comumente estabeleciam lugares de adoração ao longo de correntes de água (Sl 137.1; At 16.13). Dois textos com escrita cuneiforme, originários de Nipur, mencionam um naru kabari (cujo sentido é "grande rio"), que, provavelmente, é o Quebar. Este era um grande canal de irrigação que trazia água do Eufrates até um ponto abaixo da cidade de Babilônia.

 

*          1.4—3.15 A visão inaugural de Ezequiel deve ser comparada às narrativas do chamamento de Moisés (Êx 3), de Isaías (Is 6) e de Jeremias (Jr 1). À semelhança de Moisés, o profeta modelo (Dt 18.15,18), aqueles que o seguissem deviam, ordinariamente, começar suas carreiras proféticas sendo admitidos à presença divina. No concílio celestial, eles ouvem as palavras de Deus. Os profetas deixaram registradas tais experiências não tanto como dados autobiográficos, mas porque a admissão deles ao concílio divino foi a base de sua reivindicação de autoridade profética. Essa era a qualificação que distinguia um profeta verdadeiro de um profeta falso (1Rs 22.19-28; Jr 23.16-18).

 

*          1.4                   um vento tempestuoso. Quanto ao vento tempestuoso ou redemoinho como um modo de teofania, ver 2Rs 2.1,11; Jó 38.1; 40.6; Sl 77.18; 83.15; 148.8; Is 29.6; 66.15; Jr 4.13; 23.19; 30.23; Na 1.3; Zc 9.14.

 

*          1.5       Quando esses "seres viventes" apareceram novamente, foram identificados como "querubins" (10.1,15,17,20). Existem pontos de semelhança com os serafins que estavam com Deus por ocasião da chamada de Isaías (Is 6.2,3), e com a visão de João do trono divino (Ap 4.6-9). Suas asas "se uniam uma à outra" (v.9), tais como as asas dos querubins sobre a arca no Santo dos Santos do templo (1Rs 6.27; 2Cr 3.11,12). Os livros de Crônicas descrevem a arca como "o carro dos querubins" (1Cr 28.18).

 

*          1.10     seus rostos. Os quatro rostos, provavelmente, representam as cabeças de quatro reinos da criação. O homem é supremo e olha para o lado de fora. O boi é o cabeça dos animais domésticos; o leão, dos animais selvagens; e a águia, dos pássaros. Ao que parece, as criaturas formavam um quadrado, com as faces humanas olhando para o lado de fora, para os quatro pontos cardeais, tornando os outros rostos visíveis lateralmente.

 

*          1.13,14            carvão em brasa... tochas... relâmpagos.  O fogo é um componente regular das teofanias (manifestações ou aparições de Deus) no Antigo Testamento (Gn 15.17; Êx 3.2; 13.21,22; 14.24; 19.18; 24.17; Nm 11.1; Dt 1.33; 4.11,12,24,33,36; 5.22-26; 9.3; Sl 18.8; 78.14,21).

 

*          1.24     como o rugido. Um distintivo som forte acompanha as teofanias que envolvem o exército divino (2Sm 5.24; 2Rs 7.6; Is 13.4; 66.6; Jl 2.5; cf. Gn 3.8; Êx 19.19; Is 6.4). Ver particularmente 3.12,13 e 10.5.

 

*          1.27     um resplendor. A luz que se irradia da presença divina é avassaladora (Dn 7.9), pois Deus habita em "luz inacessível" (1Tm 6.16). Ninguém jamais viu a Deus, e Ezequiel não ousou descrevê-lo. Ele pôde falar somente sobre a "aparência da glória do SENHOR" (1.28), uma maneira de falar essencialmente distante de uma descrição direta de Deus.

 

*          1.28     arco que aparece na nuvem. O arco-íris não somente reflete o resplendor ao redor de Deus, mas também testifica de seu domínio sobre o mar e sua promessa feita a Noé (Gn 9.16,17). Ver nota teológica "A Glória de Deus", índice .

 

*          2.1-8 Em outras narrativas sobre chamamentos, depois que a pessoa se aproxima da presença divina, Deus anuncia a sua comissão, normalmente com uma declaração de que estava enviando aquela pessoa (2.3; Êx 3.10; Jz 6.14; Is 6.8; Jr 1.7).

 

*          2.1       Filho do homem. Deus dirigiu-se dessa maneira a Ezequiel por mais de noventa vezes neste livro. A frase significa "pessoa", "ser humano", e enfatiza a humanidade e a fragilidade do profeta, e tanto mais quando ele estava em tal proximidade da visão da glória de Deus. Esse uso da frase, no livro de Ezequiel, deve ser distinguido de seu uso nos Evangelhos, como a autodesignação favorita de Jesus. Jesus usou a frase para designar-se a si mesmo como o "Filho do homem” conhecido de Dn 7.13,14.

 

*          2.2                 o Espírito. No Antigo Testamento, o Espírito de Deus aparece, com proeminência, como o Espírito da profecia, o Espírito que faz o profeta ser um canal de revelação divina (Nm 11.25,26,29; 1Sm 10.6; 19.20; Jl 2.28; Zc 7.12).

 

*          2.6                   sarças e espinhos... escorpiões. Essas metáforas referem-se àqueles que perseguiriam Ezequiel por ele estar trazendo, da parte de Deus, uma mensagem impopular (1Rs 18.4; Jr 20.7-18; Mt 23.29-31,34,37).

 

*          2.9— 3.3 Em outras narrativas sobre a chamada profética, uma vez que é dada a comissão divina, Deus geralmente provê um sinal para confirmá-la (Êx 3.12; Jr 1.11-14). Moisés tinha dito que Deus poria suas palavras nas bocas dos profetas (Dt 18.18), e aqui isso é visto de maneira gráfica. O que o alimento é para o corpo, a palavra de Deus seria para o ministério de Ezequiel.

 

*          2.10     por dentro e por fora. Os rolos ordinariamente eram escritos apenas em um dos lados; mas ver também Zc 5.3 e Ap 5.1.

 

lamentações, suspiros e ais. A maior parte da primeira metade do livro de Ezequiel consiste em oráculos de juízo contra Judá (caps. 1—24) e contra nações estrangeiras (caps. 25—32).

 

*          3.7                   não te dará ouvidos... não me quer dar ouvidos. O Senhor identifica os seus mensageiros consigo mesmo (cf. Lc 10.16; Jo 13.20).

 

*          3.8                   fiz duro o teu rosto. No hebraico, Ezequiel significa "Deus torna forte" ou "Deus endurece".

 

*          3.12     Levantou-me o Espírito. Por mais de uma vez, Ezequiel descreveu sua experiência visionária em termos de ser transportado pelo Espírito (3.12,14; 8.3; 11.1,24; 40.1-3; 43.5). Ver 2Rs 2.11,16; 2Co 12.1,2.

 

*          3.15     Tel-Abibe. Esse local não tem sua localização exatamente definida.

 

atônito. A Bíblia registra períodos semelhantes de silêncio ou de incapacidade na vida de outros servos de Deus (Ed 9.4; Jó 2.13; Jr 23.9; Dn 8.27; At 9.9).

 

*          3.16     a palavra do SENHOR. Essa frase ocorre mais de cinqüenta vezes no livro de Ezequiel, mais do que em qualquer outro livro profético.

 

*          3.17     por atalaia. Ezequiel haverá de entrar em pormenores sobre seu papel como atalaia em 33.1-9. Ser um atalaia significava que ele era o responsável por aqueles a quem ele ministrasse, tendo de adverti-los de alguma ameaça iminente. Se ele deixasse de advertir tais pessoas, ele teria que prestar contas de qualquer infortúnio que disso resultasse. As pessoas de uma cidade não desconsiderariam os gritos de um atalaia comum, entretanto não dariam ouvidos a Ezequiel (vs. 6,7; cf. Is 22.1-14).

 

*          3.22     A mão do SENHOR. Ezequiel usava essa frase para descrever como as revelações lhe eram dadas (v.14; 8.1; 33.22; 37.1 e 40.1).

 

para o vale. Essa palavra significa uma área aberta entre montanhas, e pode ser traduzida por "vale" ou por "planície". Esse vocábulo também ocorre na visão de Ezequiel sobre o "vale" dos ossos secos (37.1).

 

*          3.26     ficarás mudo. A duração e a natureza da mudez de Ezequiel é uma das questões mais debatidas do livro. Quando quer que tenha começado durou até chegar aos exilados a notícia de que a cidade de Jerusalém fora destruída (24.27; 33.22; cf. 29.21). O profeta não ficou completamente mudo, mas falava somente quando recebia alguma revelação da parte de Deus. Ezequiel entregou muitos oráculos aos exilados nos seis anos entre a sua chamada e a destruição de Jerusalém.

 

*          4.1-3 Os profetas de Israel usavam de auxílios visuais, como tábuas de argila, como ilustrações das lições que queriam salientar; essas lições objetivas são usualmente chamadas de "atos simbólicos" (1Rs 11.30; 22.11; 2Rs 13.17; Is 20.2-4; Jr 13.1-14; 19.1-10). Em vários lugares da Mesopotâmia têm sido encontrados tijolos ou tábuas de argila com mapas ou desenhos arquitetônicos. O profeta desenhou o cerco que foi lançado contra Jerusalém, em 586 a.C., e que terminou com a destruição da cidade.

 

*          4.3                   uma assadeira de ferro. Essa era a chapa redonda de ferro sobre a qual o pão era cozido no forno. Visto que o profeta representava a Deus nesse drama em miniatura, a assadeira de ferro, posta de pé, representava a muralha que havia entre Deus e Jerusalém. As orações dos habitantes da cidade não chegariam até ele, e Deus não interviria em favor deles.

 

*          4.4                   põe a iniqüidade. A natureza dupla do ofício profético — representar Deus diante do povo, e o povo diante de Deus — é vista na segunda metade do ato simbólico. Agora o profeta representava o povo e trazia sobre si a iniquidade deles (cf. Êx 32.30-32; Rm 9.3).

 

*          4.5,6    trezentos e noventa dias. O período de tempo a que os números 390 e 40 se referem é difícil de interpretar. Cada dia representa um ano (v.6; cf. Nm 14.34; Dn 9.24-27). É possível que os quarenta dias não sigam os trezentos e noventa dias (formando um total de quatrocentos e trinta), mas antes, concorrem juntamente com eles. Alguns consideram o total de quatrocentos e trinta anos como uma referência simbólica à duração da estada de Israel no Egito (Êx 12.40,41).

 

*          4.8                   Eis que te prenderei. Ficar deitado de lado enquanto estava amarrado (ver referência lateral) provavelmente significa que Ezequiel ficava imóvel somente uma parte de cada dia. Por exemplo, ele ainda tinha que preparar as suas refeições (vs. 8-13).

 

*          4.9-11 Ezequiel teria que viver como se fosse a vítima de um cerco, enquanto fizesse o papel de Jerusalém sitiada. Essas reações refletem as privações durante um cerco (Dt 28.52-57; 2Rs 6.25; 7.12; Jr 15.2; 19.9).

 

*          4.10     vinte siclos. Cerca de 230 gramas.

 

*          4.11     a sexta parte de um him. Esse racionamento de água era de 0,6 litros por dia. Ver nota em 45.24.

 

*          4.12-15           A pureza cerimonial era impossível de observar durante um cerco, mesmo para um sacerdote como Ezequiel. Os excrementos humanos eram considerados impuros (Dt 23.13), e o profeta ficou enojado diante da ordem que Deus lhe dera, protestando que nunca havia violado as leis dietéticas, restringindo-se aos tipos de alimentos que Israel podia comer (44.31; Êx 22.31; Lv 7.19-24; 11.8,39,40; 22.8; Dt 14.3,8). Deus então permitiu que ele usasse esterco de gado, o que continua sendo largamente usado como combustível em certas partes do Oriente Próximo e Médio.

 

*          5.1      como navalha. Deus havia proibido os homens israelitas de se barbearem ou cortarem partes da barba (Lv 19.27). Essa lei foi reiterada no caso dos sacerdotes (Lv 21.5), e Ezequiel era um sacerdote (1.1). Cortar os pelos do rosto podia ser uma questão de grande vergonha pessoal (2Sm 10.4,5; Is 7.20; 50.6), ou um sinal de luto (Ed 9.3; Is 15.2; Jr 7.29; 41.5; 48.37).

 

*          5.10-13           Ezequiel interpretou o simbolismo dos vs. 1-4: os cabelos queimados no fogo representavam aqueles que morreriam de praga ou enfermidade, durante o cerco; os cabelos cortados à espada representavam aqueles que morreriam na batalha e nos momentos seguintes ao cerco; e os cabelos espalhados ao vento representavam aqueles que seriam levados para o exílio. É notável que Ezequiel não ofereceu pormenores quanto à significação dos poucos cabelos retidos nas dobras de suas vestes; esses simbolizavam os sobreviventes que permaneceriam em Jerusalém (Jr 40.7-12).

 

*          5.10     os pais devorarão a seus filhos. O canibalismo poderia ser uma consequência de um cerco demorado (2Rs 6.26-29; Lm 2.20). Moisés tinha advertido que isso poderia acontecer se a nação de Israel não fosse obediente (Dt 28.53-57).

 

*          6.1-3 O discurso de Ezequiel, dirigido aos montes e colinas de Jerusalém, como se ele os estivesse vendo, tem impulsionado alguns estudiosos a sugerir que parte do seu ministério foi efetuado em Israel, e não entre os exilados na Babilônia. Entretanto, embora os montes e as colinas de Israel fossem sua platéia metafórica, os ouvintes eram os próprios exilados. Compare a profecia de Ezequiel acerca do povo de Edom, em discurso dirigido ao monte Seir (cap. 35).

 

*          6.3                   os vossos altos. Os cananeus normalmente adoravam suas divindades nos cumes das colinas. Deus tinha ordenado aos israelitas que erradicassem os lugares altos quando entrassem na Terra Prometida (Nm 33.52; Dt 12.1-3; 33.29). Entretanto, os lugares altos continuaram a florescer por muito tempo depois que o templo foi construído (16.16; Jr 7.31; 19.5; 32.35; 48.35). O povo de Israel passara a adorar os deuses cananeus ou converteram os santuários pagãos para usá-los em uma combinação de práticas cananéias e israelitas. A existência contínua dos lugares altos serviu de ofensa específica para o autor dos livros de Reis (1Rs 11.7; 12.31,32; 13.2,32; 14.23; 2Rs 12.3; 14.4; 15.4,35; 17.29; 23.5,8,13,15,19,20).

 

*          6.5       os cadáveres. Os santuários seriam contaminados devido à presença de cadáveres (9.7; Nm 19.16,18; 1Rs 13.2; 2Rs 23.14-16; 2Cr 23.14,15; 34.5).

 

*          6.7                   para que saibais que eu sou o SENHOR. Ezequiel fez uso freqüente dessa "fórmula de reconhecimento" (cf. 7.4,9; 11.10,12; 12.20). O Senhor revela-se o Dirigente da História anunciando os eventos antes deles acontecerem.

 

*          6.8                   escapareis. Ezequiel introduziu aqui o tema do remanescente (9.8; 11.12,13; 12.16; 14.22,23; 20.39-44). O remanescente é um grupo ou indivíduo que experimentou alguma calamidade, ordinariamente por motivo de juízo contra o pecado, e sobreviveu. Esse grupo de sobreviventes torna-se então o núcleo que dará continuidade ao grupo: eles incorporam as esperanças futuras do povo, e herdam novamente as promessas de Deus. O exílio seria um período de expurgo e de refinamento, para que um povo puro dali emergisse.

 

*          6.14     Ribla. Um local no norte do Líbano, onde Faraó Neco e Nabucodonosor basearam algumas de suas operações (2Rs 23.33; 25.6), nos anos finais da nação de Judá. Os ouvintes de Ezequiel teria entendido a referência. Do deserto até Ribla significa da fronteira sul para a fronteira norte de Judá e Israel.

 

*          7.7                   o dia. Os profetas do Antigo Testamento falaram com freqüência sobre "o dia" ou sobre "o dia do Senhor" (30.3-9; Is 2.12-17; 13.6-10; 34.8-12; 61.1-3; 63.3-6; Jl 2; 3; Am 5.18-20; Ob 8,15; Sf 1.1-2.3; Zc 14; Ml 4.1-3). Esse seria o dia quando o Senhor haveria de vir para julgar os seus inimigos e vindicar o seu nome. Dependendo do contexto no qual fosse falado pelo profeta, o dia do Senhor podia significar alegria ou tristeza para Israel. No Novo Testamento, ver Rm 2.16; 1Co 1.8; 5.5; 2Co 1.14; Fp 1.6,10; 2.16; 2Tm 1.12,18; 4.8; Hb 10.25; 2Pe 2.9; 3.12 e Ap 16.14.

 

*          7.22-27 Visto que Deus tinha escolhido Jerusalém como sua habitação na terra e no passado havia combatido miraculosamente em favor da cidade (2Rs 18; 19; 2Cr 32; Is 36.37), Judá chegara a aceitar a noção de que a cidade era inviolável como uma verdade teológica. O contemporâneo de Ezequiel, Jeremias, também tinha advertido os habitantes da cidade para não confiar na existência do templo como garantia de segurança (Jr 7.1-15; 26.1-19).

 

*          8.1-18 O profeta Ezequiel viu quatro tipos diferentes de idolatria florescendo na cidade: (a) adoração da "imagem dos ciúmes" (vs. 5,6); (b) adoração dos "animais" (vs. 7-13); (c) o culto a "Tamuz" (vs. 14,15); e (d) a adoração do "sol" (v.16). Todos os segmentos da sociedade estavam envolvidos: os anciãos (vs. 11,12), as mulheres (v.14), e os sacerdotes (v.16).

 

*          8.3                   me levou a Jerusalém. Não é necessário concluirmos que Ezequiel foi fisicamente a Jerusalém. Sua experiência visionária de transporte não é diferente de outras experiências visionárias na Bíblia (3.12,14; 37.1; 40.1; 2Co 12.2).

 

porta... que olha para o norte. Esta leva do átrio exterior para o átrio interior do templo.

 

*          8.5                   esta imagem dos ciúmes. Essa imagem foi definida no v.3 como algo que "provoca o ciúme de Deus", isto é, provoca a ira de Deus que é zeloso de sua própria honra (Êx 20.5). À glória do Senhor cabia ficar ali (v.4); ao ídolo, não. O ídolo, provavelmente, era uma Aserá, uma imagem de uma deusa cananéia que talvez fosse vista como a consorte de Yahweh. Manassés pusera uma imagem dessa categoria no templo (2Rs 21.7).

 

*          8.10     animais abomináveis. Adorar os animais era adorar a criatura, e não o Criador (Rm 1.25). Animais sobre os quais o homem deveria governar e exercer domínio tinham se tornado objetos de veneração (Gn 1.28).

 

*          8.11     Jaazanias, filho de Safã. Safã tinha sido um dos cooperadores da reforma de Josias (2Rs 22.3-14; 2Cr 34.8,15-20). Queimar o incenso no recinto do templo era um rito reservado aos sacerdotes (Êx 30.1-10; Nm 16.40; 18.1-7; 2Cr 26.16-21).

 

*          8.14     Tamuz. Nos dias de Ezequiel, Tamuz era adorado tanto como um deus da fertilidade quanto como o senhor do submundo. Os ritos usados na adoração a Tamuz estavam vinculados aos ciclos anuais de morte e renascimento da vegetação. Quando as plantas definhavam sob o calor do sol do verão, Tamuz teria morrido e descido ao mundo inferior; ritos de lamentação marcavam o seu falecimento. O reaparecimento da vegetação era visto como o retorno de Tamuz; e então, ritos de fertilidade procuravam assegurar a produtividade da terra.

 

*          8.16     cerca de vinte e cinco homens. Provavelmente, esses homens eram sacerdotes, visto que o acesso à área entre o altar e o pórtico do templo normalmente ficava restrito aos sacerdotes. O templo dava a frente para o oriente. Em lugar de se por de frente para o templo, para lamentarem e chorar por seus pecados e para interceder pela nação, como deveriam fazer (9.4; Jl 2.17), aqueles homens literalmente voltavam as costas para a casa de Deus e adoravam o sol nascente (2Rs 21.5; 23.11). Cultos aos astros eram comuns no antigo Oriente Próximo e Médio.

 

*          8.17     encham de violência. Os pecados denunciados neste capítulo são, primariamente, referentes a práticas religiosas corruptas, mas não com exclusividade. As religiões corrompidas deixam-se acompanhar, inevitavelmente, por relações corruptas entre o povo, pelo que a terra inteira foi descrita como cheia de violência ou desregramento. Este tema é ainda desenvolvido em 9.9 e 11.6.

 

o ramo ao seu nariz. Baixos-relevos assírios mostram pessoas segurando ramos diante de seus rostos, em um gesto de reverência e adoração; temos aqui o que parece ser uma referência àquele gesto ritual.

 

*          9.1                   cada um com a sua arma destruidora na mão. A idolatria de Judá não deixaria de ser punida (cf. 2Cr 15.12,13). Embora os executores tenham sido descritos como homens (vs. 1,2), provavelmente eram anjos guerreiros (Êx 12.23-30; 1Cr 21.15-20), encarregados de executar os idólatras.

 

*          9.2                   certo homem vestido de linho. Vestes de linho eram usadas pelos sacerdotes (Êx 28.31-42), mas os anjos e aqueles que vivem na presença de Deus também são assim descritos (Dn 10.5; 12.6,7; Ap 15.6; 19.8,14).

 

com um estojo de escrevedor à cintura. Esse homem é um escriba, aparentemente encarregado de guardar os registros celestiais (Êx 32.32,33; Sl 69.28; 139.16; Dn 12.1; Fp 4.3; Ap 3.5; 13.8; 17.8; 20.12,15; 21.27). A visão de Ezequiel serviu de lembrete de que os idólatras não têm lugar na cidade de Deus (1Co 5.11; 6.9; Ef 5.5; Ap 21.8 e 22.15).

 

*          9.3                   A glória. A nuvem gloriosa que revelava a presença divina, segundo se entendia, habitava acima do Santo dos Santos, no templo; agora a nuvem tinha começado uma viagem visual, retratando a maneira pela qual Deus abandonaria Jerusalém (10.18,19; 11.22,23).

 

*          9.4                   marca com um sinal. A marca na testa, nessa visão, pode ter influenciado o apóstolo João, em Ap 7.3 e 14.9. O sinal posto na testa era a última letra do alfabeto hebraico, tau. Nos tempos de Ezequiel, o tau era escrito como o "X" em português. Os primeiros intérpretes cristãos viam nessa cruz inclinada uma previsão da cruz de Cristo. Comparar também as marcas feitas na verga e nas ombreiras das portas, na narrativa sobre a páscoa (Êx 12.21-23).

 

*          9.9                   a terra se encheu de sangue. As acusações no capítulo oitavo concentraram-se sobre a idolatria e os delitos contra o culto; aqui a questão não são as relações entre Deus e as pessoas, mas as relações entre as pessoas. O profeta estava discutindo a violência e o desregramento mencionados em 8.17.

 

*          10.1     querubins. Ver 1.5, nota.

 

*          10.7     Então, estendeu... a mão. O querubim estendeu a mão para dentro da coluna de fogo para retirar as chamas que devorariam a cidade (v.2).

 

*          10.12   cheias de olhos. Ver Dt 11.12; 2Cr 16.9; Pv 15.3; Zc 3.9; 4.10; Ap 4.8.

 

*          10.14   de querubim. Na visão anterior, esse rosto era de um boi ou de um touro (1.10).

 

*          11.1     vinte e cinco homens. Esses homens parecem ser líderes políticos, e não sacerdotes. Assim sendo, não seriam os mesmos que os vinte e cinco adoradores do sol, em 8.16.

 

Jaazanias, filho de Azur. Não era a mesma pessoa que Jaazanias, o filho de Safã (8.11).

 

*          11.3     a panela... a carne. A liderança de Jerusalém já havia sido deportada por Nabucodonosor, em 597 a.C.; esta deportação incluiu grande parte da família real, dos líderes militares e dos artífices, deixando na Terra Prometida apenas "o povo pobre da terra" (2Rs 24.13-16). Aqueles que se elevaram à proeminência, na ausência da classe governante anterior, parecem ter sido iludidos por manias de grandeza. A analogia que eles usaram acerca de uma panela e sua carne parece ser que eles consideravam que aqueles que foram deportados da cidade eram as partes inúteis de um animal esquartejado, enquanto que eles eram a melhor parte.

 

*          11.7     são a carne. O profeta deixou claro que a melhor parte, a "carne" da cidade, compunha-se daqueles que tinham sido mortos. Os novos líderes tinham se considerado a melhor parte (v.3, nota).

 

*          11.13   Pelatias. Esse nome significa "Yahweh provê escape". Quando esse homem morreu, súbita e inesperadamente, durante a visão de Ezequiel, este temeu que toda esperança de escape tinha morrido juntamente com ele. Assim sendo, o profeta intercedeu junto ao Senhor, uma vez mais, em favor do remanescente. Ver nota em 6.8; cf. 9.8.

 

*          11.15   os homens do teu parentesco. Em casos de emergência, como a bancarrota comercial, os parentes próximos de uma pessoa tinham a obrigação de preservar a família e a propriedade (Rt 2.20, nota). Se esses parentes estivessem distantes, a propriedade não estaria segura.

 

*          11.16   santuário. Visto que os exilados estavam longe do templo de Jerusalém, o próprio Deus seria o santuário deles. Posteriormente, Jesus tomaria o lugar do templo (Mt 26.61; 27.40; Jo 2.19) e, através de seu Santo Espírito, seus seguidores tornar-se-iam o seu templo (1Co 3.16,17; 2Co 6.16; 1Pe 2.5).

 

*          11.22-24 No fim dessa visão, Ezequiel viu a nuvem gloriosa partir da cidade de Jerusalém e dirigir-se para o leste, tendo atravessado o vale do Cedrom, até o monte das Oliveiras. Deus, entretanto, não se esqueceu de Jerusalém para sempre. Mais tarde, Ezequiel descreveu a glória de Deus retornando a Jerusalém (cap. 43).

 

*          12.1-16 Temos aqui outro ato simbólico (4.1-3, nota); o profeta encena o exílio de seus compatriotas que estavam em Jerusalém.

 

*          12.2     casa rebelde. Ver 2.3-8; 3.9,26,27.

 

que tem olhos... tem ouvidos. Cf. Dt 29.4; Pv 20.12; Is 6.9,10; 32.3; Jr 5.21; Mt 13.15,16; Mc 8.18; At 28.26,27; Rm 11.8. A seção inteira faz alusões frequentes ao ato de ver (vs. 4-7,12,13).

 

*          12.4     à tarde. Essa fuga na escuridão seria tal como escavar a parede de uma casa (v.5). Ezequiel retratou o esforço abortado de Zedequias para escapar de Nabucodonosor (vs. 10,11; 2Rs 25.3-7).

 

*          12.6     cobre o rosto. Encobrir o rosto era um gesto de vergonha ou de tristeza (24.17,22; Lv 13.45; 2Sm 19.4; Et 6.12; 7.8; Sl 44.15; 69.7). Neste contexto, esse ato sugere que os exilados nunca mais veriam Jerusalém de novo, e, mais especificamente ainda, que Zedequias perderia a vista (vs. 12,13; 2Rs 25.7).

 

*          12.13   minha rede. Deus é aqui descrito como um caçador ou passarinheiro (17.20; 32.3; Jó 19.6; Is 8.14; 24.18; 51.20; Jr 50.24; Lm 1.13 e Os 7.12).

 

*          12.17-20 Temos aqui outro ato simbólico (ver Introdução). O alimento e a água de Ezequiel presumivelmente são as porções que lhe foram determinadas em 4.9-11. A fraqueza física do profeta e seu tremor representavam a sorte dos habitantes de Jerusalém.

 

*          12.21—14.11  Estas passagens estão unidas pela preocupação diante das profecias falsas. O Antigo Testamento usa vários critérios para distinguir a profecia verdadeira da falsa. Esses critérios enfocam sobre o que dizia a mensagem, como ela foi recebida e quem a recebeu. (a) O critério mais importante para uma profecia verdadeira ou falsa é o cumprimento das palavras do profeta (Dt 18.21,22). Sua mensagem não deve contradizer revelações anteriores (Dt 13.1-5). A mensagem de um profeta verdadeiro com freqüência corre contra o sentimento popular, e os profetas foram perseguidos por causa de seus pronunciamentos impopulares (Jr 20.7-10; 38.1-13; cf. Mt 23.34,35). (b) Certos meios de discernir a vontade de Deus eram proibidos (Dt 18.9-14), como a adivinhação, o espiritismo e a bruxaria. Entretanto, os profetas podiam receber revelações através de sonhos e visões (Nm 12.6-8). (c) O verdadeiro profeta era admitido à confiança de Deus (Jr 23.18). A experiência de admissão ao conselho de Deus, como se fosse a admissão a uma assembléia divina, era, com freqüência, anunciada em uma narrativa sobre o chamamento do profeta (1.4—3.15, nota). Finalmente, o caráter do profeta precisa ser coerente com a glória do Deus a quem ele servia.

 

*          12.27   ele profetiza de tempos que estão mui longe. O povo zombava dizendo que as profecias de Ezequiel não teriam cumprimento no período de vida deles. No Novo Testamento, uma atitude semelhante de incredulidade não altera a certeza da segunda vinda de Cristo (2Pe 3.3,4,10; Ap 10.6).

 

*          13.4     raposas. Ezequiel usou duas figuras de linguagem para descrever os profetas falsos. Estes eram como raposas do deserto (v.4), separados da sociedade e inúteis para ela. Nos vs. 10 e 11, eles são comparados a paredes fracas e caiadas, indignas de confiança e sem permanência.

 

*          13.5     Não subistes às brechas. O enfoque recai sobre a conduta dos profetas falsos: o verdadeiro profeta se identificava de tal maneira com o povo de Deus que se expunha a riscos em favor deles. Quando uma muralha era arrombada por um exército atacante, a tarefa de maior perigo era a tarefa de consertar a brecha. Em tais pontos, os profetas falsos não podiam ser encontrados. O termo hebraico para brecha foi usado para descrever Moisés, conforme se lê em Sl 106.23: "se Moisés... não se houvesse interposto" em favor de Israel. Em última análise somente Jesus Cristo pode se colocar na brecha entre Deus e a humanidade (1Tm 2.5).

 

*          13.9     nos registos. Provavelmente as listas de recenseamento e registro civil de Israel, a contraparte terrestre dos registros celestes. Ver 9.2, nota.

 

*          13.10-12         A imagem da brecha na parede (v.5) pode ter inspirado essa outra descrição dos atos dos profetas falsos. Suas visões falsas e suas adivinhações mentirosas eram uma parede mal construída — quando rebocada ou caiada (v.10) podia parecer bem feita, mas não resistia às condições atmosféricas, e muito menos ainda ao dia do Senhor, quando o próprio Deus traria juízo contra a cidade.

 

*          13.17-23 A Bíblia menciona diversas profetisas autênticas, como Miriã, Débora, Hulda e Ana (Êx 15.20; Jz 4.4; 2Rs 22.14; 2Cr 34.22; Lc 2.36), e algumas que eram falsas (Ne 6.14; Ap 2.20). As mulheres mencionadas nestes versículos eram praticantes de mágica e de bruxaria, atividades essas especificamente proibidas para Israel (12.21—14.11, nota). Elas ganhavam a vida vendendo amuletos e encantamentos.

 

*          14.3     tropeço para a iniqüidade. Essa é uma das frases favoritas do profeta Ezequiel (vs. 4,7; 7.19; 44.12 e nota). Pode estar aludindo à idolatria secreta.

 

*          14.9     eu... enganei... estenderei a mão contra ele. Numerosas passagens bíblicas integram a soberania de Deus e a responsabilidade moral dos seres humanos, sem permitir a vontade predeterminada de Deus ser usada como desculpa para o mal moral (Et 4.13,14; Jl 2.32; Mt 26.24,25; At 2.23). Nesta seção, idólatras que não tinham a mínima intenção de desistir de sua idolatria vieram em busca de uma palavra profética. Segundo a provisão de Deus eles encontraram um profeta tão falso quanto eles, e ambos cairiam sob o juízo divino. O profeta que os serviu, embora provocado por Deus, tinha que suportar a responsabilidade por seu erro. Ver 1Rs 22.19-25.

 

*          14.14   ainda que estivessem. O profeta, segundo parece, respondia ao ponto-de-vista defendido por alguns de que a presença de algumas pessoas justas em Jerusalém serviria para proteger a cidade (cf. Gn 18.22-32).

 

Noé, Daniel e Jó. Embora Noé fosse um homem justo e inculpável, entre os de sua geração (Gn 6.9), o mundo não foi poupado por causa de sua presença. Jó, por igual modo, era inculpável e reto (Jó 1.1) mas isso não poupou a sua família. A identidade do "Daniel" mencionado é muito debatida. Provavelmente ele não era o contemporâneo de Ezequiel, do livro de Daniel. No hebraico, o nome é soletrado Dani'el, de modo diferente do nome do profeta conhecido por esse nome (Daniyye'l). O mais provável é que o Daniel aqui mencionado seja uma figura heróica mencionada em um texto da antiga Ugarite. Essa história diz respeito a um rei chamado Daniel, conhecido, até certo ponto, por sua retidão, sabedoria (cf. 28.3) e piedade. "Noé, Daniel e Jó", pois, designariam figuras não-israelitas de tempos remotos, conhecidos por sua retidão. Eles não puderam salvar o mundo de seus próprios dias, e mesmo juntos não poderiam salvar a cidade de Jerusalém (cf. v.20).

 

*          15.3     algum objeto? A madeira da videira não servia para fabricar qualquer objeto de valor, nem mesmo uma pequena estaca. Deus relembrou os exilados que o fato de ele haver escolhido Israel como seu povo não se deveu a qualquer valor intrínseco deles, mas fora, exclusivamente, uma questão de sua graça (Dt 7.6-8).

 

*          15.4     queimado. A queima parcial de Israel provavelmente é uma referência ao exílio parcial que já tivera lugar em 597 a.C., com a deportação de Joaquim e de uma grande porção da classe alta dos habitantes da cidade, incluindo Ezequiel. Depois desse dano parcial, a cidade ficava valendo ainda menos. O profeta Zacarias comparou o exílio babilônico a um incêndio, ao descrever o sumo sacerdote como "um tição tirado do fogo" (Zc 3.2).

 

*          16.1-63           Ezequiel conta a história de uma criança não desejada, o casamento dela e a sua infidelidade. Oséias usou o matrimônio como analogia do relacionamento segundo a aliança entre Deus e Israel (Os 1—3; ver também Ef 5.22-33; Ap 19.7; 21.2,9). O discurso de Ezequiel parece ter uma base judicial; ele declarou a acusação de Deus contra a nação, desde os seus primeiros dias até os tempos dessa profecia.

 

*          16.3     o teu nascimento. Originalmente, Jerusalém era uma cidade pagã; seus primeiros habitantes são descritos como amorreus, cananeus, jebuseus e heteus (v.45; Gn 10.15,16; Js 10.5; Jz 1.21; 19.10; 2Sm 5.6). Quanto a esse respeito, a cidade não era diferente dos patriarcas, que eram de origem pagã síria (Dt 26.5; Js 24.14).

 

*          16.5     foste lançada. As crianças não desejadas eram freqüentemente abandonadas e deixadas ao léu para morrerem. A menina recém-nascida que Ezequiel descreve foi abandonada antes mesmo de ter sido lavada.

 

*          16.7     cresceste. A criança não desejada cresceu até tornar-se uma donzela bonita. O início da puberdade aparece com o desenvolvimento de seus seios (cf. 23.3) e de seus cabelos; mais tarde, a menina atingiu a idade dos amores (v.8).

 

*          16.8     estendi sobre ti as abas do meu manto. Ver referência lateral. Cobrir uma mulher com o manto simbolizava o começo das relações conjugais (Rt 3.9). "Descobrir" essa relação é violá-la (Dt 22.30).

 

dei-te juramento. O relacionamento de aliança entre Deus e Israel fora selado com um juramento: "vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus" (36.28; Lv 26.12; Jr 11.4; 30.22; contrastar com Os 1.9). Quanto ao juramento divino, ver Gn 15.7-21; 26.3; Dt 1.8.

 

*          16.9-14           A enjeitada se tornara uma rainha. Ela recebera todos os cuidados que lhe tinham faltado ao nascer, e mais ainda. Sua vida, sua posição social, sua riqueza e sua beleza, todas se derivavam do dom gracioso daquele que a tinha escolhido.

 

*          16.17 Tudo quanto a enjeitada que se fizera rainha tinha recebido de seu amoroso marido e rei, agora, se transformara em lascívia e promiscuidade (cf. Dt 6.10-12). As ações dela demonstravam a irracionalidade do pecado: não havia razão sã para tal conduta.

 

*          16.20   os sacrificaste. Quanto à prática de sacrifício infantil em Israel e nos países circunvizinhos, ver v.36; 20.31; Gn 22.2,13; Lv 18.21; 20.2-5; Dt 12.31; 18.10; 2Rs 16.3; 17.17; 21.6; 23.10; Sl 106.37,38; Jr 32.35; Mq 6.7. Em Jerusalém, essas práticas estiveram associadas ao vale do Filho de Hinom, ao sul da cidade.

 

*          16.26   te prostituíste. A falha de Israel, por não obedecer a Deus, não era apenas uma questão de idolatria descarada. Alianças com potências estrangeiras também foram consideradas como prova de falta de confiança em Deus, em face de dificuldades políticas. Tais alianças eram uma violação da lealdade de Israel exclusivamente ao Senhor (cf. 23.7; 29.16; Is 7; 8; 30; 31; Jr 2.36,37; 22.20-22; Os 7.11-13). O autor dos livros de Crônicas enfatiza esse ponto de modo especial (2Cr 14.9-15; 16.1-9; 19.1,2; 20; 25.6-8,28).

 

*          16.37   ajuntarei todos... contra ti. Judá havia buscado a lealdade e o afeto de seus amantes; ao invés disso, porém, eles tornaram-se o instrumento de sua humilhação e castigo. Embora as nações tivessem sido usadas por Deus para castigar o seu povo, elas levariam a culpa dos pecados que também haviam cometido (cap. 25; Is 10.5,12; Zc 1.14,15); ver nota em 14.9.

 

descobrirei as tuas vergonhas. A degradação pública mediante a exposição da nudez de prostitutas e adúlteras também é mencionada em Jr 13.22,26; Os 2.10; Na 3.5.

 

*          16.38   Julgar-te-ei... as sanguinárias. Quanto à ira de um marido ciumento, ver Pv 6.34. As riquezas e as vestes da mulher lhe seriam tomadas, e ela seria deixada tão nua como quando a história começou. Ela seria coberta não com o sangue do parto (v.6), mas com o sangue de seus ferimentos. O adultério era uma ofensa capital, punido com o apedrejamento (Lv 20.10; Dt 22.21-24; cf. Jo 7.53 - 8.11).

 

*          16.41   Queimarão. Ver 23.47; cf. Jr 32.29; 34.22; 37.8; 38.18. Uma grande parte da cidade de Jerusalém foi incendiada pelo exército babilônico (Jr 39.8).

 

*          16.44   o que usa de provérbios. Ezequiel, por mais de uma vez, referiu-se a provérbios populares (12.21-28; 18).

 

*          16.45   hetéia... amorreu. É assumida aqui a depravação moral dos hititas e dos amorreus; cf. o v.3.

 

*          16.49   Sodoma. Os leitores da Bíblia geralmente pensam nos pecados de Sodoma como principalmente sexuais (Gn 19.5-9), mas Ezequiel acusou a cidade de materialista e de negligência quanto aos pobres e necessitados. Jesus fez uma comparação semelhante com Cafarnaum, em Mt 11.23,24. Os pecados de Jerusalém ultrapassaram os pecados de suas irmãs, as cidades próximas.

 

*          16.60   uma aliança eterna. Uma vez mais, Jerusalém terá a primazia sobre as suas irmãs, mas não à base da anterior relação de aliança entre Deus e a cidade. Haverá uma nova aliança, um novo relacionamento entre Deus e a cidade, no futuro. O próprio Deus fará expiação pelos pecados da cidade.

 

*          17.1-24           Este oráculo não tem data, mas é provável que tenha sido proferido entre as datas dadas em 8.1 e 20.1, o sexto e o sétimo ano do exílio de Joaquim (592—590 a.C.). Nabucodonosor lançou cerco a Jerusalém em 588 a.C., e removeu a Zedequias do trono em 586 a.C. (v.20).

 

*          17.3     Uma grande águia. Ezequiel propos aqui uma alegoria. A grande águia é o poder imperial da Babilônia, representado por Nabucodonosor.

 

dum cedro. O alto cedro representa o reino de Judá e a dinastia de Davi, que, por esse tempo, já durava mais de trezentos anos.

 

*          17.4     Arrancou a ponta mais alta dos seus ramos. A remoção dos ramos mais altos refere-se ao exílio e ao cativeiro de Joaquim, na Babilônia. Os exilados continuaram a considerar Joaquim como o legítimo rei de Judá.

 

*          17.6     videira. Nabucodonosor substituiu o cedro pela videira, muito mais humilde, uma referência ao fato que ele instalou Zedequias sobre o trono de Jerusalém, depois de haver deportado Joaquim (2Rs 24.15-17). Nabucodonosor havia feito muito em prol de Zedequias, tal como a vinha contava com solo fértil, água abundante, e prosperara.

 

*          17.7     outra grande águia. O lançamento das raízes da videira na direção da outra águia representa a mudança de lealdade de Zedequias, de Nabucodonosor para o Egito (vs. 15-17), com o resultado que a videira foi desarraigada e destruída.

 

*          17.10   vento oriental. Ver nota em 19.12.

 

*          17.15   ao Egito. Embora as narrativas do Antigo Testamento não mencionem o apelo de Zedequias ao Egito, solicitando ajuda, Jeremias mencionou o ocorrido (Jr 37.5-11; 44.30). Uma das cartas de Laquis, escrita em um caco de argila, nos últimos dias do reino de Judá, deixou registrado que um comandante do exército israelita desceu ao Egito, talvez para solicitar ajuda. Ver 16.26; 29.6,7; 30.20-26.

 

*          17.20,21          Ver 2Rs 25.4-7.

 

*          17.22   ramos. A Bíblia com freqüência usa um ramo ou uma árvore como um símbolo da realeza (Dn 4.9-12,19-22), mormente como uma figura do Messias. O Ramo messiânico pertence à casa de Davi (Is 4.2; 11.1; 53.2; 60.21; Jr 23.5; 33.15; Zc 6.12). Ezequiel anunciou que algum dia Deus tomaria um descendente de Joaquim (cf. os vs. 3,4 e 12,13) e restauraria, com ele, o reinado em Judá.

 

*          17.23   aves. Em lugar de ser ameaçado por outros reinos (aves, como as águias), esse cedro esplêndido tornar-se-ia um abrigo para aves de todas as espécies (cf. Dn 4.12,21). A árvore seria frutífera (2Rs 19.30; Is 11.1; 37.31; Jr 17.8; cf. Jo 15.4,5,8,16).

 

*          18.1-32 O exílio não resultou dos pecados de uma única geração. Antes, a contínua desobediência de Israel, através de muitas gerações, "desde o dia em que seus pais saíram do Egito até ao dia de hoje" (2Rs 21.15), finalmente atraiu o julgamento contra Judá. A culpa acumulada da nação estava sendo julgada por Deus nos acontecimentos que resultaram na destruição de Jerusalém. A reação dos exilados foi questionar a justiça de Deus. O provérbio popular (v.2; cf. Jr 31.29) com efeito dizia: "A culpa não é nossa — estamos sendo castigados pelo que não fizemos. Nossos pais pecaram, e nós é que estamos pagando o preço". Ezequiel replicou enfatizando que Deus responde de acordo com os atos de cada indivíduo e geração. Os exilados não podiam escapar de sua culpa; eles também estavam sofrendo por seus próprios pecados.

 

*          18.6     não comendo. Comer nos santuários das montanhas referir-se-ia a refeições sacrificais nos lugares altos (6.13; 20.28; 22.9; cf. Êx 32.5,6).

 

sua menstruação. A lei proibia o contato sexual durante o período menstrual da mulher (22.10; Lv 15.16-33; 18.19).

 

*          18.7     a coisa penhorada. Ver os vs. 12 e 16; Êx 22.26; Dt 24.10-13,17; Pv 20.16; Am 2.8. Uma ostraca (um pedaço de cerâmica quebrada com algum escrito na mesma), pertencente ao século VII a.C., registrou a queixa de um trabalhador no campo, a um oficial do vilarejo, de que seu empregador tinha tomado suas vestes e as tinha retido.

 

*          18.10   um filho ladrão. Ter um pai justo não significava que um filho injusto escaparia ao castigo por causa de seu próprio pecado.

 

*          18.14   seu pai fez. Pela proposição inversa, ter um pai injusto não levaria a julgamento um filho justo (v.10, nota; Dt 24.16; 2Rs 14.6).

 

*          18.24   cometendo iniqüidade. Deus não se permitiria ser meramente uma via de escape em tempos de dificuldade; ele não pode ser considerado como Salvador sem também ser recebido como Senhor.

 

*          18.30-32         Essa é uma declaração sumária. O pecado nunca pode ser considerado coisa superficial no relacionamento da pessoa com Deus. No entanto, dentro das advertências solenes sobre a gravidade do pecado e da ameaça que o mesmo representa, resta a certeza de que Deus não deseja e nem se deleita diante da morte do ímpio (2Pe 3.9). O arrependimento é o caminho para a vida (2Cr 6.37-39; Is 30.15; 59.20; Jr 18.8; Mt 4.17; Mc 1.4,15; Lc 13.3,5; 15.7,10; 24.47; At 3.19; 17.30; 2Co 7.10).

 

*          18.31   criai em vós coração novo e espírito novo. Conforme o próprio Ezequiel reconheceu, o coração novo e o espírito novo são um dom de Deus (36.26) e não o produto do esforço humano (cf. Ef 2.8,9). Ezequiel exortou os seus ouvintes a buscarem essas coisas não através do mérito pessoal, mas pelo arrependimento (v.32).

 

*          19.1-14 Ezequiel apresentou outra alegoria no tipo de poesia hebraica usada nos cânticos e lamentos fúnebres. Esse tipo de poesia hebraica tem uma métrica específica que os ouvintes de Ezequiel reconheceriam. O mesmo ritmo é usado em 26.17,18; 27.12-19; 28.12-19; 32.2-8.

 

*          19.2     Uma leoa. A leoa representa a nação de Israel ou a cidade de Jerusalém, que produzia os leõezinhos, ou reis. Quanto à figura de Jerusalém como uma mãe, ver Sl 87.5; Is 50.1; 54.1; Gl 4.26,27. O leão, como uma figura de linguagem, é freqüentemente associado ao reinado davídico (Gn 49.9; Mq 5.8). O Novo Testamento espera que "o Leão da tribo de Judá" restabeleça o reino de Deus (Ap 5.5).

 

*          19.4     a terra do Egito. Jeoacaz reinou apenas por um curto período de três meses, antes de haver sido levado ao Egito como cativo de Faraó Neco, em 609 a.C. (2Rs 23.31-34; 2Cr 36.2-4).

 

*          19.5     outro. Ezequiel omitiu qualquer descrição sobre o reinado de Jeoaquim, e passou para seu filho, Joaquim. O segundo livro dos Reis não mencionou qualquer exílio no caso de Jeoaquim (2Rs 23.36—24.7; cf. 2Cr 36.5-8). Ao que parece, ele morreu em Jerusalém.

 

*          19.9     rei da Babilônia. Jeoaquim tinha se rebelado contra Nabucodonosor, e a ira do rei da Babilônia se dirigiu contra o filho dele, Joaquim. Ezequiel descreve sua deportação para a Babilônia, em 597 a.C. (2Rs 24.8-16; 2Cr 36.9,10). Joaquim ficou aprisionado até o reinado de Evil-Merodaque (562-560 a.C.; 2Rs 25.27-30).

 

*          19.12   o vento oriental. A mesma figura de linguagem de 17.9,10. O vento oriental é um instrumento usado pela vontade de Yahweh (Êx 10.13; 14.21; Sl 78.26; Os 13.15; Jn 4.8). O vento oriental trazia o tremendo calor do deserto, e ressecava os vinhedos.

 

*          19.14 já não há nela galho forte. O fim do reino de Judá foi descrito como um tempo em que a vinha foi desarraigada e nenhum ramo restou para fazer o cetro de um governante. Quanto ao uso de um ramo como símbolo do rei messiânico, ver nota em 17.22.

 

*          20.1     sétimo ano. Uma vez mais os anciãos reuniram-se para buscar instruções da parte do profeta, cerca de um ano após a última data mencionada (8.1; cf. 14.1). A data seria o dia dez do mês de abe (agosto de 591 a.C.), exatamente cinco anos antes de Jerusalém ser incendiada (Jr 52.12).

 

*          20.5     levantando a mão, jurei. Esta frase é repetida por diversas vezes neste capítulo (vs. 5, 6, 15, 23, 28 e 42). Deus tinha assumido um compromisso com Israel, e cumpriria as suas promessas. Ver Êx 3.6-10; 6.2-8.

 

*          20.8     os ídolos do Egito. O Pentateuco não registra detalhes sobre a vida religiosa dos israelitas durante sua escravidão no Egito, mas é seguro inferirmos que, quando ali estavam, eles haviam assimilado a religião da cultura egípcia, tal como, mais tarde, sucedeu na terra de Canaã. O incidente com o bezerro de ouro (Êx 32) deve ser entendido contra o pano-de-fundo da idolatria egípcia. Ver 23.3; Js 24.14.

 

*          20.11   os meus estatutos. A lei foi uma dádiva graciosa de Deus ao povo de Israel; a lei era uma maneira de vida (Dt 4.40; 32.46,47; Js 1.7,8).

 

*          20.12 os meus sábados. O sábado (vs. 13, 16, 21 e 24) foi destacado como uma lei exclusiva de Israel, uma lei que mais distinguia Israel das nações ao redor. O sábado é, com freqüência, citado como um exemplo importante que representa a lei inteira (22.8,26; 23.38; 44.24; cf. Ne 13.18; Is 56.2,4,6; Jr 17.19-27).

 

*          20.13   se rebelou contra mim. A primeira geração de israelitas, no deserto, rebelou-se contra Deus (Êx 17.2; Nm 14.18; 16; 17; 20.10,24; 25; 26.9; 27.14; Dt 1.26,43; 9.7; 31.27).

 

profanaram grandemente os meus sábados. Ver Nm 15.32-36.

 

*          20.23 espalhá-los entre as nações. A ameaça do exílio já existia antes mesmo do povo de Israel entrar na Terra Prometida (Lv 26.32-35; Dt 28.64-67; Sl 106.26). Moisés predisse que eles se rebelariam contra o Senhor, uma vez que entrassem na terra (Dt 31.27,29).

 

*          20.26 tudo o que abre a madre. A lei era um dom gracioso de Deus (v.11, nota), mas se pervertida, ela trazia a morte. Ezequiel parece considerar a prática do sacrifício de criancinhas, no antigo povo de Israel, como uma perversão de suas leis acerca dos filhos primogênitos (Êx 13.1,11-16; 22.29; 34.19,20; Nm 18.15,16). Todos os primogênitos pertenciam ao Senhor, mas os filhos não deveriam ser sacrificados.

 

*          20.29   Lugar Alto. O livro de 2Reis aquilata quase todos os governantes de Judá em termos do que eles fizeram acerca dos lugares altos em volta de Jerusalém.

 

*          20.32-38         O desejo dos filhos de Israel de serem como as nações em derredor (v.32) reflete 1Sm 8.20; o povo tinha rejeitado a Deus (1Sm 8.7,8). Mas tal como Deus não abandonara gerações anteriores de seu povo escolhido, assim também, ele agora prometia um novo êxodo e uma volta à experiência no deserto (vs. 33-35). E da mesma maneira que somente os fiéis e obedientes dentre aqueles da geração do deserto entraram na Terra Prometida (Nm 14.30,38), assim também Deus expurgaria a nação para fazer um povo fiel entrar na Terra Prometida (vs. 36-38).

 

*          20.35 ao deserto dos povos. Possivelmente isso refere-se às desolações do exílio, que Israel estava prestes a experimentar. Israel seria julgada em um "deserto", tal como tinha acontecido à geração que perambulara pelo deserto.

 

*          20.37   passar debaixo do meu cajado. Esta frase alude à prática de contar os animais para efeito do pagamento de dízimos (Lv 27.32,33); e sugere que uma décima parte seria deixada (cf. Is 6.13).

 

*          20.38 separarei dentre vós os rebeldes. O alvo das catástrofes periódicas que sobrevieram a Israel era, comumente, produzir um remanescente purificado, expurgado e fiel (6.8, nota).

 

*          20.40 no meu santo monte. Sião. O remanescente fiel adoraria no santo monte de Deus. A glória da graça de Deus é que ele trata conosco com misericórdia, e não segundo os nossos pecados merecem (20.44; Ed 9.13; Jó 33.27; Sl 103.10; Lm 3.22,23,31-33).

 

*          20.45-48         Esta breve profecia contra o reino do Sul é explicada em 21.1-5. Aqui e em 21.4, a desgraça ocorreria "desde o sul até o norte", e ela não poderia ser evitada (v.48; 21.5). A ameaça fora decretada na Babilônia, e Israel é descrita como quem jazia no sul. A desgraça usualmente era retratada como se viesse do norte (Is 14.31; 41.25; Jr 1.13-15; 4.6; 6.1; 10.22; 25.9; 47.2; 50.9; 51.48; Jl 2.20).

 

*          20.49   Eles dizem de mim. O ridículo e a zombaria eram, com freqüência, dirigidos contra os profetas (2Cr 36.16; Mt 20.19; 27.29).

 

*          21.1-32           Todos os oráculos deste capítulo usam a figura simbólica de uma espada (21.1-7,8-27,28-32). O Antigo Testamento com freqüência descreve Deus como um guerreiro. Sua espada era ordinariamente brandida contra os inimigos de Israel (Dt 32.41; Is 31.8; 34.5-8; 34.5-8; 66.16; Jr 25.31; 50.35-37; Sf 2.12). Mas agora a espada havia sido entregue aos babilônios, e eles a usariam contra Judá e contra Jerusalém (vs. 2 e 12).

 

*          21.9     A espada. Provavelmente, Ezequiel uma vez mais usava alguma forma de ato simbólico (4.1-3, nota). O profeta pode ter rodopiado, cortado e golpeado com uma espada, em uma dança dramática, como parte do oráculo.

 

*          21.10,13          O cetro. Estes versículos, juntamente com o v.27, estão unidos em parte por suas alusões ao cetro de Judá (Gn 49.10). Um cetro de madeira não era páreo para uma espada de ferro, e Judá não era adversário à altura para Nabucodonosor.

 

*          21.18-23 Nabucodonosor atacaria vindo do norte, aproximando-se de uma encruzilhada na estrada. Ezequiel, como é provável, desenhou um mapa, um tanto parecido com um "Y" invertido, sobre a areia ou sobre uma tábua de argila (4.1-3, nota). Vindo do norte, a bifurcação da esquerda na estrada levaria o exército babilônico pela "Estrada do Rei", uma grande estrada que passava pelo rio Jordão. Se enveredassem pela direita, os babilônios desceriam pela "via Maris", uma importante estrada internacional que passava pela planície costeira a oeste de Jerusalém. Essas estradas se encontravam próximo de Damasco.

 

*          21.21 para consultar os oráculos. O rei da Babilônia usava vários métodos para obter orientação dos deuses. (a) Os ídolos do lar (no hebraico, teraphim) eram objetos religiosos usados na adoração. (b) Adivinhação mediante o exame dos contornos e marcas nos fígados de aves ou ovelhas sacrificadas (hepatoscopia), o que era uma prática comum nos tempos antigos. (c) Flechas eram usadas como um meio de lançar sortes.

 

*          21.23 juramentos solenes. Nabucodonosor iniciou o cerco a Jerusalém por volta de janeiro de 588 a.C.

 

*          21.25 príncipe de Israel. O príncipe profano e perverso foi Zedequias, o último rei de Judá (17.1-10, nota).

 

*          21.28 filhos de Amom. À base dos vs. 18-23, pareceria que os babilônios atacariam Jerusalém mas poupariam Amom. Este terceiro e último cântico da espada explica que Amom também provaria o gosto da ira de Deus, mediante a fúria dos babilônios (Jr 49.1-6). Amom era aliado com Jerusalém e com o Egito, contra os babilônios, em 589 a.C. Entretanto, quando Jerusalém sofreu o ataque dos babilônios, os filhos de Amom se aproveitaram de seu anterior aliado (Jr 27.3; 40.11,14; 41.10,15; cf. 2Rs 24.2).

 

*          22.2     a cidade sanguinária. O primeiro dos três oráculos deste capítulo 22 gira em torno de referências reiteradas ao sangue (vs. 2, 3, 4, 6, 9, 12, 13; cf. v.27). A cidade foi acusada tanto de crimes morais quanto de crimes rituais.

 

*          22.7     o pai e a mãe. Os israelitas zombavam de seus próprios genitores (Dt 5.16; Mq 7.6; Rm 1.30; Ef 6.1; Cl 3.20; 2Tm 3.2).

 

o estrangeiro e são injustos para com o órfão e a viúva. Ver Sl 9.18, nota. Outras referências: Dt 10.18; 14.29; 24.17; 26.12,13; 27.19; Sl 68.5; 72.4; 146.9; Is 1.17; 10.1,2; Jr 7.6,7; 22.3; Zc 7.10 e Ml 3.5).

 

*          22.11 Um comete abominação. Quanto ao leque de relações sexuais proibidas, ver Lv 18.6-23; 20.10-21.

 

*          22.18   no meio do forno. O derramamento periódico de julgamento divino contra Israel tinha por intuito expurgar a nação de pecado e produzir um povo puro (6.8, nota). A experiência de Israel no Egito foi comparada ao tempo passado dentro de uma fornalha (Dt 4.20; 1Rs 8.51; Jr 11.4), e o exílio seria uma fornalha de refino para Israel. O ato de refinar metais é uma imagem comum, usada na Bíblia (Sl 66.10; 119.119; Pv 17.3; 25.4; Is 1.25; 48.10; Jr 9.7; Zc 13.9; Ml 3.2,3; 1Co 3.12-15 e 1Pe 1.7).

 

*          22.21 assoprarei sobre vós. Deus sopra sobre as chamas, e o hálito divino serve de fole para aumentar o calor do fogo. A preocupação era que nenhuma prata emergiria da fornalha — somente a escória.

 

*          22.30 na brecha. Ver 13.5, nota.

 

*          23.1-49           Ezequiel propôs aqui outra alegoria. As duas irmãs representam uma história de duas cidades: "Oolá" é Samaria, capital do reino do norte, Israel; e "Oolibá" é Jerusalém, capital do reino do sul, Judá.

 

*          23.3     prostituíram-se. Embora Ezequiel enfatize que cada indivíduo será responsabilizado por seu próprio pecado (18.1-32, nota), ele também descreve a culpa acumulada e um castigo adiado. A acusação contra os dois reinos começa pela sua prostituição no Egito (16.26; 20.5-9).

 

*          23.4     foram minhas. As duas irmãs tinham um relacionamento de aliança com o Senhor.

 

*          23.5     seus amantes. O juramento de lealdade exclusiva de Israel diante do Senhor foi quebrado mediante alianças estrangeiras, bem como mediante a idolatria (vs. 5-10; 16.26, nota; cf. Os 8.9). A prostituição não garantiu a admiração ou o afeto dos amantes assírios — bem pelo contrário (vs. 9 e 10). Finalmente, a Assíria destruiu o reino do norte, Israel (2Rs 17.5,6).

 

*          23.14   Aumentou as suas impudicícias. Judá, por sua vez, entrou em aliança com os babilônios (2Rs 20.12-18; 23.29; Is 39.1). E também houve entendimentos com o Egito (23.19-21).

 

*          23.23   de Pecode, de Soa, de Coa. Provavelmente tribos aramaicas, a leste do rio Tigre.

 

*          23.29   nua e despida. Ver 16.35-41.

 

*          23.31-34         O cálice é uma metáfora comum na Bíblia. Em muitos casos, simboliza as bênçãos de Deus (Sl 16.5; 23.5; 116.13; 1Co 10.16). Mas também pode representar a ira de Deus (Sl 75.7,8; Is 51.17-20; Jr 25.15-29; 49.12; 51.7; Lm 4.21; Hc 2.16; Zc 12.2 e Ap 14.9-11). Esse cálice de ira foi mencionado por Jesus no jardim do Getsêmani (Mt 26.39,42), e aparece no relato de João sobre a morte de Jesus (Jo 18.11; 19.28-30).

 

*          24.1-14           Põe ao lume a panela. Ezequiel propõe aqui outra alegoria. A figura de linguagem é a de uma panela a ferver. A aplicação das alegorias é introduzida pela mesma frase: "Ai da cidade sanguinária" (vs. 6 e 9).

 

*          24.1 ano. A data tem sido identificada como 15 de janeiro de 588 a.C. (ver também 2Rs 25.1; Jr 52.4). O começo do cerco da cidade era recordado com jejum entre os exilados (Zc 8.19). Deus revelou ao profeta eventos que ocorriam centenas de quilômetros de distância, em Jerusalém.

 

*          24.3     panela. Ezequiel já empregou a figura de uma panela em 11.2-12 (cf. Jr 1.13,14; Mq 3.3). Através dessa descrição inicial da matança tem-se a impressão de que eram descritos os preparativos para uma refeição festiva; os melhores pedaços de carne deveriam ser cozinhados.

 

*          24.6     cheia de ferrugem. O profeta contemplou a corrosão que havia na panela, e compara isso com o derramamento de sangue e a culpa que havia na cidade de Jerusalém. Embora seus ocupantes fossem removidos da panela pedaço por pedaço, e dispersos para as extremidades do mundo, a culpa da cidade permaneceu como ferrugem, no fundo do caldeirão. Conferir as denúncias de derramamento de sangue na cidade, em 22.1-16; 36.18; 2Rs 21.16; 24.4; Is 26.21; 59.7; Lm 4.13; Os 4.2; Jl 3.21 e Mq 3.10.

 

*          24.7     para o cobrir com o pó. O sangue, uma vez derramado e deixado a descoberto, clama para ser vingado; note-se o mesmo conceito em Gn 4.10 e Jó 16.18.

 

*          24.11   para que ela aqueça. O caldeirão será esvaziado, no esforço para limpá-lo, mas a ferrugem era tão resistente que mesmo o aquecimento da panela ao rubro não a purificaria. Deus destruirá a cidade.

 

*          24.16,17 As lamentações costumeiras incluíam lamentações e choro, a remoção dos enfeites de cabeça e o cobrir a cabeça com pó e cinzas (Js 7.6; 1Sm 4.12; Jó 2.12), a remoção das sandálias (2Sm 15.30; Is 20.2) e o cobrir a cabeça ou o rosto (Et 6.12; Jr 14.3,4). Ezequiel, entretanto, não faria nenhuma dessas coisas; as práticas usuais, associadas à lamentação, não seriam suficientes para representar a profundeza de sua tristeza.

 

*          24.27 já não ficarás mudo. Ver 3.26 e nota. A mensagem de Ezequiel seria vindicada quando chegasse o recado, aos exilados, de que Jerusalém tinha sido destruída, e ele seria liberto do silêncio que Deus lhe impusera.

 

*          25.1—32.32    Entre as advertências quanto à destruição de Jerusalém (caps. 1—24) e profecias de esperança e restauração (caps. 33—48), Ezequiel incluiu uma seção de oráculos contra nações estrangeiras. Os profetas de Israel desempenhavam um papel importante nas guerras de Israel, com freqüência provendo oráculos acerca de batalhas em particular (1Sm 22.5; 1Rs 20.13,14,22; 22.5-23; 2Rs 3.11; 9.6,7; 20.14; 2Cr 16.7; 20.14-20; 28.9; Jr 28.8; 38.14). Há evidências arqueológicas, nas culturas que circundavam o território de Israel, de denúncias rituais ou ritos de destruição simbólica. As nações aqui denunciadas por Ezequiel incluíam a maioria dos estados do antigo Oriente Próximo e Médio, ficando a Babilônia como uma notável exceção (38.2, nota).

 

*          25.1-7 Ezequiel já havia falado contra Amom (21.28-32). O relacionamento de Israel com os filhos de Amom vinha de longa data, e era primariamente um registro de conflitos. Oráculos contra os filhos de Amom são também encontrados em Jr 49.1-6; Am 1.13-15; Sf 2.8,9.

 

*          25.5     sabereis que eu sou o SENHOR. Ver nota em 6.7.

 

*          25.6,7  Porque... Visto como. O castigo se equipara ao crime cometido: ao se regozijarem diante dos danos feitos contra Jerusalém, os filhos de Amom caíram presas de uma potência estrangeira. Embora muitos dos pequenos estados da área tenham escapado à destruição, durante a invasão dos babilônios de 587-586 a.C., fontes informativas fora da Bíblia indicam que Nabucodonosor dizimou Amom e Moabe em 582 a.C. O profeta Ezequiel destaca a mesma lição em 21.28-32.

 

*          25.8     Moabe. As relações entre Israel e Moabe eram, principalmente, uma história de conflitos; outros profetas incluíram oráculos contra a nação de Moabe (Is 15; 16; Jr 48; Am 2.1-3; Sf 2.8,9). Moabe compartilharia o destino de Amom.

 

*          25.12   Edom. Por ocasião da queda de Jerusalém, os idumeus fizeram incursões no território de Judá (35.15; 36.5; Sl 137.7-9; Lm 4.21,22). A inimizade entre Israel e Edom é ligada, na Bíblia, ao relacionamento entre Jacó e Esaú (Gn 25.23,30). No capítulo 35, Ezequiel incluiu um segundo oráculo contra Edom; e outros profetas fizeram pronunciamentos contra Edom, conforme se vê em Is 34.5-11; Jr 49.7-22; Am 1.11,12; Obadias e Ml 1.3-5.

 

*          25.15 os filisteus. As nações mencionadas até este ponto, ficavam a leste do rio Jordão e do mar Morto. Os filisteus ocupavam a planície costeira a oeste de Judá, controlando um longo segmento do vital sistema de estradas costeiras internacionais. Reivindicações territoriais em conflito e interesses estratégicos em competição compuseram uma história de relações inamistosas entre a Filístia e Israel. Ezequiel já havia falado sobre essa inimizade (16.27,57). Outros profetas também incluíram oráculos contra os filisteus (Is 14.29-31; Jr 47; Jl 3.4-6; Am 1.6-8; Sf 2.4-7; Zc 9.5-7). Os filisteus foram os inimigos mais proeminente de Israel nos tempos dos juízes e de Saul, Davi e Salomão.

 

*          25.16 os queretitas. Os filisteus parecem ter entrado na terra de Canaã na segunda metade do segundo milênio a.C., como parte da grande migração de povos que ficou conhecida nos registros egípcios como "povos do mar". Um grupo de filisteus tem sido identificado como os "queretitas", o que os associa à ilha de Creta. Ver 1Sm 30.14, nota.

 

*          26.1—28.26    O trecho de Ezequiel 26—28 dedica-se a oráculos contra os vizinhos fenícios de Israel, mormente Tiro (26.1—28.19), mas também contra Sidom (28.20-26). Esses capítulos são divididos em subseções, cada qual introduzida pela frase "a palavra do SENHOR veio a mim" (26.1; 27.1; 28.1,11,20). Houve ocasionais conflitos militares entre Israel e os fenícios, mas a Bíblia menciona Tiro e Sidom primariamente como fontes de cultos pagãos, sobretudo a adoração a Baal por parte de Jezabel, uma princesa fenícia (Jz 10.6; 1Rs 11.1,5,33; 16.31; 2Rs 23.13). Os fenícios proviam Israel com comércio e serviços técnicos (2Sm 5.11; 1Rs 5.1,6; 7.13,14; 9.11; 2Cr 2,3,13,14; Ed 3.7; Ne 13.16; At 12.20). Outros livros proféticos também incluíram oráculos contra Tiro e Sidom (Is 23; Jl 3.4-6; Am 1.9,10; Zc 9.2-4).

 

*          26.2     eu me tornarei rico. O reino de Judá, ocasionalmente, controlava as rotas comerciais que passavam pelas planícies costeiras de Israel e que levavam ao Egito bem como à Arábia e à África, por meio do porto israelita de Ezion Geber. Tiro tiraria proveito se Jerusalém viesse a perder o controle dessas rotas comerciais.

 

*          26.7     Tiro. Pouco tempo depois da queda de Jerusalém, Nabucodonosor lançou cerco contra a cidade de Tiro. A parte continental dessa cidade caiu rapidamente, em 585 a.C., mas a fortaleza existente na ilha desafiou os exércitos babilônicos por treze anos, até 572 a.C. (29.17,18).

 

*          26.19,20          muitas águas... à cova. Águas e cova são comuns metáforas bíblicas que indicam a morte ou o reino dos mortos (águas: Êx 15.5,8,10; Jó 26.5; Sl 32.6; 69.2,14; Lm 3.54; cova: 31.14,16; 32.18,23,24,30; Jó 33.18-30; Sl 30.3,9; 55.23; 88.4-6; 103.4; 143.7; Pv 1.12; Is 14.15; 38.18). Essas duas figuras de linguagem são combinadas em 28.8; Sl 69.15; Jn 2.5,6. O profeta descreveu aqui as águas mitológicas do caos engolfando a ilha e seus habitantes (28.2, nota).

 

*          27.3-6 A parte da cidade de Tiro construída em uma ilha é comparada a um navio de luxo, construído com os melhores materiais e dirigida por uma tripulação experiente.

 

*          27.5     ciprestes de Senir. O nome que os amorreus davam ao monte Hermom (Dt 3.9).

 

*          27.7     ilhas de Elisá. Provavelmente Chipre.

 

*          27.8     Arvade. Uma cidade fundada em uma ilha, cerca de três quilômetros fora da costa mediterrânea ao norte de Biblos.

 

*          27.9     Gebal. Outro nome para Biblos, na costa do mar Mediterrâneo, ao norte de Tiro.

 

*          27.11 os gamaditas. Provavelmente no norte da Síria.

 

*          27.13 Tubal e Meseque. Esses dois povos (32.26; 38.2,3; 39.1; Gn 10.2; 1Cr 1.5) ficavam na Ásia Menor, na costa nordeste do mar Mediterrâneo. Também são conhecidos através das inscrições assírias.

 

escravos. Quanto ao envolvimento de Tiro no comércio com escravos ver Jl 3.4-6.

 

*          27.14 casa de Togarma. Uma região no nordeste da Ásia Menor (moderna Turquia).

 

*          27.17 eram os teus mercadores. Tiro era uma potência marítima, e provavelmente não era auto-suficiente quanto à agricultura. Por várias vezes a Bíblia menciona o comércio tírio com Israel, que envolvia alimentos (1Rs 5.9-11; 2Cr 2.10; Ed 3.7; At 12.20).

 

trigo de Minite. Uma cidade a leste do rio Jordão, perto de Rabá, em Amom (moderna Amã), embora o seu local ainda não tenha sido identificado com precisão (Jz 11.33).

 

*          27.18   Helbom. Uma cidade a noroeste de Damasco. Textos acádicos e os historiadores gregos mencionam o vinho produzido nessa região.

 

*          27.19 Dã e Javã. Há dificuldades textuais muito debatidas neste versículo, e os tradutores diferem sobre como se deve traduzir esses nomes.

 

*          27.22   Raamá. Uma região no sul da Arábia (Gn 10.7; 1Cr 1.9).

 

*          27.23   Cane. Provavelmente trata-se de uma cidade no norte da Síria, também escrita Calné (Am 6.2) e Calno (Is 10.9).

 

Éden. Beth Éden, uma cidade localizada entre os rios Eufrates e Balique (2Rs 19.12; Is 37.12; Am 1.5).

 

Quilmade. Esse nome é desconhecido em outros lugares, e pode ter sido um erro feito por copista para as palavras "a Média inteira".

 

*          27.25-36 Ninguém pensava que Tiro pudesse ser derrotada. Mas sua força, suas riquezas e suas habilidades não eram páreo para mares que obedeciam ao comando de Deus. A sorte de Tiro seria uma advertência a todas as outras nações que a tudo observavam da praia.

 

*          28.2     Eu sou Deus... me assento no coração dos mares. No antigo Oriente Próximo, as profundezas das águas do oceano serviam de símbolo padrão dos poderes do caos e da morte. Os arqueólogos descobriram mais de um relato mítico da criação onde "o Mar" aparece como um dragão ou monstro marinho que seria morto pelos deuses. A ameaça do caos à ordem criada seria subjugada pelo governo das ondas por parte dos deuses. Na Bíblia, porém, o mar não ameaça a Deus; antes, obedece às suas ordens. Ezequiel descreveu como o rei de Tiro se tornara orgulhoso ante as riquezas e o poder da cidade, e tinha começado a lisonjear-se a si mesmo como se fosse um deus que governava o mar (cf. Sl 29.10; Ap 17.1,15). Mas o mar haveria de engoli-lo (v.8; 29.3, nota).

 

*          28.3     mais sábio que Daniel. Ver 14.14, nota.

 

*          28.12   lamentação. Ver nota em 19.1-14.

 

o rei de Tiro. Etbaal era quem governava Tiro nessa época. O profeta descreve a maneira como Deus havia favorecido a Etbaal, retratando esse monarca como um ser primordial, uma figura parecida com Adão, a coroa e epítome da criação, que vive no jardim do paraíso que Deus havia criado. Ele tinha permanecido ali até que a iniqüidade fora encontrada nele (v.15). Alguns estudiosos opinam que o profeta estava comparando o rei de Tiro com Satanás, um ser angelical glorioso, que caíra da graça (1Tm 3.6).

 

*          28.13,14          Estavas no Éden, jardim de Deus... no monte santo. O profeta Ezequiel reuniu duas figuras de linguagem para descrever o local da habitação de Deus, um jardim (Gn 2 e 3) e um monte (20.40; Êx 19.23; Dt 33.2; Sl 43.3; 48.1; 87.1; 99.9; Is 27.13; 56.7; 57.13; 66.20). O templo foi construído em um monte e era enfeitado com motivos florais (40.16-37; 41.18-20,25-27; 1Rs 6.29,32,35; 7.18,20,22,36,42; 2Cr 3.5).

 

*          28.21-23         Sidom aparecia comumente como cidade gêmea de sua colega de comércio, Tiro, a quarenta quilômetros ao sul, nas costas do mar Mediterrâneo.

 

*          28.25   Quando eu congregar. Deus traria de volta o seu povo para a Terra Prometida, que lhes dera. Israel haveria de florescer, porquanto as nações que antes eram seus adversários teriam sido eliminadas.

 

*          28.26 plantarão vinhas. Os profetas, por muitas vezes, descreveram as bênçãos futuras dadas por Deus a Israel em termos de prosperidade agrícola (36.29,30; 1Rs 4.25; Is 65.21,22; Jr 32.15; Jl 3.18; Am 9.13-15; Mq 4.4; Zc 3.10).

 

*          29.1—32.32    As proclamações contra as nações estrangeiras, nos caps. 25—28 foram dirigidas, principalmente, contra os estados menores e os vizinhos imediatos de Israel. Entretanto, estes quatro capítulos foram dirigidos contra o Egito, um dos grandes impérios do mundo antigo. Esses capítulos contêm sete profecias contra o Egito; todas elas são datadas (29.1,17; 30.20; 31.1; 32.1,17), exceto o oráculo que começa em 30.1.  

 

*          29.1     ano. Esta profecia foi feita em 587 a.C., cerca de um ano depois que Nabucodonosor cercou Jerusalém. Ver nota em 24.1.

 

*          29.3     crocodilo enorme. O Egito é aqui comparado a um imenso crocodilo (vs. 3-5). O termo usado pode designar tanto os inúmeros crocodilos do rio Nilo, quanto o monstro marinho que representava o caos na mitologia do antigo Oriente Próximo. A Bíblia chama a essa criatura mitológica de "monstro", "leviatã" ou "raabe" (32.2; Jó 3.8; 7.12; 9.13, referência lateral; 41.1; Sl 74.13,14; 89.10; Is 27.1; 30.7; 51.9. cf. Ap 12.15 e 20.2). "Raabe" também foi usada como uma designação poética do Egito (Sl 87.4; Is 30.7). Na mitologia das culturas que circundavam Israel, o monstro marinho era um deus que rivalizava com outros deuses; mas na Bíblia ele era simplesmente outra criatura que vivia em submissão às ordens de Yahweh.

 

*          29.4     anzóis. Deus prenderia esse monstro marinho tão facilmente como os pescadores apanham o peixe; e o deixaria apodrecendo na praia. Ver nota em 28.2.

 

*          29.5     aos animais da terra... te dei por pasto. As aves e os mamíferos foram dados à humanidade como alimento (Gn 1.30; 9.2,3); o reverso desse relacionamento é uma maldição proverbial (32.4; Dt 28.26; Sl 79.2; Jr 7.33; 15.3; 16.4; 19.7; 34.20).

 

*          29.6     um bordão de cana. A descrição do Egito, por parte de Ezequiel, como uma cana partida, nos faz lembrar os comentários semelhantes feitos pelo comandante de campo assírio a Ezequias (2Rs 18.21).

 

*          29.10   desde Migdol até Sevene. Ou seja, do norte para o sul (ver também 30.6). Migdol ficava no norte do Egito, um local que fez parte da rota do êxodo (Êx 14.2; Nm 33.7; Jr 44.1; 46.14). Sevene ficava no sul do Egito, na primeira catarata do rio Nilo. Era o ponto terminal da navegação em águas profundas do Nilo, e representava a fronteira sul do Egito.

 

*          29.11   quarenta anos. É difícil fixar um período histórico definido de quarenta anos para um exílio egípcio; esse número pode ter sido simbólico.

 

*          29.17   No vigésimo-sétimo ano. Esse oráculo foi entregue em abril de 571 a.C., dezesseis anos depois do oráculo anterior (29.1). É a data mais avançada mencionada no livro.

 

*          29.18   não houve paga de Tiro. O cerco de Tiro, por parte de Nabucodonosor, perdurou por treze anos (26.7). O cerco foi longo e caro, e não houve recompensa que valesse o esforço.

 

*          29.21 o poder. No original hebraico, "chifre". Um chifre é um símbolo comum de poder político na Bíblia (Dt 33.17; 1Sm 2.10; 2Sm 22.3; Sl 18.2; 75.4,5,10; 89.24; 92.10; 112.9; 132.17; 148.14; Jr 48.25; Lm 2.3,17; Dn 7.7,8,20,21; Zc 1.18-21; Ap 17.12). Este oráculo contra o Egito se encerra encontrando esperança para Israel; cf. 28.24-26.

 

te darei que fales livremente. Ver notas em 24.27 e 33.22.

 

*          30.1-19 Temos aqui o único dos oráculos de Ezequiel contra o Egito que não foi datado. Pode ter sido dado entre janeiro e abril de 587 a.C. (29.1; 30.20).

 

*          30.14   Zoã. No delta oriental do Nilo; também conhecida como Tanis.

 

*          30.15 Sim. Uma fortaleza nas costas do mar Mediterrâneo (também chamada Pelúsio). Era a fronteira do nordeste do Egito.

 

*          30.17 Áven. Perto do vértice sul do delta do Nilo. Áven (ou: On, Heliópolis) era um importante centro religioso para o Egito.

 

Pi-Besete. Em toda a Bíblia, somente aqui essa localidade é mencionada. Ficava no delta oriental do Nilo e foi uma capital durante as dinastias XXIII e XXII (950—725 a.C.).

 

*          30.20 No undécimo ano. Abril de 587 a.C.

 

*          30.21   o braço de Faraó. Faraó Hofra tinha enviado um exército para ajudar Zedequias, mas esse exército foi repelido (Jr 37.1-10; cf. Ez 17.15-17; 29.6,7). O "braço" é uma figura do poder militar. Os exilados que viviam na Babilônia e os habitantes de Jerusalém tinham esperado que Faraó derrotasse os babilônios, mas esta profecia foi contra as esperanças deles. Em lugar disso, a Babilônia quebraria o braço de Faraó, deixando-o incapaz de manusear uma espada, e inútil como aliado de Israel.

 

*          31.1     No undécimo ano. Junho de 587 a.C., poucos meses depois do oráculo anterior (30.20). Jerusalém estava cercada, e a apenas algumas semanas de ser destruída por Nabucodonosor.

 

*          31.3     a Assíria. O profeta usou o destino da Assíria como advertência ao Egito, pois o antes poderoso império assírio tinha entrado em colapso entre 640 e 609 a.C. Alguns eruditos pensam que é improvável que em um oráculo contra o Egito, o enfoque primário tivesse caído sobre a Assíria (vs. 3-17). Esses eruditos têm sugerido que um erro de copista alterou uma das letras consoantes do texto, e traduzem "Assíria" como "cipreste", ou como "ao que vos posso comparar", o que seria um paralelo melhor com a última frase do v.2. Com essa correção, a passagem inteira fica girando em torno do Egito.

 

era um cedro. Ezequiel já havia usado um símbolo semelhante (cap. 17). As árvores de porte grande podem ter dezenas de metros de altura e viver por milhares de anos; essas árvores provêem aptas metáforas que representam reinos e dinastias (17.22-24). Grande parte da descrição dessa árvore assemelha-se à árvore do sonho de Nabucodonosor, em Dn 4.1-12,19-27. A prodigalidade da descrição de Ezequiel quanto a essa árvore compara-se com a extravagância de sua descrição de Tiro, como um navio mercante ricamente preparado (27.3-11).

 

*          32.1     No ano. Março de 585 a.C., dois meses depois que os exilados teriam recebido notícias da destruição de Jerusalém (33.21).

 

*          32.2     um crocodilo. Na mitologia pagã do antigo Oriente Próximo e Médio, o universo ordenado emerge do caos após uma batalha titânica entre um deus e um grande monstro marinho ou dragão chamado "Mar". Terminada a batalha, partes do universo foram criadas da carcaça do monstro morto. Ezequiel refere-se a esse mito em vários lugares (28.2, nota; 29.3-5). Aqui Ezequiel compara o Egito ao grande monstro marinho, terrível mas destinado a ser derrotado pelo Senhor.

 

*          32.6-8             A linguagem usada nesta seção é semelhante àquela usada para descrever o dia do Senhor, em Is 13.10; Jl 2.30,31; 3.15; Am 8.9. Ver nota em 7.7. O aparecimento de Deus como um guerreiro divino se faz acompanhar por convulsões na ordem criada. O universo se dissolve no caos que existia antes da criação, quando os céus eram tenebrosos (38.18-23, nota). Aqui a linguagem hiperbólica não deve ser compreendida literalmente mas é usada em conexão com a morte de um Faraó.

 

*          32.11 A espada. Deus ameaçou subjugar o monstro marinho, o Egito, trazendo contra essa nação os exércitos da Babilônia. A "espada do rei da Babilônia", na realidade, era a espada do Senhor (cap. 21; 30.25).

 

*          32.17     no ano duodécimo. Provavelmente a primavera de 585 a.C.

 

*          32.18     às profundezas da terra. O profeta descreve aqui a descida do Egito ao mundo inferior. O orgulhoso império tornou-se apenas um entre os muitos estados que o antecederam (Assíria, v.22; Elão, v.24; Meseque e Tubal, v.26; Edom, v.29; Sidom e os "príncipes do Norte", v. 30). O mundo inferior ("Sheol" ou "a sepultura") era comumente retratado como uma vasta câmara de sepultamento onde os mortos teriam uma existência sombria e sem alegria. Ver nota em Is 14.9-11; ver também Gn 37.35; Jó 3.17-19; 7.9. 10.20-22; 17.13-16; Sl 88.5,11; 115.17; Pv 1.12; 9.18; Ec 9.10; Is 5.14; 38.18; Hc 2.5.

 

*          32.26     Meseque e Tubal. Ver 27.13, nota.

 

*          33.1-20 Este capítulo assinala o começo da segunda parte do livro de Ezequiel. A primeira parte do livro diz respeito, primariamente, a Jerusalém, no passado e no presente; a segunda parte enfoca a futura Cidade de Deus. Esta parte do livro começa repetindo dois temas importantes: primeiro, uma reiteração da chamada de Ezequiel como atalaia (vs. 1-9; cf. 3.16-21); e segundo, a doutrina da responsabilidade moral individual (vs. 10-20; cap. 18). Os exilados ouviram as notícias da destruição de Jerusalém, no v.21; o resto das declarações de Ezequiel, acerca de Jerusalém, não prevê juízo e destruição, mas sim, restauração.

 

*          33.21 No ano duodécimo. Jerusalém foi incendiada e destruída no quinto mês do décimo primeiro ano do governo de Zedequias (2Rs 25.8-10; 2Cr 36.10-21; Jr 52.12-14). Se as notícias dessa destruição só chegaram aos ouvidos dos exilados no décimo mês do décimo segundo ano, então foi preciso mais que um ano e meio para as notícias cobrirem uma distância que Esdras cobriu em quatro meses (Ed 7.9). Alguns poucos textos hebraicos e uma antiga tradução da Bíblia dizem "décimo primeiro" ano, em lugar de "décimo segundo" ano. A diferença é apenas de uma letra no original hebraico, e "décimo segundo" pode ter sido um erro de algum copista.

 

*          33.22 abrira-se-me a boca. O profeta Ezequiel estivera mudo por um período prolongado; ver notas em 3.26 e 24.27. Mas agora, que as notícias da destruição de Jerusalém tinham chegado aos exilados, sua boca foi aberta, e Ezequiel dirigiu a palavra (a) àqueles que tinham permanecido em Judá, depois da destruição da cidade (vs. 23-29) e (b) a seus colegas de exílio (vs. 30-33).

 

*          33.25 Comeis a carne com sangue. Essa prática tinha sido proibida em Gn 9.4; Lv 7.26,27; 17.10; Dt 12.16,23.

 

*          33.26             cada um a mulher do seu próximo. Ver 18.6,11,15.

 

*          33.30     falam de ti. Ezequiel havia sido ignorado e até mesmo ridicularizado; mas agora que os eventos tinham confirmado a veracidade de suas palavras, ele se tornara popular diante do povo. Não obstante, continuavam a não lhe dar ouvidos, continuavam surdos no tocante a arrepender-se e a obedecer (v.11).

 

*          33.32     como quem canta canções de amor. Agora os exilados tinham começado a considerar Ezequiel como uma fonte de entretenimento. Ouvi-lo falar parecia-lhes ser uma maneira de passar uma tarde ou uma noite de inatividade (cf. 20.49, nota).

 

*          34.2-10  Ovelhas que estavam enfraquecidas, feridas ou doentes eram alvo de cuidados especiais de um bom pastor; mas os reis de Israel com freqüência desconsideravam essa regra fundamental. Ver Sl 9.18, nota.

 

*          34.11   Eis que eu mesmo. Tendo posto de lado os pastores infiéis, Deus mesmo assumiu o papel de pastor (Lc 15.3-7).

 

*          34.12 no dia de nuvens e de escuridão. Essa linguagem é normalmente associada ao dia do Senhor (7.7, nota; Jl 2.1,2; Sf 1.15; Is 60.2; Jr 13.16; 23.12; Am 5.18-20).

 

*          34.17   Eis que julgarei... entre carneiros e bodes. O julgamento de Deus não se confinaria aos pastores, mas incluiria o gado miúdo. Alguns dos animais do rebanho tinham estado a marrar outros; e esses animais provavelmente representavam membros das classes altas da sociedade de Jerusalém que tinham oprimido os pobres. Houve uma situação semelhante na comunidade da restauração (Ne 5).

 

*          34.23 meu servo Davi. Essa promessa de restauração (vs. 6,10-16) anuncia um futuro reino messiânico. O Servo de Deus, alguém parecido com Davi, governaria em paz, retidão e prosperidade que ultrapassaria aquilo que se conheceu durante o governo do Davi histórico. Nenhum descendente de Davi, no período da restauração de Judá, cumpriu a descrição profética de Ezequiel sobre o futuro de Israel. O Novo Testamento, porém, identifica Jesus como o Bom Pastor (vs. 2-10, nota).

 

*          34.24     será príncipe. Ver nota em 37.24.

 

*          34.25   aliança de paz. Os versículos que se seguem a este mostram o que essa aliança significará. Incluirá segurança e abundância agrícola na Terra Prometida. O quadro é o de um paraíso restaurado.

 

seguras. Os animais ferozes constituíam um perigo constante (Lv 26.6; Dt 33.20; Jz 14.5,6; 1Sm 17.34-37; 1Rs 13.24-28; 20.36; 2Rs 2.24; 17.25,26; Sl 7.2; 17.12; Pv 28.15; Is 31.4; Jr 5.6; Lm 3.10; Os 13.8; Am 3.4,8,12; 5.19; Mq 5.8; cf. Is 11.6-9; 65.25).

 

*          34.26 eu farei bênção. No Antigo Testamento, a prosperidade agrícola é um tema comum nos retratos da futura bênção do povo de Deus (vs. 25-29); ver nota em 28.26.

 

*          34.30 Saberão, porém, que eu. Ver nota em 6.7.

 

estou com elas... são o meu povo. A essência da aliança de Deus com Israel era que o Senhor seria o seu Deus, e que eles seriam o seu povo (11.20; 36.28; Êx 6.7; Lv 26.12; Dt 7.6; 14.2; 27.9; 29.13; Sl 50.7; Is 51.22; Jr 7.23; 11.4; 30.22; Jl 2.27).

 

*          35.2     contra o monte Seir. Edom ficava localizada ao longo da margem de terra arável a sudeste do mar Morto. Seir era a principal cadeia montanhosa do país. Monte Seir era usado como um sinônimo para Edom (v.15; Gn 32.3; 36.8,9; Dt 2.8; Jz 5.4; 2Cr 25.14).

 

*          35.10     Os dois povos. Israel e Judá.

 

e os possuirei. Contrastar com Dt 2.2-6, uma passagem que proíbe Israel de tomar o território de Edom, porquanto Deus o dera aos descendentes de Esaú.

 

*          36.1-38  A profecia de condenação dirigida ao monte Seir (cap. 35), é seguida por uma profecia de restauração dirigida aos montes de Israel.

 

*          36.2     Os eternos lugares altos. Essa frase refere-se à terra que Deus prometeu a Israel ou, se a tomarmos mais estritamente ainda, aos lugares altos de Sião (17.23; 34.14; Dt 32.13; Sl 48.2; 78.69; Is 58.14; Jr 31.12).

 

*          36.12     os desfilhareis. Israel prosperará e tornar-se-á mais populosa do que fora antes da recente desgraça (vs. 11,12; cf. Zc 2.4). Os profetas com freqüência descrevem a futura bênção divina sobre a Terra Prometida em termos de uma multidão de crianças (37.25; Is 49.20; 54.1; 59.21; Jr 30.20; 31.17; Zc 8.5).

 

*          36.17     em sua menstruação. Ver 18.6, nota.

 

*          36.25             aspergirei. A aspersão ou derramamento de água refere-se às purificações rituais para remoção de contaminação religiosa (Êx 30.17-21; Lv 14.52; Nm 19.17-19). Também é usado como um símbolo para indicar o dom do Espírito de Deus, na unção de reis e sacerdotes e no chamamento profético (Jl 2.28,29). O derramamento do Espírito de Deus é um sinal da era messiânica (37.14; 39.29; Is 42.1; 44.3; 59.21). Esse rico simbolismo está ligado ao batismo no Novo Testamento. A linguagem dos vs. 25-27 é intimamente paralela à do Sl 51.7-11.

 

*          36.26 coração novo... espírito novo. Ver 11.19, e nota em 18.31. Em lugar de um coração de pedra, incapaz de responder a Deus com amor e obediência, Deus lhes proveria um coração novo e um espírito novo. Note-se que essas coisas viriam em resultado da iniciativa divina, e não da realização humana. Jeremias descreveu a nova aliança usando os mesmos termos (Jr 31.33; Pv 3.3; 7.3; Rm 2.15,29; 2Co 3.3).

 

*          36.27 o meu Espírito. O novo espírito seria o Espírito de Deus que transformaria àqueles em quem ele viesse a habitar, capacitando-os a obedecer lei de Deus. Cf. Rm 7.6; 8.2-17; Gl 5.16-18,22; 1Jo 3.24.

 

*          36.33   sejam edificados os lugares desertos. Ver Is 44.26; 58.12; 61.4.

 

*          36.35     jardim do Éden. Israel, como nação, era o jardim de Deus; ver notas em 28.13,14; 40.16; 47.1,2.

 

*          37.1-14  Os intérpretes há muito tempo debatem o relacionamento entre a visão de Ezequiel e a ressurreição geral no fim dos tempos. O Antigo Testamento não apresenta uma doutrina completa da ressurreição; isso teve que esperar pela vinda de Cristo (Jó 14.14; 19.25,26; Dn 12.2; ver também 1Rs 17.17-24; 2Rs 4.8-37; 13.21). A visão de Ezequiel deu uma esperança imediata aos exilados que anelavam por ser restaurados à sua própria terra (37.14), e ela tem uma aplicação ainda mais permanente à ressurreição geral.

 

*          37.1     pelo Espírito. As palavras "assoprar", "Espírito" e "vento", nesta passagem, representam a mesma palavra hebraica, ajustada pelos tradutores aos requisitos do contexto (vs. 1, 5, 6, 8, 9, 10 e 14).

 

um vale. Temos aqui o mesmo vocábulo usado em 3.22; ver a nota ali. Visto que essa palavra é usada somente por Ezequiel, nessas duas passagens, o local dessa visão pode ter sido o mesmo que o do chamamento do profeta. Alguns estudiosos têm sugerido que a visão deu-se nas cercanias de Jerusalém, possivelmente no vale do Cedrom, a leste da cidade (47.1-6; Jl 3.12; Zc 14.4).

 

*          37.4  Profetiza. A palavra profética era como a palavra de Deus, por ocasião da criação. Deus falou, e nova vida foi criada (Gn 1). As palavras de Ezequiel foram similarmente eficazes nesta visão, pois também eram palavras de Deus.

 

*          37.9     assopra. A infusão do sopro da vida nos faz lembrar de Gn 2.7.

 

*          37.12     vossa sepultura. A visão começara com ossos expostos e sem serem enterrados (v.2), mas agora se amplia para incluir a abertura de sepulturas.

 

*          37.14     Então, sabereis. A restauração de Israel seria o próprio testemunho de Deus quanto a seu poder e governo.

 

*          37.16             um pedaço de madeira. O profeta realizou outro ato simbólico (4.1-3, nota). Dois pedaços de pau, um trazendo o nome do reino do sul, Judá, e o outro trazendo o nome do reino do norte, Efraim, foram postos extremidade com extremidade nas mãos do profeta, para que parecessem ser um só pedaço de pau.

 

*          37.18-23         O profeta interpretou seus atos simbólicos (vs. 16 e 17). Os dois filhos de José foram Efraim e Manassés; essas duas tribos formavam a parte central do reino do norte, tanto que o reino do norte (Israel) era, algumas vezes, designado simplesmente como "Efraim" (2Cr 25.7,10; Is 7.2,9,17; 11.13; 17.3; Jr 31.20; Os 4.17; 6.4; 8.9; 9.8; 10.6; Zc 9.13). Coube aos assírios dominá-los quase um século e meio antes do exílio de Judá, e assim Efraim foi disperso entre outras nações e assimilada por elas. Esta passagem relembra a monarquia unida sob Davi e Salomão, e prevê uma futura restauração ideal (33.24; Jr 3.18; 23.5,6; Os 1.11; Am 9.11).

 

*          37.24     Davi reinará sobre eles. Ezequiel relutava em usar a palavra "rei" para indicar qualquer dos governantes históricos de Jerusalém, preferindo chamá-los "príncipes" (v.25; 12.10,12; 19.1; 21.12,25; 22.6; 34.24). Aqui, entretanto, ele descreveu o futuro governante davídico como "rei" (vs. 22,24), possivelmente uma maneira sutil de distinguir de outros, esse futuro governante. O Novo Testamento revela que esse pastor-rei é Jesus (34.2-10,23 e notas), que reinará para sempre sobre o renovado povo de Deus (v.25; 34.31; Jo 10.11,14; Mt 2.2; Atos 5.31).

 

*          37.25-28         para sempre... para sempre. A repetição da frase "para sempre" (vs. 25, 26 e 28) indica que a reunificação em vista é escatológica, ou seja, um evento que ocorrerá nos últimos dias.

 

*          37.26     aliança de paz. Ver 34.25 e nota.

 

aliança perpétua. Essa aliança perpétua teve lugar através do oferecimento do sangue de Cristo (Hb 13.20).

 

*          37.27 eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Ver nota em 34.30.

 

*          37.28 quando o meu santuário estiver para sempre no meio deles. Ezequiel esperava por uma cidade de Deus renovada (caps. 40—48). Mais de seiscentos anos mais tarde, João teve uma visão semelhante (Ap 21), de uma cidade que não precisava de um edifício como templo (Ap 21.22).

 

*          38.1—39.29  Antes de sua descrição sobre a futura cidade de Deus, o profeta primeiramente descreveu a derrota e a remoção de seus inimigos. Gogue, o príncipe de Magogue (ver nota no v.2), sumaria a oposição final ao reino e ao povo de Deus. Deus aparecerá como um guerreiro divino, lutando por seu povo e impondo uma derrota apocalíptica sobre seus adversários, preparando assim o caminho para a visão sobre a cidade renovada (caps. 40—48).

 

*          38.2     Gogue.  A identidade de Gogue é incerta. Ele tem sido frequentemente identificado com Guigues, o rei da Lídia, uma terra na Anatólia (moderna Turquia). Nos textos acádicos do século VII a.C., Guigues é conhecido como um vassalo dos assírios. Lendas posteriores creditam a ele a invenção das moedas. O nome "Gogue" é foneticamente semelhante à palavra acádica para "Guigues", mas uma identificação entre os dois de maneira alguma é certa.

 

Magogue. Essa terra, governada por Gogue, também é desconhecida em outras fontes, nas listas ou citações geográficas existentes na literatura antiga; pode ser que signifique apenas "terra de Gogue".

 

príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal. Embora a identificação de Gogue e Magogue permaneça incerta, a identificação de Meseque e Tubal não está em dúvida (27.13, nota). Por meio dos historiadores antigos Heródoto e Josefo, bem como através de documentos assírios dos séculos XII a VIII a.C., sabe-se que eram tribos da parte central e oriental da Anatólia (moderna Turquia). Considerável confusão tem resultado de especulações mal orientadas acerca desses termos geográficos. Alguns têm identificado essas localidades com outros locais conhecidos da geografia contemporânea, e as têm feito se tornarem parte das conjecturas sobre eventos políticos posteriores. Assim, Meseque e Tubal seriam Moscou e Tobolsk, duas cidades russas distantes da região mencionada por Ezequiel. A palavra hebraica traduzida por "príncipe" (v.2) é ro'sh, e alguns têm dito que ela significa "Rússia". Mesmo que essa palavra seja um nome geográfico, e que não deva ser traduzida por "príncipe", nem por isso é a "Rússia". O nome "Rússia" foi trazida para a região ao norte da cidade ucraniana de Kiev pelos vikings, na Idade Média, e não estava em uso nos tempos de Ezequiel.

            Ao descrever as ameaças à existência de Israel, comumente a Bíblia refere-se a adversários vindos do norte (Is 41.25; Jr 1.13-15; 4.6; 6.22; 10.22; 13.20; 15.12; 25.9,26; 46.10,20,24; 50.3,9,41,49; Ez 26.7; 38.6,15; 39.2; Dn 11; Zc 2.6; 6.6-8; cf. Is 5.26-29; 13.1-13; Hb 1.5-11; Na 2.2-10; 3.1-3). As referências a esses adversários do norte, antes do exílio babilônico no século VI a.C., usualmente indicam a Assíria, a Babilônia e a Pérsia, inimigos tradicionais de Israel. Durante e depois do exílio babilônico, os adversários vindos do norte assumem um colorido mais simbólico e apocalíptico. Em sua descrição sobre o conflito do fim dos tempos, Ezequiel mencionou tribos nos limites dos reinos do norte como incorporação dos inimigos do norte que já figuravam na escatologia de Israel (a compreensão dos judeus sobre os últimos dias). Em lugar de adicionar especulações sobre a história futura, os leitores modernos devem compreender que o próprio Ezequiel usou essas nações como referências simbólicas a todas as potências em armas contra o povo de Deus. O livro de Ezequiel contém muitos oráculos contra nações estrangeiras (Ez 29—32), mas não há qualquer oráculo contra a Babilônia, onde ele e os exilados eram mantidos cativos. Alguns estudiosos têm sugerido que Magogue, Meseque e Tubal são referências veladas à Babilônia, o inimigo imediato. Gogue e Magogue reaparecem na descrição apocalíptica de João do futuro conflito entre o bem e o mal (Ap 20.8).

 

*          38.5     etíopes.  Ver Is 68.31, nota.

 

*          38.6     Gômer. Provavelmente um povo da área ao norte do mar Negro, conhecido dos assírios como os guimirrai, e dos gregos como os cimérios. Gogue parece que liderará uma coligação de nações do sul e do norte. O quadro é de uma total mobilização contra o povo de Deus. Comparar a convocação divina para a guerra em Jl 3.9-11.

 

a casa de Togarma. Ver 27.14, nota.

 

*          38.9     como nuvem que cobre a terra. Um inimigo inumerável se reunirá (Jr 4.13; Jl 2.2).

 

*          38.11   que vivem seguros. Comparar a estratégia, em Jz 18.7,8. Embora Gogue tivesse feito planos acerca de Israel, na realidade Deus os estava atraindo para a sua própria destruição (vs. 4,16).

 

*          38.13 Sabá. A extremidade sudoeste da península da Arábia (moderno Iêmem). Os sabeus eram famosos como negociantes (23.42; 27.22; 1Rs 10.1,2; Jó 6.19; Jl 3.8).

 

Dedã. Um território ao sul de Edom (25.13; 27.20; Jr 25.23; 49.8).

 

*          38.17 aquele de quem eu disse. Gogue não é especificamente mencionado em qualquer outra profecia do Antigo Testamento. Ezequiel refere-se a profecias anteriores que descrevem um inimigo vindo do norte (v.2, nota).

 

*          38.18-23         O próprio Deus será o defensor de Israel. Nas passagens que descrevem o aparecimento de Deus como um guerreiro divino, os profetas comumente falam de uma convulsão correspondente na ordem criada; a criação será reduzida ao caos (32.6-8, nota; Is 13.13; 24.18-20; Jr 4.23-26; Jl 2.10,30,31; Ag 2.6,7,21; 3.16; cf. Jz 5.4; Sl 18.8; 46.3; 77.16-19).

 

*          39.9     queimarão, de todo, as armas. O profeta usou uma figura vívida para descrever quão numeroso será o exército inimigo e quão completa será a sua derrota: os israelitas ficarão juntando as armas dos exércitos derrotados e terão suficiente combustível durante sete anos (Sl 46.9).

 

*          39.11   um lugar de sepultura. As hordas de Gogue serão sepultadas nas fronteiras de Israel, perto do mar Morto. Após sete meses de trabalho, os encarregados continuarão rebuscando cadáveres (vs. 14,15).

 

*          39.14   para a limpar. O contato com um cadáver deixava a pessoa cerimonialmente imunda (Lv 11.24-28,39; 22.4), pelo que a terra precisaria ser limpa.

 

*          39.15 vale das Forças de Gogue. Esse será o nome do vale.

 

*          39.17 o meu sacrifício. Ver nota em 29.5. Usualmente os sacrifícios indicavam que animais eram transformados em alimentos. Mas aqui essa figura de linguagem é invertida: os inimigos humanos é que serão sacrificados, e os animais os comerão. Mediante tal inversão da ordem criada (Gn 1.30; 9.2,3), o profeta mostra o universo dissolvendo-se no caos, sob o juízo divino (38.18-23, nota). A mesma figura é usada em Ap 19.17,18 (Is 34.6,7; Jr 46.10; Sf 1.7-9).

 

*          39.18 em Basã. Uma região a leste do mar da Galiléia, conhecida por seu excelente gado (Dt 32.14; Sl 22.12; Am 4.1).

 

*          39.19 comereis a gordura... bebereis o sangue. Essas partes de um animal sacrificado eram normalmente oferecidas a Deus (44.15; Lv 3.17).

 

*          39.23 foram levados para o exílio. O exílio babilônico não demonstrara que Deus havia falhado em suas promessas — pelo contrário, demonstrava a Israel e às nações que sua soberania era universal. Embora Deus tivesse afligido o seu povo, nem por isso o tinha abandonado (vs. 25-29). Depois de haver descrito como Deus esmagaria os seus inimigos (caps. 38 e 39), o profeta volta-se para oferecer-nos a descrição da gloriosa restauração do povo de Deus (caps. 40—48).

 

*          39.25     tornarei a mudar a sorte de Jacó. Uma vez destruído o inimigo, o profeta passa a falar sobre os propósitos de Deus para o seu povo, a restauração e a bênção dele.

 

*          39.29     derramarei o meu Espírito. Ver 36.25, nota; 11.19; 18.31; 37.14; Jl 2.28.

 

*          40.1—48.35  A visão de Ezequiel da cidade restaurada combina muitos subsídios da tradição bíblica. Ezequiel entrelaça a compreensão familiar sobre Jerusalém como a cidade onde Deus tinha preferido habitar, com referências ao monte Sinai e ao jardim do Éden.

            Um anjo guiou o profeta em um passeio pela cidade, começando pelos portões que conduziam ao átrio externo do templo (40.6-27) e terminando, após diversos capítulos, com uma divisão do território entre as doze tribos (47.13—48.35). As interpretações desses capítulos variam muito. Muitos têm visto nessas passagens uma planta e especificações de construção para uma cidade normal que deveria ser construída (43.10,11). Entretanto, há elementos na visão profética que parecem ir além de uma compreensão literal (p.ex., 47.1-12). Outros intérpretes entendem a visão do templo, de Ezequiel, como, principalmente, uma descrição simbólica da maneira como Deus gostaria de abençoar o seu povo, com o templo proeminentemente representando a presença de Deus no meio de seu povo. Por meio da utilização de visão e simbolismo (40.2; Nm 12.6), o profeta descreveu um ponto no futuro quando a presença de Deus entre o seu povo transcenderia qualquer coisa que Israel já tenha experimentado na história.

 

*          40.2     um monte muito alto. Presumivelmente o monte Sião, local do templo de Jerusalém (17.22-24; 20.40; cf. Sl 48.1,2; Is 2.2; Mq 4.1). O profeta passearia pelo monte santo, tal como o fizera o salmista (Sl 48.12,13).

 

*          40.3     um homem. O profeta foi conduzido em seu passeio pela cidade por um guia angelical (cf. Zc 1.14).

 

uma cana de medir. Ver 2Rs 21.13; Am 7.7,8; Zc 2.1,2; Ap 21.10,15.

 

*          40.4     anuncia... tudo quanto estás vendo. João recebeu instruções semelhantes (Ap 1.11).

 

*          40.5     seis côvados. Existiam pelo menos dois côvados padronizados, o côvado curto, com cerca de 44 cm, e o côvado longo, usado aqui, com cerca de 52 cm (43.13; 2Cr 3.3). Essa cana, pois, tinha cerca de 3,12 m.

 

*          40.6     subiu pelos seus degraus. As pessoas aproximavam-se do templo por meio de degraus, e o edifício estava sobre uma plataforma elevada que ficava no átrio externo. Mais degraus levavam a uma plataforma mais elevada, que era o átrio interior (vs. 34,37). Um lance de escadas levava dali para o edifício do templo (vs. 49; 41.8). Quanto mais alta fosse a elevação, e quanto mais perto se chegasse do santuário interior, maior era o grau de santidade.

 

*          40.9     o vestíbulo. Esses portões assemelham-se aos portões do período salomônico, escavadas em Hazor, Medigo e Gezer (1Rs 9.15). O caminho através do centro do portão era flanqueado por três câmaras de cada lado.

 

*          40.16   palmeiras esculpidas. Ver também os vs. 22,31,34 e 37. A decoração nos antigos santuários de Israel era, principalmente, botânica; variedades de árvores e plantas decoravam a área sagrada (Êx 25.34; 37.19; 1Rs 6.18,29,32,35). Quanto a essa questão, os santuários de Israel sugeriam a beleza do jardim do Éden e punham, diante de Israel, o alvo de voltar a residir no jardim de Deus (28.13,14, nota).

 

*          40.17 átrio exterior. Os adoradores eram admitidos no átrio exterior, mas somente os sacerdotes e os levitas podiam entrar no átrio interior. O texto não especifica o uso das trinta câmaras no perímetro do átrio exterior (cf. Jr 35.2).

 

*          40.20-27  Os portões do norte e do sul eram iguais ao portão oriental (vs. 5-16).

 

*          40.28 átrio interior. O átrio interior era separado do átrio exterior por meio de uma parede; e também tinha três portas (vs. 28-37).

 

*          40.38 onde lavavam. Os animais oferecidos como sacrifícios eram mortos nas portas do átrio interior (43.13-27). Quando os animais tinham sido sacrificados, os seus pedaços eram lavados (Lv 1.9,13; 2Cr 4.6) e pendurados em ganchos (v.43).

 

*          40.46     Zadoque. Ver 44.15, nota.

 

*          40.48—41.4    Tal como o antigo templo de Salomão, na visão de Ezequiel o templo possuía três ambientes: um vestíbulo ou pórtico (40.48,49); um santuário exterior (41.1,2); e o santuário interior ou Santo dos Santos (41.3,4). O edifício do templo ficava em nível mais alto do que o átrio circundante e subia-se a ele por escadarias que davam no pórtico (40.6, nota). O aumento na altura representava uma santidade crescente, à medida que alguém se aproximava do ambiente interior.

 

*          40.49     aos pilares. Os pilares presumivelmente assemelhavam-se a Jaquim e Boaz, as colunas que ficavam do lado de fora do templo de Salomão (1Rs 7.15-22).

 

*          41.3     Penetrou. O acesso ao Santo dos Santos estava restrito ao sumo sacerdote no dia da Expiação (Lv 16; cf. Hb 9.11-14); o anjo pôde entrar nesse compartimento, mas não Ezequiel.

 

*          41.4     vinte côvados. O Santo dos Santos do tabernáculo e do templo de Salomão formavam um cubo, com as mesmas dimensões quanto ao comprimento, à largura e à altura (cf. Ap 21.16).

 

*          41.5-12  Havia câmaras construídas nos lados norte, oeste e sul do edifício do templo. Provavelmente eram usadas para guardar equipamentos, bem como as riquezas do templo (cf. 42.13; 1Rs 6.5-10). O segundo e o terceiro andares eram deslocados, de modo que cada andar era um côvado maior do que o andar de baixo.

 

*          41.22   O altar. A mesa dos pães da proposição é descrita como um altar somente aqui. É provável que assim tenha feito Ezequiel porque os pães eram consumidos pelos sacerdotes como parte da refeição sacrifical, e porque o incenso colocado com o pão era considerado como uma oferenda memorial (Lv 24.5-9; 1Sm 21.3-6).

 

*          42.1-14           às celas. Esses compartimentos não devem ser confundidos com aqueles construídos no perímetro do edifício do templo propriamente dito (41.5-12, nota). Essas celas foram construídas ao longo dos lados norte e sul da parede que separava o átrio interior do átrio exterior.

 

*          42.20   um muro. Esse muro externo separava os recintos sagrados do que era secular; ver nota em 40.7.

 

quinhentas canas. Há versões que dizem aqui "quinhentos côvados". É uma considerável diferença, pois cada cana tinha seis côvados (ver 40.5). Os quinhentos côvados é a soma dos comprimentos do portão exterior norte (50), parte do átrio exterior (100), o portão interior norte (50), o átrio interior (100), o portão interior sul (50), parte do átrio exterior (100) e o portão exterior sul (50).

 

*          43.1-5 O profeta teve uma visão anterior da glória do Senhor que se afastava da cidade (10.18-22; 11.22-24); agora, nesta visão, ele viu a glória de Deus retornando à cidade. A glória vinha do leste, a direção para a qual ela havia partido (11.23). A glória do Senhor tinha enchido o tabernáculo e o templo de Salomão, quando foram dedicados (Êx 40.34,35; 1Rs 8.10,11; 2Cr 5.13,14; 7.1,2; cf. Is 60.1-3). Ver nota em 11.22-24. O templo do período da restauração, levantado por Zorobabel, não foi construído de acordo com a visão de Ezequiel; e era menor que o templo de Salomão (Ed 3.12,13; Ag 2.3). No entanto, Ageu profetizou que a glória do templo de Zorobabel excederia a glória do templo de Salomão (Ag 2.7-9), porquanto a presença de Deus estaria lá.

 

*          43.7     meu trono. O templo de Jerusalém era entendido como o lugar onde Deus tinha o seu trono; Ele estava entronizado acima da arca, no Santo dos Santos (1Sm 4.4; 2Sm 6.2; 2Rs 19.15; 1Cr 13.6; Sl 80.1; 99.1; 132.13,14; Is 6.1; 37.16).

 

*          43.10   o modelo. Os modelos dos santuários passados de Israel tinham vindo da parte de Deus; assim também, os planos para o templo da visão de Ezequiel eram de origem divina. Ver nota em 40.1—48.35. À semelhança de Moisés, que dera a Israel as leis para o tabernáculo, Ezequiel viu a promessa somente de certa distância, em uma visão (Nm 27.12,13; Dt 32.52; 34.4).

 

*          43.12     a lei do templo. A visão que Ezequiel teve do templo é o único corpo de leis rituais, na Bíblia, que não saiu da boca de Moisés. À semelhança de Moisés, Ezequiel tinha recebido essa lei em uma elevada montanha (40.2; Êx 25.9,40).

 

*          43.13     em côvados. Ver nota em 40.5.

 

altar. O altar foi construído como uma série de plataformas, cada qual menor do que a de baixo, semelhante a uma pirâmide de degraus, ou zigurate. Os rabinos antigos tiveram muitos debates sobre esse altar, visto que a sua construção contradizia o mandamento que ordenava que o altar não tivesse degraus (Êx 20.24-26).

 

*          43.18     sobre ele aspergirem sangue. Ver Êx 29.16; Lv 4.6; 5.9.

 

*          43.19     descendência de Zadoque. Ver nota em 44.15.

 

*          43.21     fora do santuário. Ver Êx 29.14; Lv 4.12,21; 8.17; 9.11; 16.27. O autor da epístola aos Hebreus interpretou essas instruções como um aspecto da oferenda que Cristo fez de si mesmo (Hb 13.11-13).

 

*          44.1     a qual estava fechada. O profeta estivera no átrio interior (43.5), mas foi agora levado ao portão oriental. Esse portão permanecerá fechado porque a glória do Senhor entrou no templo através do mesmo (v.2; 43.4; cf. Sl 24.7-10). O fato que esse portão está fechado pode dar a entender que o Senhor nunca mais deixará o templo (43.7,9). O chamado Portão Dourado, na muralha oriental da antiga cidade de Jerusalém foi fechado por meio de uma parede. Esse portão, que vem do período bizantino (300 - 650 d.C.) foi restaurado no período das cruzadas (1000—1100 d.C.). Sem dúvida está posicionado sobre os restos de portões de períodos mais antigos. Esse portão foi murado durante o governo muçulmano de Solimão, o Magnífico, no século XVI d.C. Visto que essa parte do livro de Ezequiel desempenha um papel na escatologia muçulmana, pode ter provido uma razão para o portão ter sido murado. Entretanto, todos os portões ao sul e a leste da plataforma do templo foram fechados nessa ocasião, a fim de controlar o acesso às mesquitas na plataforma acima.

 

*          44.3     Quanto ao príncipe. Visto que o portão está fechado, o pórtico torna-se uma sala. Nessa sala o príncipe terá a permissão de comer a sua porção das refeições sacrificais. Essa provisão nunca foi observada por qualquer dos reis de Israel. Na visão de Ezequiel isso representa o relacionamento especial que o rei prometido manteria com o templo. Ver nota em 37.24.

 

*          44.4-9  Ao passo que algumas porções do Antigo Testamento enfatizam restrições quanto à participação de estrangeiros na adoração de Israel (Êx 12.43; Lv 22.25; Ne 9.2; Jr 51.51), outras passagens prevêem a participação de estrangeiros (47.22,23; 1Rs 8.41,43; 2Cr 6.32,33; Is 56.3,6; cf. Zc 14.21; Ef 2.12,19). Restrições semelhantes, impostas a estrangeiros, caracterizam outros escritos do período após o exílio babilônico (Ed 4.1-3; 10.10-44; Ne 13.1-9; Ag 2.14). No período do Novo Testamento, havia um aviso escrito, na entrada do templo, que proibia gentios de entrarem ali, sob a pena de morte (cf. At 21.26-30). No novo Israel da nova aliança, a Igreja, todas essas distinções entre judeus e gentios foram removidas. Parte do propósito de Cristo era derrubar essas barreiras (Mt 10.18; Lc 2.32; At 9.15; 10.28,45; 11.1,18; 13.46-48; Rm 1.5,16; 2.10; 10.12; 15.16; Gl 3.8,28; Ef 2.11-18; 3.6).

 

*          44.10-14         Embora estrangeiros tenham servido no templo, no passado (Js 9.3,6,21), eles não mais poderão entrar. As tarefas que eles haviam realizado pertenciam aos levitas (Nm 1.50-53; 3.6,8,28-32; 1Cr 23.24-32; 2Cr 8.14,15). As famílias sacerdotais que tinham deslizado para a idolatria, antes do exílio babilônico (8.6) agora se juntarão a seus colegas levitas, nas tarefas mais braçais do templo, ou como assistentes dos sacerdotes. O sacerdócio propriamente dito será restringido à linhagem de Zadoque (v.15; 40.45,46).

 

*          44.12     serviram à casa de Israel de tropeço de maldade. Lit. tornaram-se tropeço de iniqüidade à casa de Israel.

 

*          44.15     Zadoque. Zadoque tinha servido como sumo sacerdote paralelamente a Abiatar durante o reinado de Davi (2Sm 15.24-29; 20.25). Abiatar foi desligado do sumo sacerdócio porque havia apoiado Adonias contra Salomão (1Rs 1.7; 2.26), mas Zadoque apoiava Salomão e tornou-se o único sumo sacerdote. Antes disso, o sacerdócio tinha sido restringido, entre os levitas, aos descendentes de Arão (Êx 28.1; Lv 8.2-7; 9.1-24; Nm 20.25-28; 1Cr 6.48-53), e Ezequiel previu mais uma restrição a uma única família descendente de Arão.

 

*          44.24 para a julgarem. Quanto ao papel judicial dos sacerdotes, ver 1Cr 26.29; 2Cr 19.8-11.

 

*          44.25               nenhuma pessoa morta. O contato com os mortos tornava uma pessoa cerimonialmente imunda; os sacerdotes, e, especialmente, o sumo sacerdote, tinham que evitar tal contato (Lv 21.1-12).

 

*          44.31               Não comerão. A proibição contra comer carne de um animal encontrado morto aplicava-se também a todo o povo de Israel (Lv 11.39,40; Dt 14.21).

 

*          45.1-8  A repartição de territórios será descrita, com maiores detalhes, no capítulo 47. A preocupação aqui é com os recintos sagrados. Ezequiel descreveu uma área sagrada no meio da terra, um quadrado com cerca de 13 km de lado (25 mil côvados), subdividido em três faixas de terra (cf. Ap 21.16). A zona norte (cerca de 68 km2) será separada para uso dos levitas. A zona central conterá o santuário e foi separada para os sacerdotes. A zona sul, com cerca da metade das dimensões das outras duas zonas, foi dada à própria cidade. A área a leste e a oeste do quadrado de 13 km de lado foi dada ao príncipe, enquanto que a área ao norte e ao sul será dividida entre as outras tribos. É interessante que, na visão de Ezequiel, o templo ficava fora da cidade propriamente dita.

 

*          45.10  Justas. Ao que tudo indica, o uso de pesos e balanças falsos era comum (Lv 19.35,36; Dt 25.13-16; Pv 11.1; Am 8.5; Mq 6.10-12).

 

*          45.11   O   efa e o bato. O efa era uma medida para secos com cerca de 22,7 l. O bato era uma medida para líquidos com cerca de 27,3 l.

 

ômer. Dez batos ou efas perfaziam um ômer.

 

*          45.12     O siclo... uma mina. Um siclo era cerca de 11,34 g; uma mina de sessenta siclos seria cerca de 680 g. A mina normalmente tinha cinqüenta siclos.

 

*          45.17             Estarão a cargo do príncipe. Os príncipes de Israel também eram responsáveis para fazer oferendas em favor do povo (vs. 13-17). O povo trazia oferendas sob a forma de bens ao príncipe, o qual, por sua vez, fornecia-as ao santuário (cf. 2Cr 30.24). Ver notas em 37.24; 44.3.

 

*          45.18-25 Estes regulamentos cobrem aspectos das observâncias cerimoniais no primeiro mês (Dia do Ano Novo, vs. 18-20) e do sétimo mês (Páscoa, vs. 21-24, e Tabernáculos, v.25). Essa legislação talvez apresente modificações de prática litúrgica mais antiga. Uma vez mais, à semelhança de Moisés, Ezequiel provê leis religiosas e cerimoniais a Israel (ver notas em 43.10,12).

 

*          45.19   altar. Compare o leitor a consagração do altar em Êx 29.35-37.

 

*          45.24   um him. Uma medida para líquidos com cerca de 4,5 l.

 

*          46.2     O príncipe. Ao príncipe se permitirá que entre até ao limiar interior da porta oriental, que dá para o átrio interior, nos dias festivos; nos demais dias, ele entrará e partirá com o povo comum (vs. 9,10), a menos que esteja fazendo uma oferenda voluntária (v.12). O príncipe terá privilégios especiais com referência ao portão oriental, no átrio exterior (44.1, nota; 44.3, nota). Desse ponto vantajoso, no limiar do portão interior, o príncipe divisará plenamente o átrio interior e o grande altar, mas a entrada no átrio interior será limitada aos sacerdotes e levitas.

 

*          46.4     O holocausto. As especificações dessa oferenda diferem das oferendas do dia do sábado, em Nm 28.9, onde dois cordeiros e nenhum carneiro eram requeridos.

 

*          46.6     no dia da Festa da Lua Nova. Ou seja, o primeiro dia de cada mês. As especificações, novamente, diferem da legislação anterior (Nm 28.11).

 

*          46.13     cada dia. Enquanto a maioria dos regulamentos anteriores diziam respeito a dias específicos do calendário litúrgico do Antigo Testamento, Deus devia ser adorado em Israel todos os dias (vs. 13-15). As provisões acerca dessas oferendas diárias diferem da prática mais antiga (Nm 28.3-8; 2Rs 16.15; 1Cr 16.40; 2Cr 13.11; 31.3).

 

*          46.16-18  Ao redimir Israel do Egito, e, posteriormente, da Babilônia, Deus os removeu do lugar de escravidão, mas também garantiu para eles uma herança na própria terra deles. A terra devia ser inalienável (Lv 25.14-17,23,24; 1Rs 21), representando a permanência da redenção e da herança providas por Deus (1Pe 1.4).

 

*          46.16             filhos. Ezequiel contemplava aqui a restauração do governo davídico. Ver notas em 37.24; 44.3.

 

*          46.17   ano da liberdade. Mui provavelmente temos aqui uma referência ao Ano do Jubileu (Lv 25.8-17; 27.24; Is 61.1,2).

 

*          46.20     cozerão. O Antigo Testamento combinava o sacrifício e a oração com o ato de comer e com as atividades sociais. Esses regulamentos especificam os lugares onde os levitas preparariam as oferendas para as refeições sacrificiais que seriam comidas pelos adoradores.

 

*          47.1,2 O átrio do tabernáculo tinha uma grande bacia ou lavatório onde os sacerdotes se lavavam (Êx 30.17-21). No templo de Salomão havia um "mar" bem maior (1Rs 7.23-26). Esse mar era usado nas lavagens rituais (2Cr 4.6), mas, em adição a isso, simbolizava o oceano primordial, não mais como um símbolo ameaçador do caos (28.2, nota), mas sujeito a Deus e ao serviço do seu templo. Na visão de Ezequiel sobre o templo, essas bacias anteriores foram substituídas por um rio vivificante (Ap 21.1; 22.1,2). O lavatório do tabernáculo e o mar do templo ficavam ao sul do altar, no átrio do santuário; o rio também se originará do sul do altar. Esta passagem deve ser comparada com outras que falam de um rio na cidade de Deus (Sl 46.4), ou descrevem a erupção de uma torrente na cidade (Jl 3.18; Zc 14.3-8). Visto que o templo, pelo menos em parte, simbolizava o paraíso, o rio de Ezequiel relembra os rios que manavam do jardim do Éden (Gn 2.10-14).

 

*          47.3-12  O rio leva a vida por onde quer que vá, transformando Israel em um jardim paradisíaco. Jerusalém está construída sobre uma linha divisória de águas, no alto de uma serra de colinas. A chuva que ali cai flui para o vale do Cedrom e abre caminho para o mar Morto. Jesus apelou para as figuras de linguagem usadas nesta passagem a fim de descrever a si mesmo. Ele disse à mulher samaritana que ele era a fonte de água doadora de vida (Jo 4.10-14). Quando os discípulos se surpreenderam que Jesus estivesse falando com uma mulher samaritana, ele lhes falou sobre uma colheita perpétua que já havia começado (Jo 4.27-38), na realidade, tirando proveito do quadro de Ezequiel sobre árvores que produzem doze colheitas por ano. João também registrou a declaração de Jesus de que ele é a fonte de rios de água viva, adicionando o comentário que Jesus estava falando sobre o Espírito de Deus (Jo 7.37-39).

 

*          47.10     En-Gedi. Na praia ocidental do mar Morto (Js 15.62; 1Sm 23.29; 2Cr 20.2).

 

En-Eglaim. Perto da extremidade noroeste do mar Morto.

 

*          47.11 os seus charcos e os seus pântanos. O fato que os charcos e os pântanos seriam deixados para a produção de sal mostram familiaridade com a tradição que as extremidades rasas do sul do mar Morto eram os locais onde estavam as antigas cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 19.27-29).

 

*          47.13     José terá duas partes. Na visão de Ezequiel, a terra seria dividida igualmente entre as doze tribos. Visto que a tribo de Levi recebeu sua herança territorial dentro dos recintos sagrados de Jerusalém (45.1-8, nota), o número doze foi mantido, substituindo José pelos seus dois filhos, Efraim e Manassés (Gn 48.1-6).

 

*          47.14     a vós outros em herança. Essa é a terra que Deus prometera aos patriarcas (Gn 12.7; 15.18-21; 22.17; 28.4), e que foi possuída durante os reinados de Davi e Salomão (1Rs 8.65; 1Cr 13.5; 2Cr 9.26).

 

*          47.15     o limite da terra. As fronteiras aqui detalhadas (vs. 15-20) mencionam várias localidades desconhecidas, mas correspondem, de modo geral, a outras dessas listas (Nm 34.1-12; 1Rs 8.65). Entretanto, a repartição das terras (cap. 48) é inteiramente diferente das fronteiras históricas entre as tribos. As fronteiras oriental e ocidental são fáceis de identificar; a leste, a fronteira começava nas cabeceiras do rio Jordão, ao sul de Damasco, descia pelo rio Jordão e ao longo das praias ocidentais do mar Morto; a oeste, a fronteira era o mar Mediterrâneo. As fronteiras norte e sul são mais difíceis de estabelecer; ao norte, a linha começa perto de Tiro, e continua na direção leste até um ponto ao norte do mar da Galiléia; ao sul, corria de um ponto abaixo do mar Morto até ao ribeiro do Egito (o Wadi el-Arish), nas costas do mar Mediterrâneo.

 

*          48.1-29   Na visão de Ezequiel, a repartição da terra entre as tribos é diferente daquilo que foi historicamente dividido. A cada tribo foi repartida uma faixa horizontal de terras, ligada com as fronteiras oriental e ocidental. A posição das esposas de Jacó e das tribos individuais parecem ser os fatores determinantes na disposição das tribos: cf. Nm 2 e 3. As tribos mais do norte (Dan, Aser e Naftali) eram tradicionalmente localizadas no norte; a tribo mais ao sul (Gade, v.27), historicamente foi uma tribo do norte. Essas quatro tribos são os filhos da serva Zilpa, de Lia, e da serva Bila, de Raquel (Gn 30.3-8,10-13). Como tais, elas estão localizadas nas extremidades externas das repartições tribais, de acordo com a visão de Ezequiel.

 

            Judá será a tribo ao norte mais próxima da área sagrada, no centro da terra (vs. 8-22; 45.1-8). Historicamente, Judá era uma tribo do sul; ao apresentar a tribo de Davi como parte das tribos do norte, Ezequiel podia estar dizendo que o norte fará “parte de Davi" (2Sm 20.1; 1Rs 12.16; 2Cr 10.16). Judá, pois, acha-se no lugar de honra que teria pertencido ao primogênito de Jacó, Rúben; Rúben ficará imediatamente ao norte de Judá. Em seguida estão as duas tribos de José: Efraim e Manassés, descendentes de Jacó através da esposa favorita, Raquel.

            A tribo ao sul mais próxima da área sagrada é Benjamim. Seu lugar reflete a posição favorecida de Raquel e equilibra a posição privilegiada das tribos de José, no norte. As três tribos remanescentes (Simeão, Issacar e Zebulom) são descendentes de Lia. Issacar, Zebulom e Benjamim historicamente tinham territórios alocados ao norte.

 

*          48.8-22   Esta descrição é uma elaboração de 45.1-8.

 

*          48.11 filhos de Zadoque. Ver nota em 44.15.

 

*          48.30-35   A cidade terá doze portas com os nomes das doze tribos (cf. Ap 21.12-14). Visto que uma das portas se chama Levi; Efraim e Manassés são substituídos por seu pai, José.

 

*          48.35 O SENHOR Está Ali. Desde o começo do Antigo Testamento, Deus revelou a sua intenção de estar com o seu povo. Ele andava e conversava com eles no jardim do Éden, e veio habitar nos santuários edificados no meio deles. A promessa de um filho chamado Emanuel prenunciava um dia em que Deus estaria "conosco" (Is 7.14). O Novo Testamento termina mais ou menos como termina o livro de Ezequiel. João também descreveu a cidade de Deus, bem como um tempo quando Deus viverá com os seres humanos (Ap 21.3); e ele terminou seu livro com a oração que diz: "Amém. Vem, Senhor Jesus" (Ap 22.20).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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