* 1.1 Paulo e Timóteo. Timóteo já é conhecido dos leitores (2.22), pois havia acompanhado o começo da igreja em Filipos (At 16). Em outras cartas, Paulo apresenta-se como “um apóstolo” e a Timóteo “nosso irmão” (2Co 1.1, Cl 1.1).
servos. Um “servo” é um escravo. Timóteo é como um filho para Paulo (2.22) mas acima deles está Cristo, o Senhor.
em Cristo Jesus. Uma das formas prediletas de Paulo para descrever a união do crente com Cristo. Esta locução ocorre dez vezes em Filipenses.
bispos e diáconos. Esses termos designam as duas formas complementares de liderança na igreja de Filipos (1Tm 3.1-3).
* 1.2 graça e paz. Essas duas palavras, as quais, de forma concisa, apresentam o efeito da obra salvadora de Cristo, aparecem juntas em todas as treze saudações de Paulo. Graça e paz procedem jutamente “de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”.
* 1.3,4 A lembrança que Paulo tem dos Filipenses o impele a orar por eles com freqüência (“em todas as minhas orações”) e gratidão (“dou graças ao meu Deus”).
* 1.4 com alegria. A alegria é um tema dominante em Filipenses (vs. 18,26, 3.1, 4.4,10). Ver Introdução.
* 1.5 vossa cooperação. Lit., "comunhão". Uma alusão ao auxílio financeiro recebido dos filipenses (4.10-20).
no evangelho. O termo “evangelho”, designação preferida de Paulo para a sua mensagem, ocorre nove vezes em Filipenses (proporcionalmente, mais do que em qualquer outra carta). Paulo e os filipenses estão unidos pelo compromisso comum com o evangelho (v.7).
desde o primeiro dia. Isto é, desde o início, quando o evangelho chegou em Filipos (4.15; At 16.12-40).
* 1.6 há de completá-la. A perseverança dos santos não acontece sem que Deus os preserve pela graça. Ver “Perseverança dos Santos” em Rm 8.30. O propósito salvador de Deus será completado no “dia de Cristo” (v.10; 2.16), quando ele retornar em glória para ressuscitar seu povo dentre os mortos (3.11, 20, 21) e para receber homenagem universal (2.9-11).
* 1.7 vos trago no coração. As palavras gregas poderiam ser traduzidas por “me trazeis em vosso coração”. Os filipenses são “participantes da graça” com Paulo apoiando o seu ministério (cf. v. 5).
defesa e confirmação. Termos que sugerem testemunho apóstolico durante um julgamento (cf. v.16; Mc 13.9-11).
* 1.8 terna misericórdia. O substantivo grego, assim como o verbo correlato que aparece com freqüência nos Evangelhos em relação a Jesus (p.ex., Mt 9.36; 14.14), indica sentimento profundo.
* 1. 9,10 Paulo relata aos filipenses que ora por eles (v.4) e qual é o conteúdo dessa oração. A fé cristã (“conhecimento e toda a percepção”) encontra expressão no amor cristão e em um procedimento sincero e sem culpa ("serdes sinceros e inculpáveis"; cf. Cl 1.9-11). A ausência de amor mostra que não há proveito em pretenso conhecimento (1Co 13.1-3); o amor como tal é conhecimento em sua forma mais profunda (1Co 8.1 - 3). A seriedade da oração de Paulo para que “o amor aumente mais e mais” entre os filipenses transparece melhor em 2.1-18.
* 1.11 Não só é o pecador justificado pela fé em Cristo (3.9) como “o fruto da justiça”, a vida reta que segue, é “mediante Jesus Cristo” pela obra do seu Espírito (Gl 5.22,23), “para a glória e louvor de Deus”, o Pai. Atuam na santificação dos crentes o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
* 1.12 para o progresso do evangelho. Em virtude da prisão de Paulo, o evangelho transitou irresistivelmente por toda a guarda do palácio e mesmo para além dela.
* 1.13 todos os demais. A prisão de Paulo por pregar a Cristo tornou-se conhecida não somente dos soldados a serviço do imperador, mas também da casa imperial (cf. 4.22) e, talvez, também da população romana.
* 1.14 irmãos. Paulo dirige-se igualmente a homens e mulheres com esse termo.
no Senhor. Essa locução tão importante nas cartas de Paulo alude à união do crente com Cristo e aos bens divinos acessíveis, por meio de Cristo, aos que estão em união com ele (4.13). A locução ocorre nove vezes em Filipenses (contando 2.19). Por meio da prisão de Paulo, o Senhor fortalece e encoraja os cristãos a proclamar o evangelho sem medo.
* 1.15-18 Não há rivalidade quanto à mensagem, uma vez que os dois partidos pregam a Cristo, mas com motivos e atitudes opostas. O motivo de um grupo é boa vontade e amor a Cristo, e a defesa que Paulo faz do evangelho explica porque eles amam o apóstolo (vs. 15,16). O principal motivo do outro grupo é “inveja” (vs. 15,17), exatamente a atitude contra a qual Paulo adverte os filipenses (2.1-5). Eles pregam a Cristo para que eles mesmos possam parecer importantes, uma atitude completamente diferente da de Paulo (vs. 20,21), a cujo sucesso reagem procurando aumentar seu sofrimento (v. 17).
* 1.19 libertação. Paulo espera sair da prisão mas não há como ter certeza disso (vs. 20-27; 2.24). Deus o libertará (v. 28) pelos meios que tiver escolhido, quer humanos como divinos (“vossa súplica” e “provisão do Espírito de Jesus Cristo”).
Espírito de Jesus Cristo. Paulo refere-se à terceira Pessoa da Trindade como o Espírito de Deus e como o Espírito de Cristo (Rm 8.9, Gl 4.6).
* 1.20 A paixão de Paulo não é viver nem morrer, mas ver Cristo, de uma forma ou de outra, engrandecido (2.17; cf. Rm 12.1,2).
* 1.21 o viver é Cristo. Para o apóstolo, Cristo é sua razão de existir.
o morrer é lucro. Ao invés de desfazer a união que Paulo tem com Cristo, a morte vai introduzir Paulo em uma experiência mais profunda dessa união.
* 1.23 constrangido. Paulo quer estar com Cristo mas também deseja permanecer na terra por causa da igreja. Este é o dilema. Contudo, a decisão está nas mãos de Deus, e Paulo está confiante de que Deus tem mais trabalho para ele entre os filipenses (vs. 24,25).
estar com Cristo. A linguagem que Paulo emprega aqui lança alguma luz sobre a natureza do estado intermediário (isto é, a condição da pessoa no período entre a morte física e a ressurreição). Ver nota teológica “Morte e Estado Intermediário”, índice.
* 1.27 um só espírito... uma só alma. Paulo conclama os crentes à unidade.
lutando. Paulo exorta os leitores a não esmorecerem sob a pressão dos que se opõe, mas a, em vez disso, exercerem sua própria pressão. Ou seja, proclamar o evangelho no qual eles têm crido (Ef 1.13) e viver de modo digno do mesmo.
* 1.28-30 Paulo encoraja os crentes de Filipos com quatro afirmações. (a) A coragem deles face à oposição é um sinal do julgamento divino confrontando os perseguidores (2Ts 1.5-10). (b) Tal coragem é também um sinal da própria salvação integral dos crentes, no sentido redentivo (Rm 1.16, 13.11). (c) Sofrer por Cristo é uma honra dada por Deus (3.10). (d) Paulo compartilha da luta deles (vs. 7-26; At 16.19-24; 1Ts 2.2) e seu exemplo pode encorajá-los assim como aos “irmãos” (v. 14).
* 2.1-4 O caráter poético destes versículos tornam as palavras de Paulo especialmente vigorosas. O apelo quádruplo do v. 1 (note a repetição da construção “se... alguma”) serve de base para as exortações dos vs. 2-4.
* 2.1 exortação em Cristo. Em sua união com o Salvador eles encontram incentivo para buscar unidade uns com os outros. Para seguirem o exemplo de Cristo, é preciso primeiro estar em Cristo (cf. v. 5).
consolação de amor. Os crentes são encorajados porque Cristo os ama (Gl 2.20) e porque amam a Cristo e uns aos outros (v. 2).
comunhão do Espírito. Essa locução também pode ser traduzida como “comunhão produzida pelo Espírito”.
* 2.2 penseis a mesma coisa... mesmo amor... unidos de alma... mesmo sentimento. A ênfase na unidade é forte (cf. 1.27).
* 2.3 partidarismo. O orgulho é competitivo por natureza e tenta elevar uma pessoa acima das outras, promovendo assim conflitos em vez de harmonia (vs. 2,14; 1.27). Já a humildade aceita um lugar de serviço, preocupando-se com necessidades e interesses dos outros (v. 4). O amor (v. 2) é essencial à humildade (1.9; 1Co 13.4,5).
* 2.5 Esse versículo faz a conexão entre as exortações (vs.1-4) e o hino (vs. 6-11). Abordando o orgulho que está na raiz da discórdia dos filipenses (1.27-2.4), Paulo aponta para Cristo como o exemplo supremo de humildade. Mas Cristo não é só um exemplo (Rm 15.1-3, 2Co 10.1). Ele é, antes de tudo, Senhor e Salvador (v. 11; 3.20).
* 2.6-11 Esse “hino a Cristo” pode ser dividido em seis versos. Os três primeiros (vs. 6-8) celebram a humilhação de Cristo; os três últimos (vs. 9-11), sua exaltação.
* 2.6 subsistindo em forma de Deus. A palavra “forma” refere-se à realidade subjacente e não apenas à aparência. Jesus ser “em forma de Deus” significa que ele é divino.
não... usurpação. Essa figura de linguagem transmite a idéia de que alguma coisa almejável já era possuída. Jesus não estava tentando se tornar Deus e não se prendeu a privilégios que sempre foram dele.
* 2.7 a si mesmo se esvaziou. Não diz que Cristo tirou de si mesmo sua identidade como Deus. O significado da frase é que ele a si mesmo se humilhou, deixando seu status celestial, não seu ser divino. A natureza de seu esvaziar-se a si mesmo é definida nas três frases que seguem (“assumindo... tornando-se... reconhecido”). Ver “A Humanidade de Jesus” em 2Jo 7.
servo. Isto é, um escravo. A linguagem expressa de forma vivaz a prontidão de Cristo para despojar-se de seu status tão elevado (v. 6, nota).
em semelhança de homens. Cristo é verdadeiramente humano. “Semelhança” significa mais que similaridade. Para que pudesse morrer (v. 8), tinha que ser completamente humano. Ao mesmo tempo, Paulo faz uma distinção entre Cristo e outros seres humanos. Ao contrário desses, não tem pecado (2Co 5.21). E, com respeito à sua natureza divina, permanece transcendente sobre a realidade criada; não pode deixar de ser um ser celestial mesmo em sua humilhação.
em figura humana. A “aparência” de Cristo como um homem não era uma ilusão. Ele se revelou através de uma completa e genuína natureza humana unida com sua natureza divina em uma Pessoa, a qual é divina e humana.
* 2.8 a si mesmo se humilhou. A linguagem aqui é paralela à frase “a si mesmo se esvaziou” no v. 7. Cada ato ocorre pelo livre exercício da vontade pessoal de Cristo.
obediente. O significado da submissão à vontade do Pai (Hb 10.5-9) é maior em se tratando daquele que é igual ao Pai (v. 6) do que de qualquer outra pessoa. As palavras de Paulo encerram toda a vida de obediência de Cristo ao mesmo tempo que acentuam sua morte como expressão suprema de obediência.
cruz. A ênfase recai mais sobre a prontidão de Cristo para sofrer a mais vergonhosa e dolorosa das mortes do que sobre o significado expiatório do evento (cf. Rm 3. 21-26).
* 2.9 Pelo que também Deus. O ato do Pai é uma resposta direta à obediência de Cristo.
o exaltou sobremaneira. Cristo é restaurado ao glorioso status que tinha no começo mas ao qual voluntariamente deixara temporariamente para tornar-se um ser humano (Jo 16.28; Hb 2.9,14).
* 2.10 ao nome de Jesus. O sentido dessa expressão também pode ser “o nome que pertence a Jesus”, isto é, “Senhor” (v. 11). Paulo, muito provavelmente, está dizendo que o proferir do nome "Jesus" é sinal diante do qual “todo joelho se dobrará” para lhe oferecer adoração e o aclamar Senhor.
* 2.11 Senhor. A humildade de Cristo é a sua glória (cf. Mt 23.12). O “nome que está acima de todo nome” (v. 9) é “Senhor”. Na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento), o nome de Deus é representado pelo título “Senhor” (kyrios, em grego). Cristo é agora aclamado como sendo o que sempre foi, a saber, o verdadeiro Deus (1Jo 5.20). O louvor que lhe é dado compreende a humanidade (“Jesus”) e a divindade (“Senhor”) de Cristo; ele é adorado como o Deus-Homem. Ver “Jesus Cristo, Deus e Homem” em Jo 1.14.
Deus Pai. Jesus Cristo é o Filho do Pai. Tão unidas são as Pessoas da Divindade que adorar ao Filho glorifica o Pai. Embora o faça em outras passagens (Rm 8.3, Gl 4.4), Paulo não se refere a Jesus como o Filho de Deus em Filipenses.
* 2.12 Assim, pois. Tendo por base o exemplo supremo de Cristo, Paulo retoma sua exortação. A presença do apóstolo encoraja os filipenses à obediência mas, porque a motivação básica vem de Deus que está agindo neles (v.13), a obediência deles vai florescer também na ausência de Paulo (1.27).
a vossa salvação. Como em 1.28, é salvação integral no sentido de redenção, com ênfase especial na santificação do crente. O processo de santificação requer obediência à exortação dos vs. 1-5. Ver “Santificação: o Espírito e a Carne” em 1Co 6.11.
temor e tremor. Reverência e respeito ao invés de pânico e alarme. As emoções apropriadas são despertadas pela presença de Deus (v.13) e não por questões e dúvidas acerca da segurança eterna.
* 2.13 Deus é quem efetua em vós. A aplicação de esforço humano (v. 12), longe de violar a vontade de Deus, é exatamente o que ele ordena para o alcance de seu propósito salvador (Ef 2.8-10). Tendo invocado o exemplo de Cristo, Paulo reafirma aos filipenses que não vêm deles mesmos o querer e o realizar, mas que a vontade e as ações de cada um deles são arenas nais quais atua o poder do próprio Deus (4.13; 1Ts 2.13).
* 2.14 sem murmurações nem contendas. Os filipenses não devem imitar os antigos israelitas (Êx 15.24, 16. 7-9; 1Co 10.10). Note também a alusão, no v. 15, a Dt 32.5. É, inclusive, possível que os filipenses tivessem murmurado contra os líderes da igreja como os israelitas fizeram contra Moisés (v. 29; 1Ts 5.12,13).
* 2.15 para que vos torneis. Está em vista o testemunho da união da igreja como um só corpo.
irrepreensiveis e sinceros... inculpáveis. O significado desses termos sobrepõe-se consideravelmente. Paulo descreve a qualidade de vida que se requer dos “filhos de Deus”. Tais pessoas resplandecerão como "luzeiros no mundo” em evidente oposição à "geração pervertida e corrupta" entre a qual vivem e para a qual também oferecem esperança (cf. Mt 5.14-16; At 2.40).
* 2.16 preservando. Paulo está preocupado com a fidelidade dos próprios filipenses ao evangelho de Jesus Cristo (1.27; 2.1-5).
a palavra da vida. Refere-se tanto ao evangelho como aos ensinamentos éticos nele fundamentados (1.27; 4.8,9).
eu me glorie. Paulo, no “Dia de Cristo” (1.10, cf 1.6), terá mais satisfação pelo crescimento espiritual dos filipenses do que pelo seu próprio (1.9-11).
* 2.17 mesmo que seja eu oferecido. Paulo não se refere aqui ao seu sofrimento presente mas à possibilidade de vir a morrer como um mártir.
libação. Uma oferta líquida, normalmente vinho e não sangue, que acompanhava sacrifícios.
sacrifício e serviço da vossa fé. Donativos dos filipenses para Paulo (4.10-20).
alegro-me e... me congratulo. O sofrimento, para o apóstolo, pode produzir alegria. Assim também os filipenses devem agir (v. 18).
* 2.21 seu próprio. Esse versículo é como um eco do pensamento expresso no v. 4. A vida de Timóteo é um modelo da humildade a que Paulo conclama os seus leitores e uma imagem da humildade do próprio Cristo (vs. 5-11)
* 2.22 como filho ao pai. Timóteo era um íntimo cooperador de Paulo na causa de Cristo, de quem ambos eram servos (1.1). Como um servo de Cristo, Timóteo cuidará com sinceridade do bem estar de outros (v. 20).
* 2.23 é quem espero enviar. Em meio a circunstâncias difíceis (1.29,30), com a possibilidade de um julgamento próximo inclusive, Paulo precisa de uma pessoa do caráter de Timóteo. Nos vs. 23,24, Paulo expressa a mesma confiança registrada em 1.19-26.
* 2.24 no Senhor. Os planos que dizem respeito a Timóteo e a Paulo são submetidos à vontade divina (v. 19).
* 2.25 Epafrodito. Esse companheiro de trabalho de Paulo é, assim como Timóteo, digno de honra. A exemplo de Timóteo e do próprio Jesus, ele é uma pessoa dedicada às outras. Obedece a Cristo apresentando-se como servo para outros crentes, sejam esses os filipenses (4.18) ou Paulo, por quem arrisca a sua própria vida (vs. 26,27,30).
* 2.26 angustiado. Assim age Epafrodito, menos preocupado com sua doença do que com o efeito dessa notícia sobre os filipenses.
* 3.1 Quanto ao mais, irmãos meus. Uma antecipação das exortações finais da carta (4.2-9).
alegrai-vos nos Senhor. Esse apelo é repetido em 4.4.
as mesmas coisas. Trata-se do que Paulo dirá a seguir, nos vs. 2-21 (cf. v. 18). Paulo repete aqui instruções anteriormente passadas aos filipenses, quer pessoalmente ou por carta, para que pudessem estar em “segurança” contra falso ensino na igreja.
* 3.2 cães... falsa circuncisão. Os adversários de Paulo aqui, sejam eles cristãos (como em Gálatas) ou não-cristãos, defendem a lei de Moisés e insistem na circuncisão como o emblema da salvação (cf. At 15.1).
* 3.3 nós é que somos a circuncisão. Em resposta aos judaizantes e sua ênfase equivocada no rito exterior e físico da circuncisão, Paulo afirma que os cristãos são a verdadeira circuncisão, isto é, o Israel espiritual (Gl 3.6-4.7).
nos gloriamos em Cristo Jesus. Em contraste radical com "confiamos na carne".
carne. Esse termo, em Paulo, resume tudo que é natural e humano. Nesse versículo, contudo, refere-se provavelmente ao ato físico da circuncisão (v. 5; Gl 6.12-15).
* 3.4-6 Estes versículos apresentam uma lista com sete "características de linhagem" que qualificavam a Paulo como seguidor da lei.
* 3.5 ao oitavo dia. A circuncisão de Paulo foi segundo Gn 17.12.
de Israel. Ver Rm 9.3,4; 11.1.
da tribo de Benjamim. Paulo, outrora Saulo de Tarso, pode ter recebido esse nome por causa do rei Saul, também de Benjamim (1Sm 9.1,2).
fariseu. A vida de Paulo era de escrupulosa obediência à lei, tanto à Torá como às tradições judaicas que lhe foram agregadas (At 22.3; 26.5; Gl 1.14).
* 3.6 perseguidor da Igreja. Ver At 9.13,14; 22.4,5; 26.9-11; 1Co 15.9; Gl 1.13,14.
irrepreensível. Não a pretensão de estar sem pecado (Rm 7.7-13) mas de ter vivido com fidelidade aos preceitos do Antigo Testamento. A obediência de Paulo à lei era respeitável mas seu conseqüente “confiar” (a palavra é repetida três vezes nos vs. 3 e 4) era o pior dos pecados.
* 3.7 o que... era lucro. É óbvio que Paulo não está pensando em suas transgressões da lei mas em sua escrupulosa obediência aos mandamentos da lei (v. 6).
considerei perda. Essa decisão é bastante significativa, porque aquilo ao que Paulo renuncia é (ao menos em parte) uma virtude, o que talvez seja ainda mais difícil de renunciar que um vício. Contudo, conforme Paulo agora compreende, quanto mais nobre a linhagem e quanto mais elevadas as conquistas, maior a tentação ao orgulho e à confiança em si mesmo (Lc 18.9-14; Ef 2.8,9). Paulo despreende-se completamente de tudo quanto permite confiança em si mesmo ou proveito pessoal "por causa de Cristo”.
* 3.8 refugo. A palavra grega é empregada em sentido figurado; seu significado literal é “lixo” e já foi traduzida como “estrume”. Paulo joga fora, com aversão, qualquer coisa que possa interferir na “sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”.
* 3.9-11 O versículo 9 fala de justificação; o v.10, de santificação e o v.11, de glorificação. A seqüência previlégio-morte-exaltação sugere relação com 2.6-11.
* 3.9 não tendo justiça própria. Paulo, agora, admite que a salvação não se baseia no que o ser humano alcança obedecendo à lei, mas inteira e exclusivamente na "justiça que procede de Deus”, dada àqueles que estão unidos com Cristo (Rm1.16,17; 3.21-26).
fé em Cristo. Cristo é o objeto da fé (Gl 2.16), por esse motivo, agora que põe sua confiança somente em Cristo, Paulo abandona toda a confiança que tinha em suas próprias credenciais (vs. 7,8). A fé é o meio, não o fundamento, da salvação. Paulo afirma que somos salvos “através da fé”, jamais que somos salvos “por causa da fé”. O fundamento da salvação é o mérito de Cristo. A fé, sendo meio, não confere valor de si mesma mas liga-nos a Cristo a ao seu mérito.
baseada na fé. A fé recebe o dom da justiça que vem de Deus (Rm 3.22; 5.17) e, com base nessa justiça, o veredito de justificação é dado quando uma pessoa crê (Rm 4.3; 5.1; Gl 3.6). Assim, a fé e a justificação são cronologicamente simultâneas, embora a fé tenha precedência lógica.
* 3.10 para o conhecer. Esse é o mais ardente anseio de Paulo (1.20-23); não fala apenas de maior percepção intelectual mas de uma união pessoal mais profunda. As duas orações seguintes explicam como, no presente, esse conhecimento de Cristo é experimentado.
sua ressureição. Para o apóstolo, a identificação com o Cristo crucificado e ressurreto é fundamental na vida cristã. Noutra passagem (2Co 4.7,10,11), Paulo ensina que é pela participação nos sofrimentos de Cristo que se manifesta o poder da ressurreição de Cristo na vida do cristão. Essa identificação com os sofrimentos de Cristo não acontece exclusivamente por meio do martírio (2.17) mas na vida inteira.
* 3.11 de algum modo. Paulo reconhece que a perseverança do crente depende da vontade e da ação do soberano Deus (1.6; 2.13; 3.12-14,21; cf. Hb 6.3).
a ressurreição. A participação nos sofrimentos de Cristo prepara para a participação em sua glória na ressurreição dos mortos (vs. 20,21; Rm 8.17).
* 3.12 Não que eu o tenha já recebido. O prêmio da salvação, em sua plenitude, ainda não foi alcançado, algo que Paulo enfatiza contra idéias perfeccionistas (cf. 1Co 4.8; 2Tm 2.18; 1Jo 1.8). No entanto, já começou o processo de salvação que será consumado no dia de Cristo (1.6,10) e da ressurreição dos mortos (3.11).
* 3.14 o alvo. O objetivo pelo qual Paulo se esforça promete um esplêndido troféu — salvação em toda sua plenitude (cf. 1.28; Rm 13.11).
da soberana vocação de Deus. Deus chamou a Paulo, no início (Rm 8.30; Gl 1.15). É porque Paulo pode dizer “fui conquistado por Cristo Jesus” (v.12) que ele prossegue para o alvo da vida na glória (v.13).
* 3.15 Todos, pois, que somos perfeitos. Essas palavras podem ser um tributo a pessoas que realmente pensam e vivem com tal maturidade. Outra possibilidade é que aqui Paulo esteja referindo-se ironicamente às pessoas que se consideram já na “perfeição” (v.12), idéia que Paulo precisa corrigir.
tenhamos este sentimento. Uma referência à instrução dos vs. 12-14.
se... pensais doutro modo. Essas palavras podem reforçar o apelo precedente no sentido de concordarem com Paulo, mas a repetição de "tenhamos este sentimento... pensais" lembra 2.1-5 e sugere que o apóstolo também visa aqui a harmonia entre os próprios filipenses.
Deus vos esclarecerá. Seja para o discernimento e a compreensão espiritual ou para a harmonia entre os crentes, a graça de Deus é necessária (1.9-11). Até lá, cada crente deve conduzir-se conforme o grau de discernimento já recebido de Deus (v. 16).
* 3.17 sede imitadores meus. O exemplo que Paulo é o oposto daquilo apresentado nos vs. 18,19. Paulo é fiel à cruz (Gl 6.14), Cristo é sua glória (v. 21; cf. v. 3) e sua preocupação são as coisas celestiais (vs. 20,21)
* 3.18,19 Esses versículos poderiam descrever quaisquer adversários (1Co 1.23), inclusive os judaizantes (vs. 2-6; Gl 2.15-21). Paulo pode ter em mente, de forma especial, os que concebem a Cristo como espírito puro e que zombam da idéia dele trazer salvação por meio da encarnação e de um "corpo da sua carne” que pudesse morrer (Cl 1.22). Tais pessoas consideram-se vivendo em um plano espiritual elevado, o que lhes permite entregarem-se livremente aos prazeres sensuais, seja comida (“o deus deles é o ventre”) ou sexo (“a glória deles está na sua infâmia”; cf. 1Co 6.9,10).
* 3.18 chorando. Paulo chora, não por medo de que alguém possa desfazer o que Cristo fez mas por causa da destruição reservada aos inimigos do evangelho. Esse destino (v. 19) completa o processo destrutivo iniciado pelo pecado deles mesmos (Rm 1.18-32; Gl 6.7,8).
* 3.20 nossa pátria. Assim como Filipos era uma colônia de Roma (At 16.12), a igreja é uma colônia dos céus.
também aguardamos. Essa expectativa corresponde ao anseio mencionado em 1.23. Esse verbo é empregado nas espístolas de Paulo sempre com relação a esse tema (Rm 8.19,23,25; 1Co 1.7; Gl 5.5).
* 3.21 transformará o nosso corpo de humilhação. Diante de uma atitude de desprezo do corpo (vs. 18,19, nota), Paulo celebra a transformação de nossos corpos por Cristo (cf. 1Co 15.50-53). Ver “Ressurreição e Glorificação" em 1Co 15.21).
igual ao corpo da sua glória. Cristo ressuscitou, ele mesmo, corporalmente da sepultura, como “primícias” de uma grande colheita (1Co 15.20-23). Assim como o Pai fez justiça à obediência de Cristo (2.6-11), também a fidelidade dos crentes na aflição culminará na gloriosa ressurreição que lhes está preparada.
subordinar a si todas as coisas. Ver 1Co 15.20-28.
* 4.1 permanecei... firmes. Paulo pode estar antecipando as exortações seguintes, especialmente as difíceis dos vs. 2 e 3. Isso ajuda a explicar a presença de tantos termos expressando amabilidade no v. 1. O desafio para “permanecer firmes” remete-nos a 1.27 (onde ocorre o mesmo mandamento) e apoia-se imediatamente sôbre a declaração de esperança de 3.20,21. Paulo está pensando na volta de Cristo quando chama seus leitores de “alegria” e “coroa” (1Ts 2.19,20).
* 4.2 Rogo. Paulo solicita em vez de ordenar e, dirigindo-se primeiro a uma mulher e depois a outra, dá mais força ao pedido.
Evódia... Síntique. Não há outra menção dessas mulheres no Novo Testamento. São valorosas cooperadoras de Paulo e, ao que parece, pessoas de influência na igreja.
pensem concordemente. A principal preocupação de Paulo não é que elas concordassem uma com a outra, conforme sugerido algumas vezes, mas que elas tivessem a atitude recomendada em 2.2.
* 4.3 companheiro. A palavra grega (syzygos) pode ser um nome próprio.
com Clemente. Único registro desse nome no Novo Testamento.
livro da vida. Os nomes de todos os eleitos de Deus estão inscritos neste livro (Ap 3.5; 20.15).
* 4.4 Alegrai-vos. A alegria é um dos temas dominantes em Filipenses. A obediência a esse mandamento é sempre possível, mesmo em meio de conflito, adversidade e privação, porque a alegria não repousa em circunstâncias favoráveis mas “no Senhor”. Paulo recorre à repetição para enfatizar essa verdade.
* 4.5 moderação. A palavra grega denota o espírito magnâmico que supera ofensas ou um espírito paciente, que tem Jesus como o exemplo supremo (2Co 10.1). Uma pessoa assim não insiste em seus direitos (2.1-4). Somente pessoas com essa atitude aprendem o segredo da alegria.
Perto está o Senhor. Pode-se entender essa proximidade como temporal, referindo-se à vinda de Cristo como um evento futuro (3.20,21), com o fim de fortalecer a esperança. Mas também é possível que Paulo esteja falando da companhia constante de Cristo com aqueles que estão unidos a ele (1.1).
* 4.6 Não andeis ansiosos de coisa alguma. Embora a mesma palavra apareça em 2.20 descrevendo uma preocupação caridosa para com outros, aqui ela denota uma ansiedade incompatível com a confiança em Deus (cf. Mt 6.25).
em tudo. A linguagem de Paulo é deliberadamente inclusiva; nada há que a possa restringir.
petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. Esses quatro termos dividem-se em dois pares. Paulo não está definindo tipos diferentes de oração. Ao invés, o conjunto das palavras revela a importância que ele dá à prática da oração. Apresentar pedidos em oração fornece um escape para a ansiedade (1Pe 5.7). Fazer isso “com ações de graças” é, em si, um antídoto contra a preocupação.
* 4.7 paz de Deus. Essa é a resposta imediata à oração por causa da ansiedade. Coisas que não podem ser inteiramente compreendidas podem, todavia, ser experimentadas em paz por aqueles que estão “em Cristo” (1.1; cf. Ef 3.18,19).
* 4.8 Concluindo essas exortações, Paulo conclama seus leitores a uma vida de obediência, que é a resposta correta à paz de Deus. A lista de virtudes não é exaustiva mas representativa; também são incontáveis os meios através dos quais se manifestam (observe a respetição de "tudo o que é"). A necessidade de pensar em coisas assim não tem um fim em si mesma, mas deve ser a preparação para a ação planejada (v.9).
verdadeiro. Ver Ef 4.24,25.
respeitável. A palavra grega significa “honrado” ou “digno de respeito”.
justo. Ver Tt 1.8
puro. Ver 1Tm 5.22
amável... de boa fama. Termos usados somente aqui no Novo Testamento.
* 4.9 Os filipenses devem guiar-se tanto pelo ensinamento de Paulo como pelo seu exemplo, especialmente seu amor pelos filipenses (v.1; 1.3-8; 2.12).
o Deus da paz. Uma promessa ainda mais preciosa do que “a paz de Deus” (v. 7). Seu cumprimento depende da obediência.
* 4.10-20 Paulo volta ao tema do primeiro capítulo — a cooperação dos filipenses no evangelho (1.5), especialmente seu apoio financeiro.
* 4.10 vos faltava oportunidade. Paulo faz uma ressalva, para que não entendam suas palavras como repreensão.
* 4.11-13 Esses versículos não negam a necessidade por que Paulo passava mas, ao contrário, são um testemunho de que vivia contente tanto na fartura como na escassez.
* 4.13 tudo posso. Confiando no poder de Cristo e seguindo seu exemplo (2.5; 3.10), Paulo pode enfrentar todas as circunstâncias com contentamento. Ele quer imprimir em seus leitores a mesma lição (vs. 6,7,19).
* 4.14 As ressalvas feitas nos vs. 10-13 tornam necessária a reafirmação da gratidão de Paulo pela ajuda deles recebida naquela hora de privação (1.17).
* 4.15,16 Mesmo antes de Paulo ter partido da Macedônia, os filipenses haviam sido, mais de uma vez, generosos para com ele.
* 4.15 no início do evangelho. Isto é, quando o evangelho começou a ser pregado em Filipos (1.5).
quando parti. Foi em sua segunda viagem missionária que Paulo partiu da Macedônia para a Acaia (At 16.40; 18.18).
* 4.17,18 Conforme o v. 18 evidencia e enfatiza, Paulo tem suprimentos em abundância e não quer sobrecarregar ainda mais a igreja. O principal motivo porque Paulo está alegre (v. 10) não é que suas necessidades foram supridas. Ele alegra-se muito mais porque reconhece que os donativos dos filipenses são um ato de culto agradável a Deus (Hb 13.15,16) e porque sabe que Deus os abençoará e recompensará ricamente (2Co 9.6). Ver "Agradando a Deus" em 1Ts 2.4.
* 4.19 cada uma de vossas necessidades. Compreendidas tanto necessidades materiais como espirituais (vs. 6,7). A promessa é para os que estão em Cristo Jesus (v. 21; 1.1).
* 4.20 Amém. Quando ocorre no final de uma oração, essa palavra é uma resposta de confiança e de compromisso com o que foi dito. Ela confirma a fidedignidade e confiabilidade do que foi declarado.
* 4.21 cada um dos santos. Lembra 1.1.
irmãos. Aqui, como sempre, companheiros crentes de ambos os sexos. Paulo emprega esse termo freqüentemente com relação aos filipenses (1.12; 3.1).
que se acham comigo. Ver 1.1,14.
* 4.22 Todos os santos vos saúdam. Refletindo a unidade corporativa dos crentes, em uma mesma congregação e entre igrejas locais, Filipos e Roma, por exemplo.
os da casa de César. Os servos do palácio e não os membros da família real, os crentes romanos com os quais Paulo tem maior contato (1.13).