* 1.1 Paulo e Timóteo. Timóteo já
é conhecido dos leitores (2.22), pois havia acompanhado o começo da igreja em
Filipos (At 16). Em outras cartas, Paulo
apresenta-se como “um apóstolo” e a Timóteo “nosso irmão” (2Co 1.1, Cl 1.1).
servos. Um “servo”
é um escravo. Timóteo é como um filho
para Paulo (2.22) mas acima deles está Cristo, o Senhor.
em Cristo Jesus.
Uma das formas prediletas de Paulo para descrever a união do crente com
Cristo. Esta locução ocorre dez vezes em
Filipenses.
bispos e diáconos.
Esses termos designam as duas formas complementares de liderança na
igreja de Filipos (1Tm 3.1-3).
* 1.2 graça e paz. Essas duas palavras, as quais, de forma
concisa, apresentam o efeito da obra salvadora de Cristo, aparecem juntas em
todas as treze saudações de Paulo. Graça e paz procedem jutamente “de Deus
nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”.
* 1.3,4 A lembrança que Paulo tem dos Filipenses o
impele a orar por eles com freqüência (“em todas as minhas orações”) e gratidão
(“dou graças ao meu Deus”).
* 1.4 com alegria. A alegria é um tema dominante em Filipenses
(vs. 18,26, 3.1, 4.4,10). Ver Introdução.
* 1.5 vossa cooperação. Lit., "comunhão". Uma alusão ao auxílio financeiro recebido dos
filipenses (4.10-20).
no evangelho.
O termo “evangelho”, designação preferida de Paulo para a sua mensagem,
ocorre nove vezes em Filipenses (proporcionalmente, mais do que em qualquer
outra carta). Paulo e os filipenses estão unidos pelo compromisso comum com o
evangelho (v.7).
desde o primeiro dia.
Isto é, desde o início, quando o evangelho chegou em Filipos (4.15; At
16.12-40).
* 1.6 há de completá-la. A perseverança dos santos não acontece sem
que Deus os preserve pela graça. Ver
“Perseverança dos Santos” em Rm 8.30. O propósito salvador de Deus será
completado no “dia de Cristo” (v.10; 2.16), quando ele retornar em glória para
ressuscitar seu povo dentre os mortos (3.11, 20, 21) e para receber homenagem
universal (2.9-11).
* 1.7 vos trago no coração. As palavras gregas poderiam ser traduzidas por
“me trazeis em vosso coração”. Os
filipenses são “participantes da graça” com Paulo apoiando o seu ministério
(cf. v. 5).
defesa e confirmação.
Termos que sugerem testemunho apóstolico durante um julgamento (cf.
v.16; Mc 13.9-11).
* 1.8 terna misericórdia. O substantivo grego, assim como o verbo
correlato que aparece com freqüência nos Evangelhos em relação a Jesus (p.ex.,
Mt 9.36; 14.14), indica sentimento profundo.
* 1. 9,10 Paulo relata aos filipenses que ora por eles
(v.4) e qual é o conteúdo dessa oração. A fé cristã (“conhecimento e toda a
percepção”) encontra expressão no amor cristão e em um procedimento sincero e
sem culpa ("serdes sinceros e inculpáveis"; cf. Cl 1.9-11). A
ausência de amor mostra que não há proveito em pretenso conhecimento (1Co
13.1-3); o amor como tal é conhecimento em sua forma mais profunda (1Co 8.1 -
3). A seriedade da oração de Paulo para que “o amor aumente mais e mais” entre
os filipenses transparece melhor em
2.1-18.
* 1.11 Não só é o pecador justificado pela fé em
Cristo (3.9) como “o fruto da justiça”, a vida reta que segue, é “mediante Jesus Cristo” pela obra do seu
Espírito (Gl 5.22,23), “para a glória e louvor de Deus”, o Pai. Atuam na santificação dos crentes o Pai, o
Filho e o Espírito Santo.
* 1.12 para o progresso do evangelho. Em virtude da prisão de Paulo, o evangelho
transitou irresistivelmente por toda a guarda do palácio e mesmo para além
dela.
* 1.13 todos os demais. A prisão de Paulo por pregar a Cristo
tornou-se conhecida não somente dos soldados a serviço do imperador, mas também
da casa imperial (cf. 4.22) e, talvez, também da população romana.
* 1.14 irmãos. Paulo dirige-se igualmente a homens e
mulheres com esse termo.
no Senhor.
Essa locução tão importante nas cartas de Paulo alude à união do crente
com Cristo e aos bens divinos acessíveis, por meio de Cristo, aos que estão em
união com ele (4.13). A locução ocorre
nove vezes em Filipenses (contando 2.19).
Por meio da prisão de Paulo, o Senhor fortalece e encoraja os cristãos a
proclamar o evangelho sem medo.
* 1.15-18 Não há rivalidade quanto à mensagem, uma vez
que os dois partidos pregam a Cristo, mas com motivos e atitudes opostas. O
motivo de um grupo é boa vontade e amor a Cristo, e a defesa que Paulo faz do
evangelho explica porque eles amam o apóstolo (vs. 15,16). O principal motivo do outro grupo é “inveja” (vs. 15,17), exatamente a atitude
contra a qual Paulo adverte os filipenses (2.1-5). Eles pregam a Cristo para
que eles mesmos possam parecer importantes, uma atitude completamente diferente
da de Paulo (vs. 20,21), a cujo sucesso reagem procurando aumentar seu
sofrimento (v. 17).
* 1.19 libertação. Paulo espera sair da prisão mas não há como
ter certeza disso (vs. 20-27; 2.24).
Deus o libertará (v. 28) pelos meios que tiver escolhido, quer humanos
como divinos (“vossa súplica” e “provisão do Espírito de Jesus Cristo”).
Espírito de Jesus Cristo. Paulo refere-se à terceira Pessoa da
Trindade como o Espírito de Deus e como o Espírito de Cristo (Rm 8.9, Gl 4.6).
* 1.20 A paixão de Paulo não é viver nem
morrer, mas ver Cristo, de uma forma ou de outra, engrandecido (2.17; cf. Rm
12.1,2).
* 1.21 o viver
é Cristo. Para o apóstolo,
Cristo é sua razão de existir.
o morrer é lucro.
Ao invés de desfazer a união que Paulo tem com Cristo, a morte vai
introduzir Paulo em uma experiência mais profunda dessa união.
* 1.23 constrangido. Paulo quer estar com Cristo mas também deseja
permanecer na terra por causa da igreja.
Este é o dilema. Contudo, a
decisão está nas mãos de Deus, e Paulo está confiante de que Deus tem mais
trabalho para ele entre os filipenses (vs. 24,25).
estar com Cristo.
A linguagem que Paulo emprega aqui lança alguma luz sobre a natureza do
estado intermediário (isto é, a condição da pessoa no período entre a morte
física e a ressurreição). Ver nota
teológica “Morte e Estado
Intermediário”, índice.
* 1.27 um só espírito... uma só alma. Paulo conclama os crentes à unidade.
lutando. Paulo exorta
os leitores a não esmorecerem sob a pressão dos que se opõe, mas a, em vez
disso, exercerem sua própria pressão. Ou seja,
proclamar o evangelho no qual eles têm crido (Ef 1.13) e viver de modo
digno do mesmo.
* 1.28-30 Paulo encoraja os crentes de
Filipos com quatro afirmações. (a) A coragem deles face à oposição é um sinal
do julgamento divino confrontando os perseguidores (2Ts 1.5-10). (b) Tal coragem é também um sinal da própria
salvação integral dos crentes, no sentido redentivo (Rm 1.16, 13.11). (c) Sofrer por Cristo é uma honra dada por
Deus (3.10). (d) Paulo compartilha da
luta deles (vs. 7-26; At 16.19-24; 1Ts
2.2) e seu exemplo pode encorajá-los assim como aos “irmãos” (v. 14).
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sergiovalentin