* 2.1-4 O caráter poético destes versículos tornam as
palavras de Paulo especialmente vigorosas. O apelo quádruplo do v. 1 (note a
repetição da construção “se... alguma”) serve de base para as exortações dos
vs. 2-4.
* 2.1 exortação em Cristo. Em sua união com o Salvador eles encontram
incentivo para buscar unidade uns com os outros. Para seguirem o exemplo de Cristo, é preciso
primeiro estar em Cristo (cf. v. 5).
consolação de amor.
Os crentes são encorajados porque Cristo os ama (Gl 2.20) e porque amam
a Cristo e uns aos outros (v. 2).
comunhão do Espírito.
Essa locução também pode ser traduzida como “comunhão produzida pelo
Espírito”.
* 2.2 penseis a mesma coisa... mesmo amor... unidos
de alma... mesmo sentimento.
A ênfase na unidade é forte (cf. 1.27).
* 2.3 partidarismo. O orgulho é competitivo por natureza e tenta
elevar uma pessoa acima das outras, promovendo assim conflitos em vez de
harmonia (vs. 2,14; 1.27). Já a humildade aceita um lugar de serviço,
preocupando-se com necessidades e interesses dos outros (v. 4). O amor (v. 2) é
essencial à humildade (1.9; 1Co 13.4,5).
* 2.5 Esse versículo faz a conexão entre as
exortações (vs.1-4) e o hino (vs. 6-11).
Abordando o orgulho que está na raiz da discórdia dos filipenses (1.27-2.4), Paulo aponta para Cristo como o exemplo
supremo de humildade. Mas Cristo não é
só um exemplo (Rm 15.1-3, 2Co 10.1). Ele é, antes de tudo, Senhor e Salvador
(v. 11; 3.20).
* 2.6-11 Esse “hino a Cristo” pode ser dividido em
seis versos. Os três primeiros (vs. 6-8) celebram a humilhação de Cristo; os
três últimos (vs. 9-11), sua exaltação.
* 2.6 subsistindo em forma de Deus. A palavra
“forma” refere-se à realidade subjacente e não apenas à aparência. Jesus ser “em forma de Deus” significa que
ele é divino.
não... usurpação.
Essa figura de linguagem transmite a idéia de que alguma coisa almejável
já era possuída. Jesus não estava
tentando se tornar Deus e não se prendeu a privilégios que sempre foram dele.
* 2.7 a si mesmo se esvaziou. Não diz que Cristo tirou de si mesmo sua
identidade como Deus. O significado da frase é que ele a si mesmo se humilhou,
deixando seu status celestial, não seu ser divino. A natureza de seu
esvaziar-se a si mesmo é definida nas três frases que seguem (“assumindo...
tornando-se... reconhecido”). Ver “A Humanidade de Jesus” em 2Jo 7.
servo. Isto é, um
escravo. A linguagem expressa de forma
vivaz a prontidão de Cristo para despojar-se de seu status tão elevado (v. 6,
nota).
em semelhança de homens. Cristo é verdadeiramente
humano. “Semelhança” significa mais que similaridade. Para que pudesse morrer
(v. 8), tinha que ser completamente humano. Ao mesmo tempo, Paulo faz uma
distinção entre Cristo e outros seres humanos. Ao contrário desses, não tem
pecado (2Co 5.21). E, com respeito à sua
natureza divina, permanece transcendente sobre a realidade criada; não pode
deixar de ser um ser celestial mesmo em sua humilhação.
em figura humana.
A “aparência” de Cristo como um homem não era uma ilusão. Ele se revelou
através de uma completa e genuína natureza humana unida com sua natureza divina
em uma Pessoa, a qual é divina e humana.
* 2.8 a si mesmo se humilhou. A
linguagem aqui é paralela à frase “a si mesmo se esvaziou” no v. 7. Cada ato
ocorre pelo livre exercício da vontade
pessoal de Cristo.
obediente.
O significado da submissão à vontade do Pai (Hb 10.5-9) é maior em se
tratando daquele que é igual ao Pai (v. 6) do que de qualquer outra
pessoa. As palavras de Paulo encerram
toda a vida de obediência de Cristo ao mesmo tempo que acentuam sua morte como
expressão suprema de obediência.
cruz. A ênfase recai
mais sobre a prontidão de Cristo para sofrer a mais vergonhosa e dolorosa das
mortes do que sobre o significado expiatório do evento (cf. Rm 3. 21-26).
* 2.9 Pelo que também Deus. O ato do Pai é uma resposta direta à
obediência de Cristo.
o exaltou sobremaneira. Cristo é restaurado ao glorioso status que
tinha no começo mas ao qual voluntariamente deixara temporariamente para
tornar-se um ser humano (Jo 16.28; Hb 2.9,14).
* 2.10 ao nome de Jesus. O sentido
dessa expressão também pode ser “o nome que pertence a Jesus”, isto é, “Senhor”
(v. 11). Paulo, muito provavelmente, está dizendo que o proferir do nome
"Jesus" é sinal diante do qual “todo joelho se dobrará” para lhe
oferecer adoração e o aclamar Senhor.
* 2.11 Senhor. A humildade de Cristo é a sua glória (cf. Mt
23.12). O “nome que está acima de todo nome” (v. 9) é “Senhor”.
Na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento), o nome de Deus é
representado pelo título “Senhor” (kyrios, em grego). Cristo é agora aclamado como sendo o que
sempre foi, a saber, o verdadeiro Deus (1Jo 5.20). O louvor que lhe é dado
compreende a humanidade (“Jesus”) e a divindade (“Senhor”) de Cristo; ele é
adorado como o Deus-Homem. Ver “Jesus Cristo, Deus e Homem” em Jo 1.14.
Deus Pai. Jesus Cristo é
o Filho do Pai. Tão unidas são as Pessoas da Divindade que adorar ao Filho
glorifica o Pai. Embora o faça em outras passagens (Rm 8.3, Gl 4.4), Paulo não
se refere a Jesus como o Filho de Deus em Filipenses.
* 2.12 Assim, pois. Tendo por
base o exemplo supremo de Cristo, Paulo retoma sua exortação. A presença do
apóstolo encoraja os filipenses à obediência mas, porque a motivação básica vem
de Deus que está agindo neles (v.13), a
obediência deles vai florescer também na ausência de Paulo (1.27).
a vossa salvação.
Como em 1.28, é salvação integral no sentido de redenção, com ênfase
especial na santificação do crente. O
processo de santificação requer obediência à exortação dos vs. 1-5. Ver “Santificação: o Espírito e a Carne” em
1Co 6.11.
temor e tremor. Reverência
e respeito ao invés de pânico e alarme.
As emoções apropriadas são despertadas pela presença de Deus (v.13) e
não por questões e dúvidas acerca da segurança eterna.
* 2.13 Deus é quem efetua em vós. A aplicação de esforço humano (v. 12), longe
de violar a vontade de Deus, é exatamente o que ele ordena para o alcance de
seu propósito salvador (Ef 2.8-10). Tendo invocado o exemplo de Cristo, Paulo
reafirma aos filipenses que não vêm deles mesmos o querer e o realizar, mas que
a vontade e as ações de cada um deles são arenas nais quais atua o poder do
próprio Deus (4.13; 1Ts 2.13).
* 2.14 sem murmurações nem contendas. Os
filipenses não devem imitar os antigos israelitas (Êx 15.24, 16. 7-9; 1Co
10.10). Note também a alusão, no v. 15, a Dt 32.5. É, inclusive, possível que
os filipenses tivessem murmurado contra os líderes da igreja como os israelitas
fizeram contra Moisés (v. 29; 1Ts 5.12,13).
* 2.15 para que vos torneis. Está em
vista o testemunho da união da igreja como um só corpo.
irrepreensiveis e sinceros... inculpáveis. O
significado desses termos sobrepõe-se consideravelmente. Paulo descreve a qualidade de vida que se
requer dos “filhos de Deus”. Tais pessoas resplandecerão como "luzeiros no
mundo” em evidente oposição à "geração pervertida e corrupta" entre a
qual vivem e para a qual também oferecem esperança (cf. Mt 5.14-16; At 2.40).
* 2.16 preservando. Paulo está
preocupado com a fidelidade dos próprios filipenses ao evangelho de Jesus
Cristo (1.27; 2.1-5).
a palavra da vida.
Refere-se tanto ao evangelho como aos ensinamentos éticos nele
fundamentados (1.27; 4.8,9).
eu me glorie. Paulo, no “Dia de Cristo” (1.10,
cf 1.6), terá mais satisfação pelo crescimento espiritual dos filipenses do que
pelo seu próprio (1.9-11).
* 2.17 mesmo que seja eu oferecido. Paulo não
se refere aqui ao seu sofrimento presente mas à possibilidade de vir a morrer
como um mártir.
libação. Uma oferta líquida, normalmente vinho e não sangue,
que acompanhava sacrifícios.
sacrifício e serviço da vossa fé. Donativos
dos filipenses para Paulo (4.10-20).
alegro-me e... me congratulo. O sofrimento, para o apóstolo, pode produzir
alegria. Assim também os filipenses devem agir (v. 18).
* 2.21 seu próprio. Esse versículo é como um eco do pensamento
expresso no v. 4. A vida de Timóteo é um modelo da humildade a que Paulo
conclama os seus leitores e uma imagem da humildade do próprio Cristo (vs.
5-11)
* 2.22 como filho ao pai. Timóteo era um íntimo cooperador de Paulo na
causa de Cristo, de quem ambos eram servos (1.1). Como um servo de Cristo,
Timóteo cuidará com sinceridade do bem estar de outros (v. 20).
* 2.23 é quem espero enviar. Em meio a circunstâncias difíceis (1.29,30),
com a possibilidade de um julgamento próximo inclusive, Paulo precisa de uma
pessoa do caráter de Timóteo. Nos vs.
23,24, Paulo expressa a mesma confiança registrada em 1.19-26.
* 2.24 no Senhor. Os planos que dizem respeito a Timóteo e a
Paulo são submetidos à vontade divina (v. 19).
* 2.25 Epafrodito. Esse companheiro de trabalho
de Paulo é, assim como Timóteo, digno de honra.
A exemplo de Timóteo e do próprio Jesus, ele é uma pessoa dedicada às
outras. Obedece a Cristo apresentando-se
como servo para outros crentes, sejam esses os filipenses (4.18) ou Paulo, por
quem arrisca a sua própria vida (vs. 26,27,30).
* 2.26 angustiado. Assim age Epafrodito, menos preocupado com
sua doença do que com o efeito dessa notícia sobre os filipenses.
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sergiovalentin