* 3.1 Quanto ao mais, irmãos meus. Uma
antecipação das exortações finais da carta (4.2-9).
alegrai-vos nos Senhor. Esse apelo é repetido em
4.4.
as mesmas coisas. Trata-se do que Paulo dirá a
seguir, nos vs. 2-21 (cf. v. 18). Paulo repete aqui instruções anteriormente
passadas aos filipenses, quer pessoalmente ou por carta, para que pudessem
estar em “segurança” contra falso ensino
na igreja.
* 3.2 cães... falsa circuncisão. Os
adversários de Paulo aqui, sejam eles cristãos (como em Gálatas) ou
não-cristãos, defendem a lei de Moisés e insistem na circuncisão como o emblema
da salvação (cf. At 15.1).
* 3.3 nós é que somos a circuncisão. Em resposta aos judaizantes e sua ênfase
equivocada no rito exterior e físico da circuncisão, Paulo afirma que os
cristãos são a verdadeira circuncisão, isto é, o Israel espiritual (Gl
3.6-4.7).
nos gloriamos em Cristo Jesus. Em
contraste radical com "confiamos na
carne".
carne. Esse termo, em
Paulo, resume tudo que é natural e humano. Nesse versículo, contudo, refere-se
provavelmente ao ato físico da circuncisão (v. 5; Gl 6.12-15).
* 3.4-6 Estes versículos apresentam uma lista com
sete "características de linhagem" que qualificavam a Paulo como
seguidor da lei.
* 3.5 ao oitavo dia. A circuncisão de Paulo foi segundo Gn 17.12.
de Israel.
Ver Rm 9.3,4; 11.1.
da tribo de Benjamim.
Paulo, outrora Saulo de Tarso, pode ter recebido esse nome por causa do
rei Saul, também de Benjamim (1Sm 9.1,2).
fariseu. A vida de
Paulo era de escrupulosa obediência à lei, tanto à Torá como às tradições judaicas que lhe foram
agregadas (At 22.3; 26.5; Gl 1.14).
* 3.6 perseguidor da Igreja. Ver At 9.13,14; 22.4,5; 26.9-11; 1Co 15.9; Gl
1.13,14.
irrepreensível. Não a pretensão de estar sem
pecado (Rm 7.7-13) mas de ter vivido com fidelidade aos preceitos do Antigo
Testamento. A obediência de Paulo à lei era respeitável mas seu conseqüente
“confiar” (a palavra é repetida três vezes nos vs. 3 e 4) era o pior dos
pecados.
* 3.7 o que... era lucro. É óbvio
que Paulo não está pensando em suas transgressões da lei mas em sua escrupulosa
obediência aos mandamentos da lei (v. 6).
considerei perda.
Essa decisão é bastante significativa, porque aquilo ao que Paulo
renuncia é (ao menos em parte) uma virtude, o que talvez seja ainda mais
difícil de renunciar que um vício. Contudo, conforme Paulo agora compreende,
quanto mais nobre a linhagem e quanto mais elevadas as conquistas, maior a
tentação ao orgulho e à confiança em si mesmo (Lc 18.9-14; Ef 2.8,9). Paulo
despreende-se completamente de tudo quanto permite confiança em si mesmo ou
proveito pessoal "por causa de Cristo”.
* 3.8 refugo. A palavra grega é empregada em sentido
figurado; seu significado literal é “lixo” e já foi traduzida como “estrume”.
Paulo joga fora, com aversão, qualquer coisa que possa interferir na
“sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”.
* 3.9-11 O
versículo 9 fala de justificação; o v.10, de santificação e o v.11, de
glorificação. A seqüência previlégio-morte-exaltação sugere relação com 2.6-11.
* 3.9 não tendo justiça própria. Paulo, agora, admite que a salvação não se
baseia no que o ser humano alcança obedecendo à lei, mas inteira e
exclusivamente na "justiça que procede de Deus”, dada àqueles que estão
unidos com Cristo (Rm1.16,17; 3.21-26).
fé em Cristo.
Cristo é o objeto da fé (Gl 2.16), por esse motivo, agora que põe sua confiança somente em Cristo,
Paulo abandona toda a confiança que tinha em suas próprias credenciais (vs.
7,8). A fé é o meio, não o fundamento, da salvação. Paulo afirma que somos
salvos “através da fé”, jamais que somos salvos “por causa da fé”. O fundamento
da salvação é o mérito de Cristo. A fé, sendo meio, não confere valor de si
mesma mas liga-nos a Cristo a ao seu mérito.
baseada na fé.
A fé recebe o dom da justiça que vem de Deus (Rm 3.22; 5.17) e, com base
nessa justiça, o veredito de justificação é dado quando uma pessoa crê (Rm 4.3;
5.1; Gl 3.6). Assim, a fé e a justificação são cronologicamente simultâneas,
embora a fé tenha precedência lógica.
* 3.10 para o conhecer. Esse é o
mais ardente anseio de Paulo (1.20-23); não fala apenas de maior percepção
intelectual mas de uma união pessoal mais profunda. As duas orações seguintes
explicam como, no presente, esse conhecimento de Cristo é experimentado.
sua ressureição. Para o apóstolo, a identificação
com o Cristo crucificado e ressurreto é fundamental na vida cristã. Noutra
passagem (2Co 4.7,10,11), Paulo ensina que é pela participação nos sofrimentos
de Cristo que se manifesta o poder da ressurreição de Cristo na vida do
cristão. Essa identificação com os sofrimentos de Cristo não acontece
exclusivamente por meio do martírio (2.17) mas na vida inteira.
* 3.11 de algum modo. Paulo
reconhece que a perseverança do crente depende da vontade e da ação do soberano
Deus (1.6; 2.13; 3.12-14,21; cf. Hb
6.3).
a ressurreição. A participação nos sofrimentos de
Cristo prepara para a participação em sua glória na ressurreição dos mortos
(vs. 20,21; Rm 8.17).
* 3.12 Não que eu o tenha já recebido. O prêmio
da salvação, em sua plenitude, ainda não foi alcançado, algo que Paulo enfatiza
contra idéias perfeccionistas (cf. 1Co 4.8; 2Tm 2.18; 1Jo 1.8). No entanto, já
começou o processo de salvação que será
consumado no dia de Cristo (1.6,10) e da ressurreição dos mortos (3.11).
* 3.14 o alvo. O objetivo pelo qual Paulo se esforça promete
um esplêndido troféu — salvação em toda sua plenitude (cf. 1.28; Rm 13.11).
da soberana vocação de Deus. Deus
chamou a Paulo, no início (Rm 8.30; Gl 1.15). É porque Paulo pode dizer “fui
conquistado por Cristo Jesus” (v.12) que ele prossegue para o alvo da vida na
glória (v.13).
* 3.15 Todos, pois, que somos perfeitos. Essas
palavras podem ser um tributo a pessoas que realmente pensam e vivem com tal
maturidade. Outra possibilidade é que aqui Paulo esteja referindo-se
ironicamente às pessoas que se consideram já na “perfeição” (v.12), idéia que
Paulo precisa corrigir.
tenhamos este sentimento. Uma referência à instrução dos vs. 12-14.
se... pensais doutro modo. Essas palavras podem reforçar o apelo
precedente no sentido de concordarem com Paulo, mas a repetição de
"tenhamos este sentimento... pensais" lembra 2.1-5 e sugere que o
apóstolo também visa aqui a harmonia entre os próprios filipenses.
Deus vos esclarecerá. Seja para o discernimento e a
compreensão espiritual ou para a
harmonia entre os crentes, a graça de Deus é necessária (1.9-11). Até
lá, cada crente deve conduzir-se conforme o grau de discernimento já recebido
de Deus (v. 16).
* 3.17 sede imitadores meus. O exemplo que Paulo é o oposto daquilo
apresentado nos vs. 18,19. Paulo é fiel
à cruz (Gl 6.14), Cristo é sua glória (v.
21; cf. v. 3) e sua preocupação são as coisas celestiais (vs. 20,21)
* 3.18,19 Esses versículos poderiam descrever quaisquer
adversários (1Co 1.23), inclusive os judaizantes (vs. 2-6; Gl 2.15-21). Paulo
pode ter em mente, de forma especial, os que concebem a Cristo como espírito
puro e que zombam da idéia dele trazer
salvação por meio da encarnação e de um "corpo da sua carne” que pudesse
morrer (Cl 1.22). Tais pessoas consideram-se vivendo em um plano espiritual
elevado, o que lhes permite entregarem-se livremente aos prazeres sensuais,
seja comida (“o deus deles é o ventre”) ou sexo (“a glória deles está na sua
infâmia”; cf. 1Co 6.9,10).
* 3.18 chorando. Paulo chora, não por medo de
que alguém possa desfazer o que Cristo fez
mas por causa da destruição reservada aos inimigos do evangelho. Esse
destino (v. 19) completa o processo destrutivo iniciado pelo pecado deles
mesmos (Rm 1.18-32; Gl 6.7,8).
* 3.20 nossa pátria. Assim como
Filipos era uma colônia de Roma (At 16.12), a igreja é uma colônia dos céus.
também aguardamos.
Essa expectativa corresponde ao anseio mencionado em 1.23. Esse verbo é
empregado nas espístolas de Paulo sempre com relação a esse tema (Rm
8.19,23,25; 1Co 1.7; Gl 5.5).
* 3.21 transformará o nosso corpo de humilhação. Diante de uma atitude de desprezo do corpo
(vs. 18,19, nota), Paulo celebra a transformação de nossos corpos por Cristo
(cf. 1Co 15.50-53). Ver “Ressurreição e
Glorificação" em 1Co 15.21).
igual ao corpo da sua glória. Cristo
ressuscitou, ele mesmo, corporalmente da sepultura, como “primícias” de uma
grande colheita (1Co 15.20-23). Assim como o Pai fez justiça à obediência de
Cristo (2.6-11), também a fidelidade dos crentes na aflição culminará na
gloriosa ressurreição que lhes está preparada.
subordinar a si todas as coisas. Ver 1Co 15.20-28.
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sergiovalentin