1.1 Paulo.  Sabemos, através de quinze referências em At 7-13, que Paulo também tinha o nome de “Saulo”.  Em suas cartas, no entanto, sempre refere-se a si próprio como “Paulo”, um nome comum entre os romanos.

 

apóstolo.  A palavra significa “mensageiro”.  Embora Paulo, algumas vezes, empregasse o termo para designar um comissionado como Epafrodito (Fp 2.25), aqui o emprega com referência aos primeiros apóstolos em Jerusalém (1.19; 1Co 15.9).  Paulo defende a autoridade que tem como apóstolo para estabelecer o fundamento da Igreja (1Co 3.10; 9.1; 14.37,38; Ef 2.20; 3.3-5). Ver 2Co 1.1 nota.

 

1.3  graça a vós outros e paz.  Todas as cartas de Paulo começam mencionando essas duas bênçãos de Deus.  “Graça” traduz o termo grego charis, que significa “um ato de bondade imerecido”.  Paulo usa essa palavra com mais freqüência do que qualquer outro escritor do Novo Testamento e a confere grande sentido teológico.  Aplica-se a tudo o que Deus nos deu em Cristo,  sem que tivéssemos obtido por merecimento ou que possamos devolver.  "Paz" aplica-se ao relacionamento inaugurado pela morte e ressurreição de Cristo (1.4) entre Deus e os que crêem no evangelho.  Para um comentário do próprio Paulo sobre o significado desses dois termos, ver Rm 5.1,2.

 

1.6   vos chamou na graça.  A graça de Deus vem até nós por iniciativa dele mesmo,  através de seu chamado, e não por causa de coisa alguma que tenhamos feito para merecê-la (1.15; Rm 4.4-8; 8.30; 9.11-13).

 

1.7  alguns que vos perturbam.  Provavelmente cristãos de origem judaica provenientes de Jerusalém, os quais insistiam em exigir dos gentios não apenas que cressem em Jesus Cristo mas também que aceitassem a circuncisão e, desse modo, se tornassem judeus (2.3-5, 12; 6.12, 13). Vários indícios dessa idéia estavam disseminadas entre os cristãos de origem judaica na igreja primitiva (At 15.1; 21.20, 21; Fp 3.2, 3).

 

1.8, 9  Aqueles que exigem mais do que a fé em Jesus Cristo para  salvação, ainda que suas credenciais sejam as melhores, distorcem completamente o evangelho.  Os pregadores do falso evangelho estão debaixo da condenação de Deus.

 

1.9  anátema.  A ação de graças que Paulo normalmente faz por seus leitores é aqui substituída por uma ameaça de maldição, repetida para fins de ênfase.  A palavra grega é anathema, empregada também em Rm 9.3.

 

1.10  procuro agradar a homens? Os adversários de Paulo na Galácia não atacaram somente o evangelho mas também o seu mensageiro, a saber, Paulo. Uma das acusações era a de que Paulo pregava uma forma pouco exigente do evangelho, sequer exigindo a circuncisão ou a obediência às leis do sábado ou, tampouco, as restrições alimentares (4.10; 5.11).

 

1.11  não é segundo o homem.  Paulo defende-se da acusação de seus adversários de que ele está em rebelião contra os apóstolos de Jerusalém, os quais lhe teriam dado a autoridade que tem. Paulo argumenta que a sua autoridade vem tão somente de Deus, apenas confirmada pelos apóstolos de Jerusalém.

 

1.12  mediante revelação.  Ver At 9.3-5; 22.6-10; 26.13-18; 1Co 15.8.

 

1.13  perseguia eu a Igreja de Deus.  A perseguição que Paulo promovera contra a igreja antes do seu chamado era bem conhecida entre os primeiros cristãos (At 7.58; 8.3; 9.1, 2).  Paulo mesmo envergonhava-se profundamente dessa parte do seu passado (1Co 15.9), embora a considerasse evidência de que a graça de Deus é capaz de conquistar até os pecadores mais rebeldes (At 22.4, 5; 26.9-11; 1Co 15.10; Fp 3.6; 1 Tm 1.13, 14).

 

1.14  extremamente zeloso.  Paulo gostava de mostrar a oponentes como os da Galácia que ser um judeu, ainda que um judeu zeloso, não é suficiente para a salvação.  Paulo via sua própria experiência como prova de que o zelo pela lei não podia salvar (Rm 9.30–10.4; 2Co 11.22; Fp 3.4-6).

 

1.15  antes de eu nascer.  Paulo reproduz conscientemente as palavras do chamado de Jeremias (Jr 1.5) e, talvez, do chamado do Servo mencionado em Isaías (Is 49.1, 5), os quais, assim como Paulo, foram chamados para ser mensageiros de Deus aos gentios. Paulo tinha consciência de que o seu apostolado (v.1, nota) estava em continuidade com a  tradição profética do Antigo Testamento.

 

me chamou pela sua graça.  Ver nota no v. 3; “Vocação Eficaz e Conversão” em 2Ts 2.14. O chamado de Paulo para ser um apóstolo, assim como a fé que possui cada crente, foi o resultado da graça precedente de Deus.  Antes do nosso nascimento e, conseqüentemente, antes que pudéssemos fazer qualquer coisa boa ou má, Deus escolheu criar em nós a fé (Rm 9.10-13; Ef 1.4-6).  Ninguém pode obter por merecimento o chamado de Deus; é um dom gratuito.

 

1.16  gentios.  Tanto “nações” como “gentios” são traduções corretas da palavra grega usada aqui.   Escritores judeus  aplicavam esse termo a qualquer um que não fosse judeu.  Paulo fora chamado para pregar aos gentios (2.9; At 9.15; 22.21; 26.17; Rm 1.5; 15.16) mas não se considerava chamado para pregar exclusivamente aos gentios.  Em At 13-28, ele prega freqüentemente aos judeus e passagens como Rm 1.14-16; 9.1-5 e 1Co 9.20 mostram que dispunha-se sempre a evangelizar os judeus.

 

não consultei carne e sangue.  Paulo encontrou-se, obviamente, com Ananias três dias depois da sua conversão (At 9.10-19; 22.12-16).  A palavra traduzida por “consultar”, todavia, sugere apresentar alguma coisa perante alguém ou submetê-la para observação e aprovação.  Paulo certamente não consultou Ananias neste sentido.  O papel de Ananias foi confirmar o chamado de Paulo para pregar aos gentios e batizá-lo.

 

1.17  Jerusalém... Arábia... Damasco.  A conversão e o chamado de Paulo aconteceram perto de Damasco (At 9.3; 22.6; 26.12).  Ele permaneceu na cidade vários dias após sua conversão (At 9.19).  Essa antiga cidade situa-se em uma planície fértil entre dois rios, de modo que o viajante que parte dali precisa literalmente “subir” até Jerusalém através da região montanhosa da Palestina.  Jerusalém era o centro cultural e religioso da Palestina e o lar de Tiago, Pedro e João, que, em Atos e Gálatas, destacam-se como os líderes da comunidade cristã primitiva em Jerusalém (2.9).  Paulo enfatiza que o seu chamado para pregar aos gentios viera de Deus e não dos líderes da igreja de Jerusalém. A Arábia era governada por um rei nabateu, Aretas IV, que lutou contra Roma pelo controle de Damasco. Quando da conversão de Paulo, um governador de Aretas estava no controle da cidade e aparentemente ajudou judeus enraivecidos na tentativa de matar a Paulo (At 9.23-25; 2Co 11.32,33).

 

1.18  três anos.  Os “muitos dias” de At 9.23.

 

a Jerusalém.  A primeira viagem de Paulo a Jerusalém após a sua conversão (At 9.26-30).

 

avistar-me com.  Tradução da palavra grega que significa visitar alguém com o propósito de obter informação.  Paulo provavelmente conferenciou com Pedro a respeito da vida e do ensino de Jesus.

 

Cefas.  Nome aramaico de Pedro (ver referência lateral). Tanto “Cefas” como “Pedro” significam “pedra”.

 

1.19  Tiago, o irmão do Senhor.  Ver Mt 13.55 e Mc 6.3. Esse Tiago não é o discípulo Tiago que aparece freqüentemente junto com Pedro e João nos evangelhos.  Herodes assassinou aquele Tiago ainda nos primórdios da igreja (At 12.2).  Tiago, o irmão do Senhor, no começo não cria em Jesus (Jo 7.5) mas converteu-se mais tarde, em conseqüência, talvez, da visão que teve do Senhor ressuscitado (1Co 15.7).

 

1.21  Síria e Cilícia.  Ver At 9.30.  Paulo voltou para sua casa em Tarso (At 9.11; 21.39; 22.3), a cidade mais importante na Cilícia.  Esta região da Cilícia encontrava-se sob a administração da província romana da Síria durante os primórdios do primeiro século.  É, pois, acurado o uso dos dois nomes por Paulo.

 

1.22  Judéia.  Paulo podia estar se referindo à região específica chamada Judá no Antigo Testamento ou à província romana da Judéia, que incluía a Judá antiga além da Samaria e da Galiléia.

 

2.1  Catorze anos.  Pode ser o tempo decorrido após a sua conversão ou após sua primeira visita a Jerusalém.

 

outra vez a Jerusalém.  Essa pode ter sido uma segunda visita depois da sua conversão ou uma terceira visita, registrada em At 15.2.  O propósito da visita aqui indicado coincide com o propósito da visita em At 15, mas é difícil, aceitando  essa hipótese, explicar porque Paulo omite a segunda visita em sua narrativa (At 11.27-30).  Se, como alguns estudiosos acreditam, Gálatas foi escrita após a primeira viagem missionária de Paulo (At 13; 14) mas antes do Concílio de Jerusalém (At 15), então a viagem mencionada aqui é a de At 11 e a viagem de At 15 ainda não havia acontecido.

 

Barnabé.  Natural de Chipre e um dos primeiros cristãos (At 4.36).  O nome Barnabé significa em aramaico “filho de exortação” e as vezes em que é mencionado em Atos demonstram que ele viveu o nome que tinha (At 4.36,37; 11.22-24, 30).

 

Tito.  Apesar de não ser mencionado em Atos, Tito foi um dos companheiros e mensageiros que gozava da confiança de Paulo. Ver 2Co 2.12,13; 7.6; 8.6; Tt 1.4,5.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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