2.2  em obediência a uma revelação.  Se essa é a visita de At 11, a revelação pode ter sido a profecia de Ágabo (11.28).  Caso contrário, foi, provavelmente, uma revelação especial como outras que Paulo recebeu de Deus (At 9.4-6; 16.9; 18.9,10; 2Co 12.1-6).

 

em vão.  Embora os líderes de Jerusalém não fossem a fonte da autoridade de Paulo, seus esforços em pregar o evangelho teriam sido grandemente prejudicados se esses homens influentes tivessem se colocado contra ele.

 

2.3  constrangido a circuncidar-se.  Ver 5.12 e At 15.1.  Circuncisão era a marca distintiva do judeu e o último passo na conversão de um homem gentio à religião judaica. Alguns cristãos judeus criam que os gentios também tinham de aceitar a circuncisão e, assim, fazerem-se judeus antes de se tornarem cristãos e pertencerem ao povo escolhido de Deus.  Paulo opunha-se veementemente a esse ensino e afirma do começo ao fim da carta aos Gálatas que somos justificados pela fé em Cristo apenas.

 

2.4  falsos irmãos.  Paulo considerava de tamanha importância a doutrina da salvação pela graça mediante a fé somente que ele excluía da igreja todas as pessoas  que não se mantinham fiéis a ela (1.8,9; 5.2-4).

 

liberdade.  A liberdade do crente não é liberdade para pecar mas liberdade da maldição que a lei profere sobre o pecado (3.10-14; 5.1,13).

 

escravidão.  Provavelmente escravidão ao pecado (Rm 6.15-23; 7.25) e a maldição que a lei profere sobre aqueles que pecam (3.10).

 

2.5  a verdade do evangelho.  Ver v. 14; 1.8,9 e notas. O ingresso na comunidade do povo de aliança com Deus (a Igreja) ocorre somente pela fé que é dada graciosamente ao crente por Deus (1.6,15; Ef 2.8).  Qualquer tentativa de condicionar o ingresso a exigências adicionais, tais como a circuncisão,  nega a suficiência da fé nos méritos de Cristo para satisfação da justiça de Deus e constitui-se, por esse motivo, em uma perversão do evangelho.

 

2.6  Deus não aceita a aparência do homem.  Assim como a marca externa da circuncisão não define quem é o povo de Deus, o prestígio temporal também não é importante para Deus (1Sm 16.7; Rm 2.25-29).

 

2.7  da incircuncisão.  Ver nota em 1.16.

 

a Pedro o da circuncisão.  Pedro, aparentemente, foi o principal porta-voz da primitiva igreja de Jerusalém (At 1-12). Muito relutantemente atendeu ao mandamento de Deus de encontrar-se com o gentio Cornélio (At 10).  Muito embora Pedro reconhecesse a necessidade receber os gentios no povo de Deus (At 10.34, 35; 11.17; 15.7-11), sentia evidentemente o chamado de Deus para pregar o evangelho especificamente aos judeus.

 

2.9  Tiago, Cefas e João.  Ver notas em v. 7; 1.18,19.  Esses três homens possuiam autoridade especial na igreja primitiva de Jerusalém.  Pedro e João eram vistos juntos com freqüência (At 3.4) e Tiago teve grande destaque na igreja de Jerusalém (At 12.17; 15.13; 21.18).  "Colunas" é uma metáfora comum no grego para pessoas em importantes posições de liderança.

 

a graça que me foi dada.  Com respeito à conversão e ao chamado de Paulo, ver 1.15 e nota.  Paulo refere-se freqüentemente ao seu chamado como graça de Deus concedida a ele (Rm 1.5; 12.3; 15.15, 16; 1Co 3.10).

 

fôssemos para os gentios.  Barnabé, assim como Paulo, era principalmente um missionário aos gentios (At 13; 14; 15.36-41).

 

2.10  lembrássemos dos pobres.  Alguns associam essas palavras ao propósito da segunda visita de Paulo a Jerusalém (At 11.27-30). Naquela visita, Paulo e Barnabé foram comissionados a levar uma oferta de Antioquia para os cristãos na Judéia que estavam sofrendo por causa de um período de fome.  Nesse caso, a pobreza de que Paulo fala seria pobreza no sentido literal do termo. Outros crêem que essas palavras referem-se à arrecadação que Paulo fez em favor dos santos de Jerusalém (At 24.17; Rm 15.26; 1Co 16.1-3; 2Co 8.9), para a qual os gálatas contribuíram (1Co 16.1).

 

2.11  Antioquia.  Capital e maior cidade da província romana da Síria, Antioquia possuia uma grande comunidade judaica.  Não surpreende, portanto, que tenha sido o primeiro lugar mencionado em Atos onde os cristãos de origem judaica pregaram o evangelho aos gentios (At 11.19,20).  A igreja em Antioquia, além de ter sido a primeira igreja, segundo nossos registros, a reunir cristãos judeus e gentios em culto e comunhão, também foi, ao que sabemos, a primeira igreja a enviar missionários para pregar o evangelho especificamente aos gentios (At 13.1-3).

 

2.12  apartar-se.  Muitos cristãos judeus resistiram ao mandamento de Deus para que os gentios que haviam crido em Cristo fossem recebidos sem ter de seguir a lei cerimonial (At 10.28; 11.2, 3,19; 15.1).  Inclusive Pedro e Barnabé (v. 13) sucumbiram à pressão de um grupo que acreditava que submeter-se à circuncisão, isto é, tornar-se um perfeito prosélito judeu, era necessário para tornar-se um cristão.

 

2.14  a verdade do evangelho.  Ver nota no v. 5.

 

vives como gentio. Antes da chegada do grupo da "circuncisão", Pedro havia comido tranqüilamente com os gentios (v. 12). Agora, incoerentemente, estava agindo como se os gentios tivessem de tornar-se judeus para que viessem a ser integralmente membros do povo de Deus.

 

2.15,16  Esses versículos são centrais em Gálatas. A idéia de Paulo é que qualquer pessoa (judeu circuncidado bem como gentio não circuncidado) entra em um relacionamento correto com Deus através da fé em Cristo somente.  As palavras gregas traduzidas por “justiça”, “justo”, “justificar” e “justificação” são todas da mesma raiz e têm significados relacionados.

 

2.16  Ver “Fé e Obras” em Tg 2.24.  No Antigo Testamento, Deus governa e julga com perfeita justiça (1Sm 26.23) e pronuncia o seu veredito de inocente ou culpado. “Justificar” é declarar justo (Dt 25.1).  Mas se ninguém entre nós é justo diante de Deus (Sl 143.2), como pode haver esperança desse veredito (Jó 9.2)?  Assim como Deus é o Juíz, cujo veredito é final e justo, também é o Salvador que pode providenciar o livramento do seu próprio julgamento (Jn 2.9).  A justiça de Deus é revelada, não somente como uma exigência sua mas também como dom de Deus (Is 45.24, 25; 54.14-17). Esse dom vem finalmente através do Messias (Is 53.8; Jr 23.5, 6; 33.14-16).  Paulo proclama o cumprimento da promessa do Antigo Testamento (Rm 3.21-26).  A fé recebe o dom da justiça de Cristo e o perdão mediante a expiação feita por Jesus.

 

obras da lei.  Paulo havia se referido às “obras” que distinguem os judeus dos gentios (v. 15), tais como circuncisão, restrições alimentares e a guarda do sábado.  A expressão, no entanto, inclui todos os esforços da humanidade caída em guardar a lei de Deus a fim merecer o seu veredito justificador.

 

ninguém será justificado.  Uma citação livre do Sl 143.2.  Ninguém é capaz de guardar a lei perfeitamente, de forma que observâncias legais como a  circuncisão não são capazes de estabelecer um relacionamento correto com Deus.  Para tanto, é preciso algo diferente da lei, que Deus oferece no dom da justiça de Cristo e no sangue de sua expiação.  Fé não merece a aceitação de Deus; fé aceita o mérito de Cristo perante Deus (Fp 3.9).

 

2.17  fomos... achados pecadores.  Os agitadores da Galácia e os “alguns da parte de Tiago” (v. 12) consideraram Paulo um “pecador” (como os gentios do v. 15) por quebrar as leis judaicas de abstinência de alimentos.  Tinham, provavelmente, acusado o evangelho de Paulo de promover pecado (Rm 3.8).

 

2.18  destruí.  A palavra grega traduzida aqui por “destruir” é usada no Novo Testamento com o sentido de demolir um edifício (Mt 24.2; Mc 13.2; Lc 21.6; Rm 14.20).  Paulo pode ter em mente a tentativa errônea de Pedro em reconstruir a parede entre judeu e gentio já derrubada pelo evangelho (v. 14; Ef 2.14).  Reconstruir a parede da lei é trazer de novo a condenação da lei.  O transgressor da lei não é aquele que volta-se da lei para Cristo para justificação; mas aquele que volta-se de Cristo novamente para a lei.

 

2.19  Paulo morreu para a lei na morte de Cristo; foi crucificado com Cristo (v. 20), pois foi unido a Cristo que morreu em seu lugar (3.13; Rm 4.25; 5.6). Assim também, foi ressuscitado com Cristo e vivia em relação a Deus (Cl 2.12; 3.1).  Morte para a lei não transgride a lei, pois Cristo cumpriu as exigências da lei. É, portanto, “através da lei” que os crentes são libertos da escravidão e condenação da lei.  Veja “Os Três Propósitos da Lei” em Dt 13.10.

 

2.20  União com Cristo significa que ele representou-nos em sua morte e ressurreição.  Significa mais, porém, porque é uma união viva.  Jesus está presente com o crente; pelo Espírito, o Senhor vive em comunhão interior com os seus.  Paulo não diz com isso que a individualidade pessoal é suprimida ou absorvida; ele vive “na carne” pela “fé”.  A união é um relacionamento espiritual da mais profunda intimidade. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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