3.1  exposto.  Talvez na pregação de Paulo.

 

3.2  Espírito.  Paulo apela para a experiência que os gálatas mesmo tinham com relação ao Espírito Santo para provar que fazer-se um judeu não é necessário para tornar-se um cristão (At 10.47; 11.17; 15.8).

 

3.3  na carne.  Paulo não tem em mente, talvez, apenas a tentativa de guardar a lei sem o Espírito (Rm 7.7-8.17) mas também a tentativa de obter o favor de Deus pelo corte físico da circuncisão (Fp 3.2,3).  Em todo caso, Paulo adverte seus leitores contra a tentativa de ganhar a salvação fazendo alguma obra.  Salvação vem somente por meio da graça de Deus pela fé em Jesus Cristo (2.16).

 

3.6  Abraão era o pai do judeus e a pessoa com quem Deus estabeleceu, pela primeira vez, a circuncisão como sinal da aliança (Gn 17.10).  Até mesmo esse reverenciado patriarca foi posto em um relacionamento correto com Deus através da fé (Rm 4.11).  Paulo reverte a acusação de que menospreza a aliança de Deus com Abraão.  Os verdadeiros filhos de Abraão compartilham sua fé, descendam fisicamente dele ou não.  A promessa a Abraão é também a promessa de bênção aos gentios, bênção essa que deve ser recebida com fé como a de Abraão.

 

3.10  O argumento de Paulo é que ninguém é capaz de guardar a lei na sua totalidade, o que fundamenta pela citação de Dt 27.26.  Na continuação da passagem de onde Paulo extrai a citação, Deuteronômio apresenta uma lista de maldições que recairão sobre Israel por desobediência.  A maioria dos judeus no tempo de Paulo admitia que Israel havia quebrado a lei e havia recebido as maldições preditas (Dt 28.15-30.20).

 

3.11  Veja nota teológica “Justificação e Mérito”, índice.

 

3.12  a lei não procede de fé.  Paulo fala aqui da lei como exigência de Deus, à parte da promessa da aliança de Deus.  Levítico (18.5) apresenta a exigência e prediz o fracasso e a maldição que seguiria (26.14-38).  A promessa também é repetida (26.40-45), pois ela não é invalidada (3.15-22).

 

3.13  maldição em nosso lugar.  Uma vez que quebramos a aliança de Deus violando a lei, merecemos receber a maldição da lei e a condenação de Deus.  Mas Cristo levou a maldição da lei em nosso lugar, dando-nos paz com Deus (Rm 3.21-26; 4.25; 5.1-8; 2Co 5.21; Cl 2.13-15; cf. Mc 10.45; Jo 1.29; 1Pe 2.24).  Ver “A Expiação” em Rm 3.25.

 

3.14  a bênção de Abraão.  Ver v. 8; Gn 12.3; “Cristo — o Mediador” em 1Tm 2.5. Os gentios que chegaram à fé, cujas vidas são marcadas pela habitação do Espírito, são o cumprimento da promessa de que através de Abraão todas as nações serão abençoadas.  O Espírito é a bênção prometida a Abraão.

 

3.15-18  Deus prometeu bênção salvadora para as nações através de Abraão “e sua semente” — Cristo, que em sua natureza humana descende de Abraão.  A promessa da aliança não foi cancelada pela lei mais tarde dada a Moisés. A lei não se opõe às promessas (v. 21) mas as pressupõe.  Suas exigências mostram a impossibilidade de se obter a salvação por merecimento e remetem o povo de Deus à fé em Cristo (v. 24).

 

3.16  descendente.  Lit., "semente".  Paulo está ciente de que o substantivo “semente” no singular pode ser tanto coletivo como individual (v. 29; Rm 4.18).  Ele está afirmando que Cristo é a Semente (o descendente) ao qual, em última instância, se refere a promessa.  Ver “A Aliança da Graça de Deus” em Gn 12.1.

 

3.17  quatrocentos e trinta anos.  Em Êx 12.40,  os 430 anos referem-se ao tempo que Israel permaneceu no Egito. Na versão do Êxodo no Antigo Testamento grego (a Septuaginta), o tempo de permanência dos patriarcas em Canaã está incluído nos 430 anos.  Mas Paulo não se refere à passagem necessariamente conforme a  Septuaginta.  Para o seu objetivo, é suficiente demonstrar que decorreram séculos até que a lei fosse dada no Sinai (Cf. Gn 15.13; At 7.6).

 

3.19  por causa das transgressões.   Provavelmente para definir pecado especificamente como pecado contra a vontade de Deus, explicitamente formulada e, assim, tornar o pecado tanto pior (Rm 5.13, 20).

 

descendente.  Em Gn 17.19, Deus promete a Abraão um filho, Isaque, e diz que estabelecerá uma aliança com Isaque e seus “descendentes” (um substantivo singular no hebraico que também pode ser traduzido por “semente”).  Paulo vê o emprego do substantivo na forma singular como uma referência a Jesus, que restaurou a aliança que estava rompida entre Deus e o seu povo escolhido.

 

por meio de anjos.  Ver Dt 33.2; At 7.53; Hb 2.2.

 

3.20  mediador.  Moisés foi mediador entre Deus e Israel quando Deus estabeleceu a sua aliança com Israel no Monte Sinai (Êx 19-34).  A promessa dada a Abraão, entretanto, não precisou de mediador e, em vista disso, é superior à aliança no Sinai.

 

Deus é um.  Ver Dt 6.4.  A aliança de Deus com Abraão, uma vez que não teve um mediador, demonstrou a unidade e soberania de Deus mais perfeitamente do que a aliança no Sinai.  O cumprimento da aliança de Deus com Abraão pela inclusão dos gentios no povo de Deus também demonstra a unidade de Deus mais claramente do que a aliança do Sinai porque ela mostra a sua soberania sobre toda a criação (Rm 3.29, 30).

 

3.21  A incapacidade da humanidade em guardar a lei, não a lei como tal, é a origem da ruptura no relacionamento da humanidade com Deus.

 

contrária às promessas de Deus?  Paulo resolutamente rejeita essa conclusão errônea de seu argumento.  A lei poderia competir com o evangelho apenas se pudesse conceder vida, libertando os pecadores da condenação que ela mesma impõe. Embora a lei seja boa e aponte o que é agradável a Deus (Lv 18.5; Rm 7.10), não foi capaz de dar vida aos transgressores da lei (2Co 3.6). Os judeus, tendo a lei, foram por ela condenados.  A Escritura registra isso muito bem, mostrando que todos são pecadores condenados e indicando a necessidade do Salvador prometido.

 

3.24  aio.  Um “aio” era um escravo responsável pela educação da criança, principalmente para apontar e castigar o mau comportamento. À semelhança de um aio, a lei destacou e puniu o pecado. Outra importante função dos aios era a de separar e proteger a criança da influência de estranhos. A lei exerceu função semelhante separarando Israel dos gentios. Também essa função da lei cerimonial se acabou. Ver “A Lei de Deus” em Êx 20.1.

 

3.26  sois filhos de Deus. Somos adotados como “filhos” porque estamos unidos ao verdadeiro Filho, Jesus Cristo.  O batismo sela essa união com Cristo. É uma união vital: Cristo vive em nós (2.20).  É também uma união representativa: Cristo morreu e vive por nós (Rm 6.5-11). Ser revestido de Cristo têm duas implicações:  a sua justiça é nossa veste e somos uma nova criação em Cristo (Rm 13.14; Ef 4.24; Cl 3.10).

 

3.28  todos vós sois um em Cristo Jesus.  A parede da separação entre judeu e gentio está removida para os que estão unidos a Cristo: todos em Cristo são a semente de Abraão (Ef 2.14-16; Cl 3.11).  De fato, nenhuma das diferenças entre os seres humanos confere vantagens no que se refere à salvação.  Paulo não elimina tais distinções, como a diferença entre homem e mulher, mas mostra que elas não conferem status preferencial em termos de nossa união com Cristo. Até o retorno de Cristo, a ordem estabelecida na criação permanece e a ordem na Igreja leva isso em conta (1Co 11.3; 14.34; 1Tm 2.11-14). Ver "A Igreja" em Ef 2.19.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

-----------------------------------------------------------------------------

www.sergiovalentin.teo.br

[email protected]

LOGO FACE cópia.jpgsergiovalentin