4.1-7 Paulo já comparou a lei a um carcereiro (3.23) e a um
aio (3.24, nota). Agora ele compara o
papel preparatório da lei ao dos tutores ou guardiões de um menor de
idade. O pleno direito de quem cresceu é
o reconhecimento legal como filho e o recebimento da herança.
4.3 sujeitos aos
rudimentos. A expressão grega
refere-se aos elementos básicos de que se compõe o mundo; no pensamento da
Antigüidade, esses beram terra, vento, água e fogo. Algumas vezes esses
elementos eram venerados como divindades que governam o universo. Paulo pode ter em mente aqui o calendário
sagrado da lei, cujas estações eram determinadas pelos corpos celestiais (cf.
Cl 2.8, 20-22). O legalismo subjugou a vida ao controle das estruturas do mundo.
4.4 plenitude do
tempo. O tempo estabelecido
pelo Pai (v. 2), “os fins dos séculos” (1Co 10.11), em que as promessas de Deus
são realizadas.
Deus enviou seu Filho.
Seu Filho eterno, enviado para nascer de uma mulher.
sob a lei.
Ainda que sem pecado (2Co 5.21), Cristo nasceu sob a lei, não somente
com a obrigação de cumprir a lei mas identificando-se com pecadores, os quais
estão debaixo da maldição da lei. Sua
morte libertou-nos dessa maldição (3.10-14).
4.5 para resgatar. O conceito de redenção vem da instituição da
escravidão. Tanto no mundo grego-romano
como no judeu, um escravo podia comprar sua liberdade (ou alguém poderia
comprá-la para ele) pagando o preço da redenção aos seus proprietários. O preço da nossa redenção foi pago pelo Pai no
sangue de seu Filho (1Pe 1.17,18) e pelo Filho ao dar a sua vida como resgate
por muitos (Mt 20.28).
os que estavam sob a lei. Não somente judeus, circuncidados sob a lei
de Moisés, mas também gentios, porque tanto um como outro estão sob a maldição
da lei (3.13,14).
a adoção de filhos.
Paulo esteve falando do povo de Deus sob a lei como filhos (Êx 4.23; Is
1.2). Agora ele descreve a única maneira
pela qual os filhos podem tornar-se membros adultos da família, não mais
menores de idade. Deus sela a nossa
adoção dando-nos o Espírito de seu Filho (Rm 8.9-17). Ver a nota teológica
“Adoção”, índice.
4.6 Aba. Termo aramaico que significa "Pai"
e que foi empregado por Jesus (Mc 14.6).
Era natural que Jesus, Filho de Deus em um sentido único do termo,
usasse essa palavra. Agora, o Espírito coloca
a mesma palavra nos lábios de homens e mulheres adotados em Cristo.
4.9 conhecidos por
Deus. O conhecimento que
tinham de Deus não era o resultado de sua própria investigação mas da obra
soberana daquele que abriu o entendimento deles. Ver “O Verdadeiro Conhecimento
de Deus” em Jr 9.24.
voltando, outra vez.
Surpreendentemente, Paulo liga a escravidão do legalismo cerimonial com
a escravidão da superstição pagã.
Admitir a circuncisão como necessária para a salvação é voltar-se da liberdade
da graça para a escravidão do mundo com os seus tempos e épocas (v. 10, Cl
2.8,20-22), sejam tais tempos judaicos ou gentílicos.
rudimentos fracos.
Antes de sua conversão, os gálatas estavam sujeitos aos “elementos” do
mundo pagão: seus falsos deuses, sua astrologia e os rituais que guardavam
segundo as estações do ano (v. 3, nota).
4.10 Paulo pode
estar referindo-se à observância de festivais judaicos. Os agitadores judeus na Galácia não exigiam
somente a circuncisão para a salvação mas, provavelmente, também a adoção de
toda a lei, incluindo a lei sobre os alimentos e os festivais religiosos.
4.12 Sede qual eu sou;
pois também eu sou como vós. Para levar o evangelho aos gálatas
gentios, Paulo teve de ultrapassar as restrições legais da lei mosaica que proibia
a interação entre os judeus e gentios (1Co 9.19-23). Paulo tornou-se “como” os
gálatas quanto à liberdade em relação à lei e agora encoraja-os a serem “como”
ele é quanto à liberdade da escravidão legalista.
Em nada me ofendestes.
O quadro positivo que Paulo faz do seu relacionamento anterior com os
cristãos da Galácia (mais desenvolvido nos vs. 13-16) contém um apelo implícito
para que as boas relações prossigam.
Está evidente em toda essa seção o profundo interesse de Paulo para com
os gálatas.
4.13 por causa de uma
enfermidade física. Não se sabe de
que enfermidade Paulo sofria. Alguns sugerem um problema de visão (v. 15;
6.11), mas malária e epilepsia também já foram sugeridas. Pode haver ou não
relação com o que Paulo chamou de “espinho da carne” (2Co 12.7). Ao que parece,
a enfermidade de Paulo fez com que ele permanecesse mais tempo na Galácia, onde
não faltaram oportunidades de ministério.
4.17 zelo. Ver 6.12.
O zelo deles pode ter surgido do desejo de evitar a perseguição, movida
talvez por nacionalistas judeus que não eram cristãos, os quais viram no
caráter inclusivista do movimento cristão uma ameaça à sua causa.
4.19,20 Um
testemunho emocionante do profundo sentimento que Paulo nutria para com os que
havia conduzido à fé em Cristo. A ira de Paulo nessa carta (1.6, 9; 3.1; 5.12)
não só reflete a seriedade que atribuía à tarefa de preservar a verdade do
evangelho, como também, o amor por seus “filhos” em Cristo.
4.22 dois filhos. Ismael, o filho mais velho, nascera
de Hagar (Gn 16); Isaque, o filho mais novo, de Sara (Gn 21.1-6). Hagar era escrava de Sara.
4.23 Ismael, o
filho de Abraão e Hagar, nasceu depois que Abraão e Sara já haviam perdido as
esperanças de terem o filho prometido por Deus. Sara deu à luz a Isaque por um
milagre, muito tempo depois de terem passado os seus anos férteis. Deus mostrou que nenhuma das suas promessas
fica sem cumprimento (Gn 18.14; Lc 1.37).
4.24 alegóricas. Foram acontecimentos históricos com um
significado mais profundo.
4.25 monte Sinai. O lugar onde Deus estabeleceu sua aliança com
Israel (Êx 19-34).
corresponde à Jerusalém. Quer nos dias de Paulo como em nossos, a
maioria dos judeus permanece, como qualquer descrente, na escravidão ao pecado
e sob a maldição que a aliança do Sinai pronuncia sobre quantos desobedecem
suas exigências.
4.26 Jerusalém lá de
cima. Jerusalém era a
cidade onde Deus estabelecera o seu nome, o lugar de sua habitação no meio do
seu povo (Sl 78.68,69). A plenitude da
habitação de Deus conosco realizou-se em Cristo, o verdadeiro templo (Jo
2.19). A Jerusalém verdadeira está nos
céus, onde ele está (Hb 12.22; Ap 21.2).
4.30 da livre. Não pertencemos ao pecado como escravos nem
estamos debaixo da maldição da lei (Rm 6.1-7.6).
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sergiovalentin