5.1 jugo. A literatura judaica da época compara a lei a
um jugo ao qual o obediente se submete.
Paulo não quer que os seus leitores de origem gentílica permitam que a
lei tome o lugar de Cristo em suas vidas (Mt 11.29; At 15.10). Ver nota teológica “Liberdade Cristã”,
índice.
5.2 Considerar
Cristo e circuncisão como necessários para a salvação é o mesmo que negar a
suficiência da morte de Cristo para a salvação.
Para aqueles que foram libertos em Cristo, submeterem-se à circuncisão
para a salvação é comprometerem-se a fazer o que está completamente fora de seu
alcance (2.21) e rejeitar o que Cristo tem feito por eles. Isto seria como voltar ao domínio do pecado e
à maldição da lei.
5.4 da graça
decaístes. Isto é, estariam
renunciando à graça de Deus por não mais depositar sua confiança nela. Os que foram escolhidos em Cristo serão
guardados de semelhante renúncia do evangelho, em vista do que Paulo mantém-se
confiante de que atenderão à sua advertência (v. 10). Entretanto, pode haver,
dentre os que para nós parecem ser verdadeiros membros de Cristo, aqueles que
abandonarão o evangelho (Rm 11.22; 1Jo 2.19).
A Escritura nos admoesta, em vista disso, a procurarmos “com diligência cada vez maior, confirmar a
vossa vocação e eleição" (2Pe 1.10), vivendo de um modo que demonstre a
realidade da presença do Espírito dentro de nós (5.16-6.10; Hb 10.26, 27; 2Pe
1.5-11).
5.5 esperança da
justiça que provém da fé. A firme esperança de justiça mediante a fé contrasta
com a vã esperança de justiça por meio de obras da lei. O Espírito Santo dá
ardente expectativa de justificação no último dia porque nós já fomos
justificados em Cristo (Rm 5.1-5,9,10). Esse mesmo Espírito, ao conferir-nos os
benefícios salvíficos de nosso Senhor ressurreto, é para nós uma antecipação da
completa herança na glória (2Co 5.5; Ef 1.13).
5.6 Paulo não está
contestando a circuncisão como tal (6.15; 1Co 7.19; cf. At 16.3) mas a
tentativa de fazer desse rito uma condição para a salvação. Quem crê em Jesus Cristo e demonstra a
autenticidade de sua fé por meio de uma vida santificada, está salvo. Ver “Fé e Obras” em Tg 2.24.
5.11 se ainda prego a
circuncisão. Pode ser que Paulo
esteja referindo-se à sua vida antes da conversão ou, talvez, refutando uma
falsa acusação dos seus adversários de que ele pregue a necessidade de
circuncisão para a salvação quando os apóstolos de Jerusalém estão presentes,
mas esquece essa exigência quando está na companhia dos gentios (1.10).
escândalo da cruz. Ver 1Co
1.18-2.5.
5.12 até se
mutilassem. Ver referência
lateral. A ira de Paulo vem de ver novos crentes serem desviados. Jesus disse algumas palavras igualmente
fortes para advertir aqueles que ousavam conduzir outros ao erro (Lc 17.1,2).
5.13 liberdade. Liberdade cristã é liberdade do
pecado, não liberdade para o pecado (Rm 6.1-7.6). Ver “Liberdade e Escravidão da Vontade” em Jr
17.9.
5.14 toda a lei. A carta de Paulo aos Gálatas não anula a lei.
Cristo cumpriu a lei; não a aboliu (Mt 5.17).
Certas partes da lei, tais como as regras sobre os alimentos, não se
aplicam mais na nova aliança, mas os mandamentos morais da lei permanecem como
declarações da vontade de Deus para a conduta cristã (Rm 8.2-8; 13.8-10).
Amarás. Ver Rm
13.10; 1Co 13; cf. Mt 19.19.
5.16 andai no
Espírito. A habitação do
Espírito Santo naquele que crê é um sinal de que o mesmo faz parte do povo de
Deus e é herdeiro das promessas da aliança dadas a Abraão (3.14; 4.6; 5.5). A
presença do Espírito é também um sinal de que no dia derradeiro Deus declarará
justo aquele que crê (5.5; 2Co 1.22; 5.5).
5.17 a carne. Ver “Santificação: o Espírito e a Carne” em
1Co 6.11. Paulo diz em 6.13 que os agitadores da Galácia queriam circuncidar os
gálatas a fim de gloriarem-se em sua “carne” e, em 2.16, Paulo diz que pela
obsevação da lei “nenhuma carne” (isto é, ninguém) será justificada. Paulo usa o termo "carne" em, pelo
menos, três sentidos. Em um sentido mais
geral, refere-se ao que é humano. Em um outro sentido, refere-se ao corpo
físico. Em um sentido mais específico,
principalmente quando aparece em oposição a “espírito”, refere-se à natureza
humana pecaminosa, que envolve também mente e alma. Se os gálatas abandonam a Cristo e põem sua
confiança na lei, estarão voltando à confiança na carne e, dessa forma, para a
existência debaixo da maldição da lei. Há esperança e advertência nas palavras
de Paulo. Embora os desejos da carne se
oponham ao Espírito, os desejos dados pelo Espírito Santo livram-nos da carne e
da lei.
5.20 porfias... facções. Paulo
relaciona os pecados infames que os legalistas condenariam, mas relaciona em
seguida exatamente os pecados dos quais eles eram culpados (v. 15).
5.21 não herdarão o
reino de Deus. Uma das quatro vezes que essa frase aparece nas cartas
paulinas (1Co 6.9,10; 15.50; cf. Ef 5.5). O que Paulo afirma é que aqueles que
não demonstram as virtudes do Espírito (v. 22) em suas vidas não participarão
do reino eterno de Deus.
5.22 fruto do Espírito. Paulo usa a metáfora do fruto para descrever
a conduta do crente em Rm 6.22, Ef 5.9 e Fp 1.11. João Batista, da mesma forma,
proclamou que verdadeiro arrependimento produz ações morais concretas como
"fruto" (Mt 3.8; Lc 3.8). O amor produzido pelo Espírito é como o
amor de Cristo. Esse vai muito além do que os feitos de uma justiça própria
legalista (Lc 10.25-37).
5.24 crucificaram a
carne. Ver 2.20; 6.14; Rm
6.6. Para o povo de Cristo, a cruz
quebrou o domínio da lei (2.19) e também o domínio da carne. Pela fé, reconhecem a realidade da sua união
com Cristo em sua morte. Assim, também,
ressuscitaram para uma nova vida no Espírito de Cristo e andam, pois, no
Espírito (Cl 3.1, 3, 5).
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sergiovalentin