1.1 Paulo. Sabemos, através de quinze referências em At
7-13, que Paulo também tinha o nome de “Saulo”.
Em suas cartas, no entanto, sempre refere-se a si próprio como “Paulo”,
um nome comum entre os romanos.
apóstolo. A palavra significa “mensageiro”. Embora Paulo, algumas vezes, empregasse o
termo para designar um comissionado como Epafrodito (Fp 2.25), aqui o emprega
com referência aos primeiros apóstolos em Jerusalém (1.19; 1Co 15.9). Paulo defende a autoridade que tem como
apóstolo para estabelecer o fundamento da Igreja (1Co 3.10; 9.1; 14.37,38; Ef
2.20; 3.3-5). Ver 2Co 1.1 nota.
1.3
graça a vós outros e paz.
Todas as cartas de Paulo começam mencionando essas duas bênçãos de
Deus. “Graça” traduz o termo grego charis,
que significa “um ato de bondade imerecido”.
Paulo usa essa palavra com mais freqüência do que qualquer outro
escritor do Novo Testamento e a confere grande sentido teológico. Aplica-se a tudo o que Deus nos deu em
Cristo, sem que tivéssemos obtido por
merecimento ou que possamos devolver.
"Paz" aplica-se ao relacionamento inaugurado pela morte e
ressurreição de Cristo (1.4) entre Deus e os que crêem no evangelho. Para um comentário do próprio Paulo sobre o
significado desses dois termos, ver Rm 5.1,2.
1.6 vos chamou na graça. A graça de Deus vem até nós por iniciativa
dele mesmo, através de seu chamado, e
não por causa de coisa alguma que tenhamos feito para merecê-la (1.15; Rm
4.4-8; 8.30; 9.11-13).
1.7
alguns que vos perturbam.
Provavelmente cristãos de origem judaica provenientes de Jerusalém, os
quais insistiam em exigir dos gentios não apenas que cressem em Jesus Cristo
mas também que aceitassem a circuncisão e, desse modo, se tornassem judeus
(2.3-5, 12; 6.12, 13). Vários indícios dessa idéia estavam disseminadas entre
os cristãos de origem judaica na igreja primitiva (At 15.1; 21.20, 21; Fp 3.2,
3).
1.8, 9 Aqueles que exigem mais do que a fé em Jesus
Cristo para salvação, ainda que suas
credenciais sejam as melhores, distorcem completamente o evangelho. Os pregadores do falso evangelho estão
debaixo da condenação de Deus.
1.9
anátema. A ação de
graças que Paulo normalmente faz por seus leitores é aqui substituída por uma
ameaça de maldição, repetida para fins de ênfase. A palavra grega é anathema, empregada
também em Rm 9.3.
1.10 procuro agradar a homens? Os
adversários de Paulo na Galácia não atacaram somente o evangelho mas também o
seu mensageiro, a saber, Paulo. Uma das acusações era a de que Paulo pregava
uma forma pouco exigente do evangelho, sequer exigindo a circuncisão ou a
obediência às leis do sábado ou, tampouco, as restrições alimentares (4.10;
5.11).
1.11 não é segundo o homem. Paulo defende-se da acusação de seus
adversários de que ele está em rebelião contra os apóstolos de Jerusalém, os
quais lhe teriam dado a autoridade que tem. Paulo argumenta que a sua
autoridade vem tão somente de Deus, apenas confirmada pelos apóstolos de
Jerusalém.
1.12 mediante revelação. Ver At 9.3-5; 22.6-10; 26.13-18; 1Co 15.8.
1.13 perseguia eu a Igreja de Deus. A perseguição que Paulo promovera contra a
igreja antes do seu chamado era bem conhecida entre os primeiros cristãos (At
7.58; 8.3; 9.1, 2). Paulo mesmo
envergonhava-se profundamente dessa parte do seu passado (1Co 15.9), embora a
considerasse evidência de que a graça de Deus é capaz de conquistar até os
pecadores mais rebeldes (At 22.4, 5; 26.9-11; 1Co 15.10; Fp 3.6; 1 Tm 1.13,
14).
1.14 extremamente zeloso. Paulo gostava de mostrar a oponentes como os
da Galácia que ser um judeu, ainda que um judeu zeloso, não é suficiente para a
salvação. Paulo via sua própria
experiência como prova de que o zelo pela lei não podia salvar (Rm 9.30–10.4;
2Co 11.22; Fp 3.4-6).
1.15 antes de eu nascer. Paulo reproduz conscientemente as palavras do
chamado de Jeremias (Jr 1.5) e, talvez, do chamado do Servo mencionado em
Isaías (Is 49.1, 5), os quais, assim como Paulo, foram chamados para ser
mensageiros de Deus aos gentios. Paulo tinha consciência de que o seu
apostolado (v.1, nota) estava em continuidade com a tradição profética do Antigo Testamento.
me chamou pela sua graça. Ver nota no v. 3; “Vocação Eficaz e
Conversão” em 2Ts 2.14. O chamado de Paulo para ser um apóstolo, assim como a
fé que possui cada crente, foi o resultado da graça precedente de Deus. Antes do nosso nascimento e,
conseqüentemente, antes que pudéssemos fazer qualquer coisa boa ou má, Deus
escolheu criar em nós a fé (Rm 9.10-13; Ef 1.4-6). Ninguém pode obter por merecimento o chamado
de Deus; é um dom gratuito.
1.16 gentios. Tanto “nações” como “gentios” são traduções
corretas da palavra grega usada aqui.
Escritores judeus aplicavam esse
termo a qualquer um que não fosse judeu.
Paulo fora chamado para pregar aos gentios (2.9; At 9.15; 22.21; 26.17;
Rm 1.5; 15.16) mas não se considerava chamado para pregar exclusivamente aos
gentios. Em At 13-28, ele prega
freqüentemente aos judeus e passagens como Rm 1.14-16; 9.1-5 e 1Co 9.20 mostram
que dispunha-se sempre a evangelizar os judeus.
não consultei carne e sangue. Paulo encontrou-se, obviamente, com Ananias
três dias depois da sua conversão (At 9.10-19; 22.12-16). A palavra traduzida por “consultar”, todavia,
sugere apresentar alguma coisa perante alguém ou submetê-la para observação e
aprovação. Paulo certamente não consultou
Ananias neste sentido. O papel de
Ananias foi confirmar o chamado de Paulo para pregar aos gentios e batizá-lo.
1.17 Jerusalém... Arábia... Damasco. A conversão e o chamado de Paulo aconteceram
perto de Damasco (At 9.3; 22.6; 26.12).
Ele permaneceu na cidade vários dias após sua conversão (At 9.19). Essa antiga cidade situa-se em uma planície
fértil entre dois rios, de modo que o viajante que parte dali precisa
literalmente “subir” até Jerusalém através da região montanhosa da
Palestina. Jerusalém era o centro
cultural e religioso da Palestina e o lar de Tiago, Pedro e João, que, em Atos
e Gálatas, destacam-se como os líderes da comunidade cristã primitiva em
Jerusalém (2.9). Paulo enfatiza que o
seu chamado para pregar aos gentios viera de Deus e não dos líderes da igreja
de Jerusalém. A Arábia era governada por um rei nabateu, Aretas IV, que lutou
contra Roma pelo controle de Damasco. Quando da conversão de Paulo, um
governador de Aretas estava no controle da cidade e aparentemente ajudou judeus
enraivecidos na tentativa de matar a Paulo (At 9.23-25; 2Co 11.32,33).
1.18 três anos. Os “muitos dias” de At 9.23.
a Jerusalém. A primeira viagem de Paulo a Jerusalém após a
sua conversão (At 9.26-30).
avistar-me com. Tradução da palavra grega que significa
visitar alguém com o propósito de obter informação. Paulo provavelmente conferenciou com Pedro a
respeito da vida e do ensino de Jesus.
Cefas. Nome aramaico de Pedro (ver referência
lateral). Tanto “Cefas” como “Pedro” significam “pedra”.
1.19 Tiago, o irmão do Senhor. Ver Mt 13.55 e Mc 6.3. Esse Tiago não é o
discípulo Tiago que aparece freqüentemente junto com Pedro e João nos
evangelhos. Herodes assassinou aquele
Tiago ainda nos primórdios da igreja (At 12.2).
Tiago, o irmão do Senhor, no começo não cria em Jesus (Jo 7.5) mas
converteu-se mais tarde, em conseqüência, talvez, da visão que teve do Senhor
ressuscitado (1Co 15.7).
1.21 Síria e Cilícia. Ver At 9.30.
Paulo voltou para sua casa em Tarso (At 9.11; 21.39; 22.3), a cidade mais
importante na Cilícia. Esta região da
Cilícia encontrava-se sob a administração da província romana da Síria durante
os primórdios do primeiro século. É,
pois, acurado o uso dos dois nomes por Paulo.
1.22 Judéia.
Paulo podia estar se referindo à região específica chamada
Judá no Antigo Testamento ou à província romana da Judéia, que incluía a Judá
antiga além da Samaria e da Galiléia.
2.1
Catorze anos. Pode ser o
tempo decorrido após a sua conversão ou após sua primeira visita a Jerusalém.
outra vez a Jerusalém. Essa pode ter sido uma segunda visita depois
da sua conversão ou uma terceira visita, registrada em At 15.2. O propósito da visita aqui indicado coincide
com o propósito da visita em At 15, mas é difícil, aceitando essa hipótese, explicar porque Paulo omite a
segunda visita em sua narrativa (At 11.27-30).
Se, como alguns estudiosos acreditam, Gálatas foi escrita após a
primeira viagem missionária de Paulo (At 13; 14) mas antes do Concílio de Jerusalém
(At 15), então a viagem mencionada aqui é a de At 11 e a viagem de At 15 ainda
não havia acontecido.
Barnabé. Natural de Chipre e um dos primeiros cristãos
(At 4.36). O nome Barnabé significa em
aramaico “filho de exortação” e as vezes em que é mencionado em Atos demonstram
que ele viveu o nome que tinha (At 4.36,37; 11.22-24, 30).
Tito. Apesar de não ser mencionado em Atos, Tito
foi um dos companheiros e mensageiros que gozava da confiança de Paulo. Ver 2Co
2.12,13; 7.6; 8.6; Tt 1.4,5.
2.2
em obediência a uma revelação.
Se essa é a visita de At 11, a revelação pode ter sido a profecia de
Ágabo (11.28). Caso contrário, foi,
provavelmente, uma revelação especial como outras que Paulo recebeu de Deus (At
9.4-6; 16.9; 18.9,10; 2Co 12.1-6).
em vão. Embora os líderes de Jerusalém não fossem a
fonte da autoridade de Paulo, seus esforços em pregar o evangelho teriam sido
grandemente prejudicados se esses homens influentes tivessem se colocado contra
ele.
2.3
constrangido a circuncidar-se.
Ver 5.12 e At 15.1. Circuncisão era
a marca distintiva do judeu e o último passo na conversão de um homem gentio à
religião judaica. Alguns cristãos judeus criam que os gentios também tinham de
aceitar a circuncisão e, assim, fazerem-se judeus antes de se tornarem cristãos
e pertencerem ao povo escolhido de Deus.
Paulo opunha-se veementemente a esse ensino e afirma do começo ao fim da
carta aos Gálatas que somos justificados pela fé em Cristo apenas.
2.4
falsos irmãos. Paulo
considerava de tamanha importância a doutrina da salvação pela graça mediante a
fé somente que ele excluía da igreja todas as pessoas que não se mantinham fiéis a ela (1.8,9;
5.2-4).
liberdade. A liberdade do crente não é liberdade para
pecar mas liberdade da maldição que a lei profere sobre o pecado (3.10-14; 5.1,13).
escravidão. Provavelmente escravidão ao pecado (Rm
6.15-23; 7.25) e a maldição que a lei profere sobre aqueles que pecam (3.10).
2.5
a verdade do evangelho.
Ver v. 14; 1.8,9 e notas. O ingresso na comunidade do povo de aliança
com Deus (a Igreja) ocorre somente pela fé que é dada graciosamente ao crente
por Deus (1.6,15; Ef 2.8). Qualquer
tentativa de condicionar o ingresso a exigências adicionais, tais como a
circuncisão, nega a suficiência da fé
nos méritos de Cristo para satisfação da justiça de Deus e constitui-se, por
esse motivo, em uma perversão do evangelho.
2.6
Deus não aceita a aparência do homem. Assim como a marca externa da circuncisão não
define quem é o povo de Deus, o prestígio temporal também não é importante para
Deus (1Sm 16.7; Rm 2.25-29).
2.7
da incircuncisão. Ver nota em
1.16.
a Pedro o da circuncisão. Pedro, aparentemente, foi o principal
porta-voz da primitiva igreja de Jerusalém (At 1-12). Muito relutantemente
atendeu ao mandamento de Deus de encontrar-se com o gentio Cornélio (At
10). Muito embora Pedro reconhecesse a
necessidade receber os gentios no povo de Deus (At 10.34, 35; 11.17; 15.7-11),
sentia evidentemente o chamado de Deus para pregar o evangelho especificamente
aos judeus.
2.9
Tiago, Cefas e João. Ver notas em
v. 7; 1.18,19. Esses três homens
possuiam autoridade especial na igreja primitiva de Jerusalém. Pedro e João eram vistos juntos com
freqüência (At 3.4) e Tiago teve grande destaque na igreja de Jerusalém (At
12.17; 15.13; 21.18).
"Colunas" é uma metáfora comum no grego para pessoas em
importantes posições de liderança.
a graça que me foi dada. Com respeito à conversão e ao chamado de
Paulo, ver 1.15 e nota. Paulo refere-se
freqüentemente ao seu chamado como graça de Deus concedida a ele (Rm 1.5; 12.3;
15.15, 16; 1Co 3.10).
fôssemos para os gentios. Barnabé, assim como Paulo, era principalmente
um missionário aos gentios (At 13; 14; 15.36-41).
2.10 lembrássemos dos pobres. Alguns associam essas palavras ao propósito
da segunda visita de Paulo a Jerusalém (At 11.27-30). Naquela visita, Paulo e
Barnabé foram comissionados a levar uma oferta de Antioquia para os cristãos na
Judéia que estavam sofrendo por causa de um período de fome. Nesse caso, a pobreza de que Paulo fala seria
pobreza no sentido literal do termo. Outros crêem que essas palavras referem-se
à arrecadação que Paulo fez em favor dos santos de Jerusalém (At 24.17; Rm
15.26; 1Co 16.1-3; 2Co 8.9), para a qual os gálatas contribuíram (1Co 16.1).
2.11 Antioquia. Capital e maior cidade da província romana da
Síria, Antioquia possuia uma grande comunidade judaica. Não surpreende, portanto, que tenha sido o
primeiro lugar mencionado em Atos onde os cristãos de origem judaica pregaram o
evangelho aos gentios (At 11.19,20). A
igreja em Antioquia, além de ter sido a primeira igreja, segundo nossos
registros, a reunir cristãos judeus e gentios em culto e comunhão, também foi,
ao que sabemos, a primeira igreja a enviar missionários para pregar o evangelho
especificamente aos gentios (At 13.1-3).
2.12 apartar-se. Muitos cristãos judeus resistiram ao
mandamento de Deus para que os gentios que haviam crido em Cristo fossem
recebidos sem ter de seguir a lei cerimonial (At 10.28; 11.2, 3,19; 15.1). Inclusive Pedro e Barnabé (v. 13) sucumbiram
à pressão de um grupo que acreditava que submeter-se à circuncisão, isto é,
tornar-se um perfeito prosélito judeu, era necessário para tornar-se um
cristão.
2.14 a verdade do evangelho. Ver nota no v. 5.
vives como gentio. Antes da
chegada do grupo da "circuncisão", Pedro havia comido tranqüilamente
com os gentios (v. 12). Agora, incoerentemente, estava agindo como se os
gentios tivessem de tornar-se judeus para que viessem a ser integralmente
membros do povo de Deus.
2.15,16 Esses versículos são centrais em Gálatas. A
idéia de Paulo é que qualquer pessoa (judeu circuncidado bem como gentio não
circuncidado) entra em um relacionamento correto com Deus através da fé em
Cristo somente. As palavras gregas
traduzidas por “justiça”, “justo”, “justificar” e “justificação” são todas da
mesma raiz e têm significados relacionados.
2.16 Ver “Fé e Obras” em Tg 2.24. No Antigo Testamento, Deus governa e julga
com perfeita justiça (1Sm 26.23) e pronuncia o seu veredito de inocente ou
culpado. “Justificar” é declarar justo (Dt 25.1). Mas se ninguém entre nós é justo diante de
Deus (Sl 143.2), como pode haver esperança desse veredito (Jó 9.2)? Assim como Deus é o Juíz, cujo veredito é
final e justo, também é o Salvador que pode providenciar o livramento do seu
próprio julgamento (Jn 2.9). A justiça
de Deus é revelada, não somente como uma exigência sua mas também como dom de
Deus (Is 45.24, 25; 54.14-17). Esse dom vem finalmente através do Messias (Is
53.8; Jr 23.5, 6; 33.14-16). Paulo proclama
o cumprimento da promessa do Antigo Testamento (Rm 3.21-26). A fé recebe o dom da justiça de Cristo e o
perdão mediante a expiação feita por Jesus.
obras da lei. Paulo havia se referido às “obras” que
distinguem os judeus dos gentios (v. 15), tais como circuncisão, restrições
alimentares e a guarda do sábado. A
expressão, no entanto, inclui todos os esforços da humanidade caída em guardar
a lei de Deus a fim merecer o seu veredito justificador.
ninguém será justificado. Uma citação livre do Sl 143.2. Ninguém é capaz de guardar a lei
perfeitamente, de forma que observâncias legais como a circuncisão não são capazes de estabelecer um
relacionamento correto com Deus. Para
tanto, é preciso algo diferente da lei, que Deus oferece no dom da justiça de
Cristo e no sangue de sua expiação. Fé
não merece a aceitação de Deus; fé aceita o mérito de Cristo
perante Deus (Fp 3.9).
2.17 fomos... achados pecadores. Os agitadores da Galácia e os
“alguns da parte de Tiago” (v. 12) consideraram Paulo um “pecador” (como os
gentios do v. 15) por quebrar as leis judaicas de abstinência de
alimentos. Tinham, provavelmente,
acusado o evangelho de Paulo de promover pecado (Rm 3.8).
2.18 destruí.
A palavra grega traduzida aqui por “destruir” é usada no Novo
Testamento com o sentido de demolir um edifício (Mt 24.2; Mc 13.2; Lc 21.6; Rm
14.20). Paulo pode ter em mente a
tentativa errônea de Pedro em reconstruir a parede entre judeu e gentio já
derrubada pelo evangelho (v. 14; Ef 2.14).
Reconstruir a parede da lei é trazer de novo a condenação da lei. O transgressor da lei não é aquele que
volta-se da lei para Cristo para justificação; mas aquele que volta-se de
Cristo novamente para a lei.
2.19 Paulo morreu para a lei na morte de Cristo;
foi crucificado com Cristo (v. 20), pois foi unido a Cristo que morreu em seu
lugar (3.13; Rm 4.25; 5.6). Assim também, foi ressuscitado com Cristo e vivia
em relação a Deus (Cl 2.12; 3.1). Morte
para a lei não transgride a lei, pois Cristo cumpriu as exigências da lei. É,
portanto, “através da lei” que os crentes são libertos da escravidão e
condenação da lei. Veja “Os Três
Propósitos da Lei” em Dt 13.10.
2.20 União com Cristo significa que ele
representou-nos em sua morte e ressurreição.
Significa mais, porém, porque é uma união viva. Jesus está presente com o crente; pelo
Espírito, o Senhor vive em comunhão interior com os seus. Paulo não diz com isso que a individualidade
pessoal é suprimida ou absorvida; ele vive “na carne” pela “fé”. A união é um relacionamento espiritual da
mais profunda intimidade.
3.1
exposto. Talvez na
pregação de Paulo.
3.2
Espírito. Paulo apela
para a experiência que os gálatas mesmo tinham com relação ao Espírito Santo para
provar que fazer-se um judeu não é necessário para tornar-se um cristão (At
10.47; 11.17; 15.8).
3.3
na carne. Paulo não tem
em mente, talvez, apenas a tentativa de guardar a lei sem o Espírito (Rm
7.7-8.17) mas também a tentativa de obter o favor de Deus pelo corte físico da
circuncisão (Fp 3.2,3). Em todo caso,
Paulo adverte seus leitores contra a tentativa de ganhar a salvação fazendo
alguma obra. Salvação vem somente por
meio da graça de Deus pela fé em Jesus Cristo (2.16).
3.6 Abraão era o pai do judeus e a pessoa com
quem Deus estabeleceu, pela primeira vez, a circuncisão como sinal da aliança
(Gn 17.10). Até mesmo esse reverenciado
patriarca foi posto em um relacionamento correto com Deus através da fé (Rm
4.11). Paulo reverte a acusação de que
menospreza a aliança de Deus com Abraão.
Os verdadeiros filhos de Abraão compartilham sua fé, descendam fisicamente
dele ou não. A promessa a Abraão é
também a promessa de bênção aos gentios, bênção essa que deve ser recebida com
fé como a de Abraão.
3.10 O argumento de Paulo é que ninguém é capaz de
guardar a lei na sua totalidade, o que fundamenta pela citação de Dt
27.26. Na continuação da passagem de
onde Paulo extrai a citação, Deuteronômio apresenta uma lista de maldições que
recairão sobre Israel por desobediência.
A maioria dos judeus no tempo de Paulo admitia que Israel havia quebrado
a lei e havia recebido as maldições preditas (Dt 28.15-30.20).
3.11 Veja nota teológica “Justificação e Mérito”,
índice.
3.12 a lei não procede de fé. Paulo fala aqui da lei como exigência de
Deus, à parte da promessa da aliança de Deus.
Levítico (18.5) apresenta a exigência e prediz o fracasso e a maldição
que seguiria (26.14-38). A promessa
também é repetida (26.40-45), pois ela não é invalidada (3.15-22).
3.13 maldição em nosso lugar. Uma vez que quebramos a aliança de Deus
violando a lei, merecemos receber a maldição da lei e a condenação de
Deus. Mas Cristo levou a maldição da lei
em nosso lugar, dando-nos paz com Deus (Rm 3.21-26; 4.25; 5.1-8; 2Co 5.21; Cl
2.13-15; cf. Mc 10.45; Jo 1.29; 1Pe 2.24).
Ver “A Expiação” em Rm 3.25.
3.14 a bênção de Abraão. Ver v. 8; Gn 12.3; “Cristo — o Mediador” em
1Tm 2.5. Os gentios que chegaram à fé, cujas vidas são marcadas pela habitação
do Espírito, são o cumprimento da promessa de que através de Abraão todas as
nações serão abençoadas. O Espírito é a
bênção prometida a Abraão.
3.15-18 Deus prometeu bênção salvadora para
as nações através de Abraão “e sua semente” — Cristo, que em sua natureza
humana descende de Abraão. A promessa da
aliança não foi cancelada pela lei mais tarde dada a Moisés. A lei não se opõe
às promessas (v. 21) mas as pressupõe.
Suas exigências mostram a impossibilidade de se obter a salvação por
merecimento e remetem o povo de Deus à fé em Cristo (v. 24).
3.16 descendente. Lit., "semente". Paulo está ciente de que o substantivo
“semente” no singular pode ser tanto coletivo como individual (v. 29; Rm
4.18). Ele está afirmando que Cristo é a
Semente (o descendente) ao qual, em última instância, se refere a
promessa. Ver “A Aliança da Graça de
Deus” em Gn 12.1.
3.17 quatrocentos e trinta anos. Em Êx 12.40,
os 430 anos referem-se ao tempo que Israel permaneceu no Egito. Na
versão do Êxodo no Antigo Testamento grego (a Septuaginta), o tempo de
permanência dos patriarcas em Canaã está incluído nos 430 anos. Mas Paulo não se refere à passagem
necessariamente conforme a
Septuaginta. Para o seu objetivo,
é suficiente demonstrar que decorreram séculos até que a lei fosse dada no
Sinai (Cf. Gn 15.13; At 7.6).
3.19 por causa das transgressões. Provavelmente para definir pecado
especificamente como pecado contra a vontade de Deus, explicitamente formulada
e, assim, tornar o pecado tanto pior (Rm 5.13, 20).
descendente. Em Gn 17.19, Deus promete a Abraão
um filho, Isaque, e diz que estabelecerá uma aliança com Isaque e seus
“descendentes” (um substantivo singular no hebraico que também pode ser
traduzido por “semente”). Paulo vê o
emprego do substantivo na forma singular como uma referência a Jesus, que
restaurou a aliança que estava rompida entre Deus e o seu povo escolhido.
por meio de anjos. Ver Dt 33.2; At 7.53; Hb 2.2.
3.20 mediador. Moisés foi mediador entre Deus e Israel
quando Deus estabeleceu a sua aliança com Israel no Monte Sinai (Êx
19-34). A promessa dada a Abraão,
entretanto, não precisou de mediador e, em vista disso, é superior à aliança no
Sinai.
Deus é um. Ver Dt 6.4.
A aliança de Deus com Abraão, uma vez que não teve um mediador,
demonstrou a unidade e soberania de Deus mais perfeitamente do que a aliança no
Sinai. O cumprimento da aliança de Deus
com Abraão pela inclusão dos gentios no povo de Deus também demonstra a unidade
de Deus mais claramente do que a aliança do Sinai porque ela mostra a sua
soberania sobre toda a criação (Rm 3.29, 30).
3.21 A incapacidade da humanidade em guardar a
lei, não a lei como tal, é a origem da ruptura no relacionamento da humanidade
com Deus.
contrária às promessas de Deus? Paulo resolutamente rejeita essa conclusão
errônea de seu argumento. A lei poderia
competir com o evangelho apenas se pudesse conceder vida, libertando os
pecadores da condenação que ela mesma impõe. Embora a lei seja boa e aponte o
que é agradável a Deus (Lv 18.5; Rm 7.10), não foi capaz de dar vida aos
transgressores da lei (2Co 3.6). Os judeus, tendo a lei, foram por ela
condenados. A Escritura registra isso
muito bem, mostrando que todos são pecadores condenados e indicando a
necessidade do Salvador prometido.
3.24 aio.
Um “aio” era um escravo responsável pela educação da criança,
principalmente para apontar e castigar o mau comportamento. À semelhança de um
aio, a lei destacou e puniu o pecado. Outra importante função dos aios era a de
separar e proteger a criança da influência de estranhos. A lei exerceu função
semelhante separarando Israel dos gentios. Também essa função da lei cerimonial
se acabou. Ver “A Lei de Deus” em Êx 20.1.
3.26 sois filhos de Deus. Somos
adotados como “filhos” porque estamos unidos ao verdadeiro Filho, Jesus
Cristo. O batismo sela essa união com
Cristo. É uma união vital: Cristo vive em nós (2.20). É também uma união representativa: Cristo
morreu e vive por nós (Rm 6.5-11). Ser revestido de Cristo têm duas
implicações: a sua justiça é nossa veste
e somos uma nova criação em Cristo (Rm 13.14; Ef 4.24; Cl 3.10).
3.28 todos vós sois um em Cristo Jesus. A parede da separação entre judeu e gentio
está removida para os que estão unidos a Cristo: todos em Cristo são a semente
de Abraão (Ef 2.14-16; Cl 3.11). De
fato, nenhuma das diferenças entre os seres humanos confere vantagens no que se
refere à salvação. Paulo não elimina
tais distinções, como a diferença entre homem e mulher, mas mostra que elas não
conferem status preferencial em termos de nossa união com Cristo. Até o retorno
de Cristo, a ordem estabelecida na criação permanece e a ordem na Igreja leva
isso em conta (1Co 11.3; 14.34; 1Tm 2.11-14). Ver "A Igreja" em Ef
2.19.
4.1-7 Paulo já
comparou a lei a um carcereiro (3.23) e a um aio (3.24, nota). Agora ele compara o papel preparatório da lei
ao dos tutores ou guardiões de um menor de idade. O pleno direito de quem cresceu é o
reconhecimento legal como filho e o recebimento da herança.
4.3
sujeitos aos rudimentos.
A expressão grega refere-se aos elementos básicos de que se compõe o
mundo; no pensamento da Antigüidade, esses eram terra, vento, água e fogo.
Algumas vezes esses elementos eram venerados como divindades que governam o
universo. Paulo pode ter em mente aqui o
calendário sagrado da lei, cujas estações eram determinadas pelos corpos
celestiais (cf. Cl 2.8, 20-22). O legalismo subjugou a vida ao controle das
estruturas do mundo.
4.4
plenitude do tempo. O tempo
estabelecido pelo Pai (v. 2), “os fins dos séculos” (1Co 10.11), em que as
promessas de Deus são realizadas.
Deus enviou seu Filho. Seu Filho eterno, enviado para nascer de uma
mulher.
sob a lei. Ainda que sem pecado (2Co 5.21), Cristo
nasceu sob a lei, não somente com a obrigação de cumprir a lei mas
identificando-se com pecadores, os quais estão debaixo da maldição da lei. Sua morte libertou-nos dessa maldição
(3.10-14).
4.5
para resgatar. O conceito de
redenção vem da instituição da escravidão.
Tanto no mundo grego-romano como no judeu, um escravo podia comprar sua
liberdade (ou alguém poderia comprá-la para ele) pagando o preço da redenção
aos seus proprietários. O preço da nossa
redenção foi pago pelo Pai no sangue de seu Filho (1Pe 1.17,18) e pelo Filho ao
dar a sua vida como resgate por muitos (Mt 20.28).
os que estavam sob a lei. Não somente judeus, circuncidados sob a lei
de Moisés, mas também gentios, porque tanto um como outro estão sob a maldição
da lei (3.13,14).
a adoção de filhos. Paulo esteve falando do povo de Deus sob a
lei como filhos (Êx 4.23; Is 1.2). Agora
ele descreve a única maneira pela qual os filhos podem tornar-se membros
adultos da família, não mais menores de idade.
Deus sela a nossa adoção dando-nos o Espírito de seu Filho (Rm 8.9-17).
Ver a nota teológica “Adoção”, índice.
4.6
Aba. Termo aramaico que
significa "Pai" e que foi empregado por Jesus (Mc 14.6). Era natural que Jesus, Filho de Deus em um
sentido único do termo, usasse essa palavra.
Agora, o Espírito coloca a mesma palavra nos lábios de homens e mulheres
adotados em Cristo.
4.9
conhecidos por Deus. O conhecimento
que tinham de Deus não era o resultado de sua própria investigação mas da obra
soberana daquele que abriu o entendimento deles. Ver “O Verdadeiro Conhecimento
de Deus” em Jr 9.24.
voltando, outra vez. Surpreendentemente, Paulo liga a escravidão
do legalismo cerimonial com a escravidão da superstição pagã. Admitir a circuncisão como necessária para a
salvação é voltar-se da liberdade da graça para a escravidão do mundo com os
seus tempos e épocas (v. 10, Cl 2.8,20-22), sejam tais tempos judaicos ou
gentílicos.
rudimentos fracos. Antes de sua conversão, os gálatas estavam
sujeitos aos “elementos” do mundo pagão: seus falsos deuses, sua astrologia e
os rituais que guardavam segundo as estações do ano (v. 3, nota).
4.10 Paulo pode estar referindo-se à
observância de festivais judaicos. Os
agitadores judeus na Galácia não exigiam somente a circuncisão para a salvação
mas, provavelmente, também a adoção de toda a lei, incluindo a lei sobre os
alimentos e os festivais religiosos.
4.12 Sede qual eu sou; pois também eu sou como
vós. Para levar o evangelho aos gálatas gentios, Paulo teve de
ultrapassar as restrições legais da lei mosaica que proibia a interação entre
os judeus e gentios (1Co 9.19-23). Paulo tornou-se “como” os gálatas quanto à
liberdade em relação à lei e agora encoraja-os a serem “como” ele é quanto à
liberdade da escravidão legalista.
Em nada me ofendestes. O quadro positivo que Paulo faz do seu
relacionamento anterior com os cristãos da Galácia (mais desenvolvido nos vs.
13-16) contém um apelo implícito para que as boas relações prossigam. Está evidente em toda essa seção o profundo
interesse de Paulo para com os gálatas.
4.13 por causa de uma enfermidade física. Não se sabe de que enfermidade Paulo sofria.
Alguns sugerem um problema de visão (v. 15; 6.11), mas malária e epilepsia
também já foram sugeridas. Pode haver ou não relação com o que Paulo chamou de
“espinho da carne” (2Co 12.7). Ao que parece, a enfermidade de Paulo fez com
que ele permanecesse mais tempo na Galácia, onde não faltaram oportunidades de
ministério.
4.17 zelo.
Ver 6.12. O zelo deles pode ter
surgido do desejo de evitar a perseguição, movida talvez por nacionalistas
judeus que não eram cristãos, os quais viram no caráter inclusivista do
movimento cristão uma ameaça à sua causa.
4.19,20 Um testemunho emocionante do
profundo sentimento que Paulo nutria para com os que havia conduzido à fé em
Cristo. A ira de Paulo nessa carta (1.6, 9; 3.1; 5.12) não só reflete a seriedade
que atribuía à tarefa de preservar a verdade do evangelho, como também, o amor
por seus “filhos” em Cristo.
4.22 dois filhos.
Ismael, o filho mais velho, nascera de Hagar (Gn 16); Isaque,
o filho mais novo, de Sara (Gn 21.1-6).
Hagar era escrava de Sara.
4.23 Ismael, o filho de Abraão e Hagar, nasceu
depois que Abraão e Sara já haviam perdido as esperanças de terem o filho
prometido por Deus. Sara deu à luz a Isaque por um milagre, muito tempo depois
de terem passado os seus anos férteis.
Deus mostrou que nenhuma das suas promessas fica sem cumprimento (Gn
18.14; Lc 1.37).
4.24 alegóricas. Foram acontecimentos históricos com um
significado mais profundo.
4.25 monte Sinai. O lugar onde Deus estabeleceu sua aliança com
Israel (Êx 19-34).
corresponde à Jerusalém. Quer nos dias de Paulo como em nossos, a
maioria dos judeus permanece, como qualquer descrente, na escravidão ao pecado
e sob a maldição que a aliança do Sinai pronuncia sobre quantos desobedecem
suas exigências.
4.26 Jerusalém lá de cima. Jerusalém era a cidade onde Deus estabelecera
o seu nome, o lugar de sua habitação no meio do seu povo (Sl 78.68,69). A plenitude da habitação de Deus conosco
realizou-se em Cristo, o verdadeiro templo (Jo 2.19). A Jerusalém verdadeira está nos céus, onde
ele está (Hb 12.22; Ap 21.2).
4.30 da livre. Não pertencemos ao pecado como escravos nem
estamos debaixo da maldição da lei (Rm 6.1-7.6).
5.1
jugo. A literatura judaica
da época compara a lei a um jugo ao qual o obediente se submete. Paulo não quer que os seus leitores de origem
gentílica permitam que a lei tome o lugar de Cristo em suas vidas (Mt 11.29; At
15.10). Ver nota teológica “Liberdade
Cristã”, índice.
5.2 Considerar Cristo e circuncisão como
necessários para a salvação é o mesmo que negar a suficiência da morte de
Cristo para a salvação. Para aqueles que
foram libertos em Cristo, submeterem-se à circuncisão para a salvação é
comprometerem-se a fazer o que está completamente fora de seu alcance (2.21) e
rejeitar o que Cristo tem feito por eles.
Isto seria como voltar ao domínio do pecado e à maldição da lei.
5.4
da graça decaístes. Isto é,
estariam renunciando à graça de Deus por não mais depositar sua confiança
nela. Os que foram escolhidos em Cristo
serão guardados de semelhante renúncia do evangelho, em vista do que Paulo
mantém-se confiante de que atenderão à sua advertência (v. 10). Entretanto,
pode haver, dentre os que para nós parecem ser verdadeiros membros de Cristo,
aqueles que abandonarão o evangelho (Rm 11.22; 1Jo 2.19). A Escritura nos admoesta, em vista disso, a
procurarmos “com diligência cada vez
maior, confirmar a vossa vocação e eleição" (2Pe 1.10), vivendo de um modo
que demonstre a realidade da presença do Espírito dentro de nós (5.16-6.10; Hb
10.26, 27; 2Pe 1.5-11).
5.5
esperança da justiça que provém da fé. A firme esperança de
justiça mediante a fé contrasta com a vã esperança de justiça por meio de obras
da lei. O Espírito Santo dá ardente expectativa de justificação no último dia
porque nós já fomos justificados em Cristo (Rm 5.1-5,9,10). Esse mesmo
Espírito, ao conferir-nos os benefícios salvíficos de nosso Senhor ressurreto,
é para nós uma antecipação da completa herança na glória (2Co 5.5; Ef 1.13).
5.6 Paulo não está contestando a circuncisão como
tal (6.15; 1Co 7.19; cf. At 16.3) mas a tentativa de fazer desse rito uma
condição para a salvação. Quem crê em
Jesus Cristo e demonstra a autenticidade de sua fé por meio de uma vida
santificada, está salvo. Ver “Fé e
Obras” em Tg 2.24.
5.11 se ainda prego a circuncisão. Pode ser que Paulo esteja referindo-se à sua
vida antes da conversão ou, talvez, refutando uma falsa acusação dos seus
adversários de que ele pregue a necessidade de circuncisão para a salvação
quando os apóstolos de Jerusalém estão presentes, mas esquece essa exigência
quando está na companhia dos gentios (1.10).
escândalo da cruz. Ver 1Co 1.18-2.5.
5.12 até se mutilassem. Ver referência lateral. A ira de Paulo vem de
ver novos crentes serem desviados. Jesus
disse algumas palavras igualmente fortes para advertir aqueles que ousavam
conduzir outros ao erro (Lc 17.1,2).
5.13 liberdade. Liberdade cristã é liberdade do
pecado, não liberdade para o pecado (Rm 6.1-7.6). Ver “Liberdade e Escravidão da Vontade” em Jr
17.9.
5.14 toda a lei. A carta de Paulo aos Gálatas não anula a lei.
Cristo cumpriu a lei; não a aboliu (Mt 5.17).
Certas partes da lei, tais como as regras sobre os alimentos, não se
aplicam mais na nova aliança, mas os mandamentos morais da lei permanecem como
declarações da vontade de Deus para a conduta cristã (Rm 8.2-8; 13.8-10).
Amarás. Ver Rm 13.10; 1Co 13; cf. Mt 19.19.
5.16 andai no Espírito. A habitação do Espírito Santo naquele que crê
é um sinal de que o mesmo faz parte do povo de Deus e é herdeiro das promessas
da aliança dadas a Abraão (3.14; 4.6; 5.5). A presença do Espírito é também um
sinal de que no dia derradeiro Deus declarará justo aquele que crê (5.5; 2Co
1.22; 5.5).
5.17 a carne. Ver “Santificação: o Espírito e a Carne” em
1Co 6.11. Paulo diz em 6.13 que os agitadores da Galácia queriam circuncidar os
gálatas a fim de gloriarem-se em sua “carne” e, em 2.16, Paulo diz que pela obsevação
da lei “nenhuma carne” (isto é, ninguém) será justificada. Paulo usa o termo "carne" em, pelo
menos, três sentidos. Em um sentido mais
geral, refere-se ao que é humano. Em um outro sentido, refere-se ao corpo
físico. Em um sentido mais específico,
principalmente quando aparece em oposição a “espírito”, refere-se à natureza
humana pecaminosa, que envolve também mente e alma. Se os gálatas abandonam a Cristo e põem sua
confiança na lei, estarão voltando à confiança na carne e, dessa forma, para a
existência debaixo da maldição da lei. Há esperança e advertência nas palavras
de Paulo. Embora os desejos da carne se
oponham ao Espírito, os desejos dados pelo Espírito Santo livram-nos da carne e
da lei.
5.20 porfias... facções. Paulo
relaciona os pecados infames que os legalistas condenariam, mas relaciona em
seguida exatamente os pecados dos quais eles eram culpados (v. 15).
5.21 não herdarão o reino de Deus. Uma das
quatro vezes que essa frase aparece nas cartas paulinas (1Co 6.9,10; 15.50; cf.
Ef 5.5). O que Paulo afirma é que aqueles que não demonstram as virtudes do
Espírito (v. 22) em suas vidas não participarão do reino eterno de Deus.
5.22 fruto do Espírito. Paulo usa a metáfora do fruto para descrever
a conduta do crente em Rm 6.22, Ef 5.9 e Fp 1.11. João Batista, da mesma forma,
proclamou que verdadeiro arrependimento produz ações morais concretas como
"fruto" (Mt 3.8; Lc 3.8). O amor produzido pelo Espírito é como o
amor de Cristo. Esse vai muito além do que os feitos de uma justiça própria
legalista (Lc 10.25-37).
5.24 crucificaram a carne. Ver 2.20; 6.14; Rm 6.6. Para o povo de Cristo, a cruz quebrou o
domínio da lei (2.19) e também o domínio da carne. Pela fé, reconhecem a realidade da sua união
com Cristo em sua morte. Assim, também,
ressuscitaram para uma nova vida no Espírito de Cristo e andam, pois, no
Espírito (Cl 3.1, 3, 5).
6.1
vós... espirituais. Aqueles que
são guiados pelo Espírito (5.25) devem
estender a mão ao crente a quem o pecado enredou, mas devem ser cautelosos
para, ao fazerem isso, não serem igualmente enredados pelo pecado.
6.2
a lei de Cristo. Requer amor
não apenas ao próximo (5.14; Mt 22.39) mas também aos inimigos (Mt 5.43), tendo
o amor de Deus como modelo.
6.4
prove cada um o seu labor.
Paulo exorta os cristãos da Galácia a examinarem-se a si mesmos como
indivíduos perante Deus ao invés de nutrirem falsa confiança com base em
comparações relativas com outros (cf. 2Co 13.5, 6).
gloriar-se unicamente em si. Como Paulo esclarece em seguida, a razão para
alguém “gloriar-se” não deve estar na sua obediência à lei. Enquanto os judaizantes “gloriavam-se” de seu
sucesso na promoção legalista (v. 13), Paulo “gloria-se” somente na cruz de
Cristo (v. 14; cf. 2Co 11.16-12.10).
6.5
fardo. Esse termo, no grego, é diferente daquele que, no v. 2, é
traduzido como "cargas", assinalando uma mudança de metáfora. Paulo encorajava os cristãos a ajudar aos
outros com as "cargas” (v. 2), que
são a luta e a vitória contra as tentações. Aqui, porém, Paulo está dizendo que
não devemos nos tornar orgulhosos julgando-nos melhores que os outros, pois
somente Deus é nosso juiz.
6.10 A igreja tem a responsabilidade de ajudar a
aliviar o sofrimento dos que estão fora de sua comunhão, mas tem especial responsabilidade de ajudar
irmãos e irmãs em Cristo que estejam passando necessidade (1Ts 3.12).
6.11 Paulo ditava, algumas vezes, suas cartas a um
secretário (Rm 16.22) mas geralmente escrevia ele mesmo a conclusão (1Co 16.21;
Cl 4.18; 2Ts 3.17). As “letras grandes” a que se refere talvez
indiquem que a sua vista estava enfraquecida (cf. 4.15).
6.12 circuncidardes. Ver nota em 2.3.
não serem perseguidos. É possível que os advogados da
circuncisão na Galácia estivessem agindo sob pressão de nacionalistas judeus extremadamente
zelosos da Judéia (4.17, nota).
6.14 gloriar-me... na cruz. Para um desenvolvimento mais detalhado desse
conceito, ver 1Co 1.18-2.5.
6.15 circuncisão. Ver nota em 5.6.
nova criatura. A atividade do Espírito Santo na vida dos
crentes reverte os efeitos da queda e produz um povo regenerado (2Co 5.17), que
subseqüentemente ocupará o lugar que lhes pertence no novo céu e na nova terra (Ap 21.1).
6.16 Israel de Deus. Essa locução pode designar o povo de Deus
recentemente constituído, do qual a marca de identificação é o Espírito Santo e
não a circuncisão. Esse povo seria
constituído de gentios e judeus. Mas
também pode referir-se à “plenitude” de Israel, os eleitos da nação judaica por
cuja salvação Paulo estava profundamente preocupado (cf. Rm 9.1-5;
11.12,26,31).
6.17 marcas. O termo grego designa o ferro em brasa
utilizado para marcar um escravo como propriedade de determinado senhor. A mesma palavra também era empregada para
designar a marca que os sacerdotes pagãos traziam para identificar o deus ao
qual serviam. Paulo refere-se, com essa
palavra, às cicatrizes adquiridas em sua atividade missionária (2Co
11.23-25). Essas cicatrizes eram as marcas que Paulo trazia como um
escravo de Cristo (Rm 1.1; Fp 1.1; Tt 1.1).
6.18 Uma conclusão apropriada para a carta em que
Paulo preocupa-se ao máximo com a graça de Deus. Essa bênção resume a esperança de Paulo de
que, entre os gálatas, o evangelho da graça de Deus triunfará.
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sergiovalentin