* 10.1—11.9 O “relato” ou “genealogia” da família de Noé
(2.4, nota) consiste da lista da nações (cap. 10) e da narrativa da torre de
Babel (11.1-9). Cronologicamente, a torre de Babel precede a lista das nações,
pois a lista pressupõe a confusão das línguas (10.5, 17, 20, 31). Duas
perspectivas diferentes, porém complementares estão presentes neste relato: a
lista das nações apresenta as nações como geradas de uma só linha sangüínea, se
multiplicando debaixo da bênção de Deus (9.1), enquanto a narrativa da torre de
Babel apresenta as nações como confundidas por causa do castigo divino
(11.1-9).
* 10.1-32 A disposição tripartida da lista das nações
(vs. 2-5, 6-20, 21-31) reflete a tríplice divisão da humanidade. Setenta
(representando um número grande e completo, cf. Jz 8.30; 2Rs 10.1) nações são
listadas: quatorze de Jafé, trinta de Cam e vinte e seis de Sem. Os de Jafé
migraram para o oeste, os de Cam para o sul e sudoeste e os de Sem para o sul e
sudeste.
Esta lista seletiva não é sempre racial; “filhos de” ou “gerou”
pode se referir a relações políticas, geográficas, sociais ou lingüísticas
(4.20, 21; 10.31). Alguns nomes são pessoais (p.ex., Jafé, Ninrode); outros são
nomes de lugares (p.ex., Sidom, Sabá) ou nomes de povos (p.ex., Ludim,
Caftorim). Alguns pertencem a mais de uma família por causa de casamentos
mistos.
* 10.1
São estas as gerações.
Ver nota em 2.4.
* 10.2
Gômer. Os
cimérios, um povo nômade ao norte do Mar Negro. Mais tarde, eles migraram para
a Ásia Menor. Ver Ez 38.6.
Magogue. Ver Ez
38.2; 39.6; sua identidade é discutível.
Madai. Os medos.
Ver 2Rs 17.6; Jr 51.11; Dn 5.28.
Javã. Os gregos.
Tubal,
Meseque. Localizados na Ásia
Menor central e oriental.
Tiras. Um dos povos do mar da região do mar Egeu.
Talvez possam ser identificados com os etruscos que eventualmente se
estabeleceram na Itália.
10.3 Asquenaz. Provavelmente os citas, mais tarde
desprezados pelos gregos por serem considerados não civilizados (Cl 3.11,
nota).
Rifá. Ver referência lateral. Localizado na Ásia Menor.
Togarma. Possivelmente a área a oeste do alto
Eufrates.
* 10.4 Elisá. Comumente identificado como parte de Chipre
(cf. Ez 27.7).
Társis. Usualmente identificado com Tartessos no sul
da Espanha.
Quitim. Habitantes de Chipre.
Dodanim. Possivelmente ao norte de Tiro. Se “Rodanim”
(referência lateral) for preferido, a referência é provavelmente à ilha grega
de Rodes.
10.5 ilhas das nações. O hebraico aqui é traduzido como “países do
mar” em Is 41.5 e “terras do mar” em Is 42.4. Isaías, talvez recordando Gênesis
9.27 e 10.2, os apresenta como vindo à salvação na era messiânica (9.27, nota).
repartiram
… língua. Uma antecipação de
11.1-9.
* 10.6-20 Os egípcios, babilônios e cananeus, os
vizinhos mais amargos e influentes de Israel, são mencionados nesta lista
(9.25, nota).
* 10.6 Cuxe. A área ao sul do Egito.
Mizraim. O Egito.
Pute. Tradicionalmente identificado como sendo a
Líbia.
* 10.7
filhos de Cuxe. Estas nações
todas provavelmente se localizavam na Arábia.
Havilá. Provavelmente na Arábia. A sua relação com
as localidades mencionadas no v. 29 e 2.11 é incerta.
* 10.8-12 Esta interrupção na genealogia é de
fundamental importância para a história de Israel: explica a origem racial e
espiritual da Assíria e Babilônia que mais tarde viriam a conquistá-los.
* 10.8
Ninrode. Seu nome
significa “nós nos rebelaremos”; tradições judaicas posteriores o identificam
como o construtor da torre de Babel (11.1-9). Este caçador e guerreiro é um
arquétipo do ideal mesopotâmio para um rei.
começou a
ser. Estas expressões semelhantes são usadas para chamar
a atenção para importantes acontecimentos históricos (4.26; 6.1; 9.20; 11.6).
* 10.9 valente. Este título pode ligá-lo aos tiranos em 6.4.
* 10.10 princípio do seu reino. Ver nota em 8.1—12.9. Ninrode, o precursor
dos construtores de cidade e reino, marca o começo da procura do homem
pósdiluviano por domínio e autonomia, contra Deus (4.17, nota; 11.4-6).
Babel. Os babilônios, infames destruidores de Judá.
Ereque. Uma das cidades mais antigas conhecidas,
Ereque (ou Uruque; Warka moderna) era uma importante cidade localizada no rio
Eufrates. Habitantes desta região foram mais tarde deportados para Samaria
pelos assírios (Ed 4.9, 10).
Acade. Embora fosse a cidade do famoso rei Sargão
de Acade (c. 2350-2295 a.C), nunca foi localizada.
Calné. Não a Calné de Amós 6.2; este lugar nunca
foi identificado.
Sinear. A região da Babilônia.
* 10.11 Assíria. Uma das nações mais cruéis da história
antiga, a Assíria foi o infame destruidor do Reino do Norte de Israel (cf. Mq
5.5, 6).
Calá. Localizada na moderna Ninrude, onde os rios
Tigre e Zab se encontram.
* 10.12 Resém. A localização é incerta.
a grande
cidade. Provavelmente Nínive
(Jn 3.2, 3).
* 10.13 Mizraim. Egito, o infame lugar da escravidão de
Israel.
Ludim. Os ludim provavelmente viveram perto do
Egito. Ver v. 22.
Anamim. Estes descendentes do Egito não foram
identificados com precisão.
Leabim. Geralmente tido como uma variante de “Lubim”,
os líbios.
Naftuim. Provavelmente habitantes da região do delta
do Nilo ou baixo Egito.
* 10.14 Patrusim. Habitantes de Patros no alto Egito ou ao
sul.
Casluim. Sua identificação é incerta.
filisteus. Não uma das setenta nações, mas mencionada
parenteticamente como outro inimigo amargo de Israel. Os filisteus, um dos
povos do mar, vieram ao Egito através de Creta (Caftor, Am 9.7), antes de
habitarem na Palestina. A conexão com o Egito aqui é aparentemente geográfica
ao invés de genealógica (cap. 10, nota).
Caftorim. Habitantes de Creta.
* 10.15-19 A área de Canaã, o povo amaldiçoado (9.25 e
nota), se estende do sudoeste da moderna Síria até Gaza (Nm 34).
* 10.15 Hete.
Seus descendentes são chamados às vezes de “heteus”. Como é evidente
aqui, estes heteus eram contados entre os cananeus, e a relação entre os heteus
mencionados no Antigo Testamento (23.3-20; 26.34; 27.46; 1Sm 26.6; 2Sm 11.3),
cujos nomes parecem ser semíticos ao invés de heteus, e o grande império heteu
da Ásia Menor é debatida.
* 10.16
jebuseus. Uma das
nações cananéias desapossadas por Israel. Sua cidade era Jerusalém, que foi
definitivamente conquistada por Davi (2Sm 5.6-9).
amorreus. O Antigo Testamento usa este termo de forma
vaga, às vezes se referindo aos habitantes pagãos da Palestina em geral (15.16;
Js 10.5) e às vezes ao povo palestino das regiões montanhosas (Nm 13.29).
Algumas das dinastias mais famosas da Babilônia, incluindo a de Hamurabi,
provinham do grupo semítico ocidental.
girgaseus. Ver
15.21; Dt 7.1, nota; Js 3.10.
* 10.17 heveus. Os heveus viviam no Líbano e na Síria (Js
11.3; Jz 3.3) e também na área de Siquém e Gibeão (Gn 34.2; Js 9.1, 7).
arqueus. Habitantes de Arquate, identificada como a
moderna Tell Arqah, localizada 19,5 km a
noroeste de Trípoli.
sineus. Habitantes de uma cidade fenícia costeira
perto de Arqa.
10.18 arvadeus. Este grupo vivia numa ilha, hoje chamada
Ruad, 80 km ao norte de Biblos (Gebal).
zemareus. Este grupo não foi identificado.
hamateus. Habitantes da cidade de Hamate (hoje Hama),
localizada no rio Orontes (Nm 34.8; Js 13.5; 2Sm 8.9, 10).
espalharam. Ver nota em 10.1–11.9.
* 10.19 Gerar. Hoje a cidade de Tell Abu Hureira, 17km a
sudeste de Gaza. Ver caps. 20, 21 e 26.
Sodoma …
Zeboim. Ver caps. 13, 14, 18
e 19.
Lasa. Sua identidade é incerta.
* 10.21—31 A linhagem eleita de Sem é apresentada por
último (9.26, nota) e coincide parcialmente com a linhagem mais específica do
eleito Héber (v. 21) em 11.10—26.
* 10.21 pai de todos. Ou ancestral de todos (cf. 5.3—32, nota). O
termo hebraico para “pai” era usado para ancestrais mais remotos (28.13). Sem
foi o tataravô de Héber (10.24; 11.10-14).
Héber. A palavra “hebreu” provavelmente vem deste
nome (cf. 14.13, nota). Ele é o herdeiro
da bênção de Deus sobre Sem, assim como Canaã, filho de Cam, foi o alvo da
maldição de Noé. Alguns estudiosos identificam Héber com Ebrum, um antigo rei
de Ebla (c. 2300 a.C.).
e irmão
mais velho de Jafé. Ver
referência lateral. Por causa da dificuldade de tradução, é incerto saber se
Sem ou Jafé é o mais velho. Cam era provavelmente o mais novo (9.24). Supondo
que a presente tradução é correta, Moisés enfatiza aqui a posição de
primogênito de Sem, a despeito do fato de sua genealogia ser apresentada por
último.
* 10.22 Elão. Ver 14.1, 9; Is 11.11; Ed 4.9.
Assur. Um ancestral dos assírios. Embora fossem um
povo misturado (cf. v. 11) os assírios eram predominantemente semíticos.
Arfaxade. O terceiro filho de Sem e o primeiro a
nascer depois do dilúvio (11.10), ele foi o ancestral de muitas tribos
semíticas, incluindo os hebreus (cf. Lc
3.36).
Lude. Cf. v. 13. Talvez os lídios da Ásia Menor
(Is 66.19; Ez 27.10).
Arã. Os patriarcas tinham relações próximas com
os arameus (ver 25.20; 31.20; Dt 26.5).
* 10.23 filhos
de Arã. Pouco se sabe a
respeito deste grupo.
* 10.24, 25a Estes versos são expandidos em 11.12-17.
* 10.24 Arfaxade gerou a Salá. A Septuaginta (o Antigo Testamento Grego)
acrescenta Cainã entre Arfaxade e Salá; este nome adicional se encontra na
linhagem de Jesus (Lc 3.36).
* 10.25 Pelegue. Ver referência lateral. Este nome, que
provém do termo hebraico “separar” ou “dividir”, provavelmente profetizava a
dispersão das nações em Babel. Ver Sl 55.9, onde o mesmo termo hebraico é usado
na expressão “confunde os seus conselhos”.
* 10.29 Ofir.
Uma região, talvez na Arábia, conhecida por seu ouro puro (1Rs 9.28; Jó
22.24).
Havilá. Ver nota no v. 7.
* 10.30 desde Messa… para Sefar. Embora estes lugares não sejam
identificados, os nomes dos filhos de Joctã indicam um local no sul da Arábia.
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sergiovalentin