*           2.1   A declaração conclusiva sublinha o fato de que o Criador executou perfeitamente a sua vontade (v. 31).

 

*           2.2   Deus terminado … descansou.   O ciclo da criação foi completado no sexto dia e Deus descansou no sétimo, provendo o homem de um modelo para o ciclo de trabalho e descanso. Não é feita nenhuma menção da “tarde e manhã,” talvez porque a ordenança do sábado continua e o homem é exortado a participar dela (Êx 31.17), e a antegozar o descanso do sábado eterno redentivo (Hb 4.3-10).

 

*           2.3   e o santificou.   O sétimo dia é o primeiro elemento na Torá ao qual Deus outorga sua santidade e o separa para si mesmo (Êx 20.11). Este ato convoca a humanidade a imitar o padrão do Rei e assim confessar o senhorio de Deus e sua consagração a ele. Este sinal da aliança com Deus (Êx 31.13, 17) e tipo de Cristo (Cl 2.16, 17) promete descanso divino agora e eternamente (Mt 11.28).

 

*           2.4—4.26   A narrativa de Moisés passa de um prólogo a respeito da criação dos céus e da terra para o relato (2.4 nota e referência lateral) dos céus e terra. Moisés trata acerca da criação e da provação de Adão e Eva no Paraíso (2.4-25), sua queda no pecado e as conseqüências (cap. 3), a escalada do pecado na linha ímpia de Caim (4.1-24), e a preservação de um remanescente piedoso na linha de Sete (4.25, 26).

 

*           2.4—3.24   Esta história apresenta a queda de Adão e Eva da inocência ao pecado.  Embora sejam personagens históricos (1Cr 1.1; Mt 19.5; Lc 3.23-38; Rm 5.12-14; 1Co 15.45), Adão e Eva também representam cada homem e mulher (2.24; 3.16-19; Mt 19.4-6). O principal protagonista é Deus: Ele forma o homem (v. 7; Jó 10.8-12), planta o jardim (Sl 87.1; Mt 16.18), soberanamente coloca o homem nele (v. 15; Ef 1.3-14), ordena a sua vida (vs. 16, 17; Sl 31.15), lhe dá uma esposa (vs. 18-25; Mt 19.6), julga os primeiros pais pelo seu pecado e os restaura (cap. 3; Hb 9.27, 28).

 

*           2.4   Esta é a gênese. Esta palavra hebraica (toledot), às vezes traduzida como “as gerações de” ou “a genealogia de”, introduz os principais novos acontecimentos da narrativa de Gênesis (5.1; 6.9; 10.1; 11.10, 27; 25.12, 19; 36.1; 37.2). Esta “gênese dos céus e da terra” diz mais respeito ao que se segue — o que o universo gerou — do que ao relato anterior da geração ou criação da terra.

 

SENHOR Deus.   Normalmente estes nomes para Deus são isolados: “Deus” para representá-lo como o Criador Soberano de todas as coisas, e “SENHOR” para representar seu particular compromisso na aliança para com Israel (Êx 3.14, 15). Aqui eles estão combinados para ressaltar que o Deus Criador é também o Deus da aliança com Israel.

 

*           2.5   nenhuma planta … nenhuma erva do campo. Plantas não comestíveis, tais quais espinhos (3.18), e grãos cultivados (3.17), respectivamente. Por causa do papel crucial do jardim, das árvores e do solo amaldiçoado, esta introdução à narrativa da queda tem o seu foco sobre as plantas e não os animais.

 

*          2.7       Ver a nota teológica “Corpo e Alma, Homem e Mulher”, índice.

 

formou.   Esta figura de um oleiro representa a atividade de Deus em moldar a cada pessoa (Jó 10.8-12).

 

ao homem … da terra.   O jogo de palavras no hebraico “homem” (hebraico ’adam) e “terra” (hebraico ’adamah), demonstra a conexão próxima do homem com o solo (2.5. 15; 3.19), e reflete o ensino posterior de Paulo de que o primeiro Adão foi formado corpo natural para uma existência terrena. O celestial Filho do Homem (Dn 7.13) compartilhou desse estado terreno para assegurar ao homem caído um corpo espiritual de glória imperecível na ressurreição dos redimidos (1Co 15.42-49).

 

soprou.   Esta figura de linguagem representa a atividade criadora do Espírito (Sl 104.30; Ez 37.1-10, 14).

 

alma vivente.   O hebraico aqui é traduzido como “seres viventes” em 2.19. Observe que o texto não diz “um ser vivente se tornou homem” — o homem não é formado de vida preexistente. O homem é diferenciado dos animais por levar em si a imagem de Deus (1.26 e notas), e este mostra sua autoridade sobre os animais ao lhes dar nomes (vs. 19, 20).

 

*           2.8-17   O relato da provação do homem começa na sua criação (v. 7). O palco para este drama é o paradisíaco Jardim do Éden (vs. 8-14), enquanto a trama consistia de eventos durante a provação que testavam a obediência do homem para com suas obrigações pactuais (vs. 15-17). Neste acordo pactual Deus graciosamente oferece vida à humanidade enquanto exige obediência aos seus mandamentos. O primeiro Adão, representando toda a humanidade, deixou de obedecer e trouxe morte sobre todos. A obediência ativa do Último Adão, Cristo, representando os eleitos, satisfaz as exigências de Deus e ganha para eles vida eterna (Rm 5.12-19; 1Co 15.45-49).

 

*           2.8-14   O Criador, provendo o homem com toda sorte de bênçãos, impôs sobre ele as reivindicações do amor de Deus e tornou sua rebelião indesculpável (Rm 1.20). A humanidade foi criada para ter comunhão com Deus no jardim; sua expulsão daquele paraíso não é natural.

 

*           2.8   jardim.   Um santuário onde Deus convida a humanidade a gozar de comunhão e paz com ele. Querubins protegem a santidade do jardim (3.24 e nota; Êx 26.1; 2Cr 3.7) de forma que o pecado e a morte serão excluídas (3.23; Ap 21.8). Fé e obediência são pré-requisitos para se viver neste lugar de comunhão especial com Deus.

 

Oriente.   Nos tempos bíblicos o leste (aqui traduzido como Oriente), onde o sol nasce, representava vida e luz (3.24 e nota).

 

Éden.   A origem do termo Éden é debatida; pode se derivar de um termo acádio que significa “plano” ou “campina”, ou do termo hebraico que significa “prazer” ou “deleite” (da qual vem a associação de Éden com o termo “paraíso”). Éden era aparentemente a região na qual o jardim se situava (v. 10).  A menção da Assíria e dos rios Tigre e Eufrates (v. 14 e referências laterais) indicam uma locação ao leste da Palestina na Mesopotâmia.

 

*           2.9   toda sorte de árvores … alimento. A vida no jardim é apresentada como uma mesa de banquete.

 

árvore da vida.   Esta árvore representa a vida no seu mais alto potencial — vida eterna. Ela só é disponível àqueles que entram novamente no jardim através do Segundo Adão (3.22; Ap 22.14). A contrapartida do fruto doador de vida desta árvore no Novo Testamento é encontrada na participação do Cristo doador da vida (Jo 6.53-56).

 

árvore do conhecimento do bem e do mal.   Bem e mal, um par de opostos como céu e terra (1.1) é uma figura de linguagem para um conhecimento potencialmente ilimitado. É uma árvore boa (3.22) mas o homem não deve tomar do seu fruto. O tomar ilícito deste fruto envolvia a declaração da autonomia humana, a tentativa de conhecer todas as coisas à parte de Deus. O homem deve viver pela fé na palavra de Deus e não por um professo conhecimento auto-suficiente (Dt 8.3; Ez 28.6, 15-17). A lei faz sábio o símplice (Sl 19.7-9).

 

*           2.10   um rio.   O local deste rio é desconhecido nos tempos atuais. O Tigre e o Eufrates não têm uma fonte única, mas alguns traduzem este verso como um rio que é formado pela confluência de quatro rios (ao invés de separar-se em quatro ramos).

Este rio nos lembra da fonte de água viva, a fonte espiritual de vida, que flui do trono do Deus vivo (Sl 36.8; Jr 17.13; Ez 47.1-12; Ap 22.1). Jesus também usou o símbolo da água viva ao descrever as bênçãos da salvação (Jo 4.14; 7.37-39).

 

*           2.11-13   A identidade dos rios Pisom e Giom é incerta.

 

*          2.11     Havilá.   Provavelmente localizada na Arábia (10.7, 29; 25.18; 1Sm 15.7).

 

*           2.15   cultivar e o guardar.   O homem devia encontrar realização, não em uma vida de ócio, mas numa vida de trabalho recompensador em obediência à ordem de Deus. O hebraico por trás deste último termo (também em 3.24) tem a idéia de proteger contra inimigos.

 

*          2.16     deu esta ordem.   As primeiras palavras de Deus para o homem tomam por certo sua habilidade de escolher, sua capacidade moral, e sua responsabilidade.

 

*           2.17   não comerás.   Esta única exclusão, uma exceção ao domínio do homem sobre a criação (1.29), confrontava-o com o domínio do Criador sobre ele.

 

*           2.18-25   A dádiva da primeira noiva apresenta o casamento antes da Queda e assim provê o fundamento para as leis contra o adultério (Êx 20.14; Hb 13.4), um modelo para o casamento, a base para o governo no lar e na igreja (1Co 11.3-12; 1Tm 2.12, 13), assim como um tipo do relacionamento entre Cristo e a sua igreja (Ef 5.22-32). O foco em 1.26, 27 é na sua sexualidade como homem e mulher; aqui, o seu relacionamento social como marido e esposa. Ver “Corpo e Alma, Homem e Mulher”, índice.

 

*           2.18   Não é bom.   Ver 1.4 e nota. O homem precisa de companhia na terra. No Antigo Testamento a pessoa mais santificada, o sumo sacerdote, se casa (Lv 21.13), e o Nazireu, separado de forma exclusiva para Deus, não é celibatário (Nm 6.1-4). O abstenção do casamento legal nunca é ordenada nas Escrituras (cf. 1Tm 4.3), embora a alguns seja dado o dom do celibato para serviço (1Co 7.7).

 

auxiliadora.   O homem foi formado primeiro, dando-lhe prioridade social, e a mulher mais tarde lhe foi dada como uma auxiliadora (1Co 11.3-12; 1Tm 2.10). A palavra “auxiliadora” implica a inadequação do homem, não a inferioridade da mulher, mesmo porque ela é comumente usada geralmente para Deus.

 

que lhe seja idônea.   A expressão assume um relacionamento de complementaridade; o que falta a ele, ela supre, e vice versa. Ambos compartilham da imagem de Deus (1.26, 27).

 

*           2.19, 20   Adão está sendo preparado para a dádiva de Deus, Eva, ao tornar-se consciente da sua solidão e falta de companhia.

 

*           2.19   e o nome que … desse.   Ver 1.5 e nota. O portador da imagem de Deus cumpre agora o mandato cultural (1.26 e nota). A posição dos homens é um pouco mais baixa do que a dos seres celestiais e mais alta do que a dos animais (Sl 8.5).

 

*           2.20-25   Ver “Casamento e Divórcio”, índice.

 

*           2.21   uma das suas costelas.   Ou, “do seu lado.” A mulher é derivada do homem, dando a ele prioridade dentro da instituição do casamento (1Co 11.3, 8) e ressaltando a harmonia e intimidade que devem caracterizar o relacionamento dos casados (v. 22; Ef 5.28).

 

2.23   Esta … varão.   O primeiro poema do homem, sua única frase registrada antes da Queda, celebra o parentesco e companhia de sua esposa.

 

chamar-se-á.   O fato de ele dar nome duas vezes a ela implica a sua autoridade no lar (3:20; cf. Nm 30.6-8). Nos tempos antigos a autoridade para dar nome implicava a autoridade de governar (v. 19; 1.5 e notas).

 

*           2.24   deixa.   No casamento as prioridades de um homem mudam. As obrigações para com sua esposa tomam precedência.

 

se une.   Esta é a linguagem de compromisso do pacto. Não há momento em que os seres humanos sejam mais semelhantes ao Deus mantenedor do pacto do que quando estes entram em aliança uns com os outros. O casamento retrata o relacionamento de Deus com o seu povo (Os 2.14-23; Ef 5.22-32).

 

uma só carne.   A expressão indica a profunda solidariedade no relacionamento de casados. O compromisso singular e total envolvido implica que Deus pretendia que o casamento fosse monógamo.

 

*           2.25   não se envergonhavam.   Esta declaração não idealiza o nudismo, mas mostra por que os seres humanos devem usar roupas. Com a Queda veio a trágica perda da inocência (junto com a vergonha resultante). Quando a mente das pessoas é iluminada pelo evangelho, elas entendem sua fragilidade moral e se vestem com roupas que as protegem contra a tentação sexual.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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