* 3.1-24 Os guardiães do santuário (2.15 nota) são
agora testados quanto à sua fidelidade ao seu Rei. O teste é administrado sob
um pacto de obras: a obediência lhes dá direito à vida com Deus; a
desobediência resulta em morte. O fracasso deles indica a sua necessidade de
justificação e santificação através do cumprimento de Cristo do pacto da graça.
* 3.1
a serpente. No mundo
bíblico as cobras simbolizavam, de modo variado, a vida, a sabedoria, e o caos;
o deus do caos é as vezes assemelhado a uma cobra (Jó 26.12, 13; Is 27.1). Esta
serpente é uma encarnação de Satanás, o Adversário. Ver v. 15, nota; “Satanás”,
índice.
mais sagaz. A opção feita por Satanás dessa forma física
era um instrumento oportuno para sua malévola inteligência (cf. 2Co 11.13-15).
Suas palavras devem ser cuidadosamente escrutinadas. Ele só pode ser resistido
com a ajuda da esplêndida armadura de Deus (Mt 4.1-11; Ef 6.10-20).
mulher. Satanás subverte a instituição do casamento
ao deixar de lado o homem, tentando a mulher para usurpar sua autoridade (1Tm
2.12, 14). Mesmo assim, o marido é tido por culpado porque a obedeceu (vs. 9,
17).
* 3.2-5 A serpente tenta Eva ao: enfatizar a
proibição de Deus, e não a sua provisão; reduzir a ordem de Deus a uma
pergunta; lançar dúvida quanto à sinceridade de Deus e difamar os seus motivos;
e negar a realidade da sua ameaça. A mulher gradualmente dá lugar às negações e
meias-verdades de Satanás ao menosprezar os seus próprios privilégios,
aumentando a proibição (“nem tocareis nele,” v. 3) e minimizando a ameaça (v.
6).
* 3.5 do
bem e do mal. Ver 2.9 e nota.
* 3.6 O pecado é essencialmente a
falha do homem em confiar em Deus, um ato ou estado de descrença, uma afirmação
de autonomia (2.9 e nota). A verdadeira religião consiste na comunhão com Deus
baseada em confiança que leva a obediência (Jo 14.15). Ver a nota teológica “A
Queda”, índice.
árvore …
entendimento. A decisão da mulher
foi baseada em valores práticos, apreciação estética e gratificação
intelectual.
tomou-lhe
do fruto. Neste ato, ela
selou uma aliança com o príncipe da morte e das trevas. A eleição amorosa de
Deus e o plano da redenção são sua única esperança (v. 15 e notas).
e ele
comeu. O homem se torna um
rebelde: rodeado de motivos suficientes para confiar e obedecer a Deus, ele
escolhe a desobediência contra Deus (6.5; 8.21). A salvação depende totalmente
do Senhor, não do rebelde. Por indicação de Deus Adão representava toda a raça
como sendo seu cabeça e trouxe morte sobre todos (Rm 5.12-19). Ele também
representa, como modelo e protótipo, a hostilidade da humanidade contra Deus
(2.4—3.24 e nota).
* 3.7-11 A sua morte espiritual (2.17 e nota) é
mostrada por sua alienação mútua, simbolizada no coser as folhas de figueira
para se cobrirem, e sua separação de Deus é expressa em se esconderem por entre
as árvores.
* 3.7
nus. A nudez no Antigo
Testamento sugere fraqueza, necessidade e humilhação (Dt 28.48; Jó 1.21; Is
58.7). A palavra hebraica para “nus” soa como a palavra “sagaz” em 3.1. A
intimidade do casamento é despedaçada (cf. 2.21, 24 e notas); a confiança é
substituída pela desconfiança. A primeira experiência de culpa foi expressa em
termos de tomar consciência da nudez. A redenção está ligada à provisão de Deus
de algo para cobrir o pecado humano (v. 21 e notas; cf. Êx 25.17 e nota).
* 3.8
esconderam-se. Suas
consciências os condenavam, eles se retraíram da intimidade com Deus que
anteriormente gozavam no jardim (Rm 2.12-16). Sua expulsão do mesmo condiz com
suas atitudes e ações.
* 3.9
Onde. Embora onisciente,
Deus ajusta a sua linguagem às limitações humanas. Aqui a pergunta os induz a
vir a ele (cf. 4.9; 11.5).
* 3.10
Ouvi a tua voz. Ironicamente,
a palavra traduzida como “ouvi” é também a palavra para “obedeci” —
precisamente o que Adão não fez.
* 3.11
Quem. Ver nota em 11.5. As
perguntas (v.13) incitaram-nos a confessar sua culpa. Deus não faz perguntas a
Satanás, simplesmente o destina a julgamento (v.14).
* 3.12, 13 Eles mostram sua fidelidade a Satanás ao
distorcer a verdade, acusando um ao outro, e finalmente acusando a Deus (cf. Tg
1.13). Seus esforços para esconder seu pecado apenas o expõe.
* 3.13 enganou. Esta palavra sublinha o ensinamento de Paulo
em 1Tm 2.12, 14.
* 3.14-20 O pesado juízo de Deus sobre Satanás (vs.
14-15), a mulher (v. 16), e o homem (vs. 17-19), ainda inclui a promessa de
salvação para o povo de Deus (v. 15).
* 3.14, 15 A linguagem aqui tem uma referência dupla,
referindo-se tanto à serpente quanto a Satanás.
* 3.14
maldita. Maldita, o
oposto de abençoada (1.22 e nota), denota a quebra dos poderes da serpente.
comerás pó
todos os dias. Pó é o símbolo de
humilhação abjeta (Sl 44.25; 72.9), uma indignidade que dura para sempre. A
derrota final de Satanás sob o calcanhar do Messias (v. 15) é retardada para
que o programa de redenção de Deus através do descendente prometido da mulher
pudesse ser realizado.
* 3.15
Porei inimizade. Deus
graciosamente converte a afeição depravada da mulher por Satanás para si mesmo.
a tua
descendência e o seu descendente.
A humanidade é agora convertida em duas comunidades: os remidos, que
amam a Deus, e os réprobos, que amam a si mesmos (Jo 8.33, 44; 1Jo 3.8). A
divisão é imediatamente expressa na hostilidade de Caim contra Abel (cap.
4). Esta profecia encontra seu
cumprimento no triunfo do Segundo Adão, e da comunidade unida a ele, sobre as
forças do pecado, morte e o mal (Dn 7.13, 14; Rm 5.12-19; 16.20; 1Co 15.45-49;
Hb 2.14, 15).
ferirá ...
ferirás. Antes da sua
gloriosa vitória, o Descendente da mulher deve sofrer para conquistar a nova
comunidade do domínio da serpente (Is 53.12; Lc 24.26, 46; 2Co 1. 5-7; Cl 1.24;
1Pe 1.11).
cabeça ...
calcanhar. O sofrimento de
Cristo é vitorioso. Ele já alcançou a vitória na cruz, provendo expiação para
os santos (Cl 2.13-15) e o consumará na sua segunda vinda (2Ts 1.5-10).
* 3.16-19 A mulher é frustrada no seu relacionamento
natural dentro do lar: um parto doloroso para ter filhos e a subordinação ao
seu marido. O homem é frustrado na sua atividade para prover alimento. Cada um
experimenta a dor nestes reveses.
* 3.16
em meio a dores darás a luz.
A dor é experimentada até num momento de grande realização para a
mulher. Ainda assim, no seu papel de dar a luz e criar os filhos da promessa em
Cristo Jesus, a mulher é privilegiada em participar do plano de Deus em criar
um povo para si mesmo (v. 15; cf. 1 Tm 2.15).
desejo. A expressão “e ele te governará” e as
palavras paralelas em 4.7 sugerem que o desejo da mulher é o de dominar. A
ordenança do casamento continua, mas é frustrada na batalha entre os sexos.
ele te
governará. A harmonia, intimidade
e a complementaridade do relacionamento marital antes da queda (2.21-24 e
notas) são corrompidos pelo pecado, e distorcidos pelo domínio e submissão
forçada. A restauração destes relacionamentos se dá através da nova vida em
Cristo (Ef 5.22-23).
* 3.17
terra. O relacionamento
natural do homem com a terra, dominando sobre a mesma, é revertido; ao invés de
se submeter a ele, esta o resiste e finalmente o engole (2.7 e nota). A terra,
frustrada por ter sido designada pelo Criador à desarmonia, espera por
restauração (Rm 8.20-22).
em fadigas. O trabalho em si é uma bênção porque o
trabalho do homem reflete a atividade do Deus que trabalha (2.2, nota). Porém,
o objeto do trabalho do homem, a terra, é maldita e se torna uma fonte de
frustração.
* 3.19 tu
és pó. O corpo terreno do
homem torna a morte física possível.
ao pó
tornarás. A morte física é ao
mesmo tempo julgamento e bênção. Ela torna toda a atividade vã, porém ela livra
o redimido da frustração terrena e abre o caminho para uma salvação eterna, que
perdura além do sepulcro (Sl 73.24; Pv 14.32).
* 3.20 E
deu … o nome. Ver 1.5, 2.23 e
notas.
mãe de
todos os seres humanos. A escolha por
Adão do nome de Eva demonstra a sua fé na promessa de Deus de que a mulher
daria luz a filhos, incluindo o Descendente que derrotaria a Satanás.
* 3.21
vestimenta de peles. As “cintas”
de folha de figo do v. 7 eram somente para os quadris. As “vestimentas”
duráveis de Deus se contrastam com a tentativa inadequada de Adão e Eva de
encobrir sua vergonha. A provisão de Deus também implicava a morte de um
animal, talvez sugerindo um sacrifício pelo pecado (3.7 nota; Lv 17.11).
* 3.22 nós. Ver nota em 1.26.
viva
eternamente. Adão e Eva são
protegidos de uma eterna escravidão ao pecado e desgraça que resultaria se eles
comessem da árvore da vida (v. 19 e nota).
3.24 expulso. Deus purifica o seu jardim templo (2.8,
nota; cf. Lc 10.18; Jo 2.12-17; Ap 21.27).
oriente. Ver 2.8 e nota. O tabernáculo de Israel e
também o templo, como as catedrais medievais eram voltadas para o oriente.
querubins. Estes seres celestiais resguardam a
santidade de Deus, proibindo que os pecadores tenham acesso a ele (Êx 25.18;
2Cr 3.7).
para
guardar. O vindouro Adão
celestial, que carrega sobre si a maldição da fadiga, suor, espinhos, conflito,
morte no madeiro e desce ao pó, vai reaver o jardim, rasgando o véu do templo
no qual os querubins eram costurados (2.8 e nota; Êx 26.1; Mt 27.51; Hb 6.19; 9.3;
Ap 21.1-3, 14). A espada flamejante é a primeira arma de governo ou de coação à
lei.
-----------------------------------------------------------------------------
sergiovalentin