* 8.1—12.9 O relato da história pós-diluviana espelha o
período pré-diluviano: a criação sai das águas escuras (1.1—2.3; cf. 8.1—9.16),
a condição depravada dos seres humanos fundadores, Adão e Noé (3.1-14; cf.
9.18-23); a divisão dos filhos dos fundadores entre linhagens eleitas e
réprobas (cap. 4; cf. 9.24-27); os tiranos réprobos construindo uma cidade e
fazendo célebre o seu nome, Caim e Ninrode (4.17-24; cf. 10.8-12; 11.1-9); a
preservação de uma linhagem piedosa (5.1-32; cf. 11.10-26) e de um agente fiel
de bênção no mundo caído (6.1-9; cf. 11.27—12.9). O julgamento paralelo sobre
os réprobos (6.9—7.24) virá com severo julgamento e a introdução do novo céu e
da nova terra (2Pe 3.13-17; Ap 21.1).
* 8.1
Lembrou-se Deus de Noé.
A expressão hebraica indica ação baseada em um compromisso prévio (9.15;
19.29; 30.22; Êx 2.24; 6.5; Lc 1.72, 73), não uma mera lembrança.
vento. A palavra hebraica aqui é a mesma para
“Espírito” em 1.2, e relembra o relato original da Criação e introduz o
primeiro ato re-criativo de Deus, renovando a terra das águas (8.1—12.9, nota).
Atos re-criativos sucessivos espelhando a criação original se seguem: o
ajuntamento das águas (vs. 2-5; cf. 1.6-9), a colocação dos pássaros nos céus
(vs. 6-12; cf. 1.20-23), o estabelecimento da terra seca (v.13; cf. 1.9-12), o
aparecimento de animais e seres humanos sobre a terra para se multiplicar (vs.
16-19; cf. 1.24-27), e a bênção divina (9.1-3; cf. 1.28-30).
* 8.4
as montanhas de Ararate. Na antiga área de Urartu (2Rs
19.37), agora parte do nordeste da Turquia e Armênia.
* 8.6
quarenta. Ver nota em
7.4.
* 8.16
Sai. Posto que o dilúvio
foi uma prefiguração do batismo cristão (1Pe 3.20, 21), a saída de Noé e sua
família da arca pode ser tida como seu surgimento das águas da morte para uma
nova vida (cf. Jo 5.28, 29; 11.43; Rm 6.3-6). Eles prefiguram a nova humanidade
que prevalece sobre o mal (Ap 21.7).
teus
filhos. Ver 6.18 e nota.
* 8.18
Saiu... Noé. Ver nota em
6.22.
* 8.20—9.17 A aliança com Noé é estabelecida. Embora Noé
já estivesse num relacionamento pactual com Deus (6.18, nota), o Senhor
graciosamente promete com um juramento pactual solene nunca mais destruir a
terra com dilúvio. Assim como nas outras alianças bíblicas, a promessa da
aliança (8.21, 22; 9.11) é acompanhada pelos mandatos ou estipulações da
aliança (9.1-7) e a apresentação de um sinal da aliança (9.12-17).
* 8.20
altar… holocaustos.
Significativamente, o primeiro ato de Noé depois de sair da arca foi o
de adorar a Deus. Embora sejam mencionados aqui pela primeira vez, estes
aspectos do sistema sacrificial são pressupostos (7.2, nota). O holocausto
significava dedicação a Deus e propiciação pelo pecado (v. 21, nota; Lv 1.4;
6.8-13).
limpos. Ver nota em 7.22.
* 8.21
suave. Um jogo de palavras
resulta da similaridade entre esta palavra hebraica e o nome de Noé. Esta
referência ao olfato divino antropomorficamente retrata o prazer de Deus na
adoração do seu povo (Ez 20.41; Ef 5.2; cf. 2Co 2.15, 16). Como um sacrifício
propiciatório, o holocausto de Noé acalmou a indignação de Deus contra o pecado
(6.6) e prefigurou a morte de Cristo (Is 53.10). Tendo lhe agradado o
sacrifício do seu servo Noé (cf. 4.4),
Deus resolve nunca mais enviar um dilúvio (cf. 6.6, nota).
amaldiçoar
a terra. Deus não está
retirando a maldição de 3.17, porém está prometendo não mais destruir a terra
por meio de dilúvio (9.11).
porque. O caráter gracioso da aliança com Noé é
sublinhado pela promessa divina, a despeito da presença contínua do pecado
humano que merece julgamento, de nunca mais enviar um dilúvio. Tal graça também
implica a preservação por Deus de Israel (Êx 33.3; 34.9).
nem
tornarei a ferir. A graça de
Deus para com Noé é estendida à humanidade em geral (6.8; 9.12).
* 8.22
Enquanto durar a terra.
Esta expressão qualifica “nem tornarei” no v. 21. Deus preservará a
terra até o Juízo Final (2Pe 3.7, 13); a ordem terrena não será encerrada
prematuramente.
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sergiovalentin