*           9.1   Abençoou.   A terceira vez que Deus abençoa os seres humanos (1.28; 5.2) e os ordena a ser frutíferos (1.28; 8.17). As bênçãos de Deus para Noé, de ser fecundo e dominar, se constituem o ato culminante de Deus na renovação da criação (8.1, nota).

 

*           9.2   medo de vós.   A referência ao “medo” sublinha as mudanças com relação a situação antes da Queda, quando o homem era vegetariano (v. 3, nota). Agora o domínio humano sobre a criação inclui a exploração do reino animal para alimentação.

 

*           9.3   Tudo o que se move… tudo.   A dieta humana é expandida e agora inclui carne (1.29, nota), embora o consumo de carne de animais já mortos (Lv 11.40; Dt 14.21) e do sangue (v. 4; Lv 17.10) seja proibido. Ao invés de estar iniciando a prática de comer carne, esta injunção pode estar simplesmente permitindo o que a humanidade pecadora já havia praticado anteriormente. Nenhuma distinção é feita entre puro e impuro, uma situação restaurada sob a Nova Aliança (Mc 7.19; At 10.9-16; 1Tm 4.3-5).

 

*           9.4   sangue, não comereis.   Esta lei representa a conexão simbólica entre o sangue e a vida, um conceito também básico ao sistema sacrificial (Lv 17.11) e ao trabalho expiatório de Cristo (Hb 9.14, 22). Ver Lv 3.17; 7.27; 19.26; Dt 12.16; 1Sm 14.32-34.

 

*           9.5   requererei… requererei... requererei.   O uso tríplice do mesmo verbo no hebraico sublinha o seguinte princípio — a vida humana criada à imagem de Deus é tão valiosa (v. 6) que Deus exige como compensação nada menos do que a vida do assassino. Em última análise, o Senhor é o Vindicador da vida (Sl 9.12; 2Rs 9.26). O assassinato deixa no culpado a sua mancha (Nm 35.33; Sl 106.38) e é expiado pela morte do assassino (v. 6; 1Rs 2.31, 32) ou pela expiação quando o assassino é desconhecido (Dt 21.7-9). Se estas medidas não fossem tomadas o juízo do Senhor viria sobre a Terra (2Sm 21; Dt 19.13; 1Rs 2.9, 31-33).

 

de todo animal.   Ver Êx 21.28, 29.

 

*           9.6   pelo homem.   Ver v. 5; 4.16 e notas. A capacitação dos seres humanos por Deus com esta autoridade judicial mostra que estes permanecem diante de Deus como dominadores (1.26), e lança fundamentos para o governo pelo estado (Rm 13.1-7).

 

imagem.   Ainda que distorcida pelo pecado, a imagem de Deus continua no homem (1.26 e nota; 8.21). Isto explica por que o sangue homicida, em contraste com o sangue animal, precisa ser compensado. Ver “A Imagem de Deus”, índice.

 

*           9.9   estabeleço a minha aliança.   Ver notas em 6.9-22; 8.20—9.17. A promessa de Deus de preservar a terra (8.20-22) é agora confirmada com uma aliança (cf. 12.1-3; cap. 15). Em 6.18 o relacionamento pactual era exclusivamente com Noé (6.18, nota); agora é estendido aos seus descendentes e a toda criação (v.12). Ver “A Aliança da Graça de Deus”, índice.

 

Em um certo sentido, Deus mediou sua misericórdia através de Noé para a criação, e mais tarde através de Moisés para Israel. Logo, Noé e Moisés são tipos subordinados do verdadeiro mediador que virá, Jesus Cristo (Hb 3.1-6).

 

*           9.12   sinal.   As alianças bíblicas são usualmente confirmadas por símbolos visuais; estes incluem a circuncisão na aliança com Abraão (17.11), o sábado com Moisés (Êx 31.13, 17), e a Ceia do Senhor na Nova Aliança (Lc 22.20). A aliança com Davi não requeria um símbolo porque sua descendência era este símbolo visível (2Sm 7.11-16). Geralmente estes sinais já existiam (p.ex., o sábado e a circuncisão), mas receberam um novo significado.

 

*           9.15   lembrarei.  Ver 8.1 e nota.

 

*          9.16     eterna.   Ver nota em 8.22.

 

*           9.18-29.   Esta seção de transição liga a aliança com Noé com a lista de nações no cap. 10 ao dar enfoque aos três filhos de Noé (Introdução: Características e temas).

 

*           9.21   Bebendo do vinho.    As Escrituras vêem o vinho favoravelmente (Nm 15.5-10; Dt 14.26; Sl 104.15; Jo 2.1-11) e ao mesmo tempo advertem sobriamente do seu perigo (Is 5.22; Pv 21.17; 23.20, 21, 29-35; Is 28.7), particularmente no desleixo moral exemplificado pela auto-exposição (Lm 4.21; Hc 2.15). Os nazireus (Nm 6.3, 4), sacerdotes exercendo o ofício (Lv 10.9), e governantes tomando decisões (Pv 31.4, 5) deviam se abster do vinho.

 

embriagou-se.   Assim como Adão, o cabeça original da raça humana, pecou no comer (3.6),  Noé, o cabeça da raça depois do dilúvio, pecou no beber. Os marcantes paralelos entre Adão e Noé (8.1, nota), e o contraste entre o piedoso Noé antes do dilúvio (6.8, 9) e o pecador bêbado depois do mesmo, dirigem o leitor a Deus, e não ao homem, para a salvação.

 

se pôs nu.   A exposição da nudez é desmoralizante publicamente (2Sm 6.16) e incompatível com uma vida na presença de Deus (Êx 20.26; Cf. Dt 23.12-14).

 

*           9.22     vendo a nudez do pai.   Fitar a nudez alheia, com lascívia ou desdém, é moralmente errado. Ver notas em 2.25; 3.7. O olhar malicioso e desdenhoso de Cam a seu pai, a quem ele deveria ter reverenciado, era particularmente repreensível (Êx 21.15, 17; Dt 21.18-21; Mc 7.10).

 

fê-lo saber.   Se já é errado divulgar o pecado de outrém (Pv 10.12b; 17.9), muito mais ainda o do próprio pai. A história condena, ainda, a falta de respeito aos pais.

 

*           9.24-27   Esta divisão da humanidade é paralela ao cap. 4 (8.1—12.9, nota).

 

*           9.25   Maldito.   Os cananeus sucederam os cainitas como povo amaldiçoado (4.11 e nota).

 

Canaã.   Visto que as maldições e bênçãos sobre os três filhos tinham em mira os seus descendentes, não é estranho que a maldição fosse sobre seu filho e não sobre o próprio Cam (vs. 18,22), especialmente porque Deus já havia abençoado a Cam (9.1). Como Cam, o filho mais novo de Noé, agiu errado para com seu pai, a maldição recai sobre o filho mais novo de Cam (v. 24), que compartilha sua decadência moral (Lv 18.3; Dt 9.3). Ainda mais, os descendentes de Cam incluem, em adição aos cananeus, os nomes dos inimigos mais temíveis de Israel: Egito, Filistia, Assíria e Babilônia (10.6-13).

 

servo dos servos.   Noé profeticamente alude à vindoura servidão da descendência de Cam à descendência de Sem (Israel) e Jafé (os povos do mar, 10.2-5). Visto que esta maldição de servidão cai sobre Canaã, um caucasiano, não há fundamento para o ponto de vista racista de que os povos africanos são amaldiçoados.

 

*           9.26   Bendito… Deus de Sem.   Com esta bênção em forma de doxologia Noé reconhece a Deus como o autor da vida e estende a bênção a Sem (1.22 e nota; 14.19). A linha da promessa messiânica é agora reduzida à linhagem de Sem (cf. 3.15; 4.26 e notas); e será especificada posteriormente através de Abraão (12.1-3), Isaque (21.8-12), Jacó (25.23; 27.28, 29), e Judá (49.10). Com a vinda do Messias e da Nova Aliança, a promessa da aliança é estendida a todos os crentes (At 10.34, 35; Gl 3.29).

 

*           9.27   habite ele nas tendas.   Talvez uma referência às conquistas tribais ou às futuras vitórias da Grécia e Roma. Alternativamente, Jafé pode ser um convidado, atraído a Sem e a Deus — promessa que encontra seu cumprimento final no Novo Testamento (10.15, nota; At 14.27; Ef 2.11-22; 3.6).

 

*           9.28, 29   A genealogia começada em 5.32 está agora completa de acordo com o padrão do cap. 5.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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