*          1.1-4 O prólogo introduz as duas épocas na história, quando Deus falava com seu povo em termos de "outrora" (v.  1) e nestes "últimos dias" (v.  2). A vinda de Cristo estabeleceu a nossa época como os prometidos "últimos dias" da salvação que os profetas previram (Jr 23.20; Os 3.5; Mq 4.1; cf. 1Co 10.11).

*          1.1 Deus... Falado. Um tema importante em Hebreus (2.2,3; 4.12; 6.5; 11.3; 12.25).

muitas vezes. O caráter fragmentário da revelação profética evidenciou ser ela incompleta, tal como a repetição dos sacrifícios de animais demonstraram a sua incapacidade para remover a culpa (10.1).

muitas maneiras. Que incluíram visões, sonhos, e por enigmas (Nm 12.6-8; com uma alusão em 3.5).

*          1.2 pelo Filho. Esta revelação é qualitativamente superior àquela dada através dos profetas. Moisés, o maior profeta, foi apenas um servo na casa de Deus; Cristo é "Filho em sua casa" (3.6). Tal como os profetas fizeram, o Filho fala, mas a sua revelação é definitiva.

herdeiro de todas as coisas. A supremacia do Filho será manifestada na consumação da história, porque "Tudo foi criado... para ele" (Cl 1.16). Ele é o Primogênito (v.  6), o herdeiro preeminente, cujos inimigos serão postos por estrado dos seus pés (v.  13, citando Sl 110.1). Como filhos de Deus, adotados por intermédio de Jesus, nós também somos herdeiros (v.  14; 6.12,17; Gl 4.6,7; Rm 8.14-17).

pelo qual também fez o universo. A supremacia do Filho foi manifestada nos primórdios da história, porque "nele foram criados todas as coisas" (Cl 1.16; cf. Jo 1.3). A palavra grega, traduzida como "universo" é lit., "eras" (também em 11.3), realçando os tempos sucessivos da história na cronologia da criação. Os vs.10,11 citam Sl 102.25-27 como testemunho ao lugar do Filho na criação e à sua permanência eterna, contrastado com o universo criado.

*          1.3 resplendor da glória. A palavra grega traduzida como "resplendor" descreve a sabedoria divina, personificada no livro intertestamentário dos judeus, Sabedoria de Salomão (Sabedoria 7.25-28). Porém, Hebreus não fala de um atributo personificado, mas da pessoa divina que entrou na história para purificar pecadores.

a expressão exata do seu Ser. Este versículo descreve tanto a unidade do Filho com o Pai, como também a distinção entre as pessoas divinas. Como aquele cujo ser corresponde exatamente ao do Pai, o Filho verdadeiramente revela o Pai. Cristo "é a imagem do Deus invisível" (Cl 1.15), pela qual vemos o Pai (Jo 14.9; 2Co 4.4-6).

sustentando todas as coisas pela palavra de seu poder. Dentro da história, é a autoridade do Filho que mantém a existência do mundo criado (Cl 1.17; 2Pe 3.4-7), preservando-o da destruição, até aquele dia quando a sua voz removerá tudo exceto o reino inabalável de Deus e os seus herdeiros (12.26-28).

a purificação dos pecados. A mudança no tempo do verbo focaliza o interesse sobre a morte expiatória do Filho na história, e o ato sacerdotal que nos purifica, a fim de prestarmos culto na presença de Deus (9.14).

assentou-se à direita... nas alturas. A entronização do Filho "à direita" de Deus nos céus, prometido em Salmo 110.1, revela de duas maneiras a sua superioridade. Primeiro, "à direita" da majestade, Cristo está ministrando no verdadeiro e celestial santuário, e não numa cópia terrestre (8.1,2,5). Segundo, ele assentou-se porque a sua obra sacrificial (diferente daquela dos sacerdotes levíticos) foi consumada uma vez por todas (10.11,12).

*          1.4 superior aos anjos. Esta é demonstrada por uma série de citações do Antigo Testamento que se seguem (vs.5-14).

herdou mais excelente nome. O Filho eterno tomou sobre si uma natureza humana a fim de nos livrar do pecado e da morte (2.14,15). Tendo voluntariamente assumido por um certo tempo uma posição "menor que os anjos" (2.7), agora, como o ressuscitado e ascendido Messias, ele é "designado Filho de Deus com poder" (Rm 1.4) para salvar o seu povo (v. 5, nota). Assim, a exaltação de Cristo inaugura uma nova fase em sua filiação messiânica e redentiva que lhe outorga uma dignidade muito acima da dos anjos.

*          1.5,6 A série de citações começa com exemplos dos Salmos (v.  5, de Sl 2.7); dos profetas (v.  25, de 2Sm 7.14; na Bíblia hebraica os livros de Samuel são contados com os profetas); e da Lei (v.  6, de Dt 32.43). O versículo 6 vem provavelmente da tradução grega (Septuaginta) de Dt 32.43, embora seja também semelhante da Sl 97.7.

*          1.5 Tu és meu Filho. O decreto do Pai, declarando o Messias como seu Filho é identificado com a exaltação de Cristo (v.  4, nota; 5.5; At 13.32-35; Rm 1.4). Embora Jesus seja o eterno e divino Filho de Deus (Mc 1.11; Jo 3.16), a declaração da sua filiação redentiva, profetizado em Sl 2.7, lhe foi conferida no tempo, quando ele completou a sua obra messiânica. Os crentes não se tornam divinos e nem participam na eterna e divina filiação de Cristo, mas, a sua adoção como filhos de Deus significa que eles participam da filiação redentiva de Cristo através de sua união com o "Autor da salvação deles" (2.10; cf. 3.14, nota; Rm 8.29).

*          1.6 ao introduzir... no mundo. Quando o Filho condescende em assumir a nossa natureza humana, os anjos o adoram (Lc 2.13,14).

Primogênito. Como em Sl 89.27, o termo indica "a posição mais elevada", acima dos reis da terra, e não "gerado antes de outros". Em Êx 4.22, o termo significa "escolhido" ou "mais desejado" (Cl 1.15, nota).

*          1.7       As nuvens de Sl 104 adornam a morada celestial do Senhor. ("Ventos" o termo grego pode ser traduzido "espíritos") e "labareda de fogo" associam os anjos com a mutabilidade do mundo criado, em contraste com a permanência eterna do Filho (vs.10-12).

ministros. Em contraste com a entronização monárquica do Filho (vs. 8,9), os anjos são meros "ministros" ou "servos".

*          1.8,9    De Sl 45.6,7. Aquele que se dirige ao Filho com as palavras "ó Deus", ele mesmo é "Deus, o teu Deus". O Filho é Deus, contudo, distinto do Pai (Jo 1.1).

*          1.9 Amaste a justiça. Sobre a obediência e justiça do Filho, ver 4.15; 5.8; 7.26.

*          1.10 Sobre o Filho como Criador, ver v. 2 e nota.

*          1.11 tu... permaneces. A eterna imutabilidade do Filho como Deus é essencial a seu sumosacerdócio (7.3,23,24). Por meio dele, a herança dos crentes permanece para sempre (10.34; 12.27,28; 13.14).

*          1.13,14 A posição do Filho como autoridade celestial (8.1) é contrastada com a missão dos anjos como ministros "a favor dos que hão de herdar a salvação" (isto é, aos que participam como co-herdeiros dos direitos de Cristo que é o herdeiro, vs. 2,5; 2.10; 6.12; cf. Rm 8.17,29). Os anjos servem a Cristo, mas também a seu povo, que herda a salvação através de uma união com ele. Nisto, o seu povo é favorecido acima dos anjos (cf. 2.16; 1Co 6.3).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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