*          10.1 sombra dos bens vindouros. Os "bens" eram reservados para o futuro nos tempos da lei mas agora, com o advento de Cristo, estão presentes (9.11, nota).

tornar perfeitos. Os adoradores não podiam ser "purificados uma vez por todas" (v. 2). A lei não podia remover a sua culpa e nem lhes dar acesso a Deus (7.11,19; 9.9).

*          10.2 Os sacrifícios eram repetidos dia após dia, demonstrando que eles não providenciariam nenhuma solução duradoura para o problema do pecado.

*          10.3 recordação de pecados. Os sacrifícios do Antigo Testamento foram um testemunho público diante de Deus e da humanidade, que o povo era ainda pecador (Nm 5.15). Na nova aliança, os pecados jamais serão lembrados (8.12; 10.17).

*          10.4 A ineficácia dos sacrifícios do Antigo Testamento é nitidamente revelada em textos tais como 1Sm 15.22; Is 1.10-17; Am 5.21-24; Mq 6.6-8. A lei ficou frustrada pelo pecado do povo (8.8-12; Rm 8.3,4).

*          10.5-10 Sl 40.6-8 é interpretado para indicar a substituição do sistema vetero-testamentário do sacrifício de animais pela obediência e morte expiatória de Cristo.

*          10.5 corpo me formaste. O texto hebraico de Sl 40.6 diz: "abriste os meus ouvidos" (cf. Is 50.5). Neste versículo, Hebreus segue a Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento), que fala da prontidão da pessoa inteira (corpo) e não apenas de uma parte representativa (ouvidos). O "corpo" preparado é a humanidade que Cristo assumiu a fim de prestar uma plena obediência ao Pai (2.14; 5.8).

*          10.7 rolo do livro. Em última análise, todo o Antigo Testamento, cuja mensagem é Cristo (Lc 24.27,45-47).

*          10.8 Sacrifícios e ofertas... holocaustos e oblações pelo pecado. Estes termos resumem todo o sistema de sacrifícios levíticos. Em contraposição a tudo isso (chamado, "o primeiro" no v. 9), Cristo tem um outro sacrifício ("o segundo"). Embora instituído na lei por Deus (2.2; 8.9; 12.18-21,25) o sistema levítico não foi o meio ordenado por Deus para remover definitivamente o pecado do povo.

*          10.9 fazer... a tua vontade. Ele seria obediente através do sofrimento (2.10; 5.8), expiando o pecado através do sacrifício de seu próprio corpo (v. 10).

Remove o primeiro. Isto é, o sistema levítico dos sacrifícios do Antigo Testamento (8.13).

*          10.10 Nessa vontade. O propósito imutável de Deus, que Cristo voluntariamente cumpriu, trouxe salvação para nós (vs. 7,9 e notas).

temos sido santificados. Aqui, como também no v. 14, o assunto não é o processo da santificação (como em 12.14), antes, é a mudança definitiva em nosso status quando estamos unidos com Cristo pela fé e, desta maneira, somos separados da contaminação pecaminosa e qualificados para adorar a Deus. Em Hebreus, os termos: "purificação", "santificação" e "aperfeiçoado" são praticamente sinônimos.

*          10.11 todo sacerdote se apresenta, dia após dia. Os sacrifícios diários, de manhã e de tarde, à semelhança das ofertas anuais no Dia da Expiação, também advertem, através da sua repetição, que não podem tirar a culpa do pecado. Mais um contraste é introduzido (entre estar em pé e assentado), que simboliza a diferença entre o sacerdócio levítico e o sacerdócio de Cristo.

*          10.12 assentou-se. Em contraste com os sacerdotes levíticos, que ficaram de pé e cujo serviço não tem fim, Jesus "assentou-se à destra de Deus", como anunciado no Salmo 110.1 (1.3; cf. 1.13; 8.1).

*          10.15 dá testemunho também o Espírito Santo. Em harmonia com outros livros do Novo Testamento, Hebreus afirma que o Espírito é o autor primário das Escrituras (3.7; 9.8; At 4.25). As duas citações de Jeremias 31 que seguem estabelecem o início (8.8) e o término do importante argumento desenvolvido deste texto.

*          10.16,17 As duas citações de Jeremias 31 demonstram que o sacrifício de Cristo, uma vez por todas, resulta, não apenas na transformação interior, ou santificação do crente (v. 16) mas também no perdão dos pecados, ou justificação (v. 17).

*          10.19 Tendo, pois, irmãos. O escritor coloca a sua própria pessoa no meio de seus leitores num renovado apelo para exercerem confiança ou ousadia quando se aproximam de Deus. Esta confiança não é fundamentada em qualquer mérito que talvez tenhamos, antes, na pessoa e obra do nosso grande sumo sacerdote que sabe "compadecer-se das nossas fraquezas" (4.15).

pelo sangue de Jesus. Não apenas Jesus, em nosso favor (9.24), mas nós mesmos também entramos no santuário celestial de Deus em plena dependência do sacrifício de Jesus.

*          10.20 pelo véu, isto é, pela sua carne. Numa surpreendente figura de linguagem, o autor identifica o véu do templo com o corpo de Jesus. No mesmo sentido em que o véu do templo foi rasgado a fim de dar entrada no Santo dos Santos (6.19; 9.3; Mt 27.51), assim também, o corpo de Cristo foi rasgado para que o seu sangue pudesse ser derramado a fim de abrir o caminho para o santuário celestial (v. 19). O paralelo é apenas figurativo e não deve ser forçado.

*          10.21 sobre a casa de Deus. Ver nota em 3.6.

*          10.22 aproximemo-nos. Ver nota em 4.16.

plena certeza de fé. O apelo para ter fé sugere o assunto do cap. 11.

tendo o coração purificado... e lavado o corpo. A purificação do interior da consciência que demonstra a superioridade da morte de Jesus sobre os sacrifícios da lei (9.13,14), é visivelmente simbolizado pelo batismo (Ef 5.26). No mesmo sentido em que o sumo sacerdote lavava o corpo a fim de se preparar para entrar no Santo dos Santos (Lv 16.4; Êx 29.4), assim também nós podemos agora entrar na presença de Deus como sacerdotes.

*          10.23 Guardemos firme a confissão da esperança. Noutro texto em Hebreus que menciona "a casa de Deus" (v. 21; cf. 3.1-14), há uma exortação idêntica para "guardarmos firme" (3.14), e uma confiança semelhante de que Cristo "é fiel" (cf. 3.5,6). Provavelmente "conservemos firmes a nossa confissão" (4.14) e, semelhantemente, "a confissão da esperança" (v. 23), se refere à ocasião do batismo (observe o termo "água" no v. 22) e a entrada na Igreja (v. 32).

*          10.24 Consideremo-nos... uns aos outros... estimularmos. O dever de encorajar uns aos outros pode ter a sua expressão nas reuniões da Igreja (v. 25). O "amor" completa uma tríade conhecida, com "fé" (v. 22) e "esperança" (v. 23). Parece que essa tríade tinha um papel importante no ensino da Igreja primitiva (1Co 13.13; Cl 1.4,5; 1Ts 1.3).

*          10.25 Não deixemos de congregar-nos. Os crentes tinham sido perseguidos duramente (vs. 32,34). O ato de congregar-se com outros fiéis é uma parte importante na vida cristã. Ver "A Igreja Local" em Ap 2.1.

o Dia se aproxima. O dia da Segunda Vinda de Jesus quando ele retornará trazendo salvação para aqueles que nele esperam (9.28; 12.26,27).

*          10.26 deliberadamente em pecado. Os cristãos que dizem não ter pecado estão iludindo a si mesmos (1Jo 1.8), e aqueles que reconhecem os seus pecados não devem desesperar da graça (4.16; 1Jo 2.1,2). Aqui, o pecado deliberado é o total abandono da fé em Cristo, calcando o Filho de Deus, desprezando o sangue sacrificial como algo imundo e zombando do gracioso Espírito de Deus (6.6, nota; 10.29). A seriedade desta acusação formal é indicada pelo caráter deliberado do pecado (cf. Lv 15.30) e pela medida de conhecimento ou esclarecimento que é recusada (cf. 6.4; 10.32).

não resta sacrifício pelos pecados. Deus já revogou o sistema levítico do sacrifício de animais (v. 9), e aqueles que abandonam a confissão de sua fé em Cristo não têm nenhum outro recurso para alcançar o perdão.

*          10.28 rejeitado a lei de Moisés. Isto é, apostatou de Deus a fim de servir aos ídolos (Dt 17.2-7).

*          10.29 Este argumento, a partir da lei como a premissa menor, para o evangelho, como a maior, também se encontra em 2.2,3. Se violar com desprezo a lei que foi dada por intermédio de Moisés, um servo (3.5), justificava a pena da morte, então o desprezo do Filho de Deus (1.2,3; 3.6; 6.6; 2Pe 2.1), de seu sangue sacrificial (9.20; cf. Êx 24.8; Mc 14.24), e do Espírito da graça, pelo qual Cristo ofereceu a si mesmo (9.14), merece a plenitude do "fogo vingador prestes a consumir os adversários" (v. 27).

*          10.30 O Senhor julgará o seu povo. As duas citações do cântico de Moisés (Dt 32.35,36) mostram que Deus está pronto para julgar de acordo com a sua aliança, discriminando entre aqueles que são verdadeiramente dele e os apóstatas (cf. 1Pe 4.17).

*          10.31 Uma conclusão cabível à grave advertência neste trecho.

*          10.32-39 Como em 6.9-12, o escritor equilibra a sua severa advertência com uma lembrança encorajadora de que os seus leitores já manifestaram os frutos da graça, especialmente através de seu apoio mútuo quando chegaram os primeiros sofrimentos.

*          10.32 sustentastes grande luta. Mesmo quando eram novos na fé, estes cristãos suportaram a perseguição.

*          10.33 Ultrajes públicos, imprisionamento, confiscação de bens (mas não o martírio, 12.4) foram algumas das formas de perseguição que os leitores padeceram no início. Estas podem refletir as condições quando o edito de Cláudio (49 d.C.) expulsou os judeus de Roma (Introdução: Data e Ocasião).

*          10.34 compadecestes... aceitastes com alegria. Os leitores ficariam encorajados ao lembrar-se da solidariedade e alegria que compartilharam, apesar da perseguição.

patrimônio superior e durável. A cidade celestial e a pátria de Deus (11.10,16; 12.22), que não podem ser abaladas pelo cataclismo que destruirá o atual sistema de criação (12.27,28). Em comparação com esta eterna herança (9.15), os bens perdidos por amor a Cristo não têm nenhum valor.

*          10.35 grande galardão. Semelhante a Moisés, devemos fixar os nossos olhos no galardão vindouro (11.26).

*          10.36 feito a vontade de Deus. As suas leis estão gravadas em seus corações (8.10; 10.16), assim, eles seguem nos passos de Jesus, que veio para fazer a vontade de Deus (vs. 9,10; 13.21).

alcanceis a promessa. Ver nota em 6.12.

*          10.37,38 Três elementos de Hc 2.4 serão exemplificados na base das vidas de pessoas de fé no Antigo Testamento: (a) A fé fixa a sua esperança naquele que está para vir, aguardando a sua manifestação no futuro (11.1,7,10,13,20,22,27); (b) A fé aceita o veredito de Deus quanto à justiça (11.4,7; 12.23) (c) A fé não retrocede diante do sofrimento (11.24-26, 35-38).

*          10.39 A substância deste argumento é semelhante àquele de 6.9,10. Aqui, o escritor inclui a si mesmo, dizendo "nós" em vez de "vós".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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