*          11.1-40 Esta famosa exposição sobre os homens e mulheres fiéis do Antigo Testamento começa e termina com um comentário que alerta o leitor para observar o aspecto específico da fé vétero-testamentária sendo projetada — a certeza de receber o que Deus tem prometido, porém, ainda não concedido (vs. 1,2,39,40).

*          11.1 coisas que se esperam... fatos que se não vêem. Para o presente, somente a fé pode enxergar o futuro, na medida em que ela se alimenta das promessas de Deus.

*          11.2 obtiveram bom testemunho. Deus declarou que eles foram justificados pela fé (v. 4, nota) conforme é afirmado especificamente pelo exemplo de Abel e Enoque (vs. 4,5; cf. v. 39).

*          11.3 Embora nenhum ser humano tenha testemunhado a obra da criação, sabemos pelas Escrituras, que Deus criou o mundo através da sua palavra (Sl 33.6,9). Percebemos que o "visível" não é a única e auto-existente realidade.

*          11.4 mais excelente sacrifício. O princípio de que os sacrifícios feitos sem fé foram inúteis tem sido aplicável desde o início (cf. 10.4, nota). Pertencia exclusivamente a Cristo fazer não apenas um melhor, mas um perfeito sacrifício.

obteve testemunho... aprovação. A palavra grega, usada duas vezes neste versículo se encontra também nos vs. 2.5,39. Abel é o primeiro exemplo de alguém que recebeu esta aprovação divina como justo que vivia pela fé (cf. 10.38; Rm 1.17). O capítulo todo oferece exemplos semelhantes.

ainda fala. Como participante daquela “grande nuvem de testemunhas” (12.1).

*          11.5 Como alguém que não viu "a morte" (cf. Gn 5.18-24), Enoque prefigurou a libertação da morte à qual Jesus conduz os fiéis.

agradado a Deus. Agradar a Deus é o critério de um culto apropriado (12.28; 13.16,21; Rm 12.1; Fp 4.18).

*          11.6 A fé é uma necessidade absoluta, tanto para perceber as coisas pelas quais devemos esperar (v. 1), quanto para entender que Deus é o Criador de tudo (v. 3), ou para oferecer um culto aceitável (v. 4). Ver "Agradando a Deus" em 1Ts 2.4.

*          11.7 acontecimentos que ainda não se viam. Embora a fé perceba coisas que são invisíveis, porque elas transcendem o universo físico (11.3,27), nesta seção a ênfase recai sobre a fé referente às coisas que são do futuro, mas certas porque Deus as tem prometido. O iminente dilúvio de juízo ainda não era visível quando a palavra de Deus veio para advertir a Noé. Ele construiu a arca em resposta reverente à advertência divina e, através de sua fé obediente, a sua família recebeu a salvação. O mundo incrédulo foi condenado por causa da sua preocupação com o presente e Noé herdou a justiça que vem pela fé (10.38; Rm 4.13).

*          11.8-10 A fé do patriarca Abraão a respeito de uma pátria foi demonstrada: (a) quando ele obedeceu a voz de Deus, deixou Ur para uma herança ainda no futuro, "sem saber aonde ia" (v. 8); (b) quando ele habitou na terra prometida como estrangeiro (vs. 9,13); (c) e quando ele olhou para além de Canaã, para uma pátria celestial, uma cidade que o próprio Deus preparou e edificou (vs.  10,14-16; 13.14).

*          11.11,12 A fé do patriarca Abraão a respeito da promessa de um descendente foi recompensada pela concepção de Isaque, a qual foi milagrosa, pois Sara era estéril e Abraão estava (quanto à possibilidade da reprodução) já "amortecido" (Rm 4.19). Apesar da alternativa infeliz (Gn 16.1-4) e as dúvidas com questionamento (Gn 17.17,18), em última análise, Abraão e Sara julgaram "fiel aquele que lhe havia feito a promessa (v. 11).

*          11.13-16 A herança sobre a qual o patriarca baseou a sua fé foi invisível por duas razões: era celestial e não terrena; e, ainda no futuro, não no presente. Ver notas em vs. 8-10,20,21,22.

*          11.13 vendo-as, porém, de longe. Abraão viu de longe o dia quando Jesus o Messias viria, e regozijou-se (Jo 8.56).

estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Todos os herdeiros da salvação são refugiados e sem lar na terra (v. 38) porque, até a vinda de Cristo, estamos exilados do lar que esperamos herdar (1Pe 1.1,4,5,17; 2.11).

*          11.16 uma pátria superior. Os próprios crentes do Antigo Testamento compreendiam que as esperanças e as promessas que aguardavam pela fé eram celestiais e não meramente físicas.

*          11.17-19 A prova máxima para a fé do patriarca foi a ordem de sacrificar Isaque. Quanto às promessas de Deus (v. 19), Isaque foi o "filho unigênito" (cf. Jo 3.16) — nem Eliézer, o servo de Abraão, e nem Ismael, o seu outro filho, serviriam. Se Isaque tivesse de morrer sem uma descendência, as promessas de Deus falhariam. A prontidão de Abraão em sacrificar o filho da promessa, de acordo com a ordem de Deus, surgiu de uma convicção inabalável de "que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos” (v. 19). A "ressurreição" de Isaque foi apenas figurativa, ao passo que os crentes que têm morrido por causa de sua fé, aguardam uma ressurreição literal (cf. v. 35), da qual Jesus é o precursor (13.20).

*          11.20 coisas... para vir. Que Jacó possuiria uma terra frutífera, e teria domínio sobre outras nações, inclusive os descendentes de Esaú (Gn 27.27-29).

*          11.21 Em sua bênção, Jacó previu que os descendentes do filho mais jovem de José ultrapassariam aqueles do filho mais velho, tanto em número como também em influência (Gn 48.13-20). O próprio Jacó foi o irmão mais novo que foi elevado acima do mais velho.

*          11.22 José lembrou-se da promessa do êxodo que foi ouvida pela primeira vez por Abraão, muito antes do nascimento de Isaque (Gn 15.13,14), e que o seu cumprimento aconteceria depois de quatrocentos anos de opressão. As instruções que José deu para que seus ossos fossem levados para a Terra Prometida expressam a sua fé nas coisas que não se vêem (Êx 13.19).

*          11.23-28 Em Moisés, os aspectos proeminentes associados à sua fé são coragem (vs. 23,27), e disposição para ser maltratado em vez de usufruir prazeres transitórios do pecado (vs. 24-26).

*          11.23 a criança era formosa. A descrição é citada de Êx 2.2 (cf. At 7.20). Ao ver o seu filho, os pais de Moisés entenderam que a criança teria uma parte especial no plano redentor de Deus.

*          11.25,26 A decisão de Moisés de abdicar "os tesouros do Egito" e sofrer "o opróbrio de Cristo" deve encorajar aqueles que perderam bens e sofreram opróbrio por causa de sua fé (10.33,34). Em suas presentes tribulações, quando identificação com Cristo significa exclusão do campo de Israel, eles devem estar prontos para suportar este "vitupério" (13.13). A escolha de Moisés exemplifica certeza quanto à sua esperança (v. 1), "porque contemplava o galardão" (10.35; 11.6,13).

*          11.27 abandonou o Egito, não ficando amedrontado. Muitas vezes, é entendido que essa frase se refere à primeira vez quando Moisés saiu do Egito. Quando ele escolheu identificar-se com o seu próprio povo contra os egípcios (vs.  24,25), Moisés matou um egípcio e tinha de fugir. A respeito desta saída, Êx 2.14 diz que ele "temeu". Se este versículo se refere à sua fuga para Midiã, a frase "nem ficou amedrontado" provavelmente se refere à sua fé inabalável no plano redentor de Deus. Embora Moisés experimentasse uma apreensão perfeitamente natural, em que Faraó lhe faria um mal pessoal se tivesse ficado no Egito, ele não pensou que a sua comissão divina para salvar o povo de Deus estivesse em perigo. Com esta esperança nos propósitos de Deus, ele saiu e "se deteve na terra de Midiã".

Contudo, é possível que este versículo se refira ao êxodo; e nisto, Moisés claramente não tinha medo. Nesse caso, o v. 27 menciona o êxodo em termos gerais, com detalhes tais como a Páscoa e a travessia do mar Vermelho que se seguem nos vs. 28,29.

*          11.28 derramamento do sangue. Moisés ordenou que o sangue fosse derramado sobre as ombreiras das portas de cada casa israelita na expectativa da destruição vindoura dos primogênitos do Egito e da libertação das famílias israelitas deste evento terrível (Ex 12.7,12,13). Este foi mais um ato de confiança nas coisas que não se vêem.

*          11.30 Os Israelitas rodearam Jericó sete vezes em obediência à ordem do Senhor. A cidade seria destruída por este ato, e o único conhecimento que motivou esta obediência foi baseado na promessa de Deus: "Entreguei na tua mão a Jericó" (Js 6.2).

*          11.31 Raabe demonstrou a sua lealdade a Deus quando protegeu os espias israelitas. Ela foi justificada (Tg 2.25) e tornou-se uma das ancestrais de Jesus Cristo (Mt 1.5), embora tivesse sido uma meretriz.

*          11.32 que mais direi? A pergunta é retórica. O autor passa a mencionar de passagem muitos outros nomes e atos de heroísmo que revelam o poder da fé (vs. 32-38).

*          11.32-38 A lista de realizações através da fé passa daqueles em quem a vitória da fé foi manifestada na história (vs. 33-35) para aqueles cuja fé envolveu sofrimento e uma aparente derrota (vs. 35-38). Para recapitular os eventos específicos, veja as referências no fim de cada versículo.

*          11.33 obtiveram promessas. Isto é, eles experimentaram o cumprimento de promessas específicas no decorrer do tempo. Quanto à promessa da vinda de Cristo, eles ainda a aguardavam pela fé (v. 39). As promessas feitas a Abraão foram parcialmente cumpridas neste mundo, na medida em que seus descendentes se multiplicaram (v. 12) e habitaram na terra prometida (vs. 9,33). Mas, quanto às promessas que indicaram a realidade celestial, o "descanso de Deus" (4.10), elas não podiam se cumprir até o advento de Cristo.

*          11.35 Mulheres receberam... os seus mortos. Uma referência aos eventos registrados em 1Rs 17.22,23; 2Rs 4.36,37.

Alguns foram torturados. Aparentemente, uma referência aos eventos durante a rebelião dos Macabeus (c.167-157 a.C.), que aconteceram depois do encerramento do Antigo Testamento, porém, registrados no livro apócrifo de 2 Macabeus 6.7.

*          11.37 serrados pelo meio. Segundo a tradição, Isaías morreu desta maneira.

*          11.39 obtiveram bom testemunho. Ver nota no v. 4.

não obtiveram... promessa. Embora algumas das promessas do Antigo Testamento se cumpriram, a sua suprema esperança (a promessa da vinda do Messias) ainda demoraria (v. 33 e nota). Este versículo resume a mensagem de vs. 13-16 e a aplica à segunda metade do capítulo.

*          11.40 coisa superior... sem nós. Este versículo afirma, tanto a diferença histórica-redentora entre os períodos do Antigo Testamento e do Novo Testamento, como também a unidade do povo de Deus em ambas as eras. Embora os crentes do Antigo Testamento vivessem pela fé (10.38), eles não foram privilegiados para testemunhar em suas vidas o cumprimento da grande promessa de Deus. Todavia, eles participam dos benefícios do ministério sumo-sacerdotal de Cristo e, juntamente com os santos da nova aliança, são "aperfeiçoados". Todos juntos, da velha era e da nova, aguardam o aperfeiçoamento que acontecerá somente com a segunda vinda de Cristo (12.26; 13.14; Rm 8.18; Ef 1.9,10).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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