*          12.1 nuvem de testemunhas. Em certo sentido, os leitores estão numa corrida, assistida por uma grande multidão que já a terminou com honras ao mérito. O exemplo deles encoraja os leitores e os admoesta, se porventura tropeçarem.

todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia. Entre os pesos que devem ser lançados fora estão o medo que faz a pessoa recuar diante do sofrimento (10.38,39), o desânimo amargurado que contamina os demais através de dúvidas (v. 15) e a sensualidade que procura uma gratificação imediata (v. 16).b

corramos... a carreira. As competições atléticas dos gregos forneciam uma analogia freqüente para a vida cristã no Novo Testamento (1Co 9.24-27; Fp 2.16; 2Tm 2.5; 4.7,8). À semelhança do corredor, o cristão deve estar numa atividade constante que o leva para o final, apesar da oposição. Isso exige perseverança e esforço incansáveis, os quais são adquiridos através de uma disciplina constante.

*          12.2 olhando... Jesus. A nuvem de testemunhas do Antigo Testamento nos inspira, porém, o nosso encorajamento principal se encontra na pessoa e obra de Cristo, que nos precedeu como "o Autor e Consumador da nossa fé" e é o exemplo supremo de fé na carreira (v. 3).

Autor. Ver nota em 2.10.

Consumador da fé. Como "Consumador", Jesus tem trazido ao alvo final a fé dos que se aproximam a Deus por seu intermédio: um culto agradecido e aceitável na sua presença (10.14; 11.40; 12.28).

da alegria que lhe estava proposta. Jesus suportou a cruz no antegozo da alegria de ser o Salvador de seu povo, depois do necessário sofrimento. No mesmo sentido em que Moisés contemplava o galardão (11.26), Jesus também foi ciente do galardão que receberia.

Embora possível, uma outra interpretação menos provável é traduzir assim: "no lugar da alegria que lhe estava proposta". De acordo com esta tradução, Jesus escolheu o sofrimento em vez da alegria que teria sido a sua porção, se tivesse recusado a morte e ficado no céu (Fp 2.6), ou, pelo menos, evitado a cruz aqui na terra (Jo 10.17,18; 12.27).

não fazendo caso da ignomínia. A crucificação foi uma forma de morte tão repleta de ignomínia, que era proibido infligi-la ao cidadão romano; ainda mais, os judeus acreditaram que "todo aquele que for pendurado em madeiro" foi amaldiçoado por Deus (Gl 3.13; cf. Dt 21.23).

*          12.3 oposição. À semelhança de Jesus, os leitores também tinham experimentado a oposição de pecadores (10.33).

desmaiando. Uma advertência tirada de Pv 3.11,12 e citada nos vs. 5,6.

*          12.4 até ao sangue. Os leitores já conheceram a perseguição, contudo, nada tão difícil quanto ao sofrimento de Jesus e nem como os registros em 11.35-38. Não está na hora de contemplar uma desistência.

*          12.5 filhos. O plano de Deus para conduzir muitos filhos para a glória necessitou que o Autor da salvação deles fosse aperfeiçoado através do sofrimento (2.10), embora fosse o Filho que não merecia nenhum sofrimento (5.8). Portanto, não é surpresa que os filhos adotados, que o seguem, devam ser preparados para a sua herança através de uma disciplina penosa.

*          12.8 Muitos romanos nobres geraram filhos ilegítimos, que foram sustentados financeiramente, porém, desprovidos de qualquer orientação. Mas por outro lado, o filho da esposa oficial do nobre, que receberia o nome do pai e a herança, seria sujeito a um regime de treinamento comparável com a escravidão (Gl 4.1,2).

*          12.9 pais segundo a carne. Esta tradução é literal, num contraste direto com o "Pai espiritual". O argumento é do menor para o maior — do relacionamento humano-paternal para o maior, a paternidade divina — é contemplado no v. 10.

*          12.10 A correção por nossos pais terrenos é limitada pelo tempo e por sua sabedoria falível. A correção pelo Pai celestial é administrada por sua sabedoria infinita para "aproveitamento", porque ela nos faz santos como ele mesmo é santo (v. 14; 1Pe 15,16).

 *         12.11 fruto pacífico... de justiça. Temos aqui uma idéia das implicações da santificação (vs. 10,14).

exercitados. O escritor volta a usar uma analogia do atletismo do v. 1.

*          12.12,13 A carreira será completada vitoriosamente na medida em que as ações são usadas para sarar as feridas espirituais do passado (v. 12) e evitar as armadilhas no futuro (v. 13). O contexto de Is 35.3,4 (do qual Hebreus adotou "restabelecei as mãos... joelho trôpegos") é citado para encorajar os medrosos. Compare as exortações em Hebreus para praticar um encorajamento mútuo (p.ex., 3.13), inclusive o que se segue em 12.15, e a advertência para não perder ânimo (vs. 3,5). O contexto de Provérbios 4.25-27 (citando-se "fazei caminhos retos para os vossos pés") é uma exortação para permanecer com toda diligência no caminho da justiça. A metáfora de fortalecer e sarar os membros feridos e cumprir a carreira se explica com exortações específicas (vs. 14-17).

*          12.14 Segui a paz com todos. Apesar de se sentirem tentados na perseguição a retribuir o mal com o mal, os crentes têm de viver em paz com todos, "quanto depende de vós" (Rm 12.18), tal como o nosso Senhor Jesus que "não revidava com ultraje, quando maltratado" (1Pe 2.23).

santificação. Hebreus tem declarado como o sacrifício de Jesus nos faz santos de uma vez por todas, em status (10.10), dando-nos acesso confiante a Deus. Neste versículo, "santificação" é pureza de vida. Ela vem de Deus (13.21) e é orientada através de sua correção (v. 10), contudo, nós devemos “segui-la”.

verá o Senhor. Isto é, estar com Deus, que é o alvo da salvação (Ap 22.4). Agora, aqueles que pela graça e por intermédio da fé seguem e recebem a santificação de Cristo, certamente verão a Deus e tornar-se-ão semelhantes a ele (2Co 3.18; 1Jo 3.2).

*          12.15 Os leitores são responsáveis uns pelos outros e devem cuidar uns dos outros para que "ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus" (cf. 4.1).

raiz de amargura. Em Dt 29.18, "erva venenosa e amarga" é uma pessoa que espalha dúvidas e infidelidade diante do Senhor e entre o povo do pacto. Também aqui, esta "raiz de amargura" é uma pessoa que perturba e contamina as demais. Para fortalecer a fé dos outros, devemos encorajar os fracos e enfrentar os apóstatas que podem influenciar os outros.

*          12.16 Esaú é apresentado como exemplo de alguém que tem desprezado as promessas de Deus (em contraste com as pessoas de fé no cap.11) e cuja perda foi irrevogável (v. 17). Moisés trocou os tesouros do Egito com o opróbrio de Cristo, porque contemplava o galardão (11.26); Esaú trocou a sua primogenitura por um repasto, porque conseguiu enxergar somente o cozido vermelho (Gn 25.29-34).

vendeu... primogenitura. Como filho primogênito, Esaú tinha o direito da primogenitura (Gn 25.31-34; 27.36). Mais tarde, sob a lei de Moisés, o direito foi uma parte dobrada da propriedade (Dt 21.17). Na realidade, Esaú desprezou o seu lugar na linhagem das promessas pactuais, e não apenas a propriedade.

*          12.17 sabeis... posteriormente. Os leitores certamente lembrarão a segunda fase da perda de Esaú, quando seu irmão Jacó se interpôs e recebeu de seu pai Isaque a solenidade da bênção (Gn 27). Esta bênção incluiu a substância da promessa dada a Abraão (Gn 12.2,3; 27.29).

não achou lugar de arrependimento. Embora Esaú lamentasse a sua perda com lágrimas (Gn 27.38; cf. 2Co 7.10), ele não exatamente arrependeu-se do pecado de ter desprezado as promessas de Deus. Uma outra interpretação do arrependimento que ele buscou foi uma mudança na decisão tomada por seu pai.

*          12.18-24 A velha e a nova aliança são comparadas em termos da associação entre os dois montes (Sinai e Sião). O medo foi o tema dominante no Sinai, um monte intocável (e por isso, terreno e mutável, sobre o qual a lei foi dada) (vs. 18-21). A alegria e a confiança caracterizam o Sião celestial (e por isso, eterno), porque lá está o Salvador com o sangue do perdão (vs. 22-24).

*          12.18 ao fogo palpável. À semelhança do santuário levantado pela primeira aliança (9.1,11,24), o monte sobre o qual a lei foi dada, foi parte das coisas que têm "sido feitas", que são destinadas para serem "abaladas" e removidas pela voz de Deus vindo dos céus (v. 27). Como algo que pode ser palpado, Sinai testifica da transitoriedade da primeira aliança (8.3).

*          12.19 suplicaram que não se lhes falasse mais. Com medo que o contato direto com a temível santidade de Deus os destruísse (Êx 20.19), os israelitas suplicaram a Moisés que ele mediasse as palavras de Deus para eles.

*          12.21 A outorga da lei aconteceu com uma demonstração temível do poder de Deus e o medo foi uma reação apropriada (cf. Is 6.4,5; Mt 17.6; Ap 1.17).

*          12.22 tendes chegado. Continuamos ainda na peregrinação terrena e, à semelhança dos patriarcas (11.13), ainda buscamos uma "cidade permanente" (13.14). Todavia, pelos méritos de Jesus, o nosso precursor, temos chegado à Jerusalém celestial, pela fé, onde podemos entrar no Santo dos Santos e cultuar a Deus (10.19-22). Ver "Céu" em Ap 21.1.

incontáveis hostes de anjos. Eles sempre servem a majestade de Deus (Dt 33.2; Sl 68.17; Dn 7.10). Aqui, eles se ajuntaram como se fosse para uma festa ou uma celebração de um feriado.

*          12.23 igreja dos primogênitos. Todos os primogênitos em Israel foram santificados por ocasião da Páscoa e consagrados ao serviço na presença de Deus, porém, foram os levitas que serviram o santuário no lugar dos primogênitos (Nm 3.11-13). Na assembléia celestial, todos os crentes, redimidos da destruição, são "primogênitos", consagrados a Deus e arrolados como os seus sacerdotes. Diferente de Esaú, que desprezou o direito da primogenitura (v. 16), os crentes participam agradecidamente na herança de Jesus, o Primogênito (1.6,14; 2.11,12). Na assembléia celestial, todos os crentes podem cultuar, tanto na terra como nos céus (10.22,25). Ver "A Igreja" em Ef 2.19.

justos aperfeiçoados. Estes são os espíritos daqueles que já morreram no Senhor (2Co 5.8; Ap 14.13). Estão especialmente em vista os santos do Antigo Testamento e do tempo intertestamental, àqueles cuja justiça pela fé foi testificado pelo próprio Deus (11.2,4,5,39) e que agora são aperfeiçoados (11.40) através do sacrifício de Jesus.

*          12.24 A presença de Jesus no Sião celestial explica o seu ambiente de alegria e confiança. Da própria terra, o sangue de Abel clamou por vingança (Gn 4.10), mas o sangue de Jesus, usando a mesma figura, "fala coisas superiores" (isto é, clama pelo perdão dos filhos de Deus, 9.12-15; 10.19-22).

*          12.25-27 A voz de Deus anunciando o evangelho deve ser ouvida com maior atenção e fé que a lei anunciada no Sinai (2.1-4; 3.1-5; 10.28,29).

*          12.25 O contraste entre a mensagem do Antigo Testamento e a mensagem do céu através do Filho, faz-nos lembrar de 1.1-4. Fechando o círculo, o escritor está levando o seu argumento para uma conclusão.

*          12.27 a remoção... abaladas. Cristo enrolará os céus e a terra "qual manto", porém, ele permanecerá (1.12). O encerramento da primeira aliança, "que se torna aniquilada e envelhecida" (8.13), juntamente com seu santuário (9.8) e sacrifícios (10.9) é a previsão do abalamento final.

*          12.28 sirvamos a Deus de modo agradável. A gratidão é derivada do conhecimento de que os nossos nomes estão escritos nos céus (Lc 10.20) e da nossa experiência do "dom inefável" de Deus — Jesus Cristo (2Co 9.15). Reverência e temor provêm de uma correta apreciação da pessoa de Deus (v. 29). Um culto agradável inclui estes motivos.

*          12.29 fogo consumidor. Esta solene citação de Dt 4.24 nos oferece uma conclusão apropriada à exortação que enfatiza a santidade de Deus e o caráter definitivo de seu juízo dos apóstatas (10.27).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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