* 2.1 Comparece
exortações semelhantes em 3.12-14; 4.1,11; 6.11,12; 10.22-25; 12.1-13; e
especialmente 12.25-29, mais uma lembrança do Sinai.
* 2.2,3 O
argumento é do menor para o maior. Se o que os anjos disseram foi
"firme", então o que vem de um que é superior aos anjos deve ser
muito mais firme. A palavra grega para "firme" é terminologia
forense, assim como "testemunho" no v. 4.
* 2.2 falada por meio de anjos. A missão
dos anjos na outorga da lei é sugerido em Dt 33.2 (onde o termo hebraico
traduzido como "santos" é lit., "os santos" e se refere aos
anjos) e tornou-se um elemento comum das descrições judaicas e cristãs do Sinai
(At 7.53; Gl 3.19).
justo castigo. Ilustrado em 10.28,29 (cf. 6.6).
Transgressores da aliança do Senhor foram eliminados da comunidade pactual pela
morte.
* 2.3
salvação. Mencionada pela primeira vez em 1.14, esta salvação inclui a
herança do mundo vindouro (v. 5; 11.16),
a entrada na glória como os filhos adotados por Deus (v. 10), a purificação dos pecados (1.3;
2.11,17), a libertação do medo da morte (vs. 14,15) e o privilégio de
aproximar-se a Deus (4.16; 10.22) a fim de oferecer-lhe um culto aceitável
(12.28; 13.15,16).
que a ouviram. Os apóstolos foram testemunhas
daquilo que Jesus disse e fez em seu ministério, morte, ressurreição (At
1.21,22; 10.39-41; 1Pe 5.1; 2Pe 1.15). O escritor e seus leitores ouviram o
evangelho através deles (Introdução: Autor).
* 2.4
sinais, prodígios e vários milagres. Estes termos são usados no Novo
Testamento para descrever os milagres especiais que Deus usou para demonstrar a
autoridade do Salvador (At 2.22), bem como para atestar os ministérios dos
apóstolos e de Estêvão (At 6.8; 14.3; Rm 15.19; 2Co 12.12).
* 2.5-9 O autor
usa o contraste entre os anjos e os seres humanos no v. 5, para mostrar como o
Filho, quando ele assumiu uma plena e completa humanidade (vs.14,17), restaura
a dignidade do homem para o lugar que Deus lhe designou na criação.
* 2.6
alguém, em certo lugar, deu... testemunho. Esta indefinição quanto às
referências bíblicas é característica do autor de Hebreus, que enfatiza a
autoria divina das Escrituras em vez dos autores humanos (p.ex., 1.5,7,8; 2.12;
3.7; 4.3; 5.5,6). Esse modo de citar uma bem conhecida referência confirmadora
do Antigo Testamento acerca do homem na criação é uma prova da formação judaica
dos leitores.
* 2.8
ainda não vemos. Sl 8 descreve o glorioso status do homem como cabeça
de toda a criação. Porém, é evidente que o homem está longe de desfrutar de tal
posição, por isso, alguma explicação se torna necessária.
* 2.9
vemos... Jesus. Jesus tem a coroa de glória e honra. Agora, precisa
ser demonstrado que ele a recebeu como homem, para assim cumprir as palavras
citadas do Salmo.
por um pouco... feito menor. Ver
referência lateral. A expressão pode referir-se ou a status ou ao tempo (isto
é, "por um pouco" Lc 22.58; At 5.34). Se se refere ao tempo, ela
indica o caráter temporário da humilhação de Jesus.
provasse a morte por todo homem. Aqui,
"todo homem" deve ser entendido à luz do contexto e dos resultados da
morte de Jesus, explicado em outra parte de Hebreus. Ela se refere aos
"muitos filhos" que Deus conduz à glória (v. 10), os quais Jesus
chama "irmãos" (v. 11). Aqueles pelos quais Jesus experimentou a
morte, foram feitos santos e perfeitos, uma vez para sempre, por sua morte
(10.10,14), suas consciências foram purificadas daqueles atos que conduzem à
morte (9.14), por isso, são libertados do medo da morte (2.14,15). Por
contraste, existem aqueles (mesmo dentro das igrejas cristãs) que não confiam
no Filho, antes o expõem ao ridículo (6.6). Para estes, "já não resta
sacrifício pelos pecados, pelo contrário, certa expectação horrível de
juízo" (10.26,27). Assim, aqui, "todo homem" inclui todos
aqueles (e somente aqueles) que perseveram na confiança em Jesus (3.6,14).
* 2.10-18 Para que
os filhos adotados por Deus alcancem a prometida glória do Sl 8, o Filho
unigênito tinha de sofrer a morte em favor deles, destruindo o seu inimigo,
libertando-os da escravidão, e expiando os seus pecados. No plano eterno de
Deus, laços de irmandade unem os redimidos ao "Autor da salvação
deles" (vs.10,11).
* 2.10
Autor. O termo grego pode ser traduzido "Capitão" ou
"Príncipe" (12.2; At 3.15; 5.31). Jesus foi o primeiro a passar pelo
caminho do sofrimento, e como o nosso Capitão, nos conduz à glória que ele
mesmo alcançou.
aperfeiçoasse. Ver nota em 5.9.
* 2.11 o
que santifica. Ver "Expiação" em Rm 3.25.
todos vêm de um só. Ou, "têm a mesma
origem", isto é, Deus. Uma outra interpretação é, "são de uma só
natureza", isto é, a natureza humana.
não se envergonha. À luz da glória do Filho,
como projetada no cap.1, poderíamos esperar que ele recuasse diante de uma
identificação com os falíveis seres humanos; contudo, ele está disposto a nos
chamar irmãos e irmãs. Tal relacionamento familiar é essencial a seu ministério
compassivo e sacerdotal (v. 17; 5.1; 7.5).
* 2.12
Introduzido aqui basicamente por causa das palavras "meus irmãos". Sl
22.22 é o ponto de transição do Salmo que descreve a passagem do Ungido de
sofrimento para libertação. O contexto das palavras citadas corresponde com seu
uso em Hebreus.
* 2.13
Eu porei nele a minha confiança. Esta confissão de fé aparece em
2Sm 22.3; Is 8.17; 12.2 — em cada uma, um servo de Deus expressa confiança na
presença de perigo. Para o Filho — o "Autor e Consumador da fé"
(12.2) — colocar estas palavras em seus próprios lábios representa a sua
condescendência, quanto à sua natureza humana, em viver pela fé, tal como nós
fazemos.
eu e os filhos que Deus me deu. Como
Isaías e seus filhos foram sinais da fidelidade de Deus à geração deles (Is
8.18), assim o Filho que é maior que os profetas (1.1,2; 3.3-6) tem também o
seu círculo de "filhos" dados a ele pelo Pai (Jo 17.6).
* 2.14-18 Cristo é
apresentado, primeiro como o nosso Redentor e Guerreiro que derrota o nosso
opressor e nos liberta; depois, como misericordioso e fiel sumo sacerdote que
nos auxilia em nossas tribulações.
* 2.14
carne e sangue. Esta é uma maneira idiomática para dizer
"humano". A mesma frase grega encontra-se em Mt 16.17; 1Co 15.50; Gl
1.16; Ef 6.12; enfatizando, talvez, as limitações da condição humana.
igualmente, participou. Isto é, a mesma
humanidade, enfatizando o caráter completo da encarnação do Filho. A fim de que
Cristo pudesse vencer a morte e o diabo, suportando o juízo de Deus sobre
pecadores, foi necessário que ele participasse da natureza de "carne e
sangue" deles.
aquele que tem o poder da morte. Havendo
tentado a humanidade para pecar, o diabo passa a agir como um acusador (Ap
12.10), exigindo que um justo castigo seja aplicado; e o "salário do
pecado é a morte" (Rm 6.23; cf. 1Co 15.56). O poder do diabo para matar é
destruído somente quando o nosso pecado tem sido castigado — na morte de
Cristo. Com isto, as suas acusações não têm mais base (Cl 2.14,15).
* 2.16 Este
versículo retoma o contraste do v. 5. O contexto é Is 41.8-14, onde Israel é
chamado "descendente de Abraão", a quem o Senhor "toma" e a
quem promete "ajudar" (Is 41.13; cf. Hb 2.18), por isso, não precisa
de "temer" (Is 41.10; Hb 2.15; cf. 13.5,6). Sobre Abraão e seus
descendentes, ver 6.15-17; 11.9; Rm 4.11-18; 9.7,8; Gl 3.29.
socorre. Outra tradução é "tomar sobre
si" ou "lançar mão sobre", como "participar", da
natureza humana (ver referência lateral) na encarnação. De qualquer forma, a
questão é esta: a natureza da encarnação apresentada no v. 14, determina a
classe das criaturas que Deus pretende salvar. Ele tinha em vista seres
humanos, e para salvá-los, o eterno Verbo teve de encarnar-se como um ser
humano: "E o Verbo se fez carne" (Jo 1.14).
* 2.17
se tornasse semelhante aos irmãos. Somente aquele que tinha sido
tentado de todas as maneiras possíveis, como nós, podia ser o misericordioso
sumo sacerdote (4.15; 5.2). Somente aquele que tinha reagido a cada tentação
com obediência perfeita podia ser fiel sumo sacerdote, sem pecado (4.15; 7.26)
e digno de oferecer a si mesmo como sacrifício imaculado (9.14).
misericordioso e fiel sumo sacerdote. É uma
lembrança do juízo pronunciado sobre a casa de Eli, da família de Arão, e a
vinda de um fiel sumo sacerdote que ministraria para sempre (1Sm 2.35). A
fidelidade e misericórdia de Cristo (5.2) são explicadas no que se segue.
fazer propiciação pelos. O termo
indica que ele carregou sobre si a ira e maldição que estava sobre "o
povo" que pecou (Rm 3.25,26). Ver "Cristo — O Mediador" em 1Tm
2.5.
* 2.18
que ele mesmo sofreu. Ver "A Humanidade de Jesus" em 2Jo 7.
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sergiovalentin