*          7.1-28 A lição central neste capítulo é que a promessa solene de Sl 110: 4 se cumpriu exclusivamente em Jesus Cristo. O eterno sacerdócio de Jesus é explicado de acordo com os dois textos do Antigo Testamento que falam sobre Melquisedeque: Gn 14.17-20 e Sl 110.4.

*          7.1 rei de Salém. A apresentação de Melquisedeque enfatiza que ele foi rei e sacerdote. E como tal, ele é uma figura de Cristo, que é o nosso profeta, sacerdote e rei. "Salém" possivelmente foi o antigo nome de Jerusalém (Sl 76.2).

*          7.2 rei de justiça. O nome "Melquisedeque" é composto das palavras hebraicas, melek, "rei", e zedek, "justiça".

*          7.3 Alguns acreditam que Melquisedeque é uma aparição pré-encarnada de Cristo, mas isto é improvável por causa dos termos de comparação e analogia que são usados: (a) ele é "semelhante ao Filho de Deus" (uma comparação do Filho consigo mesmo seria estranha); (b) o Filho tornou-se sumo sacerdote "segundo a ordem de Melquisedeque" (6.20) mais tarde, através de sua encarnação, morte expiatória, e exaltação. Além do mais, em Gênesis 14 Melquisedeque é apresentado como alguém que tem uma conhecida posição política (rei de Salém), ao passo que as teofanias do Antigo Testamento são momentâneas e excepcionais.

sem pai, sem mãe... que não teve princípio de dias, nem fim de existência. Embora a maioria das pessoas em Gênesis esteja dentro de uma linha genealógica, Melquisedeque aparece sem ancestrais nem descendência, e sem registro de seu nascimento ou morte. O Espírito Santo o descreveu de tal forma para que fosse profético de Cristo.

sem genealogia. A nomeação de sacerdotes segundo a ordem de Melquisedeque não se prende à ancestralidade, porque não há registro de genealogia para esta ordem.

*          7.4-10 Dois atos revelam a superioridade sacerdotal de Melquisedeque sobre os descendentes levíticos de Abraão: Abraão entregou seu dízimo a Melquisedeque (vs. 4-6,8-10) e Melquisedeque abençoou Abraão (vs. 6,7).

*          7.5 os filhos de Levi. Os sacerdotes levíticos herdaram o direito de cobrar impostos, inclusive da descendência de Abraão (Nm 18.21-29).

*          7.7 pelo superior. Impetrar a bênção e receber o dízimo, neste caso, demonstra claramente a superioridade de Melquisedeque sobre Abraão.

*          7.8 homens mortais... se testifica que vive. Os "homens mortais" são os levitas, cujo ofício e autoridade são transferidos por descendência e herança, de acordo com as disposições da lei (v. 5). Melquisedeque, porém, "vive". A declaração de que ele vive se encontra no Sl 110.4 (citado em 5.6) e volta a ser destacada com as alusões em 6.20 e 7.3. Na seção que se segue (vs. 11-28), a importância desta declaração ou "juramento" é explicada (vs. 20-22).

*          7.9 pagou-os na pessoa de Abraão. O argumento é baseado sobre o status representativo de Abraão como o progenitor do sistema sacerdotal, apoiado na descendência física; aqueles sacerdotes não podem ser elevados acima de Abraão. O argumento não significa que cada pessoa que descendeu de Abraão, pela simples razão de ser seu descendente físico, participava de tudo que Abraão fazia. O texto não subentende qualquer pré-existência de Levi.

*          7.11 Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico. Isto é, se os sacerdotes levíticos tivessem poder para conferir ao povo um permanente e livre acesso a Deus. Como em 4.8 e 8.7, o autor argumenta que certas promessas no próprio Antigo Testamento indicam que a lei foi imperfeita e que seria substituída nos "últimos dias" (1.2). A pergunta retórica anuncia que a eficácia do sistema levítico será comparada com aquele de "outro sacerdote".

 pois nele baseado o povo recebeu a lei. Por causa do pecado e a necessidade do ministério de reconciliação, o sacerdócio levítico foi instituído, juntamente com a lei mosaica que o estipulou. A lei e o sacerdócio estão sendo examinados juntos, como sistema único para uma vida religiosa. Se forem imperfeitos, ambos serão substituídos (v. 12).

*          7.13-28 Agora, as diferenças entre Jesus e os levitas são ligeiramente avaliadas. A sua descendência é de Judá, e não de Levi (v. 14). Ele vive eternamente, e o seu sacerdócio é fundamentado sobre o juramento divino (v. 20).

*          7.16 o poder de vida indissolúvel. O eterno sacerdócio de Cristo (Sl 110.4) é fundamentado sobre o poder invencível de sua ressurreição (Rm 6.9,10).

*          7.19 Ver nota no v.11.

esperança superior. Esta esperança, juntamente com a promessa e o juramento de Deus foi mencionada em 6.17,18. Os vs.  20-28 continuam com a ênfase sobre a ligação entre a nossa esperança e a certeza da promessa e do juramento de Deus.

*          7.21 juramento. O juramento divino, registrado em Sl 110.4 ("O SENHOR jurou"), demonstra a permanência imutável do novo sacerdócio de Jesus (6.17,18).

*          7.22 fiador. Esta é uma palavra grega que se encontra somente aqui no Novo Testamento. O próprio Jesus, como a substância daquilo que foi prometido, e como possuidor de uma indestrutível vida ressurreta (v. 16), é a garantia de uma nova e melhor aliança (ver referência lateral).

aliança. Esta é a primeira de dezessete usos desta palavra importante (Grego diatheke) em Hebreus. É a tradução normal da palavra "aliança" (Hebraico berith) do Antigo Testamento em grego. Uma "nova aliança" foi prometida em Jr 31.31-34, e será citada em 8.8-12 e 10.16,17.

*          7.23 sacerdotes em maior número. A frase se refere aos muitos sumos sacerdotes que se sucederam no ofício. A lei da sucessão sacerdotal (Êx 29.29,30) pressupôs que cada sacerdote finalmente morreria. Esta falta de permanência, juntamente com a repetição dos sacrifícios do Antigo Testamento mostra a insuficiência do velho sistema.

*          7.25 A perpetuidade da vida e do sacerdócio de Jesus tornam possível a sua eterna intercessão em favor dos "que por ele se chegam a Deus", culminando na total e eterna salvação deles. "Totalmente" pode referir-se à abrangência da salvação (satisfazendo cada uma das nossas necessidades), ou à eternidade da salvação (por ser baseada sobre o fato de Jesus estar "vivendo sempre para interceder por eles").

*          7.26 santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores. Em 2.18 e 4.15-5.3, o autor mostrou a importância da identificação de Jesus conosco ao sujeitar à tentação. Mas, é igualmente necessário que ele esteja "sem pecado” (4.15), a fim de ser qualificado para entrar no santuário celestial em nosso favor (8.1,2; 9.11,12,24,25). Ver "A Impecabilidade de Jesus" em 4.15.

*          7.27 O contraste entre os sacerdotes levíticos, que repetiram diariamente (e anualmente) os sacrifícios, e a oferta que Jesus fez de si mesmo, uma vez por todas, é desenvolvido em 9.25-10.18.

*          7.28 Este versículo resume o contraste entre o sacerdócio pactual do AntigoTestamento e o do Novo Testamento. Primeiro, o antigo sacerdócio pactual foi instituído por lei, mas sem o juramento divino (v. 20), enquanto o eterno sacerdócio de Cristo foi instituído com juramento divino (v. 21). Segundo, a nomeação de fracos e pecaminosos (v. 27) homens é contrastada com a eterna nomeação do imaculado "Filho, perfeito para sempre".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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