*          9.1 serviço... santuário. Este versículo é o início de uma minuciosa comparação entre o sacrifício do Antigo Testamento e o sacrifício de Cristo, que continua até o cap. 10. A primeira parte é um resumo do santuário do Antigo Testamento e de suas atividades.

*          9.3 véu. Este véu, ou, cortina, separava o Santo dos Santos, onde a presença de Deus no meio de seu povo foi revelada mais intensamente (6.19). Com a morte de Jesus, esta cortina foi rasgada em duas partes (10.20; Mt 27.51).

*          9.4 altar de ouro para o incenso. Embora este "altar de ouro" ou altar para o incenso estivesse diante do véu (Êx 40.26), sua função era tão intimamente associada com o interior do Santo dos Santos e a arca ali contida (Êx 30.6), que ele foi considerado parte dele (1Rs 6.22). Quando o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, ele queimava incenso, produzindo uma fumaça para cobrir o propiciatório que ficava sobre o Testemunho protegendo-se assim da pureza consumidora do Senhor (Lv 16.12,13).

a vara de Arão. A vara ou cajado que floresceu para mostrar que o privilégio sacerdotal vem somente pela designação de Deus (Nm 17.10) como ensinado em 5.4,5.

*          9.5 querubins de glória. O "propiciatório" era a tampa da arca, e sobre ela as duas figuras de querubins com rostos voltados um para o outro, representando os cortesãos celestiais que servem constantemente na presença de Deus.

Dessas coisas... não falaremos... pormenorizadamente. Os escritores judaicos do primeiro século, tais como Filo, deram muito espaço para o simbolismo dos utensílios no santuário. Mas o autor de Hebreus preocupa-se em explicar o que acontecia no tabernáculo, e por isso não fala mais sobre os utensílios, seja qual for o seu valor simbólico.

*          9.6 continuamente entram no primeiro tabernáculo os sacerdotes. Seu serviço foi substituir os pães da proposição (Êx 25.30; Lv 24.5-9), manter aceso o candelabro (Êx 27.20,21; Lv 24.1-4) e queimar o incenso aromático duas vezes por dia, simbolizando as orações do povo (Êx 30.7-9; Lc 1.8-10; Ap 8.3).

*          9.7,8 O fato que uma só pessoa, uma vez por ano, e somente após preparos especiais podia entrar no Santo dos Santos, revela a mensagem do Espírito Santo através da lei, de que o santuário terreno não podia ser o meio de uma livre e confiante aproximação a Deus. A promessa da nova aliança: "todos me conhecerão" (8.11) não podia se cumprir no tabernáculo terreno.

*          9.7 oferece, por si. Os próprios sacerdotes levíticos necessitavam da expiação, algo de que o nosso sumo sacerdote, Jesus, não precisou (5.3; 7.26,27).

pecados de ignorância. Ver nota em 5.2.

*          9.9 uma parábola para a época presente. O escritor interpreta as cerimônias do tabernáculo como uma profecia dos tempos do evangelho (8.5, nota). Neste caso, os requerimentos ritualísticos revelam uma insuficiência que seria corrigida pelo evangelho.

*          9.11 dos bens já realizados. Ver referência lateral. A purificação na consciência e a confiança para aproximar-se a Deus não eram plenamente acessíveis enquanto o santuário e os sacrifícios da aliança vigoravam (10.1), porém, em Cristo, já chegaram. O autor de Hebreus vê os benefícios do tempo vindouro já experimentados (em parte) pela Igreja (6.5; 12.22-24).

o maior e mais perfeito tabernáculo. A realidade celestial que se esconde na cópia terrena da lei (8.5; 9.24).

*          9.12 sangue de bodes e de bezerros. Este foi usado pelo sumo sacerdote no Dia da Expiação para purificar anualmente o Santo dos Santos (Lv 16.11-16).

uma vez por todas. Em contraste com a repetição dos sacrifícios pelos sacerdotes levíticos (10.2,3,10-14). Esta palavra enfática antecipa a proclamação culminante nos vs. 26-28.

eterna redenção. A redenção é uma aquisição através do pagamento de um preço ou resgate. O efeito da redenção por Cristo é permanente, porque ela foi feita por seu próprio sangue.

*          9.13 cinza de uma novilha. Esse resíduo era usado com água para purificar as pessoas que haviam tocado num morto. Essa impureza era apenas cerimonial e não moral.

purificação da carne. Eles se tornaram elegíveis mais uma vez para seus deveres no culto.

*          9.14 muito mais. Como em 2.2,3, o escritor usa um argumento do menor para o maior. O menor é o sangue de animais oferecido pelo sumo sacerdote na terra; o maior é o sangue derramado por Cristo. O menor tinha poder cerimonial; o maior remove a culpa da consciência.

sem mácula. O sacrifício tem de ser sem qualquer defeito a fim de servir como substituto expiatório para pecadores (Nm 6.14; 1Pe 1.19).

obras mortas. Não as obras da lei que são inúteis para a justificação (Gl 3.1-14), antes, os atos pecaminosos que merecem a maldição pactual da morte (6.1). Ver "A Consciência e a Lei" em 1Sm 24.5.

servimos ao Deus vivo! Em última análise, o alvo do perdão é teocêntrico — não apenas nos livrar do medo do juízo, mas também qualificar-nos para adorar a Deus de modo agradável (12.28; 13.15,16,21).

*          9.15 A morte de Cristo inaugurou a nova aliança e trouxe redenção da anátema que estava sobre os transgressores da primeira aliança. Ver "Cristo — o Mediador" em 1Tm 2.5.

para remissão. Neste caso, uma morte foi necessária para efetuar esta remissão dos pecados (cf. v. 12). A violação da aliança de Deus envolve uma condenação judicial que se cumpre somente através da morte do violador, ou da remissão através da morte de um substituto aceitável.

*          9.16 onde há testamento. A palavra grega para "testamento" (diatheke) é a mesma palavra traduzida como “aliança” neste capítulo e em outros lugares. O objetivo em vista é enfatizar a necessidade de uma morte a fim de se tomar posse daquilo que Deus tem prometido. Se o escritor não estiver falando de uma última vontade, então, provavelmente está se referindo à ratificação da aliança através de um sacrifício representativo, como se encontra em Gênesis 15.

*          9.19 Moisés... tomou o sangue. A referência é de Êx 24.4-8. Nesta cerimônia, Deus, o autor do livro e o povo da congregação comprometeram-se com a aliança, juntamente com as suas penalidades.

*          9.20 Este é o sangue. A aliança foi escrita no livro, porém, tinha de ser ratificada com uma oferta de sangue. O sangue não era derramado por aqueles que poderiam ter transgredido a aliança, mas por animais que os substituíram (cf. Gn 15.9-18; Jr 34.18-20). Tudo isso era uma demonstração vívida de que a derradeira sanção, ou penalidade da aliança foi a morte.

*          9.21-24 O próprio santuário, o lugar onde o Deus santo e um povo pecador se encontravam, deve ser purificado através de sangue sacrificial, o único meio para alcançar o perdão. Este é o caso, não somente do tabernáculo terreno da antiga aliança (vs. 21,22), mas também da realidade celestial (vs. 23,24), que foi purificada através do sacrifício de Cristo na cruz (v. 23, nota).

*          9.22 quase todas as coisas. O tabernáculo e os seus utensílios eram tão intimamente identificados com os adoradores que se encontraram com Deus naquele lugar, que o sangue sacrificial necessário para o perdão dos adoradores (10.18), foi igualmente necessário para purificar os utensílios e o ambiente de seu culto (Lv 16.16).

sem derramamento de sangue, não há remissão. Este é o princípio fundamental (Lv 17.11), agora reafirmado depois de ser introduzido nos vs. 16-18, e, tendo sido estabelecido, o escritor transfere a sua atenção do santuário terreno para o celestial.

*          9.23 as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores. O santuário celestial em si mesmo não precisa ser purificado da impureza causada pelo pecado humano. Contudo, no mesmo sentido em que o santuário terreno foi purificado por sangue sacrificial e separado para ser o lugar onde pecadores pudessem aproximar-se a Deus, assim também, o verdadeiro santuário nos céus tem sido separado pelo sacrifício de Cristo, para ser o lugar onde pecadores podem entrar e aproximar-se de Deus através do sangue de Jesus (10.19-22; 12.24).

*          9.24 comparecer, agora, por nós, diante de Deus. No mesmo sentido em que o sumo sacerdote comparecia em favor de Israel no Dia da Expiação (Lv 16.32,33).

*          9.25 muitas vezes. A mesma palavra grega se encontra no v. 26 e em 10.11. A repetição dos sacrifícios evidenciou a sua incapacidade para remover a culpa (10.2), antes, eles eram uma recordação constante de seus pecados (10.3). O autor já enfatizou que as cerimônias do Dia da Expiação aconteciam somente uma vez por ano (v. 7); aqui, a ênfase recai sobre a sua repetição, ano após ano (10.1).

com sangue alheio. A oferta do sumo sacerdote é contrastada com a oferta que Cristo fez de si mesmo. Como pessoa que precisava da expiação (v. 7), nenhum sumo sacerdote levítico podia oferecer a si mesmo como um substituto imaculado a fim de substituir os outros (v. 14).

*          9.26 fundação do mundo... ao se cumprirem os tempos. Estas frases se referem a um longo intervalo de tempo, durante o qual Cristo tinha de oferecer a si mesmo apenas uma única vez. "Ao se cumprirem os tempos" é igual a "nestes últimos dias" (1.2), um período inaugurado pela morte, ressurreição e ascensão de Cristo.

*          9.27 morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo. Assim, tanto a reencarnação, bem como o conceito de que a morte física é o fim de uma existência pessoal são desmentidos. Cristo experimentou o destino comum a todos os seres humanos: a morte e o juízo (v. 28), mas, para ele, o juízo consistiu em ressurreição e vindicação (1Tm 3.16). Esta vindicação será plenamente manifestada quando ele voltar outra vez (1Ts 1.10). Ver "Morte e Estado Intermediário" em Fp 1.23.

*          9.28 tirar os pecados de muitos. Uma referência específica ao Servo Sofredor em Is 53.12.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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