* 1.1-4 O prólogo
introduz as duas épocas na história, quando Deus falava com seu povo em termos
de "outrora" (v. 1) e nestes
"últimos dias" (v. 2). A vinda
de Cristo estabeleceu a nossa época como os prometidos "últimos dias"
da salvação que os profetas previram (Jr 23.20; Os 3.5; Mq 4.1; cf. 1Co 10.11).
* 1.1 Deus... Falado. Um tema
importante em Hebreus (2.2,3; 4.12; 6.5; 11.3; 12.25).
muitas
vezes. O caráter fragmentário da revelação profética evidenciou ser
ela incompleta, tal como a repetição dos sacrifícios de animais demonstraram a
sua incapacidade para remover a culpa (10.1).
muitas
maneiras. Que incluíram visões, sonhos, e por enigmas (Nm 12.6-8; com
uma alusão em 3.5).
* 1.2 pelo Filho. Esta
revelação é qualitativamente superior àquela dada através dos profetas. Moisés,
o maior profeta, foi apenas um servo na casa de Deus; Cristo é "Filho em
sua casa" (3.6). Tal como os profetas fizeram, o Filho fala, mas a sua
revelação é definitiva.
herdeiro de
todas as coisas. A supremacia do Filho será manifestada na consumação
da história, porque "Tudo foi criado... para ele" (Cl 1.16). Ele é o
Primogênito (v. 6), o herdeiro
preeminente, cujos inimigos serão postos por estrado dos seus pés (v. 13, citando Sl 110.1). Como filhos de Deus,
adotados por intermédio de Jesus, nós também somos herdeiros (v. 14; 6.12,17; Gl 4.6,7; Rm 8.14-17).
pelo qual
também fez o universo. A supremacia do Filho foi manifestada nos primórdios
da história, porque "nele foram criados todas as coisas" (Cl 1.16;
cf. Jo 1.3). A palavra grega, traduzida como "universo" é lit.,
"eras" (também em 11.3), realçando os tempos sucessivos da história
na cronologia da criação. Os vs.10,11 citam Sl 102.25-27 como testemunho ao
lugar do Filho na criação e à sua permanência eterna, contrastado com o
universo criado.
* 1.3 resplendor da glória. A palavra
grega traduzida como "resplendor" descreve a sabedoria divina,
personificada no livro intertestamentário dos judeus, Sabedoria de Salomão
(Sabedoria 7.25-28). Porém, Hebreus não fala de um atributo personificado, mas
da pessoa divina que entrou na história para purificar pecadores.
a expressão
exata do seu Ser. Este versículo descreve tanto a unidade do Filho com
o Pai, como também a distinção entre as pessoas divinas. Como aquele cujo ser
corresponde exatamente ao do Pai, o Filho verdadeiramente revela o Pai. Cristo
"é a imagem do Deus invisível" (Cl 1.15), pela qual vemos o Pai (Jo
14.9; 2Co 4.4-6).
sustentando
todas as coisas pela palavra de seu poder. Dentro da história, é a
autoridade do Filho que mantém a existência do mundo criado (Cl 1.17; 2Pe
3.4-7), preservando-o da destruição, até aquele dia quando a sua voz removerá
tudo exceto o reino inabalável de Deus e os seus herdeiros (12.26-28).
a
purificação dos pecados. A mudança no tempo do verbo focaliza o interesse
sobre a morte expiatória do Filho na história, e o ato sacerdotal que nos
purifica, a fim de prestarmos culto na presença de Deus (9.14).
assentou-se
à direita... nas alturas. A entronização do Filho "à direita" de Deus
nos céus, prometido em Salmo 110.1, revela de duas maneiras a sua
superioridade. Primeiro, "à direita" da majestade, Cristo está
ministrando no verdadeiro e celestial santuário, e não numa cópia terrestre
(8.1,2,5). Segundo, ele assentou-se porque a sua obra sacrificial (diferente
daquela dos sacerdotes levíticos) foi consumada uma vez por todas (10.11,12).
* 1.4 superior aos anjos. Esta é
demonstrada por uma série de citações do Antigo Testamento que se seguem
(vs.5-14).
herdou mais
excelente nome. O Filho eterno tomou sobre si uma natureza humana a
fim de nos livrar do pecado e da morte (2.14,15). Tendo voluntariamente
assumido por um certo tempo uma posição "menor que os anjos" (2.7),
agora, como o ressuscitado e ascendido Messias, ele é "designado Filho de
Deus com poder" (Rm 1.4) para salvar o seu povo (v. 5, nota). Assim, a
exaltação de Cristo inaugura uma nova fase em sua filiação messiânica e
redentiva que lhe outorga uma dignidade muito acima da dos anjos.
* 1.5,6 A série de
citações começa com exemplos dos Salmos (v.
5, de Sl 2.7); dos profetas (v.
25, de 2Sm 7.14; na Bíblia hebraica os livros de Samuel são contados com
os profetas); e da Lei (v. 6, de Dt
32.43). O versículo 6 vem provavelmente da tradução grega (Septuaginta) de Dt
32.43, embora seja também semelhante da Sl 97.7.
* 1.5 Tu és meu Filho. O decreto
do Pai, declarando o Messias como seu Filho é identificado com a exaltação de
Cristo (v. 4, nota; 5.5; At 13.32-35; Rm
1.4). Embora Jesus seja o eterno e divino Filho de Deus (Mc 1.11; Jo 3.16), a
declaração da sua filiação redentiva, profetizado em Sl 2.7, lhe foi conferida
no tempo, quando ele completou a sua obra messiânica. Os crentes não se tornam
divinos e nem participam na eterna e divina filiação de Cristo, mas, a sua
adoção como filhos de Deus significa que eles participam da filiação redentiva de
Cristo através de sua união com o "Autor da salvação deles" (2.10;
cf. 3.14, nota; Rm 8.29).
* 1.6 ao introduzir... no mundo. Quando o
Filho condescende em assumir a nossa natureza humana, os anjos o adoram (Lc
2.13,14).
Primogênito. Como em
Sl 89.27, o termo indica "a posição mais elevada", acima dos reis da
terra, e não "gerado antes de outros". Em Êx 4.22, o termo significa
"escolhido" ou "mais desejado" (Cl 1.15, nota).
* 1.7 As nuvens de Sl 104 adornam a morada celestial do Senhor.
("Ventos" o termo grego pode ser traduzido "espíritos") e
"labareda de fogo" associam os anjos com a mutabilidade do mundo
criado, em contraste com a permanência eterna do Filho (vs.10-12).
ministros. Em
contraste com a entronização monárquica do Filho (vs. 8,9), os anjos são meros
"ministros" ou "servos".
* 1.8,9 De Sl 45.6,7. Aquele que se dirige ao Filho
com as palavras "ó Deus", ele mesmo é "Deus, o teu Deus". O
Filho é Deus, contudo, distinto do Pai (Jo 1.1).
* 1.9 Amaste a justiça. Sobre a
obediência e justiça do Filho, ver 4.15; 5.8; 7.26.
* 1.10 Sobre o Filho como Criador,
ver v. 2 e nota.
* 1.11 tu... permaneces. A eterna
imutabilidade do Filho como Deus é essencial a seu sumosacerdócio (7.3,23,24).
Por meio dele, a herança dos crentes permanece para sempre (10.34; 12.27,28;
13.14).
* 1.13,14 A posição
do Filho como autoridade celestial (8.1) é contrastada com a missão dos anjos
como ministros "a favor dos que hão de herdar a salvação" (isto é,
aos que participam como co-herdeiros dos direitos de Cristo que é o herdeiro,
vs. 2,5; 2.10; 6.12; cf. Rm 8.17,29). Os anjos servem a Cristo, mas também a
seu povo, que herda a salvação através de uma união com ele. Nisto, o seu povo
é favorecido acima dos anjos (cf. 2.16; 1Co 6.3).
* 2.1 Comparece exortações
semelhantes em 3.12-14; 4.1,11; 6.11,12; 10.22-25; 12.1-13; e especialmente
12.25-29, mais uma lembrança do Sinai.
* 2.2,3 O
argumento é do menor para o maior. Se o que os anjos disseram foi
"firme", então o que vem de um que é superior aos anjos deve ser
muito mais firme. A palavra grega para "firme" é terminologia
forense, assim como "testemunho" no v. 4.
* 2.2 falada
por meio de anjos. A missão dos anjos na outorga da lei é sugerido em Dt
33.2 (onde o termo hebraico traduzido como "santos" é lit., "os
santos" e se refere aos anjos) e tornou-se um elemento comum das
descrições judaicas e cristãs do Sinai (At 7.53; Gl 3.19).
justo
castigo. Ilustrado em 10.28,29 (cf. 6.6). Transgressores da aliança
do Senhor foram eliminados da comunidade pactual pela morte.
* 2.3 salvação. Mencionada
pela primeira vez em 1.14, esta salvação inclui a herança do mundo vindouro
(v. 5; 11.16), a entrada na glória como
os filhos adotados por Deus (v. 10), a
purificação dos pecados (1.3; 2.11,17), a libertação do medo da morte (vs.
14,15) e o privilégio de aproximar-se a Deus (4.16; 10.22) a fim de
oferecer-lhe um culto aceitável (12.28; 13.15,16).
que a
ouviram. Os apóstolos foram testemunhas daquilo que Jesus disse e fez
em seu ministério, morte, ressurreição (At 1.21,22; 10.39-41; 1Pe 5.1; 2Pe
1.15). O escritor e seus leitores ouviram o evangelho através deles
(Introdução: Autor).
* 2.4 sinais, prodígios e vários
milagres. Estes termos são usados no Novo Testamento para descrever os
milagres especiais que Deus usou para demonstrar a autoridade do Salvador (At
2.22), bem como para atestar os ministérios dos apóstolos e de Estêvão (At 6.8;
14.3; Rm 15.19; 2Co 12.12).
* 2.5-9 O autor
usa o contraste entre os anjos e os seres humanos no v. 5, para mostrar como o
Filho, quando ele assumiu uma plena e completa humanidade (vs.14,17), restaura
a dignidade do homem para o lugar que Deus lhe designou na criação.
* 2.6 alguém, em certo lugar, deu...
testemunho. Esta indefinição quanto às referências bíblicas é
característica do autor de Hebreus, que enfatiza a autoria divina das
Escrituras em vez dos autores humanos (p.ex., 1.5,7,8; 2.12; 3.7; 4.3; 5.5,6).
Esse modo de citar uma bem conhecida referência confirmadora do Antigo
Testamento acerca do homem na criação é uma prova da formação judaica dos leitores.
* 2.8 ainda não vemos. Sl 8
descreve o glorioso status do homem como cabeça de toda a criação. Porém, é
evidente que o homem está longe de desfrutar de tal posição, por isso, alguma
explicação se torna necessária.
* 2.9 vemos... Jesus. Jesus tem
a coroa de glória e honra. Agora, precisa ser demonstrado que ele a recebeu
como homem, para assim cumprir as palavras citadas do Salmo.
por um
pouco... feito menor. Ver referência lateral. A expressão pode referir-se
ou a status ou ao tempo (isto é, "por um pouco" Lc 22.58; At 5.34).
Se se refere ao tempo, ela indica o caráter temporário da humilhação de Jesus.
provasse a
morte por todo homem. Aqui, "todo homem" deve ser entendido à luz
do contexto e dos resultados da morte de Jesus, explicado em outra parte de Hebreus.
Ela se refere aos "muitos filhos" que Deus conduz à glória (v. 10),
os quais Jesus chama "irmãos" (v. 11). Aqueles pelos quais Jesus
experimentou a morte, foram feitos santos e perfeitos, uma vez para sempre, por
sua morte (10.10,14), suas consciências foram purificadas daqueles atos que
conduzem à morte (9.14), por isso, são libertados do medo da morte (2.14,15).
Por contraste, existem aqueles (mesmo dentro das igrejas cristãs) que não
confiam no Filho, antes o expõem ao ridículo (6.6). Para estes, "já não
resta sacrifício pelos pecados, pelo contrário, certa expectação horrível de
juízo" (10.26,27). Assim, aqui, "todo homem" inclui todos
aqueles (e somente aqueles) que perseveram na confiança em Jesus (3.6,14).
* 2.10-18 Para que
os filhos adotados por Deus alcancem a prometida glória do Sl 8, o Filho
unigênito tinha de sofrer a morte em favor deles, destruindo o seu inimigo,
libertando-os da escravidão, e expiando os seus pecados. No plano eterno de
Deus, laços de irmandade unem os redimidos ao "Autor da salvação
deles" (vs.10,11).
* 2.10 Autor. O termo
grego pode ser traduzido "Capitão" ou "Príncipe" (12.2; At
3.15; 5.31). Jesus foi o primeiro a passar pelo caminho do sofrimento, e como o
nosso Capitão, nos conduz à glória que ele mesmo alcançou.
aperfeiçoasse. Ver nota
em 5.9.
* 2.11 o que santifica. Ver
"Expiação" em Rm 3.25.
todos vêm
de um só. Ou, "têm a mesma origem", isto é, Deus. Uma outra
interpretação é, "são de uma só natureza", isto é, a natureza humana.
não se
envergonha. À luz da glória do Filho, como projetada no cap.1,
poderíamos esperar que ele recuasse diante de uma identificação com os falíveis
seres humanos; contudo, ele está disposto a nos chamar irmãos e irmãs. Tal
relacionamento familiar é essencial a seu ministério compassivo e sacerdotal
(v. 17; 5.1; 7.5).
* 2.12 Introduzido aqui
basicamente por causa das palavras "meus irmãos". Sl 22.22 é o ponto
de transição do Salmo que descreve a passagem do Ungido de sofrimento para
libertação. O contexto das palavras citadas corresponde com seu uso em Hebreus.
* 2.13 Eu porei nele a minha confiança. Esta
confissão de fé aparece em 2Sm 22.3; Is 8.17; 12.2 — em cada uma, um servo de
Deus expressa confiança na presença de perigo. Para o Filho — o "Autor e
Consumador da fé" (12.2) — colocar estas palavras em seus próprios lábios
representa a sua condescendência, quanto à sua natureza humana, em viver pela
fé, tal como nós fazemos.
eu e os
filhos que Deus me deu. Como Isaías e seus filhos foram sinais da fidelidade
de Deus à geração deles (Is 8.18), assim o Filho que é maior que os profetas
(1.1,2; 3.3-6) tem também o seu círculo de "filhos" dados a ele pelo
Pai (Jo 17.6).
* 2.14-18 Cristo é
apresentado, primeiro como o nosso Redentor e Guerreiro que derrota o nosso
opressor e nos liberta; depois, como misericordioso e fiel sumo sacerdote que
nos auxilia em nossas tribulações.
* 2.14 carne e sangue. Esta é uma
maneira idiomática para dizer "humano". A mesma frase grega
encontra-se em Mt 16.17; 1Co 15.50; Gl 1.16; Ef 6.12; enfatizando, talvez, as
limitações da condição humana.
igualmente,
participou. Isto é, a mesma humanidade, enfatizando o caráter completo
da encarnação do Filho. A fim de que Cristo pudesse vencer a morte e o diabo,
suportando o juízo de Deus sobre pecadores, foi necessário que ele participasse
da natureza de "carne e sangue" deles.
aquele que
tem o poder da morte. Havendo tentado a humanidade para pecar, o diabo
passa a agir como um acusador (Ap 12.10), exigindo que um justo castigo seja
aplicado; e o "salário do pecado é a morte" (Rm 6.23; cf. 1Co 15.56).
O poder do diabo para matar é destruído somente quando o nosso pecado tem sido
castigado — na morte de Cristo. Com isto, as suas acusações não têm mais base
(Cl 2.14,15).
* 2.16 Este versículo retoma o
contraste do v. 5. O contexto é Is 41.8-14, onde Israel é chamado
"descendente de Abraão", a quem o Senhor "toma" e a quem
promete "ajudar" (Is 41.13; cf. Hb 2.18), por isso, não precisa de
"temer" (Is 41.10; Hb 2.15; cf. 13.5,6). Sobre Abraão e seus
descendentes, ver 6.15-17; 11.9; Rm 4.11-18; 9.7,8; Gl 3.29.
socorre. Outra
tradução é "tomar sobre si" ou "lançar mão sobre", como
"participar", da natureza humana (ver referência lateral) na
encarnação. De qualquer forma, a questão é esta: a natureza da encarnação
apresentada no v. 14, determina a classe das criaturas que Deus pretende
salvar. Ele tinha em vista seres humanos, e para salvá-los, o eterno Verbo teve
de encarnar-se como um ser humano: "E o Verbo se fez carne" (Jo
1.14).
* 2.17 se tornasse semelhante aos irmãos. Somente
aquele que tinha sido tentado de todas as maneiras possíveis, como nós, podia
ser o misericordioso sumo sacerdote (4.15; 5.2). Somente aquele que tinha
reagido a cada tentação com obediência perfeita podia ser fiel sumo sacerdote,
sem pecado (4.15; 7.26) e digno de oferecer a si mesmo como sacrifício
imaculado (9.14).
misericordioso
e fiel sumo sacerdote. É uma lembrança do juízo pronunciado sobre a casa de
Eli, da família de Arão, e a vinda de um fiel sumo sacerdote que ministraria
para sempre (1Sm 2.35). A fidelidade e misericórdia de Cristo (5.2) são
explicadas no que se segue.
fazer
propiciação pelos. O termo indica que ele carregou sobre si a ira e
maldição que estava sobre "o povo" que pecou (Rm 3.25,26). Ver
"Cristo — O Mediador" em 1Tm 2.5.
* 2.18 que ele mesmo sofreu. Ver
"A Humanidade de Jesus" em 2Jo 7.
* 3.1 santos irmãos. Esta
maneira de dirigir-se a alguém, é tipicamente cristã (3.12; 10.19; At 1.16; 1Co
3.1), tem um sentido especial aqui, porque Jesus nos chama "irmãos" e
nos "santifica" (2.11).
vocação
celestial. Dos céus, o Senhor chama, convocando-nos a sermos
perseverantes à fé (12.25). Ele nos chama também para os céus, uma pátria
superior (11.16) e à eterna herança daqueles que são chamados (9.15).
considerai. Posto que
Cristo é poderoso para resolver os maiores problemas que enfrentamos, devemos
estar prontos para prestar toda atenção àquilo que será dito acerca dele.
Apóstolo. Este
título é aplicado a Cristo somente neste lugar no Novo Testamento, e enfatiza o
fiel cumprimento da missão que o Pai lhe deu (v. 2; cf. 10.5-10; Jo 6.38;
20.21).
* 3.2-6 Com
referência a Nm 12.7, Moisés e Cristo são comparados quanto à fidelidade, e
contrastando quanto à honra. Embora privilegiado para falar face a face com
Deus, e ver a sua forma (Nm 12.8), Moisés era apenas um "servo" na
casa de Deus (v. 5). Cristo, porém, como agente da criação (1.2,10), merece a
honra como o Construtor divino de todas as coisas e "como Filho, em sua
casa" (v. 6).
* 3.3 que a estabeleceu. A
implicação necessária é que Jesus é o construtor da casa e, portanto, que ele é
divino (v. 4). Este texto indica tanto a identidade de Cristo como Deus
("que a estabeleceu") quanto a sua distinção pessoal do Pai (v. 6).
* 3.5 fiel, em toda a casa. Posto que
o autor se refere a Nm 12.7, a ênfase recai sobre a dignidade do serviço de
Moisés. Ele é ministrador incomparável da lei, porém, o ministério de Cristo é
ainda mais sublime.
testemunho...
de ser anunciadas. O ministério de Moisés testificava da vinda de Cristo
(Jo 5.46,47). A lei mosaica, através de suas figuras, apontava para as coisas
boas trazidas por Cristo (9.11; 10.1), porque em suas regulamentações, o
Espírito Santo mostrou que acesso à presença de Deus iria acontecer somente
depois da substituição do tabernáculo terrestre para algo superior (9.8).
* 3.6 em sua casa. Uma
preposição diferente é usada em 10.21. Cristo está "sobre" a sua
casa.
a qual casa
somos nós. A casa de Deus é composta de seu povo (1Sm 2.35; 2Sm 7.16;
Ef 2.19-22; 1Tm 3.15; 1Pe 2.5), um tema importante que permeia as Escrituras.
se
guardarmos firme. Esta condição explica aos leitores como eles podem
ter certeza de que pertencem a Deus — sua fé deve provar ser verdadeira através
da perseverança (v. 14; 6.11; 10.23). A palavra de advertência é uma introdução
apropriada para a citação de Sl 95 que se segue.
* 3.7—4.13 O escritor
cita Sl 95.7-11, e passa a usar numerosas citações e alusões breves a fim de
permanecer dentro do alvo da sua exposição. Palavras chaves que são importantes
nesta seção, incluem "Hoje" (3.13,15; 4.7) e "descanso"
(4.3,5,6,8-11); a exposição de "descanso" é desenvolvida do ensino
sobre o sábado em Gn 2.2. Juntamente com este ensino é a exortação para
"entrar naquele descanso" (4.11) e a advertência para não "endurecer
o coração" (3.15; 4.7).
* 3.8 dia da tentação. Uma
ocasião significante de tentação aconteceu em Refidim (Êx 17.1-7) onde o povo
murmurou e Moisés feriu a rocha a fim de lhe dar água. Todo o período de
quarenta anos, andando no deserto, foi caracterizado pela desobediência e rebelião,
fato que pode estar em lembrança aqui (vs. 9,10; Sl 78.40).
* 3.11 jurei. Nm
14.21-30 registra a resolução de Deus de não deixar aquela geração entrar na
Terra Prometida. Hebreus interpreta esse juramento como uma referência ao
descanso que é divino e eterno (4.1-11).
meu
descanso. Ver nota em 4.8.
* 3.12,13 O autor se
dirige a seus leitores segundo os termos de sua confissão de fé (v. 1),
dizendo, "irmãos", porém, reconhece que alguns dentro da comunidade
cristã tinham, talvez, um "perverso coração de incredulidade" (cf.
12.15-17). Cristo pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus
(7.25), contudo, são os cristãos que devem guardar não apenas a sua própria
perseverança mas, também, devem encorajar uns aos outros (10.24,25), tal como o
autor faz no decorrer dessa carta (13.22).
* 3.12 coração de incredulidade. Isto é, um
coração à semelhança de "vossos pais" (v. 9), que os impediu de
entrar no descanso divino (v. 19).
* 3.13 Hoje. Ver nota em
4.7.
engano do
pecado. O pecado promove a ilusão de que a desobediência é mais
segura (Êx 17.3) ou agradável (11.25,26; Êx 16.3) do que o peregrinar pela fé.
* 3.14 participantes de Cristo. O grego
pode significar que somos participantes com Cristo, seus companheiros 1.9,
participando com ele na nova vida. Também, é possível interpretar
"participante de Cristo", no sentido de ele ser o benefício que
juntos recebemos, através da nossa união mística com ele.
* 3.16-19 Nem a
bênção do êxodo de Egito, nem o privilégio de ouvir a voz de Deus, garantiram
para aqueles que estavam no deserto que entrariam no descanso de Deus, o
descanso que é alvo da nossa peregrinação (4.8, nota). Sua rebelião (v. 16),
pecado (v. 17), e desobediência (v. 18; 4.6) foi causada pela incredulidade,
por sua incapacidade de permanecer tenazmente na promessa de Deus (v. 19;
4.2,3).
* 4.1 Temamos. O juízo
divino inspira medo (10.27,31; 12.21), contudo, não precisamos temer o que os
homens possam nos fazer (11.27; 13.6).
* 4.2 a nós foram anunciadas as
boas-novas. As boas-novas de libertação e do amor de Deus que Israel
ouviu no Sinai não foram tão claras quanto a salvação anunciada agora por
intermédio do Senhor (2.3), contudo, teria tido valor para seus ouvintes, e os
teria introduzido no descanso de Deus, se as tivessem recebido com fé.
* 4.3-5 O tema
básico destes versículos é que um "descanso" de Deus tem existido
desde o sétimo dia da criação (v. 4; Gn 2.2), embora a geração desobediente não
conseguisse entrar nele. O escritor entende que as promessas acerca da terra
física, apontam, em última análise, para o descanso divino (3.11, nota), no
qual somente aqueles que crêem podem entrar (v. 3).
* 4.7 Hoje. Os
leitores já aprenderam que eles vivem no tempo que se chama "Hoje"
(3.13), portanto, devem prestar atenção às promessas e advertências. Através de
Davi, a oferta para entrar (e uma advertência sobre o perigo de não entrar) é
continuada para uma nova geração, que deve "Hoje" responder à voz de
Deus.
* 4.8 Mais uma indicação (cf. vs.
3-5) de que a terra física de Canaã não foi o cumprimento da promessa do
descanso de Deus. Quando Davi escreveu, Israel tinha entrado na terra havia
muito tempo sob a liderança de Josué. Se a terra em que entraram sob a direção
de Josué tivesse sido o cumprimento da promessa acerca do descanso divino, a advertência
do salmista para a sua própria geração teria sido sem sentido. A esperança do
patriarca foi fundamentada sobre um país melhor, o celestial (11.16). Existem
semelhantes argumentos do Antigo Testamento em 7.11; 8.7.
* 4.9 resta um repouso. A celebração
sabática final pelo povo de Deus acontecerá no futuro.
* 4.10 descansou de suas obras.
Provavelmente, a frase não se refere à conversão, na qual transferimos para
Cristo a nossa confiança em obras; antes, se refere a nosso livramento final
dos sofrimentos, tentações e fadigas (v. 11). Aqueles que morrem no Senhor
descansam das suas fadigas (Ap 14.13).
* 4.12,13 O
argumento que precedeu (3.7-4.11) tem ilustrado como o poder da Palavra de Deus
revelou a infidelidade da geração que ficou no deserto e como as Escrituras
(p.ex., Sl 95) penetra e julga aqueles que ela convida hoje, ao advertir sobre
o engano do pecado (3.13) e sobre o perigo de falhar (v. 1).
* 4.12 dividir alma e espírito, juntas e
medulas. Embora alguns descubram aqui base para apoiar a teoria de
que o ser humano é basicamente uma tricotomia, composto de corpo, alma e
espírito, o contexto não a permite. Ela enfatiza o poder da Palavra de Deus
para entrar nos recônditos mais profundos do íntimo humano, e não um tipo de
divisão entre as partes constituintes. Além disso, se a idéia de divisão
tivesse sido pretendida, iríamos esperar que o autor dissesse "ossos e
medula" em vez de "juntas e medulas".
* 4.14-16 O
pensamento esclarecedor de que estamos totalmente desmascarados diante de Deus
leva-nos ao misericordioso sumo sacerdote que, tendo sido tentado, pode nos
auxiliar em nossas fraquezas (temas introduzidos em 2.17,18). Uma exortação
para "conservarmos firmes a nossa confissão" (v. 14) encerra a seção
anterior; e um convite para nos aproximarmos do trono de Deus, introduz as
considerações sobre Cristo como o misericordioso sumo sacerdote.
* 4.14 O Filho de Deus. Ver nota
em 1.5 (cf. 5.5).
penetrou os
céus. Cristo ressuscitou, subiu e assentou-se à destra de Deus
(8.1), de onde ele ministra como o nosso grande e eterno sumo sacerdote (7.26;
9.11,24).
* 4.15 tentado em todas as coisas. Esta é a
uma reafirmação vívida de 2.17,18. Pelo fato de ser mencionado mais uma vez, o
autor é cuidadoso de acrescentar que, apesar de seu conhecimento das nossas
fraquezas, Cristo ficou "sem pecado". Ver nota teológica "A
Impecabilidade de Jesus".
* 4.16 Acheguemo-nos, portanto,
confiadamente. O acesso confiante a Deus é um privilégio sacerdotal,
reservado para aqueles que têm sido purificados da contaminação do pecado pelo
sacrifício de Jesus (7.19; 10.19,22), e por isso podem oferecer sacrifícios de
louvor, agradáveis a Deus (12.28; 13.15,16). Sobre o privilégio sacerdotal dos
crentes em Cristo, ver Rm 5.1,2; Ef 2.13-22; 1Pe 2.4-10.
misericórdia
e... graça para socorro. A misericórdia fala da nossa necessidade de perdão
quando caímos na tentação, e a graça nos traz auxílio oportuno para nos
fortalecer no meio da tentação (2.18).
* 5.1-10. Como os
sacerdotes do Antigo Testamento foram identificados com as pessoas fracas e
errantes que eles representaram (vs. 1-3) e cumpriram o chamado de Deus (v. 4),
assim também Cristo tornou-se sumo sacerdote por nomeação do Pai (vs. 5,6) e
foi identificado com seu povo por meio de sofrimentos (vs. 7-10).
* 5.1 oferecer tanto dons como
sacrifícios pelos pecados. A frase "dons como sacrifícios" abrange
tipos diferentes de ofertas que constituíram o trabalho dos sacerdotes do
Antigo Testamento (8.3; Lv 1-7). Porém, o interesse principal aqui recai sobre
as ofertas pelo pecado.
* 5.2 capaz de condoer-se. Por causa
de suas próprias tentações e fraquezas, o sumo sacerdote do Antigo Testamento
ficou constrangido a moderar a sua indignação contra os pecados de outros e,
condoer-se deles. A compreensão de Jesus é também fortemente motivada, porque
ele identifica-se inteiramente com as lutas de seu povo. Contudo, Jesus nunca
se entregou à tentação (4.15).
ignorantes...
que erram. A lei (Nm 15.27-31) faz distinção entre os pecados
praticados por causa da fraqueza ou da ignorância, e os pecados praticados por
rebelião contra a autoridade do Senhor (10.26,27).
* 5.3 O próprio sumo sacerdote do
Antigo Testamento necessitava da expiação e do perdão (7.27; 9.7; Lv 16.11);
porém, o nosso imaculado sumo sacerdote não tem tais necessidades (4.15; 7.26).
* 5.4 chamado por Deus, como aconteceu
com Arão. A chamada inicial de Arão (Êx 28.1) foi confirmada como
resposta à rebelião de Coré, Datã e Abirão (Nm 16), através do florescimento da
sua vara (9.4; Nm 17.1-10). O privilégio sacerdotal de aproximar-se a Deus, é
somente por convite — pela mediação de um descendente físico dos sacerdotes
levíticos do Antigo Testamento, mas estabelecida definitivamente através do
juramento divino feito a Jesus, o Filho (7.11-28).
* 5.5 Tu és meu Filho. Sl 2.7 é
citado duas vezes em Hebreus (1.5), ambas as vezes em posição de destaque.
Aqui, é a primeira parte de uma longa e detalhada consideração sobre
Melquisedeque.
* 5.6 Melquisedeque. Esta
pessoa misteriosa é mencionada apenas duas vezes no Antigo Testamento (Gn
14.18; Sl 110.4). Mas aqui, a associação do título, "sacerdote para
sempre, segundo a ordem de Melquisedeque" com as palavras, "meu
Filho" (v. 5) revela o caráter exaltado deste sacerdócio, e justifica a
explanação maior oferecida pelo autor no Cap. 7.
* 5.7 forte clamor e lágrimas. A angústia
que Jesus sentiu quando contemplou a cruz (Mc 14.33-36; Jo 12.27) mostra que
ele não está alheio às fraquezas e terrores que nos ameaçam.
tendo sido
ouvido. Os salmistas louvaram a Deus, porque ele ouvia seus gritos por
socorro (Sl 22.24; 30.23; 116.1). Os clamores de Jesus, pedindo livramento da
morte, foram respondidos, não através de um livramento do horror da cruz,
antes, através de sua ressurreição dentre os mortos.
* 5.8 aprendeu a obediência. Embora
fosse totalmente livre do pecado (4.15) a luta de Jesus contra a tentação foi
verdadeira (2.18). Como aquele que veio para o mundo a fim de fazer a vontade
do Pai (10.7), os desafios à integridade de Jesus, que ficaram cada vez mais
difíceis, foram todos quebrados vitoriosamente, culminando na sua vergonhosa e
penosa morte sobre a cruz (Fl 2.8). Esta vida de obediência que ele aprendeu,
desfaz a desobediência de Adão (Rm 5.19) e qualifica Jesus para servir como o
nosso eterno sumo sacerdote (2.17,18; 4.5).
* 5.9 tendo sido aperfeiçoado. Isto não
significa que Jesus finalmente tornou-se sem pecados, porque ele já não os
tinha (4.15). Significa que ele cumpriu a carreira de sofrimento que lhe foi
confiada, inclusive a morte sacrificial. Tendo feito tudo isso, ele foi
"aperfeiçoado" ou perfeitamente qualificado para servir como sumo
sacerdote, singularmente eficaz. A linguagem aqui pode ser uma alusão ao
conceito da consagração sacerdotal.
salvação
eterna. Jesus vive para sempre a fim de interceder como o nosso sumo
sacerdote (7.24,25).
* 5.10 Melquisedeque. Ver cap.
7.
* 5.11—6.12 O
ministério sacerdotal de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque, é
"difícil de explicar" (5.11), por causa da imaturidade dos leitores.
A exortação nesta seção focaliza-se sobre os perigos que surgem quando a pessoa
não prossegue "para o que é perfeito" (6.1, referência lateral).
* 5.11 tardios em ouvir. A palavra
grega traduzida "tardio" reaparece em 6.12 ("indolentes",
referência lateral), sugerindo que o perigo de preguiça espiritual se destaca
nesta seção toda.
* 5.12 princípios elementares dos
oráculos de Deus. Tais verdades são enumeradas em 6.1,2.
* 5.13 leite. Embora
leite seja nutriente para crianças (1Pe 2.2), o autor deseja que seus leitores
se tornem cristãos maduros, capazes de receber alimento sólido (1Co 3.1,2).
* 5.14 A maturidade necessária
para compreender o ministério sacerdotal de Cristo não é uma sofisticação
intelectual, antes, é um discernimento espiritual que surge de uma prática
consistente da vontade de Deus (Fp 1.9-11).
* 6.1 princípios elementares... de
Cristo. Estes são o ABC da doutrina cristã, agora enumerado
resumidamente (vs. 1,2). Todas estas doutrinas podem ser achadas no livro de
Atos.
arrependimento...
fé. Ver Mc 1.15; At 20.21.
* 6.2 batismos. O uso do
plural é inesperado; há um único batismo cristão (Ef 4.5). Contudo, mesmo hoje,
quando o batismo cristão é ventilado, outros batismos, pelo menos o de João
Batista, devem ser mencionados. Certamente isso foi verdade nos tempos do Novo
Testamento (9.10; Mt 3.11; 28.19; Mc 1.4; Jo 4.1; At 1.5). Uma outra
possibilidade é que a palavra se refira especificamente às purificações
cerimoniais do Antigo Testamento (Ver 9.10) como parte essencial do contexto da
obra de Cristo.
imposição
de mãos. Esta ação acompanhava a bênção, a cura dos enfermos, a
ordenação de oficiais para a Igreja, e especialmente o dom do Espírito, que foi
também associado com o batismo (Mt 19.13-15; Lc 4.40; At 6.6; 8.17; 9.17; 28.8;
1 Tm 4.14). Por outro lado, como é possível com "batismos", o autor pode
estar se referindo aos fundamentos vetero-testamentários da obra de Cristo.
* 6.3 se Deus permitir. Esta frase
convencional reconhece a necessidade do auxílio de Deus para aprender e ensinar
a doutrina cristã. Ela sugere que o ensino que se segue é difícil, como de fato
o é.
* 6.4-12 Esta
advertência solene tem sido interpretada de diferentes maneiras. Alguns
entendem que o autor se refere aos cristãos genuínos que perdem a sua salvação,
porém, tal interpretação entra em conflito com textos que ensinam que os
verdadeiramente salvos por Deus hão de perseverar na fé até o fim (Jo 10.28,29;
Rm 8.28-30; "Perseverança dos Santos" em Rm 8.30). Outros interpretam
a advertência como um argumento dirigido contra uma seita herética dos
judaizantes, uma heresia tão perigosa para seus seguidores, que eles perdem
toda a esperança da salvação. Uma outra interpretação afirma que o autor esta
descrevendo os apóstatas de vs. 4-8, de acordo com a declaração deles e as
bênçãos que pareciam ter recebido juntamente com os crentes genuínos, até o
momento de seu abandono da fé. Embora Jesus salve totalmente (7.25), e tem
aperfeiçoado para sempre (10.13) aqueles que ouvem a sua Palavra com fé, o
autor exorta os seus leitores a comprovar com a perseverança a fé que
professavam. Não há nenhuma bênção em estar perto de Deus e em comunhão com o
povo da aliança, sem a devida fé; ao contrário, tais apóstatas são sujeitos a
um juízo mais severo.
* 6.4 uma vez foram iluminados. Isto é, o
conhecimento de Deus já foi revelado na mensagem do evangelho (10.26; Jo 1.9;
2Co 4.4-6) e professado publicamente no batismo. Nos primeiros escritos
cristãos, a conversão e o batismo eram, às vezes, designados como
"iluminação". A palavra grega "uma vez" é proeminente em
Hebreus. É usada em conecção com o sacrifício de Cristo, "uma vez por
todas" (10.2,10).
provaram o
dom celestial. Alguns vêem aqui uma referência ao ato de participar no
sacramento da Ceia do Senhor. Também, a frase pode ser ligada com
"iluminados", dando uma descrição maior da aparente conversão.
participantes
do Espírito Santo. Eles tiveram alguma experiência com os dons do
Espírito Santo, porém, não é necessário concluir que a frase se referia à
conversão.
* 6.5 os poderes do mundo vindouro.
Certamente, são os sinais e maravilhas que acompanharam as primeiras pregações
do evangelho (2.4, nota).
* 6.6 renová-los para arrependimento. Existe um
tipo de apostasia que é irreversível (1Jo 5.16). A salvação cristã é definitiva
(10.4), e a decisão de rejeitá-la, tomada em certo nível, não pode ser
revogada. De acordo com 1Jo 2.19, qualquer pessoa que toma tal decisão,
demonstra que nunca foi de fato um membro da família da fé, embora tivesse uma
ligação aparente. Judas Iscariotes é o exemplo mais claro de alguém que
participou dos valores do reino vindouro, porém, não entrou nele (Mt 26.47-49;
cf. Mt 7.21-23). Esta advertência não permite especulação sobre o estado eterno
de ninguém, ao contrário, exorta a nós mesmos para ficarmos mais firmes no
Salvador. Ver "O Pecado Imperdoável" em Mc 3.29.
de novo,
estão crucificando... o Filho de Deus. Pela renúncia de sua fé em Cristo,
eles declaram que a sua cruz não foi um sacrifício santo pelos pecados de
outrem, antes, que foi a morte merecida de um criminoso culpado (10.29). Tais
apóstatas já se afastaram até ao ponto onde a cruz não faz nada senão
condená-los como cúmplices no assassínio (At 18.5,6).
Há uma
analogia entre o caráter "uma vez por todas" do sacrifício de Cristo
pelo pecado, e a participação simbólica do crente naquela crucificação através
do batismo (v. 4 nota). A morte sacrificial de Cristo não pode ser repetida. No
mesmo sentido, a participação do crente na morte de Cristo, selada pelo batismo
(Rm 6.3,4; Cl 2.12), não pode ser retirada e depois repetida.
expondo-o à
ignomínia. A apostasia apresentada no cap. 6 não é uma questão de
dúvidas pessoais e interiores. É a propositada, total e pública rejeição da fé
que foi uma vez confessada. Como tal, produz efeitos nocivos para outros e não
apenas para o apóstata (12.15).
* 6.7,8 De acordo
com as figuras proféticas do Antigo Testamento, a "terra" é o povo de
Deus (Is 5.1-7), e a "chuva" que cai sobre ela é a Palavra (Is
55.10,11), ou o Espírito de Deus (Is 44.3,4). O campo infrutífero é destruído
(Is 5.4-6). Ver também Mt 13.7,8,22,23.
* 6.9-12 Ao
produzirem as primícias de uma colheita útil, os leitores estão dando motivos
para acreditar que eles são a "terra" que recebe as bênçãos da
salvação. Todavia, eles têm de livrar-se da atual indolência, a fim de receber
a herança prometida aos crentes perseverantes. A severidade da advertência
anterior não precisa de ser motivo de desespero.
* 6.10 servistes e ainda servis. Por
exemplo, apoiando aqueles que são ridicularizados ou presos por causa de sua fé
(10.32-34).
* 6.11 esperança. Por ser o
alvo da fé algo no futuro, os fiéis devem continuar "até o fim" (cf.
3.14; 6.18,19; 11.1).
* 6.12 indolentes. Este termo
(traduzido "tardios" em 5.11) caracteriza o princípio e o término da
exortação.
pela fé e
pela longanimidade, herdam as promessas. Abraão é o exemplo preeminente
(vs. 15,17; 11.8-19), porém, a história
bíblica está repleta de testemunhas que têm percorrido o caminho da fé com
paciência antes de nós (11.4-38), e que agora estão desfrutando da prometida
esperança através da obra de Cristo que os aperfeiçoa (11.13,39,40).
* 6.13-20 A fé
suporta com paciência, porque o juramento de Deus garante o cumprimento da
promessa em nosso favor, tal como aconteceu com Abraão. A nossa confiança
descansa sobre o eterno sumo sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de
Melquisedeque, um sacerdócio determinado por promessas e juramentos divinos
(7.20-22,28).
* 6.13 jurou por si mesmo. O fato de
Deus, cuja "palavra é a verdade" (Jo 17.17; cf. Tt 1.2) procurar
confirmar a garantia daquela promessa infalível por meio de juramento, sublinha
a permanência e a seriedade da promessa divina (Gn 15.8-21; 22.17). Embora os
pecaminosos e falíveis seres humanos "juram pelo que lhes é superior"
a eles mesmos (v. 16), Deus, a autoridade máxima, "jurou por si mesmo"
(v. 13).
* 6.15 depois de esperar com paciência,
obteve. A divina promessa com juramento (Gn 22.17) foi a resposta
que Deus deu a Abraão quando, em obediência à direção divina (Gn 22.2) ele se
dispôs a oferecer em sacrifício Isaque, o filho da promessa divina (Gn 12.2;
15.4-6). No nascimento de Isaque, e depois, no seu livramento (Gn 21.1-3;
22.11,12), Abraão recebeu a bênção prometida de um descendente. Contudo, ele
não viu o pleno cumprimento daquelas promessas pactuais (11.39,40; cf. Rm
4.13,16,17).
* 6.17 herdeiros da promessa. A promessa
de Deus, confirmada por juramento, não se limitou a Abraão, mas inclui todos os
que seguem o seu exemplo de fé (1.14; 6.12; 10.36; Rm 4.23,24).
seu
propósito. O propósito imutável de Deus foi abençoar o mundo através do
descendente de Abraão (Gn 12.3); o sentido disso foi revelado no evangelho (Gl
3.6-9).
* 6.18 duas coisas imutáveis. A imutável
promessa de Deus, dada a Abraão, mais o juramento que a confirmou, foi elevada
além de qualquer incerteza ou dúvida (vs. 13,14 nota). O juramento confirma que
a promessa foi de fato o propósito de Deus.
da
esperança proposta. Ver nota teológica "Esperança", índice.
* 6.19 que penetra além do véu. A âncora
da nossa vida é firmada sobre a parte central do tabernáculo celestial, e sobre
este original o santuário terrestre foi modelado (8.2; 9.11,12,24,25;
10.19,20).
* 6.20 precursor, entrou. A entrada
no interior do santuário não é possível sem Jesus. Ele entrou primeiro, para
que seu povo o pudesse seguir. Porém, a sua entrada e o modo de seu povo participar
dela, requerem uma longa explanação. Este versículo dá início à consideração
sobre o sacerdócio de Cristo, "segundo a ordem de Melquisedeque",
anunciado em 5.6, mas reservada até agora.
* 7.1-28 A lição
central neste capítulo é que a promessa solene de Sl 110: 4 se cumpriu
exclusivamente em Jesus Cristo. O eterno sacerdócio de Jesus é explicado de
acordo com os dois textos do Antigo Testamento que falam sobre Melquisedeque:
Gn 14.17-20 e Sl 110.4.
* 7.1 rei de Salém. A
apresentação de Melquisedeque enfatiza que ele foi rei e sacerdote. E como tal,
ele é uma figura de Cristo, que é o nosso profeta, sacerdote e rei.
"Salém" possivelmente foi o antigo nome de Jerusalém (Sl 76.2).
* 7.2 rei de justiça. O nome
"Melquisedeque" é composto das palavras hebraicas, melek,
"rei", e zedek, "justiça".
* 7.3 Alguns acreditam que
Melquisedeque é uma aparição pré-encarnada de Cristo, mas isto é improvável por
causa dos termos de comparação e analogia que são usados: (a) ele é
"semelhante ao Filho de Deus" (uma comparação do Filho consigo mesmo
seria estranha); (b) o Filho tornou-se sumo sacerdote "segundo a ordem de
Melquisedeque" (6.20) mais tarde, através de sua encarnação, morte
expiatória, e exaltação. Além do mais, em Gênesis 14 Melquisedeque é apresentado
como alguém que tem uma conhecida posição política (rei de Salém), ao passo que
as teofanias do Antigo Testamento são momentâneas e excepcionais.
sem pai,
sem mãe... que não teve princípio de dias, nem fim de existência. Embora a
maioria das pessoas em Gênesis esteja dentro de uma linha genealógica,
Melquisedeque aparece sem ancestrais nem descendência, e sem registro de seu
nascimento ou morte. O Espírito Santo o descreveu de tal forma para que fosse
profético de Cristo.
sem
genealogia. A nomeação de sacerdotes segundo a ordem de Melquisedeque
não se prende à ancestralidade, porque não há registro de genealogia para esta
ordem.
* 7.4-10 Dois atos
revelam a superioridade sacerdotal de Melquisedeque sobre os descendentes
levíticos de Abraão: Abraão entregou seu dízimo a Melquisedeque (vs. 4-6,8-10)
e Melquisedeque abençoou Abraão (vs. 6,7).
* 7.5 os filhos de Levi. Os
sacerdotes levíticos herdaram o direito de cobrar impostos, inclusive da
descendência de Abraão (Nm 18.21-29).
* 7.7 pelo superior. Impetrar a
bênção e receber o dízimo, neste caso, demonstra claramente a superioridade de
Melquisedeque sobre Abraão.
* 7.8 homens mortais... se testifica que
vive. Os "homens mortais" são os levitas, cujo ofício e
autoridade são transferidos por descendência e herança, de acordo com as
disposições da lei (v. 5). Melquisedeque, porém, "vive". A declaração
de que ele vive se encontra no Sl 110.4 (citado em 5.6) e volta a ser destacada
com as alusões em 6.20 e 7.3. Na seção que se segue (vs. 11-28), a importância
desta declaração ou "juramento" é explicada (vs. 20-22).
* 7.9 pagou-os na pessoa de Abraão. O
argumento é baseado sobre o status representativo de Abraão como o progenitor
do sistema sacerdotal, apoiado na descendência física; aqueles sacerdotes não
podem ser elevados acima de Abraão. O argumento não significa que cada pessoa
que descendeu de Abraão, pela simples razão de ser seu descendente físico,
participava de tudo que Abraão fazia. O texto não subentende qualquer
pré-existência de Levi.
* 7.11 Se, portanto, a perfeição houvera
sido mediante o sacerdócio levítico. Isto é, se os sacerdotes levíticos
tivessem poder para conferir ao povo um permanente e livre acesso a Deus. Como
em 4.8 e 8.7, o autor argumenta que certas promessas no próprio Antigo
Testamento indicam que a lei foi imperfeita e que seria substituída nos
"últimos dias" (1.2). A pergunta retórica anuncia que a eficácia do
sistema levítico será comparada com aquele de "outro sacerdote".
pois nele baseado o povo recebeu a lei.
Por causa do pecado e a necessidade do ministério de reconciliação, o
sacerdócio levítico foi instituído, juntamente com a lei mosaica que o
estipulou. A lei e o sacerdócio estão sendo examinados juntos, como sistema
único para uma vida religiosa. Se forem imperfeitos, ambos serão substituídos
(v. 12).
* 7.13-28 Agora, as
diferenças entre Jesus e os levitas são ligeiramente avaliadas. A sua
descendência é de Judá, e não de Levi (v. 14). Ele vive eternamente, e o seu
sacerdócio é fundamentado sobre o juramento divino (v. 20).
* 7.16 o poder de vida indissolúvel. O eterno
sacerdócio de Cristo (Sl 110.4) é fundamentado sobre o poder invencível de sua
ressurreição (Rm 6.9,10).
* 7.19 Ver nota no v.11.
esperança
superior. Esta esperança, juntamente com a promessa e o juramento de
Deus foi mencionada em 6.17,18. Os vs.
20-28 continuam com a ênfase sobre a ligação entre a nossa esperança e a
certeza da promessa e do juramento de Deus.
* 7.21 juramento. O
juramento divino, registrado em Sl 110.4 ("O SENHOR jurou"),
demonstra a permanência imutável do novo sacerdócio de Jesus (6.17,18).
* 7.22 fiador. Esta é
uma palavra grega que se encontra somente aqui no Novo Testamento. O próprio
Jesus, como a substância daquilo que foi prometido, e como possuidor de uma
indestrutível vida ressurreta (v. 16), é a garantia de uma nova e melhor
aliança (ver referência lateral).
aliança. Esta é a
primeira de dezessete usos desta palavra importante (Grego diatheke) em
Hebreus. É a tradução normal da palavra "aliança" (Hebraico berith)
do Antigo Testamento em grego. Uma "nova aliança" foi prometida em Jr
31.31-34, e será citada em 8.8-12 e 10.16,17.
* 7.23 sacerdotes em maior número. A frase se
refere aos muitos sumos sacerdotes que se sucederam no ofício. A lei da
sucessão sacerdotal (Êx 29.29,30) pressupôs que cada sacerdote finalmente
morreria. Esta falta de permanência, juntamente com a repetição dos sacrifícios
do Antigo Testamento mostra a insuficiência do velho sistema.
* 7.25 A perpetuidade da vida e do
sacerdócio de Jesus tornam possível a sua eterna intercessão em favor dos
"que por ele se chegam a Deus", culminando na total e eterna salvação
deles. "Totalmente" pode referir-se à abrangência da salvação
(satisfazendo cada uma das nossas necessidades), ou à eternidade da salvação
(por ser baseada sobre o fato de Jesus estar "vivendo sempre para
interceder por eles").
* 7.26 santo, inculpável, sem mácula,
separado dos pecadores. Em 2.18 e 4.15-5.3, o autor mostrou a importância da
identificação de Jesus conosco ao sujeitar à tentação. Mas, é igualmente
necessário que ele esteja "sem pecado” (4.15), a fim de ser qualificado
para entrar no santuário celestial em nosso favor (8.1,2; 9.11,12,24,25). Ver
"A Impecabilidade de Jesus" em 4.15.
* 7.27 O contraste entre os
sacerdotes levíticos, que repetiram diariamente (e anualmente) os sacrifícios,
e a oferta que Jesus fez de si mesmo, uma vez por todas, é desenvolvido em
9.25-10.18.
* 7.28 Este versículo resume o
contraste entre o sacerdócio pactual do AntigoTestamento e o do Novo
Testamento. Primeiro, o antigo sacerdócio pactual foi instituído por lei, mas
sem o juramento divino (v. 20), enquanto o eterno sacerdócio de Cristo foi
instituído com juramento divino (v. 21). Segundo, a nomeação de fracos e
pecaminosos (v. 27) homens é contrastada com a eterna nomeação do imaculado
"Filho, perfeito para sempre".
* 8.1-6 A
discussão sobre as qualificações e nomeação de Jesus como o sumo sacerdote
final conduz agora para uma descrição de seu ministério no santuário celestial.
* 8.1 o essencial das coisas. O autor
faz uma pausa para resumir o que foi dito até aqui. Ele explicou como Jesus é o
novo sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque — aquele que "nos
convinha" (7.26). Agora, ele explicará o que Jesus faz neste ofício. A
pausa nos faz lembrar que o autor está ciente da dificuldade de seu assunto mas
tem um propósito definido em tudo o que fala.
* 8.2 verdadeiro tabernáculo. O templo
celestial de Deus é o original; o tabernáculo e o templo terrestres foram
modelados de acordo com o original (v. 5).
não o
homem. Ver 9.11,24. Deus instituiu um santuário terrestre como
sinal da sua presença no meio de seu povo, contudo, "não habita o
Altíssimo em casas feitas por mãos humanas" (At 7.48,49; cf. 1Rs 8.27).
* 8.3 tivesse o que oferecer. Jesus
ofereceu a si mesmo (7.27), o seu próprio sangue (9.12) e corpo (10.10).
* 8.4 nem mesmo sacerdote seria. De acordo
com a lei mosaica, Jesus não podia ser sacerdote (7.13). O serviço sacerdotal
de Jesus é de uma ordem diferente; e não é uma mera suplementação ao antigo
sistema.
* 8.5 figura e sombra. O
tabernáculo feito por Moisés providenciou um culto modelado de acordo com o
lugar espiritual onde Cristo ministra. Aquele tabernáculo e a sua forma de
culto apontavam para o plano de salvação instituído por Deus, o qual seria
revelado em Cristo.
* 8.6 A nova aliança é superior
porque foi instituída com juramento (7.22), e agora ela é vista como baseada
sobre "superiores promessas" também. Em ambos os casos, o ministério
que cuida da nova aliança é "tanto mais excelente".
Mediador. Um
intermediário forense que representa dois litigantes, cujo trabalho consiste em
estabelecer um novo relacionamento entre os dois. Moisés é apresentado como o
mediador da lei (Gl 3.19,20). Fundamental à obra medianeira de Cristo foi o
oferecimento de si mesmo em sacrifício para expiar o pecado (9.14,15; 12.24;
1Tm 2.5,6).
* 8.7-13 A promessa
da nova aliança em Jr 31.31-34 é um tema unificador em 8.7-10.18, onde a
palavra traduzida "aliança" aparece quatro vezes. E mais, ela aparece
em três outros lugares em Hebreus (7.22; 12.24; 13.20) e dezesseis em outras
partes do Novo Testamento.
* 8.7 Quando Deus prometeu uma
nova aliança através de Jeremias, estava dizendo que a primeira aliança com
Israel no Sinai seria substituída. Como em 4.8 e 7.11, uma promessa do Antigo
Testamento revela implicitamente a insuficiência do antigo sistema pactual.
* 8.8 repreendendo-os, diz. Embora o
mandamento fosse "santo e justo e
bom (Rm 7.12), ele não podia por si mesmo capacitar uma obediência (7.18,19)
como a citação de Jr 31.31-34 torna evidente. O resultado foi que o povo não
continuou naquela aliança.
* 8.10 Na sua mente imprimirei as minhas
leis. Diferente dos sacrifícios da lei, a morte de Cristo purifica
a consciência (9.9-14), para que façamos a vontade de Deus (10.36; 13.21).
* 8.11 todos me conhecerão. Debaixo da
lei, o acesso à presença de Deus foi limitado (9.7,8). Mas agora, todos que se
chegam a Deus por intermédio de Jesus Cristo podem entrar no verdadeiro
santuário (10.19-22).
* 8.12 seus pecados jamais me lembrarei. Diferente
dos repetidos sacrifícios da lei, que foram uma lembrança anual dos pecados
(10.3). Mas quando Jesus ofereceu a si mesmo, ele trouxe perdão, santidade e
perfeição, uma vez por todas (10.10,13,18).
* 8.13 torna antiquada... prestes a
desaparecer. O autor acrescenta uma definição de "antiquada" a
fim de confessar que a primeira aliança foi praticamente morta a partir do
momento em que Jeremias prenunciou uma nova aliança.
* 9.1 serviço... santuário. Este
versículo é o início de uma minuciosa comparação entre o sacrifício do Antigo
Testamento e o sacrifício de Cristo, que continua até o cap. 10. A primeira
parte é um resumo do santuário do Antigo Testamento e de suas atividades.
* 9.3 véu. Este véu,
ou, cortina, separava o Santo dos Santos, onde a presença de Deus no meio de
seu povo foi revelada mais intensamente (6.19). Com a morte de Jesus, esta
cortina foi rasgada em duas partes (10.20; Mt 27.51).
* 9.4 altar de ouro para o incenso. Embora
este "altar de ouro" ou altar para o incenso estivesse diante do véu
(Êx 40.26), sua função era tão intimamente associada com o interior do Santo
dos Santos e a arca ali contida (Êx 30.6), que ele foi considerado parte dele
(1Rs 6.22). Quando o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, ele queimava
incenso, produzindo uma fumaça para cobrir o propiciatório que ficava sobre o
Testemunho protegendo-se assim da pureza consumidora do Senhor (Lv 16.12,13).
a vara de
Arão. A vara ou cajado que floresceu para mostrar que o privilégio
sacerdotal vem somente pela designação de Deus (Nm 17.10) como ensinado em
5.4,5.
* 9.5 querubins de glória. O
"propiciatório" era a tampa da arca, e sobre ela as duas figuras de
querubins com rostos voltados um para o outro, representando os cortesãos
celestiais que servem constantemente na presença de Deus.
Dessas
coisas... não falaremos... pormenorizadamente. Os
escritores judaicos do primeiro século, tais como Filo, deram muito espaço para
o simbolismo dos utensílios no santuário. Mas o autor de Hebreus preocupa-se em
explicar o que acontecia no tabernáculo, e por isso não fala mais sobre os
utensílios, seja qual for o seu valor simbólico.
* 9.6 continuamente entram no primeiro
tabernáculo os sacerdotes. Seu serviço foi substituir os pães da proposição (Êx
25.30; Lv 24.5-9), manter aceso o candelabro (Êx 27.20,21; Lv 24.1-4) e queimar
o incenso aromático duas vezes por dia, simbolizando as orações do povo (Êx
30.7-9; Lc 1.8-10; Ap 8.3).
* 9.7,8 O fato que
uma só pessoa, uma vez por ano, e somente após preparos especiais podia entrar
no Santo dos Santos, revela a mensagem do Espírito Santo através da lei, de que
o santuário terreno não podia ser o meio de uma livre e confiante aproximação a
Deus. A promessa da nova aliança: "todos me conhecerão" (8.11) não
podia se cumprir no tabernáculo terreno.
* 9.7 oferece, por si. Os
próprios sacerdotes levíticos necessitavam da expiação, algo de que o nosso
sumo sacerdote, Jesus, não precisou (5.3; 7.26,27).
pecados de
ignorância. Ver nota em 5.2.
* 9.9 uma parábola para a época presente. O
escritor interpreta as cerimônias do tabernáculo como uma profecia dos tempos
do evangelho (8.5, nota). Neste caso, os requerimentos ritualísticos revelam
uma insuficiência que seria corrigida pelo evangelho.
* 9.11 dos bens já realizados. Ver
referência lateral. A purificação na consciência e a confiança para
aproximar-se a Deus não eram plenamente acessíveis enquanto o santuário e os
sacrifícios da aliança vigoravam (10.1), porém, em Cristo, já chegaram. O autor
de Hebreus vê os benefícios do tempo vindouro já experimentados (em parte) pela
Igreja (6.5; 12.22-24).
o maior e
mais perfeito tabernáculo. A realidade celestial que se esconde na cópia terrena
da lei (8.5; 9.24).
* 9.12 sangue de bodes e de bezerros. Este foi
usado pelo sumo sacerdote no Dia da Expiação para purificar anualmente o Santo
dos Santos (Lv 16.11-16).
uma vez por
todas. Em contraste com a repetição dos sacrifícios pelos
sacerdotes levíticos (10.2,3,10-14). Esta palavra enfática antecipa a
proclamação culminante nos vs. 26-28.
eterna
redenção. A redenção é uma aquisição através do pagamento de um preço
ou resgate. O efeito da redenção por Cristo é permanente, porque ela foi feita
por seu próprio sangue.
* 9.13 cinza de uma novilha. Esse
resíduo era usado com água para purificar as pessoas que haviam tocado num
morto. Essa impureza era apenas cerimonial e não moral.
purificação
da carne. Eles se tornaram elegíveis mais uma vez para seus deveres
no culto.
* 9.14 muito mais. Como em
2.2,3, o escritor usa um argumento do menor para o maior. O menor é o sangue de
animais oferecido pelo sumo sacerdote na terra; o maior é o sangue derramado
por Cristo. O menor tinha poder cerimonial; o maior remove a culpa da consciência.
sem mácula. O
sacrifício tem de ser sem qualquer defeito a fim de servir como substituto
expiatório para pecadores (Nm 6.14; 1Pe 1.19).
obras
mortas. Não as obras da lei que são inúteis para a justificação (Gl
3.1-14), antes, os atos pecaminosos que merecem a maldição pactual da morte
(6.1). Ver "A Consciência e a Lei" em 1Sm 24.5.
servimos ao
Deus vivo! Em última análise, o alvo do perdão é teocêntrico — não
apenas nos livrar do medo do juízo, mas também qualificar-nos para adorar a
Deus de modo agradável (12.28; 13.15,16,21).
* 9.15 A morte de Cristo inaugurou
a nova aliança e trouxe redenção da anátema que estava sobre os transgressores
da primeira aliança. Ver "Cristo — o Mediador" em 1Tm 2.5.
para
remissão. Neste caso, uma morte foi necessária para efetuar esta
remissão dos pecados (cf. v. 12). A violação da aliança de Deus envolve uma
condenação judicial que se cumpre somente através da morte do violador, ou da
remissão através da morte de um substituto aceitável.
* 9.16 onde há testamento. A palavra
grega para "testamento" (diatheke) é a mesma palavra traduzida
como “aliança” neste capítulo e em outros lugares. O objetivo em vista é
enfatizar a necessidade de uma morte a fim de se tomar posse daquilo que Deus
tem prometido. Se o escritor não estiver falando de uma última vontade, então,
provavelmente está se referindo à ratificação da aliança através de um
sacrifício representativo, como se encontra em Gênesis 15.
* 9.19 Moisés... tomou o sangue. A
referência é de Êx 24.4-8. Nesta cerimônia, Deus, o autor do livro e o povo da
congregação comprometeram-se com a aliança, juntamente com as suas penalidades.
* 9.20 Este é o sangue. A aliança
foi escrita no livro, porém, tinha de ser ratificada com uma oferta de sangue.
O sangue não era derramado por aqueles que poderiam ter transgredido a aliança,
mas por animais que os substituíram (cf. Gn 15.9-18; Jr 34.18-20). Tudo isso
era uma demonstração vívida de que a derradeira sanção, ou penalidade da
aliança foi a morte.
* 9.21-24 O próprio
santuário, o lugar onde o Deus santo e um povo pecador se encontravam, deve ser
purificado através de sangue sacrificial, o único meio para alcançar o perdão.
Este é o caso, não somente do tabernáculo terreno da antiga aliança (vs.
21,22), mas também da realidade celestial (vs. 23,24), que foi purificada
através do sacrifício de Cristo na cruz (v. 23, nota).
* 9.22 quase todas as coisas. O
tabernáculo e os seus utensílios eram tão intimamente identificados com os
adoradores que se encontraram com Deus naquele lugar, que o sangue sacrificial
necessário para o perdão dos adoradores (10.18), foi igualmente necessário para
purificar os utensílios e o ambiente de seu culto (Lv 16.16).
sem
derramamento de sangue, não há remissão. Este é o princípio fundamental (Lv
17.11), agora reafirmado depois de ser introduzido nos vs. 16-18, e, tendo sido
estabelecido, o escritor transfere a sua atenção do santuário terreno para o
celestial.
* 9.23 as próprias coisas celestiais,
com sacrifícios a eles superiores. O santuário celestial em si mesmo
não precisa ser purificado da impureza causada pelo pecado humano. Contudo, no
mesmo sentido em que o santuário terreno foi purificado por sangue sacrificial
e separado para ser o lugar onde pecadores pudessem aproximar-se a Deus, assim
também, o verdadeiro santuário nos céus tem sido separado pelo sacrifício de
Cristo, para ser o lugar onde pecadores podem entrar e aproximar-se de Deus
através do sangue de Jesus (10.19-22; 12.24).
* 9.24 comparecer, agora, por nós,
diante de Deus. No mesmo sentido em que o sumo sacerdote comparecia
em favor de Israel no Dia da Expiação (Lv 16.32,33).
* 9.25 muitas vezes. A mesma
palavra grega se encontra no v. 26 e em 10.11. A repetição dos sacrifícios
evidenciou a sua incapacidade para remover a culpa (10.2), antes, eles eram uma
recordação constante de seus pecados (10.3). O autor já enfatizou que as
cerimônias do Dia da Expiação aconteciam somente uma vez por ano (v. 7); aqui,
a ênfase recai sobre a sua repetição, ano após ano (10.1).
com sangue
alheio. A oferta do sumo sacerdote é contrastada com a oferta que
Cristo fez de si mesmo. Como pessoa que precisava da expiação (v. 7), nenhum
sumo sacerdote levítico podia oferecer a si mesmo como um substituto imaculado
a fim de substituir os outros (v. 14).
* 9.26 fundação do mundo... ao se
cumprirem os tempos. Estas frases se referem a um longo intervalo de
tempo, durante o qual Cristo tinha de oferecer a si mesmo apenas uma única vez.
"Ao se cumprirem os tempos" é igual a "nestes últimos dias"
(1.2), um período inaugurado pela morte, ressurreição e ascensão de Cristo.
* 9.27 morrerem uma só vez, vindo,
depois disto, o juízo. Assim, tanto a reencarnação, bem como o conceito de
que a morte física é o fim de uma existência pessoal são desmentidos. Cristo
experimentou o destino comum a todos os seres humanos: a morte e o juízo (v.
28), mas, para ele, o juízo consistiu em ressurreição e vindicação (1Tm 3.16).
Esta vindicação será plenamente manifestada quando ele voltar outra vez (1Ts
1.10). Ver "Morte e Estado Intermediário" em Fp 1.23.
* 9.28 tirar os pecados de muitos. Uma
referência específica ao Servo Sofredor em Is 53.12.
* 10.1 sombra dos bens vindouros. Os
"bens" eram reservados para o futuro nos tempos da lei mas agora, com
o advento de Cristo, estão presentes (9.11, nota).
tornar
perfeitos. Os adoradores não podiam ser "purificados uma vez por
todas" (v. 2). A lei não podia remover a sua culpa e nem lhes dar acesso a
Deus (7.11,19; 9.9).
* 10.2 Os sacrifícios eram
repetidos dia após dia, demonstrando que eles não providenciariam nenhuma
solução duradoura para o problema do pecado.
* 10.3 recordação de pecados. Os
sacrifícios do Antigo Testamento foram um testemunho público diante de Deus e
da humanidade, que o povo era ainda pecador (Nm 5.15). Na nova aliança, os
pecados jamais serão lembrados (8.12; 10.17).
* 10.4 A ineficácia dos
sacrifícios do Antigo Testamento é nitidamente revelada em textos tais como 1Sm
15.22; Is 1.10-17; Am 5.21-24; Mq 6.6-8. A lei ficou frustrada pelo pecado do
povo (8.8-12; Rm 8.3,4).
* 10.5-10 Sl 40.6-8
é interpretado para indicar a substituição do sistema vetero-testamentário do
sacrifício de animais pela obediência e morte expiatória de Cristo.
* 10.5 corpo me formaste. O texto
hebraico de Sl 40.6 diz: "abriste os meus ouvidos" (cf. Is 50.5).
Neste versículo, Hebreus segue a Septuaginta (versão grega do Antigo
Testamento), que fala da prontidão da pessoa inteira (corpo) e não apenas de
uma parte representativa (ouvidos). O "corpo" preparado é a
humanidade que Cristo assumiu a fim de prestar uma plena obediência ao Pai
(2.14; 5.8).
* 10.7 rolo do livro. Em última
análise, todo o Antigo Testamento, cuja mensagem é Cristo (Lc 24.27,45-47).
* 10.8 Sacrifícios e ofertas...
holocaustos e oblações pelo pecado. Estes termos resumem todo o
sistema de sacrifícios levíticos. Em contraposição a tudo isso (chamado,
"o primeiro" no v. 9), Cristo tem um outro sacrifício ("o
segundo"). Embora instituído na lei por Deus (2.2; 8.9; 12.18-21,25) o
sistema levítico não foi o meio ordenado por Deus para remover definitivamente
o pecado do povo.
* 10.9 fazer... a tua vontade. Ele seria
obediente através do sofrimento (2.10; 5.8), expiando o pecado através do
sacrifício de seu próprio corpo (v. 10).
Remove o
primeiro. Isto é, o sistema levítico dos sacrifícios do Antigo
Testamento (8.13).
* 10.10 Nessa vontade. O
propósito imutável de Deus, que Cristo voluntariamente cumpriu, trouxe salvação
para nós (vs. 7,9 e notas).
temos sido
santificados. Aqui, como também no v. 14, o assunto não é o processo da
santificação (como em 12.14), antes, é a mudança definitiva em nosso status
quando estamos unidos com Cristo pela fé e, desta maneira, somos separados da
contaminação pecaminosa e qualificados para adorar a Deus. Em Hebreus, os
termos: "purificação", "santificação" e "aperfeiçoado"
são praticamente sinônimos.
* 10.11 todo sacerdote se apresenta, dia
após dia. Os sacrifícios diários, de manhã e de tarde, à semelhança
das ofertas anuais no Dia da Expiação, também advertem, através da sua
repetição, que não podem tirar a culpa do pecado. Mais um contraste é
introduzido (entre estar em pé e assentado), que simboliza a diferença entre o
sacerdócio levítico e o sacerdócio de Cristo.
* 10.12 assentou-se. Em
contraste com os sacerdotes levíticos, que ficaram de pé e cujo serviço não tem
fim, Jesus "assentou-se à destra de Deus", como anunciado no Salmo
110.1 (1.3; cf. 1.13; 8.1).
* 10.15 dá testemunho também o Espírito
Santo. Em harmonia com outros livros do Novo Testamento, Hebreus
afirma que o Espírito é o autor primário das Escrituras (3.7; 9.8; At 4.25). As
duas citações de Jeremias 31 que seguem estabelecem o início (8.8) e o término
do importante argumento desenvolvido deste texto.
* 10.16,17 As duas
citações de Jeremias 31 demonstram que o sacrifício de Cristo, uma vez por
todas, resulta, não apenas na transformação interior, ou santificação do crente
(v. 16) mas também no perdão dos pecados, ou justificação (v. 17).
* 10.19 Tendo, pois, irmãos. O escritor
coloca a sua própria pessoa no meio de seus leitores num renovado apelo para
exercerem confiança ou ousadia quando se aproximam de Deus. Esta confiança não
é fundamentada em qualquer mérito que talvez tenhamos, antes, na pessoa e obra
do nosso grande sumo sacerdote que sabe "compadecer-se das nossas
fraquezas" (4.15).
pelo sangue
de Jesus. Não apenas Jesus, em nosso favor (9.24), mas nós mesmos
também entramos no santuário celestial de Deus em plena dependência do
sacrifício de Jesus.
* 10.20 pelo véu, isto é, pela sua
carne. Numa surpreendente figura de linguagem, o autor identifica o
véu do templo com o corpo de Jesus. No mesmo sentido em que o véu do templo foi
rasgado a fim de dar entrada no Santo dos Santos (6.19; 9.3; Mt 27.51), assim
também, o corpo de Cristo foi rasgado para que o seu sangue pudesse ser
derramado a fim de abrir o caminho para o santuário celestial (v. 19). O
paralelo é apenas figurativo e não deve ser forçado.
* 10.21 sobre a casa de Deus. Ver nota
em 3.6.
* 10.22 aproximemo-nos. Ver nota
em 4.16.
plena
certeza de fé. O apelo para ter fé sugere o assunto do cap. 11.
tendo o
coração purificado... e lavado o corpo. A purificação do interior da
consciência que demonstra a superioridade da morte de Jesus sobre os
sacrifícios da lei (9.13,14), é visivelmente simbolizado pelo batismo (Ef
5.26). No mesmo sentido em que o sumo sacerdote lavava o corpo a fim de se
preparar para entrar no Santo dos Santos (Lv 16.4; Êx 29.4), assim também nós
podemos agora entrar na presença de Deus como sacerdotes.
* 10.23 Guardemos firme a confissão da
esperança. Noutro texto em Hebreus que menciona "a casa de
Deus" (v. 21; cf. 3.1-14), há uma exortação idêntica para "guardarmos
firme" (3.14), e uma confiança semelhante de que Cristo "é fiel"
(cf. 3.5,6). Provavelmente "conservemos firmes a nossa confissão"
(4.14) e, semelhantemente, "a confissão da esperança" (v. 23), se
refere à ocasião do batismo (observe o termo "água" no v. 22) e a
entrada na Igreja (v. 32).
* 10.24 Consideremo-nos... uns aos
outros... estimularmos. O dever de encorajar uns aos outros pode ter a sua
expressão nas reuniões da Igreja (v. 25). O "amor" completa uma
tríade conhecida, com "fé" (v. 22) e "esperança" (v. 23).
Parece que essa tríade tinha um papel importante no ensino da Igreja primitiva
(1Co 13.13; Cl 1.4,5; 1Ts 1.3).
* 10.25 Não deixemos de congregar-nos. Os crentes
tinham sido perseguidos duramente (vs. 32,34). O ato de congregar-se com outros
fiéis é uma parte importante na vida cristã. Ver "A Igreja Local" em
Ap 2.1.
o Dia se
aproxima. O dia da Segunda Vinda de Jesus quando ele retornará
trazendo salvação para aqueles que nele esperam (9.28; 12.26,27).
* 10.26 deliberadamente em pecado. Os
cristãos que dizem não ter pecado estão iludindo a si mesmos (1Jo 1.8), e
aqueles que reconhecem os seus pecados não devem desesperar da graça (4.16; 1Jo
2.1,2). Aqui, o pecado deliberado é o total abandono da fé em Cristo, calcando
o Filho de Deus, desprezando o sangue sacrificial como algo imundo e zombando
do gracioso Espírito de Deus (6.6, nota; 10.29). A seriedade desta acusação
formal é indicada pelo caráter deliberado do pecado (cf. Lv 15.30) e pela
medida de conhecimento ou esclarecimento que é recusada (cf. 6.4; 10.32).
não resta
sacrifício pelos pecados. Deus já revogou o sistema levítico do sacrifício de
animais (v. 9), e aqueles que abandonam a confissão de sua fé em Cristo não têm
nenhum outro recurso para alcançar o perdão.
* 10.28 rejeitado a lei de Moisés. Isto é,
apostatou de Deus a fim de servir aos ídolos (Dt 17.2-7).
* 10.29 Este
argumento, a partir da lei como a premissa menor, para o evangelho, como a
maior, também se encontra em 2.2,3. Se violar com desprezo a lei que foi dada
por intermédio de Moisés, um servo (3.5), justificava a pena da morte, então o
desprezo do Filho de Deus (1.2,3; 3.6; 6.6; 2Pe 2.1), de seu sangue sacrificial
(9.20; cf. Êx 24.8; Mc 14.24), e do Espírito da graça, pelo qual Cristo
ofereceu a si mesmo (9.14), merece a plenitude do "fogo vingador prestes a
consumir os adversários" (v. 27).
* 10.30 O Senhor julgará o seu povo. As duas
citações do cântico de Moisés (Dt 32.35,36) mostram que Deus está pronto para
julgar de acordo com a sua aliança, discriminando entre aqueles que são
verdadeiramente dele e os apóstatas (cf. 1Pe 4.17).
* 10.31 Uma
conclusão cabível à grave advertência neste trecho.
* 10.32-39 Como em
6.9-12, o escritor equilibra a sua severa advertência com uma lembrança
encorajadora de que os seus leitores já manifestaram os frutos da graça,
especialmente através de seu apoio mútuo quando chegaram os primeiros
sofrimentos.
* 10.32 sustentastes grande luta. Mesmo
quando eram novos na fé, estes cristãos suportaram a perseguição.
* 10.33 Ultrajes
públicos, imprisionamento, confiscação de bens (mas não o martírio, 12.4) foram
algumas das formas de perseguição que os leitores padeceram no início. Estas podem
refletir as condições quando o edito de Cláudio (49 d.C.) expulsou os judeus de
Roma (Introdução: Data e Ocasião).
* 10.34 compadecestes... aceitastes com
alegria. Os leitores ficariam encorajados ao lembrar-se da
solidariedade e alegria que compartilharam, apesar da perseguição.
patrimônio
superior e durável. A cidade celestial e a pátria de Deus (11.10,16;
12.22), que não podem ser abaladas pelo cataclismo que destruirá o atual
sistema de criação (12.27,28). Em comparação com esta eterna herança (9.15), os
bens perdidos por amor a Cristo não têm nenhum valor.
* 10.35 grande galardão. Semelhante
a Moisés, devemos fixar os nossos olhos no galardão vindouro (11.26).
* 10.36 feito a vontade de Deus. As suas
leis estão gravadas em seus corações (8.10; 10.16), assim, eles seguem nos
passos de Jesus, que veio para fazer a vontade de Deus (vs. 9,10; 13.21).
alcanceis a
promessa. Ver nota em 6.12.
* 10.37,38 Três
elementos de Hc 2.4 serão exemplificados na base das vidas de pessoas de fé no
Antigo Testamento: (a) A fé fixa a sua esperança naquele que está para vir,
aguardando a sua manifestação no futuro (11.1,7,10,13,20,22,27); (b) A fé
aceita o veredito de Deus quanto à justiça (11.4,7; 12.23) (c) A fé não
retrocede diante do sofrimento (11.24-26, 35-38).
* 10.39 A
substância deste argumento é semelhante àquele de 6.9,10. Aqui, o escritor
inclui a si mesmo, dizendo "nós" em vez de "vós".
* 11.1-40 Esta
famosa exposição sobre os homens e mulheres fiéis do Antigo Testamento começa e
termina com um comentário que alerta o leitor para observar o aspecto
específico da fé vétero-testamentária sendo projetada — a certeza de receber o
que Deus tem prometido, porém, ainda não concedido (vs. 1,2,39,40).
* 11.1 coisas que se esperam... fatos
que se não vêem. Para o presente, somente a fé pode enxergar o futuro,
na medida em que ela se alimenta das promessas de Deus.
* 11.2 obtiveram bom testemunho. Deus
declarou que eles foram justificados pela fé (v. 4, nota) conforme é afirmado
especificamente pelo exemplo de Abel e Enoque (vs. 4,5; cf. v. 39).
* 11.3 Embora nenhum ser humano
tenha testemunhado a obra da criação, sabemos pelas Escrituras, que Deus criou
o mundo através da sua palavra (Sl 33.6,9). Percebemos que o
"visível" não é a única e auto-existente realidade.
* 11.4 mais excelente sacrifício. O
princípio de que os sacrifícios feitos sem fé foram inúteis tem sido aplicável
desde o início (cf. 10.4, nota). Pertencia exclusivamente a Cristo fazer não
apenas um melhor, mas um perfeito sacrifício.
obteve
testemunho... aprovação. A palavra grega, usada duas vezes neste versículo se
encontra também nos vs. 2.5,39. Abel é o primeiro exemplo de alguém que recebeu
esta aprovação divina como justo que vivia pela fé (cf. 10.38; Rm 1.17). O
capítulo todo oferece exemplos semelhantes.
ainda fala. Como
participante daquela “grande nuvem de testemunhas” (12.1).
* 11.5 Como alguém que não viu
"a morte" (cf. Gn 5.18-24), Enoque prefigurou a libertação da morte à
qual Jesus conduz os fiéis.
agradado a
Deus. Agradar a Deus é o critério de um culto apropriado (12.28;
13.16,21; Rm 12.1; Fp 4.18).
* 11.6 A fé é uma necessidade
absoluta, tanto para perceber as coisas pelas quais devemos esperar (v. 1),
quanto para entender que Deus é o Criador de tudo (v. 3), ou para oferecer um
culto aceitável (v. 4). Ver "Agradando a Deus" em 1Ts 2.4.
* 11.7 acontecimentos que ainda não se
viam. Embora a fé perceba coisas que são invisíveis, porque elas
transcendem o universo físico (11.3,27), nesta seção a ênfase recai sobre a fé
referente às coisas que são do futuro, mas certas porque Deus as tem prometido.
O iminente dilúvio de juízo ainda não era visível quando a palavra de Deus veio
para advertir a Noé. Ele construiu a arca em resposta reverente à advertência
divina e, através de sua fé obediente, a sua família recebeu a salvação. O
mundo incrédulo foi condenado por causa da sua preocupação com o presente e Noé
herdou a justiça que vem pela fé (10.38; Rm 4.13).
* 11.8-10 A fé do
patriarca Abraão a respeito de uma pátria foi demonstrada: (a) quando ele
obedeceu a voz de Deus, deixou Ur para uma herança ainda no futuro, "sem
saber aonde ia" (v. 8); (b) quando ele habitou na terra prometida como
estrangeiro (vs. 9,13); (c) e quando ele olhou para além de Canaã, para uma
pátria celestial, uma cidade que o próprio Deus preparou e edificou (vs. 10,14-16; 13.14).
* 11.11,12 A fé do
patriarca Abraão a respeito da promessa de um descendente foi recompensada pela
concepção de Isaque, a qual foi milagrosa, pois Sara era estéril e Abraão
estava (quanto à possibilidade da reprodução) já "amortecido" (Rm
4.19). Apesar da alternativa infeliz (Gn 16.1-4) e as dúvidas com
questionamento (Gn 17.17,18), em última análise, Abraão e Sara julgaram
"fiel aquele que lhe havia feito a promessa (v. 11).
* 11.13-16 A herança
sobre a qual o patriarca baseou a sua fé foi invisível por duas razões: era
celestial e não terrena; e, ainda no futuro, não no presente. Ver notas em vs.
8-10,20,21,22.
* 11.13 vendo-as, porém, de longe. Abraão viu
de longe o dia quando Jesus o Messias viria, e regozijou-se (Jo 8.56).
estrangeiros
e peregrinos sobre a terra. Todos os herdeiros da salvação são refugiados e sem
lar na terra (v. 38) porque, até a vinda de Cristo, estamos exilados do lar que
esperamos herdar (1Pe 1.1,4,5,17; 2.11).
* 11.16 uma pátria superior. Os
próprios crentes do Antigo Testamento compreendiam que as esperanças e as
promessas que aguardavam pela fé eram celestiais e não meramente físicas.
* 11.17-19 A prova
máxima para a fé do patriarca foi a ordem de sacrificar Isaque. Quanto às
promessas de Deus (v. 19), Isaque foi o "filho unigênito" (cf. Jo
3.16) — nem Eliézer, o servo de Abraão, e nem Ismael, o seu outro filho,
serviriam. Se Isaque tivesse de morrer sem uma descendência, as promessas de
Deus falhariam. A prontidão de Abraão em sacrificar o filho da promessa, de
acordo com a ordem de Deus, surgiu de uma convicção inabalável de "que
Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos” (v. 19). A
"ressurreição" de Isaque foi apenas figurativa, ao passo que os
crentes que têm morrido por causa de sua fé, aguardam uma ressurreição literal
(cf. v. 35), da qual Jesus é o precursor (13.20).
* 11.20 coisas... para vir. Que Jacó
possuiria uma terra frutífera, e teria domínio sobre outras nações, inclusive
os descendentes de Esaú (Gn 27.27-29).
* 11.21 Em sua
bênção, Jacó previu que os descendentes do filho mais jovem de José
ultrapassariam aqueles do filho mais velho, tanto em número como também em
influência (Gn 48.13-20). O próprio Jacó foi o irmão mais novo que foi elevado
acima do mais velho.
* 11.22 José
lembrou-se da promessa do êxodo que foi ouvida pela primeira vez por Abraão,
muito antes do nascimento de Isaque (Gn 15.13,14), e que o seu cumprimento
aconteceria depois de quatrocentos anos de opressão. As instruções que José deu
para que seus ossos fossem levados para a Terra Prometida expressam a sua fé
nas coisas que não se vêem (Êx 13.19).
* 11.23-28 Em Moisés,
os aspectos proeminentes associados à sua fé são coragem (vs. 23,27), e
disposição para ser maltratado em vez de usufruir prazeres transitórios do
pecado (vs. 24-26).
* 11.23 a criança era formosa. A
descrição é citada de Êx 2.2 (cf. At 7.20). Ao ver o seu filho, os pais de
Moisés entenderam que a criança teria uma parte especial no plano redentor de
Deus.
* 11.25,26 A decisão
de Moisés de abdicar "os tesouros do Egito" e sofrer "o opróbrio
de Cristo" deve encorajar aqueles que perderam bens e sofreram opróbrio
por causa de sua fé (10.33,34). Em suas presentes tribulações, quando
identificação com Cristo significa exclusão do campo de Israel, eles devem
estar prontos para suportar este "vitupério" (13.13). A escolha de
Moisés exemplifica certeza quanto à sua esperança (v. 1), "porque
contemplava o galardão" (10.35; 11.6,13).
* 11.27 abandonou o Egito, não ficando
amedrontado. Muitas vezes, é entendido que essa frase se refere à
primeira vez quando Moisés saiu do Egito. Quando ele escolheu identificar-se
com o seu próprio povo contra os egípcios (vs.
24,25), Moisés matou um egípcio e tinha de fugir. A respeito desta saída,
Êx 2.14 diz que ele "temeu". Se este versículo se refere à sua fuga
para Midiã, a frase "nem ficou amedrontado" provavelmente se refere à
sua fé inabalável no plano redentor de Deus. Embora Moisés experimentasse uma
apreensão perfeitamente natural, em que Faraó lhe faria um mal pessoal se
tivesse ficado no Egito, ele não pensou que a sua comissão divina para salvar o
povo de Deus estivesse em perigo. Com esta esperança nos propósitos de Deus,
ele saiu e "se deteve na terra de Midiã".
Contudo, é
possível que este versículo se refira ao êxodo; e nisto, Moisés claramente não
tinha medo. Nesse caso, o v. 27 menciona o êxodo em termos gerais, com detalhes
tais como a Páscoa e a travessia do mar Vermelho que se seguem nos vs. 28,29.
* 11.28 derramamento do sangue.
Moisés ordenou que o sangue fosse derramado sobre as ombreiras das portas de
cada casa israelita na expectativa da destruição vindoura dos primogênitos do
Egito e da libertação das famílias israelitas deste evento terrível (Ex
12.7,12,13). Este foi mais um ato de confiança nas coisas que não se vêem.
* 11.30 Os
Israelitas rodearam Jericó sete vezes em obediência à ordem do Senhor. A cidade
seria destruída por este ato, e o único conhecimento que motivou esta
obediência foi baseado na promessa de Deus: "Entreguei na tua mão a
Jericó" (Js 6.2).
* 11.31 Raabe
demonstrou a sua lealdade a Deus quando protegeu os espias israelitas. Ela foi
justificada (Tg 2.25) e tornou-se uma das ancestrais de Jesus Cristo (Mt 1.5),
embora tivesse sido uma meretriz.
* 11.32 que mais direi? A pergunta
é retórica. O autor passa a mencionar de passagem muitos outros nomes e atos de
heroísmo que revelam o poder da fé (vs. 32-38).
* 11.32-38 A lista de
realizações através da fé passa daqueles em quem a vitória da fé foi manifestada
na história (vs. 33-35) para aqueles cuja fé envolveu sofrimento e uma aparente
derrota (vs. 35-38). Para recapitular os eventos específicos, veja as
referências no fim de cada versículo.
* 11.33 obtiveram promessas. Isto é,
eles experimentaram o cumprimento de promessas específicas no decorrer do
tempo. Quanto à promessa da vinda de Cristo, eles ainda a aguardavam pela fé
(v. 39). As promessas feitas a Abraão foram parcialmente cumpridas neste mundo,
na medida em que seus descendentes se multiplicaram (v. 12) e habitaram na
terra prometida (vs. 9,33). Mas, quanto às promessas que indicaram a realidade
celestial, o "descanso de Deus" (4.10), elas não podiam se cumprir
até o advento de Cristo.
* 11.35 Mulheres receberam... os seus
mortos. Uma referência aos eventos registrados em 1Rs 17.22,23; 2Rs
4.36,37.
Alguns
foram torturados. Aparentemente, uma referência aos eventos durante a
rebelião dos Macabeus (c.167-157 a.C.), que aconteceram depois do encerramento
do Antigo Testamento, porém, registrados no livro apócrifo de 2 Macabeus 6.7.
* 11.37 serrados pelo meio. Segundo a
tradição, Isaías morreu desta maneira.
* 11.39 obtiveram bom testemunho. Ver nota
no v. 4.
não
obtiveram... promessa. Embora algumas das promessas do Antigo Testamento se
cumpriram, a sua suprema esperança (a promessa da vinda do Messias) ainda
demoraria (v. 33 e nota). Este versículo resume a mensagem de vs. 13-16 e a
aplica à segunda metade do capítulo.
* 11.40 coisa superior... sem nós. Este
versículo afirma, tanto a diferença histórica-redentora entre os períodos do
Antigo Testamento e do Novo Testamento, como também a unidade do povo de Deus
em ambas as eras. Embora os crentes do Antigo Testamento vivessem pela fé
(10.38), eles não foram privilegiados para testemunhar em suas vidas o
cumprimento da grande promessa de Deus. Todavia, eles participam dos benefícios
do ministério sumo-sacerdotal de Cristo e, juntamente com os santos da nova
aliança, são "aperfeiçoados". Todos juntos, da velha era e da nova,
aguardam o aperfeiçoamento que acontecerá somente com a segunda vinda de Cristo
(12.26; 13.14; Rm 8.18; Ef 1.9,10).
* 12.1 nuvem de testemunhas. Em certo
sentido, os leitores estão numa corrida, assistida por uma grande multidão que
já a terminou com honras ao mérito. O exemplo deles encoraja os leitores e os
admoesta, se porventura tropeçarem.
todo peso e
do pecado que tenazmente nos assedia. Entre os pesos que devem ser
lançados fora estão o medo que faz a pessoa recuar diante do sofrimento
(10.38,39), o desânimo amargurado que contamina os demais através de dúvidas
(v. 15) e a sensualidade que procura uma gratificação imediata (v. 16).
corramos...
a carreira. As competições atléticas dos gregos forneciam uma analogia
freqüente para a vida cristã no Novo Testamento (1Co 9.24-27; Fp 2.16; 2Tm 2.5;
4.7,8). À semelhança do corredor, o cristão deve estar numa atividade constante
que o leva para o final, apesar da oposição. Isso exige perseverança e esforço
incansáveis, os quais são adquiridos através de uma disciplina constante.
* 12.2 olhando... Jesus. A nuvem de
testemunhas do Antigo Testamento nos inspira, porém, o nosso encorajamento
principal se encontra na pessoa e obra de Cristo, que nos precedeu como "o
Autor e Consumador da nossa fé" e é o exemplo supremo de fé na carreira
(v. 3).
Autor. Ver nota
em 2.10.
Consumador
da fé. Como "Consumador", Jesus tem trazido ao alvo final
a fé dos que se aproximam a Deus por seu intermédio: um culto agradecido e
aceitável na sua presença (10.14; 11.40; 12.28).
da alegria
que lhe estava proposta. Jesus suportou a cruz no antegozo da alegria de ser o
Salvador de seu povo, depois do necessário sofrimento. No mesmo sentido em que
Moisés contemplava o galardão (11.26), Jesus também foi ciente do galardão que
receberia.
Embora
possível, uma outra interpretação menos provável é traduzir assim: "no
lugar da alegria que lhe estava proposta". De acordo com esta tradução,
Jesus escolheu o sofrimento em vez da alegria que teria sido a sua porção, se
tivesse recusado a morte e ficado no céu (Fp 2.6), ou, pelo menos, evitado a
cruz aqui na terra (Jo 10.17,18; 12.27).
não fazendo
caso da ignomínia. A crucificação foi uma forma de morte tão repleta de
ignomínia, que era proibido infligi-la ao cidadão romano; ainda mais, os judeus
acreditaram que "todo aquele que for pendurado em madeiro" foi
amaldiçoado por Deus (Gl 3.13; cf. Dt 21.23).
* 12.3 oposição. À
semelhança de Jesus, os leitores também tinham experimentado a oposição de
pecadores (10.33).
desmaiando. Uma
advertência tirada de Pv 3.11,12 e citada nos vs. 5,6.
* 12.4 até ao sangue. Os
leitores já conheceram a perseguição, contudo, nada tão difícil quanto ao
sofrimento de Jesus e nem como os registros em 11.35-38. Não está na hora de
contemplar uma desistência.
* 12.5 filhos. O plano de
Deus para conduzir muitos filhos para a glória necessitou que o Autor da
salvação deles fosse aperfeiçoado através do sofrimento (2.10), embora fosse o
Filho que não merecia nenhum sofrimento (5.8). Portanto, não é surpresa que os
filhos adotados, que o seguem, devam ser preparados para a sua herança através
de uma disciplina penosa.
* 12.8 Muitos romanos nobres
geraram filhos ilegítimos, que foram sustentados financeiramente, porém,
desprovidos de qualquer orientação. Mas por outro lado, o filho da esposa
oficial do nobre, que receberia o nome do pai e a herança, seria sujeito a um
regime de treinamento comparável com a escravidão (Gl 4.1,2).
* 12.9 pais segundo a carne. Esta
tradução é literal, num contraste direto com o "Pai espiritual". O
argumento é do menor para o maior — do relacionamento humano-paternal para o
maior, a paternidade divina — é contemplado no v. 10.
* 12.10 A correção
por nossos pais terrenos é limitada pelo tempo e por sua sabedoria falível. A
correção pelo Pai celestial é administrada por sua sabedoria infinita para
"aproveitamento", porque ela nos faz santos como ele mesmo é santo
(v. 14; 1Pe 15,16).
* 12.11
fruto pacífico... de justiça. Temos aqui uma idéia das
implicações da santificação (vs. 10,14).
exercitados. O
escritor volta a usar uma analogia do atletismo do v. 1.
* 12.12,13 A carreira
será completada vitoriosamente na medida em que as ações são usadas para sarar
as feridas espirituais do passado (v. 12) e evitar as armadilhas no futuro (v.
13). O contexto de Is 35.3,4 (do qual Hebreus adotou "restabelecei as
mãos... joelho trôpegos") é citado para encorajar os medrosos. Compare as
exortações em Hebreus para praticar um encorajamento mútuo (p.ex., 3.13),
inclusive o que se segue em 12.15, e a advertência para não perder ânimo (vs.
3,5). O contexto de Provérbios 4.25-27 (citando-se "fazei caminhos retos
para os vossos pés") é uma exortação para permanecer com toda diligência
no caminho da justiça. A metáfora de fortalecer e sarar os membros feridos e
cumprir a carreira se explica com exortações específicas (vs. 14-17).
* 12.14 Segui a paz com todos. Apesar de
se sentirem tentados na perseguição a retribuir o mal com o mal, os crentes têm
de viver em paz com todos, "quanto depende de vós" (Rm 12.18), tal
como o nosso Senhor Jesus que "não revidava com ultraje, quando
maltratado" (1Pe 2.23).
santificação. Hebreus
tem declarado como o sacrifício de Jesus nos faz santos de uma vez por todas,
em status (10.10), dando-nos acesso confiante a Deus. Neste versículo,
"santificação" é pureza de vida. Ela vem de Deus (13.21) e é
orientada através de sua correção (v. 10), contudo, nós devemos “segui-la”.
verá o
Senhor. Isto é, estar com Deus, que é o alvo da salvação (Ap 22.4).
Agora, aqueles que pela graça e por intermédio da fé seguem e recebem a
santificação de Cristo, certamente verão a Deus e tornar-se-ão semelhantes a
ele (2Co 3.18; 1Jo 3.2).
* 12.15 Os
leitores são responsáveis uns pelos outros e devem cuidar uns dos outros para
que "ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus" (cf. 4.1).
raiz de
amargura. Em Dt 29.18, "erva venenosa e amarga" é uma pessoa
que espalha dúvidas e infidelidade diante do Senhor e entre o povo do pacto.
Também aqui, esta "raiz de amargura" é uma pessoa que perturba e
contamina as demais. Para fortalecer a fé dos outros, devemos encorajar os
fracos e enfrentar os apóstatas que podem influenciar os outros.
* 12.16 Esaú é
apresentado como exemplo de alguém que tem desprezado as promessas de Deus (em
contraste com as pessoas de fé no cap.11) e cuja perda foi irrevogável (v. 17).
Moisés trocou os tesouros do Egito com o opróbrio de Cristo, porque contemplava
o galardão (11.26); Esaú trocou a sua primogenitura por um repasto, porque
conseguiu enxergar somente o cozido vermelho (Gn 25.29-34).
vendeu...
primogenitura. Como filho primogênito, Esaú tinha o direito da
primogenitura (Gn 25.31-34; 27.36). Mais tarde, sob a lei de Moisés, o direito
foi uma parte dobrada da propriedade (Dt 21.17). Na realidade, Esaú desprezou o
seu lugar na linhagem das promessas pactuais, e não apenas a propriedade.
* 12.17 sabeis... posteriormente. Os
leitores certamente lembrarão a segunda fase da perda de Esaú, quando seu irmão
Jacó se interpôs e recebeu de seu pai Isaque a solenidade da bênção (Gn 27).
Esta bênção incluiu a substância da promessa dada a Abraão (Gn 12.2,3; 27.29).
não achou
lugar de arrependimento. Embora Esaú lamentasse a sua perda com lágrimas (Gn
27.38; cf. 2Co 7.10), ele não exatamente arrependeu-se do pecado de ter
desprezado as promessas de Deus. Uma outra interpretação do arrependimento que
ele buscou foi uma mudança na decisão tomada por seu pai.
* 12.18-24 A velha e
a nova aliança são comparadas em termos da associação entre os dois montes
(Sinai e Sião). O medo foi o tema dominante no Sinai, um monte intocável (e por
isso, terreno e mutável, sobre o qual a lei foi dada) (vs. 18-21). A alegria e
a confiança caracterizam o Sião celestial (e por isso, eterno), porque lá está
o Salvador com o sangue do perdão (vs. 22-24).
* 12.18 ao fogo palpável. À
semelhança do santuário levantado pela primeira aliança (9.1,11,24), o monte
sobre o qual a lei foi dada, foi parte das coisas que têm "sido
feitas", que são destinadas para serem "abaladas" e removidas
pela voz de Deus vindo dos céus (v. 27). Como algo que pode ser palpado, Sinai
testifica da transitoriedade da primeira aliança (8.3).
* 12.19 suplicaram que não se lhes
falasse mais. Com medo que o contato direto com a temível santidade de
Deus os destruísse (Êx 20.19), os israelitas suplicaram a Moisés que ele
mediasse as palavras de Deus para eles.
* 12.21 A outorga
da lei aconteceu com uma demonstração temível do poder de Deus e o medo foi uma
reação apropriada (cf. Is 6.4,5; Mt 17.6; Ap 1.17).
* 12.22 tendes chegado.
Continuamos ainda na peregrinação terrena e, à semelhança dos patriarcas (11.13),
ainda buscamos uma "cidade permanente" (13.14). Todavia, pelos
méritos de Jesus, o nosso precursor, temos chegado à Jerusalém celestial, pela
fé, onde podemos entrar no Santo dos Santos e cultuar a Deus (10.19-22). Ver
"Céu" em Ap 21.1.
incontáveis
hostes de anjos. Eles sempre servem a majestade de Deus (Dt 33.2; Sl
68.17; Dn 7.10). Aqui, eles se ajuntaram como se fosse para uma festa ou uma
celebração de um feriado.
* 12.23 igreja dos primogênitos. Todos os
primogênitos em Israel foram santificados por ocasião da Páscoa e consagrados
ao serviço na presença de Deus, porém, foram os levitas que serviram o
santuário no lugar dos primogênitos (Nm 3.11-13). Na assembléia celestial,
todos os crentes, redimidos da destruição, são "primogênitos", consagrados
a Deus e arrolados como os seus sacerdotes. Diferente de Esaú, que desprezou o
direito da primogenitura (v. 16), os crentes participam agradecidamente na
herança de Jesus, o Primogênito (1.6,14; 2.11,12). Na assembléia celestial,
todos os crentes podem cultuar, tanto na terra como nos céus (10.22,25). Ver
"A Igreja" em Ef 2.19.
justos
aperfeiçoados. Estes são os espíritos daqueles que já morreram no Senhor
(2Co 5.8; Ap 14.13). Estão especialmente em vista os santos do Antigo
Testamento e do tempo intertestamental, àqueles cuja justiça pela fé foi
testificado pelo próprio Deus (11.2,4,5,39) e que agora são aperfeiçoados
(11.40) através do sacrifício de Jesus.
* 12.24 A presença
de Jesus no Sião celestial explica o seu ambiente de alegria e confiança. Da
própria terra, o sangue de Abel clamou por vingança (Gn 4.10), mas o sangue de
Jesus, usando a mesma figura, "fala coisas superiores" (isto é, clama
pelo perdão dos filhos de Deus, 9.12-15; 10.19-22).
* 12.25-27 A voz de
Deus anunciando o evangelho deve ser ouvida com maior atenção e fé que a lei
anunciada no Sinai (2.1-4; 3.1-5; 10.28,29).
* 12.25 O
contraste entre a mensagem do Antigo Testamento e a mensagem do céu através do
Filho, faz-nos lembrar de 1.1-4. Fechando o círculo, o escritor está levando o
seu argumento para uma conclusão.
* 12.27 a remoção... abaladas. Cristo
enrolará os céus e a terra "qual manto", porém, ele permanecerá
(1.12). O encerramento da primeira aliança, "que se torna aniquilada e
envelhecida" (8.13), juntamente com seu santuário (9.8) e sacrifícios
(10.9) é a previsão do abalamento final.
* 12.28 sirvamos a Deus de modo
agradável. A gratidão é derivada do conhecimento de que os nossos nomes
estão escritos nos céus (Lc 10.20) e da nossa experiência do "dom
inefável" de Deus — Jesus Cristo (2Co 9.15). Reverência e temor provêm de
uma correta apreciação da pessoa de Deus (v. 29). Um culto agradável inclui
estes motivos.
* 12.29 fogo consumidor. Esta
solene citação de Dt 4.24 nos oferece uma conclusão apropriada à exortação que
enfatiza a santidade de Deus e o caráter definitivo de seu juízo dos apóstatas
(10.27).
* 13.1-3 Aqui, a
responsabilidade dos leitores para cuidar e encorajar uns aos outros na
perseverança na fé assume formas tangíveis: amor fraternal para com todos os
crentes (Rm 12.10; 1Pe 1.22), hospitalidade para aqueles que precisam de abrigo
e alimento (11.38), identificação com os presos (10.34) e apoio compassivo para
aqueles que estão sendo maltratados por causa de sua confissão (10.33; 11.25;
cf. Mt 25.35-37).
* 13.2 Não
negligencieis. A pressão do sofrimento pode afastar das nossas mentes as
responsabilidades fundamentais do amor (vs. 3,7,16).
sem o saber
acolheram anjos. O próprio Abraão, que foi um estrangeiro (11.13), deu
hospitalidade para "três homens" (Gn 18.2), na realidade, o próprio
Senhor com dois de seus mensageiros sobrenaturais (Gn 18.1-19-22).
* 13.3 Lembrai-vos dos encarcerados. A
recomendação de Paulo a respeito de Onesíforo, que "nunca se envergonhou
das minhas algemas" mostra a importância deste encorajamento, mesmo para
um apóstolo (2Tm 1.16-18).
* 13.4 Uma segunda indicação de
que a imoralidade sexual pode atingir os leitores (12.16). O remédio para
resolver o problema da imoralidade não é uma abnegação ascética, antes, uma
apreciação correta da honra que Deus outorgou ao relacionamento matrimonial (Ef
5.22-33; 1Co 7.3-5).
* 13.5,6 Aqueles
que são tentados pelo amor do dinheiro e pelo descontentamento são
identificados como aqueles que procuram a sua segurança nos recursos
financeiros (Mt 6.19-21,24-34). Mas a promessa que Josué recebeu, oferece maior
segurança: "Não te deixarei nem te desampararei" (Js 1.5). A nossa
resposta confiante reafirma que o Senhor é o nosso auxílio (2.18; 4.16) e nos
liberta de todas as formas de medo (2.15; 11.23,27).
* 13.7 dos vossos guias. O
ministério da primeira geração de mestres da congregação (2.3) encerrou-se e,
mais adiante, o autor exortará a seus leitores a submeterem-se à nova
liderança, de acordo com os deveres pastorais dos guias (v. 17).
imitai a
fé. Devemos imitar aqueles que herdam as promessas através de
uma fé perseverante (6.12).
* 13.8 Embora a liderança humana
deixe a congregação, Jesus Cristo é "o mesmo" (1.12)
"ontem" (no qual Deus falou através dos profetas, 1.1),
"hoje" (pois Deus nos convoca para entrar em seu descanso pela fé
3.7,13; 4.7), e "para sempre" (1.8; 7.17,21,24,28). Ele é a forte
âncora no meio dos sofrimentos e incertezas desta vida (6.19).
* 13.9 doutrinas várias e estranhas. Estas
doutrinas ou ensinos, segundo parece, afirmaram que os leitores, por não mais
participarem da vida ritual do templo (v. 13), inclusive das festas
sacrificiais, não tinham acesso a Deus. O autor responde afirmando que a graça,
e não o alimento cerimonial, fortalece os nossos corações, porque pela graça
participamos no culto do altar celestial onde Cristo ministra.
nunca
tiveram proveito. Tal como a oferta pelo pecado não podia efetuar uma
purificação da consciência (9.9), assim também a oferta pacífica não podia
garantir que o adorador tivesse paz e comunhão com Deus (Lv 7.11-18; 1Co
10.18).
* 13.10 Os
sacerdotes levíticos tinham o direito de reter uma porção de cada animal
sacrificado como oferta pacífica no tabernáculo do Antigo Testamento (Lv
6.18,29; 7.6,28-36). Enquanto os sacerdotes e o povo dependerem do antigo
sistema do sacrifício de animais para receber expiação e paz com Deus, eles não
podem desfrutar do ministério sumo sacerdotal de Cristo nos céus.
* 13.11,12 O simbolismo do Dia da
Expiação prefigurou dois aspectos importantes da obra expiatória de Cristo.
Primeiro, o sangue trazido para dentro do Santo dos Santos declarou que
aproximação ao Deus santo é possível
somente através da morte de um substituto imaculado. Segundo, os corpos
dos animais queimados fora do arraial indicaram que o substituto tornou-se
impuro por causa dos pecados do povo que lhe foram imputados.
* 13.13 Saiamos, pois, a ele, fora do
arraial. O sofrimento de Jesus fora da porta da cidade simbolizou não
apenas a maldição que ele levou sobre si como o nosso substituto, mas, também,
a sua rejeição pelo estabelecimento religioso dos judeus e de seus líderes. Os
leitores são convocados agora a assumir com coragem sua própria exclusão das
instituições judaicas (sinagoga e templo e talvez até da própria família) na
expectativa confiante da cidade que há de vir (v. 14).
levando o
seu vitupério. Ver 11.25,26 e nota; Sl 69.7-9; Rm 15.3.
* 13.15 ofereçamos... sempre. O tempo do
sacrifício de animais já passou, porém, os servos de Deus, à semelhança de
todos os sacerdotes, ainda têm dons e ofertas para ele. Estes sacrifícios
espirituais (1Pe 2.5) incluem louvor a Deus (v. 15) e atos de amor ao próximo
(v. 16).
sacrifício
de louvor. Na tradução grega de Lv 7.11-21, esta frase se refere a um
tipo de "oferta pacífica" que foi um sacrifício de animal. Mas o
sentido aqui é mais perto de Sl 50.14,23 onde o Senhor pede "ações de
graça" no lugar de sacrifícios de animais.
o fruto de
lábios que confessam o seu nome. Em Os 14.2 esta atraente figura de
linguagem é usada para descrever as palavras que oferecemos a Deus quando os
pecados são perdoados. Este é o "sacrifício de louvor".
* 13.16 Não negligencieis.
Sacrifícios de palavras devem ser acompanhados por atos de amor fraternal (Tg
1.27). Em Fp 4.18, Paulo identifica estes atos materiais "como aroma
suave, como sacrifício aceitável e aprazível". Ver nota no v. 2.
* 13.17 Obedecei... sede submissos.
Evidentemente, a nova geração de líderes não estava recebendo a submissão
respeitosa que o ofício merece.
pois velam. Líderes
fiéis na Igreja são semelhantes a pastores fiéis (Jr 23.4; At 20.28; 1Pe 5.2-4)
ou atalaias que dão o aviso de perigo à cidade (Ez 33.6). O cuidado dos líderes
é profundo e genuíno porque eles foram designados por Deus, a quem devem
prestar contas (cf. 4.13). Todos sofrerão se resistirem o seu ministério.
* 13.18 Orai por nós. Os crentes
têm o privilégio de agir como sacerdotes, e em plena dependência de seu livre
acesso ao trono da graça (4.16), oram uns pelos outros.
de termos
boa consciência. Talvez o autor esteja comunicando a seus leitores que
ele mesmo está exercendo o seu ministério de modo cuidadoso, de acordo com as
diretrizes que acabou de traçar (v. 17; 2Co 1.12).
* 13.19 restituído mais depressa. As
circunstâncias exatas do autor são desconhecidas. Ele já esteve anteriormente
com o grupo a que se dirige, e está ansioso para revê-lo.
* 13.20,21 Esta
bênção engloba os temas proeminentes da carta, e introduz novos.
* 13.20 o grande Pastor das ovelhas. O bom
pastor guia e protege as suas ovelhas (Sl 23; Ez 34.11-16,31), e ele deu a sua
vida por elas (Jo 10.11; 1Pe 2.24,25).
pelo sangue
da eterna aliança. O sacrifício de Cristo derrotou a morte (2.14) e
inaugurou a nova e eterna aliança (9.12-15). Depois de ter ressuscitado, Cristo
"já não morre" (Rm 6.9); os efeitos de seu sacrifício são eternos.
* 13.21 cumprirdes a sua vontade. Deus tem
providenciado tudo para o nosso crescimento na santidade (2Pe 1.3) e ele está
sempre pronto para auxiliar na hora de necessidade ou de tentação (2.18; 4.16).
operando em
vós o que é agradável diante dele. Deus mesmo nos dá forças para
amá-lo e também amar o próximo, sacrifícios estes que o agradam (vs. 15,16; Fp
2.13).
por Jesus
Cristo. A totalidade da salvação, o perdão dos pecados e a novidade
de vida, vêm por Jesus Cristo.
* 13.22 palavra de exortação. Este
sermão, em forma de carta, levaria mais de uma hora para ler em voz alta. O
escritor poderia ter expandido certas partes, se tivesse assim desejado (9.5).
* 13.24 Saudai todos os vossos guias. O
escritor faz todo o esforço para garantir que os novos líderes da congregação
recebam o devido reconhecimento (cf. v. 17).
Os da
Itália. Ver Introdução: Data e Ocasião.
-----------------------------------------------------------------------------
sergiovalentin