*          1.1      ao profeta Habacuque. Ver Introdução: Autor.

 

Sentença. Ou, “oráculo”, “profecia”, é geralmente um termo técnico usado para indicar profecia de julgamento contra uma nação estrangeira (Is 13.1; 15.1; Na 1.1; Ml 1.1, nota).

 

revelada. A mensagem divina tomou a forma de uma revelação sobrenatural declarada à visão ou audição interior do profeta (Mq 1.1).

 

*          1.2-4   A primeira queixa de Habacuque: o profeta está aflito e angustiado por ver como o povo de Deus continuamente se desviava de uma vida alicerçada na Aliança. Ele não vivia mais como um povo salvo e escolhido (Êx 19.4-6). Mas Habacuque está ainda mais inquieto pela aparente inatividade do Senhor. Qualquer violação da Aliança deveria trazer maldições e julgamento (Dt 28.15-68). Desta maneira, ele apelava ao Senhor, numa linguagem que lembra a dos salmos de lamentação individual, para reparar uma situação aparentemente sem solução. O diálogo apaixonante de Habacuque e sua luta angustiada com o Senhor dominam a primeira parte do livro (1.2-2.20).

 

*          1.2      Até quando. A pergunta impaciente, característica dos salmos de lamentação (Sl 13.2; 62.3; Jr 47.6), indica a insistência e perseverança no apelo do profeta ao Senhor, o Juiz final nas questões de desobediência à sua Aliança.

 

clamarei eu. Isto indica o alto clamor de alguém em profunda aflição (Sl 22.24; 30.2).

 

Violência. Este termo resume a transgressão deliberada, brutal e insensível dos direitos e privilégios dos membros da comunidade da Aliança.

 

não salvarás. Habacuque observa dolorosamente a aparente indiferença e inatividade do Senhor em face do sofrimento injusto.

 

*          1.3      Por que. A pergunta dá continuidade à queixa (cf. Lm 5.20).

 

opressão. Lit. “trabalho” ou “labuta” que leva à angústia, à exaustão, e ao desespero.

 

contendas, e o litígio. A maldade sem controle resulta numa comunidade dividida repleta de suspeitas, acusações, e ataques pessoais.

 

*          1.4 a lei se afrouxa. Lit. “A lei está entorpecida.” A palavra para “lei” (hebraico torah) denota o padrão divinamente revelado para a vida dentro da Aliança. O poder e a influência dos ímpios tinham deixado a lei ineficaz.

 

o perverso. Aqueles em Israel que rejeitavam a vontade e a lei do Senhor.

 

*          1.5-11 A primeira resposta de Deus: o Senhor enviará os babilônios para julgar seu povo. Ele usa instrumentos incomuns contra seu povo infiel — os terríveis babilônios (cf. Is 10.5, 6).

 

*          1.5 maravilhai-vos... não crereis. O método de Deus — a vitória dos perversos sobre os “mais justos” (v. 13) — iria colocar uma pedra de tropeço para a fé dos que ouviam Habacuque.

 

*          1.6 suscito. O Deus soberano de Israel controla toda potência da História, incluindo os agressivos caldeus.

 

caldeus. Também chamados de babilônios, ou neo-babilônios, os caldeus atingiram o poder quando o Império assírio caiu. Nínive, a capital da Assíria, foi destruída em 612 a.C. Os caldeus governaram até que sua capital, a Babilônia, foi destruída pelos persas em 539.

 

*          1.7 eles mesmos... direito. Isto descreve a arrogância do inimigo por vir, cujos padrões de ação e honra eram inteiramente egoístas.

 

*          1.8, 9   Figuras intensas retratam a velocidade e resolução desses guerreiros ferozes e conquistadores.

 

*          1.10 Eles escarnecem dos reis. Os assustadores exércitos babilônios olham para os obstáculos como desafios e tratam sua oposição com menosprezo.

 

amontoando terra, as tomam. Rampas de cerco construídas pelos invasores para obter acesso aos muros fortificados de uma cidade.

 

*          1.11 cujo poder é o seu deus. Ou, “este seu poder e seu deus.” O orgulho, especialmente a deificação do seu próprio poder, é uma ofensa contra Deus, o único que merece nossa adoração.

 

*          1.12-17 A segunda queixa de Habacuque: o plano do Senhor de usar os perversos babilônios para punir Israel parece estar em flagrante oposição ao próprio caráter revelado de Deus.

 

*          1.12 desde a eternidade. Sendo o eterno Deus da História e Senhor do seu povo, ele tem liberdade de escolher os agentes do castigo. Mas apesar de afirmar esta verdade, a revolta de Habacuque a nega.

 

meu Deus, ó meu Santo. Um relacionamento pessoal com o Deus incomparável, o Santo, faz com que a confusão se torne em convicção de que a angústia presente não será o fim. E Habacuque vai ainda livrar-se da confusão em que se encontra.

 

ó Rocha. Este antigo nome mosaico para Deus enfatiza a fidedignidade e proteção divinas (Dt 32.4, nota).

 

*          1.14     Por que fazes. Uma ousada acusação de Habacuque. Se o Senhor tolera as más ações dos babilônios, ele se torna responsável pela sorte de suas vítimas.

 

homens como os peixes. A figura da Babilônia como um pescador pegando peixes indefesos é desenvolvida nos vs. 14-17. A pesca era uma importante atividade na Babilônia, que estava localizada na região dos rios Tigre e Eufrates e era delimitada ao sul pelo Golfo Pérsico. Alguns antigos afrescos de parede encontrados no Oriente Médio retratam governantes vitoriosos levando seus cativos em redes de pescaria.

 

não têm quem os governe. Não havia quem os protegesse. Reis no antigo Oriente eram vistos como os protetores do seu povo (1Sm 8.20). Uma acusação implícita também pode estar presente aqui, visto que o Senhor era o Rei e protetor do seu povo (Dt 33.5; Is 63.18, 19).

 

*          1.16 sacrifício. Os instrumentos de seu sucesso são idolatrados e adorados (v. 11, nota).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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