*          2.1-20 Habacuque recebe uma resposta às suas dolorosas perguntas de 1.12-17. Deus mostrará que ele é justo e justificador daqueles que tem fé nele. O desfecho final da História será a adoração ao santo e justo Rei (v. 20). O destino das nações e dos seus indivíduos será determinado pela sua atitude para com Deus expressando-se ou na dependência perseverante e fiel, ou na rejeição arrogante (Sl 1; 2.2, 3).

 

*          2.1       O questionamento angustiado de Habacuque o levou à fonte de toda sabedoria para aguardar por uma resposta. Suas palavras expressam sua determinação em esperar por uma resposta. Deus é soberano em palavras tanto quanto em ações — sua revelação não pode ser forçada.

 

torre de vigia... fortaleza. Termos militares figuradamente retratam o profeta como um vigilante à busca de uma palavra de Deus.

 

*          2.2       Escreve... grava-a. A fim de ser preservada e transmitida (cf. Jr 30.2; Na 1.1).

 

visão. Ver nota em 1.1.

 

Para que a possa ler até quem passa correndo. Talvez uma figura (embora alguns sugiram que Habacuque realmente tenha escrito um oráculo em grandes tábuas) indicando que a profecia de Habacuque deveria ser anunciada.

 

*          2.3 no tempo determinado... não tardará. Um período fixo deve transcorrer antes que a profecia seja cumprida, mas isto não deveria ser tido como uma falha ou logro. Ao invés disto, este período pode ser atravessado com a garantia do Senhor de que o cumprimento se aproxima. O julgamento sobre os babilônios veio (muito depois da visão de Habacuque) através de Ciro em 29 de outubro de 539 a.C.

 

*          2.4       O Senhor revela agora a distinção essencial que ele faz entre os perversos, os babilônios, e os justos, os restantes de Judá. Os ímpios tomam caminhos que levam à morte e à derrota; os justos pela fé tomam um caminho que leva à vida e à vitória. Em resumo, esta distinção e a promessa que ela contém para o justo se constituem na palavra de conforto para Habacuque. Isso também marca a virada na sua batalha pessoal com respeito ao uso que o Senhor faz dos perversos babilônios como um vara de julgamento contra o seu povo.

 

o soberbo. O rei babilônio e seu reinado, a personificação da perversidade no mundo. Habacuque descreveu anteriormente sua arrogância (1.7, 10, 11).

 

pela sua fé. Ou, “pela sua fidelidade.” No contexto aqui, a palavra hebraica denota uma firme confiança no Senhor, uma confiança que persevera. Em meio de uma terra cheia de maldade (1.2-4) e sujeita à ira de Deus, o Senhor promete que um remanescente justo em Judá confiará no Deus que lembra da misericórdia em sua ira (3.2). A expressão hebraica lembra as palavras de Gn 15.6 e as aplica à situação de Habacuque. Pela fé, Abraão esperou pacientemente pelo cumprimento das promessas de Deus (Hb 6.15), e agora Habacuque e o restante deve aguardar pacientemente também (v. 3; 3.16). Aqui Paulo encontrou prova bíblica para a doutrina da justificação pela fé (Rm 1.17; Gl 3.11), e a palavra de conforto de Habacuque tem sido um texto chave para a fé da Reforma Protestante desde o século XVI.

 

*          2.5       vinho é enganoso... o arrogante. A arrogância e insaciabilidade dos babilônios é comparada à embriaguez.

 

sepulcro... morte. Era proverbial dizer que a morte era como uma boca que devora, sempre pronta para buscar mais mortes (Pv 1.12; 27.20; 30.15, 16).

 

*          2.6-20             Esta seção de condenações forma uma unidade literária distinta. Os julgamentos proféticos são apresentados aqui em um cântico de escárnio, uma forma poética que ridiculariza o derrotado.

 

*          2.6-8 O primeiro ai. Aqueles que despojam outros serão, eles mesmos, despojados.

 

*          2.6 todos estes. Judá e todos aqueles que sofreram sob a opressão babilônica. As profecias de condenação nos vs. 6-20 são retratadas em termos de tal modo gerais e proverbiais que adquirem uma aplicabilidade universal quanto à luta dos justos perseguidos contra os perversos.

 

Ai. A palavra hebraica é aparentemente uma interjeição derivada de lamento fúnebre (algumas vezes é traduzida como  “Ah”, 1Rs 13.30), mas é freqüentemente usada em profecias de julgamento.

 

se carrega de penhores. O pesado tributo cobrado pelos babilônios é figuradamente representado como artigos tomados como garantia de dívidas.

 

*          2.8 sangue. A violência e o derramamento de sangue por meio dos quais os babilônios obtiveram seus despojos clamam por vingança. (v. 11; cf. Gn 4.10).

 

*          2.9-11 O segundo ai condena aqueles que buscaram segurança e ganho econômico às custas dos outros.

 

*          2.9 lugar alto o seu ninho. Pássaros predatórios geralmente constroem seus ninhos em lugares altos e inacessíveis. Da mesma forma os babilônios consideravam segura a sua posição na História mundial (Is 14.13, 14; 47.7).

 

*          2.11 pedra clamará... responderá. Uma forte personificação. Este clamor contra a injustiça surge dos materiais de construção roubados de outros ou comprados com ganho injusto.

 

*          2.12-14 O terceiro ai pronuncia julgamento contra os esforços cruéis mas fúteis do tirano em perpetuar a sua fama.

 

*          2.12 edifica a cidade com sangue. Os registros babilônios confirmam o grande valor dado a atividades de construção. Nabucodonosor, que empregava povos subjugados como trabalhadores forçados, sentia um grande orgulho na construção da Babilônia (Dn 4.30). Esses projetos envolviam perda de vidas e eram pagos com despojos de guerra.

 

*          2.13 do SENHOR... em vão. Deus soberanamente assegura que os esforços dos orgulhosos em perpetuar sua própria glória levam a nada. Ao invés disto, “a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR” (v. 14).

 

*          2.15-17 O quarto ai pronuncia julgamento sobre o humilhante e sádico tratamento que os babilônios impunham sobre outros.

 

*          2.16 o cálice da mão direita do SENHOR. Esta metáfora bíblica indica a retribuição divina (Is 51.17-23). Aquilo que os babilônios fizeram a outros, será feito a eles (vs. 7, 8).

 

*          2.17 violência contra o Líbano. Campanhas militares normalmente causavam grandes danos a plantas e animais. As árvores supriam material de construção e lenha (Dt 20.19, 20); animais selvagens e domésticos eram utilizados como comida. Muitos cedros se perderam durante a campanha babilônica contra o Líbano (Is 14.8). O cuidado de Deus para com sua criação deve ser observado.

 

*          2.18-20 O quinto ai denuncia a idolatria, a adoração de falsos deuses, como sendo fútil e tola (Is 44.9-17; 57.12, 13).

 

*          2.20 templo. Lit. “palácio,” o santuário celestial do qual o Senhor, o grande Rei, governa seu mundo (Sl 11.4).

 

cale-se diante dele toda a terra. Um nítido contraste é apresentado aqui entre os ídolos silenciosos (v. 19) e o Deus vivo, perante quem todos devem se manter em silêncio. Os ais de julgamento sobre os orgulhosos e perversos culminam no silêncio universal de adoração na gloriosa presença do incomparável Deus (v. 14; Sl 46.10).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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