*          1 Judas... irmão de Tiago. Ver Introdução: Autor.

 

chamados.  A expressão da iniciativa soberana e graciosa de Deus em convocar eficazmente à salvação aqueles a quem escolheu.

 

guardados em Jesus Cristo.  O grego pode ser traduzido também por "guardados para Jesus Cristo".  Os eleitos perseverarão na fé porque Deus os preserva (v. 24; Jo 10.27-30; 1Pe 1.5).

 

*          2  a misericórdia, a paz e o amor.  Judas confere um significado profundamente cristão a uma tradicional saudação judaica ("misericórdia e paz") pelo acréscimo de "amor".  A  misericórdia de Deus para com pecadores indignos e a conseqüente paz estão baseadas em seu amor manifestado em Jesus Cristo (Jo 3.16).

 

*          3 foi que me senti obrigado.  Em lugar do tratado doutrinário que havia planejado escrever, Judas sente-se obrigado a lidar com problema dos falsos mestres (v. 4).  Não temos conhecimento se o seu objetivo original foi posteriormente alcançado.

 

a batalhardes, diligentemente, pela fé.  Aqui, "fé" designa o conteúdo da mensagem ensinada pelos apóstolos e professada por todos cristãos, não o exercício pessoal da confiança por parte de um crente.  O cristianismo possui um corpo autorizado de fé dado por Deus à Igreja através dos apóstolos (1Co 15.3-8).  Juntamente com o Antigo Testamento (Ef 2.20), esse testemunho apostólico, como se encontra no Novo Testamento, é o padrão para a Igreja (2Jo 9, 10).

 

*          4  certos indivíduos se introduziram com dissimulação.  Os perturbadores aparentemente tinham vindo de fora da igreja à qual Judas estava escrevendo, apresentando-se talvez como profetas ou mestres itinerantes (2Jo 10, 11).

 

pronunciados para esta condenação.  Esta frase difícil refere-se provavelmente a várias profecias sobre a vinda e a condenação de homens ímpios, como os falsos mestres, incluindo, talvez, a profecia de Enoque nos vs. 14,15 e as profecias apostólicas nos vs. 17,18.  Ou, menos provavelmente, pode referir-se à sorte dos ímpios como estando escrita nos livros celestiais (Jr 22.30; Ap 17.8).

 

transformam em libertinagem a graça de nosso Deus.  Os oponentes de Judas eram culpados de antinomismo — a convicção de que os cristãos não têm  obrigação alguma de seguir a lei moral como regra de vida.  Tal ensino foi um problema permanente na igreja primitiva (Rm 3.8; 6.15; 1Co 6.12-15; Gl 5.13), especialmente onde a ênfase de Paulo sobre a justificação pela graça mediante a fé era mal entendida e pervertida.

 

negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.  Por sua conduta ímpia e imoral, os falsos mestres negam a Cristo.  A designação de Cristo como "Senhor" reconhece a divindade de Cristo.

 

*          5  destruiu, depois, os que não creram.  Deus puniu a Israel com quarenta anos de peregrinação no deserto por incredulidade quando eles recusaram-se a entrar em Canaã após o relato dos espias (Nm 14.27-34; Hb 3.16-19).  Assim como o juízo sobreveio aos israelitas apóstatas, também sobrevirá aos membros apostatados da Igreja (Hb 4.1, 2).

 

*          6   anjos. Ver nota em 2Pe 2.4.

 

não guardaram o seu estado original... abandonaram o seu próprio domicílio.  Tais anjos rebelaram-se contra as responsabilidades que lhes haviam sido conferidas por Deus e abandonaram suas áreas de ministério ou residência.  Alguns interpretam isto como dizendo que eles deixaram o céu e desceram à terra.

 

o juízo do grande Dia.  O dia do julgamento por ocasião da segunda vinda de Cristo.

 

*          7  como aqueles.  Sodoma, Gomorra e as outras cidades assemelhavam-se a esses anjos do v. 6 na imoralidade e perversidade da sua transgressão sexual.  A comparação também poderia referir-se à impudência e ao orgulho com que abandonaram seu próprio lugar.

 

prostituição... seguindo após outra carne.  A "outra carne" refere-se, no caso, ao homossexualismo descrito em Gn 19.4,5.

 

exemplo do fogo eterno, sofrendo punição.  A destruição, pelo fogo, de Sodoma, Gomorra e as cidades vizinhas em Gn 19 presta-se, em toda a Escritura, como um modelo do julgamento de Deus contra o pecado (Dt 29.23; Is 1.9; Jr 49.17,18; Rm 9.29).

 

*          8  sonhadores.  Provavelmente, uma referência às alegações dos falsos mestres de receberem revelações divinas por meio de experiências visionárias, alegações que eles podiam usar como justificativa para as três ações mencionadas em seguida.

 

contaminam a carne.  Imoralidade sexual (v. 4 e nota), talvez até homossexualismo (v. 7; Rm 1.26,27).

 

rejeitam governo.  Embora alguns o associem com autoridades humanas ou angelicais, é mais provável que seja uma referência ao senhorio e à autoridade de Jesus Cristo

 

difamam autoridades superiores.  Ver nota em 2Pe 2.10.

 

*          9  Há evidências de que este incidente esteja baseado em  A Assunção de Moisés, uma obra judaica apócrifa (da qual restaram apenas fragmentos) que expande a narrativa do sepultamento de Moisés em Dt 34.5, 6 (Introdução: Dificuldades de Interpretação).  O episódio diz respeito ao confronto entre o arcanjo Miguel e o diabo pela posse do corpo de Moisés. Conforme geralmente se interpreta, o argumento de Judas é que a linguagem áspera dos falsos mestres contrasta com a linguagem temperada de Miguel (2Pe 2.10 e nota).  Outros entendem que Judas apresenta o apelo de Miguel à autoridade de Deus em oposição à reivindicação dos falsos mestres de possuirem autoridade espiritual própria.

 

o arcanjo Miguel.  Conforme Dn 10.13,21 e 12.1, Miguel é um dos principais anjos e o guardião especial de Israel.  Em Ap 12.7, Miguel lidera a hoste de anjos na guerra contra o diabo e seus anjos.  Ver "Anjos" em Zc 1.9.

 

*          11  caminho de Caim.  Ver Gn 4.1-15; Hb 11.4; 1Jo 3.12.  De acordo com a tradição judaica, à qual Judas pode estar se referindo, Caim foi o pecador arquetípico e o instrutor de outros no pecado.

 

erro de Balaão. Ver nota em 2Pe 2.15.

 

revolta de Coré.  Coré, juntamente com Datã e Abirão, liderou 250 homens na rebelião contra a autoridade de Moisés e de Arão (Nm 16).  A revolta de Coré e o castigo divino resultante permitem uma comparação apropriada com o desprezo dos falsos mestres à autoridade eclesiástica e a capacidade perigosa dos falsos mestres de fazer outras pessoas se desviarem, bem como fornecem um exemplo do julgamento divino reservado aos falsos mestres (ver Nm 16.31-33).

 

*          12  rochas submersas.  Esses "recifes submersos", conforme a palavra grega pode ser traduzida, constituem-se num perigo para a navegação.  Se Judas está fazendo um jogo de palavras, o que ele quer dizer é que aqueles falsos mestres eram "recifes submersos perigosos" em águas supostamente tranqüilas.

 

festas de fraternidade.  Ver nota em 2Pe 2.13; cf. 1Co 11.20-34.

 

banqueteando-se juntos sem qualquer recato.  Os falsos mestres podem ter feito das festas de fraternidade ocasiões de gritante imoralidade.  Mesmo não sendo esse o caso, sua presença nas refeições fraternais teria sido motivo de preocupação para Judas.  Visto que dava-se instrução nas festas de fraternidade (At 20.7,11), havia oportunidade para que os falsos mestres apresentassem suas idéias.

 

nuvens sem água.  Uma metáfora para uma forma de hipocrisia que deixa de produzir aquilo que está prometido  (2Pe 2.17, nota).

 

dos frutos... desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas.  Como árvores que não davam frutos chegado o tempo da colheita, as vidas daquelas pessoas eram estéreis e estavam sujeitas ao juízo de Deus (Mt 7.16-20; Lc 13.6-9).

 

*          13  estrelas errantes.  Estrelas cadentes, cometas ou, mais provavelmente, planetas.  O ensino dos oponentes tem vida breve (como a luz emitida por uma estrela cadente) ou é indigno de atenção e inútil (como quando um corpo celestial de movimento imprevisível é usado como guia na navegação).

 

*          14  Enoque, o sétimo depois de Adão.  O Enoque de Gn 5.24 é o sétimo depois de Adão se Adão for contado como o primeiro.  Nos vs. 14 e 15, Judas faz uma citação quase literal de uma obra apócrifa popular chamada Livro de Enoque ou 1 Enoque.  Com isso, Judas não subentende que 1 Enoque seja obra divinamente inspirada ou que foi escrita pelo próprio Enoque (ver Gn 5.24).  A fonte que ele usa era familiar a seus leitores e seria útil para confirmar seu tema do vindouro julgamento divino contra os ímpios (Introdução: Dificuldades de Interpretação).

 

profetizou. Ao afirmar que Enoque "profetizou sobre esses homens", Judas não confirma tampouco nega a atribuição popular desse texto apócrifo ao Enoque bíblico.  A citação extraída de 1 Enoque, em concordância com uma hoste de profecias do Antigo Testamento (p.ex., Dn 7.9,10; Zc 14.3-5), ensina que Deus virá com seus exércitos celestiais para julgar os ímpios, estando Judas, dessa forma, justificado por aplicar essa idéia bíblica à sua situação específica.

 

santas miríades.  Provavelmente, uma referência à hoste de anjos que acompanhará o Senhor Jesus por ocasião de seu segundo advento (Zc 14.5; Mt 25.31).

 

*          15  ímpios...  ímpias.  A repetição desse vocábulo é importante; a mesma palavra grega aparece também nos vs. 4 e 18.  Rebelião de falsos mestres é, primeiro e antes de tudo, contra Deus e a sua autoridade e enfrentará o indubitável julgamento de Deus (v. 4, nota).

 

*          16  são murmuradores, são descontentes. A exemplo de Israel no deserto (v. 5; 1Co 10.10), os falsos mestres resistem à vontade de Deus, queixando-se, talvez, das restrições da lei sobre o comportamento deles.

 

grandes arrogâncias.  Ou, "palavras arrogantes". Podem ter sido alegações quanto a terem experiências visionárias (v. 8), liberdade da lei (vs. 4 e 8) ou possessão do Espírito Santo (vs. 18 e 19).

 

aduladores dos outros, por motivos interesseiros.  Eles demonstram predileção para com os membros ricos da igreja (Tg 2.1-4) ao ponto de, talvez, mesmo adaptarem seu ensino para agradar os de maior influênica entre seus ouvintes.

 

*          18        No último tempo.  Ver nota em 1Pe 1.20.

 

escarnecedores.  Eles zombam especialmente da lei moral de Deus e da certeza do castigo divino aos desobedientes (Sl 1.1; 35.16; Pv 14.9; 2Pe 3.3, 4).

 

*          19 promovem divisões.   A divisão na igreja era o resultado inevitável da arrogância dos falsos mestres (v. 16) e de sua alegação, contra os líderes da igreja e cristãos comuns, de possuírem o Espírito.  Os falsos mestres podem ter classificado as pessoas, como os gnósticos mais tarde fizeram, entre  "espirituais" (eles mesmos) e "naturais" (cristãos comuns).

 

sensuais, que não têm o Espírito.  Contra as alegações de seus oponentes, Judas argumenta que eles mesmos, os falsos mestres, são os que vivem inteiramente no nível da vida natural, terrena (v. 10).

 

*          20-23  Judas passa agora da denúncia aos falsos mestres a uma exortação positiva aos seus leitores.  Lutar pela fé quando se está sob ataque significa mais do que opor-se aos falsos mestres por meio de palavras.  Implica em uma vida de fato fiel ao evangelho.  A forma trinitariana da exortação de Judas deve ser observada ("Espírito Santo... Deus... nosso Senhor Jesus Cristo").

 

*          20  edificando-vos... fé santíssima.  Judas, da mesma forma que  Pedro (1Pe 2.5) e  Paulo (1Co 3.16, 17), compara a Igreja a um edifício.  Assim como no v. 3, "fé" refere-se à mensagem fundamentadora dos apóstolos e profetas (Ef 2.20-22).

 

orando no Espírito Santo.  Ao contrário dos falsos mestres, as orações dos leitores de Judas são dirigidas pelo Espírito de Deus, como de fato suas vidas devem ser por completo (Gl 5.16-18; Ef 6.18).

 

*          22,23  O texto grego exato destes versículos é objeto de debate, sendo difícil afirmar se tratam-se de dois ou três os grupos de pecadores  (v. 23, referência lateral). Qualquer que seja a solução para o texto, Judas claramente reconhece que deve-se empregar estratégias pastorais diferentes com pessoas diferentes.  Algumas pessoas podem beneficiar-se com um aconselhamento gentil (Gl 6.1).  Com outras, será preciso haver confrontação ou ação de alguma forma para que sejam puxadas para "fora do fogo".

 

*          23  salvai-os... em temor.  Ver Gl 6.1.

 

roupa contaminada pela carne.  Uma metáfora vívida para a influência contaminadora dos falsos mestres, essa locução ressalta a precaução que os leitores de Judas precisam exercer em seu contato com os mestres falsos e aqueles sob sua influência (1Co 5.11; 2Jo 10, 11).  Sobre a metáfora, ver Is  64.6; Zc 3.1-5; Mt 22.12; Ap 3.4,5,18 e 19.8.

 

*          24,25  À semelhança de Rm 16.25-27, a conclusão de Judas é uma doxologia que expressa confiança no poder de Deus para preservar o seu povo até o fim e que reconhece a eterna grandeza de Deus em sua "glória e majestade, domínio e poder".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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