* 3.1-4.11 Nesta
segunda divisão do livro, Jonas prega a mensagem que Deus lhe ordenou, e o povo
de Nínive responde com verdadeiro arrependimento (cap. 3). Quando o Senhor
deixa de executar o juízo que os ameaçava, nós passamos a perceber o verdadeiro
motivo da primeira fuga de Jonas: ele temia que Deus mostrasse sua misericórdia
para com os odiados assírios (4.2). Nas lições práticas que se seguem, a
extensão da misericórdia de Deus e sua compaixão são reveladas (4.5-11).
* 3.3
Levantou-se, pois, Jonas, e foi. Tendo compreendido que o chamado
de Deus é irrevogável (cf. Rm 11.29), Jonas obedeceu à renovação do mesmo.
Embora ele tenha obedecido a Deus desta vez, Jonas está “desgostoso” com a
perspectiva do arrependimento dos ninivitas (4.1, 2).
Nínive era. Alguns tem
sugerido que o uso do passado (“era”) indica que a cidade não existia mais no
momento da escrita deste livro. Tomando-se em conta a destruição da cidade em
612 a.C. pelos medos e babilônios, essa interpretação dataria a narrativa em
algum momento após o final do século VII a.C. Contudo, o uso do passado aqui
não exclui uma data no século VIII, pois ele pode indicar simplesmente a
situação da cidade quando o profeta chegou.
cidade mui importante... de três
dias para percorrê-la. O hebraico aqui é de difícil tradução. Muitos
estudiosos interpretam essas expressões como uma referência ao tamanho físico
de Nínive. A exploração arqueológica tem mostrado que a cidade tinha entre
cerca de 12 km de circunferência com uma população estimada em 120.000 pessoas.
Outros sugerem que a primeira fórmula deveria ser traduzida por “uma cidade
muito importante” ou mais lit. como “uma cidade importante para Deus”
(enfatizando sua significância ao invés de seu tamanho). Esta última
interpretação se encaixa melhor no contexto. A segunda expressão (lit. “jornada
de três dias”) pode indicar a duração da visita reservada (em termos de
protocolo diplomático no antigo Oriente Médio) para um emissário com destino a
uma cidade tão importante.
* 3.5
Os ninivitas creram em Deus. Os piores temores de Jonas se
tornaram realidade quando o povo creu, se arrependeu, proclamou um jejum, e se
vestiu de pano de saco (a vestimenta tradicional de lamentação no antigo
Oriente Médio). O arrependimento foi rápido e abrangeu a toda a cidade.
* 3.6
rei de Nínive. Aparentemente uma referência ao poderoso rei da Assíria.
Embora fosse altamente improvável que os registros assírios contivessem essa
ocorrência incomum, alguns estudiosos têm associado esse evento com as reformas
religiosas de Adade-nirari III (810-783 a.C.). Também tem sido sugerido o reino
de Assur-dan III (772-755 a.C.).
levantou-se... assentou-se sobre
cinza. A reação do rei foi tão imediata e espontânea como a de seus
súditos. A autoridade real deu lugar à humildade penitente. Ele trocou suas
vestes por pano de saco, seu trono por uma cama de cinzas (cf. Jó 42.6; Is
58.5).
* 3.7
mandado do rei. Com o edito real ordenando a oração, rituais de
lamentação, e jejum para homens e animais, o arrependimento de Nínive estava
completo. A inclusão de animais demonstra a sinceridade e a totalidade de seu
arrependimento. Além do mais, era costume entre os persas incluir animais
domésticos nos rituais de lamentação.
* 3.8
e se converterão... violência. Essa repreensão real se dirigia
aos pecados mais proeminentes de Nínive. A violência física e a injustiça
social eram marcas registradas do Império Assírio (Na 3.1).
* 3.9 O rei dá
expressão pessoal e coletiva à esperança de que o arrependimento verdadeiro irá
impedir o juízo divino. A estrutura de 3.5-9 se conforma ao típico modelo
vetero-testamentário de narrar o arrependimento coletivo (Jr 36.3; Jl 2): (a)
ameaça de julgamento, (b) reação penitente, e (c) decisão divina de reter o
juízo.
* 3.10
Viu Deus o que fizeram. A advertência profética (v. 4) tinha uma condição
implícita, a saber, que o julgamento era iminente — se a cidade não se
arrependesse. Ao converter-se do “seu mau caminho”, os ninivitas cumpriram essa
condição. A mudança dos planos do Senhor (i.e., sua escolha soberana de fazer
com que sua própria ação dependesse de resposta humana) é totalmente compatível
com a soberania de Deus e sua imutabilidade, visto que ele decreta os meios bem
como os fins da sua soberana vontade (Jr 18.7-10). Ver nota em Gn 6.6.
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sergiovalentin