*          1.1-19 Deus chama Jeremias ao seu ministério profético de anunciar o julgamento divino contra Judá, por causa da idolatria.

 

*          1.1-3 Jeremias profetizou por um período de quarenta anos, até ao exílio babilônico do povo de Judá. Durante esse período, a palavra do Senhor veio a ele por repetidas vezes (25.3).

 

*          1.1                   sacerdotes que estavam em Anatote. Anatote era uma cidade sacerdotal dos primeiros tempos (Js 21.17,18); cf. 11.21-23. Jeremias foi tanto um profeta quanto um sacerdote.

 

*          1.2                   a ele veio a palavra do SENHOR. Essa frase com freqüência abre os livros proféticos (cf. Os 1.1; Jl 1.1; Mq 1.1). As palavras registradas de Jeremias, pois, são palavras de Deus.

 

Josias. Ele foi um rei piedoso que efetuou uma grande reforma religiosas iniciada em 628 a.C. (2Rs 22; 23; 2Cr 34; 35); Jeremias o aprovou (22.15,16), embora ele tenha feito poucas referências específicas à reforma.

 

no décimo terceiro ano. Ou seja, 626 a.C.

 

*          1.5                   eu te formasse... eu te conheci. A criação e eleição de Jeremias, por parte de Deus, estão integrados (quanto ao verbo "conhecer" com o sentido de "escolher", ver Gn 18.19; Am 3.2). Essa separação antes do seu nascimento era a base da posição profética de Jeremias. Compare também Moisés, cuja narrativa do nascimento (Êx 2) tem o mesmo significado, e Paulo (Gl 1.15).

 

às nações. A mensagem de Jeremias endereçava-se principalmente a Judá; mas ele também tem palavras de julgamento quanto a outras nações (25.8-37; 46 - 51).

 

*          1.6       não sei falar. Moisés fez um protesto similar (Êx 4.10).

 

criança. Isso denota uma imaturidade que o desqualificava (1Rs 3.7).

 

*          1.8       Não temas. Essa garantia tem necessidade de ser repetida (10.5; 30.10; cf. Is 43.1; Lc 12.32).

 

eu sou contigo. Essas palavras são a promessa essencial do Senhor ao seu povo (Êx 3.12; Is 7.14; Mt 1.23; 28.20).

 

*          1.9       tocou-me na boca. Isso indica que Jeremias foi consagrado para falar as palavras do Senhor (Is 6.7).

 

tua boca as minhas palavras. Ver Êx 4.15; 2Pe 1.21.

 

*          1.10     para arrancares... plantares. As figuras salientam a mensagem de destruição de Jeremias, ao mesmo tempo em que também prefiguram a reconstrução feita pelo Senhor. A narrativa de sua chamada prepara para o ministério do profeta em toda a sua variedade. A palavra de Deus realiza os propósitos divinos (Is 55.11).

 

*          1.11     palavra. Esse vocábulo também pode designar visões de revelação (Am 7.8).

 

*          1.13,14            ao fogo... se derramará. A segunda visão, como a primeira, afirma quão inevitável e iminente era o juízo contra Judá. O próprio Jeremias devia acreditar na mensagem, a fim de proclamá-la.

 

*          1.14     Norte. Embora a Babilônia ficasse a leste, a sua rota de marcha os traria do norte.

 

*          1.16     sentenças. O julgamento é uma operação de Deus, em relação ao seu povo de aliança (11.2), segundo a qual ele implementa as maldições da aliança (Dt 28.15-68).

 

me deixaram a mim... deuses estranhos. O pecado básico de Judá era a apostasia; a questão central no livro é a fidelidade a Deus.

 

queimaram incenso. Ver nota em 11.13.

 

as obras das suas próprias mãos. Uma polêmica irônica (Is 46.6).

 

*          1.17     cinge os lombos, dispõe-te. Ou seja, ajusta as vestes em preparação para a batalha ou outras atividades (1Rs 18.46; 1Pe 1.13).

 

*          1.18     reis... povo. As acusações de Jeremias abrangerão a toda a sociedade de Judá do maior ao menor.

 

*          2.1—6.30        Jeremias usa várias figuras vívidas (como comparar Judá a um jumento selvagem e a uma prostituta) a fim de indiciar Judá por infidelidade a Deus (2.1—3.5), e para avisar sobre certos juízos, se a nação não se arrepender e voltar para Deus (3.6—6.30).

 

*          2.2                   Jerusalém. Em Hebraico, cidades são personificadas como feminino (7.29, nota).

 

tua afeição. Quanto a essa palavra hebraica, (hesed), ver Sl 36.5, nota.

 

jovem... quando noiva. O início do relacionamento de Israel com o Senhor, no deserto, após o êxodo do Egito, é lembrado como puro e devotado, como uma noiva para com o seu noivo. Ver Os 2.14-16 quanto a uma figura similar.

 

*          2.3                   consagrado... as primícias. Esses termos são extraídos da vida de adoração. Como santo, Israel era consagrado ao Senhor (Ez 22.26); as "primícias" são algo pertencente especificamente ao Senhor (Dt 26.2; Os 9.10).

 

se faziam culpados. A ofensa causada pelos tais resultava do manuseio não-autorizado das coisas santas.

 

*          2.7                   vós a contaminastes... da minha herança. Ver Dt 21.23. O povo santo de Deus (Dt 7.6) habitava na terra que Deus lhes deu como herança. A terra podia ser contaminada, ou, em termos religiosos, podia tornar-se uma "imunda", pelo pecado, porquanto ela permanecia uma possessão de Deus. Ver Lv 25.23.

 

*          2.8                   Os sacerdotes. Esses também podiam ser aqueles que manusearam a lei (18.18; Dt 31.9), ou podiam ser um grupo de escribas (8.8).

 

pastores. Uma figura com freqüência usado para indicar os governantes (23.1-4).

 

profetas. Esses profetas eram um grupo oficial ao qual Jeremias com freqüência se opôs, por causa da apostasia deles (23.9-40; 28).

 

*          2.9                   ainda pleitearei convosco. A metáfora do tribunal é reiniciada (v. 5; Os 4.1; Mq 6.1,2).

 

*          2.10     Chipre... Quedar. Essas localizações representam o oeste e o leste, respectivamente. O apelo toma sentido da posição especial de Israel, a saber, a sua aliança com o Senhor, e da assertiva de Jeremias de que os deuses das nações são impotentes.

 

*          2.12     ó céus. Ver também Is 1.2. Os céus e a terra servem de testemunhas do pacto (Dt 30.19; 31.28; 32.1).

 

*          2.13     dois males. Jeremias salienta a seriedade do pecado de Judá.

 

águas vivas. Só Deus provê água capaz de transmitir vida (Is 55.1; Jo 4.10; 7.37-39).

 

cisternas rotas. Os deuses que tomaram para si mesmos eram inúteis, vazios.

 

*          2.15     Os leões novos. Esses são os inimigos de Israel (4.7), que anunciavam desolações.

 

*          2.16     Mênfis... Tafnes. Cidades egípcias. O Egito e a Babilônia lutaram um com o outro para ver quem ficaria com Israel, entre 609 e 605 a.C.

 

o alto da cabeça. Algumas versões dizem aqui "coroa", uma referência possível a Josias, que foi morto por Faraó Neco, na batalha de Megido, em 609 a.C. (2Rs 23.29).

 

*          2.18     ao Egito... à Assíria. Um dos pecados mais persistentes de Israel e de Judá era buscar ajuda da parte de alianças políticas, em lugar de buscarem ajuda da parte do Senhor (Os 12.1).

 

as águas. Note a jactância do comandante de campo assírio, ao dizer que ele era um provedor das necessidades básicas mais digno de confiança do que o Senhor (2Rs 18.31).

 

*          2.20     outeiro alto... árvore frondosa. Ver Dt 12.2; 1Rs 14.23. Esses locais eram típicos para os santuários das divindades cananéias.

 

te prostituías. Judá é retratada aqui como uma meretriz, infiel ao Senhor (Ez 23.1-8; Os 3.1-5; 4.10-14).

 

*          2.21     vide excelente... vide brava. A metáfora da "vinha" com freqüência era usada por Israel (12.10; Sl 80.8-16; Is 5.1-7; Ez 17.1-10). Jesus Cristo é a verdadeira videira, e aqueles que nele permanecem são os ramos (Jo 15.1-8).

 

brava. Lit., "estrangeira". Estrangeira, aqui, conota as práticas religiosas pagãs.

 

*          2.22     laves. O pecado só é realmente lavado quando há arrependimento para com o próprio Senhor, como aquele que purifica, através do sangue da aliança eterna (Is 53.4-6; Hb 9.11-15; 13.20).

 

*          2.23     no vale. Provavelmente isso refere-se ao vale de Hinom, imediatamente ao sul de Jerusalém, onde ocorriam práticas cultuais abomináveis (7.31).

 

Dromedária. Uma jovem camela, caracteristicamente irresoluta, pronta para seguir qualquer novo impulso.

 

*          2.24     jumenta selvagem... cio. Essa metáfora é um quadro da concupiscência sexual.

 

*          2.28     os teus deuses... são tantos como as tuas cidades. A associação de deuses com localidades particulares é uma característica distintiva da religião pagã.

 

*          2.32     a virgem... a noiva. Tal esquecimento seria tão improvável que seria virtualmente impossível.

 

meu povo se esqueceu de mim. Ver Is 1.2,3.

 

*          2.34     o sangue de pobres. Isso se refere à perseguição dos fracos por parte dos fortes (um grande tema no livro de Amós; Am 2.6-8; 4.1).

 

*          2.37     mãos na cabeça. Uma postura para os cativos de guerra.

 

*          3.1                   repudiar sua mulher. A metáfora do casamento (2.2) torna-se agora uma metáfora de divórcio. A lei subjacente é Dt 24.1-4; o aspecto definitivo do divórcio é o pano-de-fundo do argumento aqui usado.

 

*          3.6                   rei Josias. Ver Introdução: Autor, Data e Ocasião, e nota em 1.2.

 

Israel. O reino do norte foi destruído em 722 a.C.

 

se deu... prostituição. Ver "Sincretismo e Idolatria", índice.

 

*          3.8                   carta de divórcio. Ver nota no v. 1. Israel foi "divorciada" por haver sido deportada pela Assíria (722 a.C.), um exílio do qual ela nunca retornou.

 

*          3.9                   pedras e árvores. Essa é uma referência aos ídolos. Ver "Sincretismo e Idolatria", índice.

 

*          3.12     para a banda do Norte. Para aqueles já deportados pela Assíria.

 

Volta, ó pérfida Israel. Esse chamamento implica tanto em arrependimento como no retorno físico para o seu território; esses dois aspectos andam juntos na mensagem de salvação de Jeremias. Ver nota em 29.14.

 

não manterei para sempre a minha ira. Essa declaração responde à pergunta do v. 5; cf. 31.20.

 

*          3.13     te prostituíste com os estranhos. Outro emprego da metáfora da prostituição; ver 2.20.

 

*          3.14     eu sou o vosso esposo. Embora a nação de Israel estivesse na obrigação de mostrar-se fiel a Deus, como o seu verdadeiro "marido", Jeremias desmascarou o seu pecado de adultério espiritual, ou seja, a vinculação dela aos deuses das nações. Ver Os 2.16,17.

 

tomarei... um de cada... dois de cada. Deus salvará um remanescente dentre os exilados (23.3, nota; Is 10.20-22, nota).

 

*          3.16     vos multiplicardes e vos tornardes fecundos. Essas mesmas palavras aparecem em uma ordem inversa, em Gn 1.28: "Sede fecundos, multiplicai-vos". Deus teria um novo começo com o seu povo. Indica que uma futura era messiânica agora está em vista (cf. Is 2.1-5).

 

A arca... não lhes virá à mente. A importância da arca será diminuída, porque o Senhor estará presente de uma nova maneira.

 

*          3.17     Trono. O trono do Senhor não mais será a arca (Êx 25.22; 1Sm 4.4), mas a própria Jerusalém; o Senhor governará a terra inteira do meio de seu povo (Zc 2.10-12).

 

*          3.20     mulher se aparta perfidamente. Ver 3.1; Os 1 - 3.

 

*          3.22                 Voltai... rebeldes. Essa convocação é paralela a Os 14.4. A chamada ao arrependimento vai mais além: o próprio Senhor capacitará o povo a voltar (Dt 30.6).

 

*          3.24     devorou... filhas. Essa perda das possessões e da família é a antítese da bênção (Dt 7.13). Os filhos eram, com freqüência, sacrificados aos deuses pagãos (7.31).

 

*          4.4                   Circuncidai-vos... coração. Os sinais externos de possessão, por parte do Senhor, nada são, a menos que correspondam a uma realidade interior. Só Deus pode circuncidar o coração (31.31-34; Dt 10.16; 30.6).

 

*          4.5                   Tocai a trombeta. Um método tradicional de dar aviso (cf. Jl 2.1; Am 3.6). Jeremias começa a anunciar destruição às mãos de um inimigo que viria do norte. O temor faria os que viviam no interior buscarem as cidades, em busca de segurança.

 

*          4.8                   cilício... uivai. Atos esses que, tradicionalmente, indicam tristeza; cf. Jn 3.5.

 

*          4.9                   naquele dia. Um dia de prestação de conta, quando as coisas profetizadas se cumprirão (cf. Is 2.11,12).

 

*          4.11     Vento abrasador. O vento siroco soprava atravessando o deserto e causando tremendo dano às colheitas.

 

*          4.13     nuvens... tempestade... as águias. Essas comparações extraídas da natureza indicam a força e a velocidade do inimigo.

 

*          4.17     Como os guardas de um campo. É como se os inimigos de Judá já possuíssem a terra.

 

*          4.21     Até quando. Esse clamor é comum nos salmos de lamentação (por exemplo, Sl 13.1).

 

*          4.22     sábios. A iniqüidade original é fortalecida pelo hábito e prática (9.5).

 

*          4.23     sem forma e vazia... céus, e não tinham luz. Compare com Gn 1.2,14,15. A própria criação é destruída por causa do castigo de Deus.

 

*          4.25     homem nenhum. A mesma frase é usada em Gn 2.5. Novamente a criação retorna ao seu caos original.

 

*          4.26     terra fértil... um deserto. As bênçãos do pacto são agora revertidas (Dt 8.7-16).

 

*          4.30     te adornas... pinturas. Uma vívida repetição da metáfora da meretriz.

 

Os amantes... procuram tirar-te a vida. Essas linhas exprimem a verdade irônica do auto-engano de Judá.

 

*          4.31     filha de Sião. Jerusalém é aqui personificada (Lm 1.6, nota).

 

Ai... assassinos. Podemos até ouvir seu patético suspiro de morte.

 

*          5.1                   ver se achais alguém... perdoarei a ela. Essa busca é uma alusão à oração de Abraão em favor de Sodoma (Gn 18.22-32) e uma resposta implícita à oração de Jeremias pela cidade (mais adiante proibida; 7.16). Mas a cidade estava totalmente corrompida.

 

*          5.3                   endureceram o rosto mais do que uma rocha. A determinação do povo em não se arrepender foi a principal frustração do profeta (cf. Ez 3.7-9).

 

*          5.6                   leão... lobo... leopardo. Essas quebras da aliança com Deus atraía as maldições do pacto sobre o povo (Lv 26.22).

 

*          5.7                   eu os ter fartado, adulteraram. O motivo para seguirem deuses falsos era a ilusão de que os deuses da terra de Canaã tinham o poder de torná-la fértil. Mas o Senhor reivindica a fertilidade da terra como sendo de sua exclusiva responsabilidade (Os 2.8,9, notas).

 

*          5.8                   como garanhões bem fartos... rinchando. A prostituição religiosa acaba escorregando para o adultério real. Ver uma descrição similar em 2.23,24.

 

*          5.9                   Deixaria eu. Novamente é usada a metáfora do tribunal; fica implícito um apelo às testemunhas. A justiça do Senhor deve ser cumprida.

 

*          5.10     não de todo. Essa indicação de que a punição não será final é um dos diversos indícios no começo do livro de Jeremias (12.14-17; 16.14,15; e 23.3, nota).

 

não são do SENHOR. Na mesma expressão, a posição pactual de Judá é anulada (Os 1.9, nota). As necessidades aparentemente irreconciliáveis de juízo e de salvação são ambas evidentes aqui.

 

*          5.12     Negaram. Toda crença errada acerca de Deus está relacionada a todo tipo de inverdade (9.3-6).

 

Não é ele... fome. Essas palavras resumem a mensagem dos falsos profetas. Ver 28.2-4.

 

*          5.13     vento. Jeremias retruca que os profetas falsos, que afirmavam possuir o Espírito (no hebraico, ruah) não passavam de vento (também ruah).

 

*          5.17     Comerão... comerão... comerão. O fato que os inimigos de Judá consumiriam a prosperidade agrícola da Terra Prometida era uma inversão das bênçãos da aliança. Ver Dt 7.13 quanto à promessa de todas as coisas agora estarem perdidas.

 

*          5.21     insensato. Ver Pv 1.7.

 

que tendes olhos... não ouvis. Ver nota em Is 6.10.

 

*          5.22     Não temereis a mim? Jeremias argumenta com base no poder de Deus na criação (Jó 38—41; Rm 1.18-20).

 

*          5.26     perversos... prendem os homens. A natureza da iniquidade é atrair até os inocentes para si mesma. Pv 2.12-19 descreve o poder de sedução da iniqüidade.

 

*          5.27,28            se tornaram poderosos e enriqueceram. Jeremias passa aqui dos pecados especificamente religiosos para os males sociais, pois as duas coisas estão intimamente relacionadas.

 

Engordam, tornam-se nédios. Essa descrição simboliza a própria centralização das riquezas, cf. Sl 73.7.

 

órfãos... necessitados. Sl 9.18, nota.

 

*          6.1                   Benjamim. Esse território fronteiriço a Jerusalém ao norte, fazia parte do reino do sul, de Judá.

 

Tecoa. Uma cidade em Judá, o lar de Amós (Am 1.1).

 

Bete-Haquerém. Uma localidade desconhecida em Judá.

 

Norte. Ver nota em 1.14.

 

*          6.2                   A formosa e delicada... filha de Sião. Ver nota em 2.2. Embora uma personificação de Jerusalém (4.31, nota), esta símile tem em mente as mulheres refinadas da cidade (Is 3.16-26).

 

*          6.3                   pastores com os seus rebanhos. Esses "pastores" são oficiais inimigos com as suas tropas, tomando posse da terra (cf. 4.15).

 

*          6.4,5    ao meio-dia... de noite. Esses são horários incomuns para ataques; a força do inimigo era tal que ele tinha a liberdade de atacar sempre que quisesse.

 

*          6.6       Um novo oráculo é dirigido aos babilônios, o instrumento de julgamento usado pelo Senhor.

 

opressão. Os ricos e poderosos de Jerusalém tem oprimido sua própria gente.

 

*          6.7                   conserva... malícia. Judá não podia deixar de transbordar a sua iniqüidade, porque esta é a sua verdadeira natureza (cf. Mt 7.16).

 

*          6.9                   se rebuscarão os resíduos. Os fazendeiros não deveriam colher tudo, mas deixar algo para os pobres (Dt 24.19-22); a Babilônia, entretanto, pode "colher" Judá completamente (contrastar 5.10). O Senhor tem propósitos mais profundos por detrás da permissão que ele dá (23.3, nota). A maldição não era absoluta, porquanto Deus poupou um remanescente para cumprir seu pacto de redenção (Introdução: Características e Temas). Ver nota em 11.23.

 

*          6.14     Paz. Sendo a paz mais do que a ausência da guerra, trata-se do bem-estar social e individual, resultado da observância da aliança com o Senhor.

 

Paz, paz. A simples mensagem bem aceita dos falsos profetas não pode trazer a verdadeira paz (Mq 2.6), cujo requisito é a retidão.

 

*          6.16     veredas antigas. Essa figura descreve a vida religiosa tradicional dos israelitas, desde os dias de Moisés.

 

*          6.17     atalaias. Ou seja, os profetas (Is 21.11; Ez 3.17; Hc 2.1).

 

*          6.18     ouvi, ó nações... ó congregação. Ver 2.4; Mq 1.2.

 

*          6.20     o incenso... cana aromática. Eram ingredientes caríssimos, usados nos rituais religiosos (Êx 30.23-38).

 

holocaustos não me são aprazíveis. Essa acusação é importante nos salmos e profetas (Sl 40.6-8; Is 1.11-15; Mq 6.6-8). Ver Mt 23.23.

 

*          6.23     Trazem arco e dardo... em cavalos. Ver a descrição da Babilônia em Hc 1.6-11. Embora os babilônios sejam instrumentos de Deus, ele não aprovava a crueldade deles.

 

*          6.27     acrisolador. Em outros lugares do livro, o próprio Senhor é aquele que tanto testa o povo (9.7; 17.10; 20.12) quanto Jeremias (11.20; 12.3). O profeta age como agente de Deus aqui.

 

*          6.29,30            chumbo... prata. O chumbo era usado no processo de refinação da prata. O processo de refinar a Judá não tem produzido qualquer coisa de valor.

 

*          7.2                   porta. Provavelmente esse era o portão que levava ao átrio interior do templo. Jeremias colocou-se no lugar central de adoração de Judá para proclamar a falsidade da nação. O poder de sua ação é aumentado por ser, ele mesmo, um sacerdote.

 

todos de Judá... para adorardes ao SENHOR. É possível que esta profecia foi entregue em uma das grandes festas anuais (Êx 23.14-18), quando de todo o povo de Israel se requeria que se fizesse presente.

 

*          7.3                   neste lugar. A Terra Prometida. A força do apelo de Jeremias aqui, talvez um choque para a complacente Judá, é que eles não podiam ocupar a Terra Prometida automaticamente.

 

*          7.4                   palavras falsas... Templo do SENHOR. A repetição dá ênfase. A hipocrisia de sua professa confiança no Senhor e em seu templo é desmascarada nas mínimas coisas.

 

*          7.5,6    se... para vosso próprio mal. A linguagem condicional repercute o pacto mosaico (Dt 14.28,29; Dt 13.1-3).

 

derramardes sangue inocente. Esse apelo não contém nenhum exagero (19.4).

 

*          7.9                   Furtais. Note a alusão a cinco dos Dez Mandamentos (compare Os 4.2), com um destaque climático sobre o primeiro mandamento (Êx 20.3).

 

*          7.10     nesta casa que se chama pelo meu nome. Ver Dt 12.5; 1Rs 8.43, onde o "lugar" é identificado como o templo de Jerusalém.

 

Estamos salvos. Uma falsa adoração produz falsa segurança.

 

*          7.12     em Silo... o meu nome. Silo era o lugar central da adoração para todo o Israel, antes que Davi fizesse de Jerusalém a capital (Js 18.1; 1Sm 1.9). Agora que Silo não mais existia (provavelmente fora destruída pelos filisteus), ela servia de boa prova do ponto salientado por Jeremias de que até um lugar onde o Senhor fizera seu nome habitar não estava imune ao seu juízo.

 

*          7.13     não me ouvistes. Esse é um importante tema no livro (6.17; 11.7,8; 25.3; cf. 2Rs 17.13,14).

 

*          7.16.    Tu, pois, não intercedas. Tal proibição era funesta, porquanto um dos papéis de um profeta era interceder (Abraão serviu como um intercessor, Gn 20.7; e Moisés Êx 32.11-14). Essa proibição é repetida em 11.14 (compare 15.1; 1Jo 5.16).

 

*          7.18     Os filhos... os pais... as mulheres. Um quadro do domínio universal que a idolatria exercia sobre o povo.

 

Rainha dos Céus. Um nome babilônico para a deusa Istar (44.19,25).

 

*          7.20     sobre os homens e sobre os animais... frutos da terra. O rompimento no relacionamento entre Deus e o seu povo afeta a criação inteira (ver Os 2.18).

 

*          7.21-23           os vossos holocaustos... sacrifícios. Sacrifícios desacompanhados da adoração interna do coração não interessam a Deus; o povo bem podia comer os sacrifícios eles mesmos, se os oferecessem dessa maneira. Essa condenação profética de um ritual vazio torna-se ainda mais notável porque o sistema de sacrifícios revelado a Moisés continuava em vigor. Jeremias não estava sozinho por falar dessa maneira; ver 1Sm 15.23; Is 1.11-15; Os 6.6; Am 5.21-25; Mq 6.6-8.

 

*          7.24     andaram... do seu coração maligno. Esse retrato de Judá sugere fortemente uma disposição nativa para com o mal no coração humano.

 

*          7.29     Corta os teus cabelos. Esse mandamento está no feminino gramatical, e personifica Jerusalém como uma mulher (2.1); o rapar da cabeça dela é um sinal de lamentação ou humilhação.

 

*          7.30     na casa. Este versículo é uma evidência da presença de um culto estrangeiro no próprio templo, como nos dias de Manassés (2Rs 21.7). Josias tinha removido a abominação, mas esta tinha retornado, possivelmente nos dias de Jeoaquim (Introdução: Autor; Data e Ocasião). Ezequiel também conhece tal contaminação (Ez 8.3-12). Tais práticas explicam a referência de Jeremias à persistente rebelião de Judá.

 

*          7.31     os altos. Era o nome usual para os centros de culto pagão (2Rs 23.8,9).

 

Tofete. Lit., "lugar de fogo". Era no vale do Filho de Hinom, onde crianças tinham sido sacrificadas ao deus estrangeiro, Moloque. O oferecimento do filho primogênito era praticado no mundo antigo, mas em Israel um filho primogênito era "remido", substituindo-se o mesmo por um animal, que era sacrificado (Êx 13.2; 34.19,20). O sacrifício de crianças era expressamente proibido (Lv 18.21; 20.2-5). Ver também 2Rs 23.10 e nota.

 

vale do filho de Hinom. Ficava a sudoeste de Jerusalém. Seu nome equivalente, em grego, é Geena, ou "inferno" (Mt 5.22, nota).

 

*          7.33     Os cadáveres. Ver 1Rs 14.11 e nota. Restos de corpos (8.1) infligiam uma desonra ainda maior (2Rs 23.16,18) do que deixar um cadáver exposto aos animais que comiam carniça.

 

*          8.2       espalhá-los-ão ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu. A ironia desta maldição é que eles adoravam esses corpos celestiais (2Rs 21.3-5). O trecho de Isaías 40.25,26 declara que o Criador é maior do que essas coisas criadas.

 

*          8.6                   Cada um corre a sua carreira. Em lugar de abandonarem os seus pecados, eles corriam na direção deles, precipitando-se de cabeça.

 

*          8.8                   sábios... escribas. Os sábios formavam um grupo, talvez o mesmo grupo dos "escribas". Ver 2Sm 8.17; Ed 7.6 e notas.

 

*          8.9                   Os sábios... que sabedoria. Diferente da sabedoria exposta em Provérbios, a sabedoria destes escribas era vazia, não demonstrando nenhum conhecimento real da palavra do Senhor. Ver Dt 4.6.

 

*          8.13     não haverá uvas na vide. A videira simbolizava Judá (2.21). Entretanto, a linguagem também sugere a perda da fertilidade, uma bênção de Deus que o povo havia atribuído a outros deuses (Os 2.8,9).

 

*          8.14     Reuni-vos. A palavra é a mesma usada para "consumirei" a colheita, no v. 13 (ver referência lateral). Ironicamente, o que eles tencionavam como uma reunião para obterem segurança seria uma reunião para serem julgados.

 

*          8.17     serpentes, áspides. Essas palavras podem ser compreendidas literalmente, como uma espécie de praga (comparar a "água venenosa" do v. 14; Nm 21.6), ou como uma figura de linguagem para indicar o inimigo.

 

*          8.18     Se eu pudesse consolar-me na minha tristeza! O hebraico por detrás desta frase é problemático. Talvez signifique: "minha tristeza me esmagou".

 

*          8.21     Estou quebrantado... estou de luto. Jeremias participa do sofrimento do povo (14.2).

 

*          8.22     não há bálsamo em Gileade? Gileade era lugar conhecido por seus produtos medicinais (46.11).

 

não há lá médico?... não se realizou a cura. Quanto à metáfora da cura e dos falsos curandeiros, ver 8.11. O desejo por um médico é um apelo a Deus como tal; ele virá no tempo certo, na pessoa de Cristo, o Grande Médico (30.17; cf. Lc 4.18,19).

 

*          9.1                   Então, choraria. A simpatia de Jeremias pelo povo é compartilhada mais tarde por Jesus (Lc 19.41).

 

*          9.3                   curvam a língua, como se fosse o seu arco. Essa é uma símile militar; o arco deles era a falsidade, e eles saíam atirando, como se estivessem na batalha.

 

diz o SENHOR. Deus concordava com a estimativa de Jeremias sobre a condição moral do povo (vs. 1,2). A atitude do Senhor foi expressa através do profeta.

 

*          9.8                   paz. Essa paz (no Hebraico, shalom) seria uma base verdadeira para a sociedade, e um produto da fidelidade à aliança; seu oposto é a falsidade, infelizmente a base real da sociedade.

 

*          9.10     levantarei choro e pranto. Jeremias chora particularmente pela desolação da terra que Deus dera a seu povo para ser rico e numeroso, mas que agora estava desolada. Ver Mq 1.8.

 

*          9.11     morada de chacais. A ausência de habitantes assinala a maldição sobre a terra, nesse tema comum (Sl 44.19; Is 13.21,22).

 

*          9.12     homem sábio, que entenda. Essa linguagem faz-nos lembrar o conceito de sabedoria como um conhecimento dado por Deus (Pv 1.2-5). A idéia da sabedoria como uma recomendação de Israel entre as nações (Dt 4.6) agora foi invertida.

 

*          9.13     que pus perante eles. Ver Dt 4.8.

 

*          9.17     carpideiras. O tema do choro é retomado (vs. 1,10), com a mais clara alusão, no Antigo Testamento, às carpideiras, empregadas para liderar a lamentação pelos mortos (Am 5.16).

 

*          9.21     a morte. As ações da morte são poeticamente personificadas.

 

as crianças e os jovens. Ver 6.11; Lm 5.13-15 e notas.

 

*          9.24 Ver nota teológica "O Verdadeiro Conhecimento de Deus", índice .

 

em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR. Ver o v. 12, que introduz a idéia da sabedoria neste capítulo. No fim, sabedoria é conhecer a Deus, não abstratamente, mas pessoalmente.

 

misericórdia, juízo e justiça. Esses três atributos característicos do Senhor são revelados e exercidos no pacto.

 

*          9.25,26            os circuncidados juntamente com os incircuncisos. Ver 4.4. Israel é externamente circuncidado, mas internamente é incircunciso. As nações circunvizinhas praticavam a circuncisão, mas não como sinal de um pacto de que pertenciam ao Senhor. Visto que Israel e Judá são incircuncisos em seus corações, efetivamente eles estão na mesma condição das nações. Ver Rm 2.25-29; 4.9-12; 9.8; Gl 5.6; 6.15.

 

*          10.2     espanteis. O terror caracterizava a adoração aos deuses falsos. A adoração aos corpos celestes (8.2 e nota) traz consigo temores especiais, por causa de fenômenos incomuns. Uma compreensão bíblica da criação retira esses temores, aceitando tais fenômenos como a ordem criada por Deus (Gn 1; Is 40.26).

 

*          10.3     são vaidade. Essa palavra, usada em outros lugares por Jeremias para ídolos (cf. o v. 8), transmite a idéia de vazio (2.5).

 

*          10.4     com prata e ouro. Embora alguns ídolos fossem moldados com metais preciosos (Êx 32.4; Ne 9.18), mais freqüentemente eles eram entalhados na madeira e decorados com ouro ou prata, como descrito aqui (Is 40.18-20). Os ídolos domésticos mais comuns eram moldados na argila e então eram endurecidos no fogo, como cerâmica (Jz 18.17; Is 30.22; 42.17).

 

*          10.7     temeria. O temor de Deus, aos moldes da Bíblia, envolve mais do que o medo do julgamento divino. Inclui respeito, reverência e adoração, em reação à majestade e à santidade de Deus (Sl 2.11,12).

 

ó Rei. Esse apelo combate a reivindicação de realeza por parte de falsas divindades, como Bel Marduque, na Babilônia (cf. Is 46.1; 43.15).

 

os sábios. A sabedoria deles é contrastada com a do Senhor (v. 12).

 

*          10.8     Estúpidos e loucos; seu ensino é vão. A linguagem aqui usada se parece com a da literatura de sabedoria.

 

*          10.9     Társis... Ufaz. Társis ficava na Espanha; Ufaz ainda não foi identificada.

 

*          10.10   é verdadeiramente Deus... o Deus vivo. Ver Dt 5.26.

 

o Rei eterno. Ver nota no v. 7; ver também Êx 15.18; 2Sm 7.13. A eternidade do reino de Deus é aqui afirmada, embora a casa de Davi estivesse prestes a chegar ao seu fim histórico.

 

seu furor... a sua indignação. Cf. Sl 97.5.

 

*          10.12   poder... sabedoria... inteligência. Vemos aqui um novo apelo ao poder do verdadeiro Deus na criação, no argumento contra os deuses estrangeiros. Quanto à criação por meio da sabedoria de Deus, ver Pv 8.22-31, uma passagem que prefigura Cristo como a sabedoria pré-existente de Deus (Cl 1.15; 2.3).

 

*          10.13   ribombar o trovão... dos seus depósitos. Ver Sl 29.3,4; 135.5-7. O controle do Senhor sobre a chuva combate as reivindicações feitas pelo deus cananeu Baal (ver 1Rs 17.1).

 

*          10.16   Porção de Jacó... sua herança.      Quanto ao Senhor como a porção ou herança de alguém, ver Nm 18.20; Sl 16.5. Originalmente, isso se referia especificamente aos levitas, mas mais tarde, foi usado mais amplamente para descrever o que Deus prometera a Israel, em sua aliança com ele.

 

*          10.19   Ai de mim... mui grave. Ver o clamor de Jeremias em 4.19-21. A metáfora médica é favorita para Jeremias (6.7; 14.17; 30.12,13,15,17).

 

*          10.20   os meus filhos se foram. As tristezas causadas pela perda dos filhos completam o quadro da desolação do exílio (16.3-5).

 

*          10.23   Eu sei... o dirigir os seus passos. Esse pensamento também se encontra na literatura de sabedoria (Pv 16.9).

 

*          10.25   Este versículo se parece muito com Sl 79.6,7, e pode ser uma citação do mesmo. Contudo, neste novo contexto talvez não seja tão bem motivado como o é naquele salmo. O capítulo termina com um apelo para que o Senhor castigue os gentios, embora sua tônica principal seja mostrar que Judá merecia um julgamento severo como aquele que recebeu.

 

*          11.1—13.27 A idolatria de Judá era uma violação do pacto e resultará no cativeiro como parte das maldições do pacto.

 

*          11.2     as palavras. Os mandamentos de Deus na aliança mosaica (Dt 1.1). O pacto mosaico, diferente do pacto de Noé e do novo pacto, dependia da fidelidade de Israel, e não da fidelidade do Senhor (Hb 8.6; Introdução: Características e Temas).

 

desta aliança. Uma aliança ou pacto é um acordo solene entre duas ou mais partes. É o tipo de relacionamento no qual Deus entrou livremente, já no início, com toda a humanidade (Gn 9.1-17), e então com Abraão, como o progenitor de Israel (Gn 17.1-21), então com Israel, no Sinai (Êx 19—24), então com Davi (2Sm 7.12-16; Sl 89.3), e, finalmente com todo povo de Deus, na nova aliança (31.31-34, notas).

 

*          11.3     Maldito o homem que. Ver Dt 27.15-26.

 

*          11.5     para que confirme o juramento que fiz. A aliança firmada com Abraão era na forma de uma promessa divina (Gn 15.17-21; cf. Dt 4.31). Sob os termos do pacto mosaico, as bênçãos temporais do pacto abraâmico eram administradas à base da obediência do povo de Israel (Êx 19—24). Sob os termos do novo pacto, as bênçãos eternas do pacto abraâmico são administradas à base da obediência de Cristo, ao mesmo tempo em que a obediência do crente prova a vitalidade da fé que ele professa (Tg 2.14-26).

 

uma terra que manasse leite e mel. Ver Êx 3.8; Dt 6.3.

 

amém, ó Senhor! A palavra "amém" (no hebraico, amen) indica aceitação dos termos estabelecidos. Ver Dt 27.15-26.

 

*          11.9     Uma conspiração. Essa conspiração poderia ser a resistência às palavras de Jeremias, ou às reformas de Josias.

 

*          11.10   a casa... com seus pais. Uma vez mais, a aliança é remetida à promessa feita aos patriarcas (v. 5 e nota). A atual desobediência de Judá à aliança era coerente com o padrão da história de Israel (ver especialmente Juízes).

 

*          11.13   para queimares incenso. O incenso era usado na adoração pagã, e também na adoração ao Senhor (1.16; 7.9; 18.15; Êx 30.7-9).

 

*          11.15   a minha amada. Judá, também em 12.7. O tratamento carinhoso está em acordo com a imagem do namoro e do noivado, em 2.2 e 3.1.

 

na minha casa. Ver 7.10,11; Ez 8.6-13.

 

carnes sacrificadas... de prazer. O Hebraico é difícil; a crítica, entretanto, é contra uma adoração inaceitável que produz uma alegria falsamente baseada na salvação dada por Deus.

 

*          11.19   manso cordeiro, que é levado ao matadouro. Um símile que tira proveito da prática dos sacrifícios (ver Sl 44.11). Jeremias com freqüência usa a linguagem dos salmos de "lamentação" (ver Introdução aos Salmos). Como um tipo de Cristo, os sofrimentos de Cristo são prefigurados na vida de Jeremias (Is 53.7).

 

a árvore com seu fruto. Estão em pauta Jeremias e a sua mensagem, ou então temos aqui uma referência enfática à sua vida.

 

cortemo-lo da terra dos viventes... e não haja mais memória. Não mais ser lembrado, por não ter filhos, era o pior dos destinos. Aqueles que tentaram apagar toda a memória de Jeremias foram eles mesmos esquecidos, enquanto que, através de suas profecias, Jeremias continua sendo relembrado hoje em dia.

 

*          11.21   homens de Anatote. Eles eram da mesma cidade de Jeremias (1.1). Os detalhes da conspiração revelam que a pior oposição a ele vem daqueles que lhe eram mais íntimos (Sl 69.7-9; Mt 10.36, citando Mq 7.6). Quanto a esse aspecto, Jeremias também se assemelha com Cristo (Jo 7.2-5; At 1.15-20).

 

*          11.23   não haverá deles resto nenhum. Essa ameaça de extinção total contrasta a sorte dos inimigos pessoais de Jeremias com a sorte de Judá em geral (ver 4.27; 5.10; 6.9 e notas).

 

*          12.6     até os teus irmãos e a casa de teu pai. Ver 11.21-23.

 

*          12.7     a minha herança. A "herança" de Deus inclui tanto o território concedido a Israel (Dt 4.21) quanto o próprio povo. Ver os vs. 8 e 9; 2.7.

 

a que mais eu amava. Ver 11.15 e nota.

 

*          12.8     como leão. Esta primeira dentre uma série de símiles (cf. o vs. 9,10) mostra como a natureza de Judá havia mudado.

 

eu a aborreci. Conforme é freqüente na Bíblia, o "ódio" é a única alternativa para o amor (Ml 1.2,3).

 

*          12.10   pastores. Isto é, governantes estrangeiros.

 

o meu prazer. Ver Is 5.7.

 

*          12.12   não há paz para ninguém. Este versículo desmascara a mentira das falsas proclamações de paz (6.14).

 

*          12.14   todos os meus maus vizinhos. Embora os adversários de Judá tivessem sido usados pelo Senhor para puni-la, eles mesmos seriam, afinal, punidos.

 

os arrancarei. Quando Deus julgar os inimigos de Judá, removendo-os de suas próprias terras, ele também livrará e restaurará a Judá, o tema a ser desenvolvido em Jr 30 - 33.

 

*          12.15   depois de os haver arrancado... à sua terra. Esta profecia é uma grande reviravolta no pensamento, antecipando a restauração e a salvação de todos os povos. Jeremias, pois, espera a inclusão dos gentios na salvação de Deus (46.26; 48.47; 49.6), como fazem outros profetas (por exemplo, Is 42.6).

 

*          12.16   serão edificados no meio do meu povo. Ver Is 19.25 quanto a um uso igualmente surpreendente da frase "meu povo" — para o Egito.

 

*          13.1     um cinto de linho. O "cinto" simboliza o relacionamento íntimo entre Deus e o seu povo.

 

*          13.4     Eufrates. Uma localização mais próxima pode estar em foco (talvez Pará, Js 18.23, perto de Anatote), cuja semelhança de nome, não obstante, sugeriu o rio Eufrates, e, por conseguinte, o exílio babilônico.

 

*          13.7     se tinha apodrecido e para nada prestava. A podridão do cinto retrata a corrupção do povo, que não mais estava apto para um relacionamento com o Senhor.

 

*          13.11   fiz apegar-se a mim toda a casa de Israel.  O Senhor interpreta aqui o significado do ato simbólico como ilustração de sua aliança com todo o povo de Israel.

 

*          13.12   se encherá de vinho. O vinho é aqui usado como símbolo da ira de Deus (25.15-29).

 

*          13.18   ao rei e à rainha-mãe. Provavelmente o rei Joaquim e sua mãe Neústa (2Rs 24.8). Essa profecia, pois, está cronologicamente perto do ataque de Nabucodonosor contra Jerusalém, em 597 a.C. (Introdução: Autor, Data e Ocasião).

 

caiu da vossa cabeça a coroa. Ver 22.24-26. Esse julgamento significou o fim da dinastia davídica histórica, e parece entrar em conflito com a promessa feita a Davi (2Sm 7). Entretanto, ver 33.14-26 quanto ao cumprimento futuro da aliança com Davi.

 

*          13.19   As cidades do Sul. Essas cidades, ao longo da fronteira sul, seriam uma importante defesa contra os aliados de Babilônia (como Moabe: 2Rs 24.2), mas foram incapazes de impedir o saque de Judá. Elas simbolizavam o orgulho de Judá (v. 17), que ficou assim demonstrado como oco, vazio.

 

*          13.20   os que vêm do Norte. Ver 4.6. Judá é vulnerável tanto ao Norte, quanto ao Sul (v. 19).

 

*          13.22   tuas fraldas... calcanhares. Um quadro de vergonha pública, como o de uma prostituta.

 

*          13.23   Pode, acaso, o etíope... as suas manchas? Uma pergunta retórica. Era típico de Jeremias asseverar a incapacidade de Judá de arrepender-se e de obedecer ao Senhor — o que explica a sua nova teologia do pacto (31.31-34, e notas). Ver " Liberdade e Escravidão da Vontade", índice.

 

*          13.25   a tua sorte. A palavra "sorte" relembra as sortes lançadas por ocasião da divisão da terra (Js 14.2). Agora significa expulsão da mesma terra.

 

*          14.1—15.21 O povo de Judá está tão endurecido em seus pecados que Deus nem ao menos responderá, mesmo que fosse uma oração de Jeremias, pedindo que eles fossem livrados do castigo da seca. Em resposta à pergunta de Jeremias se Deus tinha rejeitado completamente a Judá (14.19), Deus replica que o castigo que viria era inevitável, por causa do pecado de Judá; mas o Senhor assegura a Jeremias o livramento pessoal dos seus inimigos.

 

*          14.3     Cobrem a cabeça. Um sinal de lamentação.

 

*          14.4     Por não ter havido chuva. O Senhor ou concede ou retém as chuvas (Dt 11.10-15; 28.12).

 

*          14.8     Ó Esperança. Essa palavra hebraica também significa "poço", uma palavra notável em um tempo de seca.

 

Redentor. Ou Libertador, como em uma batalha.

 

*          14.9     somos chamados pelo teu nome. Essa chamada explica o significado das palavras "por amor do teu nome", no v. 7. A honra do Senhor está em jogo, nos fortúnios de seu povo.

 

*          14.10   diz o SENHOR. Deus responde diretamente à oração dos vs. 7-9.

 

este povo. Talvez, de modo significativo, Deus não usa "meu povo".

 

*          14.11   Não rogues. Ver 7.16 e nota. Aqui a proibição segue a intercessão nos vs. 7-9.

 

*          14.12   jejuarem... holocaustos e ofertas de manjares. Os rituais, por seus próprios méritos, não comovem a Deus (7.21-23, nota).

 

pela espada, pela fome e pela peste. A primeira dentre as quinze vezes em que essa tríplice combinação aparece em Jeremias (p.ex., 15.2). Este é um típico sumário de horrores que o julgamento pode trazer (Dt 32.24,25).

 

*          14.13 os profetas. Ou seja, aqueles que profetizavam falsamente a paz (6.1-4; 8.11). Jeremias pleiteia em favor do povo de Judá, dizendo que eles tem sido enganados.

 

*          14.16   O povo. O apelo do profeta (v. 13) errou o alvo: o povo deveria ter testado os profetas, mediante as profecias deles (Dt 13.2,3; 18.21,22).

 

não haverá quem os sepulte. Ver 7.33.

 

*          14.19   Aguardamos a paz. Por causa do ensino dos profetas falsos (v. 13 e nota).

 

*          14.21   o trono da tua glória. O templo está aqui em vista (ver 2Rs 19.15; mas cf. 1Rs 8.27).

 

a tua aliança conosco. Jeremias relembrou a aliança estabelecida com Abraão, Isaque e Jacó (Gn 15.12-21; 26.3-5; 28.13-15; Lv 26.42.45).

 

*          15.1     Moisés e Samuel. Deus traz à mente dois grandes intercessores em prol de Israel (Êx 32.11-14; 1Sm 12.23). Note também Elias em 1Rs 17.1. Orar pelo povo é novamente proibido (7.16; 11.14), e a oração que acabou de ser oferecida (vs. 19-22) é especificamente rejeitada.

 

*          15.3     com espada... com cães... com as aves... e as feras... Ver 7.33, nota; 1Rs 21.23.

 

*          15.4     Manassés. Filho do rei reformador, Ezequias (2Rs 20.21) e um dos reis mais iníquos. Mesmo depois das reformas instituídas por seu neto, Josias, o castigo e o exílio de Judá continuam a ser vinculados a ele (2Rs 23.26). Ver Introdução: Autor, Data e Ocasião.

 

*          15.6     voltaste para trás. Ver 3.22.

 

estou cansado de ter compaixão. Promessas como a de 31.20 estão, pelo momento, em segundo plano.

 

*          15.7     Cirandei-os com a pá. Ver 4.11, onde a metáfora é usada de maneira levemente diferente. Aqui aponta para o castigo (cf. Is 41.16).

 

*          15.9     Aquele que tinha sete filhos. Um quadro de bênçãos (Sl 127.5) é revertido.

 

os que ficaram dela... à espada. Até o próprio remanescente, deixado pela destruição, foi ameaçado com a morte. Compare Is 6.13, onde um pensamento semelhante é finalmente abrandado pelo promessa da "santa semente".

 

*          15.12   Pode alguém quebrar o ferro. Como poderia Jeremias esperar mudar o coração teimoso de Judá? Ver 13.23 e nota.

 

*          15.14   Levar-te-ei com os teus inimigos. Esta profecia é cumprida por Jeremias, em 43.4-7.

 

*          15.16   Achadas as tuas palavras, logo as comi. Este versículo relembra o lado doce das tarefas doce-amargas de receber as palavras de Deus (Ez 3.1-3).

 

pelo teu nome sou chamado. Esta frase é aplicada ao povo, em  14.9.

 

*          15.17   eu me assentei solitário. Sem dúvida essa é uma declaração literalmente verdadeira, parcialmente devida ao celibato (16.2). Mas também pode haver um profundo senso de solidão em torno do profeta mal acolhido; note-se Elias, em 1Rs 19.10, e nosso Senhor Jesus, em Mt 26.37,38.

 

*          15.18   a minha ferida... não admite cura. A ferida é de Judá, em 14.17. A frase inteira é aplicada a Judá, em 30.12, juntamente com uma promessa de cura (30.16,17). Ver também 10.19, onde é usada acerca de Jeremias.

 

como ilusório ribeiro. Contrastar com 2.13; e cf. 20.7.

 

*          16.1—17.18 Jeremias foi proibido de casar-se e de tomar parte nas outras atividades normais, como sinal do julgamento vindouro (cap. 16). Um agudo contraste é traçado entre os destinos daqueles que confiavam no homem e daqueles que confiavam em Deus (17.1-18).

 

*          16.2     Não tomarás mulher. A proibição está relacionada exclusivamente com o papel de Jeremias como profeta sobre a sorte de Judá (1Co 7.26). Jeremias morreria sem filhos, um sinal de que não havia futuro imediato para Judá.

 

*          16.4     A espada e a fome os consumirão. Ver nota em 14.2.

 

*          16.8     Nem entres na casa do banquete. Depois do v. 2 e do v. 5 há ainda uma terceira proibição simbólica.

 

*          16.9     farei cessar... o canto do noivo e o da noiva. Ver também 7.34. Tais sons são típicos dos tempos de paz e esperança (Mt 24.38,39; contrastar com 33.10,11).

 

*          16.12   fizestes pior do que vossos pais. Embora a presente geração compartilhe da culpa com seus antepassados (14.20), ela é responsável por seus próprios pecados (31.29,30; Ez 18.2-4).

 

*          16.13   lançar-vos-ei fora desta terra. Em outras palavras, Deus os enviaria para o exílio (ver Dt 28.36,64).

 

onde servireis a outros deuses. Com um castigo apropriado ao crime eles finalmente descobririam que esses deuses não trazem qualquer benefício.

 

*          16.16   pescadores... caçadores. Judá é aqui retratada como a presa do Senhor.

 

sobre todos os montes... até nas fendas das rochas. Não haverá como eles escaparem (23.24; Is 2.19).

 

*          16.17   os meus olhos estão sobre todos. Ver "Deus Vê e Conhece: Onisciência Divina", índice.

 

*          16.21   saberão que o meu nome é SENHOR. Conhecer o nome do Senhor aqui, significa reconhecer sua autoridade e poder, através de seus atos de juízo.

 

*          17.1     na tábua do seu coração. Essa metáfora nos faz lembrar das tabuinhas para escrever as leis. Ver 31.33, onde a lei é escrita no coração, e Pv 3.3 e 7.3. Na nova aliança, Cristo grava a lei nos corações de seu povo, pelo seu Espírito (2Co 3.3).

 

nas pontas dos seus altares. Esses altares deveriam comemorar a expiação pelo pecado, mas onde quer que o pecado não seja perdoado, eles continuam a relembrar Deus do próprio pecado.

 

*          17.2     dos seus altares e dos seus postes-ídolos. Ver 2.20, nota; Êx 34.13; Dt 7.5.

 

*          17.3     Ó monte do campo. O monte Sião, onde o templo estava, foi saqueado por Nabucodonosor (52.17-23).

 

*          17.4     tua herança que te dei. A Terra Prometida (2.7).

 

*          17.7     que confia... esperança. O Senhor recompensa pela confiança, porquanto Deus é, por natureza, digno de confiança (Is 7.9). A similaridade íntima entre os vs. 7, 8 e Sl 1.1-3 sugere que a confiança no Senhor envolve a obediência à sua lei.

 

*          17.8     como a árvore plantada junto às águas. Essa figura é um símbolo poderoso de força em uma terra seca (Is 44.4).

 

*          17.9     o coração. No Antigo Testamento, o "coração" é mais do que a sede das emoções. Ele representa a base do caráter, incluindo a mente e a vontade (4.19; Pv 4.23; 16.23). Ver a nota teológica, "Liberdade e Escravidão da Vontade", índice .

 

*          17.10   os pensamentos. Lit., os "rins". No antigo idioma Hebraico, esses órgãos representam a sede das emoções.

 

*          17.11   Como a perdiz... retamente. Acreditava-se comumente que a perdiz furta os ovos de outras aves, mas que seus filhotes retornariam a seus pais naturais. Por semelhante modo, uma pessoa não será capaz de reter riquezas injustamente ganhas.

 

e no seu fim será insensato. Quanto à natureza transitória das riquezas, ver Pv 23.4,5.

 

*          17.12   Trono de glória. Ver nota em 14.21; Sl 99.1.

 

desde o princípio. Isso implica que Sião foi escolhida como o trono de Deus antes do templo ter sido construído (Êx 15.17).

 

*          17.13   será escrito no chão. Em breve eles serão esquecidos. Contrastar com o pensamento de Êx 32.32.

 

*          17.15   Onde está a palavra do SENHOR? Com essa pergunta sarcástica, Jeremias é acusado de ser um profeta falso (Dt 18.21,22). Ver Mq 7.10; 2Pe 3.2-4.

 

*          17.18   assombrem-se eles... não me assombre eu. Orar pelo julgamento de seus inimigos é comum em Jeremias (11.20; 12.3; 15.15). As palavras nos fazem relembrar seu chamado (1.17).

 

*          17.20   que entrais por estas portas. A mensagem foi dada naqueles portões por causa do seu papel no mundo do comércio (ver Ne 13.15,19).

 

*          17.22   santificai o dia de sábado... a vossos pais. Um apelo específico é feito ao mandamento sobre o sábado (Êx 20.8-11; Dt 5.12-15; Ne 10.31; Is 56.2).

 

*          17.25,26          Esta profecia representa um quadro (parcialmente repetido em 22.4) da restauração da dinastia de Davi, da estrutura social e da adoração, tudo o que se centrava no templo. Ver também 23.5,6; 30.9; 33.14-26. Tudo de que Judá foi ameaçado, por conseguinte, podia ser revertido.

 

*          18.1—20.18    Tal como um oleiro pode remodelar um vaso mal formado, Deus remodelaria o seu povo disciplinando-os no exílio (18.1-17). Jeremias representa o juízo divino ao quebrar uma jarra feita de argila (cap. 19), e foi maltratado por causa de sua mensagem nada popular (18.18-23; cap. 20).

 

*          18.2     à casa do oleiro. Aparentemente no vale do filho de Hinom, perto da Porta do Oleiro (19.2); daí a ordem para "descer". Ver também 7.31.

 

*          18.4     tornou a fazer dele outro vaso. Um oleiro tem liberdade no tocante aos seus planos. A ruína de sua primeira intenção não é final.

 

*          18.6     ó casa de Israel. Segue-se a analogia com Israel. O uso do vocábulo "Israel" relembra os propósitos históricos da eleição de Deus para todo o povo, dos quais propósitos Judá agora era a herdeira.

 

*          18.7,8 A ilustração do oleiro (vs. 2-4) mostra que o juízo planejado por Deus pode ser revogado pelo arrependimento daquelas nações.

 

*          18.13   Coisa sobremaneira horrenda. Uma das expressões fortes usadas para a idolatria (v. 15; cf. 5.30).

 

*          18.14   Acaso, a neve deixará. Assim como seria contra a natureza aquela região abandonar as águas frias e correntes, transformando-se em águas paradas e poluídas, do mesmo modo, é difícil compreender como alguém abandonaria a Deus para seguir a idolatria.

 

*          18.15   queimando incenso. Ver nota em 11.13.

 

nas veredas antigas... veredas não aterradas. Ver nota em 6.16. As "veredas" eram estreitas, insuficientes e perigosas.

 

*          18.17   vento oriental. Cf. 4.11.

 

as costas, e não o rosto. O sentido é o favor retido (2.27). Ele lhes voltaria as costas.

 

*          18.20   pagar-se-á mal por bem. Cf. Sl 35.12; 1Pe 2.19-24.

 

abriram uma cova. Eles tinham intenções assassinas (v. 22). Ver as experiências reais de Jeremias, em 37.16; 38.6.

 

compareci à tua presença... seu bem-estar. Ver nota em 15.1.

 

*          19.2     vale do filho de Hinom. Ver nota em 18.2.

 

Porta do Oleiro. Um portão que havia no sul da cidade de Jerusalém, possivelmente a mesma Porta do Monturo (Ne 2.13).

 

*          19.3     trarei mal... retinir-lhe-ão os ouvidos. Essas palavras assemelham-se bem de perto com 2Rs 21.12, que também diz respeito ao julgamento sobre Judá e Jerusalém. O julgamento é severo e chocante para qualquer um que ouvisse falar dele.

 

*          19.9     cada um comerá a carne do seu próximo. Tal horror ocorreu durante o cerco de 586 a.C. (Lm 2.20 e nota).

 

*          19.10   quebrarás a botija. O clímax da cena é outra ação profética simbólica (ver 13.1-11 e notas). A botija de argila quebra-se no impacto (Sl 2.9). A metáfora era familiar no mundo antigo.

 

*          19.11   que não pode mais refazer-se. Judá, endurecida pelo pecado, não mais poderia ser remodelada, mas somente destruída.

 

os enterrarão em... para os enterrar. Ver 7.32.

 

*          19.13   serão imundas como o lugar. Josias tinha contaminado Tofete (2Rs 23.10).

 

o exército dos céus. Ver 8.2 e nota; ver também 2Rs 23.4,5.

 

*          20.1     Pasur. O nome aparentemente era comum (ver 21.1; 38.1 — cada um desses textos talvez se refira a um homem diferente). Note que sacerdotes mais idosos tinham estado entre os ouvintes de Jeremias, no vale (19.1), e Pasur talvez estivesse entre eles.

 

*          20.2     feriu Pasur ao profeta Jeremias. Os deveres de Pasur como governador do templo incluíam restringir àqueles cujas ações perturbassem a adoração (29.26; Dt 25.2,3). A oração de Jeremias, em 15.18, mostra que a pregação profética fiel era perigosa.

 

ao profeta. Esse título afirma a posição de Jeremias como um  verdadeiro profeta, a despeito da ação legal contra ele.        

 

*          20.3     Terror-Por-Todos-Os-Lados. Heb. Magor-Missabile, cf. 6.25. O povo deveria ter medo de associar-se a Pasur, por ser ele um exemplo altamente visível de porque a ira do Senhor estava lhes sobrevindo. Ele tinha abusado abertamente do profeta de Deus.

 

*          20.7     Persuadiste-me... persuadido fiquei. Jeremias não tinha previsto as tribulações que traria a sua tarefa, e ele recebeu seu chamado (especialmente, talvez, 1.7,8) como uma compulsão dominadora (4.10).

 

*          20.8     Porque, sempre que falo... destruição! Uma compulsão que ele não conseguia controlar, fazia-o proferir sua mensagem de ira vindoura.

 

*          20.9     como fogo ardente. A relutância de Jeremias era profunda, mas a Palavra de Deus nele exerceu uma pressão a que ele não podia resistir (ver Am 3.8; 1Co 9.16; 2Co 5.14).

 

*          20.14   Maldito. O Espírito permitiu que fosse preservado este registro do desespero de Jeremias. As palavras do profeta foram como as de Jó (Jó 3.1-26).

 

*          20.16   como as cidades... destruiu. Sodoma e Gomorra, cuja sorte tornara-se proverbial (Is 1.9; Am 4.11).

 

*          21.1—24.10 Esses capítulos narram o fim da dinastia davídica, deixando claro que o desastre e o exílio são parte do julgamento divino sobre os pecados dos reis e do povo de Judá. Jeremias denuncia os falsos profetas que levaram o povo a se desviar (cap. 23), mas também fez soar uma nota de esperança, quando Deus promete recolher um remanescente de seu povo do cativeiro, sob a liderança de um "Renovo de justiça", descendente da casa de Davi (23.3-8). A dupla mensagem de julgamento e de restauração futura é repetida na visão de Jeremias das duas cestas de figos (cap. 24).

 

*          21.1     Zedequias. Esse nome significa "o Senhor é a minha justiça".

 

lhe enviou. Zedequias mantinha uma dependência vacilante de Jeremias, sem ter a coragem moral de obedecer às suas advertências (37.3,21; 38.5,14,19,24-26).

 

Pasur. Não necessariamente o mesmo Pasur mencionado em 20.1 (ver a nota), ou 38.1.

 

Sofonias. Um sacerdote que era filho de Maaséias (29.25,29; 37.3; 52.24), que não era o profeta Sofonias (Sf 1.1).

 

*          21.2     Pergunta agora. Um pedido de orientação.

 

Nabucodonosor. Rei da Babilônia, 605 - 562 a.C. O nome dele era uma combinação com "Nabu" (ou "Nebo"), uma divindade babilônica (Is 46.1; Dn 1.1).

 

guerreia contra nós. Zedequias era um vassalo de Nabucodonosor (37.1), e rebelou-se contra ele em 589 a.C. Nabucodonosor lançou cerco contra Jerusalém em 588 a.C.

 

*          21.5     Pelejarei eu mesmo contra vós...  com braço estendido e mão poderosa. Essa linguagem retrata o poder do Senhor na guerra, voltado de modo horripilante contra o seu próprio povo (Dt 4.34; 5.15; 7.19; Am 5.18).

 

com ira, com indignação e grande furor. Ver Dt 29.23.

 

*          21.12   Julgai pela manhã justamente. Ver 9.24. Essa necessidade de justiça (ver referência lateral) era esperada tanto do rei, quanto do Rei messiânico (23.5; 2Sm 8.15; 1Rs 3.28; Sl 72.1,2).

 

*          22.2     ó rei de Judá. Uma palavra dirigida a qualquer dos reis de Judá, que servia como o prelúdio a uma demonstração do fracasso virtualmente contínuo deles.

 

*          22.5     juro por mim mesmo. Ver Gn 22.16; Is 45.23 e notas.

 

*          22.6     Gileade... Líbano. Essas eram regiões férteis (cf. 8.22 e nota). O Líbano era bem regado por rios e rico em florestas, especialmente o cedro, que foi usado no templo de Jerusalém (1Rs 5.6-10).

 

*          22.7     Designarei. Lit., "consagrarei". Linguagem normalmente usada em guerra empreendida por Deus em favor de seu povo foi, de maneira chocante, usada acerca de um exército estrangeiro que se preparava contra o povo de Deus (6.4,5; 21.4,5).

 

*          22.10   o morto... aquele que sai. Ou seja, Josias e seu filho Salum (v. 11; também chamado Jeoacaz, 1Cr 3.15, referência lateral). Salum reinou de modo breve e foi exilado ao Egito, em 609 a.C. (2Rs 23.30-34). É provável que esta declaração date daquele ano.

 

*          22.15   Reinarás tu... tudo lhe sucedeu bem. O contraste é entre o reinado visto como o exercício da justiça (Josias) e o reinado como oportunidade de enriquecer (Jeoaquim).

 

*          22.16   não é isto conhecer-me. Ver Sl 9.18, nota. Conhecer ao Senhor requer a fidelidade aos seus mandamentos (Mq 6.6-8; Jo 14.15,17).

 

*          22.17   os teus... teu. Ou seja, Jeoaquim.

 

ganância... derramar o sangue inocente... a violência. Jeoaquim era culpado de todos esses males que Jeremias condenou (6.13; 7.6; 19.4; 21.12; e cf. 26.20-23).

 

*          22.19   Como se sepulta um jumento. A vergonha extrema de não ser sepultado. Ver 7.33; 8.1,2 e notas; cf. 15.3.

 

*          22.20   Líbano... Basã... Abarim. Essas regiões montanhosas ficam ao norte, no nordeste e no sudeste, respectivamente. Jerusalém é aqui retratada como clamando pela ajuda de antigos aliados, os quais agora estavam impotentes diante das tropas babilônicas, deixando Jerusalém a chorar sozinha.

 

*          22.23   Ó tu, que habitas no Líbano. No presente contexto, essa frase é uma figura que representa Jerusalém, relacionada às íntimas relações de comércio entre Jerusalém e o Líbano. O templo e o palácio foram construídos com cedro do Líbano (v. 6, nota). O nome conota o orgulho e o falso senso de segurança de Judá.

 

*          22.24-30 Este oráculo foi endereçado a Jeconias (também chamado de Jeoaquim), em cujo reinado tiveram lugar as primeiras principais deportações para a Babilônia.

 

*          22.24   o anel do selo. Esse anel representa a identidade de seu proprietário, e rejeitá-lo era um ato chocante. Mais tarde, a mesma linguagem é usada como promessa da renovação do reino Davídico (Ag 2.23).

 

*          22.26   a ti e a tua mãe. Ver 13.18 e nota.

 

para outra terra. Essa alusão ao exílio na Babilônia teve cumprimento em 597 a.C. (29.2; 2Rs 24.15).

 

*          22.29   Ó terra, terra, terra! Nestas palavras, dirigidas à Terra Prometida, ouvimos a tristeza do Senhor por causa de sua herança, contaminada pelos pecados de Judá (2.7 e nota; 12.4).

 

*          22.30 Registai este como se não tivera filhos. Embora Jeconias tivesse filhos (1Cr 3.17,18), nenhum deles reinaria como rei sobre Judá. Promessas de futuro reinado davídico (p.ex., 23.5,6) se cumpriram além do escopo dos reinos históricos de Israel e de Judá — em Cristo, o Filho do Homem (Dn 7.13 e nota) e no Filho grandioso de Davi (Mt 22.41-46). Até mesmo a promessa feita a Zorobabel (Ag 2.23), neto de Jeconias (1Cr 3.19), teve cumprimento em Cristo, visto que Zorobabel nunca reinou como rei. Israel ficou abandonada até que Cristo veio (Mq 5.3).

 

*          23.3     Eu mesmo recolherei. O fracasso dos reis requer que o Senhor, pessoalmente, assumisse o controle de uma nova maneira (24.7, nota).

 

o restante. O recolhimento do remanescente mostra os cuidados contínuos do Senhor por seu povo, e a sua determinação em cumprir seus propósitos quanto à aliança. No presente contexto, a doutrina do remanescente sugere, primeiramente, a quebra de certos ramos de Judá (vs. 1,2; cf. Rm 11.17-24), seguida pela negligência do rei e a devida punição (Introdução: Características e Temas).

 

e as farei voltar aos seus apriscos. O próprio Senhor é agora o pastor (Sl 23).

 

*          23.4     Levantarei sobre elas pastores. Sob o pastor haverá fiéis pastores, que administrariam fielmente o reino durante a nova era (Mq 5.5).

 

*          23.5,6  levantarei a Davi. Essa promessa messiânica é um cumprimento da promessa feita a Davi (2Sm 7.12; Mt 1.1,17).

 

*          23.5     um Renovo justo. Temos aqui um termo messiânico; ver Is 4.2; 11.1; e Zc 6.12, onde Zorobabel aparece como um tipo de Cristo.

 

executará o juízo e a justiça. Ver nota em 21.12.

 

*          23.6     Judá... Israel. A reunificação de Judá e Israel assinala a era messiânica (Ez 37.15-22).

 

seguro. As bênçãos do reino messiânico incluirão o livramento da turbulência política e militar que circunda Judá.

 

o seu nome. Os nomes eram entendidos como designações de caráter, e não rótulos arbitrários de identificação. Ver sobre "Emanuel", em Is 7.14, e os nomes em Is 9.6.

 

SENHOR, Justiça Nossa. Um governo reto será o selo de legitimidade do reinado do Messias.

 

*          23.9     profetas. Ver sobre "Profetas", em Dt 18.18.

 

*          23.14 cometem adultérios... maldade. No Antigo Testamento, são inseparáveis as crenças corretas e as ações corretas; não é por mero acidente que aqueles que não tem ouvido a palavra de Deus são encorajadores ativos da maldade. Ver 29.21-23.

 

como Sodoma... como Gomorra. Ver 20.16; Is 1.9 e notas. É chocante a comparação de Jerusalém com Sodoma e com Gomorra.

 

*          23.18   quem esteve no conselho do SENHOR. A palavra hebraica traduzida por "conselho", aqui e no v. 22, também pode ser traduzida por "concílio", dependendo se a ênfase recai sobre as deliberações de Deus como o "concílio" celestial (1Rs 22.19-22; Jó 1.6) ou sobre o "conselho" resultante dessas deliberações. Essa mesma palavra é traduzida por "segredo", em Am 3.7.

 

*          23.21   Não mandei esses profetas. Ver 14.14.

 

foram correndo... contudo, profetizaram. Eles são um quadro nítido de zelo, em sua propagação da falsidade. Ver "Profetas", índice.

 

*          23.22   meu conselho. Ver nota no v. 18.

 

*          23.23   apenas de perto... não também de longe? O ponto é que coisa alguma, perto ou longe, pode escapar ao conhecimento de Deus (Sl 139.2; Am 9.2,3).

 

*          23.24 Ver nota teológica "Onipresença e Onipotência", índice .

 

*          23.25   Sonhei, sonhei. Um sonho era uma das maneiras pelas quais uma revelação podia vir a um profeta (Nm 12.6; cf. Jl 2.28). Não obstante, tais reivindicações sempre deveriam ser tratadas com suspeita e testadas contra o resto das revelações de Deus (Dt 13.1-3).

 

*          23.28   sonho... palavra... palha... trigo. Um sonho falso é para a verdadeira palavra profética como a palha é para o trigo; somente o trigo tem qualquer valor.

 

*          23.29   fogo... martelo. Não se pode confundir a verdadeira palavra, por causa de seus efeitos inevitáveis (Am 3.8).

 

*          23.30   que furtam as minhas palavras. Quanto a um caso de ciúmes proféticos, ver 1Rs 22.24.

 

*          23.31   diz o SENHOR... e afirmam: Ele disse. Os profetas falsos disfarçam suas próprias palavras como se fossem palavra de Deus, mediante o uso da fórmula profética.

 

*          23.39   levantar-vos-ei e vos arrojarei. Alguns manuscritos hebraicos e antigas versões dizem "vos esquecerei e vos abandonarei". A diferença consiste apenas na localização de um ponto acima de uma letra. Este texto faz um jogo de palavras, visto que, no hebraico, "oráculo" e "levantar" soam quase idênticas. Eles falam sem autoridade sobre os "oráculos" de Deus, e a resposta de Deus será "levantá-los".

 

*          24.1-10 Uma visão de duas cestas de figos, uma delas representando os que estavam exilados na Babilônia, e a outra representando aqueles que resistiam ao exílio, e, com este, o propósito divino de julgamento e salvação. Esta profecia revela que já é tarde demais para impedir o exílio por meio do arrependimento (21.9).

 

*          24.1     Jeconias... à Babilônia. A primeira grande deportação deu-se em 597 a.C. (2Rs 24.14-16).

 

*          24.2     figos muito bons... o outro, ruins. Há em Judá um remanescente que será preservado para os propósitos de Deus ("figos muito bons"), mas seus líderes são tão corruptos que estão fora de alcance da redenção, e só podem ser destruídos pelo juízo ("figos ruins", vs. 8-10).

 

*          24.5-7 Os "figos bons" simbolizavam os exilados, aqueles aos quais Deus preservava, através do devido castigo dos pecados de Judá, e em quem, doravante, os seus propósitos são cumpridos.

 

*          24.7     Dar-lhes-ei coração para que me conheçam. A resposta do Senhor à incapacidade de seu povo de manter o relacionamento do pacto é que ele mesmo intervenha e crie neles uma nova capacidade para conhecê-lo.

 

eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. O emprego da fórmula básica da aliança (32.38; Lv 26.12) mostra que essa resposta é nada menos que um novo pacto. A teologia introduzida aqui é desenvolvida em 31.31-34.

 

*          25.1—29.32 Jeremias prediz setenta anos de cativeiro na Babilônia, para Judá, como castigo por seus pecados persistentes, e avisa as nações circunvizinhas de que elas também seriam julgadas às mãos da Babilônia (cap. 25). Sua mensagem encontra oposição da parte dos profetas falsos, dos sacerdotes e do povo (caps. 26—29).

 

*          25.1     no ano quarto de Jeoaquim. A Babilônia iniciou seus ataques contra a Palestina, e Judá tornou-se um estado vassalo em 605 a.C.

 

*          25.3     desde o décimo terceiro de Josias. Ver 1.2 e notas.

 

*          25.4     começando de madrugada. A persistência de Jeremias fazia parte de uma longa missão profética a Israel. Tal como seus antecessores, seu ministério falhou em obter a resposta desejada (7.13 e nota).

 

*          25.9     todas as tribos do Norte. A Babilônia e os seus aliados (1.15; 6.1).

 

a Nabucodonosor... meu servo. Ver também 27.6. Ele é "servo" de Deus no sentido de ser nomeado como um agente de seu julgamento. Por semelhante modo, Ciro é chamado de "ungido" de Deus, com o propósito de liberar os exilados para retornarem à terra deles (Is 45.1).

 

contra todas estas nações em redor. Ver os vs. 19-26. O julgamento de Judá é apenas o começo de um julgamento geral.

 

*          25.11,12          setenta anos. Ver 29.10. Esse período pode ser contado em números redondos a partir de 605 a.C. (v. 1; Dn 1.1) até 538 a.C., quando os exilados começaram a retornar para a sua pátria, após o decreto de Ciro (2Cr 36.20-23). Os setenta anos permitiram que a palavra de julgamento do Senhor exercesse seu pleno efeito, antes que a nova salvação pudesse ser experimentada.

 

castigarei a iniqüidade do rei da Babilônia. Essa profecia foi mais desenvolvida nos capítulos 50 e 51. O agente do castigo é, pois, punido por seus próprios pecados (50.18; cf. Is 10.5-7,12).

 

*          25.13   neste livro. Na Septuaginta (a antiga tradução grega do Antigo Testamento) os "oráculos contra as nações", dos capítulos 46 a 51, ocorrem após esta frase. Esses oráculos aparecem em ordens diferentes nas versões hebraica e  grega.

 

*          25.14   de muitas nações e grandes reis. Possivelmente a Pérsia e seus aliados, mas o mais provável é que tenhamos aqui uma declaração geral do princípio que os agentes do juízo divino sejam, eles mesmos, sujeitos a julgamento (vs. 11,12, nota).

 

*          25.18   Jerusalém... Judá. O julgamento de Deus visita primeiramente o seu povo escolhido, conforme é apropriado aos mais privilegiados (25.29; Am 3.2).

 

*          25.20   Ascalom... ao resto de Asdode. Esta lista de cidades filistéias omite Gate, aparentemente já destruída (Am 1.6-8). Asdode havia sido parcialmente destruída pelos egípcios durante o século VII a.C. Ver também 47.1-7.

 

*          25.21   Edom... Moabe... filhos de Amom. Ver 49.7-22; 48.1—49.6.

 

*          25.22   Tiro... Sidom. As principais cidades da Fenícia, ambas com portos na costa do mar Mediterrâneo. Ver Ez 28.1-23.

 

*          25.23   Dedã... Tema. Tribos que viviam no norte da Arábia (Is 21.13,14). É provável que Buz também fosse um grupo tribal da Arábia.

 

*          25.24   Arábia. Ver 49.28-33.    

 

*          25.25 Zimri. Desconhecida.

 

*          Média. Tendo sido derrotados por Ciro, os medos participaram, juntamente com os persas, na conquista.

 

*          25.26   Babilônia. Algumas versões dizem aqui Sesaque. Esta palavra é uma alusão à Babilônia, baseada sobre a palavra "Babel", usando um código familiar que substitui cada consoante com aquela correspondente do alfabeto, escrita em reverso. Em português, ABC tornar-se-ia ZYX.

 

*          25.29   cidade que se chama pelo meu nome. Ou seja, Jerusalém; ver notas em 7.10-15. O Senhor não castigaria o seu próprio povo, ao mesmo tempo em que ignoraria a iniqüidade de outras nações. Um importante fator na teologia do julgamento contra as nações é que a honra do próprio nome de Deus está em jogo na sorte de seu povo.

 

*          25.31   contenda. Uma ação legal na qual o Senhor reivindica seu direito de punir os culpados (2.9, nota).

 

*          25.38   como o filho de leão. Ver nota em 2.15. Aqui Jeremias refere-se ao Senhor (Am 3.8).

 

*          26.1     No princípio do reinado de Jeoaquim. Possivelmente em seu primeiro ano de reinado (609—608 a.C.). A narrativa inteira do sermão do templo (7.1-15) não é datada. Essa fórmula de datação traz Jeoaquim ao primeiro plano como alguém que rejeita as palavras de Jeremias (cap. 36).

 

*          26.2     no átrio. Provavelmente o átrio interior.

 

*          26.8     Serás morto. Essa frase era usada para prenunciar a sentença por crimes capitais (Êx 21.15-17; Dt 18.20). É evidente que Jeremias foi considerado um falso profeta, por causa da crença popular de que o templo de Deus não poderia ser destruído.

 

*          26.10   os príncipes de Judá. Essas pessoas tinham deveres legais na administração real; a chegada deles indica que um procedimento formal contra Jeremias estava prestes a começar.

 

Porta Nova. Os portões da cidade eram um lugar normal de se ouvir as deliberações do tribunal (Rt 4.1; Pv 31.23).

 

*          26.16   Este homem não é réu de morte. Contrastar o v. 11. Este veredicto foi uma notável reivindicação da autenticidade de Jeremias como profeta.

 

*          26.18,19          Miquéias, o morastita. Seu precedente é citado em apoio ao julgamento que acabara de ser determinado, porquanto, em resultado de sua profecia de que Jerusalém cairia (Mq 3.12), o povo arrependeu-se de seu pecado. O rei Ezequias orou por Jerusalém e evitou a derrota pelos assírios, em 701 a.C. (cf. Is 37.14-38).

 

*          26.20-23 A história de Urias mostra que Jeremias não estava sozinho em sua pregação; e ela também destaca que a fuga de Jeremias não é o ponto mais importante deste capítulo, mas a oposição de Judá à palavra de Deus. Urias morreu; Jeremias viveu, para completar seu ministério ordenado por Deus. Comparar as várias sortes dos heróis da fé, em Hb 11.32-38.

 

*          26.22   Elnatã, filho de Acbor. Contraste o leitor o seu ato em prol de Jeremias, em 36.12,25 — uma evidência de papéis trocados, que deve ter feito a segurança de Jeremias parecer precária.

 

*          26.23   nas sepulturas da plebe. Esse cemitério estava localizado no vale do Cedrom, a leste de Jerusalém (2Rs 23.6).

 

*          26.24   Aicão, filho de Safã, protegeu a Jeremias. Um dos que tinham sido oficiais de Josias (2Rs 22.12,14). seu apoio pode ter sido decisivo na libertação de Jeremias.

 

*          27.1     No princípio do reinado de Zedequias. Em lugar de "Zedequias", algumas versões (como a Almeida Revista e Corrigida) dizem aqui "Joaquim", provavelmente por influência do texto massorético no hebraico, um erro de copista influenciado por 26.1. Mas outros manuscritos hebreus e algumas versões antigas, dizem aqui "Zedequias", que é o rei citado em outros lugares neste mesmo capítulo (vs. 3 e 12). Zedequias era filho de Josias (1Cr 3.15). Esses acontecimentos ocorreram no quarto ano do reinado de Zedequias, em 593 a.C. (28.1, nota).

 

*          27.3     Edom... Sidom. Ver 25.21,22; essas nações também estão sob o juízo do Senhor.

 

mensageiros que vieram... ter com Zedequias. Provavelmente eles tinham vindo para discutir a rebelião contra Nabucodonosor, em aliança com o Egito.

 

*          27.5     Eu fiz a terra... e os dou àquele a quem for justo. Por meio desse argumento baseado na criação, o Senhor reivindica direitos sobre todas as nações. Ver Dn 2.38; 4.25 (também Nabucodonosor).

 

com o meu grande poder e com o meu braço estendido. Ver 21.5.

 

*          27.9     Aos vossos profetas e aos vossos adivinhos. Todos esses servem apenas para apoiar o sistema político, neste caso mediante uma exortação para não se submeter à Babilônia. Esses falsos profetas e outras classes são proibidos em Israel (14.14; Lv 19.26; Dt 18.10,11).

 

*          27.11   eu a deixarei na sua terra. Judá e as nações vizinhas ainda poderiam evitar um exílio total, se aceitassem o julgamento de Deus que determinava a submissão à Babilônia.

 

*          27.12   servi-o... e vivereis. Jeremias pleiteia junto a Judá que aceite o domínio da Babilônia e o exílio de alguns de seus líderes (Joaquim e aqueles levados para o exílio em 597 a.C., 2Rs 24.15,16), como parte do plano de Deus para o salvamento final da nação (24.5).

 

*          27.16   Eis que. Essa falsa mensagem era proclamada por Hananias (28.1-3).

 

os utensílios da Casa do SENHOR. Esses utensílios tinham sido levados, alguns deles em 605 a.C. (Dn 1.1,2), e outros em 597 a.C. (2Rs 24.13).

 

*          27.22   serão levados... até ao dia em que eu atentar para eles. O destino do exílio por um tempo determinado (25.11; 27.7) é agora aplicado aos utensílios do templo.

 

*          28.1     No mesmo ano... no ano quarto. Visto que o reinado de Zedequias começou em 597 a.C., os eventos contados aqui e no capítulo 27 (27.1, nota), ocorreram em 593 a.C.

 

*          28.2     Quebrei o jugo. Hananias desafia abertamente a mensagem de Jeremias (27.16-22).

 

*          28.3     Dentro de dois anos. Visto que mais de quatro anos já se tinham passado (v. 1), Hananias predisse que eles não ficariam exilados por mais de sete anos. Contrastar isso com os setenta anos referidos por Jeremias (25.11,12).

 

*          28.6     Amém! A primeira resposta de Jeremias reflete o seu amor pela terra e pelo povo. Mas a mensagem que Deus lhe revelara não lhe dava confiança quanto a essa esperança.

 

*          28.8     antes de mim e antes de ti. Jeremias inclui Hananias, consigo mesmo, entre os profetas, relembrando-lhe que a mensagem do Senhor tem sido, principalmente, de julgamento.

 

*          28.13   Canzis de madeira... canzis de ferro. A vontade do Senhor não podia ser frustrada pelo ato simbólico de Hananias. Hananias dramatiza a resistência de Judá, o que tornaria a servidão inevitavelmente mais dura.

 

*          28.16   te lançarei. Temos aqui a mesma palavra hebraica traduzida como "enviou" (v. 15), um jogo de palavras irônico, visto que esse "envio" é para a sua morte.

 

rebeldia. Ostensivamente, a rebelião era contra a Babilônia, mas na realidade era contra Deus (Dt 13.5).

 

*          29.3     Eleasá, filho de Safã. É possível que ele pertencesse à mesma família que havia defendido Jeremias (26.24).

 

*          29.5     Edificai casas e habitai nelas. Atos de adaptação às suas novas vidas, demonstrando aceitação do julgamento do Senhor (cf. Ez 8.1).

 

*          29.7     paz. A paz (6.14 e nota) é a principal bênção do pacto. A paz superficialmente prometida pelos profetas falsos (8.11), cederia lugar a uma verdadeira paz (ver também Jo 14.27).

 

orai por ela. A bênção do Senhor pode sobrevir a qualquer nação através da oração e dos atos de seu povo; comparar Abraão (Gn 20.17), José (Gn 37—50) e Daniel (Dn 1—6).

 

*          29.14 Este versículo reflete Dt 30.3-5 (semelhante, por sua vez, a Dt 4.29,30).

 

tornarei a trazer-vos ao lugar donde vos mandei para o exílio. Esta frase implica em uma restauração do relacionamento entre o Senhor e o seu povo. Ver 30.3,18; 31.23; 32.44; 33.7,11,26; 48.47; 49.6,39.

 

*          29.16   a respeito do rei. Ou seja, Zedequias. O fato que Zedequias ainda governava em Jerusalém, embora como um vassalo do rei da Babilônia, pode ter sido um motivo de esperanças falsas para os exilados.

 

*          29.22   assou no fogo. Um método de execução particularmente associado, no Antigo Testamento, ao governo de Nabucodonosor (Dn 3.6).

 

*          29.28   Há de durar muito o exílio. Jeremias tinha profetizado que o exílio perduraria por setenta anos (v. 10; 25.11,12).

 

edificai casas... plantai pomares. Semaías cita aqui a carta de Jeremias (v. 5).

 

*          29.31,32          A ameaça contra Semaías é paralela àquela contra Hananias (28.15,16).

 

*          30.1—33.26 Esses capítulos contêm promessas de restauração e de uma nova aliança (31.31-34). A certeza da restauração é retratada por meio da compra de um campo, por parte de Jeremias (cap. 32).

 

*          30.6     um homem... a que está dando à luz. A angústia do parto é uma ilustração do sofrimento sob os exércitos babilônicos (4.19,31).

 

*          30.7     aquele dia. Ou seja, o dia do Senhor. Ver Am 5.18; 8.9. A geração de Amós esperava esse dia como um dia de livramento, mas precisou aprender que o mesmo traria juízo.

 

*          30.10   Não temas, pois, servo meu, Jacó. Ver Is 41.8,10; 43.1; 44.1,2.

 

não haverá quem o atemorize. Contrastar o v. 5. Essa promessa é um cumprimento das bênçãos do pacto (Lv 26.6).

 

*          30.20   como na antigüidade. Provavelmente temos aqui uma alusão aos tempos de Davi (v. 9).

 

sua congregação. Um termo técnico que denota a assembléia política ou religiosa do povo do pacto.

 

*          30.21   O seu príncipe... do meio deles...o que há de reinar. Considerando que Judá estava sendo governada por um poder estrangeiro durante o seu exílio, Jeremias olhava para além da restauração à sua independência política e a seu relacionamento especial com o Senhor (v. 22).

 

*          31.2     O povo que se livrou da espada. O remanescente, por meio de quem os propósitos de Deus teriam continuidade (v. 7; 6.9, nota; 23.3, nota). Contrastar com 15.2.

 

no deserto. O exílio de Judá na Babilônia e a subseqüente restauração são, algumas vezes, comparadas com as caminhadas de Israel no deserto, antes de entrar na Terra Prometida (ver Is 40.3,4; 43.19,20). Tal como no primeiro êxodo, essa restauração é uma demonstração do poder do Senhor para salvar.

 

*          31.3     De longe. Esta frase, provavelmente, alude ao Sinai, já aludido no versículo anterior (Êx 19—24).

 

Com amor eterno eu te amei. O amor do Senhor por Israel foi a base para sua eleição deste povo (Dt 7.6,7). O caráter eterno da aliança é afirmado em Gn 17.7.

 

com benignidade te atraí. Ver nota em 9.24 e contrastar com 16.5. Este versículo provê outro sinal do restabelecimento do pacto quebrado.

 

*          31.4     ó virgem de Israel. Contrastar com 18.13-15, onde a "virgindade" de Israel fora desperdiçada. Ver também 2.20,22. No novo pacto, a mácula da contaminação é, finalmente, lavada.

 

dos que dançam. Essas danças são atos de celebração religiosa (Jz 21.19,20).

 

*          31.5     plantarás vinhas... gozarão dos frutos. Essa promessa significa a bênção da fertilidade da aliança (Dt 7.13; 28.4; contrastar Dt 28.30).

 

Samaria. Capital do reino do norte, Israel, ou então o reino do norte como um todo. Seus habitantes foram deportados pela Assíria em 722 a.C.

 

*          31.6     os atalaias. Talvez eles fossem os responsáveis por conhecer os tempos das festas anuais, observando a lua.

 

região montanhosa de Efraim... subamos a Sião. Não como já havia acontecido anteriormente, aos santuários do norte apostatados de Jeroboão, em Betel e Dã (1Rs 12.26-33), mas em um relacionamento renovado com o Senhor.

 

*          31.9     os levarei... ribeiros de águas. Ver Sl 23.2; Is 48.21; 49.10.

 

por caminho reto. Ver Is 40.4.

 

sou pai... meu primogênito. Ver 3.4; 31.20; Êx 4.22; Os 11.1-4.

 

*          31.11   redimiu... livrou. Esses verbos são sinônimos bem próximos no hebraico. A palavra "redimir" significa "libertar mediante o pagamento de um resgate", e é usada para indicar o ato do Senhor que libertou Israel do Egito (Dt 7.8; 9.26). O segundo verbo ("livrou") é um termo técnico relacionado à responsabilidade de um "parente próximo" para comprar ou "remir" uma propriedade, a qual, de outro modo, seria perdida pela família (32.8; Rt 2.20, nota). Também é usado para indicar o livramento divino de Israel do Egito (Êx 6.6,7). A maneira como Deus tem nos redimido para si mesmo, através do resgate de Cristo (cf. 1Tm 2.5,6), é explicada no Novo Testamento (ver "A Expiação", índice).

 

*          31.15   um clamor em Ramá... Raquel chorando. Ramá ficava na região designada à tribo de Benjamim. Raquel chora devido à destruição do norte, em 722 a.C. Essas palavras são citadas, em Mt 2.18, acerca da matança dos inocentes, por parte de Herodes.

 

*          31.21   Põe-te marcos. Israel precisa relembrar-se de retornar não somente à sua terra, porém, mais importante ainda era retornar a Deus.

 

*          31.22   coisa nova. Ver Is 42.9.

 

a mulher infiel... um homem. Essa declaração é obscura, mas talvez tenhamos aqui um quadro de uma mãe protegendo o seu filho, ou seja, o quadro de segurança.

 

*          31.27   semearei... semente. Ambas as palavras são da mesma raiz hebraica. Essa palavra alude à promessa em Gn 15.18, onde a palavra para "semente" é traduzida por "descendentes".

 

*          31.29   Os pais... é que se embotaram. Este provérbio foi usado pelos exilados para lançar a culpa nas gerações anteriores quanto ao desastre do exílio (Ez 18.2), possivelmente com base na compreensão errada de Êx 20.5; Nm 14.18.

 

*          31.30   Cada um... será morto pela sua iniqüidade. O princípio que diz que cada pessoa é julgada individualmente é longamente elaborado em Ez 18.4-32 (cf. Dt 24.16). O argumento é que a geração que então vivia merecia plenamente o castigo, embora a culpa da nação tivesse sido contínua (7.13; 11.7,8).

 

*          31.31-34         Selecionando temas expostos pela primeira vez por Moisés, em Dt 30.1-10, Jeremias profetiza que Deus fará um novo pacto com o seu povo. Tal como o estabelecimento da antiga aliança (Êx 19—24) tinha seguido a redenção do Egito (Êx 12—15), assim também o estabelecimento da nova aliança seguirá a redenção dos pecados (v. 34).

 

*          31.31,32 O novo pacto contrastará com o antigo pacto, visto que o novo não pode ser quebrado, como foi o antigo (v. 32; Hb 8.7,8). A garantia de que não será quebrado é a graça mediada por meio de Cristo, através de sua morte e ressurreição (Hb 9.12-15; 10.1-4,10-18).

 

*          31.31   nova aliança. Ver "A Aliança da Graça de Deus", índice. Ver também 1Co 11.25; 2Co 3.6; Hb 9.15; 12.24.

 

com a casa de Israel e com a casa de Judá. O uso de ambos os nomes salienta a unidade do povo em aliança com Deus.

 

*          31.32               Não... porquanto eles anularam a minha aliança. O Novo Pacto não terá as deficiências do antigo, que dependiam da incapacidade do povo de cumpri-lo (11.10; 2Co 3.14; Hb 8.7).

 

eu os haver desposado. Ver 2.2; 3.14, nota. Cf. o relacionamento de Cristo com a Igreja (Ef 5.25-27; Ap 19.7; 21.2,9).

 

*          31.33               Durante a antiga aliança, a lei de Deus foi gravada sobre tábuas de pedra e posta no Santo dos Santos; sob a nova aliança, Deus escreve suas leis nos corações de seu povo. Os crentes, pois, são semelhantes ao templo, estando a lei de Deus dentro deles, com a diferença que eles são um templo vivo, feito de pedras vivas (2Co 3.3; 1Pe 2.5). Ver "A Aliança da Graça de Deus", índice.

 

depois daqueles dias. O profeta fala de algum tempo após o exílio, sem ser específico. O Novo Testamento mostra-nos que o tempo chegou com Cristo, o Messias.

 

eu serei. Deus tomará a iniciativa para renovar o seu povo.

 

as minhas leis. A lei de Moisés requeria obediência do coração (Dt 6.6), mas não provia forças para essa obediência (Dt 5.29; 29.4). Ela mediava perdão e esperança, especialmente através dos sacrifícios. A lei era um sistema de "tipos e sombras", isto é, de elementos significativos que prefiguravam Cristo e convidavam o povo a confiar em Deus através de Cristo.

 

eu serei o seu Deus... o meu povo. Essa declaração é a síntese das bênçãos de Deus em sua aliança (Lv 26.12; cf. 7.23).

 

*          31.34   Conhece ao SENHOR. Ver "O Verdadeiro Conhecimento de Deus", índice.

 

Pois perdoarei. A base das promessas nos vs. 32 e 33 será uma nova obra de redenção que garantirá o perdão dos pecados (ver Hb 10.1-17).

 

jamais me lembrarei. Os ciclos contínuos de sacrifícios, sob o antigo pacto, proviam uma lembrança constante dos pecados (Hb 10.3,4,11). A palavra "jamais" sublinha o fato que a satisfação feita pelos pecados, na redenção vindoura, é perfeita, tornando desnecessários quaisquer outros sacrifícios.

 

*          31.35,36          dá o sol... à lua e às estrelas. A ordem permanente dos corpos celestiais aparece como a medida da dedicação de Deus ao seu povo (33.20,21,25,26).

 

*          31.38               esta cidade. Jerusalém.

 

Torre de Hananeel... Porta da Esquina. Extremos opostos de Jerusalém, dando a entender a sua inteireza (ver 2Cr 26.9; Zc 14.10,11). A restauração de Jerusalém seria o primeiro sinal do cumprimento da promessa de nova aliança.

 

*          31.39               Garebe... Goa. Localizações não identificadas em Jerusalém.

 

*          31.40             o vale. Ou seja, o vale do filho de Hinom (7.31, nota).

 

*          32.1     no ano décimo de Zedequias. Ou seja, 587 a.C. Este capítulo narra uma das várias comunicações entre Jeremias e Zedequias, durante esse período. Ver 21.3-7; 34.1-7; 37.3-8,17-20; 38.14-28.

 

*          32.7     Anatote. Essa aldeia era a terra natal de Jeremias; ver 1.1.

 

a quem pertence o direito de resgate, compete comprá-lo. Hananeel pode estar vendendo o campo por causa de uma dívida, e pede que Jeremias seja o "parente próximo" que faria a redenção do mesmo (31.11, nota). De acordo com os padrões normais, é um absurdo comprar um campo quando a terra inteira está prestes a ser perdida.

 

*          32.9     dezessete siclos de prata. Essa quantia provavelmente era um preço normal, embora, sob aquelas circunstâncias, o campo nada valesse.

 

*          32.15               se comprarão casas, campos e vinhas nesta terra. A significação da compra é que Judá possuirá novamente sua terra histórica, e desfrutará vida normal na mesma. Portanto, a compra simboliza esse aspecto da promessa do novo pacto (29.14 e nota; 31.38-40).

 

*          32.20               sinais e maravilhas. Ver Êx 7.3.

 

como entre outros homens. Essa confissão salienta o governo de Deus sobre o mundo inteiro.

 

*          32.21 Essa descrição é repetida com base em Dt 26.8. Ver também o v. 20; Êx 15.14-16.

 

*          32.29               queimaram incenso a Baal. Elementos típicos da acusação de Jeremias contra Judá (1.16; 7.18; 19.13; cf. Dt 31.29).

 

*          32.33               eles não deram ouvidos. Ver 2.30; 5.3; 7.24; 11.8.

 

*          32.35               Moloque. Provavelmente esse era o título de alguma divindade (e não o seu nome próprio), o qual era adorado pelos fenícios, moabitas, amonitas e outros, em um ritual que envolvia o sacrifícios de crianças (Lv 18.21; 20.2-5; 2Rs 23.10).

 

*          32.37 Jeremias reafirma a promessa mosaica de restauração depois do exílio (Dt 30.3-5). A subitaneidade e improbabilidade dessa promessa, seguindo o discurso dos vs. 26-35, é explicada pela pergunta retórica: "Acaso haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim?" (v. 27; cf. o v. 17).

 

*          32.40               aliança eterna. Ver 31.31-36 e notas.

 

*          32.44               Benjamim... Sul. Essas regiões representam a extensão territorial de Judá, ao tempo do exílio (17.26; 33.13).

 

*          33.2     que faz estas coisas. Ver nota em 10.12. A criação de Deus é aqui a base de seu poder, tanto para julgar quanto para salvar (32.17).

 

*          33.3     coisas grandes e ocultas. Uma frase semelhante, em Is 48.6, também fala na salvação como uma nova criação. Ver Dn 2.47.

 

*          33.6     eis que. A mudança no propósito do Senhor não é motivada por qualquer mudança em Judá, mas por sua própria decisão. Ver 30.8,16; 32.36 quanto a transições similares.

 

*          33.11               júbilo... alegria... noivo... noiva. Contrastar com 7.34 e 16.9. Essas circunstâncias seriam trazidas pela nova aliança.

 

*          33.17 Essa promessa não é, finalmente, de restaurar a monarquia, mas de inaugurar o reino messiânico (23.5; 30.9; 2Sm 7.12-16; cf. 1Rs 2.4).

 

*          33.18               aos sacerdotes levitas. O papel dos sacerdotes era essencial para a administração do pacto (Êx 28 e 29; Dt 10.8; 18.1). Eles também tinham sua própria aliança com o Senhor (Nm 25.12,13; 1Sm 2.30,35). A promessa de um ministério sacerdotal perpétuo teve cumprimento no próprio Cristo (Hb 5.6-10; 7.11-25).

 

*          33.20,21          a minha aliança com o dia... com a noite. A permanência das instituições agora contemplada faz violento contraste com 7.1-15. Tal permanência só é compreensível dentro da estrutura da nova aliança — embora a necessidade de fidelidade nunca seja posta de lado (32.40 e nota).

 

*          33.22               não se pode contar... a areia do mar. Nessas promessas a respeito do reino messiânico, as promessas a Abraão também são cumpridas (Gn 22.17; contrastar com 15.8).

 

*          33.24 As duas famílias. A referência a essas "famílias" é ambígua. A referência poderia ser aos reinos de Israel e Judá (v. 14), ou à família real de Davi e à família sacerdotal de Levi (vs. 17,18).

 

*          33.26               Abraão, Isaque e Jacó. A nova aliança é o cumprimento do pacto divino com Abraão, que abrange todos os povos (Gn 12.3). Ver nota no v. 22.

 

*          34.1—36.32 Esses capítulos narram cenas de rejeição da palavra do Senhor que levam ao julgamento final de Judá. O rei Zedequias é condenado por ter voltado atrás em sua promessa de libertar os escravos (cap. 34), e o povo de Judá foi reprovado por falhar em aprender uma lição do exemplo dos fiéis recabitas (cap. 35). O rei Jeoaquim rejeita a mensagem de Jeremias e queima o rolo do profeta (cap. 36).

 

*          34.1                 todos os reinos da terra... pelejavam contra Jerusalém. Era requerido que as nações vassalas se juntassem na batalha ao seu suserano.

 

*          34.4,5  Não morrerás à espada. Em paz morrerás. O destino exato de Zedequias foi deixado obscuro em 21.4-7; 32.3-5; mas ver 52.11. O ponto aqui é que ele não morreria em batalha.

 

*          34.7                 Laquis... Azeca. Essas eram cidades fortificadas de Judá (2Cr 11.5,9). Este versículo nos dá um vislumbre dos últimos dias de Judá. Jerusalém sabia que o inimigo estava fechando o cerco, enquanto as cidades circunvizinhas caíam uma após outra. Um fragmento de argila, com data de 588 a.C., traz esta mensagem ao comandante de Laquis: "Estamos esperando pelos sinais de Laquis... não podemos ver Azeca".

 

*          34.8                 para lhes apregoar a liberdade. De acordo com Êx 21.2-11; Lv 25.39-55 e Dt 15.12-18, os escravos deveriam ser libertados no último ano de um ciclo de sete anos. O "pacto" (ou solene compromisso) de Zedequias reflete a sua ambivalência entre dar ouvidos a Jeremias e a seus próprios conselheiros políticos.

 

*          34.15,16                      havíeis voltado... mudastes. Esses dois verbos retratam eficazmente como Judá alternava entre dois caminhos (3.6,14, notas).

 

profanastes o meu nome. A flagrante desconsideração pela lei referente à libertação dos escravos é um repúdio contra o próprio Senhor (note a analogia entre os "pactos" dos vs. 8 e 13).

 

*          34.18               o bezerro que dividiram em duas partes. Ver Gn 15.18 e nota. Esse tipo de ação acompanhava o estabelecimento de algum pacto. Ilustrava a penalidade que sobreviria à pessoa que quebrasse a aliança.

 

*          35.2                 casa dos recabitas. Quase tudo quanto se sabe sobre esse clã acha-se no presente capítulo.

 

à Casa do SENHOR... câmaras. Essas dependências eram usadas como depósitos (1Rs 6.5; Ne 13.4,5).

 

*          35.3                 Jeremias. Uma das duas pessoas, diferentes do próprio profeta, chamada "Jeremias", mencionadas no livro (ver 52.1).

 

*          35.4     homem de Deus. Outro título de um profeta (1Rs 12.22).

 

*          35.6,7  O voto feito por Jonadabe, filho de Recabe, dedicou seus descendentes a uma vida nômade, com alojamentos sem permanência e abstinência de vinho. Essa vida foi uma dedicação voluntária não exigida pela lei mosaica (Dt 6.10,11; 7.13).

 

*          35.19               Nunca faltará... que esteja na minha presença. Ver 33.17,18. Tal promessa poderia ser esperada por um rei, ou mesmo por um sacerdote, mas não pelos obscuros recabitas. É usada aqui para contrastar tetricamente com o que poderiam esperar tanto Jeoaquim quanto a dinastia de Davi.

 

*          36.1                 No quarto ano de Jeoaquim. Ou seja, 605 a.C., o ano do primeiro ataque de Nabucodonosor contra Jerusalém (25.1).

 

*          36.2                 Toma um rolo... e escreve nele. A presente narrativa é um guia importante que nos permite entender como eram escritos os livros proféticos. Os oráculos de Jeremias foram proferidos durante um longo período (25.3), e são aqui reunidos formando uma coleção (Is 8.16 e nota).

 

*          36.4                 Baruque. Essa é a segunda menção do escriba de Jeremias (32.12). Sua atividade sugere que ele teve um papel na compilação do livro de Jeremias.

 

*          36.5                 Estou encarcerado. Provavelmente, essa afirmação significa que ele estava impedido de chegar à área do templo, por causa de sua impopularidade diante das autoridades (26.2-11).

 

*          36.9                 No quinto ano... no mês nono. Isto é, dezembro de 604 a.C.

 

*          36.21               Jeudi. Baruque não mais aparece como o leitor, presumivelmente por ter-se ocultado (v. 19). A ausência de Jeremias e Baruque focaliza a reação de Jeoaquim contra as próprias palavras.

 

*          36.23               todo o rolo se consumiu no fogo. O contraste com Josias não podia ser mais forte (2Rs 22.11-13).

 

*          36.28               Toma outro rolo. A Palavra de Deus não pode ser invalidada pela destruição de um rolo.

 

*          36.30   Acerca de Jeoaquim... Não terá quem se assente no trono de Davi. O governo de Joaquim, seu filho, perdurou apenas alguns poucos meses (22.30, nota; 2Rs 24.8).

 

*          37.1 - 39.18    Estes capítulos narram as últimas advertências de Jeremias antes da queda de Jerusalém e seu aprisionamento devido à sua mensagem impopular. Seu repetido conselho para se renderem aos babilônios é ignorado, e ele permanece aprisionado até a queda de Jerusalém.

 

*          37.1                 Zedequias... reinou em lugar de Conias. Ver 2Rs 24.17,18. O ano foi 597 a.C.

 

*          37.5                 Egito... caldeus. Ver 34.10,11. O Egito e a Babilônia disputavam ambos a região. Muitos, em Judá, estavam de olhos fixos no Egito como apoio (24.8); os babilônios deveriam ter se retirado de Jerusalém para conter o avanço egípcio.

 

*          37.15   açoitaram-no. Esta foi a segunda menção desse tipo de punição (20.2).

 

*          37.21               no átrio da guarda. O átrio da guarda era lugar de menor severidade do que o "calabouço" (v. 16; ver 32.2). Zedequias demonstra aqui uma certa medida de respeito pelo profeta de Deus.

 

*          38.6                 Na cisterna. Um buraco profundo com apenas uma pequena abertura no topo. Se estava vazio pela falta de água ou pelo desuso, não é claro. Eles devem ter esperado que Jeremias morresse ali.

 

*          38.7                 Ebede-Meleque. Esse nome significa "servo do rei" e deve ter ocupado uma posição de responsabilidade na casa de Zedequias.

 

estando o rei assentado à Porta de Benjamim. Provavelmente o rei estava ouvindo processos civis (2Sm 15.2-4).

 

*          38.12               Põe agora... estes trapos... calçando as cordas. Temos aqui um vislumbre tocante da bondade de Ebede-Meleque.

 

*          38.14               à terceira entrada na Casa do SENHOR. Essa entrada não é mencionada em nenhum outro lugar, mas talvez fosse para uso particular do rei. O encontro inteiro foi secreto.

 

*          38.22               todas as mulheres... serão levadas aos príncipes do rei da Babilônia. A perda de seu harém era uma das conseqüências humilhantes para um rei derrotado na guerra.

 

Os teus bons amigos. Lit., "homens de tua paz". Esses "amigos" incluíam os oficiais que tinham aconselhado a guerra (vs. 1,4), bem como os profetas falsos (8.11). Essa expressão confirma, ironicamente, a crítica de Jeremias contra eles.

 

*          39.1                 No mês décimo. Janeiro de 588 a.C. (52.4; 2Rs 25.1).

 

*          39.2                 aos nove do mês. Ou seja, julho de 586 a.C. (52.5-7; 2Rs 25.2-4). O cerco perdurara por dois anos e meio.

 

*          39.3                 se assentaram na Porta do Meio. Isso cumpre a predição de 1.15. Os nomes dos oficiais são formados com os nomes dos deuses da Babilônia (Nebo e Nergal).

 

*          39.11,12          Nabucodonosor... havia ordenado acerca de Jeremias. Não se pode ter certeza de quanto a mensagem do profeta o rei sabia; provavelmente ele o considerava um simpatizante da Babilônia (porém, ver 25.12).

 

*          40.5                 Gedalias. Ver 26.24. Gedalias é receptivo à compreensão dos eventos por parte de Jeremias.

 

*          40.10               colhei o vinho, as frutas de verão e o azeite. No momento do julgamento, é-nos dado um vislumbre da bênção futura na terra. Contrastar as condições de seca durante partes do início da pregação de Jeremias (14.1-6 e notas).

 

*          41.1                 e ali comeram pão juntos. Essa hospitalidade enfatiza a traição de Ismael, filho de Netanias.

 

*          41.5                 De Siquém, de Silo e de Samaria. Essas localidades eram importantes centros religiosos no antigo reino do norte, que caiu em 722 a.C. Os homens eram um remanescente da população de Israel que tinham feito peregrinações a Jerusalém nas grandes festas (em consonância com Êx 23.14-17). O tempo do ano (no "sétimo mês", ver o v. 1), era a Festa dos Tabernáculos.

 

A barba rapada... e o corpo retalhado. Esses atos foram sinais de lamentação diante da queda de Jerusalém.

 

à Casa do SENHOR. Embora o templo tivesse sido destruído, o monte do templo ainda era considerado santo.

 

*          41.7                 cidade. Isto é, Mispa (v. 6).

 

*          41.10               as filhas do rei. Membros da corte de Zedequias, e não apenas as próprias filhas do rei.

 

filhos de Amom. Tendo os amonitas feito parte na anterior aliança contra a Babilônia (27.3), a ação dos amonitas é, por si mesma, feita sob o julgamento de Deus (27.8; 49.1-6).

 

*          41.11—44.30  Jeremias é levado para o Egito pelos sobreviventes judeus, que fugiam de possíveis represálias dos babilônios.

 

*          41.15               escapou... com oito homens. Presume-se que dois homens se perderam no meio da luta (v. 2).

 

*          42.10               Se permanecerdes nesta terra. Essa resposta de bênção para o remanescente que ficara para trás, durante o exílio, foi um novo tema na mensagem de Jeremias (24.8; 40.6).

 

*          42.13-16         A palavra do Senhor continuava sendo contra os judeus buscarem refúgio no Egito (Dt 17.16). A questão, como sempre, é uma confiança falsa e uma ilusão de segurança no poder e no cálculo humanos (22.20,22; 30.14).

 

*          43.7,8  Egito. O ministério profético de Jeremias continua até no Egito.

 

*          Tafnes. Ver 2.16. Tafnes ficava localizada no delta oriental do Nilo.

 

*          43.9     Toma contigo pedras grandes, encaixa-as na argamassa. Um ato simbólico cuja interpretação é dada em seguida. Esse ato teve o propósito de mostrar que a palavra certamente se cumpriria.

 

*          43.10               Nabucodonosor... meu servo. Ver nota em 25.9.

 

*          43.13               as colunas. Provavelmente obeliscos, exemplos característicos da arquitetura egípcia.

 

Bete-Semes. Provavelmente essa era a antiga cidade de Heliópolis (equivalente grego do hebraico Bete Shemesh, "cidade do sol").

 

*          44.4     não façais esta coisa abominável. A adoração idólatra de outro deuses.

 

*          44.7     Não vos fique resto algum. Possivelmente este oráculo tivesse ameaçado que a restauração, prometida em 5.10 e 23.3, pode não ser cumprida.

 

*          44.9     Esquecestes já as maldades de vossos pais. E, por implicação, o julgamento que daí resultara. Semelhantemente, 2Rs 17.18-20 usa o castigo do reino do norte como uma advertência a Judá, antes de sua queda.

 

*          44.19               libações, sem nossos maridos. Ver Nm 30.6-15. As mulheres, evidentemente, tinham tomado a liderança na adoração à rainha do céu (7.18).

 

*          44.23   na sua lei e nos seus testemunhos. Os requisitos do pacto mosaico (Dt 11.1,32; 12.1).

 

*          44.29,30          Faraó Hofra (reinou entre 589 e 570 a.C.) foi assassinado por seus inimigos durante uma revolta militar; sua morte é usada como sinal de que todas as profecias do Senhor contra os refugiados no Egito se cumpririam.

 

*          45.1-5 Este capítulo contém a promessa de Deus a Baruque de que sua vida lhe seria poupada, feita muitos anos antes.

 

*          45.1     no ano quarto de Jeoaquim. Esse foi o ano no qual Baruque preparou o primeiro rolo contendo as palavras de Jeremias para ser lido publicamente (36.1-3).

 

*          45.3     tristeza. Baruque, como é evidente, tinha sofrido em companhia de Jeremias, em resultado da comissão profética de Jeremias (cf. 11.18-23). Ver 36.19; 43.3.

 

descanso. Ver Dt 12.9; Sl 95.11.

 

*          46.1—51.64 Esta seção de Jeremias compreende uma série de oráculos de julgamento contra as nações circunvizinhas.

 

*          46.2     Carquemis. Nabucodonosor derrotou Faraó Neco na batalha de Carquemis, no alto rio Eufrates, em 605 a.C., e encerrou assim a influência política e militar do Egito sobre a Palestina e a Síria.

 

no ano quarto de Jeoaquim. Ver 36.1; 45.1. A ascendência da Babilônia sobre o Egito foi crítica para Judá em seus anos finais.

 

*          46.3,4  Preparai o escudo... vesti-vos de couraças. Essas ordens, dadas ao exército egípcio, zomba de suas pretensões militares.

 

*          46.6     junto à borda do rio Eufrates. Ou seja, Carquemis (v. 2, nota).

 

*          46.9     os etíopes... os de Pute... os lídios. Mercenários da África e da Grécia testificam quanto ao poder dos egípcios.

 

*          46.11               Gileade. Ver nota em 8.22.

 

ó virgem filha do Egito. Essas palavras sugerem vulnerabilidade e inocência, embora possam ser entendidas ironicamente. Ver o uso das mesmas em conexão com Israel, em 14.17 e 18.13.

 

*          46.14               Migdol... Mênfis e... Tafnes. Ver 2.16; 43.8; 44.1.

 

*          46.15               Por que foi derribado o teu Touro? Assim diz a Septuaginta (Antigo Testamento grego), a qual é preferida por muitos intérpretes. Nessa versão, "touro" é Ápis. Ápis era o touro sagrado do antigo Egito, adorado como uma encarnação do deus Ptá, especialmente em Mênfis (Nofe, v. 14).

 

*          46.18               Tão certo como vivo eu. Ver Gn 22.15.

 

o Rei. Quanto a Deus como o Rei, ver 8.19; 10.7,10; 48.15; 51.57; Dt 33.5. Nos oráculos contra as nações, o verdadeiro reinado de Deus é contrastado com as vãs pretensões dos reis terrenos.

 

o Tabor... o Carmelo. Essas montanhas, ao norte de Israel, ficavam nas fronteiras oriental e ocidental da estratégica planície de Megido.

 

*          46.20               Novilha. Isso pode ser uma alusão irônica à adoração, por parte dos egípcios, do touro Ápis (v. 15, nota).

 

mutuca. Isto é, Nabucodonosor.

 

do Norte. Ver 6.1.

 

*          46.25               Amom de Nô. Amom era o principal deus dos egípcios. Tebas (ver referência lateral) ficava no sul, sugerindo uma invasão ainda mais profunda pelos babilônios.

 

*          47.4     de Tiro e de Sidom. Essas cidades fenícias serviam de proteção natural para os filisteus, que viviam mais para o interior das costas do mar Mediterrâneo, embora não se saiba se houve aliança entre eles.

 

Caftor. Lugar de origem dos filisteus, usualmente identificado como Creta.

 

*          48.1-47 Este capítulo registra o oráculo contra Moabe; cf. Is 15 e 16; Ez 25.8-11; Am 2.1-3. Moabe era inimigo de Israel (Jz 3.12-14; 2Rs 3.4-27). Aliou-se com Judá para defender-se da Babilônia (27.3), mas supriu tropas para Nabucodonosor contra Jeoaquim (2Rs 24.2). Sua derrota para Nabucodonosor deve ter ocorrido em 582 a.C., depois de uma rebelião.

 

*          48.1     Nebo... Quiriataim. Originalmente, essas cidades foram destinadas à tribo de Rúben (Nm 32.3,37,38; Js 13.15,19).

 

*          48.2     Hesbom. Essa aldeia também foi destinada a Rúben (Num. 32.37; Js 13.17).

 

*          48.7     Camos. Um dos deuses moabitas que foi adorado por Salomão (1Rs 11.7,33; 2Rs 23.13). As imagens dos deuses "derrotados" eram, com freqüência, levadas para o exílio.

 

*          48.8     o destruidor. Provavelmente, Nabucodonosor.

 

*          48.11,12          O vinho deixado para envelhecer representa a complacência dos moabitas. O lazer e a segurança deles se desvaneceria tão rapidamente como uma garrafa se esvazia quando é virada.

 

*          48.13   Betel. Possivelmente uma referência ao nome El Betel, usado para indicar o Senhor, na adoração apóstata de Jeroboão, em Betel (1Rs 12.28-30). Esse culto não havia impedido os assírios de saquearem a terra em 722 a.C. (2Rs 18.9-12).

 

*          48.19               Aroer. A sudeste de Dibom, essa fortaleza de fronteira, às margens do rio Arnom (v. 20) é aqui pintada a vigiar ansiosamente a fuga dos refugiados.

 

*          48.20   Arnom. Ou seja, a região ao longo do rio Arnom. Esse era o rio mais importante de Moabe.

 

*          48.28   habitai no rochedo. Ver Is 2.10.

 

*          48.32   Sibma... ao mar de Jazer. Ver Is 16.8.

 

*          48.38             os eirados de Moabe. Era costume oferecer incenso sobre os eirados como um ato de adoração (2Rs 23.12).

 

*          48.40               como a águia. Esta seria Nabucodonosor (Ez 17.3).

 

*          48.45,46         Derivados de Nm 21.28,29; mas Jeremias redireciona a profecia de Balaão contra os amorreus, aplicando-a a Moabe.

 

Seom. Ele foi o governante dos amorreus nos tempos de Moisés, cuja capital era Hesbom (Nm 21.21-30).

 

*          49.1-6             Uma profecia contra os filhos de Amom. Ver Ez 25.1-7; Am 1.13-15. Amom, um antigo inimigo de Israel (Jz 11.4-33; 1Sm 11.1-11; 2Sm 10; 1Rs 4.13-19), estava localizado na Transjordânia, imediatamente ao norte de Moabe. Tal como Moabe, Amom fez parte de uma aliança contra a Babilônia (27.3), e, à semelhança de Moabe, forneceu tropas a Nabucodonosor contra Judá (2Rs 24.2). Sua hostilidade contra Gedalias (40.13—41.3) sugere uma rebelião contra a Babilônia, o que, mui provavelmente, provocou um ataque que virtualmente terminou sua existência como nação autônoma.

 

*          49.1     Milcom. A divindade principal dos filhos de Amom (32.35, nota; 1Rs 11.5).

 

*          49.2     em Rabá. Essa cidade tem sido identificada com a moderna Amã, na Jordânia.

 

*          49.3     Hesbom. Uma cidade fronteiriça, também pode ter pertencido a Amom, em algum tempo (Jz 11.26).

 

Ai. Não a cidade de Ai, familiar dos eventos de Js 8. Sua localização não é conhecida.

 

*          49.7-22 Uma profecia contra Edom. Ver também 27.3; Is 21.11,12; Ez 25.12-14; Am 1.11; Ob 1-16. Edom era um antigo inimigo de Israel (2Sm 8.13,14), e tinha causado uma amargura especial ao ajudar os babilônios contra Judá.

 

*          49.7     Temã. Uma região de Edom que aqui representa a totalidade da nação.

 

*          49.8     Esaú. O irmão de Jacó, cujo nome era outra designação para Edom (Gn 25.29,30). Ver também Ob 10.

 

*          49.13   Bozra. A capital de Edom.

 

*          49.22   como águia. Provavelmente Nabucodonosor (como em 48.40), embora os edomitas tenham sido também conquistados decisivamente pelos árabes durante o século VI a.C.

 

*          49.23-27 Uma profecia contra a Síria, ou Arã. A Síria tirou proveito principalmente do reino do Norte, Israel, durante o período assírio (1Rs 20; Am 1.3-5). Os três estados aqui mencionados tinham caído diante da Assíria no século VIII a.C.

 

*          49.23               Damasco... Hamate e Arpade. Essas eram três das maiores cidades-estado dos arameus.

 

*          49.28-33         Uma profecia contra reinos árabes. Tribos árabes nômades representavam uma ameaça periódica contra as comunidades fixas (Jz 6.1-6). A presente profecia pode ter sido ocasionada por algum levante árabe contra Nabucodonosor, em 598 a.C.

 

*          49.28               Quedar. Uma tribo árabe bem conhecida no período do Antigo Testamento (Gn 25.13; Is 21.16,17; 42.11).

 

Hazor. Também estava localizada no deserto da Arábia, e não era a bem conhecida Hazor no norte de Israel. Esse nome pode ter designado um certo número de colonizações árabes, incluindo Temã, Buz e Dedã (25.23,24).

 

Os filhos do Oriente. Outra designação para os povos árabes tribais (Jz 6.3; 7.12; Jó 1.3).

 

*          49.31             Que habita em paz e confiada... não tem portas, nem ferrolhos. Esses povos nômades tipicamente viviam em cidades sem muralhas, não dependendo de cidades fortificadas. Ver a descrição de Laís, em Jz 18.7. Eles não eram páreo para um invasor bem-armado.

 

*          49.34-39         Uma profecia contra o Elão, uma importante potência a leste da Babilônia, subjugada pela Assíria, mas que ressurgiu durante o período babilônico. Essa profecia talvez diga respeito a uma campanha de contenção babilônica contra o Elão, em 595 a.C.

 

*          50.1—51.64   A profecia contra a Babilônia (cf. Is 13.1—14.23; 21.1-9) é o clímax do livro. As profecias anteriores serviram ao propósito de Jeremias de mostrar que a Babilônia prevaleceria sobre "todas as nações" (27.7), durante um certo período. A Babilônia, até este ponto, aparece como o instrumento da ira de Deus. Finalmente, porém (como em 25.17-26), "a palavra do Senhor" foi proferida contra a própria Babilônia, para mostrar que seu tempo de julgamento também chegaria (25.11,12). O texto hebraico de Jeremias registra a profecia (realmente entregue em 593 a.C.; ver 51.59, nota) neste ponto do livro, de tal modo que o julgamento de Babilônia ocupe a posição climática. A dimensão dessa predição também mostra quão importante é a Babilônia na teologia do livro.

 

*          50.2     Bel... Merodaque. Merodaque ou "Marduque" era o criador e a principal divindade dos mitos babilônicos. Ele também era conhecido como Bel, uma forma mais antiga do nome "Baal" ("senhor"). Ver também Is 46.1.

 

*          50.3     do Norte subiu contra ela uma nação. Ver 1.14; 6.1. Agora a atenção do Senhor voltara-se contra a Babilônia. A nação em questão não foi especificada, mas ver 51.27,28.

 

*          50.5     em aliança eterna. Ver 31.31-34; 32.40; 33.20,21.

 

*          50.9     eis que eu suscitarei e farei subir contra a Babilônia... do Norte. Ciro é mencionado em Is 41.25; 45.1. Membros da aliança são nomeados em 51.27,28.

 

*          50.12               vossa mãe. A cidade de Babilônia é personificada.

 

a última das nações. Ela parecia invencível (Is 14.12-17).

 

*          50.19   Carmelo... Basã... Efraim e em Gileade. Essas eram as regiões mais férteis de Israel.

 

*          50.21   terra duplamente rebelde... terra de castigo. Algumas versões dizem aqui Merataim e Pecode. Essas palavras são trocadilhos  formados com nomes locativos babilônicos (Marratu, Puqudu). Mas no hebraico essas palavras, Merataim e Pecode, significam "dupla rebeldia" e "castigo".

 

*          50.24               Lancei-te o laço... e não o soubeste. A derrota da Babilônia, por parte dos persas, não era esperada.

 

*          50.27               seus touros. Isto é, o exército babilônico (46.15, nota).

 

*          50.28   a         voz dos que fugiram. Os que escaparam da Babilônia, retornaram a Jerusalém.

 

a vingança do seu templo. O incêndio do templo (52.13) foi a destruição definitiva de Jerusalém. O Senhor vinculou a sua vingança contra a Babilônia especificamente a essa destruição.

 

*          50.29   contra o Santo de Israel. Esse nome para Deus aparece com freqüência em Isaías.

 

*          50.34   seu Redentor. Ver nota em 31.11.

 

*          51.11   medos. A Babilônia foi dominada por uma aliança de medos e persas (Introdução: Características e Temas). Ver também Is 13.17; 21.2.

 

*          51.13               sobre muitas águas. Babilônia era renomada por seus canais de irrigação, alimentados pelo rio Eufrates.

 

*          51.14               Jurou... por si mesmo. Ver Gn 22.16 e nota.

 

 

*          51.20               meu martelo. Ao que tudo indica, essas palavras foram dirigidas à Babilônia — os vs. 20-23 devem ser entendidos juntamente com os vs. 24-26. A Babilônia era o "martelo" de Deus (50.23) contra as nações, mas posteriormente os pecados da própria Babilônia a levariam a ser julgada.

 

*          51.27               Ararate, Mini e Asquenaz. Distritos administrativos assírios na Armênia.

 

*          51.30   estão em chamas as suas moradas. O saque de Judá (cf. 21.10), estava sendo vingado por seus conquistadores medos.

 

*          51.33   A filha da Babilônia. Essa figura tanto personifica a Babilônia como alude às suas mulheres, tornadas vulneráveis pela derrota. Ver 50.42; Lm 1.6 e nota.

 

*          51.36   pleitearei... te vingarei. Ver 50.15. As metáforas de vingança e de julgamento em tribunal são misturadas aqui.

 

*          51.44. o que havia tragado.Esse deus "tragara" as nações levadas para o exílio e seus tesouros. Os tesouros de Judá foram devolvidos pelo decreto de Ciro (Ed 1.5-11).

 

o muro de Babilônia caiu. A enorme e espessa muralha dupla, protegida mais ainda por um fosso entre as duas muralhas.

 

*          51.51 Os exilados expressam sua tristeza devido à ocupação do templo por Nabucodonosor, em 586 a.C., talvez sentindo que tal contaminação jamais pudesse ser purificada.

 

*          51.53               Ainda que a Babilônia subisse aos céus. Provavelmente temos aqui uma referência a seus elevados zigurates, símbolos de seu orgulho religioso (Gn 11.4).

 

*          51.58               as suas altas portas. A Porta de Ishtar era conhecida por sua grande altura.

 

trabalharam... as nações. O trabalho das nações subjugadas, na construção das fortificações de Babilônia, não terá o menor proveito quando Deus trouxer seu julgamento.

 

*          51.59               a Seraías, filho de Nerias. Um oficial na administração de Zedequias, ele foi o responsável por organizar acomodações durante a expedição. Ele era irmão de Baruque, escriba de Jeremias (32.12).

 

com Zedequias... à Babilônia, no ano quarto do seu reinado. Isto é, em 593 a.C. A expedição pode ter sido organizada em resposta a uma convocação para explicar a parte desempenhada por Zedequias na revolta contra Nabucodonosor (27.3, nota).

 

*          51.60               num livro. Esse livro pode ter contido as profecias dos capítulos 50 e 51. Ver 36.2.

 

*          51.63,64         Esse derradeiro ato simbólico (13.1-11, nota) reforçou a palavra final de Jeremias, que e Babilônia haveria de cair.

 

*          52.1-34           O capítulo final de Jeremias é um apêndice que descreve a queda de Jerusalém e relembra os leitores de que as profecias de Jeremias se cumpriram. A despeito da sua mensagem de juízo divino contra o pecado, o livro de Jeremias termina (como 2Reis) com uma nota esperançosa ao chamar a atenção para a misericórdia demonstrada ao rei Joaquim de Judá, estando ele no exílio babilônico (52.31-34; cf. 2Rs 25.27-30).

 

*          52.1     Jeremias, de Libna. Não o mesmo Jeremias, o profeta, o qual era de Anatote (1.1).

 

*          52.12               No décimo dia. 2Rs 25.8 diz "sétimo dia". Um ou outro desses dois textos pode ter sido um erro de copista.

 

*          52.22               cinco côvados. 2Rs 25.17 diz "três côvados". Ver nota no v. 12.

 

*          52.25               sete homens. 2Rs 25.19 diz "cinco homens". Ver nota no v. 12.

 

*          52.28-30         Esses versículos referem-se às duas deportações principais de judeus para a Babilônia, em 597 a.C. ("o sétimo ano") em 586 a.C. (o "décimo oitavo"; "décimo nono", no v. 12, é devido a uma maneira alternativa de contar os anos). Uma terceira deportação, menor, também é mencionada. Os números aqui são menores do que aqueles que figuram em 2Rs 24.14,16, e podem ter contado apenas os adultos do sexo masculino.

 

*          52.31               vinte e cinco. 2Rs 25.27 diz "vinte e sete". Ver nota no v. 12.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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