* 1.1–2.5 Essa introdução a Juízes, em que o
cumprimento da aliança é expressado na expropriação e destruição dos cananeus,
levanta a questão da liderança para a luta contra eles (v. 1). São narrados os sucessos e fracassos das
várias tribos, quanto a guardarem a aliança, e o juízo divino contra Israel
pelo seu fracasso pactual de permitir que os cananeus habitassem na terra (cf.
Dt 7.1-2; 20.16-20). O espaço e os
pormenores dedicados aos sucessos de Judá (vs. 3-20) formam um nítido contraste
com os relatos breves dos fracassos das demais tribos (vs. 21-36), embora a
casa de José seja tratada de modo positivo (vs. 22-26).
* 1.1 Depois. O livro de Josué começa de modo
semelhante: “Depois da morte de Moisés”
(Js 1.1).
Quem. Os
israelitas fazem uma pergunta quase idêntica no fim do livro – “Quem dentre nós
subirá primeiro a pelejar contra Benjamim?” (20.18). Deus escolheu Judá. Davi e
seus herdeiros nasceriam dessa tribo.
cananeus. Os cananeus formavam um dos vários
grupos que habitavam na terra de Canaã.
Os israelitas foram ordenados a aniquilá-los (Dt 7.1-2; 20.16-20), e a
questão de se conseguiriam obedecer aos termos da aliança ocupará a totalidade
dessa seção introdutória.
* 1.8 espada.
Judá obedeceu à aliança,
destruindo sem misericórdia os habitantes (Dt 7.1-2; 20.16-20). Judá não ocupou Jerusalém nessa ocasião (v.
21).
* 1.10-15 Esses versículos, que descrevem as
vitórias de Calebe e de Otniel, são citados de Js 15.13-19.
* 1.12 Calebe. Calebe, embora fosse, de descendência,
quenezeu (Gn 15.19; Nm 32.12), era contado como membro da tribo de Judá. Representou Judá quando os espias foram
enviados a Canaã (Nm 13.6).
* 1.13 Otniel... o irmão de Calebe, mais novo do
que ele. Ver Js
15.17-19. Jz 1.12-15 fornece o único
retrato que temos desse primeiro juiz.
* 1.19 Esteve o SENHOR com Judá. Deus cumpriu sua promessa segundo a
aliança (v. 2). Com a exceção da casa de José, o escritor trata resumidamente
acerca das demais tribos, e descreve como tendo sido fracassadas as suas
tentativas de colonizar a terra (1.27-36, nota).
carros de ferro. Esses carros, com suas rodas de
madeira revestidas de ferro, eram armas poderosas, especialmente nas
planícies. Com efeito, Judá é desculpada
por não ter conseguido desalojar os cananeus.
* 1.20 Calebe.
Calebe, da tribo de Judá, é um exemplo de fidelidade à
aliança. Em Dt 1.35-36, Calebe é
recompensado pela sua obediência à aliança, obediência esta que provém da fé na
promessa de Deus.
* 1.21 filhos de Benjamim. O escritor especifica que Benjamim, a tribo de
Saul, não fez uma conquista final de Jerusalém.
De acordo com Josué 15.63, a tribo de Judá também falhou em expulsar os
jebuseus de Jerusalém. A cidade ficava na fronteira entre as duas tribos. A conquista completa de Jerusalém ficou para
Davi realizar (2Sm 5.7).
* 1.22 o
SENHOR era com eles. Além de Judá
(v. 19), é somente a respeito da casa de José que está escrito que “o SENHOR
era com eles.”
* 1.27-36 Judá, Benjamim, e José já
foram mencionados. As falhas das
demais tribos são apresentadas resumidamente, em forma de esboço.
* 1.34 filhos de Dã. Ver caps. 17 – 18.
* 2.1-5
Esse trecho
passa em revista o capítulo anterior e,
assim como 2.20 – 3.6, fornece o pano de fundo para a narrativa que se
segue. A aliança foi feita entre Deus e “vossos pais”; são as duas partes pactuais. As condições da aliança proíbem tratados com
os cananeus ou a mistura do culto com a religião deles. A inobservância dessas exigências provocou o
castigo do pacto sobre Israel (Dt caps. 28 – 31).
* 2.1 o Anjo do SENHOR. Uma teofania, ou seja: uma revelação visível de Deus. Ver 6.11-24;
13.2-23. As palavras do mensageiro
preeminente de Deus (6.11-24; Êx 3.1-17)
são as palavras do próprio Senhor. O
Anjo do Senhor levou Israel para fora do cativeiro no Egito e lutou em favor
dos israelitas (Êx 14.19; 23.20-23; 33.2;
Nm 20.16; Is 63.9).
Gilgal. A arca da aliança estava em Gilgal
(Js 5.1-12).
Do Egito vos fiz subir. Os Dez
Mandamentos começam com a mesma declaração (Êx 20.2; Dt 5.6), o que nos relembra
que a história daquilo que Deus tem feito está ligada com os seus
mandamentos. O Deus Soberano que
promulga a aliança identifica-se como o Benfeitor do seu povo.
e vos trouxe à terra, que, sob
juramento, havia prometido. Deus cumpriu o seu juramento (Js
23.3-16). A diferença principal entre
Deus e o seu povo é que Deus cumpre seu voto enquanto o povo quebra o seu.
nunca invalidarei a minha aliança. Ver Dt 7.9.
* 2.2 derribareis os seus altares. A idolatria é considerada como o
principal, o ato típico de violação à aliança (v. 11; Êx 34.13;
Nm 33.52; Dt 7.5; 12.3; Js 23.16).
não obedecestes. Israel celebrou casamentos com os habitantes
da terra (3.5-6) e não derrubou os altares destes (6.25-32). Não era possível expulsar os cananeus por
causa do pecado de Israel.
* 2.3 adversários... laços. Os casamentos mistos com os
cananeus, bem como todos os demais relacionamentos com eles, tinham sido
proibidos porque semelhantes contatos levariam à idolatria (Êx 34.12; Nm 33.55;
Dt 7.16; Js 23.12-13). Por ter
desobedecido às condições da aliança, Israel sofreria o que Canaã sofrera: a remoção da terra (Nm 33.56; Js 23.13; 2Rs
17.5-8; 25.1-11).
*
2.6-10 Essa seção,
excetuando-se o v. 10, tem estreita semelhança com Js 24.28-31 e introduz o padrão
para os ciclos dos juízes que se seguem.
* 2.6 Havendo Josué. Ver 1.1; Introdução:
Data e Ocasião.
* 2.7 Serviu o povo ao SENHOR. Ver Js 24.16-18, 21-22, 31. A obediênca à aliança levou a bênções na
terra para aquela geração.
viram todas as grandes obras. Ver v. 10;
Dt 4.9; 6.22; 7.19;
11.2-7; Js 23.3.
* 2.10 que não conhecia ao SENHOR, nem tão pouco
as obras que fizera a Israel. Uma geração
devia declarar as maravilhas de Deus à geração seguinte (Dt 4.9; 6.1-6). Salmistas posteriores as louvam (Sl 44.1-3;
78.2-8). Se o povo de Deus soubesse o
que ele tinha feito, obedeceria aos mandamentos da aliança. Mas os líderes – os
chefes de famílias, os sacerdotes e os juízes – não guardaram a aliança nem
contaram à geração seguinte a respeito dos atos poderosos de Deus.
* 2.11-19 Esses versículos oferecem o padrão a
ser seguido nos caps. 3 – 16. Demonstram
a soberania de Deus na história, enquanto ele executa os juízos da
aliança. Foi ele quem vendeu o seu povo
e lutou contra ele, e foi também ele que suscitou os juízes para livrá-lo. A idolatria foi o pecado pelo qual Deus
castigou a Israel. O conteúdo dos vs.
11-19 é elaborado em 1Sm 12.9-11 e Sl 106.34-46.
* 2.11 fizeram... o que era mau. Esse refrão ocorre em 2.11; 3.7,
12; 4.1;
6.1; 10.6; 13.1.
serviram aos baalins. A iniqüidade de Israel chega ao
cúmulo na sua adoração aos falsos deuses (v. 2 nota). Os israelitas escolheram Baal, o deus cananeu
da tempestade, e rejeitaram o Senhor que os fez passar pelo Mar Vermelho e que
era o verdadeiro Senhor da tempestade.
“baalins” está no plural porque Baal era adorado de modo diferente em
cada localidade cananéia.
* Astarote. Lit. "Astarotes". No
plural feminino. Eram as deusas da
fertilidade no panteão cananeu.
* 2.14. e os entregou. Ver Dt 28.48;
1Sm 12.9. Os inimigos e
opressores de Israel não tinham poder sobre o povo de Deus a não ser que ele
assim permitisse. A conquista por Israel agora é revertida, à medida que povos
de fora de Canaã (arameus, moabitas, midianitas, amalequitas, e filisteus)
oprimem os israelitas, os novos habitantes da terra (3.8-12; 4.2; 6.1; 10.7;
13.1).
* 2.15 a mão do SENHOR era contra eles. A mão do Senhor estava associada
com o poder salvífico de Deus (Êx 3.20;
6.1; 13.3; Dt 4.34). Agora, a mesma mão estava virada contra os
israelitas, em castigo. O Senhor era fiel tanto para abençoar quanto para
julgar. Quando Deus livra os seus, ele
os livra dos inimigos como um ato de graça.
É o seu próprio juízo que permite aqueles inimigos prevalecerem, e ao
livrar os seus, ele tem que desviar esse juízo.
* 2.16
juízes. O papel dos
juízes era primariamente livrar a nação dos seus inimigos (3.9, 15; 1Sm 12.11).
* 2.17 se prostituíram. Tendo em vista que o acordo segundo
a aliança pode ser comparado com o casamento, a prostituição é uma metáfora
padronizada para a infidelidade e a desobediência (8.33; Dt 31.16;
o Livro de Oséias).
* 2.18 se compadecia. Os gemidos do povo comoviam o seu
Deus (Êx 2.24; 6.5).
* 2.19 nada deixavam. Nem os juízes (v. 17) nem a
lembrança de como tinham sido livrados bastavam para levar o povo a guardar a
aliança (v. 10).
* 2.23 deixou ficar aquelas nações. Ver Dt 7.22-23; Js 13.1-7.
Assim fica explicado por que ainda havia cananeus durante o período em
que Israel tinha sido fiel (vs. 6-9). Os
vs. 20-22 e 3.1-4 fornecem mais uma razão para Deus ter deixado ficar os
cananeus: testar o coração do povo.
* 3.1 não sabiam. Ver 2.10.
Mesmo o juízo divino era acompanhado pela sua graça. A provação era uma
oportunidade para a geração que não tinha visto o Senhor operar em seu favor
exercer a fé e ver com seus próprios olhos o seu poder (v. 2).
* 3.3 filisteus, e todos os cananeus, e
sidônios, e heveus. Os cananeus
e os heveus deveriam ser totalmente destruídos (1.1). Davi os derrotou ou destruiu.
* 3.5 no meio dos cananeus... jebuseus. Todas essas eram nações condenadas
à destruição (1.1). Israel violou a
aliança por habitar entre elas ao invés de destruí-las.
* 3.6 tomaram de suas filhas. Isso teve o efeito de levar os
israelitas à idolatria. O resultado de fazer alianças com os cananeus ao invés
de destruir a sua população é explicado repetidas vezes nos ciclos de
narrativas que se seguem (2.2). Fica
claro que o povo se importava mais com as alianças com seus vizinhos pagãos do
que com sua aliança com Deus.
* 3.7 aos baalins e ao poste-ídolo. Ver 2.11, 13 e notas.
* 3.9 Otniel. Ver 1.13, nota. É ressaltada a posição de destaque da tribo
de Judá em Israel, posto que o primeiro juiz provinha dessa tribo, e foi o
único juiz sem nenhuma falha explícita em guardar a aliança. O sucesso de Judá promove Davi, que foi
descendente dessa tribo.
* 3.10 o Espírito do SENHOR. O Espírito é mencionado também em
conexão com Gideão, com Jefté e com Sansão.
Pelo dom do Espírito, os juízes eram revestidos de poder para libertar o
povo (6.34; 11.29; 13.35; 14.6, 19; 15.14).
e ele julgou a Israel. Isso significa que lutou em favor de Israel e
libertou o povo. Ver Introdução: Título.
* 3.11 a terra ficou em paz durante quarenta
anos. Embora o padrão em 2.11-19
não mencione a duração dos períodos de paz, as próprias narrativas terminam com
um comentário a respeito da paz ou da falta dela (v. 30; 5.31;
8.28; 12.7; 15.20; 16.31).
* 3.12-30 A história de Eúde humilha o opressor
do povo de Deus.
* 3.12 Ver
2.11, nota.
Eglom, rei dos moabitas. O Senhor fortaleceu o rei pagão
para ser usado como seu instrumento de juízo.
* 3.15 canhoto.
Lit. “com sua mão direita restringida.” Essa não é a palavra
hebraica usual para significar “canhoto.” É empregada de novo somente em 20.16,
também no tocante a homens de Benjamim.
“Benjamim” pode ser traduzido como “filho da mão direita,” e é possível
que o escritor esteja fazendo um jogo de palavras com referência a um filho
canhoto da mão direita.
* 3.20
Tenho a dizer-te uma palavra de Deus. A mensagem secreta mencionada no v. 19 revela
ser uma mensagem divina. Não se tratava
de uma palavra falsa, mas da genuína palavra de Deus operando contra a mesma
vara levantada por Deus para castigar o seu povo (v. 12, nota). Eglom tinha
sido útil como uma ferramenta da ira de Deus contra Israel, mas agora essa ira
volta-se contra o mesmo rei.
* 3.28 o SENHOR entregou. Cada um dos principais juízes, menos Otniel,
verbalmente reconhece o controle de Deus na vitória de Israel (4.14; 7.15;
11.21-30; 15.18; 16.28).
* 3.30 em paz oitenta anos. Ver v. 11, nota.
* 3.31 Sangar, filho de Anate. Sangar é mencionado somente aqui e no cântico
de Débora (5.6). Tendo em vista que
Anate era uma deusa cananéia de guerra, talvez “filho de Anate” tenha sido um
apelido de herói de guerra.
seiscentos... com uma aguilhada de
bois. Sansão matou mil filisteus com uma queixada de jumento
(15.15-17).
* 4.2 Jabim.
Esse Jabim é descendente do Jabim mencionado em Js 11.1-9.
* 4.4 Débora, profetisa, mulher de
Lapidote. Lit. “uma
mulher, uma profetisa, a mulher de Lapidote.” A ênfase está no fato de uma
mulher ser líder em Israel. Débora, uma
profetisa, é mencionada na altura da narrativa em que é geralmente o libertador
que é mencionado (6.8, nota).
* 4.5 atendia... a juízo. Ou seja:
era magistrado, promulgando decisões jurídicas.
* 4.6 monte Tabor. Era uma colina redonda que ocupava uma
posição isolada no lado norte da planície no vale de Jezreel.
* 4.7 ribeiro Quisom. O ribeiro Quisom ficava ao sopé do
monte Tabor, e estava virtualmente seco durante boa parte do ano (v. 15,
nota).
* 4.8 Se fores comigo. Baraque estava pedindo que Débora
arriscasse sua vida para verificar a veracidade das palavras dela, e também
estava pedindo a uma mulher que fizesse aquilo que ele mesmo fora designado
para fazer. Do ponto de vista dele, a
missão era suicida, já que o monte Tabor era tão exposto que facilmente poderia
ser cercado pelos carros de Sísera, sendo impedida qualquer via de escape. A fé de Baraque não era suficiente para
enfrentar esse perigo.
* 4.9 não será tua a honra. Baraque foi castigado por ter duvidado (v.8).
pois às mãos de uma mulher o SENHOR
entregará a Sísera. O inimigo
não será entregue a Baraque, mas a uma mulher.
De conformidade com o plano de Deus, Jael (v. 17) terá sucesso onde
Baraque, devido à falta de fé, fracassará (vs. 18-22).
* 4.10 a Zebulom e a Naftali. Ver 5.13-18.
* 4.13 o ribeiro Quisom. Ver vs. 7, 15.
* 4.14 o SENHOR entregou a Sísera. Débora confirma a sua palavra da
parte do Senhor (v. 7).
* 4.15 o SENHOR derrotou. O cântico de Débora nos dá a
entender que o Senhor enviou chuvas que provocaram inundações repentinas
imobilizando os carros de guerra inimigos.
* 4.18-21 Ver o relato poético em 5.24-27.
* 4.21 cravou a estaca. Nenhum motivo é citado para a ação de
Jael. Uma mulher matou Sísera, e assim a
palavra do Senhor a Baraque foi cumprida (v. 9). As mulheres não eram normalmente guerreiras,
e era considerado vergonhoso morrer às mãos de uma mulher (9.53-54).
* 5.1-32 “O
Cântico de Débora” é famoso por sua antigüidade e pela sua notável qualidade
literária.
* 5.2 os chefes se puseram à frente em
Israel. A liderança
é um tema principal em Juízes.
* 5.4 de Seir... desde o campo de Edom. O monte Seir era a cordilheira
principal que passava por Edom, o ponto de partida de Israel para as batalhas
de conquista (Dt 33.2). Deus é retratado
como o grande Guerreiro indo à frente do seu povo.
* 5.4,
5 a terra estremeceu... diante do
SENHOR. Deus é retratado como
um guerreiro que emprega os elementos criados como armas. O retrato de Deus dominando a tempestade é
duplamente apropriado: ao derrotar
Sísera mediante um aguaceiro (v. 20) Deus refuta a alegação de Baal de ser este
o senhor das tempestades.
* 5.6,
7 cessaram as caravanas. A liderança
fracassada de Israel tinha resultado no caos e no domínio por estrangeiros. Não
era como nos dias em que Deus tinha sido o guerreiro indo adiante de Israel
(vs. 4-5). As caravanas já não passavam
pelas estradas, pois essas eram inviáveis por causa dos opressores estrangeiros
e dos salteadores. Ninguém oferecia proteção.
* 5.7 mãe em Israel. Os príncipes não queriam assumir a
liderança (subentendido no v. 2), mas uma mulher foi suscitada para conduzir
Israel. Contrastar esse “mãe em Israel”
com a desesperançosa mãe de Sísera (v. 28).
* 5.8 Escolheram-se deuses novos, então a
guerra estava às portas. Essa é uma
representação poética do ciclo do pecado e do castigo (2.11-19). A idolatria traz sofrimento à cidade.
* 5.9 se ofereceram. Mais adiante no cântico, há uma
comparação muito pungente entre os que foram voluntários para a luta e aqueles
que, por algum motivo, se recusaram (v. 13-23).
* 5.10 cavalgais jumentas brancas. Jumentas eram cavalgadas pela nobreza; o cântico é dirigido aos chefes mencionados
nos vs. 2, 9.
* 5.11 atos de justiça do SENHOR. Esses atos de justica do Senhor são
sua intervenção e a derrota dos inimigos do seu povo. São estes os seus julgamentos na terra (cf.
Ap 15.4).
* 5.15 grande discussão. A falta da participação de Rúben, Gileade, Dã
e Aser (v. 17) demonstra que Israel não estava unido.
* 5.20 pelejaram as estrelas. A participação dos céus significa
que Deus estava intervindo, lutando como o Guerreiro divino do céu. Historicamente, esse texto tem sido
interpretado como sendo fundamento bíblico para a astrologia, mas isso distorce
o significado da passagem.
* 5.23 Meroz.
Uma cidade de localização incerta.
* 5.24-27 Essa seção do cântico forma um
paralelo estreito com a narrativa de 4.18-22.
* 5.32 em paz quarenta anos. A terminação padronizada liga o cântico de
Débora e Baraque com o cap. 4 (cf. 2.19; 3.11).
* 6.1
– 8.32 Gideão foi
o maior dos juízes. Os seguintes
fatos confirmam esse conceito. (a) Sua história é a mais longa no livro. (b) O
Senhor está mais visivelmente ativo nessa história do que em qualquer das
demais. (c) O Anjo do Senhor apareceu a ele, mas a nenhum
outro juiz (vs. 11-24). (d) Séculos mais tarde, Isaías relembra a derrota
de Midiã por Gideão como uma grandiosa vitória (Is 9.4; 10.26). (e) É
alistado em primeiro lugar na lista de libertadores em Samuel (“Jerubaal,” 1Sm
12.11). (f) É colocado em paralelo com Moisés (6.11-24,
nota). (g) O povo procurou fazê-lo rei (8.22-23).
(h) Vivia como rei (8.26-27, 30,
32). Apesar de tudo isso, porém, Gideão
fracassou gravemente em um aspecto.
Gideão fez uma estola sacerdotal de ouro, e esta induziu ele e outros ao
pecado (8.27). Na sua grandeza e na sua
deficiência, Gideão prenunciou a necessidade de um libertador melhor, de um rei
que realmente guardaria a aliança. Dessa
maneira, ele aponta para Cristo.
* 6.2 o domínio dos midianitas. Nenhuma das outras histórias em Juízes dedica
tanta atenção aos pormenores da opressão quanto esta. Lares, colheitas, e gado ficaram sujeitos à
maldição da aliança (Dt 28.30-33, 38-42).
A opressão midianita era tão grande que Isaías a mencionou séculos mais
tarde (Is 9.4; 10.26).
* 6.6 ficou muito debilitado. Lit. “feito pequeno.” A maldição da aliança foi uma inversão da
promessa de Deus a Abraão (Gn 15.5; 22.17;
Dt 28.62; Sl 107.38-39).
clamavam. Ver 2.19; 3.9.
* 6.8 um profeta. Os profetas constantemente lembraram o povo de
suas obrigações pactuais. As palavras
desse profeta cujo nome não foi citado (vs. 8-10) são virtualmente idênticas às palavras do
Anjo do Senhor em 2.1-3.
* 6.8,
9 vos fiz subir... e vos livrei... e os
expulsei... e vos dei. Lembrar-se
desses atos salvíficos de Deus é o primeiro passo para guardar a aliança. Em Israel, a apostasia religiosa estava
ligada ao esquecimento dos atos salvíficos de Deus, e da sua lei.
* 6.11-24 Esse é o âmago da narrativa de
Gideão. Sua chamada é semelhante à
chamada de Moisés (Êx 3); ele faz a
pergunta que é pivotal na mensagem do livro (v. 13); e sua busca pela fé começa com sinais
(6.1—8.32, nota). A necessidade e a
busca de um libertador que cumpra a aliança, tal como o profeta Moisés, é o
enfoque de Juízes.
* 6.11 veio o Anjo do SENHOR. Ver 2.1; 13.3.
* 6.13 por que.
Essa pergunta é crucial no livro de Juízes. O Anjo não respondeu à pergunta, pois o
profeta já dera a resposta (vs. 8-10; Dt
28.47-52; 29.24-27; 31.17-18). Alguns dos salmos postulam uma pergunta
semelhante (Sl 44.20; 74.9-11).
* 6.14 Vai nessa tua força. Ver v. 34;
7.2, 7. Deus seria a sua força,
embora Gideão ainda não o soubesse.
* 6.15 a mais pobre.
Saul, quando lhe perguntaram a respeito do reinado, empregou
palavras semelhantes (1Sm 9.21).
* 6.22 vi... face. Ver 13.22;
Dt 5.24; Is 6.5; 1Tm 6.16.
* 6.25-32 Esse episódio na vida de Gideão
explica como ele veio a ser chamado Jerubaal.
A idolatria do seu pai imediato é trágica, à luz daquilo que Gideão diz
a respeito de “nossos pais” no v. 13.
* 6.25,
26 derriba o altar. Ver Dt 12.3.
* 6.26 em camadas de pedra. De conformidade com as disposições
da Lei de Moisés.
* 6.31 Se é deus.
Ver 10.14.
* 6.33-40 Gideão quis reforçar sua confiança ao
pedir sinais (v. 17), e o Senhor não os negou a ele (cf. Lc 1.18-20).
* 6.34 Espírito do SENHOR. Ver 3.10 e nota; 11.29;
13.25; 14.6, 19; 15.14.
* 6.36 Se hás de livrar. Embora o Espírito tinha vindo sobre
Gideão, este ainda lutava com sua fé (6.27, nota).
* 7.1-8 A redução drástica das tropas
demonstrou o poder de Deus para salvar Israel, e lhe trouxe glória. Serviu também de desafio a Gideão e encorajou
Israel a confiar nele.
* 7.17 Olhai para mim. Essas palavras são semelhantes àquelas de
Abimeleque, filho de Gideão (9.48-49).
* 7.23
– 8.21. A falta de
união em Israel fica aparente nas dificuldades entre Gideão, Efraim, Sucote, e
Penuel.
* 7.25 na penha de Orebe. Ver Is 10.26.
* 8.1-3 O conflito aqui entre Efraim e
Gideão é semelhante ao conflito entre Efraim e Jefté; ver 12.1-6.
* 8.4-21 Gideão tem problemas com os homens
de Sucote e de Penuel, e acaba castigando os dois grupos por não lhe terem
ajudado na perseguição dos líderes midianitas.
* 8.22 Domina sobre nós. Gideão foi um juiz tão notável que o povo
queria torná-lo rei.
* 8.23 o SENHOR vos dominará. Esse versículo, assim como 1Sm
8.7-9, demonstra que o reinado em Israel foi um erro. Mesmo assim, Juízes demonstra que se tornara
necessário. Sem rei, a sociedade desintegrava-se (21.25).
* 8.24 dai-me... as argolas. Embora Gideão rejeitasse o reino,
agia como rei (v. 30 e 31).
* 8.27 estola sacerdotal. A estola sacerdotal genuína do sumo
sacerdote era usada para buscar a vontade do Senhor (1Sm 23.9-11; 30.7,8).
se prostituiu. Gideão, o maior dos juízes até
Samuel, deu ao povo ocasião para pecar (2.17 e notas).
um laço a Gideão e à sua casa. O pai de Gideão tinha sido idólatra
(6.25), e agora Gideão caiu no mesmo pecado.
* 8.31 Abimeleque. Gideão dá ao filho da sua concubina o nome de
“Abimeleque” (“meu pai é rei”), apesar de Gideão ter alegado não querer ser
rei. Ver vs. 23, 24.
* 8.33
– 9.57 A história
de Abimeleque demonstra o desastre que o tipo errado de rei podia vir a
ser. Abimeleque era um antilibertador,
um opressor do povo, e um violador da aliança.
Sua história suscita a pergunta de quem deve ser rei (9.2, 8-20, 28,
29). Tendo em vista essa pergunta, é significante que Abimeleque e Saul se
assemelhem em aspectos importantes (9.23, nota;
9.54, nota). Assim fica
subentendido que Saul era o mesmo tipo de rei que Abimeleque. A mensagem aos leitores de Juízes era que não
deveriam querer que Isbosete, filho de Saul, fosse o seu rei, assim como Israel
não tinha desejado Abimeleque, filho de Gideão.
* 8.33 Baal-Berite. Lit. “Baal (senhor) da aliança.” Esse deus era
uma imitação falsa do Deus que realmente era o Senhor da aliança. Ver 9.4, nota.
* 8.34 não se lembraram. Lembrar-se de Deus e das suas obras salvíficas
é o primeiro passo na obediência à aliança (2.10, nota).
* 8.35 nem usaram de benevolência. Ver 9.5, 16-19.
* 9.1 Abimeleque. Ver 8.31, nota.
* 9.4 Baal-Berite. Ver notas no v. 46; 8.33.
O templo de Baal-Berite pagava o salário dos que oprimiam Israel nos
tempos de Abimeleque.
* 9.5 sobre uma pedra. Esses homens, com efeito, foram sacrificados
a Baal-Berite (v. 53, nota).
* 9.7 monte Gerizim. O monte da bênção (Dt 27.12) foi usado para
uma maldição. Essa inversão ressalta o
tema que permeia a história de Abimeleque (8.33– 9.57, nota).
* 9.14 espinheiro. O reinado de Abimeleque, produto da idolatria
(v. 4), seria um espinho para Israel (2.3, nota).
* 9.20 saia fogo. A maldição de Jotão é cumprida nos vs. 45-52.
* 9.23 um espírito de aversão. O paralelo histórico com Saul é
significante. Tanto Abimeleque quanto Saul
receberam um espírito mau para vir contra eles quando começaram a perder os
seus respectivos reinos (1 Sm 16.14).
Essa é a primeira mênção da ação direta de Deus na história de
Abimeleque.
* 9.26 Gaal.
Gaal é outro “Abimeleque,” um irmão perdido que reivindica o
direito de reinar tendo por base sua ascendência.
* 9.28 Quem é Abimeleque. Note o discurso semelhante no v. 2,
também pronunciado em Siquém.
* 9.45 e a semeou de sal. Isso a arruinaria para a agricultura.
* 9.46 El-Berite. Lit. “deus da aliança.” El era o pai dos
deuses no panteão cananeu. Esse era
possivelmente o mesmo templo que aquele mencionado em 9.4, que fornecia
dinheiro a Abimeleque. Agora, ele voltou
para destruí-lo.
* 9.48 fazei-o também vós. As palavras de Abimeleque, ao
comandar seus homens, assemelham-se àquelas do seu pai (7.17).
* 9.49 e queimaram. Assim foi cumprida a maldição de
Jotão (v. 20).
* 9.53 uma pedra superior de moinho. Uma pedra figurou de modo destacado na morte
de Abimeleque, assim como figurara no assassinato de todos os seus irmãos (9.5,
nota).
* 9.54 Desembainha a tua espada, e mata-me. Assim como Saul (1Sm 31.4), Abimeleque quis
manter o seu orgulho até a morte. Esse incidente, assim como a presença de um
espírito mau da parte de Deus (9.23 e nota), ressalta uma grande semelhança
entre Saul e Abimeleque.
Mulher o matou. Teve que compartilhar com Sísera esta
indignidade (4.9).
* 9.56 Assim, Deus fez tornar. Deus não fica muito visível nessa narrativa
(9.23, nota). Mas ele levou Abimeleque
ao juízo.
* 10.1-5 Dois juízes, Tola e Jair, são
apresentados com poucos pormenores.
Quatro outros juízes menores são descritos de modo semelhante (3.31;
12.8-15).
* 10.1 Tola. Tola é mencionado somente aqui nas
Escrituras.
* 10.3 Jair.
Assim como Tola, Jair não é mencionado em nenhuma outra parte da Bíblia.
* 10.4 que cavalgavam trinta jumentos. Trinta filhos, trinta jumentos, e o
controle de trinta cidades indica grandes riquezas e poder (5.10).
* 10.6
– 12.7 Cf. 1Sm
12.11. A lista dos ídolos seguidos (10.6) e o caos interno de Israel, tornaram-se ainda maiores (12.1-7). Jefté
introduziu somente seis anos de paz (12.7) ao invés de uma geração inteira de
paz (3.11, 30; 5.31; 8.28). Finalmente, de modo precipitado e
pecaminoso, Jefté sacrificou sua filha (11.30-40, nota).
Muitos
aspectos de Jefté relembram Gideão, Abimeleque, ou Saul. Jefté, assim como Gideão, era “homem valente”
(6.12; 11.1). Os dois homens deixaram os
efraimitas zangados por não os terem conclamados a participar de uma batalha
(8.1-3; 12.1-6). Jefté e Abimeleque eram
igualmente filhos marginalizados, sendo que um nasceu de uma concubina, e o
outro de uma prostituta. Os dois reuniram para si bandos de aventureiros (9.4;
11.3). Tanto Jefté quanto Saul foram proclamados líderes em Mispa (11.11; 1 Sm 10.17). Os dois enfrentaram os amonitas como seus
primeiros adversários (11.12-29; 1Sm 11.1-11). Tanto Jefté quanto Saul fizeram
um juramento estulto que tornou-se em uma ameaça para seus primogênitos, e os
dois ofereceram um sacrifício ilícito (11.30-40; 1 Sm 13.8-14; 14.24-25).
* 10.6 deuses. Nos relatos anteriores, somente os Baalins e
Astarote foram mencionados (2.11, 13;
3.7). Essa lista mais longa de
deuses indica uma descida em parafuso nas violações da aliança perpetradas por
Israel. Ver também os vs. 11-12 e a
nota. Os povos mencionados cercavam
Israel nas suas fronteiras.
* 10.10-16 Esse é o único relato no livro de
Juízes onde Israel não somente clama a Deus, como também deixa de lado os seus
ídolos. Noutras ocasiões eles
simplesmente clamaram ao Senhor, e ele os livrou (10.10; 2.19;
3.9). Deus sabia que o
arrependimento era superficial, mas mesmo assim escolheu livrar os seus (cf. Dt
32.15-38).
* 10.10 deixamos o nosso Deus e servimos aos baalins. A mesma linguagem é empregada na
acusação contra eles no v. 6.
* 10.12 vos oprimiam.
A lista de deuses no v. 6 coincide quase identicamente com a
lista das nações opressoras. Israel
rejeitara o Deus que libertara a nação e, além disso, seguia os deuses
incompassivos dos seus opressores.
* 10.13 não vos livrarei mais. Ver Dt 8.19-20; 31.16-17; Nm 33.55-56; Js 23.13; Jz 2.3.
* 10.14 clamai aos deuses que escolhestes. Ver Dt 32.37-38. O mesmo motejo é visto em Jr 2.28; 11.12,13.
* 10.15
livra-nos. O desejo de ser libertado, e não o desejo de
servir ao Senhor, foi o verdadeiro motivo do arrependimento de Israel.
* 10.17 Mispa.
Ver 11.11; 20.1.
* 11.1 homem valente. Esse título tinha sido aplicado a
Gideão (6.12).
filho duma prostituta. A ascendência de Jefté fez dele um
marginalizado (v. 2).
* 11.3
homens levianos. Outra
semelhança entre Jefté e Abimeleque acha-se nos seus seguidores (9.4).
* 11.9 o
SENHOR mos der. Jefté
demonstrou a sua fé de que seria Deus quem lhe daria a vitória.
* 11.10 O SENHOR será testemunha. Os anciãos estavam prestando
juramento para confirmar uma aliança.
* 11.11 Jefté proferiu todas as suas palavras
perante o SENHOR, em Mispa. A aliança é
confirmada diante do Senhor em Mispa.
Anos mais tarde, o povo tornou Saul rei, também diante do Senhor em
Mispa (1 Sm 10.17).
* 11.12-29
Para o contexto histórico desse conflito, ver Nm 20.14-21; 21.10-35; Dt
2.16—3.11. Nos tempos de Jefté, os
amonitas esperavam que pudessem estender o seu território para dentro de uma
região que antigamente lhes pertencera, mas que agora pertencia a Israel havia
trezentos anos. Jefté repudiou as
exigências dos amonitas relembrando essa história e demonstrando que os
israelitas não tomaram mais do que aquilo que o seu Deus lhes dera e, tendo
recebido ordens diretamente dele (Dt 2.18-19), nada tinham roubado de Amom.
* 11.12 rei dos filhos de Amom. Assim como no caso de Saul, o primeiro
adversário de Jefté foram os amonitas (1Sm 11.1-11). Gileade foi a região ameaçada também na
história de Saul.
* 11.23 o SENHOR, Deus de Israel. A guerra era considerada uma luta
entre os deuses das forças combatentes.
Se Israel ganhou, foi porque o Deus de Israel lhe dera a vitória, e
ninguém poderia disputar o resultado (v. 24).
Ver v. 21.
* 11.27 o SENHOR, que é juiz, julgue. Ver vs. 21, 23. Jefté declarou que Deus era o Juiz sobre
todos os povos e deuses. Aqui, a palavra
é usada num sentido jurídico de promulgar uma decisão, embora Deus também, em última
análise, viria a ser libertador (vs. 32-33).
O livro dos Juízes afirma que Deus é o Rei verdadeiro (8.23) e o Juiz verdadeiro, sendo o único que
poderia aliviar as angústias de Israel.
* 11.29 Espírito do SENHOR. Ver 3.10 e nota.
* 11.30-40 Jefté derrotou os amonitas, mas no
decurso dos seus atos fez um voto precipitado ao Senhor e sacrificou a sua
filha como holocausto. Deus não deveria
ser adorado do modo como os pagãos adoravam aos seus deuses, mediante o
sacrifício humano (Dt 12.31; 18.10; Sl 106.37-38). Como libertador, Jefté não mostrou ao povo
como guardar a aliança, embora demonstrasse evidência da sua fé (vs. 10-11, 21,
23, 27). Assim como Jefté, Saul também fez
um voto precipitado que acabou se tornando em uma ameaça contra seu próprio
filho (1 Sm 14.24-45).
* 11.35 rasgou as suas vestes. Era o sinal de luto por causa de
uma morte.
fiz voto. Embora os votos fossem sagrados (Dt
23.21-23), a ação de Jefté foi errada. O
sacrifício humano era totalmente proibido em Israel (v. 39, nota). O ato de cumprir um voto pecaminoso é
pecado. Juramentos e votos ilícitos não
devem ser feitos ou, se forem feitos, não devem ser cumpridos (cf. Mt 14.1-12).
* 11.36 faze, pois, de mim segundo o teu voto. Ou seja: “ofereça-me como sacrifício” (vs. 30-31).
* 11.37 chore a minha virgindade. Isso significa, provavelmente,
lamentar porque nunca se casaria nem teria filhos. (vs. 38, 39).
* 11.39 lhe fez segundo o voto. O fato fica claro, embora seja
expressado de modo delicado. Jefté sacrificou
a sua filha como holocausto. É observado
que ela era virgem, mas esse não era o conteúdo do voto. O sacrifício humano era pecado, uma imitação
da prática pagã (11.30-40, nota; Dt
12.31; Sl 106.38).
* 12.1-7 Essa narrativa, que segue imediatamente
após o sacrifício da filha de Jefté (11.30-40), dá a entender que a luta entre
Jefté e Efraim, bem como seu período abreviado como juiz (v. 7) foram o castigo
divino contra ele por ter sacrificado a sua filha. O Sl 78 (especialmente vs. 9-11, 67) reflete
sobre a recusa de Efraim de entrar na luta, e explica a rejeição divina de
Efraim como líder de Israel. Judá, a
tribo de Davi, e não Efraim, conduziria Israel (Sl 78.68-72).
* 12.1
homens de Efraim. Assim como
Gideão, Jefté teve problemas com Efraim (8.1-5); diferentemente de Gideão, deixou resultar em
guerra civil. Havia lastimável falta de
união em Israel.
Por que. Ver em 8.1 uma pergunta quase idêntica
postulada a Gideão.
* 12.4 no meio de Efraim e Manassés. Os gileaditas descendiam de José,
da mesma forma que Efraim e Manassés.
* 12.5 os vaus do Jordão. Gileade estava ao leste do Jordão,
e Efraim ao oeste.
* 12.6
chibolete... sibolete. Os
efraimitas podiam ser reconhecidos pela maneira de pronunciarem certas palavras
no seu dialeto.
* 12.7 Jefté... julgou a Israel seis anos. Os juízes anteriores ficavam na
liderança durante quarenta ou oitenta anos, e a paz durava uma ou duas
gerações. O governo abreviado de Jefté,
o aumento do número de deuses sendo adorados, e a guerra civil com Efraim
contribuem para a decadência moral cada vez maior de Israel.
* 12.8-15 Ibsã, Elom e Abdom são mencionados
resumidamente (10.1-5, nota). Nada mais
se sabe acerca desses homens. Elevam a
doze o número total de juízes mencionados no livro dos Juízes.
* 12.14 setenta jumentos. Abdom tinha poderes e riquezas
virtualmente como uma realeza (10.4).
* 13.1—16.31 A história de Sansão é a última nos ciclos
dos juízes. Seu futuro era grandemente
promissor. Era nazireu desde o ventre
materno, e seu nascimento foi uma dádiva sobrenatural aos pais estéreis; assim como o grande juiz Gideão, o Anjo do
Senhor apareceu no seu chamamento; diferentemente de qualquer outro juiz, seu
chamado ocorreu desde o ventre materno;
e mais do que qualquer outro juiz, experienciou o poder do Espírito
vindo sobre ele (13.25; 14.6, 19; 15.14). Mesmo assim, de todos os juízes,
Sansão foi o mais claramente sem comprimisso. Tendo assumido o voto do
nazireado (13.4-5, 7, 14; 16.17; Nm 6.1-21), só observou o aspecto de não
cortar os cabelos. Repetidas vezes
violou a aliança de Deus e o seu voto ao procurar esposas estrangeiras,
deitar-se com prostitutas, tocar em coisas mortas, e beber vinho. Não demonstrou interesse em libertar Israel.
A forma do seu chamamento e as circunstâncias
do seu nascimento e da sua vida só ressaltam a tragédia da sua vida e enfatizam
até quais profundezas Israel se rebaixara. Mas Deus o suscitara para livrar
Israel dos filisteus (v. 5), e ele aproveitou até mesmo os pecados de Sansão
como ocasião contra eles (14.4).
Sansão
não era como Gideão, nem como Samuel. Embora o Espírito tivesse vindo repetidas
vezes sobre ele, esse fato não teve nenhum impacto sobre o seu caráter. Assim
como Saul, Sansão perdeu, o revestimento do Espírito como resultado do castigo
divino. Mesmo assim, o relato do fim da sua vida (16.25-31) reflete uma
renovação da sua fé enquanto era prisioneiro dos seus inimigos (e os de
Deus). Hb 11.32 alista Sansão no rol de
honra da fé.
* 13.1 Tendo os filhos de Israel tornado a fazer
o que era mau. A formúla
introdutória usual é especialmente abreviada (cf. 2.11-19).
entregou nas mãos dos filisteus. Ver 2.14;
1 Sm 12.9.
* 13.2-25 Da mesma maneira que Gideão
(6.11-24) os pais de Sansão não
reconheceram o Anjo do Senhor. Viram um
fogo milagroso, e depois temeram as conseqüências de terem visto o Anjo do Senhor. Esses paralelos notáveis suscitam a pergunta
de se Sansão não viria a ser um juiz tão grande como Gideão (13.1 – 16.31,
nota). Três vezes, as exigências do
nazireado foram definidas, antes mesmo de Sansão nascer (vs. 4-5, 7, 14). Essa repetição ressalta a sua
importância.
* 13.2 estéril.
A mãe de Sansão era estéril, assim como Sara, Rebeca, Raquel
(Gn 16.1; 25.21; 29.31), e a mãe de Samuel (1Sm 1.2, 5; Jz 13.1—16.31, nota).
* 13.3 o Anjo do SENHOR. Ver 2.1; 6.11-24; 13.1 – 16.31, nota; “Anjos”, índice.
* 13.5 nazireu... desde o ventre de sua mãe. Para o contexto histórico, ver
Números 6.1-21. Normalmente, o voto do
nazireado era tomado por um determinado período de tempo, e não desde o
nascimento (13.1—16.31, nota).
* 13.6 sua aparência era semelhante à dum anjo de
Deus. Ela deixou de reconhecer que
era realmente o Anjo do Senhor (6.22; 13.16).
* 13.15 prepararemos um cabrito. Repetiram a hospitalidade de Gideão
(6.19).
* 13.17 Qual é o teu nome. Jacó fez a mesma pergunta (Gn 32.29).
* 13.19-22 Esses incidentes formam um paralelo com
aqueles na vida de Gideão (6.20-22).
* 13.24 o menino cresceu, e o SENHOR o abençoou. A despeito da bênção divina, Sansão
era fraco na fé (13.1–16.31, nota), em contraste com Samuel (1Sm 2.26; 3.19) e
com Jesus (Lc 2.52).
* 13.25 o Espírito do SENHOR. Ver 3.10, nota.
* 14.1—15.20 Imediatamente depois de entender
que o Senhor estava com Sansão e que o Espírito começava a se mover nele
(13.25), o leitor é informado de que Sansão procurou uma esposa dentre os
filisteus (14.1-2). Nessa seção é revelado
que Sansão tinha forças prodigiosas, capacidades poéticas, e orgulho e mau
gênio intensos. A narrativa gira em
torno da busca e da perda da esposa filistéia e das conseqüências tanto para a
Filístia quanto para Sansão. No decurso
desses eventos, Sansão violou o voto do nazireado ao tocar num animal morto
(14.8-9), e ao beber vinho (v. 10). Tudo que lhe restava fazer nesse sentido
era cortar os seus cabelos. Três vezes o
Espírito do Senhor veio sobre ele, e ele matou os seus inimigos. Liderou Israel durante vinte anos
(15.20). Normalmente, esse seria o fim
da narrativa. Sansão, no entanto, continuava a se deixar desviar por mulheres
estrangeiras, e a história termina com a narrativa da sua morte como resultado
de seus próprios feitos (cap. 16).
* 14.2 uma mulher... dos filisteus. Os israelitas não devem casar-se
com mulheres estrangeiras (3.1-6;
14.3; Dt 7.3-4; 1Rs 11.1-6;
Ed 9–10).
* 14.4 isto vinha do SENHOR. Embora o desejo de Sansão fosse pecaminoso,
Deus o usou visando seus próprios propósitos de exercer o juízo contra os
filisteus.
* 14.6 Espírito do SENHOR. Ver 3.10, nota.
* 14.8,
9 o corpo do leão. Parte do
voto nazireu incluía evitar a mínima aproximação a um cadáver (Nm 6.6). Sansão
tocou no cadáver, o que já anularia o seu voto. Não contou aos pais. À primeira
vista, imaginaríamos que ele guardou segredo visando o propósito de apresentar
o seu enigma, mas também estava escondendo a transgressão do seu voto.
* 14.10 fez... um banquete. Num banquete destes, o vinho era
normalmente servido. Mas Sansão, como
nazireu, era proibido de beber vinho (13.1–16.31, nota; 13.2-25, nota).
* 14.19 o Espírito do SENHOR. Ver 3.10, nota.
* 14.20 Ao companheiro de honra. Esse não
era um costume, mas uma tentativa de um pai envergonhado em salvar as aparências
(15.1-2). Até mesmo os filisteus
continuavam a referir-se a Sansão como “o genro do timnita” (15.6).
* 15.1 nos dias da ceifa do trigo. Esse era um tempo de seca, quando,
então, os campos se queimariam
facilmente (vs. 4-5).
sua mulher. Legalmente, era esposa de Sansão.
* 15.2 a dei ao teu companheiro. Ver 14.20 e nota.
* 15.6 o
genro do timnita. Ver 14.20 e
nota.
* 15.13 amarraram-no com duas cordas novas. Ver 16.11-12.
* 15.14 o Espírito do SENHOR. Ver 3.10, nota; 14.6, 19.
* 15.15 uma queixada de jumento, ainda fresca... mil
homens. Ver o paralelo com
Sangar, filho de Anate (3.31).
* 15.18 clamou. Essa é uma das duas únicas vezes que a
narrativa diz que Sansão falou ao Senhor (16.28).
morrerei eu, agora, de sede. Assim como os israelitas que
presenciaram milagre após milagre no deserto, Sansão queixou-se a Deus. O
paralelo é marcado pelo clamor por água e pela maneira milagrosa de Deus
fornecê-la (v. 19; Êx 17.1-7; Nm 20.1-13). Tanto Israel quanto Sansão queixavam-se
a Deus, mas ele, na sua misericórdia e compaixão, supriu as suas necessidades
(Jz 10.10-16).
* 15.20 vinte anos.
Normalmente, essas palavras assinalariam o fim da história,
mas não neste caso (14.1–15.20, nota).
Assim como Jefté (12.7), Sansão não dirigiu Israel durante uma geração
inteira (quarenta anos) assim como
tinham feito os juízes anteriores.
* 16.1-22 Esse relato contém duas histórias
paralelas que demonstram o desejo que Sansão tinha pelas mulheres, sua força
prodigiosa, e os esforços que os filisteus fizeram para prendê-lo. As contínuas
violações da aliança por parte de Sansão foram julgadas por Deus; os filisteus o prenderam e o cegaram (vs.
21-22). As tentativas de Dalila para
enganar Sansão revelam quão tolo ele era por ainda ficar com ela. É ainda mais estranho que o Espírito de Deus
tenha se apartado dele somente quando foram cortados os seus cabelos, e não
nalgum momento anterior das suas violações da aliança. Deus teve paciência com
Sansão até desaparecer o último sinal do seu voto, e foi então que ele o
julgou.
* 16.1 uma prostituta. Sansão violou novamente a aliança
(14.2).
* 16.11 cordas novas.
Ver 15.13.
* 16.15 Como dizes.
Ver 14.16-17.
* 16.17 desde o ventre de minha mãe. Ver 13.5.
se vier a ser rapado. Sansão sempre desconsiderara os
demais aspectos do seu voto (13.1–16.31, nota).
Sua verdadeira força era o Espírito do Senhor (v. 20).
* 16.20 o SENHOR se tinha retirado dele. O Espírito do Senhor já não lhe
dava forças (13.25; 14.6, 19; 15.14).
Assim como Saul (cf. Is 16.14 com 1Sm 15.23), Sansão perdeu o poder do
Espírito porque desobedeceu. Deus era a
sua força, e não alguma magia associada com seus cabelos cumpridos.
* 16.23 Nosso deus nos entregou. Deus é o Juiz que permitia que opressores maltrassem
seu povo por causa do pecado deste (v. 20);
não foi o poder dos deuses das nações que as capacitou a vencer Israel
(2.14-15).
* 16.28 SENHOR Deus. A petição
final de Sansão é tirar vingança pela perda da sua vista. O escritor não comenta esse motivo. Deus, na sua graça, respondeu à oração e
permitiu que Sansão matasse os inimigos de Israel (10.10-16; 15.18-19).
* 16.30 mais... do que os que matara na sua
vida. Ver 13.1–16.31, nota.
* 16.31 Julgou... vinte anos. Ver 15.20, nota.
* 17.1–18.31 Essa seção, que relata a idolatria
dos danitas, faz parte da conclusão do livro dos Juízes. As expressões: “Naqueles dias não havia rei em Israel”
(17.6; 18.1), e “cada qual fazia o que achava mais reto” (17.6) são repetidas
na última seção dos ciclos de narrativa (19.1; 21.25). Sem um rei, o povo estava na desgraça.
* 17.2 A história começa de modo abrupto,
com a devolução de dinheiro furtados. A
mãe não parece ter ficado surpresa.
* 17.3 dedico... ao SENHOR... para fazer uma
imagem de escultura e uma de fundição. Essa
declaração é altamente irônica. Por mais
bem-intencionada, a consagração da prata dessa maneira violava o segundo
mandamento (Dt 5.8), o que indica a ignorância espiritual daquele período.
* 17.5 uma estola sacerdotal. Ver 8.27 e nota.
* 17.6 Naqueles dias. Ver 18.1; 19.1; 21.25. O refrão comenta a ignorância de Mica
e da sua mãe, ignorância típica daqueles tempos. Fizeram ídolos em nome do
Senhor, e designaram seu próprio sacerdote.
* 17.7 Levita.
A herança dos levitas era a de servirem ao Senhor na sua
morada, o tabernáculo (Dt 18.1-8; Js
13.14, 33; 14.3-4).
* 17.10 sê-me por pai. Isto é, num sentido religioso.
* 17.11 como um de seus filhos. O fato que
o levita “consentiu” com o plano proposto demostra sua total insensibilidade à
apostasia. Um oficial do tabernáculo estava servindo a um ídolo.
* 17.13 me fará bem. Essa é uma declaração tola (v. 3, nota; 17.1–18.31, nota), que ilustra ainda mais
como o entendimento estava obscurecido naqueles tempos, rebaixando-se até ao
nível da superstição.
* 18.1 Naqueles dias... àquele dia. Essa expressão repetida (ver também
17.6) indica com sutileza, desde o
próprio início da narrativa, que os danitas estavam fazendo o que era reto aos
seus próprios olhos.
não havia rei em Israel. Ver 17.6, nota.
não lhe havia caído por sorte a
herança. Os danitas
tinham falhado em não conquistar a porção destinada a eles (1.34-36). Estavam violando a aliança.
* 18.2 a espiar... a terra. Estavam imitando os seus
antepassados (Nm 13.2, 12).
* 18.3 reconheceram a voz. Ou seja:
o sotaque distintivo do jovem do sul de Israel (cf. 12.6).
* 18.5 Consulta a Deus. Aparentemente os sacerdotes usavam
uma estola sacerdotal para buscar saber a vontade do Senhor (8.27 e nota).
* 18.6 o caminho que levais está sob as vistas do
SENHOR. A ironia
trágica dessa história – o levita ministrando a ídolos, a confiança absurda de
Mica (17.13) – cancela a validade de semelhante bênção pronunciada por lábios
ímpios.
* 18.7 em paz e confiado. Sua natureza pacífica e indefesa é
ressaltada pela repetição (vs. 10, 27-28).
* 18.9 a terra... é muito boa. Diferentemente dos espias originais
que entraram em Canaã, estes espias trouxeram um bom relatório. A conquista seria fácil, porque o povo de
nada desconfiava, e era pacífico (vs. 7, 10).
* 18.14 uma estola sacerdotal, e ídolos do lar, e uma
imagem de escultura, e uma de fundição. Essa lista inteira (17.5) é repetida três
vezes nos seis versículos que se seguem (vs. 17, 18, 20) e, ainda, é referida
mais duas vezes de modo mais geral (vs. 27, 30-31).
* 18.16 seiscentos homens... armados... à entrada. A ação dos danitas foi um tipo de paródia da
conquista da terra iniciada anteriormente sob a liderança de Josué. Vão com a força de números esmagadores contra
um único lar, ao invés de enfrentarem, com a força do Senhor, um inimigo
feroz. Duas vezes é mencionado que os
homens armados ficaram à entrada da porta.
* 18.19 sê-nos por pai e sacerdote. Ver 17.10, nota.
* 18.20 Então, se alegrou o coração do
sacerdote. Ficou feliz
pelo progresso pessoal.
tomou a estola sacerdotal... a
imagem de escultura. O sacerdote
estava para dirigir Dã em falsa adoração, assim como tinha feito na casa de
Mica.
* 18.21
diante de si. Isto é, a fim de
protegê-los de um ataque vindo por detrás.
* 18.24 Como... me perguntais. Mica é uma figura patética, que acredita
que Deus abençoará a “obediência” em qualquer forma que ele optasse por
oferecê-la (17.13).
* 18.27 Levaram eles o que Mica havia feito. Ver v. 14.
um povo em paz e confiado. Os israelitas deviam destruir
somente as sete nações proscritas de Canaã (Dt 7.1). Aos demais povos, deviam primeiramente
oferecer a paz (Dt 20.10-18). Dã não
perguntou quem eram essas pessoas (Js 9.1-27) e pode ter destruído uma
população inocente. Além disso, essa não
era a região que Deus havia apontado à tribo de Dã (Js 19.47).
* 18.30 levantaram para si aquela imagem de
escultura. Isto
exemplifica o comportamento na ausência de um rei, quando todos faziam o que
era reto aos seus próprios olhos (v. 14; 17.6).
Jônatas, filho de Gérson, o filho
de Manassés. Esse foi o
levita que Mica tinha contratado (17.10, 13).
até ao dia. Visto que o v. 31 especifica que o
ídolo de Mica permaneceu em pé enquanto “a casa de Deus esteve em Silo,” o
cativeiro mencionado aqui seria o período de opressão que começou com a vitória
dos filisteus perto de Silo, quando, então, a arca foi removida de lá (1 Sm
4.4, 11). O cativeiro na Babilônia ocorreu muito mais tarde.
* 18.31 a Casa de Deus. Trata-se do tabernáculo, que esteve
em Silo até aos tempos de Samuel (Js 18.1;
1Sm 3.21; 4.3). Isso foi antes do
reinado de Davi. A arca foi levada de Silo para a batalha pelos filhos de Eli,
e foi capturada pelos filisteus (1Sm 4.4-11). Depois disso, a arca nunca mais
esteve em Silo.
* 19.1–21.25 A situação em Israel havia se deteriorado
tanto que alguns entre o povo de Deus comportavam-se como os habitantes de
Sodoma e de Gomorra (Gn 19.1-11). A guerra civil entre as tribos foi o
resultado. Essa história final na conclusão de Juízes declara que a desgraça de
Israel era resultado da falta de um rei (19.1;
21.25; cf. 17.6; 18.1). Foi Benjamim a tribo que pecou. Ainda mais, foram os homens de Gibeá, cidade
natal de Saul, que se comportaram como o povo de Sodoma. A ação de Saul em 1 Sm 11.6-8 forma um
paralelo claro com a profanação que o levita fez da sua concubina (19.29,
nota). Finalmente, Judá, a tribo de
Davi, foi a escolha do Senhor para ser líder contra Benjamim (note a semelhança
da linguagem entre 1.1-2 e 20.18). Os
benjamitas tinham praticamente se tornado cananeus. Ninguém, porém, estava sem culpa no
caso. Cada tribo estava fazendo o que
achava certo (21.25). A conclusão a ser tirada era que havia necessidade de um
rei, proveniente de Judá e não de Benjamim. Davi, e não Saul, teria as qualificações
iniciais. Mas o próprio Davi, sendo um
homem, revelaria ser insuficiente para a tarefa, conforme demonstrariam os
acontecimentos posteriores (2 Sm 12.10, 11).
Somente o Senhor, a quem o povo rejeitara (1Sm 8.7, 8) poderia ser Rei
verdadeiro (8.22, 23).
* 19.1 levita.
Esse homem provinha da tribo cujos homens serviam ao Senhor
como seus sacerdotes.
concubina. Uma concubina era normalmente uma escrava, e
tinha uma condição jurídica inferior a de uma esposa (8.31; 9.18).
* 19.2 aborrecendo-se dele. Ou: “prostituindo-se”. A lei exigia
que os adúlteros fossem apedrejados (Dt 22.22), mas o povo não estava seguindo
a lei (17.6; 21.25).
* 19.10 Jebus... Jerusalém. Ver 1.21 e nota.
* 19.12 Não nos retiraremos a nenhuma cidade
estranha. Ironicamente, não
querem pernoitar com estrangeiros, mas depois descobrem que seus compatriotas
israelitas não são melhores do que Sodoma e Gomorra (19.1–21.25, nota).
Gibeá. Quando o livro dos Juízes foi escrito, Gibeá
devia ser bem conhecida como a cidade natal de Saul (19.1–21.25, nota).
* 19.14–20.48 A história do que aconteceu com o levita em
Gibeá é semelhante à história de Sodoma e Gomorra (Gn 19.1-13). O pecado de Gibeá foi como o de Sodoma e
Gomorra, e os benjamitas foram destruídos pela permissão e ajuda do Senhor
(20.18, 28, 35). Saul provinha de
Benjamim, e não seria de ajuda para ele, nem para seus descendentes, que esses
eventos fossem lembrados.
* 19.15 assentou-se na praça da cidade. Dessa maneira, os viajantes
demonstraram que precisavam de hospitalidade (vs. 16-20).
* 19.16 um homem velho... de Efraim. Foi necessário um outro
“estrangeiro”, de outra geração para lhes dar hospitalidade.
* 19.18 para a Casa do SENHOR. Isto é, para o tabernáculo em Siló (18.31).
* 19.22 Traze para fora o homem. Ver Gn 19.5.
* 19.23 não façais tal loucura. No mínimo, segundo os costumes da
hospitalidade, o hospedeiro não pode contemplar a entrega do seu hóspede à
violência. Na Lei, o ato sexual
envolvido é descrito como “abominação” (Lv 18.22; 20.13).
* 19.24 Minha filha virgem. Assim como Ló ofereceu as suas
filhas para proteger o seu hóspede (Gn 19.8), o hospedeiro oferece a sua filha
para proteger o levita. O autor não
comenta a moralidade dessa oferta, mas a história inteira é apresentada como
uma derradeira ilustração das conseqüências malignas de abandonar o governo de
Deus e fazer o que é certo aos seus próprios olhos.
* 19.28 porém ela não respondeu. Já estava morta.
* 19.29 doze partes. Os leitores originais de Juízes deviam estar
bem cientes de como Saul, posteriormente, cortou bois em doze partes a fim de
conclamar Israel a lutar contra os amonitas (1Sm 11.6-8).
* 19.30 Nunca tal se fez. Trata-se do uso grotesco do cadáver
da mulher.
* 20.1-48 O ataque contra o levita e sua
concubina resultou na guerra civil entre Benjamim e o restante de Israel (cap.
19). As referências à atuação unida de
Israel (vs. 1-2, 8, 11) ressaltam um fato importante: Pela primeira vez no livro dos Juízes, a
nação de Israel ficou unida. Embora a
sua atuação não fosse injusta, é lastimável que só se uniram a fim de castigar
uma das suas próprias tribos (v. 23).
Judá tinha que tomar a liderança contra Benjamim assim como fizera
contra os cananeus (v. 18; 1.1, 2 e notas).
* 20.1 perante o SENHOR em Mispa. Ver 11.11, nota. Saul tornou-se rei em Mispa.
como se fora um só homem. Pela primeira vez, Israel agiu
unido, mas o propósito era guerrear contra seus irmãos.
desde Dã até Berseba. As extremidades do norte e do sul
de Israel.
* 20.2 na congregação do povo de Deus. Depois dos repetidos ciclos de
pecado, do juízo, e do livramento, é uma evidência da misericórdia de Deus que
Israel ainda fosse chamado de o seu povo.
* 20.5 violaram a minha concubina. O levita omite os pormenores de
como a concubina tinha sido oferecida (19.23-24).
* 20.8
como um só homem. Ver vs. 1,
11, e 20.1-48, nota. Os israelitas
prestaram juramento no sentido de levar o caso até às últimas conseqüências.
* 20.13 tiremos de Israel o mal. Os israelitas não percebiam o mal
que permeava a sua própria comunidade.
* 20.16 canhotos. Ver 3.15, nota.
* 20.18 Betel.
Ou "Casa de Deus". A arca do Senhor e o sacerdote
com a estola sacerdotal estavam em Betel nesses tempos (v. 27).
Quem dentre nós subirá, primeiro. Essa é a mesma linguagem empregada no início
de Juízes, quando, então, a questão a ser resolvida era quem comandaria a luta
contra os cananeus (1.1).
Judá. O Senhor deu a mesma resposta que
em 1.2, mas numa situação diferente.
* 20.23 consultaram o SENHOR. Ver vs. 18, 27-28; cf. 1Sm 28.6.
Benjamim, nosso irmão. Note como os israelitas agora
acrescentam a palavra “irmão” à sua consulta (v. 18).
* 20.48 passaram a fio de espada. Os
israelitas trataram os benjamitas como os cananeus (1.8, 17). Além disso, o fim dos benjamitas foi como o
dos habitantes de Sodoma (19.14–20.48, nota).
* 21.1-25 As ações de Israel nesse episódio
final do livro devem ser interpretadas à luz do comentário final: “Naqueles dias não havia rei em Israel: cada um fazia o que achava mais reto” (v.
25). Os israelitas queriam saber por que esse triste fim lhes sobreviera (vs.
3, 15, 6.13, nota). Assim como no caso de Gideão (6.13), não foi dada nenhuma
resposta. Entretanto o contexto global do livro oferece a resposta clara de que
Israel tinha pecado, e continuava a pecar horrivelmente.
* 21.8 Jabes-Gileade. O
primeiro ato de Saul como rei foi defender Jabes-Gileade. Visto que era um
benjamita proveniente de Gibeá, Saul pode ter sido descendente de uma das mulheres
tiradas de Jabes-Gileade (v. 12).
* 21.15 o SENHOR tinha feito brecha nas tribos de
Israel. Assim fez
Deus para castigar os benjamitas pelo seu pecado.
* 21.19-23 A degeneração de Israel agora
estava tão completa que até mesmo propuseram e permitiram o sequestro das suas
próprias mulheres para evitar a violação de um voto precipitado. A nação de fato agia irrefreadamente, segundo
suas próprias inclinações pecaminosas (v. 25; cf. 17.6).
* 21.25 Naqueles dias. Embora a única esperança de Israel
dependesse da lealdade ao seu Rei divino, a nação preferiu satisfazer-se com
uma monarquia humana (1 Sm 8.7, 22), que inevitavelmente iria fracassar.
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