*          1.1–2.5            Essa introdução a Juízes, em que o cumprimento da aliança é expressado na expropriação e destruição dos cananeus, levanta a questão da liderança para a luta contra eles (v. 1).  São narrados os sucessos e fracassos das várias tribos, quanto a guardarem a aliança, e o juízo divino contra Israel pelo seu fracasso pactual de permitir que os cananeus habitassem na terra (cf. Dt 7.1-2; 20.16-20).  O espaço e os pormenores dedicados aos sucessos de Judá (vs. 3-20) formam um nítido contraste com os relatos breves dos fracassos das demais tribos (vs. 21-36), embora a casa de José seja tratada de modo positivo (vs. 22-26).

 

*          1.1       Depois.  O livro de Josué começa de modo semelhante:  “Depois da morte de Moisés” (Js 1.1).

 

Quem. Os israelitas fazem uma pergunta quase idêntica no fim do livro – “Quem dentre nós subirá primeiro a pelejar contra Benjamim?” (20.18). Deus escolheu Judá. Davi e seus herdeiros nasceriam dessa tribo.

 

cananeus.  Os cananeus formavam um dos vários grupos que habitavam na terra de Canaã.  Os israelitas foram ordenados a aniquilá-los (Dt 7.1-2; 20.16-20), e a questão de se conseguiriam obedecer aos termos da aliança ocupará a totalidade dessa seção introdutória.

 

*          1.8       espada.  Judá obedeceu à aliança,  destruindo sem misericórdia os habitantes (Dt 7.1-2; 20.16-20).  Judá não ocupou Jerusalém nessa ocasião (v. 21).

 

*          1.10-15  Esses versículos, que descrevem as vitórias de Calebe e de Otniel, são citados de Js 15.13-19.

 

*          1.12     Calebe.  Calebe, embora fosse, de descendência, quenezeu (Gn 15.19; Nm 32.12), era contado como membro da tribo de Judá.  Representou Judá quando os espias foram enviados a Canaã (Nm 13.6).

 

*          1.13     Otniel... o irmão de Calebe, mais novo do que ele.  Ver Js 15.17-19.  Jz 1.12-15 fornece o único retrato que temos desse primeiro juiz. 

 

*          1.19     Esteve o SENHOR com Judá.  Deus cumpriu sua promessa segundo a aliança (v. 2). Com a exceção da casa de José, o escritor trata resumidamente acerca das demais tribos, e descreve como tendo sido fracassadas as suas tentativas de colonizar a terra (1.27-36, nota).

 

carros de ferro.  Esses carros, com suas rodas de madeira revestidas de ferro, eram armas poderosas, especialmente nas planícies.  Com efeito, Judá é desculpada por não ter conseguido desalojar os cananeus.

 

*          1.20     Calebe.  Calebe, da tribo de Judá, é um exemplo de fidelidade à aliança.  Em Dt 1.35-36, Calebe é recompensado pela sua obediência à aliança, obediência esta que provém da fé na promessa de Deus.

 

*          1.21     filhos de Benjamim.  O escritor especifica que Benjamim, a tribo de Saul, não fez uma conquista final de Jerusalém.  De acordo com Josué 15.63, a tribo de Judá também falhou em expulsar os jebuseus de Jerusalém. A cidade ficava na fronteira entre as duas tribos.  A conquista completa de Jerusalém ficou para Davi realizar (2Sm 5.7).

 

*          1.22       o SENHOR era com eles.  Além de Judá (v. 19), é somente a respeito da casa de José que está escrito que “o SENHOR era com eles.”

 

*          1.27-36           Judá, Benjamim, e José já foram mencionados.  As falhas das demais tribos são apresentadas resumidamente, em forma de esboço.

 

*          1.34     filhos de Dã.  Ver caps. 17 – 18.

 

*          2.1-5  Esse trecho passa em revista o capítulo anterior e,  assim como 2.20 – 3.6, fornece o pano de fundo para a narrativa que se segue. A aliança foi feita entre Deus e “vossos pais”;  são as duas partes pactuais.  As condições da aliança proíbem tratados com os cananeus ou a mistura do culto com a religião deles.  A inobservância dessas exigências provocou o castigo do pacto sobre Israel (Dt caps. 28 – 31).

 

*          2.1       o Anjo do SENHOR.  Uma teofania, ou seja:  uma revelação visível de Deus.  Ver 6.11-24;  13.2-23.  As palavras do mensageiro preeminente de Deus (6.11-24;  Êx 3.1-17) são as palavras do próprio Senhor.  O Anjo do Senhor levou Israel para fora do cativeiro no Egito e lutou em favor dos israelitas (Êx 14.19;  23.20-23;  33.2;  Nm 20.16;  Is 63.9).

 

Gilgal.  A arca da aliança estava em Gilgal (Js 5.1-12).

 

Do Egito vos fiz subir. Os Dez Mandamentos começam com a mesma declaração (Êx 20.2; Dt 5.6), o que nos relembra que a história daquilo que Deus tem feito está ligada com os seus mandamentos.  O Deus Soberano que promulga a aliança identifica-se como o Benfeitor do seu povo.

 

e vos trouxe à terra, que, sob juramento, havia prometido. Deus cumpriu o seu juramento (Js 23.3-16).  A diferença principal entre Deus e o seu povo é que Deus cumpre seu voto enquanto o povo quebra o seu.

 

nunca invalidarei a minha aliança.  Ver Dt 7.9.

 

*          2.2       derribareis os seus altares.  A idolatria é considerada como o principal, o ato típico de violação à aliança (v. 11;  Êx 34.13;  Nm 33.52;  Dt 7.5;  12.3; Js 23.16).

 

não obedecestes.  Israel celebrou casamentos com os habitantes da terra (3.5-6) e não derrubou os altares destes (6.25-32).  Não era possível expulsar os cananeus por causa do pecado de Israel.

 

*          2.3       adversários... laços.  Os casamentos mistos com os cananeus, bem como todos os demais relacionamentos com eles, tinham sido proibidos porque semelhantes contatos levariam à idolatria (Êx 34.12; Nm 33.55; Dt 7.16; Js 23.12-13).  Por ter desobedecido às condições da aliança, Israel sofreria o que Canaã sofrera:  a remoção da terra (Nm 33.56; Js 23.13; 2Rs 17.5-8; 25.1-11).

 

*          2.6-10            Essa seção, excetuando-se o v. 10, tem estreita semelhança com Js 24.28-31 e introduz o padrão para os ciclos dos juízes que se seguem.

 

*          2.6       Havendo Josué.  Ver 1.1;  Introdução:  Data e Ocasião.

 

*          2.7       Serviu o povo ao SENHOR.  Ver Js 24.16-18, 21-22, 31.  A obediênca à aliança levou a bênções na terra para aquela geração. 

 

viram todas as grandes obras.  Ver v. 10;  Dt 4.9;  6.22;  7.19;  11.2-7; Js 23.3.

 

*          2.10     que não conhecia ao SENHOR, nem tão pouco as obras que fizera a Israel.  Uma geração devia declarar as maravilhas de Deus à geração seguinte (Dt 4.9; 6.1-6).  Salmistas posteriores as louvam (Sl 44.1-3; 78.2-8).  Se o povo de Deus soubesse o que ele tinha feito, obedeceria aos mandamentos da aliança. Mas os líderes – os chefes de famílias, os sacerdotes e os juízes – não guardaram a aliança nem contaram à geração seguinte a respeito dos atos poderosos de Deus.

 

*          2.11-19           Esses versículos oferecem o padrão a ser seguido nos caps. 3 – 16.  Demonstram a soberania de Deus na história, enquanto ele executa os juízos da aliança.  Foi ele quem vendeu o seu povo e lutou contra ele, e foi também ele que suscitou os juízes para livrá-lo.  A idolatria foi o pecado pelo qual Deus castigou a Israel.  O conteúdo dos vs. 11-19 é elaborado em 1Sm 12.9-11 e Sl 106.34-46.

 

*          2.11     fizeram... o que era mau.  Esse refrão ocorre em 2.11; 3.7, 12;  4.1;  6.1;  10.6;  13.1.

 

serviram aos baalins.  A iniqüidade de Israel chega ao cúmulo na sua adoração aos falsos deuses (v. 2 nota).  Os israelitas escolheram Baal, o deus cananeu da tempestade, e rejeitaram o Senhor que os fez passar pelo Mar Vermelho e que era o verdadeiro Senhor da tempestade.  “baalins” está no plural porque Baal era adorado de modo diferente em cada localidade cananéia. 

 

*          Astarote.  Lit. "Astarotes". No plural feminino.  Eram as deusas da fertilidade no panteão cananeu.

 

*          2.14.  e os entregou.  Ver Dt 28.48;  1Sm 12.9.  Os inimigos e opressores de Israel não tinham poder sobre o povo de Deus a não ser que ele assim permitisse. A conquista por Israel agora é revertida, à medida que povos de fora de Canaã (arameus, moabitas, midianitas, amalequitas, e filisteus) oprimem os israelitas, os novos habitantes da terra (3.8-12; 4.2; 6.1; 10.7; 13.1).

 

*          2.15     a mão do SENHOR era contra eles.  A mão do Senhor estava associada com o poder salvífico de Deus (Êx 3.20;  6.1;  13.3; Dt 4.34).  Agora, a mesma mão estava virada contra os israelitas, em castigo. O Senhor era fiel tanto para abençoar quanto para julgar.  Quando Deus livra os seus, ele os livra dos inimigos como um ato de graça.  É o seu próprio juízo que permite aqueles inimigos prevalecerem, e ao livrar os seus, ele tem que desviar esse juízo.

 

*          2.16       juízes.  O papel dos juízes era primariamente livrar a nação dos seus inimigos (3.9, 15;  1Sm 12.11).

 

*          2.17     se prostituíram.  Tendo em vista que o acordo segundo a aliança pode ser comparado com o casamento, a prostituição é uma metáfora padronizada para a infidelidade e a desobediência (8.33;  Dt 31.16;  o Livro de Oséias).

 

*          2.18     se compadecia.  Os gemidos do povo comoviam o seu Deus (Êx 2.24; 6.5).

 

*          2.19     nada deixavam.  Nem os juízes (v. 17) nem a lembrança de como tinham sido livrados bastavam para levar o povo a guardar a aliança (v. 10).

 

*          2.23     deixou ficar aquelas nações.  Ver Dt 7.22-23;  Js 13.1-7.  Assim fica explicado por que ainda havia cananeus durante o período em que Israel tinha sido fiel (vs. 6-9).  Os vs. 20-22 e 3.1-4 fornecem mais uma razão para Deus ter deixado ficar os cananeus: testar o coração do povo.

 

*          3.1       não sabiam.  Ver 2.10.  Mesmo o juízo divino era acompanhado pela sua graça. A provação era uma oportunidade para a geração que não tinha visto o Senhor operar em seu favor exercer a fé e ver com seus próprios olhos o seu poder (v. 2).

 

*          3.3       filisteus, e todos os cananeus, e sidônios, e heveus.  Os cananeus e os heveus deveriam ser totalmente destruídos (1.1).  Davi os derrotou ou destruiu.

 

*          3.5       no meio dos cananeus... jebuseus.  Todas essas eram nações condenadas à destruição (1.1).  Israel violou a aliança por habitar entre elas ao invés de destruí-las.

 

*          3.6       tomaram de suas filhas.  Isso teve o efeito de levar os israelitas à idolatria. O resultado de fazer alianças com os cananeus ao invés de destruir a sua população é explicado repetidas vezes nos ciclos de narrativas que se seguem (2.2).  Fica claro que o povo se importava mais com as alianças com seus vizinhos pagãos do que com sua aliança com Deus.

 

*          3.7       aos baalins e ao poste-ídolo.  Ver 2.11, 13 e notas.

 

*          3.9       Otniel.  Ver 1.13, nota.  É ressaltada a posição de destaque da tribo de Judá em Israel, posto que o primeiro juiz provinha dessa tribo, e foi o único juiz sem nenhuma falha explícita em guardar a aliança.  O sucesso de Judá promove Davi, que foi descendente dessa tribo.   

 

*          3.10     o Espírito do SENHOR.  O Espírito é mencionado também em conexão com Gideão, com Jefté e com Sansão.  Pelo dom do Espírito, os juízes eram revestidos de poder para libertar o povo (6.34;  11.29;  13.35; 14.6, 19; 15.14).

 

e ele julgou a Israel.  Isso significa que lutou em favor de Israel e libertou o povo.  Ver Introdução:  Título.

 

*          3.11   a terra ficou em paz durante quarenta anos.  Embora o padrão em 2.11-19 não mencione a duração dos períodos de paz, as próprias narrativas terminam com um comentário a respeito da paz ou da falta dela (v. 30;  5.31;  8.28;  12.7;  15.20; 16.31).

 

*          3.12-30           A história de Eúde humilha o opressor do povo de Deus.

 

*          3.12       Ver 2.11, nota.

 

Eglom, rei dos moabitas.  O Senhor fortaleceu o rei pagão para ser usado como seu instrumento de juízo.

 

*          3.15     canhoto.  Lit. “com sua mão direita restringida.” Essa não é a palavra hebraica usual para significar “canhoto.” É empregada de novo somente em 20.16, também no tocante a homens de Benjamim.  “Benjamim” pode ser traduzido como “filho da mão direita,” e é possível que o escritor esteja fazendo um jogo de palavras com referência a um filho canhoto da mão direita.

 

*          3.20       Tenho a dizer-te uma palavra de Deus.  A mensagem secreta mencionada no v. 19 revela ser uma mensagem divina.  Não se tratava de uma palavra falsa, mas da genuína palavra de Deus operando contra a mesma vara levantada por Deus para castigar o seu povo (v. 12, nota). Eglom tinha sido útil como uma ferramenta da ira de Deus contra Israel, mas agora essa ira volta-se contra o mesmo rei.

 

*          3.28     o SENHOR entregou.  Cada um dos principais juízes, menos Otniel, verbalmente reconhece o controle de Deus na vitória de Israel (4.14; 7.15; 11.21-30; 15.18; 16.28).

 

*          3.30     em paz oitenta anos.  Ver v. 11, nota.

 

*          3.31     Sangar, filho de Anate.  Sangar é mencionado somente aqui e no cântico de Débora (5.6).  Tendo em vista que Anate era uma deusa cananéia de guerra, talvez “filho de Anate” tenha sido um apelido de herói de guerra.

 

seiscentos... com uma aguilhada de bois. Sansão matou mil filisteus com uma queixada de jumento (15.15-17).

 

*          4.2       Jabim.  Esse Jabim é descendente do Jabim mencionado em Js 11.1-9.

 

*          4.4       Débora, profetisa, mulher de Lapidote.  Lit. “uma mulher, uma profetisa, a mulher de Lapidote.” A ênfase está no fato de uma mulher ser líder em Israel.  Débora, uma profetisa, é mencionada na altura da narrativa em que é geralmente o libertador que é mencionado (6.8, nota).

 

*          4.5       atendia... a juízo.  Ou seja:  era magistrado, promulgando decisões jurídicas.

 

*          4.6       monte Tabor.  Era uma colina redonda que ocupava uma posição isolada no lado norte da planície no vale de Jezreel. 

 

*          4.7       ribeiro Quisom.  O ribeiro Quisom ficava ao sopé do monte Tabor, e estava virtualmente seco durante boa parte do ano (v. 15, nota). 

 

*          4.8       Se fores comigo.  Baraque estava pedindo que Débora arriscasse sua vida para verificar a veracidade das palavras dela, e também estava pedindo a uma mulher que fizesse aquilo que ele mesmo fora designado para fazer.  Do ponto de vista dele, a missão era suicida, já que o monte Tabor era tão exposto que facilmente poderia ser cercado pelos carros de Sísera, sendo impedida qualquer via de escape.  A fé de Baraque não era suficiente para enfrentar esse perigo. 

 

*          4.9       não será tua a honra.  Baraque foi castigado por ter duvidado (v.8).

 

pois às mãos de uma mulher o SENHOR entregará a Sísera.  O inimigo não será entregue a Baraque, mas a uma mulher.  De conformidade com o plano de Deus, Jael (v. 17) terá sucesso onde Baraque, devido à falta de fé, fracassará (vs. 18-22). 

 

*          4.10     a Zebulom e a Naftali.  Ver 5.13-18.

 

*          4.13     o ribeiro Quisom.  Ver vs. 7, 15.

 

*          4.14     o SENHOR entregou a Sísera.  Débora confirma a sua palavra da parte do Senhor (v. 7).

 

*          4.15     o SENHOR derrotou.  O cântico de Débora nos dá a entender que o Senhor enviou chuvas que provocaram inundações repentinas imobilizando os carros de guerra inimigos.

 

*          4.18-21           Ver o relato poético em 5.24-27.

 

*          4.21     cravou a estaca.  Nenhum motivo é citado para a ação de Jael.  Uma mulher matou Sísera, e assim a palavra do Senhor a Baraque foi cumprida (v. 9).  As mulheres não eram normalmente guerreiras, e era considerado vergonhoso morrer às mãos de uma mulher (9.53-54). 

 

*          5.1-32              “O Cântico de Débora” é famoso por sua antigüidade e pela sua notável qualidade literária.

 

*          5.2       os chefes se puseram à frente em Israel.  A liderança é um tema principal em Juízes.

 

*          5.4       de Seir... desde o campo de Edom.  O monte Seir era a cordilheira principal que passava por Edom, o ponto de partida de Israel para as batalhas de conquista (Dt 33.2).  Deus é retratado como o grande Guerreiro indo à frente do seu povo.

 

*          5.4, 5   a terra estremeceu... diante do SENHOR.  Deus é retratado como um guerreiro que emprega os elementos criados como armas.  O retrato de Deus dominando a tempestade é duplamente apropriado:  ao derrotar Sísera mediante um aguaceiro (v. 20) Deus refuta a alegação de Baal de ser este o senhor das tempestades.

 

*          5.6, 7   cessaram as caravanas. A liderança fracassada de Israel tinha resultado no caos e no domínio por estrangeiros. Não era como nos dias em que Deus tinha sido o guerreiro indo adiante de Israel (vs. 4-5).  As caravanas já não passavam pelas estradas, pois essas eram inviáveis por causa dos opressores estrangeiros e dos salteadores. Ninguém oferecia proteção. 

 

*          5.7       mãe em Israel.  Os príncipes não queriam assumir a liderança (subentendido no v. 2), mas uma mulher foi suscitada para conduzir Israel.  Contrastar esse “mãe em Israel” com a desesperançosa mãe de Sísera (v. 28).

 

*          5.8       Escolheram-se deuses novos, então a guerra estava às portas.  Essa é uma representação poética do ciclo do pecado e do castigo (2.11-19).  A idolatria traz sofrimento à cidade. 

 

*          5.9       se ofereceram.  Mais adiante no cântico, há uma comparação muito pungente entre os que foram voluntários para a luta e aqueles que, por algum motivo, se recusaram (v. 13-23). 

 

*          5.10     cavalgais jumentas brancas.  Jumentas eram cavalgadas pela nobreza;  o cântico é dirigido aos chefes mencionados nos vs. 2, 9.

 

*          5.11     atos de justiça do SENHOR.  Esses atos de justica do Senhor são sua intervenção e a derrota dos inimigos do seu povo.  São estes os seus julgamentos na terra (cf. Ap 15.4). 

 

*          5.15     grande discussão.  A falta da participação de Rúben, Gileade, Dã e Aser (v. 17) demonstra que Israel não estava unido. 

 

*          5.20     pelejaram as estrelas.  A participação dos céus significa que Deus estava intervindo, lutando como o Guerreiro divino do céu.  Historicamente, esse texto tem sido interpretado como sendo fundamento bíblico para a astrologia, mas isso distorce o significado da passagem.

 

*          5.23  Meroz.  Uma cidade de localização incerta.

 

*          5.24-27           Essa seção do cântico forma um paralelo estreito com a narrativa de 4.18-22.

 

*          5.32     em paz quarenta anos.  A terminação padronizada liga o cântico de Débora e Baraque com o cap. 4 (cf. 2.19; 3.11). 

 

*          6.1 – 8.32   Gideão foi o maior dos juízes.  Os seguintes fatos confirmam esse conceito.  (a)  Sua história é a mais longa no livro.  (b)  O Senhor está mais visivelmente ativo nessa história do que em qualquer das demais.  (c)  O Anjo do Senhor apareceu a ele, mas a nenhum outro juiz (vs. 11-24).  (d)  Séculos mais tarde, Isaías relembra a derrota de Midiã por Gideão como uma grandiosa vitória (Is 9.4; 10.26).  (e)  É alistado em primeiro lugar na lista de libertadores em Samuel (“Jerubaal,” 1Sm 12.11).  (f)  É colocado em paralelo com Moisés (6.11-24, nota).  (g)  O povo procurou fazê-lo rei  (8.22-23).  (h)  Vivia como rei (8.26-27, 30, 32).  Apesar de tudo isso, porém, Gideão fracassou gravemente em um aspecto.  Gideão fez uma estola sacerdotal de ouro, e esta induziu ele e outros ao pecado (8.27).  Na sua grandeza e na sua deficiência, Gideão prenunciou a necessidade de um libertador melhor, de um rei que realmente guardaria a aliança.  Dessa maneira, ele aponta para Cristo.

 

*          6.2       o domínio dos midianitas.  Nenhuma das outras histórias em Juízes dedica tanta atenção aos pormenores da opressão quanto esta.  Lares, colheitas, e gado ficaram sujeitos à maldição da aliança (Dt 28.30-33, 38-42).  A opressão midianita era tão grande que Isaías a mencionou séculos mais tarde (Is 9.4; 10.26). 

 

*          6.6       ficou muito debilitado.  Lit. “feito pequeno.”  A maldição da aliança foi uma inversão da promessa de Deus a Abraão (Gn 15.5; 22.17;  Dt 28.62;  Sl 107.38-39).

 

clamavam.  Ver 2.19;  3.9.

 

*          6.8       um profeta.  Os profetas constantemente lembraram o povo de suas obrigações pactuais.  As palavras desse profeta cujo nome não foi citado (vs. 8-10)  são virtualmente idênticas às palavras do Anjo do Senhor em 2.1-3.

 

*          6.8, 9  vos fiz subir... e vos livrei... e os expulsei... e vos dei.  Lembrar-se desses atos salvíficos de Deus é o primeiro passo para guardar a aliança.  Em Israel, a apostasia religiosa estava ligada ao esquecimento dos atos salvíficos de Deus, e da sua lei.

 

*          6.11-24           Esse é o âmago da narrativa de Gideão.  Sua chamada é semelhante à chamada de Moisés (Êx 3);  ele faz a pergunta que é pivotal na mensagem do livro (v. 13);  e sua busca pela fé começa com sinais (6.1—8.32, nota).  A necessidade e a busca de um libertador que cumpra a aliança, tal como o profeta Moisés, é o enfoque de Juízes.

 

*          6.11     veio o Anjo do SENHOR.  Ver 2.1; 13.3.

 

*          6.13     por que.  Essa pergunta é crucial no livro de Juízes.  O Anjo não respondeu à pergunta, pois o profeta já dera a resposta (vs. 8-10;  Dt 28.47-52; 29.24-27;  31.17-18).  Alguns dos salmos postulam uma pergunta semelhante (Sl 44.20; 74.9-11).

 

*          6.14     Vai nessa tua força.  Ver v. 34;  7.2, 7.  Deus seria a sua força, embora Gideão ainda não o soubesse. 

 

*          6.15  a mais pobre.  Saul, quando lhe perguntaram a respeito do reinado, empregou palavras semelhantes (1Sm 9.21). 

 

*          6.22     vi... face.  Ver 13.22;  Dt 5.24; Is 6.5;  1Tm 6.16.

 

*          6.25-32           Esse episódio na vida de Gideão explica como ele veio a ser chamado Jerubaal.  A idolatria do seu pai imediato é trágica, à luz daquilo que Gideão diz a respeito de “nossos pais” no v. 13. 

 

*          6.25, 26           derriba o altar.  Ver Dt 12.3.

 

*          6.26     em camadas de pedra.  De conformidade com as disposições da Lei de Moisés.

 

*          6.31     Se é deus.  Ver 10.14.

 

*          6.33-40           Gideão quis reforçar sua confiança ao pedir sinais (v. 17), e o Senhor não os negou a ele (cf. Lc 1.18-20).

 

*          6.34     Espírito do SENHOR.  Ver 3.10 e nota;  11.29;  13.25; 14.6, 19;  15.14.

 

*          6.36     Se hás de livrar.  Embora o Espírito tinha vindo sobre Gideão, este ainda lutava com sua fé (6.27, nota).

 

*          7.1-8   A redução drástica das tropas demonstrou o poder de Deus para salvar Israel, e lhe trouxe glória.  Serviu também de desafio a Gideão e encorajou Israel a confiar nele.

 

*          7.17     Olhai para mim.  Essas palavras são semelhantes àquelas de Abimeleque, filho de Gideão (9.48-49).

 

*          7.23 – 8.21.  A falta de união em Israel fica aparente nas dificuldades entre Gideão, Efraim, Sucote, e Penuel. 

 

*          7.25     na penha de Orebe.  Ver Is 10.26.

 

*          8.1-3  O conflito aqui entre Efraim e Gideão é semelhante ao conflito entre Efraim e Jefté;  ver 12.1-6.

 

*          8.4-21             Gideão tem problemas com os homens de Sucote e de Penuel, e acaba castigando os dois grupos por não lhe terem ajudado na perseguição dos líderes midianitas.

 

*          8.22     Domina sobre nós.  Gideão foi um juiz tão notável que o povo queria torná-lo rei. 

 

*          8.23     o SENHOR vos dominará.  Esse versículo, assim como 1Sm 8.7-9, demonstra que o reinado em Israel foi um erro.  Mesmo assim, Juízes demonstra que se tornara necessário. Sem rei, a sociedade desintegrava-se (21.25). 

 

*          8.24     dai-me... as argolas.  Embora Gideão rejeitasse o reino, agia como rei (v. 30 e 31).

 

*          8.27     estola sacerdotal.  A estola sacerdotal genuína do sumo sacerdote era usada para buscar a vontade do Senhor (1Sm 23.9-11; 30.7,8).

 

se prostituiu.  Gideão, o maior dos juízes até Samuel, deu ao povo ocasião para pecar (2.17 e notas).

 

um laço a Gideão e à sua casa.  O pai de Gideão tinha sido idólatra (6.25), e agora Gideão caiu no mesmo pecado. 

 

*          8.31     Abimeleque.  Gideão dá ao filho da sua concubina o nome de “Abimeleque” (“meu pai é rei”), apesar de Gideão ter alegado não querer ser rei.  Ver vs. 23, 24.

 

*          8.33 – 9.57  A história de Abimeleque demonstra o desastre que o tipo errado de rei podia vir a ser.  Abimeleque era um antilibertador, um opressor do povo, e um violador da aliança.  Sua história suscita a pergunta de quem deve ser rei (9.2, 8-20, 28, 29). Tendo em vista essa pergunta, é significante que Abimeleque e Saul se assemelhem em aspectos importantes (9.23, nota;  9.54, nota).  Assim fica subentendido que Saul era o mesmo tipo de rei que Abimeleque.  A mensagem aos leitores de Juízes era que não deveriam querer que Isbosete, filho de Saul, fosse o seu rei, assim como Israel não tinha desejado Abimeleque, filho de Gideão.

 

*          8.33     Baal-Berite.  Lit. “Baal (senhor) da aliança.” Esse deus era uma imitação falsa do Deus que realmente era o Senhor da aliança.  Ver 9.4, nota.

 

*          8.34     não se lembraram.  Lembrar-se de Deus e das suas obras salvíficas é o primeiro passo na obediência à aliança (2.10, nota).

 

*          8.35     nem usaram de benevolência.  Ver 9.5, 16-19.

 

*          9.1       Abimeleque.  Ver 8.31, nota.

 

*          9.4       Baal-Berite.  Ver notas no v. 46;  8.33.  O templo de Baal-Berite pagava o salário dos que oprimiam Israel nos tempos de Abimeleque.

 

*          9.5  sobre uma pedra.  Esses homens, com efeito, foram sacrificados a Baal-Berite (v. 53, nota). 

 

*          9.7       monte Gerizim.  O monte da bênção (Dt 27.12) foi usado para uma maldição.  Essa inversão ressalta o tema que permeia a história de Abimeleque (8.33– 9.57, nota).

 

*          9.14     espinheiro.  O reinado de Abimeleque, produto da idolatria (v. 4), seria um espinho para Israel (2.3, nota).

 

*          9.20     saia fogo.  A maldição de Jotão é cumprida nos vs. 45-52.

 

*          9.23     um espírito de aversão.  O paralelo histórico com Saul é significante.  Tanto Abimeleque quanto Saul receberam um espírito mau para vir contra eles quando começaram a perder os seus respectivos reinos (1 Sm 16.14).  Essa é a primeira mênção da ação direta de Deus na história de Abimeleque.

 

*          9.26     Gaal.  Gaal é outro “Abimeleque,” um irmão perdido que reivindica o direito de reinar tendo por base sua ascendência.

 

*          9.28     Quem é Abimeleque.  Note o discurso semelhante no v. 2, também pronunciado em Siquém.

 

*          9.45     e a semeou de sal.  Isso a arruinaria para a agricultura. 

 

*          9.46     El-Berite.  Lit. “deus da aliança.” El era o pai dos deuses no panteão cananeu.  Esse era possivelmente o mesmo templo que aquele mencionado em 9.4, que fornecia dinheiro a Abimeleque.  Agora, ele voltou para destruí-lo.

 

*          9.48     fazei-o também vós.  As palavras de Abimeleque, ao comandar seus homens, assemelham-se àquelas do seu pai (7.17).

 

*          9.49     e queimaram.  Assim foi cumprida a maldição de Jotão (v. 20).

 

*          9.53     uma pedra superior de moinho.  Uma pedra figurou de modo destacado na morte de Abimeleque, assim como figurara no assassinato de todos os seus irmãos (9.5, nota).

 

*          9.54     Desembainha a tua espada, e mata-me.  Assim como Saul (1Sm 31.4), Abimeleque quis manter o seu orgulho até a morte. Esse incidente, assim como a presença de um espírito mau da parte de Deus (9.23 e nota), ressalta uma grande semelhança entre Saul e Abimeleque. 

 

Mulher o matou.  Teve que compartilhar com Sísera esta indignidade (4.9).

 

*          9.56     Assim, Deus fez tornar.  Deus não fica muito visível nessa narrativa (9.23, nota).  Mas ele levou Abimeleque ao juízo.

 

*          10.1-5  Dois juízes, Tola e Jair, são apresentados com poucos pormenores.  Quatro outros juízes menores são descritos de modo semelhante (3.31; 12.8-15).

 

*          10.1     Tola.  Tola é mencionado somente aqui nas Escrituras.

 

*          10.3  Jair.   Assim como Tola, Jair não é mencionado em nenhuma outra parte da Bíblia.

 

*          10.4     que cavalgavam trinta jumentos.  Trinta filhos, trinta jumentos, e o controle de trinta cidades indica grandes riquezas e poder (5.10). 

 

*          10.6 – 12.7  Cf. 1Sm 12.11. A lista dos ídolos seguidos (10.6)  e o caos interno de Israel,  tornaram-se ainda maiores (12.1-7). Jefté introduziu somente seis anos de paz (12.7) ao invés de uma geração inteira de paz (3.11, 30;  5.31;  8.28). Finalmente, de modo precipitado e pecaminoso, Jefté sacrificou sua filha (11.30-40, nota). 

            Muitos aspectos de Jefté relembram Gideão, Abimeleque, ou Saul.  Jefté, assim como Gideão, era “homem valente” (6.12; 11.1).  Os dois homens deixaram os efraimitas zangados por não os terem conclamados a participar de uma batalha (8.1-3;  12.1-6). Jefté e Abimeleque eram igualmente filhos marginalizados, sendo que um nasceu de uma concubina, e o outro de uma prostituta. Os dois reuniram para si bandos de aventureiros (9.4; 11.3). Tanto Jefté quanto Saul foram proclamados líderes em Mispa  (11.11; 1 Sm 10.17).  Os dois enfrentaram os amonitas como seus primeiros adversários (11.12-29; 1Sm 11.1-11). Tanto Jefté quanto Saul fizeram um juramento estulto que tornou-se em uma ameaça para seus primogênitos, e os dois ofereceram um sacrifício ilícito (11.30-40;  1 Sm 13.8-14; 14.24-25).

 

*          10.6     deuses.  Nos relatos anteriores, somente os Baalins e Astarote foram mencionados (2.11, 13;  3.7).  Essa lista mais longa de deuses indica uma descida em parafuso nas violações da aliança perpetradas por Israel.  Ver também os vs. 11-12 e a nota.  Os povos mencionados cercavam Israel nas suas fronteiras.

 

*          10.10-16         Esse é o único relato no livro de Juízes onde Israel não somente clama a Deus, como também deixa de lado os seus ídolos.  Noutras ocasiões eles simplesmente clamaram ao Senhor, e ele os livrou (10.10;  2.19;  3.9).  Deus sabia que o arrependimento era superficial, mas mesmo assim escolheu livrar os seus (cf. Dt 32.15-38).

 

*          10.10  deixamos o nosso Deus e servimos aos baalins.  A mesma linguagem é empregada na acusação contra eles no v. 6.

 

*          10.12  vos oprimiam.  A lista de deuses no v. 6 coincide quase identicamente com a lista das nações opressoras.  Israel rejeitara o Deus que libertara a nação e, além disso, seguia os deuses incompassivos dos seus opressores.

 

*          10.13  não vos livrarei mais.  Ver Dt 8.19-20;  31.16-17; Nm 33.55-56; Js 23.13; Jz 2.3.

 

*          10.14  clamai aos deuses que escolhestes.  Ver Dt 32.37-38.  O mesmo motejo é visto em Jr 2.28; 11.12,13.

 

*          10.15  livra-nos.  O desejo de ser libertado, e não o desejo de servir ao Senhor, foi o verdadeiro motivo do arrependimento de Israel.

 

*          10.17   Mispa.  Ver 11.11;  20.1.

 

*          11.1                 homem valente.  Esse título tinha sido aplicado a Gideão (6.12).

 

filho duma prostituta.  A ascendência de Jefté fez dele um marginalizado (v. 2).

 

*          11.3       homens levianos.  Outra semelhança entre Jefté e Abimeleque acha-se nos seus seguidores (9.4).

 

*          11.9       o SENHOR mos der.  Jefté demonstrou a sua fé de que seria Deus quem lhe daria a vitória.

 

*          11.10  O SENHOR será testemunha.  Os anciãos estavam prestando juramento para confirmar uma aliança.

 

*          11.11    Jefté proferiu todas as suas palavras perante o SENHOR, em Mispa.  A aliança é confirmada diante do Senhor em Mispa.  Anos mais tarde, o povo tornou Saul rei, também diante do Senhor em Mispa (1 Sm 10.17).

 

*          11.12-29           Para o contexto histórico desse conflito, ver Nm 20.14-21; 21.10-35; Dt 2.16—3.11.  Nos tempos de Jefté, os amonitas esperavam que pudessem estender o seu território para dentro de uma região que antigamente lhes pertencera, mas que agora pertencia a Israel havia trezentos anos.  Jefté repudiou as exigências dos amonitas relembrando essa história e demonstrando que os israelitas não tomaram mais do que aquilo que o seu Deus lhes dera e, tendo recebido ordens diretamente dele (Dt 2.18-19), nada tinham roubado de Amom.

 

*          11.12  rei dos filhos de Amom.  Assim como no caso de Saul, o primeiro adversário de Jefté foram os amonitas (1Sm 11.1-11).  Gileade foi a região ameaçada também na história de Saul.

 

*          11.23  o SENHOR, Deus de Israel.  A guerra era considerada uma luta entre os deuses das forças combatentes.  Se Israel ganhou, foi porque o Deus de Israel lhe dera a vitória, e ninguém poderia disputar o resultado (v. 24).  Ver v. 21. 

 

*          11.27  o SENHOR, que é juiz, julgue.  Ver vs. 21, 23.  Jefté declarou que Deus era o Juiz sobre todos os povos e deuses.  Aqui, a palavra é usada num sentido jurídico de promulgar uma decisão, embora Deus também, em última análise, viria a ser libertador (vs. 32-33).  O livro dos Juízes afirma que Deus é o Rei verdadeiro (8.23)  e o Juiz verdadeiro, sendo o único que poderia aliviar as angústias de Israel.

 

*          11.29  Espírito do SENHOR.  Ver 3.10 e nota.

 

*          11.30-40  Jefté derrotou os amonitas, mas no decurso dos seus atos fez um voto precipitado ao Senhor e sacrificou a sua filha como holocausto.  Deus não deveria ser adorado do modo como os pagãos adoravam aos seus deuses, mediante o sacrifício humano (Dt 12.31; 18.10; Sl 106.37-38).  Como libertador, Jefté não mostrou ao povo como guardar a aliança, embora demonstrasse evidência da sua fé (vs. 10-11, 21, 23, 27).  Assim como Jefté, Saul também fez um voto precipitado que acabou se tornando em uma ameaça contra seu próprio filho (1 Sm 14.24-45). 

 

*          11.35  rasgou as suas vestes.  Era o sinal de luto por causa de uma morte.

 

fiz voto.  Embora os votos fossem sagrados (Dt 23.21-23), a ação de Jefté foi errada.  O sacrifício humano era totalmente proibido em Israel (v. 39, nota).  O ato de cumprir um voto pecaminoso é pecado.  Juramentos e votos ilícitos não devem ser feitos ou, se forem feitos, não devem ser cumpridos (cf. Mt 14.1-12). 

 

*          11.36   faze, pois, de mim segundo o teu voto.  Ou seja:  “ofereça-me como sacrifício” (vs. 30-31).

 

*          11.37   chore a minha virgindade.  Isso significa, provavelmente, lamentar porque nunca se casaria nem teria filhos.  (vs. 38, 39).

 

*          11.39   lhe fez segundo o voto.  O fato fica claro, embora seja expressado de modo delicado.  Jefté sacrificou a sua filha como holocausto.  É observado que ela era virgem, mas esse não era o conteúdo do voto.  O sacrifício humano era pecado, uma imitação da prática pagã (11.30-40, nota;  Dt 12.31;  Sl 106.38).

 

*          12.1-7             Essa narrativa, que segue imediatamente após o sacrifício da filha de Jefté (11.30-40), dá a entender que a luta entre Jefté e Efraim, bem como seu período abreviado como juiz (v. 7) foram o castigo divino contra ele por ter sacrificado a sua filha.  O Sl 78 (especialmente vs. 9-11, 67) reflete sobre a recusa de Efraim de entrar na luta, e explica a rejeição divina de Efraim como líder de Israel.  Judá, a tribo de Davi, e não Efraim, conduziria Israel (Sl 78.68-72).

 

*          12.1 homens de Efraim.  Assim como Gideão, Jefté teve problemas com Efraim (8.1-5);  diferentemente de Gideão, deixou resultar em guerra civil.  Havia lastimável falta de união em Israel. 

 

Por que.  Ver em 8.1 uma pergunta quase idêntica postulada a Gideão.

 

*          12.4     no meio de Efraim e Manassés.  Os gileaditas descendiam de José, da mesma forma que Efraim e Manassés.

 

*          12.5     os vaus do Jordão.  Gileade estava ao leste do Jordão, e Efraim ao oeste.

 

*          12.6       chibolete... sibolete.  Os efraimitas podiam ser reconhecidos pela maneira de pronunciarem certas palavras no seu dialeto.

 

*          12.7     Jefté... julgou a Israel seis anos.  Os juízes anteriores ficavam na liderança durante quarenta ou oitenta anos, e a paz durava uma ou duas gerações.  O governo abreviado de Jefté, o aumento do número de deuses sendo adorados, e a guerra civil com Efraim contribuem para a decadência moral cada vez maior de Israel.

 

*          12.8-15           Ibsã, Elom e Abdom são mencionados resumidamente (10.1-5, nota).  Nada mais se sabe acerca desses homens.  Elevam a doze o número total de juízes mencionados no livro dos Juízes.

 

*          12.14   setenta jumentos.  Abdom tinha poderes e riquezas virtualmente como uma realeza (10.4). 

 

*          13.1—16.31    A história de Sansão é a última nos ciclos dos juízes.  Seu futuro era grandemente promissor.  Era nazireu desde o ventre materno, e seu nascimento foi uma dádiva sobrenatural aos pais estéreis;  assim como o grande juiz Gideão, o Anjo do Senhor apareceu no seu chamamento; diferentemente de qualquer outro juiz, seu chamado ocorreu desde o ventre materno;  e mais do que qualquer outro juiz, experienciou o poder do Espírito vindo sobre ele (13.25; 14.6, 19; 15.14). Mesmo assim, de todos os juízes, Sansão foi o mais claramente sem comprimisso. Tendo assumido o voto do nazireado (13.4-5, 7, 14;  16.17;  Nm 6.1-21), só observou o aspecto de não cortar os cabelos.  Repetidas vezes violou a aliança de Deus e o seu voto ao procurar esposas estrangeiras, deitar-se com prostitutas, tocar em coisas mortas, e beber vinho.  Não demonstrou interesse em libertar Israel. A forma do seu chamamento e  as circunstâncias do seu nascimento e da sua vida só ressaltam a tragédia da sua vida e enfatizam até quais profundezas Israel se rebaixara. Mas Deus o suscitara para livrar Israel dos filisteus (v. 5), e ele aproveitou até mesmo os pecados de Sansão como ocasião contra eles (14.4).

            Sansão não era como Gideão, nem como Samuel. Embora o Espírito tivesse vindo repetidas vezes sobre ele, esse fato não teve nenhum impacto sobre o seu caráter. Assim como Saul, Sansão perdeu, o revestimento do Espírito como resultado do castigo divino. Mesmo assim, o relato do fim da sua vida (16.25-31) reflete uma renovação da sua fé enquanto era prisioneiro dos seus inimigos (e os de Deus).  Hb 11.32 alista Sansão no rol de honra da fé.

 

*          13.1     Tendo os filhos de Israel tornado a fazer o que era mau.  A formúla introdutória usual é especialmente abreviada (cf. 2.11-19). 

 

entregou nas mãos dos filisteus.  Ver 2.14;  1 Sm 12.9.

 

*          13.2-25   Da mesma maneira que Gideão (6.11-24)  os pais de Sansão não reconheceram o Anjo do Senhor.  Viram um fogo milagroso, e depois temeram as conseqüências de terem visto o Anjo do Senhor.  Esses paralelos notáveis suscitam a pergunta de se Sansão não viria a ser um juiz tão grande como Gideão (13.1 – 16.31, nota).  Três vezes, as exigências do nazireado foram definidas, antes mesmo de Sansão nascer (vs. 4-5, 7, 14).  Essa repetição ressalta a sua importância.  

 

*          13.2     estéril.  A mãe de Sansão era estéril, assim como Sara, Rebeca, Raquel (Gn 16.1;  25.21;  29.31), e a mãe de Samuel (1Sm 1.2, 5;  Jz 13.1—16.31, nota).

 

*          13.3     o Anjo do SENHOR.  Ver 2.1; 6.11-24;  13.1 – 16.31, nota;  “Anjos”, índice.

 

*          13.5     nazireu... desde o ventre de sua mãe.  Para o contexto histórico, ver Números 6.1-21.  Normalmente, o voto do nazireado era tomado por um determinado período de tempo, e não desde o nascimento (13.1—16.31, nota). 

 

*          13.6     sua aparência era semelhante à dum anjo de Deus.  Ela deixou de reconhecer que era realmente o Anjo do Senhor (6.22; 13.16). 

 

*          13.15   prepararemos um cabrito.  Repetiram a hospitalidade de Gideão (6.19).

 

*          13.17   Qual é o teu nome.  Jacó fez a mesma pergunta (Gn 32.29).

 

*          13.19-22         Esses incidentes formam um paralelo com aqueles na vida de Gideão (6.20-22).

 

*          13.24   o menino cresceu, e o SENHOR o abençoou.  A despeito da bênção divina, Sansão era fraco na fé (13.1–16.31, nota), em contraste com Samuel (1Sm 2.26; 3.19) e com Jesus (Lc 2.52).

 

*          13.25   o Espírito do SENHOR.  Ver 3.10, nota.

 

*          14.1—15.20  Imediatamente depois de entender que o Senhor estava com Sansão e que o Espírito começava a se mover nele (13.25), o leitor é informado de que Sansão procurou uma esposa dentre os filisteus (14.1-2).  Nessa seção é revelado que Sansão tinha forças prodigiosas, capacidades poéticas, e orgulho e mau gênio intensos.  A narrativa gira em torno da busca e da perda da esposa filistéia e das conseqüências tanto para a Filístia quanto para Sansão.  No decurso desses eventos, Sansão violou o voto do nazireado ao tocar num animal morto (14.8-9), e ao beber vinho (v. 10). Tudo que lhe restava fazer nesse sentido era cortar os seus cabelos.  Três vezes o Espírito do Senhor veio sobre ele, e ele matou os seus inimigos.  Liderou Israel durante vinte anos (15.20).  Normalmente, esse seria o fim da narrativa. Sansão, no entanto, continuava a se deixar desviar por mulheres estrangeiras, e a história termina com a narrativa da sua morte como resultado de seus próprios feitos (cap. 16).

 

*          14.2     uma mulher... dos filisteus.  Os israelitas não devem casar-se com mulheres estrangeiras (3.1-6;  14.3;  Dt 7.3-4;  1Rs 11.1-6;  Ed 9–10).

 

*          14.4  isto vinha do SENHOR.  Embora o desejo de Sansão fosse pecaminoso, Deus o usou visando seus próprios propósitos de exercer o juízo contra os filisteus. 

 

*          14.6     Espírito do SENHOR.  Ver 3.10, nota.

 

*          14.8, 9  o corpo do leão. Parte do voto nazireu incluía evitar a mínima aproximação a um cadáver (Nm 6.6). Sansão tocou no cadáver, o que já anularia o seu voto. Não contou aos pais. À primeira vista, imaginaríamos que ele guardou segredo visando o propósito de apresentar o seu enigma, mas também estava escondendo a transgressão do seu voto.

 

*          14.10  fez... um banquete.  Num banquete destes, o vinho era normalmente servido.  Mas Sansão, como nazireu, era proibido de beber vinho (13.1–16.31, nota;  13.2-25, nota).

 

*          14.19  o Espírito do SENHOR.  Ver 3.10, nota.

 

*          14.20  Ao companheiro de honra. Esse não era um costume, mas uma tentativa de um pai envergonhado em salvar as aparências (15.1-2).  Até mesmo os filisteus continuavam a referir-se a Sansão como “o genro do timnita” (15.6).

 

*          15.1   nos dias da ceifa do trigo.  Esse era um tempo de seca, quando, então, os campos se queimariam  facilmente (vs. 4-5).

 

sua mulher.  Legalmente, era esposa de Sansão.

 

*          15.2  a dei ao teu companheiro.  Ver 14.20 e nota.

 

*          15.6       o genro do timnita.  Ver 14.20 e nota.

 

*          15.13  amarraram-no com duas cordas novas.  Ver 16.11-12.

 

*          15.14  o Espírito do SENHOR.  Ver 3.10, nota;  14.6, 19.

 

*          15.15  uma queixada de jumento, ainda fresca... mil homens.  Ver o paralelo com Sangar, filho de Anate (3.31). 

 

*          15.18  clamou.  Essa é uma das duas únicas vezes que a narrativa diz que Sansão falou ao Senhor (16.28). 

 

morrerei eu, agora, de sede.  Assim como os israelitas que presenciaram milagre após milagre no deserto, Sansão queixou-se a Deus. O paralelo é marcado pelo clamor por água e pela maneira milagrosa de Deus fornecê-la (v. 19; Êx 17.1-7; Nm 20.1-13). Tanto Israel quanto Sansão queixavam-se a Deus, mas ele, na sua misericórdia e compaixão, supriu as suas necessidades (Jz 10.10-16). 

 

*          15.20  vinte anos.  Normalmente, essas palavras assinalariam o fim da história, mas não neste caso (14.1–15.20, nota).  Assim como Jefté (12.7), Sansão não dirigiu Israel durante uma geração inteira (quarenta anos)  assim como tinham feito os juízes anteriores.

 

*          16.1-22  Esse relato contém duas histórias paralelas que demonstram o desejo que Sansão tinha pelas mulheres, sua força prodigiosa, e os esforços que os filisteus fizeram para prendê-lo. As contínuas violações da aliança por parte de Sansão foram julgadas por Deus;  os filisteus o prenderam e o cegaram (vs. 21-22).  As tentativas de Dalila para enganar Sansão revelam quão tolo ele era por ainda ficar com ela.  É ainda mais estranho que o Espírito de Deus tenha se apartado dele somente quando foram cortados os seus cabelos, e não nalgum momento anterior das suas violações da aliança. Deus teve paciência com Sansão até desaparecer o último sinal do seu voto, e foi então que ele o julgou.

 

*          16.1     uma prostituta.  Sansão violou novamente a aliança (14.2).

 

*          16.11  cordas novas.  Ver 15.13.

 

*          16.15  Como dizes.  Ver 14.16-17.

 

*          16.17  desde o ventre de minha mãe.  Ver 13.5.

 

se vier a ser rapado.  Sansão sempre desconsiderara os demais aspectos do seu voto (13.1–16.31, nota).  Sua verdadeira força era o Espírito do Senhor (v. 20). 

 

*          16.20  o SENHOR se tinha retirado dele.  O Espírito do Senhor já não lhe dava forças (13.25;  14.6, 19;  15.14).  Assim como Saul (cf. Is 16.14 com 1Sm 15.23), Sansão perdeu o poder do Espírito porque desobedeceu.  Deus era a sua força, e não alguma magia associada com seus cabelos cumpridos.

 

*          16.23   Nosso deus nos entregou.  Deus é o Juiz que permitia que opressores maltrassem seu povo por causa do pecado deste (v. 20);  não foi o poder dos deuses das nações que as capacitou a vencer Israel (2.14-15).

 

*          16.28  SENHOR Deus. A petição final de Sansão é tirar vingança pela perda da sua vista.  O escritor não comenta esse motivo.  Deus, na sua graça, respondeu à oração e permitiu que Sansão matasse os inimigos de Israel (10.10-16; 15.18-19). 

 

*          16.30  mais... do que os que matara na sua vida.  Ver 13.1–16.31, nota. 

 

*          16.31  Julgou... vinte anos.  Ver 15.20, nota.

 

*          17.1–18.31  Essa seção, que relata a idolatria dos danitas, faz parte da conclusão do livro dos Juízes.  As expressões:  “Naqueles dias não havia rei em Israel” (17.6; 18.1), e “cada qual fazia o que achava mais reto” (17.6) são repetidas na última seção dos ciclos de narrativa (19.1; 21.25).  Sem um rei, o povo estava na desgraça.

 

*          17.2  A história começa de modo abrupto, com a devolução de dinheiro furtados.  A mãe não parece ter ficado surpresa.

 

*          17.3     dedico... ao SENHOR... para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição.  Essa declaração é altamente irônica.  Por mais bem-intencionada, a consagração da prata dessa maneira violava o segundo mandamento (Dt 5.8), o que indica a ignorância espiritual daquele período.

 

*          17.5     uma estola sacerdotal.  Ver 8.27 e nota.

 

*          17.6     Naqueles dias.  Ver 18.1; 19.1;  21.25. O refrão comenta a ignorância de Mica e da sua mãe, ignorância típica daqueles tempos. Fizeram ídolos em nome do Senhor, e designaram seu próprio sacerdote.

 

*          17.7     Levita.  A herança dos levitas era a de servirem ao Senhor na sua morada, o tabernáculo (Dt 18.1-8;  Js 13.14, 33;  14.3-4).

 

*          17.10  sê-me por pai.  Isto é, num sentido religioso.

 

*          17.11  como um de seus filhos. O fato que o levita “consentiu” com o plano proposto demostra sua total insensibilidade à apostasia. Um oficial do tabernáculo estava servindo a um ídolo.

 

*          17.13  me fará bem.  Essa é uma declaração tola (v. 3, nota;  17.1–18.31, nota), que ilustra ainda mais como o entendimento estava obscurecido naqueles tempos, rebaixando-se até ao nível da superstição.

 

*          18.1     Naqueles dias... àquele dia.  Essa expressão repetida (ver também 17.6)  indica com sutileza, desde o próprio início da narrativa, que os danitas estavam fazendo o que era reto aos seus próprios olhos.

 

não havia rei em Israel.  Ver 17.6, nota.

 

não lhe havia caído por sorte a herança.  Os danitas tinham falhado em não conquistar a porção destinada a eles (1.34-36).  Estavam violando a aliança.

 

*          18.2     a espiar... a terra.  Estavam imitando os seus antepassados (Nm 13.2, 12).

 

*          18.3     reconheceram a voz.  Ou seja:  o sotaque distintivo do jovem do sul de Israel (cf. 12.6).

 

*          18.5     Consulta a Deus.  Aparentemente os sacerdotes usavam uma estola sacerdotal para buscar saber a vontade do Senhor (8.27 e nota).

 

*          18.6     o caminho que levais está sob as vistas do SENHOR.  A ironia trágica dessa história – o levita ministrando a ídolos, a confiança absurda de Mica (17.13) – cancela a validade de semelhante bênção pronunciada por lábios ímpios.

 

*          18.7     em paz e confiado.  Sua natureza pacífica e indefesa é ressaltada pela repetição (vs. 10, 27-28).

 

*          18.9     a terra... é muito boa.  Diferentemente dos espias originais que entraram em Canaã, estes espias trouxeram um bom relatório.  A conquista seria fácil, porque o povo de nada desconfiava, e era pacífico (vs. 7, 10). 

 

*          18.14  uma estola sacerdotal, e ídolos do lar, e uma imagem de escultura, e uma de fundição.  Essa lista inteira (17.5) é repetida três vezes nos seis versículos que se seguem (vs. 17, 18, 20) e, ainda, é referida mais duas vezes de modo mais geral (vs. 27, 30-31).

 

*          18.16  seiscentos homens... armados... à entrada.  A ação dos danitas foi um tipo de paródia da conquista da terra iniciada anteriormente sob a liderança de Josué.  Vão com a força de números esmagadores contra um único lar, ao invés de enfrentarem, com a força do Senhor, um inimigo feroz.  Duas vezes é mencionado que os homens armados ficaram à entrada da porta. 

 

*          18.19  sê-nos por pai e sacerdote.  Ver 17.10, nota.

 

*          18.20  Então, se alegrou o coração do sacerdote.  Ficou feliz pelo progresso pessoal.

 

tomou a estola sacerdotal... a imagem de escultura.  O sacerdote estava para dirigir Dã em falsa adoração, assim como tinha feito na casa de Mica. 

 

*          18.21 diante de si.  Isto é, a fim de protegê-los de um ataque vindo por detrás. 

 

*          18.24   Como... me perguntais.  Mica é uma figura patética, que acredita que Deus abençoará a “obediência” em qualquer forma que ele optasse por oferecê-la (17.13).

 

*          18.27  Levaram eles o que Mica havia feito.  Ver v. 14.

 

um povo em paz e confiado.  Os israelitas deviam destruir somente as sete nações proscritas de Canaã (Dt 7.1).  Aos demais povos, deviam primeiramente oferecer a paz (Dt 20.10-18).  Dã não perguntou quem eram essas pessoas (Js 9.1-27) e pode ter destruído uma população inocente.  Além disso, essa não era a região que Deus havia apontado à tribo de Dã (Js 19.47).

 

*          18.30  levantaram para si aquela imagem de escultura.  Isto exemplifica o comportamento na ausência de um rei, quando todos faziam o que era reto aos seus próprios olhos (v. 14; 17.6).

 

Jônatas, filho de Gérson, o filho de Manassés.  Esse foi o levita que Mica tinha contratado (17.10, 13). 

 

até ao dia.  Visto que o v. 31 especifica que o ídolo de Mica permaneceu em pé enquanto “a casa de Deus esteve em Silo,” o cativeiro mencionado aqui seria o período de opressão que começou com a vitória dos filisteus perto de Silo, quando, então, a arca foi removida de lá (1 Sm 4.4, 11). O cativeiro na Babilônia ocorreu muito mais tarde.

 

*          18.31  a Casa de Deus.  Trata-se do tabernáculo, que esteve em Silo até aos tempos de Samuel (Js 18.1;  1Sm 3.21;  4.3). Isso foi antes do reinado de Davi. A arca foi levada de Silo para a batalha pelos filhos de Eli, e foi capturada pelos filisteus (1Sm 4.4-11). Depois disso, a arca nunca mais esteve em Silo.

 

*          19.1–21.25      A situação em Israel havia se deteriorado tanto que alguns entre o povo de Deus comportavam-se como os habitantes de Sodoma e de Gomorra (Gn 19.1-11). A guerra civil entre as tribos foi o resultado. Essa história final na conclusão de Juízes declara que a desgraça de Israel era resultado da falta de um rei (19.1;  21.25; cf. 17.6; 18.1). Foi Benjamim a tribo que pecou.  Ainda mais, foram os homens de Gibeá, cidade natal de Saul, que se comportaram como o povo de Sodoma.  A ação de Saul em 1 Sm 11.6-8 forma um paralelo claro com a profanação que o levita fez da sua concubina (19.29, nota).  Finalmente, Judá, a tribo de Davi, foi a escolha do Senhor para ser líder contra Benjamim (note a semelhança da linguagem entre 1.1-2 e 20.18).  Os benjamitas tinham praticamente se tornado cananeus.  Ninguém, porém, estava sem culpa no caso.  Cada tribo estava fazendo o que achava certo (21.25). A conclusão a ser tirada era que havia necessidade de um rei, proveniente de Judá e não de Benjamim. Davi, e não Saul, teria as qualificações iniciais.  Mas o próprio Davi, sendo um homem, revelaria ser insuficiente para a tarefa, conforme demonstrariam os acontecimentos posteriores (2 Sm 12.10, 11).  Somente o Senhor, a quem o povo rejeitara (1Sm 8.7, 8) poderia ser Rei verdadeiro (8.22, 23).

 

*          19.1  levita.  Esse homem provinha da tribo cujos homens serviam ao Senhor como seus sacerdotes. 

 

concubina.  Uma concubina era normalmente uma escrava, e tinha uma condição jurídica inferior a de uma esposa (8.31; 9.18).

 

*          19.2  aborrecendo-se dele.  Ou: “prostituindo-se”. A lei exigia que os adúlteros fossem apedrejados (Dt 22.22), mas o povo não estava seguindo a lei (17.6; 21.25).

 

*          19.10  Jebus... Jerusalém.  Ver 1.21 e nota.

 

*          19.12   Não nos retiraremos a nenhuma cidade estranha.  Ironicamente, não querem pernoitar com estrangeiros, mas depois descobrem que seus compatriotas israelitas não são melhores do que Sodoma e Gomorra (19.1–21.25, nota). 

 

Gibeá.  Quando o livro dos Juízes foi escrito, Gibeá devia ser bem conhecida como a cidade natal de Saul (19.1–21.25, nota).

 

*          19.14–20.48  A história do que aconteceu com o levita em Gibeá é semelhante à história de Sodoma e Gomorra (Gn 19.1-13).  O pecado de Gibeá foi como o de Sodoma e Gomorra, e os benjamitas foram destruídos pela permissão e ajuda do Senhor (20.18, 28, 35).  Saul provinha de Benjamim, e não seria de ajuda para ele, nem para seus descendentes, que esses eventos fossem lembrados.

 

*          19.15   assentou-se na praça da cidade.  Dessa maneira, os viajantes demonstraram que precisavam de hospitalidade (vs. 16-20).

 

*          19.16  um homem velho... de Efraim.   Foi necessário um outro “estrangeiro”, de outra geração para lhes dar hospitalidade.

 

*          19.18  para a Casa do SENHOR.   Isto é, para o tabernáculo em Siló (18.31).

 

*          19.22  Traze para fora o homem.  Ver Gn 19.5.

 

*          19.23  não façais tal loucura.  No mínimo, segundo os costumes da hospitalidade, o hospedeiro não pode contemplar a entrega do seu hóspede à violência.  Na Lei, o ato sexual envolvido é descrito como “abominação” (Lv 18.22; 20.13). 

 

*          19.24  Minha filha virgem.  Assim como Ló ofereceu as suas filhas para proteger o seu hóspede (Gn 19.8), o hospedeiro oferece a sua filha para proteger o levita.  O autor não comenta a moralidade dessa oferta, mas a história inteira é apresentada como uma derradeira ilustração das conseqüências malignas de abandonar o governo de Deus e fazer o que é certo aos seus próprios olhos.

 

*          19.28  porém ela não respondeu.  Já estava morta.

 

*          19.29  doze partes.  Os leitores originais de Juízes deviam estar bem cientes de como Saul, posteriormente, cortou bois em doze partes a fim de conclamar Israel a lutar contra os amonitas (1Sm 11.6-8).

 

*          19.30  Nunca tal se fez.  Trata-se do uso grotesco do cadáver da mulher. 

 

*          20.1-48  O ataque contra o levita e sua concubina resultou na guerra civil entre Benjamim e o restante de Israel (cap. 19).  As referências à atuação unida de Israel (vs. 1-2, 8, 11) ressaltam um fato importante:  Pela primeira vez no livro dos Juízes, a nação de Israel ficou unida.  Embora a sua atuação não fosse injusta, é lastimável que só se uniram a fim de castigar uma das suas próprias tribos (v. 23).  Judá tinha que tomar a liderança contra Benjamim assim como fizera contra os cananeus (v. 18; 1.1, 2 e notas). 

 

*          20.1     perante o SENHOR em Mispa.  Ver 11.11, nota.  Saul tornou-se rei em Mispa.

 

como se fora um só homem.  Pela primeira vez, Israel agiu unido, mas o propósito era guerrear contra seus irmãos.

 

desde Dã até Berseba.  As extremidades do norte e do sul de Israel.

 

*          20.2     na congregação do povo de Deus.  Depois dos repetidos ciclos de pecado, do juízo, e do livramento, é uma evidência da misericórdia de Deus que Israel ainda fosse chamado de o seu povo. 

 

*          20.5  violaram a minha concubina.  O levita omite os pormenores de como a concubina tinha sido oferecida (19.23-24). 

 

*          20.8       como um só homem.  Ver vs. 1, 11, e 20.1-48, nota.  Os israelitas prestaram juramento no sentido de levar o caso até às últimas conseqüências.

 

*          20.13  tiremos de Israel o mal.  Os israelitas não percebiam o mal que permeava a sua própria comunidade.

 

*          20.16  canhotos.  Ver 3.15, nota.

 

*          20.18  Betel.  Ou "Casa de Deus". A arca do Senhor e o sacerdote com a estola sacerdotal estavam em Betel nesses tempos (v. 27).

 

Quem dentre nós subirá, primeiro.  Essa é a mesma linguagem empregada no início de Juízes, quando, então, a questão a ser resolvida era quem comandaria a luta contra os cananeus (1.1).

 

Judá.  O Senhor deu a mesma resposta que em 1.2, mas numa situação diferente.

 

*          20.23  consultaram o SENHOR.  Ver vs. 18, 27-28;  cf. 1Sm 28.6.

 

Benjamim, nosso irmão.  Note como os israelitas agora acrescentam a palavra “irmão” à sua consulta (v. 18).

 

*          20.48  passaram a fio de espada. Os israelitas trataram os benjamitas como os cananeus (1.8, 17).  Além disso, o fim dos benjamitas foi como o dos habitantes de Sodoma (19.14–20.48, nota).

 

*          21.1-25  As ações de Israel nesse episódio final do livro devem ser interpretadas à luz do comentário final:  “Naqueles dias não havia rei em Israel:  cada um fazia o que achava mais reto” (v. 25). Os israelitas queriam saber por que esse triste fim lhes sobreviera (vs. 3, 15, 6.13, nota). Assim como no caso de Gideão (6.13), não foi dada nenhuma resposta. Entretanto o contexto global do livro oferece a resposta clara de que Israel tinha pecado, e continuava a pecar horrivelmente.

 

*          21.8     Jabes-Gileade. O primeiro ato de Saul como rei foi defender Jabes-Gileade. Visto que era um benjamita proveniente de Gibeá, Saul pode ter sido descendente de uma das mulheres tiradas de Jabes-Gileade (v. 12). 

 

*          21.15  o SENHOR tinha feito brecha nas tribos de Israel.  Assim fez Deus para castigar os benjamitas pelo seu pecado.

 

*          21.19-23  A degeneração de Israel agora estava tão completa que até mesmo propuseram e permitiram o sequestro das suas próprias mulheres para evitar a violação de um voto precipitado.  A nação de fato agia irrefreadamente, segundo suas próprias inclinações pecaminosas (v. 25; cf. 17.6).

 

*          21.25  Naqueles dias.  Embora a única esperança de Israel dependesse da lealdade ao seu Rei divino, a nação preferiu satisfazer-se com uma monarquia humana (1 Sm 8.7, 22), que inevitavelmente iria fracassar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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