* 1.1-22 A cidade
escolhida de Sião, antes exaltada, agora estava humilhada.
* 1.1 Como jaz solitária. Este
primeiro versículo mostra qual o tema da lamentação: a perda da grandeza por
parte de Jerusalém. A cidade, antes favorecida, agora estava desolada, devido
ao saque efetuado pelos babilônios (Is 1.21-26).
como viúva. A viuvez e
a solidão (Jr 15.17) são quadros típicos do abandono.
sujeita a trabalhos forçados. A servidão
é contra o verdadeiro desígnio de Deus para Israel. Os israelitas tinham-se
tornado uma nação quando Deus os libertou da escravidão no Egito, para que o
pudessem servir (Dt 6.20-25; Jr 2.14; Dt 15.12-18). As bênçãos de quem vivia na
Terra Prometida e trabalhava de conformidade com a Lei, foram substituídas pela
punição no exílio e nos trabalhos forçados (Dt 28.47-50), porquanto o povo com
freqüência tinha quebrado a aliança que eles haviam aceitado ao deixar o Egito
(Êx 24.7,8).
* 1.2 todos os que a amavam. Expressão
com freqüência usada ironicamente para os vizinhos idólatras de Judá, com os
quais essa nação voluntariamente se ligou (Jr 3.1).
não tem quem a console. Ver
também os vs. 7,9,16. Isso deve ser comparado com o consolo prometido em Is
40.1. Aqui não há limitações para os efeitos das devastações provocadas pelos
babilônios.
* 1.3 Quanto à
queda de Judá, ver 2Rs 24.20—25.30; Jr 39 - 45, 52.
foi levado a exílio. Essa era a
humilhação máxima do povo em aliança com Deus (Dt 28.63-68).
não acha descanso. A aliança
divina havia prometido descanso em relação aos inimigos (Dt 12.9; 2Sm 7.1; cf.
Dt 28.65).
* 1.4 A vida regular de adoração, no antigo
povo de Israel, foi retratada aqui.
Os caminhos de Sião. Pessoas
que viviam distantes percorriam esses caminhos na sua peregrinação para o
templo (Sl 84.5).
à reunião solene. As
principais reuniões anuais para a adoração eram as Festas da Páscoa, do
Pentecoste e da colheita (Êx 23.14-17; Lv 23.4-44). Jerusalém ficava então
apinhada de gente, e os sacerdotes presidiam sobre as vibrantes celebrações.
as suas virgens estão tristes. Esse é um
sinal de derrota; contrastar com Jr 31.13.
* 1.5 os seus inimigos prosperam. Ver outros
queixumes em Jr 12.1; Sl 73. Aqui o queixume aparece juntamente com uma
confissão de pecados. Conforme os profetas tinham predito, a infidelidade de
Judá levou a nação à ruína.
* 1.6 Da filha de Sião. Essa frase
personifica Jerusalém (Jr 6.2); contudo, talvez também aluda às mulheres da
cidade, que sentiam a angústia da mesma de forma mais aguda.
* 1.7 lembra-se Jerusalém. Uma vez
mais, o amargo presente contrasta com um tempo anterior, mais feliz, possivelmente
os tempos de Davi e Salomão.
* 1.8 Jerusalém pecou. Aqui é
desenvolvida a idéia do pecado como a causa do exílio, primeiramente mediante o
uso de figuras de linguagem de impureza ritual.
se tornou repugnante. Essa
palavra provavelmente refere-se à menstruação (Lv 15.19-33). A conseqüência do
pecado de Judá foi semelhante, se não mais severa: ser excluída da adoração a
Deus, e, talvez, também a humilhação pública (cf. Jr 13.22,26).
* 1.9 A sua imundícia. Essas
palavras intensificam a figura de linguagem de imundícia ritual.
Vê, SENHOR. Sião foi
personificada pela primeira vez, introduzindo um elemento de apelo dirigido ao
Senhor, uma parte normal da forma de lamentação (Introdução: Características e
Temas).
* 1.10 no seu santuário. O templo deveria
atrair as nações à adoração ao Deus de Israel (1Rs 8.41-43), mas agora
invasores o deixaram contaminado.
* 1.11 Todo o seu povo... forças. O quadro
de desolação torna-se vívido, ficando entendido que havia escassez de
alimentos.
* 1.12 a todos vós que passais... se há dor igual
à minha. Os sofredores imaginavam que seus sofrimentos eram sem
precedentes. No entanto, ninguém parecia ter compaixão deles.
no dia do furor da sua ira. Essa
expressão é uma lúgubre confirmação da profecia de Amós de que no dia do Senhor
a sua ira seria contra o seu próprio povo (Am 5.18).
* 1.13 enviou fogo. Sião
reconhecia que o próprio Senhor havia afligido o seu povo (Sl 88.13-18).
* 1.15 O Senhor dispersou. O Senhor,
anteriormente um guerreiro em defesa de Israel (Dt 9.1-3), agora fez voltar o
seu poder contra o seu próprio povo.
* 1.16
afastou de mim o consolador. Não havia
quem ajudasse Judá, ninguém para consolar a nação — um tema dominante nestes
versículos (2, 7, 9 e 17).
* 1.17 Jacó. Um nome histórico para Israel,
derivado do nome de seu antepassado (Gn 32.38).
os seus vizinhos se tornem seus
inimigos. A presença de Judá como algo imundo entre as nações
falsifica seu papel originalmente planejado de testemunha da santidade de Deus
(Êx 19.5,6).
* 1.18 Justo é o SENHOR. Sião
justifica a punição aplicada pelo Senhor ao reconhecer o seu pecado. No
entanto, o pensamento muda de novo, rapidamente, para a sua escravidão.
* 1.19 os meus amigos. Falham na
hora da necessidade.
* 1.21 os meus inimigos. Sião
apelou para o Senhor por causa da satisfação demoníaca dos inimigos. Seus
insultos eram profundamente ofensivos para a posição de Judá como povo em
comunhão com Deus segundo a aliança — e, por conseguinte, para o próprio Deus.
o dia. O dia do
Senhor tornava-se agora um dia de terror para os inimigos de Sião. O lamento de
Sião segue o padrão profético, em que os inimigos que administram o castigo
divino finalmente chegam a sofrer eles mesmos (Jr 25.15-38).
* 1.22 Venha... minhas prevaricações.
Finalmente, Sião assevera que seus inimigos merecem condenação tanto quanto ela
mesma.
os meus gemidos. A petição
para Deus punir, entretanto, não diminui as profundas angústias de Sião.
* 2.1-22 O segundo
lamento sobre a perda da glória, por parte de Sião, tem começo, e o profeta
retrata a ira do Senhor contra ela.
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