* 2.1-22 O segundo
lamento sobre a perda da glória, por parte de Sião, tem começo, e o profeta
retrata a ira do Senhor contra ela.
* 2.1 Como. Cf. 1.1 e nota.
Precipitou... a glória de Israel. A queda de
Israel no desfavor divino é comparada a uma estrela cadente (Is 14.12).
e não se lembrou. Judá
estava perplexa porque a promessa feita a Davi agora estava aparentemente sem
valor (cf. Sl 89, especialmente os vs. 38-51). Isaías havia assegurado ao povo
que Deus protegeria a Sião (p.ex., Is 37.35), e o povo de Judá tinha
transformado em promessas absolutas essas palavras. Eles se tinham esquecido de
que estavam na obrigação de guardar as condições da aliança divina firmada com
eles (Êx 24.1-3).
do estrado de seus pés. Essa
expressão, usada normalmente para indicar a arca da aliança (1Cr 28.2: Sl
132.7), ou a terra (Is 66.1), é aqui aplicada a Sião (cf. Sl 99.5).
* 2.2 as fortalezas. A força
das cidades fortificadas de Judá tinha simbolizado a bênção divina resultante
da fidelidade de Judá à aliança (2Cr 10.4-12).
* 2.3 força de Israel. Em lugar
de "força", o original hebraico fala em "chifre". Isso é
uma metáfora que indica a força e a prosperidade (contrastar com o v. 17). A
linguagem faz vívido contraste (a) entre Judá e seus inimigos, bem como (b)
entre a vida de Judá, como deveria ser, e como era agora.
* 2.4 qual inimigo. 1.15,
nota.
derramou o seu furor. A figura
de linguagem de uma guerra santa foi tipicamente usada para o juízo divino contra
a nação de Judá (Sl 69.24).
Entesou o seu arco. Ver Dt
32.42. As flechas terríveis que visavam os inimigos de Deus (Dt 32.42), agora
visam o povo dele (Os 5.10; Jr 6.11; 7.20).
* 2.5 filha de Judá. Ver a nota
em 1.6.
* 2.6 o seu tabernáculo... o lugar da sua
congregação. Essas são referências ao templo.
o SENHOR... pôs em esquecimento...
o sábado. 1.4, nota. Esta frase poderia ser traduzida por: "O
Senhor fez as festas e os sábados coisas esquecidas em Sião", uma justiça
irônica, pois primeiramente foi o povo que esqueceu os sábados (Am 8.5; Jr
17.19-27).
* 2.7 o seu altar... o seu santuário. O
julgamento por Deus destruiu não somente o lugar onde ele habitava, mas também
o meio de Israel aproximar-se dele em adoração. Os clamores dos inimigos triunfantes
substituíram o clamor das assembléias que adoravam a Deus.
* 2.8 estendeu o cordel. Isso foi feito
como se quisesse fazer o levantamento topográfico da cidade, com vistas à sua
destruição (Is 34.11; Am 7.7,8).
* 2.9 lei... visão... os seus profetas. Não
somente foram destruídas as instituições religiosas, mas o Senhor reteve suas
revelações. A visão profética que acompanhava a pregação da Lei tinha cessado
(Jr 8.8-10; 18.18; 1Sm 3.1).
* 2.10 os anciãos... pó... cilício... abaixam as
cabeças. Esses são gestos convencionais de quem se lamenta (Jó
2.12,13; Lm 1.4).
* 2.11 Com lágrimas se consumiram os meus olhos. Cf. o
sofrimento natural do poeta, por causa da agonia de seu povo, com as
experiências de Jeremias (Jr 4.19); e note também os quadros de desolação que
acompanham as expressões angustiadas do profeta (Jr 4.31).
* 2.11,12 os meninos e as crianças de peito...
suas mães. O profeta ficava especialmente comovido diante da visão de
crianças que padeciam.
* 2.13 para te consolar a ti. O significado
dessa frase parece ser: "Que posso dizer-te sobre o sofrimento, tu que
tanto tens sofrido?" Nenhuma resposta fácil ocorre a quem é testemunha de
tristezas como aquelas.
consolar. Ver a
nota em 1.2.
* 2.14 visões falsas. O
pensamento avança, tendo partido do v.9. Agora os profetas aparecem como quem
profetizou falsamente. O problema complexo da profecia falsa é um tema repetido
nos livros proféticos (Jr 5.12,13; 23.9-40; 28). Dt 18.21,22 fornece-nos um
critério por meio do qual os profetas podem ser julgados verdadeiros ou falsos.
* 2.15 a perfeição da formosura... a alegria de
toda a terra? A beleza do lugar escolhido é extravagantemente expressa (Sl
50.2; 48.2), mas por zombadores que motejam das ruínas e da agonia de
Jerusalém.
* 2.16 Devoramo-la. Nos vs. 2
e 5, o próprio Deus aparece como quem tinha devorado o seu povo. Conforme este
versículo deixa claro, ele fizera isso usando os inimigos de Judá como seus
agentes. Este versículo também deixa claro como as nações, orgulhosamente,
atribuíram sua vitória sobre Judá às suas próprias forças.
* 2.17 cumpriu a ameaça que pronunciou desde os
dias da antiguidade. Os propósitos de Deus no juízo foram declarados nas
maldições segundo a aliança (Lv 26.23-39; Dt 28.15-68); o atual estado de Judá
tinha acontecido em consonância com os propósitos conhecidos de Deus.
o poder. Ver a nota
no v.3.
* 2.18 Ó muralha. Há uma
forte ironia neste fútil clamor dirigido às muralhas de Jerusalém, um símbolo
da força imaginária da nação.
de dia e de noite. Cf. Dt 28.67.
* 2.19 teus filhinhos. Ver a nota
no v.12.
* 2.20 Hão de as mulheres comer o fruto de si
mesmas. O tema do sofrimento das crianças inocentes atingiu o ápice
do sentimento (Jr 19.9). Seu poder como um apelo a Deus é fomentado por se
saber que Deus conhece o afeto maternal (Is 66.13). Tão extremo, por si mesmo,
é o ultraje do sacrilégio: os ungidos do Senhor são mortos no seu santuário.
o sacerdote e o profeta? Quanto aos
pecados dos sacerdotes e dos profetas, ver 4.13.
* 2.21 o moço e o velho. O horror
da morte na juventude é contrastado com a bênção de atingir uma idade avançada
(Jó 42.17).
* 2.22 terrores como num dia de solenidade. Esse
contraste entre convocar para a alegria de uma festa e convocar para a desgraça
é tremendamente poderoso.
terrores. ver Jr
6.25; 20.10.
no dia da ira do SENHOR. O poema
termina por onde começou, sem qualquer alívio no retrato sombrio.
-----------------------------------------------------------------------------