*          3.1-66 Quando um indivíduo expressava a tristeza da comunidade, a esperança e o consolo eram sustentados pelo conhecimento do amor compassivo de Deus.

 

*          3.1       Eu sou o homem. Este capítulo é um acróstico com três versículos para cada letra do alfabeto hebraico. Quanto à possível identidade do autor com Jeremias, e à forma de poesia acróstica como um aspecto da poesia dos hebreus, ver a Introdução e mais abaixo. Quanto a retratos do próprio Senhor como aquele que tinha afligido o escritor, ver Jó 19.21; Sl 88.7,15; Jr 15.17,18. Neste poema, um indivíduo exprime a tristeza de sua comunidade (vs. 22,40-47).

 

*          3.2       em trevas e não na luz. Contrastar com Is 9.2. As trevas são uma metáfora para a aflição experimentada como a ausência de Deus; a luz representa o contrário: salvação e bênção. O dia do Senhor é descrito nesses termos em Am 5.18.

 

*          3.4       a minha pele... os meus ossos. Essas são características de aflição física, talvez devidas à idade avançada ou à enfermidade (Jó 13.28; Is 38.13).

 

*          3.5       de veneno e de dor. Os efeitos emocionais e físicos da aflição andam de mãos dadas.

 

*          3.6       como os que estão mortos para sempre. As aflições e as enfermidades da vida diminuem a sua plenitude, culminando na morte. Em sua condição debilitada, o profeta considerava-se ter pouco mais de participação na vida do que se estivesse, realmente, morto. Na perspectiva dos vivos, os mortos nem ao menos existem, ou existiriam como sombras (Pv 2.18; 9.18 e notas). Quanto a outros quadros sobre a morte, no Antigo Testamento, ver Jó 3.11-19; Sl 6.5; 115.17; Is 14.18,19. Contra esse pano-de-fundo, o Antigo Testamento mostra-se eloqüente em seu testemunho em prol da ressurreição além do sepulcro (Jó 19.25-27; Sl 16.9-11; 49.15; 73.24).

 

*          3.8       ele não admite a minha oração. Quanto a orações que não são ouvidas, ver Sl 10.1; 13.1 e 22.1,2.

 

*          3.10-12 urso... flecha. Alguns dos perigos que poderiam atingir realmente o viajante, são maneiras vívidas de exprimir terror e aflição.

 

*          3.14     objeto de escárnio. Ver Jr 20.7.

 

*          3.17     paz... bem. Essas condições, a súmula da bênção, estavam totalmente ausentes.

 

*          3.18     minha glória... no SENHOR. A expressão de desesperança atinge aqui o seu ponto culminante.

 

*          3.20     os recorda. A experiência do poeta é um símbolo das experiências do povo; ver a linguagem em 1.7.

 

*          3.21     Quero trazer à memória. As lembranças que antes desencorajavam, agora encorajam (Sl 77.3-9,10-15). A memória da dedicação de Deus a seu povo faz manar a esperança do desespero.

 

*          3.22-24 O ponto culminante do poema e do Livro é atingido aqui. A forma de lamentação tem pontos cruciais onde a experiência de rejeição por parte de Deus transforma-se, inesperadamente, em confiança, com base no conhecimento do caráter de Deus e em suas misericórdias passadas. Ver as confissões de confiança e esperança, em Sl 22.

 

*          3.22,23 Ver "Deus É Amor: A bondade e a Fidelidade Divinas", em Sl 136.1.

 

*          3.22     As misericórdias. Quanto à palavra hebraica (hesed), ver Sl 36.5, nota. A forma plural, usada aqui, relembra muitos atos, ou, talvez, as riquezas da misericórdia divina.

            A dedicação de Deus à aliança está sempre ligada à sua compaixão, um termo que envolve uma profunda emoção. Não somos consumidos porque a compaixão de Deus não se esgota. A ira de Deus contra o seu povo termina porque a sua compaixão não pode terminar (4.22; Os 11.8).

 

*          3.23     cada manhã. O amor de Deus fará raiar a manhã da salvação (Sl 90.14; Ml 4.2; Lc 1.78).

 

fidelidade. A confiabilidade ilimitada de Deus, torna-o digno de fé (Hc 2.4).

 

*          3.24     A minha porção. Esta frase nos relembra as alocações territoriais às tribos de Israel. Os sacerdotes e os levitas, que não receberam porções sob a forma de terras, tinham o Senhor como sua porção (Nm 18.20; cf. Sl 73.26).

 

*          3.25     Bom é o Senhor... para a alma que o busca. Deus é sempre bom para com aqueles que o buscam, põem nele a sua esperança, e nele aguardam (cf. 1Cr 28.9). O tríplice "bom" que aparece neste contexto (cf. vs. 26 e 27) enfoca a bondade de Deus.

 

*          3.27     na sua mocidade. Ao que tudo indica a referência é aos sofrimentos de Jeremias no começo e no meio de sua vida, talvez significando que ele seria aliviado em sua idade avançada. Talvez a comunidade, como se fosse um único indivíduo, deveria ter a esperança que o jugo seria retirado com o decorrer do tempo.

 

*          3.28-30           porquanto... farte-se da afronta. O profeta exortou os aflitos a suportarem o presente sofrimento, à luz das afirmações existentes nos próximos versículos.

 

Assente-se solitário. Cf. 1.1.

 

*          3.30     Dê a face ao que o fere. A humilhação sofrida por Israel serviu de prefiguração da humilhação de Cristo (Is 50.6; Mt 26.67).

 

*          3.31-33 Visto que Deus é cheio de compaixão, a presente experiência de sua ira tem que ser de breve duração (Sl 30.5; Is 54.7; Os 6.1). Uma vez mais, a compaixão é vinculada ao amor (no hebraico, hesed, 3.22) infalível de Deus. Deus não aflige os homens "de bom grado", isto é, "com alegria" e "de todo o seu coração", nem mesmo por ocasião do Juízo Final.

 

*          3.34-36 O que fica implícito nestes versículos é que Deus não pode aprovar tais coisas (Jó 8.3). Naturalmente, Deus tem aprovado essas mesmas coisas, visto que ele as tem feito acontecer. Esse era o problema de castigo e de aflição que o poeta enfrentava.

 

*          3.37,38 Tudo quanto acontece é pela palavra de Deus (Gn 1.3), tanto a calamidade quanto o bem (Am 3.6).

 

*          3.39 Visto que tudo acontece pela palavra do Senhor, nenhum homem vivo pode queixar-se quando Deus manda a calamidade como castigo contra o pecado.

 

Queixe-se cada um dos seus próprios pecados. O pecado dos indivíduos é uma parte importante da resposta do profeta ao problema da condenação e da aflição (por mais temível que seja o juízo divino, 2.20-22). A frase, no seu original hebraico, implica que o pecado e o conseqüente castigo pertencem, inescapavelmente, um ao outro.

 

*          3.40-47 Note o leitor que os que falam estão no plural, por toda esta seção.

 

*          3.40-42           Esquadrinhemos... Nós prevaricamos. Temos aqui uma chamada ao arrependimento, ao reconhecimento do pecado. O impulso para confessar os pecados parece ceder caminho imediato a uma lamentação renovada, após a declaração que diz: "Tu não nos perdoaste" (v.42). A confissão pode ter sido superficial ou hipócrita. Em ambos os casos as penalidades não foram suspensas.

 

*          3.43-45           Cobriste-nos de ira... no meio dos povos. Aqui o profeta faz uma paródia com as ações de Deus no êxodo. Naquela ocasião a ira de Deus ajudou a Israel; foram os inimigos dos israelitas que foram mortos sem piedade; e a nuvem era um sinal de favor divino. Israel era preciosa entre as nações, e não "cisco e refugo".

 

*          3.48-66 Aqui o discurso reverte novamente para o singular.

 

torrentes de águas. Há fortes ecos do livro de Jeremias, nesta íntima associação entre a tristeza do povo e a tristeza do poeta. É sugerida uma ligação entre os sofrimentos do povo e os sofrimentos do poeta.

 

*          3.49     Os meus olhos choram. Essas palavras refletem uma linguagem familiar de lamentação (Sl 6.6; 42.3; Jr 9.1; 18).

 

*          3.52     sem motivo são meus inimigos. Sl 35.19; Jo 15.25.

 

*          3.53     lançaram-me na cova. Sl 28.1; 88.6. A vida de Jeremias pode estar novamente em vista, nestes versículos (Jr 38.6).

 

*          3.55     cova... invoquei o teu nome. Ver Sl 16.10,11; 30.1; e a experiência de Jonas (Jn 2.2-7). O sofrimento de Cristo como o justo Servo do Senhor leva ao mais alto cumprimento esse tema recorrente dos profetas sofredores e seu livramento pelo Senhor.

 

*          3.56     Ouviste a minha voz. O ponto crucial da lamentação é atingido quando ao poeta se garante que o Senhor tinha ouvido a sua oração (Sl 6.8-10).

 

*          3.57     Não temas. Essa é uma exortação comum no Livro de Isaías (p.ex., Is 41.10; cf. Mc 6.50).

 

*          3.58-66           Esta seção adota o tema bíblico dos sofrimentos inocentes e vicários que atingiram o seu ponto culminante na morte de Cristo em favor daqueles que ele veio salvar.

 

*          3.58-60           a causa... remiste a minha vida... a minha causa. Em Jeremias 50.34, o Senhor é o Redentor de Judá e pleiteia pela causa dos seus habitantes. Aqui o Senhor pleiteia contra eles, porquanto se tinham voltado contra o seu profeta.

 

*          3.64-66           Tu lhes darás a paga. A nota de vingança se faz presente em Jr 12.1, tal como em Sl 77.6,7.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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