* 4.1-22 Este
capítulo, que contém o mais vívido retrato das agonias de Judá, lamenta o
castigo de Sião, mas dá a certeza de que como estava cessaria.
* 4.1 o ouro!... as pedras do santuário. O ouro e
os ricos utensílios do templo de Salomão foram levados embora por Nabucodonosor
(2Rs 25.9).
* 4.2 Os nobres filhos... puro ouro. A idéia do
ouro é imediatamente transferida para as próprias pessoas, mais valiosas do que
as riquezas do templo. Na qualidade de "propriedade peculiar" (Êx
19.5), elas tinham sido muitissimamente preciosas; mas agora eram o barro mais
comum.
* 4.3 Até os chacais. Is 1.2,3.
Os avestruzes. Essas aves
serviam de figura proverbial da dureza de coração dos pais para com seus filhos
(Jó 39.16). Essa indiferença é um tema deste capítulo (v.10), desenvolvido a
partir de 2.20.
* 4.5 comidas finas. A figura
de alguém rico, que se alimentava delicadamente, e que cai subitamente em
grande necessidade e perigo é reverberada com freqüência nos escritos dos
profetas (Am 4.1-3; 6.1; Jr 6.2).
* 4.6 maldade. Essa
palavra hebraica também pode ser traduzida por "castigo" ou por
"iniqüidade", de acordo com o contexto, visto que as duas idéias
estão tão intimamente ligadas uma à outra. Neste capítulo, essa conexão é
forte, onde o intenso sofrimento de Judá é vinculado repetidamente a seu pecado
desnatural.
Sodoma. Os
profetas com freqüência usam Sodoma como um arquétipo do julgamento divino
contra o pecado (Dt 29.23; Is 1.10; Jr 23.14; Ez 16.46; Os 11.8; Am 4.11; Lc
17.28-30). A comparação com Sodoma é aplicável aos pecados da cidade bem como
ao temível julgamento divino que lhe sobreveio.
* 4.7 seus príncipes. Algumas
versões dizem aqui "nazireus". Nm 6.1-21, nota.
mais brancos... mas ruivos. Essas são
cores com freqüência associadas ao corpo humano.
* 4.8 Mas agora.
Ironicamente, nas dificuldades que então predominavam, ninguém se distinguia
como pessoa especial; todas as distinções tinham sido obliteradas.
* 4.9 Mais felizes foram as vítimas da espada. A desgraça
do povo judeu era desesperada e miserável. A morte por meio da fome não é um
julgamento sumário e instantâneo; em sua lentidão revela ao máximo os horrores
do juízo divino a um grau temível (Dt 28.54-57).
* 4.10 mulheres... seus próprios filhos. Ver o v.3.
* 4.11 indignação. O enfoque
volta à ira de Deus; no pecado cometido por Judá há uma explicação até para
esses males.
* 4.12 os reis da terra. É possível
que essa frase refira-se à suposta inexpugnabilidade de Sião, reforçada pelo
dramático fracasso dos assírios que não conseguiram tomar a cidade, depois que
Senaqueribe conquistou o resto de Judá, em 701 a.C. (2Rs 18.13—19.37).
* 4.13 seus profetas... seus sacerdotes. Ver a nota
em 2.20 e Jr 5.30,31; Mq 3.9-12.
* 4.14 Erram como cegos nas ruas. Dt
28.28,29.
andam contaminados de sangue. Deus, em
sua ira, fez os sacerdotes e profetas de Sião se tornarem ritualmente imundos.
Em outro lugar (Is 59.3) a frase refere-se a sangue derramado pela culpa.
Ironicamente, o sangue que contaminava esses errantes cegos era o próprio
sangue deles.
* 4.15 imundos! Lv 13.45.
Quando fugiram errantes.
Cumpriu-se assim a maldição de Dt 28.65,66.
* 4.17 povo. Caracteristicamente, Israel
e Judá buscaram ajuda nos pactos políticos, e não no Senhor (Is 7; 30.1-5; Jr
24).
* 4.19 as aves dos céus. Jr 4.13.
* 4.20 o ungido do SENHOR. Essa é
uma referência à esperança no rei davídico, especialmente após as reformas instituídas
por Josias (2Rs 22 e 23). Essa reforma, embora religiosa, tinha também
asseverado a independência de Judá e parecia confirmar a antiga promessa feita
a Davi (2Sm 7). O último rei de Judá, deportado por Nabucodonosor, foi
Zedequias (2Rs 25.7). Não obstante, Jeremias prometera a salvação final através
do Renovo justo de Davi, o Messias (Jr 23.5-8).
* 4.21,22 ó filha de Edom. Esse era
um dos inimigos históricos de Israel. A inimizade dos edomitas era mais
escandalosa por causa de uma antiga afinidade de sangue; Edom era outro nome
para o irmão gêmeo de Jacó, Esaú (Gn 25.30). Mas a nação de Edom também cairia
por sua vez (Obadias e Jr 49.7-22).
O castigo da tua maldade está
consumado. Em outras palavras, "Tua culpa terá fim". Por
causa da misericórdia e da compaixão de Deus, a culpa de seu povo chegaria ao
fim e, em contraste com Edom, os judeus seriam libertados. Ver Is 40.2 e Jr
49.7-22.
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