*          5.1-22 Repassando os efeitos contínuos da degradação de Sião, o poeta fez um apelo final em prol da restauração.

 

*          5.1       Lembra-te... do que nos tem sucedido. Essa é uma típica abertura de uma lamentação comunal. Sião não mais aparece nas agonias imediatas do cerco e do saque (tal como se vê no capítulo 4), mas em um estágio posterior da aflição, quando a súbita violação da terra já tinha cedido lugar a uma opressão dura e humilhante.

 

*          5.2       A nossa herança. A Terra Prometida, como um todo, era a herança de Israel da parte de Deus (Dt 4.21; 12.9), enquanto que o território de Judá foi dado especificamente à tribo desse nome (Js 15.20-63).

 

a estranhos... a estrangeiros. Deus havia dado a Terra Prometida a Israel, e até lhes tinha conferido instruções para que expelissem os estrangeiros. Agora tudo isso virara de ponta cabeça.

 

*          5.3       somos órfãos... são como viúvas. A posição dessas classes era precária e dependente. Israel recebera ordens para cuidar deles, visto que sua condição negava-lhes acesso normal aos produtos da terra (Dt 14.28,29).

 

*          5.4       A nossa água por dinheiro a bebemos. Essa necessidade era uma inversão irônica de Dt 6.10,11, e, especificamente, de Js 9.21-23.

 

*          5.5       não temos descanso. Essa condição era outra inversão de uma bênção prometida em Deuteronômio (Dt 12.9; Lm 1.3).

 

*          5.6       aos egípcios e aos assírios. Esse tipo de submissão não somente era humilhante, mas também perigosa (2Rs 18.14).

 

*          5.7       Nossos pais pecaram... nós é que levamos o castigo. Uma descrição semelhante de solidariedade entre as gerações se acha em Êx 20.5, bem como nos Livros de 1 e 2 Reis, com seus registros de culpa acumulada através das gerações. Passagens tais como Ez 18 (notas; Jr 31.29,30) esclarecem aqueles que questionam a justiça de alguém ser julgado por pecados que ele não cometeu. Ezequiel respondeu que aqueles que compartilham do julgamento de seu pai compartilharam nos pecados de seu pai: cada geração fica com a culpa de seus próprios pecados, e não com os pecados das gerações anteriores tão-somente.

 

*          5.8       Escravos dominam. Quando escravos babilônicos davam ordens a Israel, havia uma irônica distorção nos relacionamentos verdadeiros entre Deus, Israel e as nações. Israel, na realidade, era uma nação libertada da escravidão (Dt 15.12-18); e aqueles que não serviam ao verdadeiro Deus deveriam estar em escravidão. Ver 1.1, nota.

 

*          5.9       espada do deserto. Talvez isso se refira aos assaltantes do deserto, que tiravam proveito da comunidade debilitada de Israel.

 

*          5.11-13           Temos aqui quadros vergonhosos.

 

as virgens. A perda da virgindade fora do casamento impunha vergonha a uma mulher e à sua família, e talvez conseqüências adicionais sérias (Dt 22.13-21).

 

enforcados. Temos aí uma forma de tortura ou uma forma de execução por meio de exposição aos elementos.

 

Os jovens levaram a mó. Esse era um trabalho degradante para um homem jovem (Jz 16.21).

 

*          5.14 Este versículo transmite algo do estado da vida normal em Judá, mediante a descrição do que havia cessado. A "porta", que tinha funções legais e sociais, estava agora deserta. Os prazeres descuidados dos "jovens" tinham sido substituídos pela vida dura, retratada nos versículos anteriores.

 

*          5.16     a coroa. Alguns tomam isso como referência a Jerusalém em particular (Lm 1.1; 2.15; 5.18). Provavelmente representa a glória de Israel e de Judá entre as nações (Êx 19.6).

 

ai de nós, porque pecamos. Ver a nota no v.7.

 

*          5.18     monte Sião, que está assolado. O poeta fecha aqui o círculo, tendo partido de 1.1, reiniciando o tema do escândalo de a cidade escolhida por Deus jazer destruída e abandonada.

 

*          5.19     Tu, SENHOR, reinas eternamente. Embora a "realeza" do povo judeu (v.16) não fosse mais uma realidade, a realeza do Senhor permanece para sempre.

 

*          5.20     Por que...? Soa de novo a nota de lamentação. Não havia como sair facilmente da dor que fora expressa; mas a afirmação da soberania de Deus é feita no meio daquela dor (v.19). A lógica dos vs. 19 e 20 tem paralelo em Sl 89, pois ali os vs. 1-37 louvam a soberania de Deus, e nos vs. 38-51 se pergunta "Até quando, Senhor?" (Sl 89.46).

 

*          5.21     Converte-nos a ti... renova. Esses dois verbos derivam-se de um mesmo verbo, no hebraico. Seu uso é ambíguo, visto que a restauração poderia ser um retorno físico de exilados à Terra Prometida, ou um retorno moral e religioso (arrependimento). Essa ambigüidade, porém, é necessária, porquanto os profetas nunca divisaram uma restauração à terra que fosse separada do arrependimento para com Deus. Quanto a um paralelo exato desse pensamento, ver Jr 31.18.

 

*          5.22     Por que nos rejeitaste. O poeta não quis encerrar o lamento com uma nota elevada. Não obstante, a nota final não é de desespero, e, sim, uma petição. Os cinco poemas do livro de Lamentações chegam até nós derivados da tristeza do julgamento experimentado, mas também salientam a compaixão de Deus como base de um futuro livramento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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