1-72
14. O plano
para tirar a vida de Jesus 1-2
14:1-16:20
Paixão, morte e ressurreição
14:1 Dali a dois
dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais sacerdotes e os
escribas procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam.
14:2 Pois diziam:
Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.
3-9 Jesus
ungido em Betânia
14:3 Estando ele
em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher
trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e,
quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.
14:4 Indignaram-se
alguns entre si e diziam: Para que este desperdício de bálsamo?
14:5 Porque este
perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários e dar-se aos pobres.
E murmuravam contra ela.
14:6 Mas Jesus
disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo.
14:7 Porque os
pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem,
mas a mim nem sempre me tendes.
14:8 Ela fez o que
pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura.
14:9 Em verdade
vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o
que ela fez, para memória sua.
10-11 O
pacto da traição
14:10 E Judas
Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes
entregar Jesus.
14:11 Eles,
ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro; nesse meio tempo, buscava
ele uma boa ocasião para o entregar.
12-16 Os
discípulos preparam a Páscoa
14:12 E, no
primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro
pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os
preparativos para comeres a Páscoa?
14:13 Então,
enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao
encontro um homem trazendo um cântaro de água;
14:14 segui-o e
dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu
aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?
14:15 E ele vos
mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos.
14:16 Saíram,
pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito,
prepararam a Páscoa.
17-21 O
traidor é indicado
14:17 Ao cair da
tarde, foi com os doze.
14:18 Quando
estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós, o
que come comigo, me trairá.
14:19 E eles
começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou eu?
14:20
Respondeu-lhes: É um dos doze, o que mete comigo a mão no prato.
14:21 Pois o Filho
do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio
de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!
22-26 A Ceia
do Senhor
14:22 E, enquanto
comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo:
Tomai, isto é o meu corpo.
14:23 A seguir,
tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos
beberam dele.
14:24 Então, lhes
disse: Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de
muitos.
14:25 Em verdade
vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de
beber, novo, no reino de Deus.
14:26 Tendo
cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
27-31 Pedro
é avisado
14:27 Então, lhes
disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o
pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.
14:28 Mas, depois
da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
14:29 Disse-lhe
Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!
14:30
Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas
vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.
14:31 Mas ele
insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de
nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.
32-42 Jesus
no Getsêmani
14:32 Então, foram
a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos:
Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar.
14:33 E, levando
consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de
angústia.
14:34 E lhes
disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.
14:35 E,
adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível,
lhe fosse poupada aquela hora.
14:36 E dizia:
Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que
eu quero, e sim o que tu queres.
14:37 Voltando,
achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem
uma hora?
14:38 Vigiai e
orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto,
mas a carne é fraca.
14:39 Retirando-se
de novo, orou repetindo as mesmas palavras.
14:40 Voltando,
achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e não sabiam
o que lhe responder.
14:41 E veio pela
terceira vez e disse-lhes: Ainda dormis e repousais! Basta! Chegou a hora; o
Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.
14:42
Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.
43-50 Jesus
é preso
14:43 E logo,
falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte
dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e
porretes.
14:44 Ora, o
traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o
e levai-o com segurança.
14:45 E, logo que
chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou.
14:46 Então, lhe
deitaram as mãos e o prenderam.
14:47 Nisto, um
dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e
cortou-lhe a orelha.
14:48 Disse-lhes
Jesus: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador?
14:49 Todos os
dias eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; contudo, é
para que se cumpram as Escrituras.
14:50 Então,
deixando-o, todos fugiram.
51-52 Jesus
seguido por um jovem
14:51 Seguia-o um
jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão.
14:52 Mas ele,
largando o lençol, fugiu desnudo.
53-65 Jesus
perante o Sinédrio
14:53 E levaram
Jesus ao sumo sacerdote, e reuniram-se todos os principais sacerdotes, os
anciãos e os escribas.
14:54 Pedro
seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava
assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo.
14:55 E os
principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra
Jesus para o condenar à morte e não achavam.
14:56 Pois muitos
testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes.
14:57 E,
levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo:
14:58 Nós o
ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em
três dias, construirei outro, não por mãos humanas.
14:59 Nem assim o
testemunho deles era coerente.
14:60
Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao
que estes depõem contra ti?
14:61 Ele, porém,
guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe
disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?
14:62 Jesus
respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do
Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.
14:63 Então, o
sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de
testemunhas?
14:64 Ouvistes a
blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte.
14:65 Puseram-se
alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza!
E os guardas o tomaram a bofetadas.
66-72 Pedro
nega a Jesus
14:66 Estando
Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote
14:67 e, vendo a
Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com Jesus, o
Nazareno.
14:68 Mas ele o
negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu para o
alpendre. E o galo cantou.
14:69 E a criada,
vendo-o, tornou a dizer aos circunstantes: Este é um deles.
14:70 Mas ele
outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro:
Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu.
14:71 Ele, porém,
começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais!
14:72 E logo cantou
o galo pela segunda vez. Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe
dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo
em si, desatou a chorar.
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sergiovalentin