1-41
4. A
parábola do semeador 1-9
4:1 Voltou Jesus a
ensinar à beira-mar. E reuniu-se numerosa multidão a ele, de modo que entrou
num barco, onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à
beira-mar, na praia.
4:2 Assim, lhes
ensinava muitas coisas por parábolas, no decorrer do seu doutrinamento.
4:3 Ouvi: Eis que
saiu o semeador a semear.
4:4 E, ao semear,
uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.
4:5 Outra caiu em
solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a
terra.
4:6 Saindo, porém,
o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.
4:7 Outra parte
caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto.
4:8 Outra, enfim,
caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a
sessenta e a cem por um.
4:9 E acrescentou:
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
10-20 A
explicação da parábola
4:10 Quando Jesus
ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das
parábolas.
4:11 Ele lhes
respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas,
aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas,
4:12 para que,
vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não
venham a converter-se, e haja perdão para eles.
4:13 Então, lhes
perguntou: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as
parábolas?
4:14 O semeador
semeia a palavra.
4:15 São estes os
da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem
Satanás e tira a palavra semeada neles.
4:16
Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a
palavra, logo a recebem com alegria.
4:17 Mas eles não
têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a
angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.
4:18 Os outros, os
semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra,
4:19 mas os
cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo,
sufocam a palavra, ficando ela infrutífera.
4:20 Os que foram
semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando
a trinta, a sessenta e a cem por um.
21-25 A
parábola da candeia
4:21 Também lhes
disse: Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do alqueire ou da
cama? Não vem, antes, para ser colocada no velador?
4:22 Pois nada
está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser
revelado.
4:23 Se alguém tem
ouvidos para ouvir, ouça.
4:24 Então, lhes
disse: Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido vos medirão
também, e ainda se vos acrescentará.
4:25 Pois ao que
tem se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
26-29 A
parábola da semente
4:26 Disse ainda:
O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra;
4:27 depois,
dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e
crescesse, não sabendo ele como.
4:28 A terra por
si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio
na espiga.
4:29 E, quando o
fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.
30-32 A
parábola do grão de mostarda
4:30 Disse mais: A
que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos?
4:31 É como um
grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a
terra;
4:32 mas, uma vez
semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes
ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.
33-34 Por
que Jesus falou por parábola
4:33 E com muitas
parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade
dos ouvintes.
4:34 E sem
parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus
próprios discípulos.
35-41 Jesus
acalma uma tempestade
4:35 Naquele dia,
sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem.
4:36 E eles,
despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o
seguiam.
4:37 Ora,
levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o
barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água.
4:38 E Jesus
estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe
disseram: Mestre, não te importa que pereçamos?
4:39 E ele,
despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se
aquietou, e fez-se grande bonança.
4:40 Então, lhes
disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?
4:41 E eles,
possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e
o mar lhe obedecem?
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sergiovalentin