1:1 - 16:20
1.Prólogo 1-15
1:1
Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
João Batista 2-6
1:2
Conforme está escrito na profecia de Isaías: Eis aí envio diante da tua face o
meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho;
1:3
voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas
veredas;
1:4
apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para
remissão de pecados.
1:5
Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de
Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio
Jordão.
1:6 As
vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro e
se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.
7-8 João dá testemunho de Jesus
1:7 E
pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual
não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias.
1:8 Eu
vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.
9-11 O batismo de Jesus
1:9
Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galiléia e por João foi batizado no rio
Jordão.
1:10
Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba
sobre ele.
1:11
Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.
12-13 A tentação de Jesus
1:12 E
logo o Espírito o impeliu para o deserto,
1:13
onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras,
mas os anjos o serviam.
14-15 Jesus volta para a Galiléia
1:14
Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho
de Deus,
1:15
dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos
e crede no evangelho.
16-20 A vocação dos discípulos
1.16-8.30 Jesus, o Messias
1.16-3.12 Atividades e ensinamentos de Jesus
1:16
Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam
a rede ao mar, porque eram pescadores.
1:17
Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
1:18
Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram.
1:19
Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam
no barco consertando as redes.
1:20 E
logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados,
seguiram após Jesus.
21-28 A cura de um endemoninhado em Cafarnaum
1:21
Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga.
1:22
Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e
não como os escribas.
1:23
Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o
qual bradou:
1:24
Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és:
o Santo de Deus!
1:25
Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem.
1:26
Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu
dele.
1:27
Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma
nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe
obedecem!
29-31 A cura da sogra de Pedro
1:28
Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a
circunvizinhança da Galiléia.
1:29
E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de
Simão e André.
1:30 A
sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito
dela.
1:31
Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a
servi-los.
32-34 Muitas outras curas
1:32 À
tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados.
1:33
Toda a cidade estava reunida à porta.
1:34 E
ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos
demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era.
35-39 Jesus se retira para orar
1:35
Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.
1:36 Procuravam-no
diligentemente Simão e os que com ele estavam.
1:37
Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam.
1:38
Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim
de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim.
1:39
Então, foi por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expelindo os
demônios.
40-49 A cura de um leproso
1:40
Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes
purificar-me.
1:41
Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero,
fica limpo!
1:42
No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.
1:43
Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu
1:44 e
lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e
oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho
ao povo.
1:45
Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a
ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas
permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele.
2. A cura de um paralítico em Cafarnaum 1-12
2:1
Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em
casa.
2:2
Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam
lugar; e anunciava-lhes a palavra.
2:3
Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens.
2:4 E,
não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no
ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o
leito em que jazia o doente.
2:5
Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão
perdoados.
2:6
Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração:
2:7
Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão
um, que é Deus?
2:8 E
Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes:
Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?
2:9
Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou
dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?
2:10
Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para
perdoar pecados -- disse ao paralítico:
2:11
Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
2:12
Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à
vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo:
Jamais vimos coisa assim!
13-14 A vocação de Levi
2:13
De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro,
e ele os ensinava.
2:14
Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe:
Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.
15-17 Jesus como com pecadores
2:15
Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus
discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e
também o seguiam.
2:16
Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e
publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os
publicanos e pecadores?
2:17
Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim
os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.
18-22 Do jejum
2:18
Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe
perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas
os teus discípulos não jejuam?
2:19
Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento,
enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o
noivo, não podem jejuar.
2:20
Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão.
2:21
Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira
parte da veste velha, e fica maior a rotura.
2:22
Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres;
e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.
23-28 Jesus é o Senhor do sábado
2:23
Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos,
ao passarem, colhiam espigas.
2:24
Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados?
2:25
Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em
necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros?
2:26
Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os
pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu
também aos que estavam com ele?
2:27 E
acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por
causa do sábado;
2:28
de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.
3. O homem da mão ressequida 1-6
3:1 De
novo, entrou Jesus na sinagoga e estava ali um homem que tinha ressequida uma
das mãos.
3:2 E
estavam observando a Jesus para ver se o curaria em dia de sábado, a fim de o
acusarem.
3:3 E
disse Jesus ao homem da mão ressequida: Vem para o meio!
3:4
Então, lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar
a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio.
3:5
Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração, disse ao
homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaurada.
3:6
Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra ele, em
como lhe tirariam a vida.
7-12 Jesus se retira. A cura de muitos a beira-mar
3:7
Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da
Galiléia uma grande multidão. Também da Judéia,
3:8 de
Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma
grande multidão, sabendo quantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele.
3:9
Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um
barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem.
3:10
Pois curava a muitos, de modo que todos os que padeciam de qualquer enfermidade
se arrojavam a ele para o tocar.
3:11
Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e
exclamavam: Tu és o Filho de Deus!
3:12
Mas Jesus lhes advertia severamente que o não expusessem à publicidade.
13-19 A escolha dos doze discípulos
3.13-6.6 Proclamação do Reino de Deus
3:13
Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto
dele.
3:14
Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar
3:15 e
a exercer a autoridade de expelir demônios.
3:16
Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro;
3:17
Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges,
que quer dizer: filhos do trovão;
3:18
André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o
Zelote,
3:19 e
Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.
20-30 A blasfêmia dos escribas
3:20
Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo
que nem podiam comer.
3:21
E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque
diziam: Está fora de si.
3:22
Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de
Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios.
3:23
Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode
Satanás expelir a Satanás?
3:24
Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;
3:25
se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir.
3:26
Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode
subsistir, mas perece.
3:27
Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro
amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.
3:28
Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e
as blasfêmias que proferirem.
3:29
Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre,
visto que é réu de pecado eterno.
3:30
Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.
31-35 A família de Jesus
3:31
Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram
chamá-lo.
3:32
Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus
irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura.
3:33
Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?
3:34
E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe
e meus irmãos.
3:35
Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.
4. A parábola do semeador 1-9
4:1
Voltou Jesus a ensinar à beira-mar. E reuniu-se numerosa multidão a ele, de
modo que entrou num barco, onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o
povo estava à beira-mar, na praia.
4:2
Assim, lhes ensinava muitas coisas por parábolas, no decorrer do seu
doutrinamento.
4:3
Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.
4:4 E,
ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.
4:5
Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não
ser profunda a terra.
4:6
Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.
4:7
Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e
não deu fruto.
4:8
Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a
trinta, a sessenta e a cem por um.
4:9 E
acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
10-20 A explicação da parábola
4:10
Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a
respeito das parábolas.
4:11
Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de
Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas,
4:12
para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para
que não venham a converter-se, e haja perdão para eles.
4:13
Então, lhes perguntou: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas
as parábolas?
4:14 O
semeador semeia a palavra.
4:15
São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a
ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles.
4:16
Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a
palavra, logo a recebem com alegria.
4:17
Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes
chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se
escandalizam.
4:18
Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra,
4:19
mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições,
concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera.
4:20
Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem,
frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.
21-25 A parábola da candeia
4:21
Também lhes disse: Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do
alqueire ou da cama? Não vem, antes, para ser colocada no velador?
4:22
Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão
para ser revelado.
4:23
Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
4:24
Então, lhes disse: Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido
vos medirão também, e ainda se vos acrescentará.
4:25
Pois ao que tem se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
26-29 A parábola da semente
4:26
Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à
terra;
4:27
depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e
crescesse, não sabendo ele como.
4:28 A
terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o
grão cheio na espiga.
4:29
E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a
ceifa.
30-32 A parábola do grão de mostarda
4:30
Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o
apresentaremos?
4:31 É
como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes
sobre a terra;
4:32
mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e
deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.
33-34 Por que Jesus falou por parábola
4:33 E
com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a
capacidade dos ouvintes.
4:34 E
sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus
próprios discípulos.
35-41 Jesus acalma uma tempestade
4:35
Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem.
4:36 E
eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros
barcos o seguiam.
4:37
Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o
barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água.
4:38 E
Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe
disseram: Mestre, não te importa que pereçamos?
4:39 E
ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O
vento se aquietou, e fez-se grande bonança.
4:40
Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?
4:41 E
eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o
vento e o mar lhe obedecem?
5. A cura do endemoninhado geraseno 1-20
5:1
Entrementes, chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos.
5:2 Ao
desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de
espírito imundo,
5:3 o
qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo;
5:4
porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram
quebradas por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo.
5:5
Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos
montes, ferindo-se com pedras.
5:6
Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou,
5:7
exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?
Conjuro-te por Deus que não me atormentes!
5:8
Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem!
5:9 E
perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque
somos muitos.
5:10 E
rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país.
5:11
Ora, pastava ali pelo monte uma grande manada de porcos.
5:12 E
os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo: Manda-nos para os porcos, para
que entremos neles.
5:13
Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a
manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para
dentro do mar, onde se afogaram.
5:14
Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cidade e pelos campos. Então, saiu o
povo para ver o que sucedera.
5:15
Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado,
vestido, em perfeito juízo; e temeram.
5:16
Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao
endemoninhado e acerca dos porcos.
5:17 E
entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles.
5:18
Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse
estar com ele.
5:19
Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os
teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti.
5:20
Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera;
e todos se admiravam.
21-24 O pedido de Jairo
25-43 A ressurreição da filha de Jairo
25-34 A cura de uma mulher enferma
5:21
Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande
multidão; e ele estava junto do mar.
5:22
Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e,
vendo-o, prostrou-se a seus pés
5:23 e
insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos
sobre ela, para que seja salva, e viverá.
5:24
Jesus foi com ele. Grande multidão o seguia, comprimindo-o.
25-34 A cura de uma mulher enferma
5:25
Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma
hemorragia
5:26 e
muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía,
sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior,
5:27
tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão,
tocou-lhe a veste.
5:28
Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada.
5:29 E
logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu
flagelo.
5:30
Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da
multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes?
5:31
Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me
tocou?
5:32
Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto.
5:33
Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio,
prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade.
5:34 E
ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu
mal.
35-43 A ressurreição da filha de Jairo
5:35
Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem
disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?
5:36
Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas,
crê somente.
5:37
Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago
e João.
5:38
Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e
os que pranteavam muito.
5:39
Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está
morta, mas dorme.
5:40 E
riam-se dele. Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da
criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava.
5:41
Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando,
levanta-te!
5:42
Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos.
Então, ficaram todos sobremaneira admirados.
5:43
Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que
dessem de comer à menina.
6. Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus 1-6
6:1
Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus discípulos o
acompanharam.
6:2
Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se
maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que
lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?
6:3
Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão?
E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.
6:4
Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre
os seus parentes e na sua casa.
6:5
Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos,
impondo-lhes as mãos.
6:6
Admirou-se da incredulidade deles. Contudo, percorria as aldeias circunvizinhas,
a ensinar.
7-13 As instruções aos doze
6:7-8:30 Jesus se revela como Messias
6:7
Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade
sobre os espíritos imundos.
6:8
Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem
alforje, nem dinheiro;
6:9
que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas.
6:10 E
recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos
retirardes do lugar.
6:11
Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, sacudi o pó
dos pés, em testemunho contra eles.
6:12
Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse;
6:13
expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo.
14-29 A morte de João Batista
6:14
Chegou isto aos ouvidos do rei Herodes, porque o nome de Jesus já se tornara
notório; e alguns diziam: João Batista ressuscitou dentre os mortos, e, por
isso, nele operam forças miraculosas.
6:15
Outros diziam: É Elias; ainda outros: É profeta como um dos profetas.
6:16
Herodes, porém, ouvindo isto, disse: É João, a quem eu mandei decapitar, que
ressurgiu.
6:17
Porque o mesmo Herodes, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe
(porquanto Herodes se casara com ela), mandara prender a João e atá-lo no
cárcere.
6:18
Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.
6:19 E
Herodias o odiava, querendo matá-lo, e não podia.
6:20
Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo, e o tinha em
segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, escutando-o de boa mente.
6:21
E, chegando um dia favorável, em que Herodes no seu aniversário natalício dera
um banquete aos seus dignitários, aos oficiais militares e aos principais da
Galiléia,
6:22
entrou a filha de Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos seus convivas.
Então, disse o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.
6:23 E
jurou-lhe: Se pedires mesmo que seja a metade do meu reino, eu ta darei.
6:24
Saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedirei? Esta respondeu: A cabeça de João
Batista.
6:25
No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse: Quero que,
sem demora, me dês num prato a cabeça de João Batista.
6:26
Entristeceu-se profundamente o rei; mas, por causa do juramento e dos que
estavam com ele à mesa, não lha quis negar.
6:27
E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele
foi, e o decapitou no cárcere,
6:28
e, trazendo a cabeça num prato, a entregou à jovem, e esta, por sua vez, a sua
mãe.
6:29
Os discípulos de João, logo que souberam disto, vieram, levaram-lhe o corpo e o
depositaram no túmulo.
30-44 A primeira multiplicação de pães e peixes
6:30
Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam
feito e ensinado.
6:31 E
ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque
eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e
vinham.
6:32
Então, foram sós no barco para um lugar solitário.
6:33
Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de
todas as cidades, e chegaram antes deles.
6:34
Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque
eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.
6:35
Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto
este lugar, e já avançada a hora;
6:36
despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem
para si o que comer.
6:37
Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos
comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?
6:38 E
ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam:
Cinco pães e dois peixes.
6:39
Então, Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva
verde.
6:40 E
o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinqüenta em cinqüenta.
6:41
Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os
abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem;
e por todos repartiu também os dois peixes.
6:42
Todos comeram e se fartaram;
6:43 e
ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.
6:44
Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.
45-52 Jesus anda por sobre o mar
6:45
Logo a seguir, compeliu Jesus os seus discípulos a embarcar e passar adiante para
o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.
6:46
E, tendo-os despedido, subiu ao monte para orar.
6:47
Ao cair da tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra.
6:48
E, vendo-os em dificuldade a remar, porque o vento lhes era contrário, por
volta da quarta vigília da noite, veio ter com eles, andando por sobre o mar; e
queria tomar-lhes a dianteira.
6:49
Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma e
gritaram.
6:50
Pois todos ficaram aterrados à vista dele. Mas logo lhes falou e disse: Tende
bom ânimo! Sou eu. Não temais!
6:51 E
subiu para o barco para estar com eles, e o vento cessou. Ficaram entre si
atônitos,
6:52
porque não haviam compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava
endurecido.
53-56 Jesus em Genesaré
6:53
Estando já no outro lado, chegaram a terra, em Genesaré, onde aportaram.
6:54
Saindo eles do barco, logo o povo reconheceu Jesus;
6:55
e, percorrendo toda aquela região, traziam em leitos os enfermos, para onde
ouviam que ele estava.
6:56
Onde quer que ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos
nas praças, rogando-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste; e
quantos a tocavam saíam curados.
7. Jesus e a tradição dos anciões 1-23
7:1
Ora, reuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém.
7:2 E,
vendo que alguns dos discípulos dele comiam pão com as mãos impuras, isto é,
por lavar
7:3
(pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não
comem sem lavar cuidadosamente as mãos;
7:4
quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras coisas
que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal e
camas),
7:5
interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos
de conformidade com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar?
7:6
Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está
escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
7:7 E
em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
7:8
Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.
7:9 E
disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a
vossa própria tradição.
7:10
Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou
a sua mãe seja punido de morte.
7:11
Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que
poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor,
7:12
então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe,
7:13
invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos
transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes.
7:14
Convocando ele, de novo, a multidão, disse-lhes: Ouvi-me, todos, e entendei.
7:15 Nada
há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem
é o que o contamina.
7:16
Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
7:17
Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram
acerca da parábola.
7:18
Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o
que de fora entra no homem não o pode contaminar,
7:19
porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E,
assim, considerou ele puros todos os alimentos.
7:20 E
dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina.
21-23 O que contamina o homem
7:21
Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a
prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios,
7:22 a
avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a
loucura.
7:23
Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.
24-30 A mulher síro-fenícia
7:24
Levantando-se, partiu dali para as terras de Tiro e Sidom. Tendo entrado numa
casa, queria que ninguém o soubesse; no entanto, não pôde ocultar-se,
7:25
porque uma mulher, cuja filhinha estava possessa de espírito imundo, tendo
ouvido a respeito dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés.
7:26
Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de
sua filha o demônio.
7:27
Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom
tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
7:28
Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa,
comem das migalhas das crianças.
7:29
Então, lhe disse: Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua
filha.
7:30
Voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara.
31-37 A cura de um surdo e gago
7:31
De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galiléia,
através do território de Decápolis.
7:32
Então, lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos
sobre ele.
7:33
Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou
a língua com saliva;
7:34
depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer:
Abre-te!
7:35
Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava
desembaraçadamente.
7:36
Mas lhes ordenou que a ninguém o dissessem; contudo, quanto mais recomendava,
tanto mais eles o divulgavam.
7:37
Maravilhavam-se sobremaneira, dizendo: Tudo ele tem feito esplendidamente bem;
não somente faz ouvir os surdos, como falar os mudos.
8. A segunda multiplicação de pães e peixes 1-10
8:1
Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo eles o
que comer, chamou Jesus os discípulos e lhes disse:
8:2
Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem comigo e não
têm o que comer.
8:3 Se
eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns
deles vieram de longe.
8:4
Mas os seus discípulos lhe responderam: Donde poderá alguém fartá-los de pão
neste deserto?
8:5 E
Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes? Responderam eles: Sete.
8:6
Ordenou ao povo que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, partiu-os,
após ter dado graças, e os deu a seus discípulos, para que estes os
distribuíssem, repartindo entre o povo.
8:7
Tinham também alguns peixinhos; e, abençoando-os, mandou que estes igualmente
fossem distribuídos.
8:8
Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos.
8:9
Eram cerca de quatro mil homens. Então, Jesus os despediu.
8:10
Logo a seguir, tendo embarcado juntamente com seus discípulos, partiu para as
regiões de Dalmanuta.
11-13 Os fariseus pedem um sinal do céu
8:11
E, saindo os fariseus, puseram-se a discutir com ele; e, tentando-o,
pediram-lhe um sinal do céu.
8:12
Jesus, porém, arrancou do íntimo do seu espírito um gemido e disse: Por que
pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se lhe
dará sinal algum.
8:13
E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado.
14-21 O fermento dos fariseus e o de Herodes
8:14
Ora, aconteceu que eles se esqueceram de levar pães e, no barco, não tinham
consigo senão um só.
8:15
Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do
fermento de Herodes.
8:16 E
eles discorriam entre si: É que não temos pão.
8:17
Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão?
Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido?
8:18
Tendo olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais
8:19
de quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de
pedaços recolhestes? Responderam eles: Doze!
8:20 E
de quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de
pedaços recolhestes? Responderam: Sete!
8:21
Ao que lhes disse Jesus: Não compreendeis ainda?
22-26 A cura de um cego em Betsaida
8:22
Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse.
8:23
Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe
saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?
8:24
Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os
vejo, andando.
8:25
Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente,
ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito.
8:26 E
mandou-o Jesus embora para casa, recomendando-lhe: Não entres na aldeia.
27-30 A confissão de Pedro
31-33;11.11 Jesus prediz a sua morte e ressurreição
31-16:20 Jesus o Filho do Homem
8:27
Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de
Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?
8:28 E
responderam: João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas.
8:29
Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe
disse: Tu és o Cristo.
8:30
Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito.
8:31
Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem
sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais
sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias,
ressuscitasse.
8:32 E
isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a
reprová-lo.
8:33
Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e
disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos
homens.
34-38 O discípulo de Jesus deve levar sua cruz
8:34
Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se
alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
8:35
Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa
de mim e do evangelho salvá-la-á.
8:36
Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
8:37
Que daria um homem em troca de sua alma?
8:38
Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e
das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier
na glória de seu Pai com os santos anjos.
9
9:1 Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos
que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte
até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.
2-9 A transfiguração
9:2 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a
Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte. Foi transfigurado
diante deles;
9:3 as
suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum
lavandeiro na terra as poderia alvejar.
9:4
Apareceu-lhes Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus.
9:5
Então, Pedro, tomando a palavra, disse: Mestre, bom é estarmos aqui e que
façamos três tendas: uma será tua, outra, para Moisés, e outra, para Elias.
9:6
Pois não sabia o que dizer, por estarem eles aterrados.
9:7 A
seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu
Filho amado; a ele ouvi.
9:8 E,
de relance, olhando ao redor, a ninguém mais viram com eles, senão Jesus.
9:9 Ao
descerem do monte, ordenou-lhes Jesus que não divulgassem as coisas que tinham
visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos.
9:10
Eles guardaram a recomendação, perguntando uns aos outros que seria o
ressuscitar dentre os mortos.
9:11 E
interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas ser necessário que Elias
venha primeiro?
9:12
Então, ele lhes disse: Elias, vindo primeiro, restaurará todas as coisas; como,
pois, está escrito sobre o Filho do Homem que sofrerá muito e será aviltado?
9-13 A vinda de Elias
9:13
Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram,
como a seu respeito está escrito.
14-29 A cura de um jovem possesso
9:14
Quando eles se aproximaram dos discípulos, viram numerosa multidão ao redor e
que os escribas discutiam com eles.
9:15 E
logo toda a multidão, ao ver Jesus, tomada de surpresa, correu para ele e o
saudava.
9:16
Então, ele interpelou os escribas: Que é que discutíeis com eles?
9:17 E
um, dentre a multidão, respondeu: Mestre, trouxe-te o meu filho, possesso de um
espírito mudo;
9:18 e
este, onde quer que o apanha, lança-o por terra, e ele espuma, rilha os dentes
e vai definhando. Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não
puderam.
9:19
Então, Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até
quando vos sofrerei? Trazei-mo.
9:20 E
trouxeram-lho; quando ele viu a Jesus, o espírito imediatamente o agitou com
violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando.
9:21
Perguntou Jesus ao pai do menino: Há quanto tempo isto lhe sucede? Desde a
infância, respondeu;
9:22 e
muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para o matar; mas, se tu podes
alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.
9:23
Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê.
9:24 E
imediatamente o pai do menino exclamou com lágrimas: Eu creio! Ajuda-me na
minha falta de fé!
9:25
Vendo Jesus que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo,
dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais
tornes a ele.
9:26 E
ele, clamando e agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, a
ponto de muitos dizerem: Morreu.
9:27
Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou.
9:28
Quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram em particular: Por
que não pudemos nós expulsá-lo?
9:29
Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de oração e jejum.
30-32 De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição
9:30
E, tendo partido dali, passavam pela Galiléia, e não queria que ninguém o
soubesse;
9:31
porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue
nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte,
ressuscitará.
9:32
Eles, contudo, não compreendiam isto e temiam interrogá-lo.
33-37 O maior do reino dos céus
9:33
Tendo eles partido para Cafarnaum, estando ele em casa, interrogou os
discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho?
9:34
Mas eles guardaram silêncio; porque, pelo caminho, haviam discutido entre si
sobre quem era o maior.
9:35 E
ele, assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro,
será o último e servo de todos.
9:36
Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços,
disse-lhes:
9:37
Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe;
e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou.
38-41 Jesus ensina a tolerância e a caridade
9:38
Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que, em teu nome, expelia demônios, o
qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não seguia conosco.
9:39
Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em
meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim.
9:40
Pois quem não é contra nós é por nós.
9:41
Porquanto, aquele que vos der de beber um copo de água, em meu nome, porque
sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.
42-48 Os tropeços
9:42 E
quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe
pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar.
9:43
E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida
do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível
9:44
onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.
9:45
E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do
que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno
9:46
onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.
9:47
E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino
de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no
inferno,
9:48
onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.
49-50 Os discípulos, o sal da terra
9:49
Porque cada um será salgado com fogo.
9:50
Bom é o sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o
sabor? Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros.
10. Jesus atravessa o Jordão 1
10:1
Levantando-se Jesus, foi dali para o território da Judéia, além do Jordão. E
outra vez as multidões se reuniram junto a ele, e, de novo, ele as ensinava,
segundo o seu costume.
2-12 A questão do divórcio
10:2
E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito
ao marido repudiar sua mulher?
10:3
Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés?
10:4
Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar.
10:5
Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou
escrito esse mandamento;
10:6
porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.
10:7
Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher,
10:8
e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas
uma só carne.
10:9 Portanto,
o que Deus ajuntou não separe o homem.
10:10
Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto.
10:11
E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério
contra aquela.
10:12
E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério.
13-16 Jesus abençoa as crianças
10:13
Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os
repreendiam.
10:14
Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os
pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.
10:15
Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de
maneira nenhuma entrará nele.
10:16
Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava.
17-22 O jovem rico
10:17
E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se,
perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
10:18
Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus.
10:19
Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás
falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.
10:20
Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha
juventude.
10:21
E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o
que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.
10:22
Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de
muitas propriedades.
23-31 O perigo das riquezas
10:23
Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente
entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!
10:24
Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes:
Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de
Deus!
10:25
É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no
reino de Deus.
10:26
Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser
salvo?
10:27
Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível;
contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
10:28
Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.
10:29
Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou
irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por
amor do evangelho,
10:30
que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães,
filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.
10:31
Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.
32-34 Jesus ainda outra vez prediz sua morte e ressurreição
10:32
Estavam de caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus ia adiante dos seus
discípulos. Estes se admiravam e o seguiam tomados de apreensões. E Jesus,
tornando a levar à parte os doze, passou a revelar-lhes as coisas que lhe
deviam sobrevir, dizendo:
10:33
Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais
sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios;
10:34
hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas, depois de três dias,
ressuscitará.
35-45 O pedido de Tiago e João
10:35
Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe:
Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir.
10:36
E ele lhes perguntou: Que quereis que vos faça?
10:37
Responderam-lhe: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua
direita e o outro à tua esquerda.
10:38
Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu
bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado?
10:39
Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e
recebereis o batismo com que eu sou batizado;
10:40
quanto, porém, ao assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me
compete concedê-lo; porque é para aqueles a quem está preparado.
10:41
Ouvindo isto, indignaram-se os dez contra Tiago e João.
10:42
Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são
considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os
seus maiorais exercem autoridade.
10:43
Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre
vós, será esse o que vos sirva;
10:44
e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.
10:45
Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar
a sua vida em resgate por muitos.
46-52 A cura do cego de Jericó
10:46
E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e
numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à
beira do caminho
10:47
e, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi,
tem compaixão de mim!
10:48
E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele cada vez gritava mais:
Filho de Davi, tem misericórdia de mim!
10:49
Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego, dizendo-lhe: Tem bom
ânimo; levanta-te, ele te chama.
10:50
Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus.
10:51
Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que
eu torne a ver.
10:52
Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e
seguia a Jesus estrada fora.
11. A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém 1-11
11:1
Quando se aproximavam de Jerusalém, de Betfagé e Betânia, junto ao monte das
Oliveiras, enviou Jesus dois dos seus discípulos
11:2 e
disse-lhes: Ide à aldeia que aí está diante de vós e, logo ao entrar, achareis
preso um jumentinho, o qual ainda ninguém montou; desprendei-o e trazei-o.
11:3
Se alguém vos perguntar: Por que fazeis isso? Respondei: O Senhor precisa dele
e logo o mandará de volta para aqui.
11:4
Então, foram e acharam o jumentinho preso, junto ao portão, do lado de fora, na
rua, e o desprenderam.
11:5
Alguns dos que ali estavam reclamaram: Que fazeis, soltando o jumentinho?
11:6
Eles, porém, responderam conforme as instruções de Jesus; então, os deixaram
ir.
11:7
Levaram o jumentinho, sobre o qual puseram as suas vestes, e Jesus o montou.
11:8 E
muitos estendiam as suas vestes no caminho, e outros, ramos que haviam cortado
dos campos.
11:9
Tanto os que iam adiante dele como os que vinham depois clamavam: Hosana!
Bendito o que vem em nome do Senhor!
11:10
Bendito o reino que vem, o reino de Davi, nosso pai! Hosana, nas maiores
alturas!
11:11
E, quando entrou em Jerusalém, no templo, tendo observado tudo, como fosse já
tarde, saiu para Betânia com os doze.
12-14 A figueira sem fruto
11:12-13:37 Atividade de Jesus em Jerusalém
11:12
No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome.
11:13
E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia
alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era
tempo de figos.
11:14
Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos
ouviram isto.
15-19 A purificação do templo
11:15
E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali
vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que
vendiam pombas.
11:16
Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo;
11:17
também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de
oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de
salteadores.
11:18
E os principais sacerdotes e escribas ouviam estas coisas e procuravam um modo
de lhe tirar a vida; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava de
sua doutrina.
11:19
Em vindo a tarde, saíram da cidade.
20-26 O poder da fé
11:20
E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz.
11:21
Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste
secou.
11:22
Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus;
11:23
porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e
lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz,
assim será com ele.
11:24
Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e
será assim convosco.
11:25
E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai,
para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.
11:26
Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas
ofensas.
27-33 A autoridade de Jesus e o batismo de João
11:27
Então, regressaram para Jerusalém. E, andando ele pelo templo, vieram ao seu
encontro os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos
11:28
e lhe perguntaram: Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu tal
autoridade para as fazeres?
11:29
Jesus lhes respondeu: Eu vos farei uma pergunta; respondei-me, e eu vos direi
com que autoridade faço estas coisas.
11:30
O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei!
11:31
E eles discorriam entre si: Se dissermos: Do céu, dirá: Então, por que não
acreditastes nele?
11:32
Se, porém, dissermos: dos homens, é de temer o povo. Porque todos consideravam
a João como profeta.
11:33
Então, responderam a Jesus: Não sabemos. E Jesus, por sua vez, lhes disse: Nem
eu tampouco vos digo com que autoridade faço estas coisas.
12. A parábola dos lavradores maus 1-12
12:1
Depois, entrou Jesus a falar-lhes por parábola: Um homem plantou uma vinha,
cercou-a de uma sebe, construiu um lagar, edificou uma torre, arrendou-a a uns
lavradores e ausentou-se do país.
12:2
No tempo da colheita, enviou um servo aos lavradores para que recebesse deles
dos frutos da vinha;
12:3
eles, porém, o agarraram, espancaram e o despacharam vazio.
12:4
De novo, lhes enviou outro servo, e eles o esbordoaram na cabeça e o
insultaram.
12:5
Ainda outro lhes mandou, e a este mataram. Muitos outros lhes enviou, dos quais
espancaram uns e mataram outros.
12:6
Restava-lhe ainda um, seu filho amado; a este lhes enviou, por fim, dizendo:
Respeitarão a meu filho.
12:7
Mas os tais lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos,
matemo-lo, e a herança será nossa.
12:8
E, agarrando-o, mataram-no e o atiraram para fora da vinha.
12:9
Que fará, pois, o dono da vinha? Virá, exterminará aqueles lavradores e passará
a vinha a outros.
12:10
Ainda não lestes esta Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram, essa
veio a ser a principal pedra, angular;
12:11
isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos?
12:12
E procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque compreenderam que contra eles
proferira esta parábola. Então, desistindo, retiraram-se.
13-17 A questão do tributo
12:13
E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem em
alguma palavra.
12:14
Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com
quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a
verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não?
Devemos ou não devemos pagar?
12:15
Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentais?
Trazei-me um denário para que eu o veja.
12:16
E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição?
Responderam: De César.
12:17
Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de
Deus. E muito se admiraram dele.
18-27 Os saduceus e a ressurreição
12:18
Então, os saduceus, que dizem não haver ressurreição, aproximaram-se dele e lhe
perguntaram, dizendo:
12:19
Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar
mulher sem filhos, seu irmão a tome como esposa e suscite descendência a seu
irmão.
12:20
Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência;
12:21
o segundo desposou a viúva e morreu, também sem deixar descendência; e o
terceiro, da mesma forma.
12:22
E, assim, os sete não deixaram descendência. Por fim, depois de todos, morreu
também a mulher.
12:23
Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa?
Porque os sete a desposaram.
12:24
Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras,
nem o poder de Deus?
12:25
Pois, quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em
casamento; porém, são como os anjos nos céus.
12:26
Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho
referente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de
Isaque e o Deus de Jacó?
12:27
Ora, ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro.
28-34 O grande mandamento
12:28
Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus
lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os
mandamentos?
12:29
Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único
Senhor!
12:30
Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de
todo o teu entendimento e de toda a tua força.
12:31
O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento
maior do que estes.
12:32
Disse-lhe o escriba: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o
único, e não há outro senão ele,
12:33
e que amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força,
e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.
12:34
Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe
do reino de Deus. E já ninguém mais ousava interrogá-lo.
35-37 O Cristo, filho de Davi
12:35
Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é
filho de Davi?
12:36
O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor:
Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus
pés.
12:37
O mesmo Davi chama-lhe Senhor; como, pois, é ele seu filho? E a grande multidão
o ouvia com prazer.
38-40 Jesus censura os escribas
12:38
E, ao ensinar, dizia ele: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com
vestes talares e das saudações nas praças;
12:39
e das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares nos banquetes;
12:40
os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas
orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.
41-44 A oferta da viúva pobre
12:41
Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o
dinheiro. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias.
12:42
Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a
um quadrante.
12:43
E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva
pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes.
12:44
Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu
tudo quanto possuía, todo o seu sustento.
13. O sermão profético
1-2 A destruição do templo
13:1
Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras,
que construções!
13:2
Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre
pedra, que não seja derribada.
3-13 O principio das dores
13:3
No monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando
Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular:
13:4
Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas
estiverem para cumprir-se.
13:5
Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane.
13:6
Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos.
13:7
Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos
assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.
13:8
Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá
terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das
dores.
13:9
Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis
açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha
causa, para lhes servir de testemunho.
13:10
Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.
13:11
Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis
de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois
vós os que falais, mas o Espírito Santo.
13:12
Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se
levantarão contra os progenitores e os matarão.
13:13
Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar
até ao fim, esse será salvo.
14-23 A grande tribulação
13:14
Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve estar
(quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes;
13:15
quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa
alguma coisa;
13:16
e o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.
13:17
Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
13:18
Orai para que isso não suceda no inverno.
13:19
Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o
princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá.
13:20
Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por
causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias.
13:21
Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;
13:22
pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios,
para enganar, se possível, os próprios eleitos.
13:23
Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.
24-27 A vinda do Filho do Homem
13:24
Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não
dará a sua claridade,
13:25
as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
13:26
Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória.
13:27
E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da
extremidade da terra até à extremidade do céu.
28-32 A parábola da figueira. Exortação a vigilância
13:28
Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam, e
as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.
13:29
Assim, também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está
próximo, às portas.
13:30
Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.
13:31
Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.
13:32
Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o
Filho, senão o Pai.
13:33
Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo.
13:34
É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos
seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie.
13:35
Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à
meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã;
13:36
para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo.
13:37
O que, porém, vos digo, digo a todos: vigiai!
14. O plano para tirar a vida de Jesus 1-2
14:1-16:20 Paixão, morte e ressurreição
14:1
Dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais
sacerdotes e os escribas procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam.
14:2
Pois diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.
3-9 Jesus ungido em Betânia
14:3
Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma
mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro;
e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.
14:4
Indignaram-se alguns entre si e diziam: Para que este desperdício de bálsamo?
14:5
Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários e dar-se
aos pobres. E murmuravam contra ela.
14:6
Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para
comigo.
14:7
Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis
fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes.
14:8
Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura.
14:9
Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também
contado o que ela fez, para memória sua.
10-11 O pacto da traição
14:10
E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para
lhes entregar Jesus.
14:11
Eles, ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro; nesse meio tempo,
buscava ele uma boa ocasião para o entregar.
12-16 Os discípulos preparam a Páscoa
14:12
E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do
cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os
preparativos para comeres a Páscoa?
14:13
Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá
ao encontro um homem trazendo um cântaro de água;
14:14
segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o
meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?
14:15
E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os
preparativos.
14:16
Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes
tinha dito, prepararam a Páscoa.
17-21 O traidor é indicado
14:17
Ao cair da tarde, foi com os doze.
14:18
Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre
vós, o que come comigo, me trairá.
14:19
E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou
eu?
14:20
Respondeu-lhes: É um dos doze, o que mete comigo a mão no prato.
14:21
Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por
intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não
haver nascido!
22-26 A Ceia do Senhor
14:22
E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu,
dizendo: Tomai, isto é o meu corpo.
14:23
A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus
discípulos; e todos beberam dele.
14:24
Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em
favor de muitos.
14:25
Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em
que o hei de beber, novo, no reino de Deus.
14:26
Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
27-31 Pedro é avisado
14:27
Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito:
Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.
14:28
Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
14:29
Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!
14:30
Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas
vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.
14:31
Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer
contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.
32-42 Jesus no Getsêmani
14:32
Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus
discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar.
14:33
E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e
de angústia.
14:34
E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e
vigiai.
14:35
E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível,
lhe fosse poupada aquela hora.
14:36
E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não
seja o que eu quero, e sim o que tu queres.
14:37
Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste
vigiar nem uma hora?
14:38
Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está
pronto, mas a carne é fraca.
14:39
Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras.
14:40
Voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e
não sabiam o que lhe responder.
14:41
E veio pela terceira vez e disse-lhes: Ainda dormis e repousais! Basta! Chegou
a hora; o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.
14:42
Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.
43-50 Jesus é preso
14:43
E logo, falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da
parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e
porretes.
14:44
Ora, o traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse;
prendei-o e levai-o com segurança.
14:45
E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou.
14:46
Então, lhe deitaram as mãos e o prenderam.
14:47
Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote
e cortou-lhe a orelha.
14:48
Disse-lhes Jesus: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um
salteador?
14:49
Todos os dias eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes;
contudo, é para que se cumpram as Escrituras.
14:50
Então, deixando-o, todos fugiram.
51-52 Jesus seguido por um jovem
14:51
Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão.
14:52
Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo.
53-65 Jesus perante o Sinédrio
14:53
E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e reuniram-se todos os principais
sacerdotes, os anciãos e os escribas.
14:54
Pedro seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava
assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo.
14:55
E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra
Jesus para o condenar à morte e não achavam.
14:56
Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram
coerentes.
14:57
E, levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo:
14:58
Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas
e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas.
14:59
Nem assim o testemunho deles era coerente.
14:60
Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao
que estes depõem contra ti?
14:61
Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo
sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?
14:62
Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do
Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.
14:63
Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade
temos de testemunhas?
14:64
Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte.
14:65
Puseram-se alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a
dizer-lhe: Profetiza! E os guardas o tomaram a bofetadas.
66-72 Pedro nega a Jesus
14:66
Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote
14:67
e, vendo a Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com
Jesus, o Nazareno.
14:68
Mas ele o negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu
para o alpendre. E o galo cantou.
14:69
E a criada, vendo-o, tornou a dizer aos circunstantes: Este é um deles.
14:70
Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a
Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu.
14:71
Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem
falais!
14:72
E logo cantou o galo pela segunda vez. Então, Pedro se lembrou da palavra que
Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.
E, caindo em si, desatou a chorar.
15. Jesus perante Pilatos 1-15
15:1
Logo pela manhã, entraram em conselho os principais sacerdotes com os anciãos,
os escribas e todo o Sinédrio; e, amarrando a Jesus, levaram-no e o entregaram
a Pilatos.
15:2
Pilatos o interrogou: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes.
15:3
Então, os principais sacerdotes o acusavam de muitas coisas.
15:4
Tornou Pilatos a interrogá-lo: Nada respondes? Vê quantas acusações te fazem!
15:5
Jesus, porém, não respondeu palavra, a ponto de Pilatos muito se admirar.
15:6
Ora, por ocasião da festa, era costume soltar ao povo um dos presos, qualquer
que eles pedissem.
15:7
Havia um, chamado Barrabás, preso com amotinadores, os quais em um tumulto
haviam cometido homicídio.
15:8
Vindo a multidão, começou a pedir que lhes fizesse como de costume.
15:9 E
Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que eu vos solte o rei dos judeus?
15:10
Pois ele bem percebia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam
entregado.
15:11
Mas estes incitaram a multidão no sentido de que lhes soltasse, de preferência,
Barrabás.
15:12
Mas Pilatos lhes perguntou: Que farei, então, deste a quem chamais o rei dos
judeus?
15:13
Eles, porém, clamavam: Crucifica-o!
15:14
Mas Pilatos lhes disse: Que mal fez ele? E eles gritavam cada vez mais:
Crucifica-o!
15:15
Então, Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás; e, após
mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
16-20 Jesus entregue aos soldados
15:16
Então, os soldados o levaram para dentro do palácio, que é o pretório, e
reuniram todo o destacamento.
15:17
Vestiram-no de púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça.
15:18
E o saudavam, dizendo: Salve, rei dos judeus!
15:19
Davam-lhe na cabeça com um caniço, cuspiam nele e, pondo-se de joelhos, o
adoravam.
15:20
Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe a púrpura e o vestiram com as suas
próprias vestes. Então, conduziram Jesus para fora, com o fim de o
crucificarem.
21 Simão leva a cruz de Jesus
15:21
E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de
Rufo, a carregar-lhe a cruz.
22-32 A crucificação
15:22
E levaram Jesus para o Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira.
15:23
Deram-lhe a beber vinho com mirra; ele, porém, não tomou.
15:24
Então, o crucificaram e repartiram entre si as vestes dele, lançando-lhes
sorte, para ver o que levaria cada um.
15:25
Era a hora terceira quando o crucificaram.
15:26
E, por cima, estava, em epígrafe, a sua acusação: O REI DOS JUDEUS.
15:27
Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda.
15:28
E cumpriu-se a Escritura que diz: Com malfeitores foi contado.
15:29
Os que iam passando, blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ah! Tu que
destróis o santuário e, em três dias, o reedificas!
15:30
Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!
15:31
De igual modo, os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si
diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se;
15:32
desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos.
Também os que com ele foram crucificados o insultavam.
33-41 A morte de Jesus
15:33
Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.
15:34
À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer
dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
15:35
Alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Vede, chama por Elias!
15:36
E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de um
caniço, deu-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo!
15:37
Mas Jesus, dando um grande brado, expirou.
15:38
E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.
15:39
O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse:
Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.
15:40
Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas, Maria
Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé;
15:41
as quais, quando Jesus estava na Galiléia, o acompanhavam e serviam; e, além
destas, muitas outras que haviam subido com ele para Jerusalém.
42-47 O sepultamento de Jesus
15:42
Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado,
15:43
vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o
reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
15:44
Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse morrido. E, tendo chamado o
centurião, perguntou-lhe se havia muito que morrera.
15:45
Após certificar-se, pela informação do comandante, cedeu o corpo a José.
15:46
Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o
depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para
a entrada do túmulo.
15:47
Ora, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram onde ele foi posto.
16. A ressurreição de Jesus 1-8
16:1
Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram
aromas para irem embalsamá-lo.
16:2
E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo.
16:3
Diziam umas às outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?
16:4
E, olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande.
16:5
Entrando no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito, vestido de
branco, e ficaram surpreendidas e atemorizadas.
16:6
Ele, porém, lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que
foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o
tinham posto.
16:7
Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a
Galiléia; lá o vereis, como ele vos disse.
16:8
E, saindo elas, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e de assombro;
e, de medo, nada disseram a ninguém.
9-11 Jesus aparece a Maria Madalena
16:9
Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu
primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios.
16:10
E, partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus,
se achavam tristes e choravam.
16:11
Estes, ouvindo que ele vivia e que fora visto por ela, não acreditaram.
12-13 Jesus aparece a dois dos seus discípulos
16:12
Depois disto, manifestou-se em outra forma a dois deles que estavam de caminho
para o campo.
16:13
E, indo, eles o anunciaram aos demais, mas também a estes dois eles não deram
crédito.
14-18 A ordem para a evangelização
16:14
Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a
incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham
visto já ressuscitado.
16:15
E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.
16:16
Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.
16:17
Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão
demônios; falarão novas línguas;
16:18
pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal;
se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.
19-20 A ascensão de Jesus
16:19
De fato, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e
assentou-se à destra de Deus.
16:20
E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e
confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam.
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sergiovalentin