1:1 - 16:20

 

1.Prólogo 1-15

 

 1:1 Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.

 

João Batista 2-6

 

 1:2 Conforme está escrito na profecia de Isaías: Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho;

 

 1:3 voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas;

 

 1:4 apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados.

 

 1:5 Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.

 

 1:6 As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre.

 

7-8 João dá testemunho de Jesus

 

 1:7 E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias.

 

 1:8 Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

 

9-11 O batismo de Jesus

 

 1:9 Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galiléia e por João foi batizado no rio Jordão.

 

 1:10 Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele.

 

 1:11 Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.

 

12-13 A tentação de Jesus

 

 1:12 E logo o Espírito o impeliu para o deserto,

 

 1:13 onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam.

 

14-15 Jesus volta para a Galiléia

 

 1:14 Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus,

 

 1:15 dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.

 

16-20 A vocação dos discípulos

1.16-8.30 Jesus, o Messias

1.16-3.12 Atividades e ensinamentos de Jesus

 

 1:16 Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.

 

 1:17 Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.

 

 1:18 Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram.

 

 1:19 Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes.

 

 1:20 E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus.

 

21-28 A cura de um endemoninhado em Cafarnaum

 

 1:21 Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga.

 

 1:22 Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

 

 1:23 Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou:

 

 1:24 Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!

 

 1:25 Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem.

 

 1:26 Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele.

 

 1:27 Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!

 

29-31 A cura da sogra de Pedro

 

 1:28 Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galiléia.

 

 1:29 E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão e André.

 

 1:30 A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela.

 

 1:31 Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los.

 

32-34 Muitas outras curas

 

 1:32 À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados.

 

 1:33 Toda a cidade estava reunida à porta.

 

 1:34 E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era.

 

35-39 Jesus se retira para orar

 

 1:35 Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.

 

 1:36 Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam.

 

 1:37 Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam.

 

 1:38 Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim.

 

 1:39 Então, foi por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expelindo os demônios.

 

40-49 A cura de um leproso

 

 1:40 Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me.

 

 1:41 Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo!

 

 1:42 No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.

 

 1:43 Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu

 

 1:44 e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo.

 

 1:45 Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele.

 

2. A cura de um paralítico em Cafarnaum 1-12

 

 2:1 Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa.

 

 2:2 Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.

 

 2:3 Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens.

 

 2:4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.

 

 2:5 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.

 

 2:6 Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração:

 

 2:7 Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?

 

 2:8 E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?

 

 2:9 Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?

 

 2:10 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados -- disse ao paralítico:

 

 2:11 Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.

 

 2:12 Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!

 

13-14 A vocação de Levi

 

 2:13 De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava.

 

 2:14 Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

 

15-17 Jesus como com pecadores

 

 2:15 Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam.

 

 2:16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?

 

 2:17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.

 

18-22 Do jejum

 

 2:18 Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?

 

 2:19 Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar.

 

 2:20 Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão.

 

 2:21 Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura.

 

 2:22 Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.

 

23-28 Jesus é o Senhor do sábado

 

 2:23 Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigas.

 

 2:24 Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados?

 

 2:25 Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros?

 

 2:26 Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele?

 

 2:27 E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado;

 

 2:28 de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.

 

3. O homem da mão ressequida 1-6

 

 3:1 De novo, entrou Jesus na sinagoga e estava ali um homem que tinha ressequida uma das mãos.

 

 3:2 E estavam observando a Jesus para ver se o curaria em dia de sábado, a fim de o acusarem.

 

 3:3 E disse Jesus ao homem da mão ressequida: Vem para o meio!

 

 3:4 Então, lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio.

 

 3:5 Olhando-os ao redor, indignado e condoído com a dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e a mão lhe foi restaurada.

 

 3:6 Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra ele, em como lhe tirariam a vida.

 

7-12 Jesus se retira. A cura de muitos a beira-mar

 

 3:7 Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da Galiléia uma grande multidão. Também da Judéia,

 

 3:8 de Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, sabendo quantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele.

 

 3:9 Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem.

 

 3:10 Pois curava a muitos, de modo que todos os que padeciam de qualquer enfermidade se arrojavam a ele para o tocar.

 

 3:11 Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus!

 

 3:12 Mas Jesus lhes advertia severamente que o não expusessem à publicidade.

 

13-19 A escolha dos doze discípulos

3.13-6.6 Proclamação do Reino de Deus

 

 3:13 Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele.

 

 3:14 Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar

 

 3:15 e a exercer a autoridade de expelir demônios.

 

 3:16 Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro;

 

 3:17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão;

 

 3:18 André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote,

 

 3:19 e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.

 

20-30 A blasfêmia dos escribas

 

 3:20 Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer.

 

 3:21 E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

 

 3:22 Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios.

 

 3:23 Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás?

 

 3:24 Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;

 

 3:25 se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir.

 

 3:26 Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas perece.

 

 3:27 Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.

 

 3:28 Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem.

 

 3:29 Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.

 

 3:30 Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.

 

31-35 A família de Jesus

 

 3:31 Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo.

 

 3:32 Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura.

 

 3:33 Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?

 

 3:34 E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos.

 

 3:35 Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

 

4. A parábola do semeador 1-9

 

 4:1 Voltou Jesus a ensinar à beira-mar. E reuniu-se numerosa multidão a ele, de modo que entrou num barco, onde se assentou, afastando-se da praia. E todo o povo estava à beira-mar, na praia.

 

 4:2 Assim, lhes ensinava muitas coisas por parábolas, no decorrer do seu doutrinamento.

 

 4:3 Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.

 

 4:4 E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.

 

 4:5 Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.

 

 4:6 Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.

 

 4:7 Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto.

 

 4:8 Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um.

 

 4:9 E acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

 

10-20 A explicação da parábola

 

 4:10 Quando Jesus ficou só, os que estavam junto dele com os doze o interrogaram a respeito das parábolas.

 

 4:11 Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas,

 

 4:12 para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles.

 

 4:13 Então, lhes perguntou: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas?

 

 4:14 O semeador semeia a palavra.

 

 4:15 São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles.

 

 4:16 Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria.

 

 4:17 Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.

 

 4:18 Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra,

 

 4:19 mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera.

 

 4:20 Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um.

 

21-25 A parábola da candeia

 

 4:21 Também lhes disse: Vem, porventura, a candeia para ser posta debaixo do alqueire ou da cama? Não vem, antes, para ser colocada no velador?

 

 4:22 Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado.

 

 4:23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.

 

 4:24 Então, lhes disse: Atentai no que ouvis. Com a medida com que tiverdes medido vos medirão também, e ainda se vos acrescentará.

 

 4:25 Pois ao que tem se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.

 

26-29 A parábola da semente

 

 4:26 Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra;

 

 4:27 depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como.

 

 4:28 A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga.

 

 4:29 E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.

 

30-32 A parábola do grão de mostarda

 

 4:30 Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos?

 

 4:31 É como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra;

 

 4:32 mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.

 

33-34 Por que Jesus falou por parábola

 

 4:33 E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintes.

 

 4:34 E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.

 

35-41 Jesus acalma uma tempestade

 

 4:35 Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem.

 

 4:36 E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam.

 

 4:37 Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água.

 

 4:38 E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos?

 

 4:39 E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança.

 

 4:40 Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?

 

 4:41 E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

 

5. A cura do endemoninhado geraseno 1-20

 

 5:1 Entrementes, chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos.

 

 5:2 Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo,

 

 5:3 o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo;

 

 5:4 porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo.

 

 5:5 Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras.

 

 5:6 Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou,

 

 5:7 exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes!

 

 5:8 Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem!

 

 5:9 E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos.

 

 5:10 E rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país.

 

 5:11 Ora, pastava ali pelo monte uma grande manada de porcos.

 

 5:12 E os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo: Manda-nos para os porcos, para que entremos neles.

 

 5:13 Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram.

 

 5:14 Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cidade e pelos campos. Então, saiu o povo para ver o que sucedera.

 

 5:15 Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram.

 

 5:16 Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos.

 

 5:17 E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles.

 

 5:18 Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele.

 

 5:19 Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti.

 

 5:20 Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam.

 

21-24 O pedido de Jairo

25-43 A ressurreição da filha de Jairo

25-34 A cura de uma mulher enferma

 

 5:21 Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava junto do mar.

 

 5:22 Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés

 

 5:23 e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.

 

 5:24 Jesus foi com ele. Grande multidão o seguia, comprimindo-o.

 

25-34 A cura de uma mulher enferma

 

 5:25 Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia

 

 5:26 e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior,

 

 5:27 tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste.

 

 5:28 Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada.

 

 5:29 E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo.

 

 5:30 Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes?

 

 5:31 Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou?

 

 5:32 Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto.

 

 5:33 Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade.

 

 5:34 E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal.

 

35-43 A ressurreição da filha de Jairo

 

 5:35 Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?

 

 5:36 Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente.

 

 5:37 Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João.

 

 5:38 Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito.

 

 5:39 Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme.

 

 5:40 E riam-se dele. Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava.

 

 5:41 Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te!

 

 5:42 Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados.

 

 5:43 Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer à menina.

 

6. Jesus prega em Nazaré. É rejeitado pelos seus 1-6

 

 6:1 Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam.

 

 6:2 Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?

 

 6:3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.

 

 6:4 Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa.

 

 6:5 Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.

 

 6:6 Admirou-se da incredulidade deles. Contudo, percorria as aldeias circunvizinhas, a ensinar.

 

7-13 As instruções aos doze

6:7-8:30 Jesus se revela como Messias

 

 6:7 Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos.

 

 6:8 Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, exceto um bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro;

 

 6:9 que fossem calçados de sandálias e não usassem duas túnicas.

 

 6:10 E recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos retirardes do lugar.

 

 6:11 Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao sairdes dali, sacudi o pó dos pés, em testemunho contra eles.

 

 6:12 Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse;

 

 6:13 expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo.

 

14-29 A morte de João Batista

 6:14 Chegou isto aos ouvidos do rei Herodes, porque o nome de Jesus já se tornara notório; e alguns diziam: João Batista ressuscitou dentre os mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas.

 

 6:15 Outros diziam: É Elias; ainda outros: É profeta como um dos profetas.

 

 6:16 Herodes, porém, ouvindo isto, disse: É João, a quem eu mandei decapitar, que ressurgiu.

 

 6:17 Porque o mesmo Herodes, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe (porquanto Herodes se casara com ela), mandara prender a João e atá-lo no cárcere.

 

 6:18 Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.

 

 6:19 E Herodias o odiava, querendo matá-lo, e não podia.

 

 6:20 Porque Herodes temia a João, sabendo que era homem justo e santo, e o tinha em segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, escutando-o de boa mente.

 

 6:21 E, chegando um dia favorável, em que Herodes no seu aniversário natalício dera um banquete aos seus dignitários, aos oficiais militares e aos principais da Galiléia,

 

 6:22 entrou a filha de Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos seus convivas. Então, disse o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.

 

 6:23 E jurou-lhe: Se pedires mesmo que seja a metade do meu reino, eu ta darei.

 

 6:24 Saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedirei? Esta respondeu: A cabeça de João Batista.

 

 6:25 No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse: Quero que, sem demora, me dês num prato a cabeça de João Batista.

 

 6:26 Entristeceu-se profundamente o rei; mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar.

 

 6:27 E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi, e o decapitou no cárcere,

 

 6:28 e, trazendo a cabeça num prato, a entregou à jovem, e esta, por sua vez, a sua mãe.

 

 6:29 Os discípulos de João, logo que souberam disto, vieram, levaram-lhe o corpo e o depositaram no túmulo.

 

30-44 A primeira multiplicação de pães e peixes

 

 6:30 Voltaram os apóstolos à presença de Jesus e lhe relataram tudo quanto haviam feito e ensinado.

 

 6:31 E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham.

 

 6:32 Então, foram sós no barco para um lugar solitário.

 

 6:33 Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles.

 

 6:34 Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.

 

 6:35 Em declinando a tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: É deserto este lugar, e já avançada a hora;

 

 6:36 despede-os para que, passando pelos campos ao redor e pelas aldeias, comprem para si o que comer.

 

 6:37 Porém ele lhes respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer. Disseram-lhe: Iremos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?

 

 6:38 E ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver! E, sabendo-o eles, responderam: Cinco pães e dois peixes.

 

 6:39 Então, Jesus lhes ordenou que todos se assentassem, em grupos, sobre a relva verde.

 

 6:40 E o fizeram, repartindo-se em grupos de cem em cem e de cinqüenta em cinqüenta.

 

 6:41 Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes.

 

 6:42 Todos comeram e se fartaram;

 

 6:43 e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.

 

 6:44 Os que comeram dos pães eram cinco mil homens.

 

45-52 Jesus anda por sobre o mar

 

 6:45 Logo a seguir, compeliu Jesus os seus discípulos a embarcar e passar adiante para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.

 

 6:46 E, tendo-os despedido, subiu ao monte para orar.

 

 6:47 Ao cair da tarde, estava o barco no meio do mar, e ele, sozinho em terra.

 

 6:48 E, vendo-os em dificuldade a remar, porque o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da noite, veio ter com eles, andando por sobre o mar; e queria tomar-lhes a dianteira.

 

 6:49 Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma e gritaram.

 

 6:50 Pois todos ficaram aterrados à vista dele. Mas logo lhes falou e disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!

 

 6:51 E subiu para o barco para estar com eles, e o vento cessou. Ficaram entre si atônitos,

 

 6:52 porque não haviam compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido.

 

53-56 Jesus em Genesaré

 

 6:53 Estando já no outro lado, chegaram a terra, em Genesaré, onde aportaram.

 

 6:54 Saindo eles do barco, logo o povo reconheceu Jesus;

 

 6:55 e, percorrendo toda aquela região, traziam em leitos os enfermos, para onde ouviam que ele estava.

 

 6:56 Onde quer que ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, rogando-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste; e quantos a tocavam saíam curados.

 

7. Jesus e a tradição dos anciões 1-23

 

 7:1 Ora, reuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém.

 

 7:2 E, vendo que alguns dos discípulos dele comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar

 

 7:3 (pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos;

 

 7:4 quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal e camas),

 

 7:5 interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos de conformidade com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar?

 

 7:6 Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

 

 7:7 E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

 

 7:8 Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.

 

 7:9 E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição.

 

 7:10 Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte.

 

 7:11 Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor,

 

 7:12 então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe,

 

 7:13 invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes.

 

 7:14 Convocando ele, de novo, a multidão, disse-lhes: Ouvi-me, todos, e entendei.

 

 7:15 Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina.

 

 7:16 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.

 

 7:17 Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram acerca da parábola.

 

 7:18 Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar,

 

 7:19 porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos.

 

 7:20 E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina.

 

21-23 O que contamina o homem

 

 7:21 Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios,

 

 7:22 a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.

 

 7:23 Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.

 

24-30 A mulher síro-fenícia

 

 7:24 Levantando-se, partiu dali para as terras de Tiro e Sidom. Tendo entrado numa casa, queria que ninguém o soubesse; no entanto, não pôde ocultar-se,

 

 7:25 porque uma mulher, cuja filhinha estava possessa de espírito imundo, tendo ouvido a respeito dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés.

 

 7:26 Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de sua filha o demônio.

 

 7:27 Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.

 

 7:28 Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças.

 

 7:29 Então, lhe disse: Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua filha.

 

 7:30 Voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara.

 

31-37 A cura de um surdo e gago

 

 7:31 De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galiléia, através do território de Decápolis.

 

 7:32 Então, lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele.

 

 7:33 Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva;

 

 7:34 depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te!

 

 7:35 Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente.

 

 7:36 Mas lhes ordenou que a ninguém o dissessem; contudo, quanto mais recomendava, tanto mais eles o divulgavam.

 

 7:37 Maravilhavam-se sobremaneira, dizendo: Tudo ele tem feito esplendidamente bem; não somente faz ouvir os surdos, como falar os mudos.

 

8. A segunda multiplicação de pães e peixes 1-10

 

 8:1 Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os discípulos e lhes disse:

 

 8:2 Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem comigo e não têm o que comer.

 

 8:3 Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe.

 

 8:4 Mas os seus discípulos lhe responderam: Donde poderá alguém fartá-los de pão neste deserto?

 

 8:5 E Jesus lhes perguntou: Quantos pães tendes? Responderam eles: Sete.

 

 8:6 Ordenou ao povo que se assentasse no chão. E, tomando os sete pães, partiu-os, após ter dado graças, e os deu a seus discípulos, para que estes os distribuíssem, repartindo entre o povo.

 

 8:7 Tinham também alguns peixinhos; e, abençoando-os, mandou que estes igualmente fossem distribuídos.

 

 8:8 Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos.

 

 8:9 Eram cerca de quatro mil homens. Então, Jesus os despediu.

 

 8:10 Logo a seguir, tendo embarcado juntamente com seus discípulos, partiu para as regiões de Dalmanuta.

 

11-13 Os fariseus pedem um sinal do céu

 

 8:11 E, saindo os fariseus, puseram-se a discutir com ele; e, tentando-o, pediram-lhe um sinal do céu.

 

 8:12 Jesus, porém, arrancou do íntimo do seu espírito um gemido e disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não se lhe dará sinal algum.

 

 8:13 E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado.

 

14-21 O fermento dos fariseus e o de Herodes

 

 8:14 Ora, aconteceu que eles se esqueceram de levar pães e, no barco, não tinham consigo senão um só.

 

 8:15 Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes.

 

 8:16 E eles discorriam entre si: É que não temos pão.

 

 8:17 Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido?

 

 8:18 Tendo olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais

 

 8:19 de quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam eles: Doze!

 

 8:20 E de quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam: Sete!

 

 8:21 Ao que lhes disse Jesus: Não compreendeis ainda?

 

22-26 A cura de um cego em Betsaida

 

 8:22 Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse.

 

 8:23 Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?

 

 8:24 Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando.

 

 8:25 Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito.

 

 8:26 E mandou-o Jesus embora para casa, recomendando-lhe: Não entres na aldeia.

 

27-30 A confissão de Pedro

31-33;11.11 Jesus prediz a sua morte e ressurreição

31-16:20 Jesus o Filho do Homem

 

 8:27 Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?

 

 8:28 E responderam: João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas.

 

 8:29 Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo.

 

 8:30 Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito.

 

 8:31 Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.

 

 8:32 E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo.

 

 8:33 Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

 

34-38 O discípulo de Jesus deve levar sua cruz

 

 8:34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

 

 8:35 Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.

 

 8:36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

 

 8:37 Que daria um homem em troca de sua alma?

 

 8:38 Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.

 

9

 9:1 Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.

 

2-9 A transfiguração

 

9:2 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte. Foi transfigurado diante deles;

 

 9:3 as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum lavandeiro na terra as poderia alvejar.

 

 9:4 Apareceu-lhes Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus.

 

 9:5 Então, Pedro, tomando a palavra, disse: Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas: uma será tua, outra, para Moisés, e outra, para Elias.

 

 9:6 Pois não sabia o que dizer, por estarem eles aterrados.

 

 9:7 A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi.

 

 9:8 E, de relance, olhando ao redor, a ninguém mais viram com eles, senão Jesus.

 

 9:9 Ao descerem do monte, ordenou-lhes Jesus que não divulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos.

 

 9:10 Eles guardaram a recomendação, perguntando uns aos outros que seria o ressuscitar dentre os mortos.

 

 9:11 E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro?

 

 9:12 Então, ele lhes disse: Elias, vindo primeiro, restaurará todas as coisas; como, pois, está escrito sobre o Filho do Homem que sofrerá muito e será aviltado?

 

9-13 A vinda de Elias

 

 9:13 Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como a seu respeito está escrito.

 

14-29 A cura de um jovem possesso

 

 9:14 Quando eles se aproximaram dos discípulos, viram numerosa multidão ao redor e que os escribas discutiam com eles.

 

 9:15 E logo toda a multidão, ao ver Jesus, tomada de surpresa, correu para ele e o saudava.

 

 9:16 Então, ele interpelou os escribas: Que é que discutíeis com eles?

 

 9:17 E um, dentre a multidão, respondeu: Mestre, trouxe-te o meu filho, possesso de um espírito mudo;

 

 9:18 e este, onde quer que o apanha, lança-o por terra, e ele espuma, rilha os dentes e vai definhando. Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam.

 

 9:19 Então, Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-mo.

 

 9:20 E trouxeram-lho; quando ele viu a Jesus, o espírito imediatamente o agitou com violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando.

 

 9:21 Perguntou Jesus ao pai do menino: Há quanto tempo isto lhe sucede? Desde a infância, respondeu;

 

 9:22 e muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para o matar; mas, se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.

 

 9:23 Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê.

 

 9:24 E imediatamente o pai do menino exclamou com lágrimas: Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!

 

 9:25 Vendo Jesus que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele.

 

 9:26 E ele, clamando e agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, a ponto de muitos dizerem: Morreu.

 

 9:27 Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou.

 

 9:28 Quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram em particular: Por que não pudemos nós expulsá-lo?

 

 9:29 Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de oração e jejum.

 

30-32 De novo Jesus prediz a sua morte e ressurreição

 

 9:30 E, tendo partido dali, passavam pela Galiléia, e não queria que ninguém o soubesse;

 

 9:31 porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará.

 

 9:32 Eles, contudo, não compreendiam isto e temiam interrogá-lo.

 

33-37 O maior do reino dos céus

 

 9:33 Tendo eles partido para Cafarnaum, estando ele em casa, interrogou os discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho?

 

 9:34 Mas eles guardaram silêncio; porque, pelo caminho, haviam discutido entre si sobre quem era o maior.

 

 9:35 E ele, assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.

 

 9:36 Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes:

 

 9:37 Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou.

 

38-41 Jesus ensina a tolerância e a caridade

 

 9:38 Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que, em teu nome, expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não seguia conosco.

 

 9:39 Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim.

 

 9:40 Pois quem não é contra nós é por nós.

 

 9:41 Porquanto, aquele que vos der de beber um copo de água, em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.

 

42-48 Os tropeços

 

 9:42 E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar.

 

 9:43 E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível

 

 9:44 onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.

 

 9:45 E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno

 

 9:46 onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.

 

 9:47 E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno,

 

 9:48 onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.

 

49-50 Os discípulos, o sal da terra

 

 9:49 Porque cada um será salgado com fogo.

 

 9:50 Bom é o sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros.

 

10. Jesus atravessa o Jordão 1

 

 10:1 Levantando-se Jesus, foi dali para o território da Judéia, além do Jordão. E outra vez as multidões se reuniram junto a ele, e, de novo, ele as ensinava, segundo o seu costume.

 

2-12 A questão do divórcio

 

 10:2 E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher?

 

 10:3 Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés?

 

 10:4 Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar.

 

 10:5 Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento;

 

 10:6 porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.

 

 10:7 Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher,

 

 10:8 e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne.

 

 10:9 Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.

 

 10:10 Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto.

 

 10:11 E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela.

 

 10:12 E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério.

 

13-16 Jesus abençoa as crianças

 

 10:13 Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam.

 

 10:14 Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.

 

 10:15 Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.

 

 10:16 Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava.

 

17-22 O jovem rico

 

 10:17 E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

 

 10:18 Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus.

 

 10:19 Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe.

 

 10:20 Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude.

 

 10:21 E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.

 

 10:22 Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.

 

23-31 O perigo das riquezas

 

 10:23 Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!

 

 10:24 Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus!

 

 10:25 É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

 

 10:26 Eles ficaram sobremodo maravilhados, dizendo entre si: Então, quem pode ser salvo?

 

 10:27 Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.

 

 10:28 Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos.

 

 10:29 Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho,

 

 10:30 que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.

 

 10:31 Porém muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros.

 

32-34 Jesus ainda outra vez prediz sua morte e ressurreição

 

 10:32 Estavam de caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus ia adiante dos seus discípulos. Estes se admiravam e o seguiam tomados de apreensões. E Jesus, tornando a levar à parte os doze, passou a revelar-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir, dizendo:

 

 10:33 Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios;

 

 10:34 hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas, depois de três dias, ressuscitará.

 

35-45 O pedido de Tiago e João

 

 10:35 Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir.

 

 10:36 E ele lhes perguntou: Que quereis que vos faça?

 

 10:37 Responderam-lhe: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda.

 

 10:38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado?

 

 10:39 Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e recebereis o batismo com que eu sou batizado;

 

 10:40 quanto, porém, ao assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me compete concedê-lo; porque é para aqueles a quem está preparado.

 

 10:41 Ouvindo isto, indignaram-se os dez contra Tiago e João.

 

 10:42 Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade.

 

 10:43 Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;

 

 10:44 e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.

 

 10:45 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

 

46-52 A cura do cego de Jericó

 

 10:46 E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho

 

 10:47 e, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!

 

 10:48 E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!

 

 10:49 Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama.

 

 10:50 Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus.

 

 10:51 Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver.

 

 10:52 Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora.

 

11. A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém 1-11

 

 11:1 Quando se aproximavam de Jerusalém, de Betfagé e Betânia, junto ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois dos seus discípulos

 

 11:2 e disse-lhes: Ide à aldeia que aí está diante de vós e, logo ao entrar, achareis preso um jumentinho, o qual ainda ninguém montou; desprendei-o e trazei-o.

 

 11:3 Se alguém vos perguntar: Por que fazeis isso? Respondei: O Senhor precisa dele e logo o mandará de volta para aqui.

 

 11:4 Então, foram e acharam o jumentinho preso, junto ao portão, do lado de fora, na rua, e o desprenderam.

 

 11:5 Alguns dos que ali estavam reclamaram: Que fazeis, soltando o jumentinho?

 

 11:6 Eles, porém, responderam conforme as instruções de Jesus; então, os deixaram ir.

 

 11:7 Levaram o jumentinho, sobre o qual puseram as suas vestes, e Jesus o montou.

 

 11:8 E muitos estendiam as suas vestes no caminho, e outros, ramos que haviam cortado dos campos.

 

 11:9 Tanto os que iam adiante dele como os que vinham depois clamavam: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!

 

 11:10 Bendito o reino que vem, o reino de Davi, nosso pai! Hosana, nas maiores alturas!

 

 11:11 E, quando entrou em Jerusalém, no templo, tendo observado tudo, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze.

 

12-14 A figueira sem fruto

11:12-13:37 Atividade de Jesus em Jerusalém

 

 11:12 No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome.

 

 11:13 E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos.

 

 11:14 Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto.

 

15-19 A purificação do templo

 

 11:15 E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.

 

 11:16 Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo;

 

 11:17 também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores.

 

 11:18 E os principais sacerdotes e escribas ouviam estas coisas e procuravam um modo de lhe tirar a vida; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava de sua doutrina.

 

 11:19 Em vindo a tarde, saíram da cidade.

 

20-26 O poder da fé

 

 11:20 E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz.

 

 11:21 Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou.

 

 11:22 Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus;

 

 11:23 porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.

 

 11:24 Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.

 

 11:25 E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.

 

 11:26 Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas.

 

27-33 A autoridade de Jesus e o batismo de João

 

 11:27 Então, regressaram para Jerusalém. E, andando ele pelo templo, vieram ao seu encontro os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos

 

 11:28 e lhe perguntaram: Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu tal autoridade para as fazeres?

 

 11:29 Jesus lhes respondeu: Eu vos farei uma pergunta; respondei-me, e eu vos direi com que autoridade faço estas coisas.

 

 11:30 O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei!

 

 11:31 E eles discorriam entre si: Se dissermos: Do céu, dirá: Então, por que não acreditastes nele?

 

 11:32 Se, porém, dissermos: dos homens, é de temer o povo. Porque todos consideravam a João como profeta.

 

 11:33 Então, responderam a Jesus: Não sabemos. E Jesus, por sua vez, lhes disse: Nem eu tampouco vos digo com que autoridade faço estas coisas.

 

12. A parábola dos lavradores maus 1-12

 

 12:1 Depois, entrou Jesus a falar-lhes por parábola: Um homem plantou uma vinha, cercou-a de uma sebe, construiu um lagar, edificou uma torre, arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país.

 

 12:2 No tempo da colheita, enviou um servo aos lavradores para que recebesse deles dos frutos da vinha;

 

 12:3 eles, porém, o agarraram, espancaram e o despacharam vazio.

 

 12:4 De novo, lhes enviou outro servo, e eles o esbordoaram na cabeça e o insultaram.

 

 12:5 Ainda outro lhes mandou, e a este mataram. Muitos outros lhes enviou, dos quais espancaram uns e mataram outros.

 

 12:6 Restava-lhe ainda um, seu filho amado; a este lhes enviou, por fim, dizendo: Respeitarão a meu filho.

 

 12:7 Mas os tais lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo, e a herança será nossa.

 

 12:8 E, agarrando-o, mataram-no e o atiraram para fora da vinha.

 

 12:9 Que fará, pois, o dono da vinha? Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros.

 

 12:10 Ainda não lestes esta Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular;

 

 12:11 isto procede do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos?

 

 12:12 E procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque compreenderam que contra eles proferira esta parábola. Então, desistindo, retiraram-se.

 

13-17 A questão do tributo

 

 12:13 E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra.

 

 12:14 Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar?

 

 12:15 Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário para que eu o veja.

 

 12:16 E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César.

 

 12:17 Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele.

 

18-27 Os saduceus e a ressurreição

 

 12:18 Então, os saduceus, que dizem não haver ressurreição, aproximaram-se dele e lhe perguntaram, dizendo:

 

 12:19 Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar mulher sem filhos, seu irmão a tome como esposa e suscite descendência a seu irmão.

 

 12:20 Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência;

 

 12:21 o segundo desposou a viúva e morreu, também sem deixar descendência; e o terceiro, da mesma forma.

 

 12:22 E, assim, os sete não deixaram descendência. Por fim, depois de todos, morreu também a mulher.

 

 12:23 Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de qual deles será ela a esposa? Porque os sete a desposaram.

 

 12:24 Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?

 

 12:25 Pois, quando ressuscitarem de entre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento; porém, são como os anjos nos céus.

 

 12:26 Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?

 

 12:27 Ora, ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro.

 

28-34 O grande mandamento

 

 12:28 Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos?

 

 12:29 Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!

 

 12:30 Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.

 

 12:31 O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

 

 12:32 Disse-lhe o escriba: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o único, e não há outro senão ele,

 

 12:33 e que amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.

 

 12:34 Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém mais ousava interrogá-lo.

 

35-37 O Cristo, filho de Davi

 

 12:35 Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi?

 

 12:36 O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.

 

 12:37 O mesmo Davi chama-lhe Senhor; como, pois, é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.

 

38-40 Jesus censura os escribas

 

 12:38 E, ao ensinar, dizia ele: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e das saudações nas praças;

 

 12:39 e das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares nos banquetes;

 

 12:40 os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.

 

41-44 A oferta da viúva pobre

 

 12:41 Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, muitos ricos depositavam grandes quantias.

 

 12:42 Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante.

 

 12:43 E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes.

 

 12:44 Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.

 

13. O sermão profético

1-2 A destruição do templo

 

 13:1 Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções!

 

 13:2 Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.

 

3-13 O principio das dores

 

 13:3 No monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular:

 

 13:4 Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se.

 

 13:5 Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane.

 

 13:6 Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos.

 

 13:7 Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.

 

 13:8 Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores.

 

 13:9 Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho.

 

 13:10 Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.

 

 13:11 Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo.

 

 13:12 Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão.

 

 13:13 Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.

 

14-23 A grande tribulação

 

 13:14 Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes;

 

 13:15 quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma coisa;

 

 13:16 e o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.

 

 13:17 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!

 

 13:18 Orai para que isso não suceda no inverno.

 

 13:19 Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá.

 

 13:20 Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias.

 

 13:21 Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;

 

 13:22 pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos.

 

 13:23 Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.

 

24-27 A vinda do Filho do Homem

 

 13:24 Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade,

 

 13:25 as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.

 

 13:26 Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória.

 

 13:27 E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu.

 

28-32 A parábola da figueira. Exortação a vigilância

 

 13:28 Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam, e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.

 

 13:29 Assim, também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo, às portas.

 

 13:30 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.

 

 13:31 Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.

 

 13:32 Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.

 

 13:33 Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo.

 

 13:34 É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie.

 

 13:35 Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã;

 

 13:36 para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo.

 

 13:37 O que, porém, vos digo, digo a todos: vigiai!

 

14. O plano para tirar a vida de Jesus 1-2

14:1-16:20 Paixão, morte e ressurreição

 

 14:1 Dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais sacerdotes e os escribas procuravam como o prenderiam, à traição, e o matariam.

 

 14:2 Pois diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

 

3-9 Jesus ungido em Betânia

 

 14:3 Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.

 

 14:4 Indignaram-se alguns entre si e diziam: Para que este desperdício de bálsamo?

 

 14:5 Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários e dar-se aos pobres. E murmuravam contra ela.

 

 14:6 Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo.

 

 14:7 Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes.

 

 14:8 Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura.

 

 14:9 Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.

 

10-11 O pacto da traição

 

 14:10 E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus.

 

 14:11 Eles, ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro; nesse meio tempo, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.

 

12-16 Os discípulos preparam a Páscoa

 

 14:12 E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa?

 

 14:13 Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem trazendo um cântaro de água;

 

 14:14 segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?

 

 14:15 E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos.

 

 14:16 Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa.

 

17-21 O traidor é indicado

 

 14:17 Ao cair da tarde, foi com os doze.

 

 14:18 Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós, o que come comigo, me trairá.

 

 14:19 E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou eu?

 

 14:20 Respondeu-lhes: É um dos doze, o que mete comigo a mão no prato.

 

 14:21 Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!

 

22-26 A Ceia do Senhor

 

 14:22 E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo.

 

 14:23 A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele.

 

 14:24 Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos.

 

 14:25 Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus.

 

 14:26 Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.

 

27-31 Pedro é avisado

 

 14:27 Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.

 

 14:28 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.

 

 14:29 Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!

 

 14:30 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.

 

 14:31 Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.

 

32-42 Jesus no Getsêmani

 

 14:32 Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar.

 

 14:33 E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia.

 

 14:34 E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.

 

 14:35 E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora.

 

 14:36 E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.

 

 14:37 Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora?

 

 14:38 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

 

 14:39 Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras.

 

 14:40 Voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder.

 

 14:41 E veio pela terceira vez e disse-lhes: Ainda dormis e repousais! Basta! Chegou a hora; o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.

 

 14:42 Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.

 

43-50 Jesus é preso

 

 14:43 E logo, falava ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e porretes.

 

 14:44 Ora, o traidor tinha-lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o e levai-o com segurança.

 

 14:45 E, logo que chegou, aproximando-se, disse-lhe: Mestre! E o beijou.

 

 14:46 Então, lhe deitaram as mãos e o prenderam.

 

 14:47 Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha.

 

 14:48 Disse-lhes Jesus: Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador?

 

 14:49 Todos os dias eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; contudo, é para que se cumpram as Escrituras.

 

 14:50 Então, deixando-o, todos fugiram.

 

51-52 Jesus seguido por um jovem

 

 14:51 Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lençol, e lançaram-lhe a mão.

 

 14:52 Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo.

 

53-65 Jesus perante o Sinédrio

 

 14:53 E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e reuniram-se todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas.

 

 14:54 Pedro seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo.

 

 14:55 E os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho contra Jesus para o condenar à morte e não achavam.

 

 14:56 Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes.

 

 14:57 E, levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo:

 

 14:58 Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas.

 

 14:59 Nem assim o testemunho deles era coerente.

 

 14:60 Levantando-se o sumo sacerdote, no meio, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti?

 

 14:61 Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?

 

 14:62 Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.

 

 14:63 Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais necessidade temos de testemunhas?

 

 14:64 Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o julgaram réu de morte.

 

 14:65 Puseram-se alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! E os guardas o tomaram a bofetadas.

 

66-72 Pedro nega a Jesus

 

 14:66 Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote

 

 14:67 e, vendo a Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno.

 

 14:68 Mas ele o negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu para o alpendre. E o galo cantou.

 

 14:69 E a criada, vendo-o, tornou a dizer aos circunstantes: Este é um deles.

 

 14:70 Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu.

 

 14:71 Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais!

 

 14:72 E logo cantou o galo pela segunda vez. Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo em si, desatou a chorar.

 

15. Jesus perante Pilatos 1-15

 

 15:1 Logo pela manhã, entraram em conselho os principais sacerdotes com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio; e, amarrando a Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos.

 

 15:2 Pilatos o interrogou: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes.

 

 15:3 Então, os principais sacerdotes o acusavam de muitas coisas.

 

 15:4 Tornou Pilatos a interrogá-lo: Nada respondes? Vê quantas acusações te fazem!

 

 15:5 Jesus, porém, não respondeu palavra, a ponto de Pilatos muito se admirar.

 

 15:6 Ora, por ocasião da festa, era costume soltar ao povo um dos presos, qualquer que eles pedissem.

 

 15:7 Havia um, chamado Barrabás, preso com amotinadores, os quais em um tumulto haviam cometido homicídio.

 

 15:8 Vindo a multidão, começou a pedir que lhes fizesse como de costume.

 

 15:9 E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que eu vos solte o rei dos judeus?

 

 15:10 Pois ele bem percebia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam entregado.

 

 15:11 Mas estes incitaram a multidão no sentido de que lhes soltasse, de preferência, Barrabás.

 

 15:12 Mas Pilatos lhes perguntou: Que farei, então, deste a quem chamais o rei dos judeus?

 

 15:13 Eles, porém, clamavam: Crucifica-o!

 

 15:14 Mas Pilatos lhes disse: Que mal fez ele? E eles gritavam cada vez mais: Crucifica-o!

 

 15:15 Então, Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás; e, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.

 

16-20 Jesus entregue aos soldados

 

 15:16 Então, os soldados o levaram para dentro do palácio, que é o pretório, e reuniram todo o destacamento.

 

 15:17 Vestiram-no de púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça.

 

 15:18 E o saudavam, dizendo: Salve, rei dos judeus!

 

 15:19 Davam-lhe na cabeça com um caniço, cuspiam nele e, pondo-se de joelhos, o adoravam.

 

 15:20 Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe a púrpura e o vestiram com as suas próprias vestes. Então, conduziram Jesus para fora, com o fim de o crucificarem.

 

21 Simão leva a cruz de Jesus

 

 15:21 E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.

 

22-32 A crucificação

 

 15:22 E levaram Jesus para o Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira.

 

 15:23 Deram-lhe a beber vinho com mirra; ele, porém, não tomou.

 

 15:24 Então, o crucificaram e repartiram entre si as vestes dele, lançando-lhes sorte, para ver o que levaria cada um.

 

 15:25 Era a hora terceira quando o crucificaram.

 

 15:26 E, por cima, estava, em epígrafe, a sua acusação: O REI DOS JUDEUS.

 

 15:27 Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda.

 

 15:28 E cumpriu-se a Escritura que diz: Com malfeitores foi contado.

 

 15:29 Os que iam passando, blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ah! Tu que destróis o santuário e, em três dias, o reedificas!

 

 15:30 Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!

 

 15:31 De igual modo, os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se;

 

 15:32 desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.

 

33-41 A morte de Jesus

 

 15:33 Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.

 

 15:34 À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

 

 15:35 Alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Vede, chama por Elias!

 

 15:36 E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de um caniço, deu-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo!

 

 15:37 Mas Jesus, dando um grande brado, expirou.

 

 15:38 E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.

 

 15:39 O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.

 

 15:40 Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé;

 

 15:41 as quais, quando Jesus estava na Galiléia, o acompanhavam e serviam; e, além destas, muitas outras que haviam subido com ele para Jerusalém.

 

42-47 O sepultamento de Jesus

 

 15:42 Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado,

 

 15:43 vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.

 

 15:44 Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse morrido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-lhe se havia muito que morrera.

 

 15:45 Após certificar-se, pela informação do comandante, cedeu o corpo a José.

 

 15:46 Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo.

 

 15:47 Ora, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observaram onde ele foi posto.

 

16. A ressurreição de Jesus 1-8

 

 16:1 Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-lo.

 

 16:2 E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo.

 

 16:3 Diziam umas às outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?

 

 16:4 E, olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande.

 

 16:5 Entrando no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito, vestido de branco, e ficaram surpreendidas e atemorizadas.

 

 16:6 Ele, porém, lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto.

 

 16:7 Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como ele vos disse.

 

 16:8 E, saindo elas, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e de assombro; e, de medo, nada disseram a ninguém.

 

9-11 Jesus aparece a Maria Madalena

 

 16:9 Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios.

 

 16:10 E, partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido companheiros de Jesus, se achavam tristes e choravam.

 

 16:11 Estes, ouvindo que ele vivia e que fora visto por ela, não acreditaram.

 

12-13 Jesus aparece a dois dos seus discípulos

 

 16:12 Depois disto, manifestou-se em outra forma a dois deles que estavam de caminho para o campo.

 

 16:13 E, indo, eles o anunciaram aos demais, mas também a estes dois eles não deram crédito.

 

14-18 A ordem para a evangelização

 

 16:14 Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado.

 

 16:15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.

 

 16:16 Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.

 

 16:17 Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas;

 

 16:18 pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.

 

19-20 A ascensão de Jesus

 

 16:19 De fato, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à destra de Deus.

 

 16:20 E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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