*          12.1     lhes.  Este pronome, aparentemente, se refere aos principais sacerdotes e escribas, uma vez que concorda com a terceira pessoa do plural (“eles”), no v. 12 (os que buscavam um meio de prendê-lo). Esta parábola era também uma provocação (11.18, nota).

 

parábola. Ver notas em 4.2, 11. Ainda que seja incorreto procurar um sentido simbólico e especial para cada detalhe da parábola, o ponto essencial é claro.

 

vinha. A parábola é baseada no “cântico da vinha” (Is 5.1-5), que descreve Israel e sua infidelidade.

 

*          12.2     servo. Freqüentemente, um termo para designar os profetas (Êx 14.31; 2Cr 1.3; Is 20.3; Am 3.7), a quem Jesus vê como os enviados de Deus para chamar Israel à fidelidade e que, com freqüência, eram mortos (Mt 23.37).

 

lavradores. Para aqueles que tinham autoridade “oficial” sobre o povo de Deus, em particular aqueles para quem a parábola foi contada.

 

*          12.6     filho amado. Nos três Evangelhos Sinóticos, o tema de Jesus, como o Filho amado de Deus, é raro (Mc 1.11; 9.7, cf. Mt 16.16), mas está inequivocamente presente.

 

*          12.9     e passará a vinha a outros. Mt 21.43 lê: “Será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos”, sugerindo tanto a comunidade dos discípulos que estavam em torno de Jesus (Lc 22.29-30) quanto a missão aos gentios (Mt 8.11-12; Rm 9.22-26).

 

*          12.10   A pedra que os construtores rejeitaram. Jesus cita o Sl 118.22-23. Este salmo celebra a vitória que Deus dá a seu Messias, estabelecendo-o em seu trono. Tal é a fé que Jesus tem em seu Pai e nas Escrituras que, em face da morte que ele acaba de predizer para si mesmo (“E, agarrando-o, mataram-no” v.8), ele pode regozijar-se na vitória prometida.

 

*          12.13   fariseus e dos herodianos. A aliança entre os fariseus e os herodianos ressurge (3.6). Esta aliança era possível porque ambos os partidos aceitavam a ocupação romana, aqueles como punição divina, estes por vantagens políticas.

 

*          12.14   tributo a César. Como acréscimo a numerosos direitos alfandegários, impostos, pedágios e outros encargos (2.14, nota), cada província romana era obrigada a pagar o tributo imperial. A mesma soma ou importância era arrecadada (ou extorquida) de todos, ricos e pobres igualmente. Esta tributação era muito impopular entre o povo.

 

*          12.15   Por que me experimentais. A pergunta de seus opositores, aparentemente, era uma tentativa para estigmatizar Jesus como um revolucionário político.

 

denário. Numerosas moedas estavam em circulação na Palestina. Jesus pede um denário romano, que valia o salário de um dia de trabalho e que, de um lado, trazia impressa a efígie de César e, de outro, uma cena que glorificava o seu reino.

 

*          12.17   Dai a César. Jesus aproveita a ocasião para afirmar que o poder político de Roma é legítimo, como ele declara em seu julgamento que esse poder vem de Deus (Jo 19.11). A Igreja Primitiva seguiu este ensino de Jesus (Rm 13.1-7; Cl 1.16; 1Tm 2.1-6; Tt 3.1,2; 1Pe 2.13-17).

 

*          12.18   saduceus. As famílias sumo sacerdotais dos tempos de Jesus eram membros deste grupo. Os saduceus negavam a ressurreição, a existência de anjos e rejeitavam a tradição oral dos fariseus. O nome deles, provavelmente, se deriva de Zadoque, sumo sacerdote de Davi (2Sm 8.17; 1Cr 15.11; 29.22) e escolhido oficial sobre a linha sacerdotal aarônica (1Cr 27.17), a quem foi dado o direito exclusivo para ser sumo sacerdote (Ez 40.46; 43.19).

 

*          12.19   Moisés nos deixou escrito. A história que eles contam a Jesus (vs. 19-23) está baseada na lei do levirato (“parente resgatador”) de Dt 25.5-10, lei que estipula que a linha familiar seja perpetuada pelo parente mais próximo, no caso de morte prematura (Rt 2.20, nota).

 

*          12.24   poder de Deus. Provavelmente, Jesus se refere às obras contínuas de Deus e suas poderosas manifestações futuras (incluindo a ressurreição), através de seu Messias (Lc 22.69; Rm 1.16; 1Co 1.18-24).

 

*          12.25   nem casarão. A ressurreição final é a transformação do universo físico (Rm 8.21; 1Co 15.52-53), e o mandato da criação do casamento e procriação (Gn 1.27, 28; 2.24) não mais será apropriado.

 

*          12.26   no trecho referente à sarça. Ver Êx 3.1-6. O Deus que aparece com poder miraculoso na teofania da sarça ardente, “não é Deus de mortos, e sim de vivos”; é o Deus daqueles que estão unidos a ele pela eterna aliança da graça. O ensino a respeito da ressurreição — Jesus dá a entender — não está limitado a certos textos-provas do Antigo Testamento (p.ex., Jó 19.25-27; Sl 16.9-11; 17.15; 73.24-26; Is 26.19; 53.11; Ez 37.1-14; Dn 12.2; Os 6.2 e 13.14), mas está baseado na pessoa do Deus vivo e doador da vida.

 

*          12.27   Laborais em grande erro. Esta frase forte lembra a acusação condenatória de Jesus contra aqueles cujo pai não é Deus, mas o diabo (Jo 8.42-47).

 

*          12.29   Ouve, ó Israel. Outra vez o debate se trava em torno das Escrituras. Jesus cita Dt 6.4, conhecido como o “Shema” (do hebreu que significa “ouvir”) que é a confissão central da fé monoteísta de Israel.

 

*          12.31   O segundo. Jesus liga Lv 19.18 a Dt 6.4-5, um texto que Tiago chama a “lei régia” (Tg 2.8).

 

*          12.33 holocaustos. O escriba aprova a resposta de Jesus e acrescenta, ele mesmo, uma prova escriturística (1Sm 15.22; Os 6.6).

 

*          12.34   Não estás longe do reino. Compare o jovem rico de 10.21 (“uma coisa te falta”) e Nicodemos (Jo 3.1-21). Em cada caso há a necessidade de um novo nascimento para a vida eterna (que é entrar no reino de Deus), o que só é possível pela morte e ressurreição do Filho do homem (Jo 3.3, 14, 15).

 

*          12.35   templo. Ver nota em 11.15. Além do átrio dos gentios, havia também o átrio das mulheres e o átrio de Israel, que era reservado só para os homens judeus.

 

*          12.36   O próprio Davi. A interpretação de Jesus prende-se à autoria davídica deste salmo.

 

falou, pelo Espírito Santo. Jesus atribui ao salmo de Davi plena inspiração divina, como farão os seus discípulos posteriormente (At 1.16; 4.25).

 

*          12.37   O mesmo Davi chama-lhe Senhor. Jesus mostra que, conquanto o Messias descenda de Davi, sua dignidade real e poder sobrepujam os de Davi, porque Davi se dirige a este Rei, chamando-o de “meu Senhor”(Sl 110.1). Este Rei está singularmente associado com o SENHOR (Sl 110.2). Uma tal interpretação clara e fiel das Escrituras é ouvida “alegremente” (cf. Lc. 24.32).

 

*          12.38   Guardai-vos dos escribas. A superficialidade da doutrina e da exegese dos escribas, a respeito do Messias, leva Jesus a criticar o superficial estilo de vida deles, em geral. Advertência semelhante é encontrada em 8.15.

 

*          12.40   devoram as casas das viúvas. Era considerado impróprio, para qualquer um, receber salário para interpretar as Escrituras. Conseqüentemente, eles aproveitavam e, às vezes, tiravam vantagem da hospitalidade das pessoas, entre as quais as viúvas, eram, especialmente, vulneráveis.

 

longas orações. Ver Mt 6.5-6, onde há uma condenação semelhante da espiritualidade exibicionista e hipócrita.

 

*          12.41   gazofilácio. Os cofres para as ofertas, no templo, eram colocados no átrio das mulheres no templo, que dava acesso a todos.

 

*          12.42   duas pequenas moedas. Esta moeda, de um lepton, era a de menor valor em circulação.

 

quadrante. Moeda romana que valia uma sexagésima quarta parte de um denário (o denário equivalia ao pagamento do salário de um dia de trabalho). Marcos traduz para o grego, para os leitores gentios (5.41, nota).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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