*          13.1-37. Este capítulo é conhecido como o “Pequeno Apocalipse” ou o “Discurso do monte das Oliveiras”. Faz predições em três áreas: a próxima destruição do templo (vs. 1-4); futuras perseguições (vs. 5-25) e a Vinda do Filho do homem (vs. 26-37).

 

*          13.1     Que pedras, que construções. Herodes, o Grande, começou a reconstruir o templo no ano 19 a.C., usando mármore e ouro como materiais de decoração. O átrio exterior media cerca de quatrocentos e cinqüenta e sete metros de comprimento por duzentos e setenta e quatro metros de largura e era cercada por muros de pedras brancas maciças, algumas das quais mediam aproximadamente cinco metros de comprimento por um metro de altura. Em cima destes muros havia magníficos claustros cobertos ou caminhos com forros de madeira ricamente entalhados.

 

*          13.2     Não ficará pedra sobre pedra. Jerusalém foi saqueada e o templo foi queimado e destruído no ano 70 d.C., por Tito, general romano (depois feito imperador). O Arco de Tito, comemorando a sua vitória, ainda existe em Roma.

 

*          13.3     Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular. Marcos nos informa que este ensino é parte da instrução especial dada aos Doze (4.10, 11; 8.29).

 

*          13.4     quando sucederão estas coisas. A pergunta dos discípulos tem em vista a predita destruição do templo. A resposta de Jesus parece incluir tanto este evento específico como o tempo que conduz à Vinda do Filho do homem (v. 26, cf. Mt 24.3). Os eventos em torno da destruição do templo parecem antecipar e tipificar aqueles momentos associados à Segunda Vinda.

 

*          13.6     Muitos virão. No ano 130 d.C. Bar Korba — líder de uma rebelião judaica contra os romanos — reivindicava ser o Messias e era aceito como tal por seus seguidores, e a lista (de supostos messias) tem crescido desde então.

 

Sou eu. Esta expressão é também o nome de Deus (Êx 3.14) e é o título escolhido por Jesus (Jo 8.28, 58).

 

*          13.7     o fim. De acordo com o texto paralelo (Mt 24.3), “o fim” é a “consumação do século”.

 

*          13.8     dores. Ver referência lateral. Os judeus esperavam um período de sofrimento antes da vinda do Messias e o descreviam deste modo, como Paulo faz em Rm 8.22.

 

*          13.9     sinagogas. Os tribunais da sinagoga tinham o direito de ordenar açoites, limitados a quarenta golpes (Dt 25.1-3). Os apóstolos sofreram prisões e açoites (At 4.21; 5.18, 40; 2Co 6.9; 11, 23, 24).

 

*          13.10   pregado a todas as nações. O tempo entre a ressurreição de Cristo e sua Segunda Vinda não é simplesmente um tempo de sofrimento e perseguição, mas um tempo de graça e evangelização por toda terra, em cumprimento da profecia de Is 49.6.

 

*          13.11   com o que haveis de dizer. Esta é uma promessa de assistência especial em tempo de necessidade, mais do que uma referência ao ministério do Espírito entre os Doze, ao estabelecer a sua proclamação de Jesus (Jo 14.25, 26; 15.26, 27; 16.12-15).

 

*          13.13   perseverar até o fim. Ver nota no v. 7. Esta afirmação pode também significar o fim da vida de cada pessoa. Uma tal perseverança é, freqüentemente, associada ao sofrimento (Rm 8.18-25; 12.12; Hb 10.32; 12.2; 1Pe 2.20).

 

será salvo. Esta perseverança não é para merecer a salvação, mas é a prova de que a verdadeira salvação, em certo sentido, já aconteceu (Rm 8.24).

 

*          13.14   o abominável da desolação. Dn 11.31 prediz a vinda do rei do Norte, que profanará o templo. Esta predição foi primeiro cumprida em 168 a.C., quando Antíoco Epifânio edificou um altar pagão e sacrificou um porco no Santo dos Santos. Em 70 d.C., o texto do Antigo Testamento foi definitivamente cumprido, quando Tito, general romano (depois imperador) saqueou o templo.

 

quem lê entenda. Esta frase pode ser uma observação de Marcos (indicando que ele sabia que a destruição do templo já havia ocorrido) ou pode expressar o desejo de Jesus de que seus ouvintes, como leitores do Antigo Testamento, percebessem que ele estava citando Dn 9.25-27 e 11.31 (cf. 2.25; 12.10, 26).

 

fujam para os montes. Quando os romanos, em sua marcha para Jerusalém, no ano 69 d.C. saquearam Qunrã, os membros desta comunidade esconderam seus manuscritos em cavernas, no alto das montanhas, acima do Mar Morto. Eusébio, historiador da igreja, no século quarto, afirma que os cristãos deixaram Jerusalém, naquele tempo, e fundaram a Igreja em Pella, a leste do Jordão, cerca de sessenta e quatro a oitenta quilômetros ao norte de Jerusalém.

 

*          13.19   tribulação como nunca houve. O historiador romano Tácito e o historiador judeu Josefo descrevem a destruição do templo como uma catástrofe de dimensões sobrenaturais, com exércitos aparecendo no céu e uma voz sobrenatural. Segundo Josefo, o sofrimento foi sem paralelo.

 

*          13.20   por causa dos eleitos. O povo de Deus (vs. 22, 27).

 

abreviou. Esta expressão pode referir-se ao período limitado que durou a destruição do templo, ou a um período semelhante antes da Segunda Vinda, ou a ambos os períodos (v. 4, nota).

 

*          13.21   Eis aqui o Cristo. Ver nota no v. 6.

 

*          13.22   sinais e prodígios. Jesus associa estes sinais a manifestações messiânicas, mesmo reconhecendo que tais manifestações são fraudulentas.

 

*          13.24   naqueles dias. Uma vez que que este é um termo técnico do Antigo Testamento para designar os “últimos dias” (Jr 3.16; Jl 3.1; Zc 8.23), Jesus pode estar começando a falar do fim (cf. v. 7). Segundo alguns intérpretes, no v. 26 a referência é à Segunda Vinda.

 

o sol escurecerá. Ainda que esta frase, freqüentemente, se refira ao tempo do julgamento cósmico e final de Deus (Is 13.10; 34.4; Jl 2.10, 31), aqui pode significar outro evento tão grave que, depois dele, o mundo não será mais o mesmo. Pedro interpreta Joel 2.31 em Atos 2.16-21 como uma profecia do derramamento do Espírito, no Pentecostes.

 

*          13.26   vir nas nuvens. As nuvens, às vezes, significam a presença divina (Êx 19.9; 24.15-18). Se a primeira Vinda do Filho do homem foi caracterizada por sofrimento e humilhação (8.31, nota), sua futura Vinda, no fim, será uma declaração aberta de sua glória divina. Essa Vinda recorda as manifestações visíveis de Deus (teofanias) no Antigo Testamento (Êx 19.16; 34.5; Ez 1.4; 10.3-4), com a diferença que esta manifestação será universal. Porém, os vs. 24-27 podem apontar, não para o aparecimento de Cristo no julgamento universal, mas para o reconhecimento humano que Jesus está reinando no reino de Deus (Dn 7.13), um reconhecimento desencadeado pela queda de Jerusalém (o juízo final de Deus sobre a cidade). Nesse caso, o v. 27 se referiria à disseminação do Evangelho no mundo, que se seguirá àquele evento. Os “anjos” seriam os mensageiros do Evangelho (angelos é a palavra grega para “mensageiro”, quer sejam humanos ou angelicais). Sob este ponto de vista, a primeira referência de Jesus ao fim (sua Segunda Vinda) não ocorre senão no v. 32 (“daquele dia”).

 

*          13.27   dos quatro ventos. Uma forma poética de afirmar a universalidade do novo povo de Deus.

 

*          13.28   figueira. Não parece haver qualquer sentido simbólico específico nesta “figueira” (sentido tal como o ressurgimento da nação de Israel), uma vez que a passagem paralela de Lucas (21.29) acrescenta “e todas as árvores”. Jesus está simplesmente dizendo que exatamente como há sinais daquilo que ocorre no campo natural, assim será no campo espiritual.

 

*          13.30   esta geração. Para o evento da destruição do templo, a frase se refere à geração da época do próprio Jesus.

 

*          13.31   Passará o céu e a terra. Jesus torna suas palavras iguais às palavras das Escrituras, com valor eterno (cf. Mt 5.18). Ver “O Ensino de Jesus”, em Mt 7.28.

 

*          13.32   nem o Filho. Jesus tinha consciência de seu relacionamento único com o Pai, como Filho eterno, contudo, havia uma limitação no seu conhecimento, durante sua encarnação. Aquilo que o Pai não lhe revelou quanto ao futuro, ele não sabia. Nesse sentido, o homem Jesus (o Filho considerado em sua natureza humana) não era onisciente.

 

*          13.35   se à tarde. Ver 6.48, nota.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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