*          14.1     Dali a dois dias. Isto é, no “segundo (ou ‘próximo’) dia”; compare 8.31. Marcos parece colocar a trama dos principais sacerdotes e escritas na quarta feira da semana da Paixão.

 

a Páscoa. A Páscoa era uma das mais importantes das festas judaicas, pois celebrava a libertação do povo da escravidão do Egito, quando o anjo da morte “passou por cima” das casas do povo de Israel (Êx 12.1-30). No tempo de Jesus a Páscoa era celebrada no décimo quinto dia do primeiro mês do calendário judeu (Nisan, que corresponde ao fim de março ou começo de abril). Era observada no último dia antes da primeira lua cheia, depois do equinócio da primavera. Desde aquele dia, quando os cordeiros pascais eram sacrificados e comidos, todo fermento (que simbolizava o pecado) era removido da casa e só pão sem fermento (asmo) devia ser comido, durante sete dias. Esta observância era conhecida como “A Festa dos Pães Asmos” (14.12; Êx 12.15-20), e estava estreitamente associada com a Páscoa.

 

principais sacerdotes. Ver nota em 8.31.

 

escribas. Ver nota em 7.1.

 

*          14.2     Não durante a festa. Sendo uma das festas de peregrinação dos judeus, a Páscoa levava grande número de pessoas a Jerusalém. Josefo calculou que a população de cinqüenta mil pessoas aumentava para três milhões de pessoas. Ainda que esses números sejam considerados enormemente exagerados (duzentos e cinqüenta mil é o número mais provável) havia razão para as autoridades temerem.

 

*          14.3     Betânia. Ver nota em 11.1.

 

reclinado. As pessoas se reclinavam ao invés de sentar-se à mesa (Lc 22.14, nota).

 

Simão, o leproso. Sem dúvida, ele não era mais leproso, pois pode ter sido curado por Jesus. Ele era claramente um importante membro do círculo mais amplo dos discípulos de Jesus, uma vez que Jesus escolheu visitar sua casa nesta ocasião.

 

 

uma mulher. De acordo com João 12.3, esta mulher era Maria, irmã de Lázaro e Marta. João também indica que essa refeição ocorreu “seis dias antes da Páscoa” (Jo 12.1), antes de Jesus ter entrado em Jerusalém. Marcos pode ter colocado aqui a narrativa, para associar esta pré-unção com vistas à sepultura (v. 8, nota) com a trama para matar Jesus (v. 1) e foi subseqüentemente seguido por Mateus (Mt 26.3-13).

 

vaso de alabastro. Alabastro é um tipo de gesso em sua forma pura ou translúcida, encontrado em depósitos de calcário, em cavernas e em saídas de correntes de água. Era usado freqüentemente para se fazer vasos de ungüento e era considerado um item de luxo.

 

nardo puro. Um raro perfume feito da raiz de uma planta que cresce no Himalaia. Seu valor de “trezentos denários”(v. 5) era equivalente aproximadamente ao salário de um ano de trabalho.

 

quebrando o alabastro. Para evitar perdas, uma quantidade adequada, para ser aplicada de uma só vez, era fechada em frascos, que eram quebrados pelo gargalo na hora de usar. De acordo com João 12.3 o frasco continha aproximadamente trezentos e quarenta gramas de perfume.

 

*          14.6     boa ação. Jesus aprova o que outros vêem como desperdício porque, por este gesto, ela mostra o inestimável valor de Jesus, da sua morte (v. 8), e a profunda comunhão que seu sacrifício na cruz estabelecerá. Este gesto recorda a preciosa unção feita sobre Arão, o sumo sacerdote, que o salmista compara com a bênção inestimável da comunhão entre irmãos (Sl 133).

 

*          14.8     ungir-me para a sepultura. Jesus se refere à unção de cadáveres, com especiarias e perfumes, amplamente praticada na Palestina naqueles dias.

 

*          14.10   Judas Iscariotes. Judas ia receber trinta moedas de prata (nem mesmo a metade do valor do perfume) para trair Jesus (v. 11).

 

um dos doze. Ver nota em 3.14.

 

*          14.12   pães asmos. Esta festa simbolizava a remoção do pecado na vida dos crentes israelitas (Êx 12.14-20). A refeição da Páscoa caía no primeiro dia desta festa (v. 1, nota; Êx 12.14-15), o décimo-quarto dia depois do começo do ano judaico (Êx 12.6).

 

sacrifício do cordeiro pascal. Jesus morreu na Páscoa, a festa que celebra o modo como o sangue de um cordeiro protegeu os israelitas do juízo de Deus no Egito. A morte de Jesus mostra a profunda continuidade no plano divino da redenção (cf. 1Co 5.7). Na ordem destas festas é afirmada a prioridade do ato salvífico de Deus (Páscoa e redenção) contra todas as nossas obras de justiça (festa dos “Pães Asmos” e o abandono dos pecados pelos crentes).

 

*          14.13   homem trazendo um cântaro de água. Eram as mulheres que, usualmente, carregavam os cântaros de água. Para o conhecimento de Jesus a respeito do futuro e de eventos distantes,  ver 11.1-2 e Jo 1.48. Jesus podia exercer e exerceu, na terra, seus poderes divinos de conhecimento (13.32, nota).

 

*          14.17   com os doze. Os Evangelhos registram que os que estavam presentes, nesta época do ministério de Jesus, eram os doze, que ele tinha escolhido no começo (cf. 3.14). De acordo com Lucas 22.30, neste tempo Jesus anunciou o futuro ministério deles, como juizes do novo povo de Deus. Eles foram testemunhas da inauguração do novo concerto.

 

*          14.20   um dos doze. A predição de Jesus a respeito da traição procede de seu íntimo conhecimento de Judas e, também, do seu entendimento das Escrituras (v. 21; Sl 41.9).

 

mete comigo a mão no prato. Pão ou carne eram mergulhados numa tigela central cheia de molho. O detalhe dá ênfase à profunda traição pessoal, uma vez que a comunhão à mesa era uma prova de genuína amizade (cf. 2.16).

 

*          14.21   como está escrito. Ver 8.31, nota.

 

*          14.22   enquanto comiam. A refeição sacramental da nova aliança está intrinsecamente relacionada com a antiga e desenvolve-se a partir dela. Notar o paralelismo com Êx 24.9-11). Jesus toma dois elementos da refeição pascal — o pão sem fermento e o vinho — para expressar sua nova obra de redenção. Ver “A Ceia do Senhor”, em 1Co 11.23.

 

*          14.24   meu sangue. Na Páscoa original, o sangue do cordeiro protegeu da morte os israelitas (Êx 12.23-30). A frase “sangue da aliança” vem de Êx 24.8 e recorda que as alianças bíblicas são seladas com sangue (Gn 15.9-21; 17.9-14; Êx 24.4-8).

 

derramado em favor de muitos. Jesus está aludindo a Is 53.12, onde o Servo do Senhor “derramou a sua alma na morte” e “levou sobre si os pecados de muitos”.

 

*          14.25   jamais beberei. Jesus está predizendo aqui a iminência de sua morte.

 

o hei de beber, novo. Jesus está expressando aqui a sua fé em Deus, que não o abandonará na sua morte.

 

*          14.26   Tendo cantado um hino. Esta menção ao cântico é uma referência à liturgia da Páscoa. Jesus e seus discípulos cantaram os Salmos 115 a 118, que era o encerramento tradicional da refeição da Páscoa.

 

*          14.28   para a Galiléia. O anjo, no túmulo, lembra esta promessa e alude à negação por parte de Pedro (16.7).

 

*          14.30   antes que duas vezes cante o galo. Para outros exemplos de conhecimento que Jesus tinha de eventos futuros, ver nota no v. 13. A referência aparentemente específica poderia ser também um modo poético de dizer “antes da aurora”.

 

*          14.33   Pedro, Tiago e João. Ver nota em 5.37.

 

tomado de pavor. Esta expressão é única em Marcos e expressa profundo sofrimento emocional (9.15; 16.5-6).

 

*          14.36   Aba. Uma palavra coloquial aramaica para “pai”,  que expressa o estreito relacionamento de Jesus com Deus, o Pai. Marcos registra a palavra semítica (5.41; 7.34; 11.9; 14.45; 15.22,34).

 

cálice. Ver nota em 10.38.

 

*          14.37   uma hora. A despeito das intenções nobres (14.29,31), Pedro é incapaz de uma hora de verdadeiro discipulado.

 

*          14.38   Vigiai. Esta exortação recorda a advertência de 13.32-37, de vigiar e não cair no sono antes da vinda do Filho do homem. “Tentação” é uma armadilha de Satanás para levar o povo de Deus (neste caso, os Doze) à queda e, se possível, levar ao fracasso o plano de redenção.

 

*          14.43   uma turba. Provavelmente uma força enviada pelo Sinédrio, uma vez que são mencionados três categorias de membros dessa entidade (v. 53; 8.31, nota).

 

*          14.44   beijar. Um sinal de respeito que os discípulos mostravam para com os mestres. Depois de comer do mesmo prato (v. 20, nota), Judas agora finge submissão e respeito.

 

*          14.48   como a um salteador. O termo grego pode significar ou “salteador” ou “insurrecionista”, porém, em vista da acusação feita contra Jesus, em seu julgamento (Lc 23.2), a tradução “insurrecionista” fica melhor.

 

*          14.49   para que se cumpram as Escrituras. Ver nota em 8.31. Em vista do v. 50, a passagem que Jesus tem em mente pode ser Zc 13.7 (ver v. 27).

 

*          14.51   um jovem... lençol. O termo grego traduzido por “lençol” pode também significar “pano de linho”. Alguns intérpretes tem sugerido que neste detalhe enigmático, como na possível menção do pano de linho (um sinal de riqueza), haveria uma referência velada ao próprio Marcos, uma vez que ele era de uma próspera família em Jerusalém (At 12.12).

 

*          14.53—15.15 Esta seção da narrativa refere-se aos julgamentos de Jesus ante os judeus e os romanos. Estes julgamentos foram cheios de erros e irregularidades, pois os princípios de justiça estavam subordinados a propósitos humanos e políticos. O julgamento diante dos judeus teve três fases: uma audiência diante de Anás (registrada só por João 18.12-14, 19-23); um julgamento diante do Sinédrio, presidido por Caifás, na sua casa (14.53-65) e a sessão de madrugada, levada a efeito pelo Sinédrio (15.1). O julgamento romano, foi constituído de três fases igualmente: diante de Pilatos (15.2-5); diante de Herodes Antipas (registrado só em Lc 23.6-12) e diante de Pilatos outra vez (15.6-15).

 

*          14.54   pátio do sumo sacerdote. Normalmente, o Sinédrio se reunia na área do mercado próxima ao templo. Este julgamento teve lugar na residência do sumo sacerdote. Foi irregular quanto ao tempo (à noite) quanto ao lugar, e na sua pressa incomum.

 

*          14.57   testificavam falsamente. Dt 19.15-21 exige que a culpa, para ser estabelecida, seja confirmada pela corroboração de duas ou três testemunhas. O falso testemunho receberia a mesma punição que pesava sobre o acusado. Estes regulamentos não foram observados no caso de Jesus.

 

*          14.58   Eu destruirei este santuário edificado por mãos. Os três Evangelhos Sinóticos não registram este dito de Jesus. Contudo, ele é encontrado na narrativa de João da purificação do templo (Jo 2.19). Isto nos leva a supor a probabilidade de que a purificação do templo, por Jesus, ocorreu duas vezes, e o lapso de três anos ajudaria a explicar a versão deturpada das testemunhas.

 

*          14.61   Cristo. Do grego, significando “o Ungido”. “Messias” é a palavra hebraica com o mesmo sentido (1Sm 2.10, nota)

 

Filho do Deus Bendito. “Bendito” geralmente era usado como um substituto direto para a palavra “Deus”, usado pelos judeus para evitar o risco de tomar o nome de Deus em vão. O título todo significa “Filho de Deus” e, no contexto, indica a realeza da messianidade mais do que a divindade absoluta.

 

*          14.62   Eu Sou. Ver nota em 6.50; 13.6.

 

Filho do homem. Ver nota em 2.10. Jesus modifica o título “Messias”, nos termos da figura divina de Dn 7.

 

nuvens. Ver nota em 13.26.

 

*          14.63   rasgou as suas vestes. Um gesto simbólico que expressa grande tristeza ou horror (Gn 37.29; 2Rs 18.37; 19.1; Ed 9.3; Jr 36.24; Jl 2.13).

 

Que mais necessidade temos de testemunhas. O sumo sacerdote faz todo o Sinédrio testemunhar em favor da acusação de blasfêmia por parte de Jesus.

 

*          14.64   blasfêmia. Jesus é condenado não por insurreição, mas porque  reivindicou para si a divindade, a essência de sua mensagem. A punição prescrita para a blasfêmia (insulto à honra do nome de Deus) era a morte por apedrejamento (Lv 24.16), porém, nesta época só um tribunal romano podia ordenar a pena capital. Jesus morreria em conseqüência de uma punição infligida pelos romanos (Jo 18.31, 32, e notas).

 

*          14.65   cuspir nele. Concordando com a acusação do sumo sacerdote, todos os membros do Sinédrio “o condenaram” (v. 64) e alguns manifestaram sua concordância com violência física e pessoal. Cuspir no rosto indicava exclusão do grupo (Nm 12.14-15), como se fosse por impureza ritual. Neste ponto o Sinédrio rompeu decisivamente com o Messias.

 

*          14.67   o Nazareno. Ver nota em 1.24.

 

*          14.70   galileu. Os judeus da Judéia desprezavam os judeus da Galiléia, pois eram considerados cultural e religiosamente inferiores. Os modos e o sotaque de Pedro denunciaram-no, especialmente no pátio de um aristocrata saduceu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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