* 2.1 casa. Jesus era de Nazaré,
cerca de 32 km de distância, e a casa de Simão Pedro (1.29) podia estar
servindo como morada em Cafarnaum, uma cidade mais centralmente localizada e
com direto acesso ao Mar da Galiléia.
* 2.4 descobriram o eirado.
As casas tinham o teto plano feito de ramos e barro seco, sustentado por vigas
de madeira.
* 2.5 os teus pecados estão perdoados.
A resposta de Jesus é extraordinária por duas razões: a primeira, é que o homem
tinha vindo em busca de cura física, mas Jesus lhe fala a respeito da doença
mais profunda do pecado, da qual geralmente a doença física é conseqüência; e
a respeito da cura radical do perdão, da qual esta cura física específica
era um sinal. Segunda, Jesus reivindica para si o poder de perdoar pecados que,
em toda a Bíblia, é atribuído só a Deus (Êx 34.7; Is 1.18). Os mestres da lei,
imediatamente, acusaram a Jesus de “blasfêmias”(v. 7; 3.29, nota), no que
estariam certos se Jesus fosse um mero homem.
* 2.9 Qual é mais fácil.
Jesus pede aos escribas que reconsiderem o seu julgamento à luz do seu poder de
curar (cf. 5.36; 10.25, 38), poder que, em última análise, é poder divino (Sl
41.1; Jr 3.22; Os 14.4).
* 2.10 Filho do homem.
Jesus empregou esta frase regularmente para designar-se a si mesmo, associando-se,
no seu ministério, com o “Filho do Homem” celestial, de Dn 7.13-14 (v. 28;
8.31; 9.31; 10.33, 45; 13.26).
* 2.14 Levi, filho de Alfeu.
Na narrativa paralela de Mt 9.9-13 esta pessoa é chamada Mateus. Uma vez
que Mateus aparece na lista de apóstolos de Marcos (3.18) — e não há menção de
Levi — parece-nos que Levi tinha por sobrenome Mateus e era por esse
nome que foi mais conhecido na igreja primitiva.
coletoria. As cabinas de
coletor ficavam nas estradas, pontes e canais para cobrar tributos e à beira
dos lagos para impostos sobre o pescado. Ver nota em Lc 3.12.
Ele se levantou. A exigência radical
do chamado de Jesus e a incondicional obediência daquele que ouve, são
mostradas de maneira relevante ao leitor.
* 2.15 estavam juntamente com ele.
O contato com os pecadores faria de Jesus também um pecador, uma vez que os
regulamentos rabínicos proibiam especificamente uma tal comunhão à mesa. Por
outro lado, os “pecadores” veriam nisto um gesto de amizade e aceitação (14.20,
nota).
pecadores. Um termo de desdém
usado pelos fariseus para todos os judeus que não seguiam suas tradições de
pureza legal.
* 2.16 fariseus. Descendentes
teológicos dos Hasidim — um movimento de devoção, cultura, e lealdade à lei de
Moisés do segundo século a.C., contra a influência grega pagã. Nos tempos de
Jesus, a estrita observância da lei — especialmente a pureza ritual — era
regulada por um conjunto de ensinos éticos conhecidos como “a tradição dos
anciãos” (7.3), desenvolvidos pelos rabinos como uma aplicação da lei à
situações específicas. A dificuldade de conhecimento desta tradição e todas
suas muitas interpretações sutis, criaram uma lacuna social e religiosa entre
uma elite hipócrita — “os justos” — e a população geral, os “pecadores”.
* 2.17 respondeu-lhes... não vim chamar.
Notemos a enfática declaração de prioridade da sua missão (cf. 1.38). Nas
palavras de Jesus há tanto verdade quanto ironia severa. Os publicanos
(coletores de impostos), as prostitutas e outros semelhantes são
espiritualmente “doentes”, mas Jesus não pretende que os fariseus pensem em si
mesmos como “sãos” (cf. Lc 18.9-14). Jesus põe abaixo as categorias artificiais
de toda religião legalista, baseada ha justiça própria. Como o Antigo
Testamento (Sl 14.1-3), Jesus ensina que todos são pecadores (7.1-8) e que a
justiça é o primeiro e mais importante dom de Deus para os pecadores
arrependidos (Sl 51.1-18; Lc 19.9; Rm 3.22).
* 2.18 jejuando. A lei Mosaica exigia
só um jejum por ano, no Dia da Expiação (Lv 16.29-31, cf. At 27.9, que o chama
de “Dia do Jejum”). Não obstante, como um sinal de contrição e penitência, e
associado à oração, o jejum era uma parte da piedade, no Antigo Testamento,
desde o tempo dos juízes (Jz 20.26; 1Rs 21.27) e, muitas vezes, tornava-se um
ritual vazio (Is 58.3). Os fariseus e seus seguidores, aparentemente, jejuavam
duas vezes por semana (Lc 18.12). Uma vez que a mensagem de João Batista
centrava-se no arrependimento (Mt 3.11), o jejum era apropriado para os
discípulos dele. Jesus, porém, cuja própria mensagem incluía o arrependimento,
não insistiu sobre o jejum.
* 2.19 Respondeu-lhes Jesus.
A razão oferecida por Jesus destaca-o de tudo aquilo que era antes, porque o
“noivo” agora chegou e o “novo” (vs.
21-22) está presente. Ao comparar-se com o “noivo”, Jesus afirma a presença do
reino como um tempo de celebração, como as bodas. Jesus come e bebe com
publicanos e pecadores, trazendo alegria e salvação a eles (Lc 19.6,9).
* 2.20 jejuarão. Para Jesus a
presente celebração é provisória (v. 19), pois ele tem que sofrer e morrer, e
“lhes será tirado o noivo” (ver At 13.2; 14.13).
* 2.21-22 As figuras da veste nova e dos odres
velhos dão ênfase novamente à nova situação criada pela vinda do reino e de seu
Rei, e procuram mostrar, através desses símbolos da ação insensata, a
impropriedade do jejum nesta nova situação.
* 2.23 dia de sábado.
O problema com o raciocínio legalista de certos fariseus é ilustrado neste
incidente. Os discípulos não estavam furtando nem trabalhando no campo (Dt
23.25). Seus acusadores consideraram mesmo o “colher espigas” (para
alimentar-se) como ceifa, o que era proibido pela lei no dia de Sábado (Êx
34.21).
* 2.25 ele lhes respondeu: Nunca lestes.
A pergunta de Jesus sugere uma crítica irônica ao conhecimento que os fariseus
tinham das Escrituras (Jo 3.10; 5.39, 47). Jesus não se justifica deixando as
Escrituras de lado, mas revela conhecer sua profundidade e sua adequada
aplicação às necessidades humanas.
Davi. Executando uma missão
divina (1Sm 21.5) como ungido do Senhor, Davi comeu o pão consagrado,
normalmente reservado aos sacerdotes. Cristo, como Filho de Davi, permite a
seus discípulos satisfazerem suas necessidades físicas, de modo a poderem
continuar sua missão de redenção, uma obra que é sempre lícita realizar.
* 2.26 Abiatar. De acordo com 1Sm
21.1-6, foi Aimeleque, pai de Abiatar, que deu a Davi pão consagrado. Contudo,
Abiatar, certamente estava vivo e, talvez, presente quando ocorreu o incidente
referido. Portanto, “no tempo do sumo sacerdote Abiatar” é frase rigorosamente
certa. Provavelmente Jesus se referiu a Abiatar porque ele era bem conhecido
como um dos principais defensores de Davi.
* 2.28 senhor... do sábado.
Outra vez (cf. v. 10) Jesus declara sua autoridade como Filho do homem que traz
bênçãos, esta vez como Mediador da lei do Antigo Testamento referente ao
Sábado. Esta reivindicação é feita contra tradições que tinham tornado em peso
o quarto mandamento que é estimulador da vida (Êx 20.8-11). Desde que o Sábado
foi instituído na criação e não apenas sob Moisés, o senhor do Sábado é também
Senhor da criação.
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sergiovalentin