* 3.1 ressequida uma das mãos.
Esta não era uma doença de vida ou morte, cuja cura era permitida no dia de
Sábado, segundo as regras dos fariseus (v. 4, nota). A ação de Jesus pareceria
uma provocação deliberada tanto quanto um ato de misericórdia.
* 3.2 estavam observando a Jesus. Os fariseus (v. 6) fizeram da ação de Jesus
uma prova, como evidentemente Jesus queria que eles fizessem.
* 3.4 É
lícito. Jesus antecipa a crítica deles, reiterando o
ensino a respeito do Sábado, ensino que ele começou em 2.25-28. Os fariseus
sustentavam que só a ajuda essencial ao doente era lícita no Sábado. Jesus
mostra que a interpretação deles era contra o espírito do mandamento, que
existia para promover o “bem”(2.27). O bem que Jesus faz, trazendo a redenção,
é exigido e não proibido, pela lei divina.
* 3.6 herodianos.
Um grupo político, não religioso, que apoiava a dinastia de Herodes. Apoiavam a
aliança com Roma e dependiam dela. Ao colaborarem com os herodianos, os
fariseus tinham se afastado para bem longe do ideal do Antigo Testamento para o
povo de Deus (cf. Dt 17.15). Para mais informações sobre essa conspiração ver
Mc 8.15; 12.13.
* 3.8 grande multidão.
A frase é repetida duas vezes (vs. 8, 9). O ministério público de Jesus, a
despeito da oposição da elite governante, (v. 6), está se tornando um movimento
de massa. Jesus é tão pressionado pela multidão que precisa refugiar-se num
pequeno barco (v. 9). O povo, de toda parte, vem à Galiléia para ouvir a Jesus.
* 3.11 quando o viam.
Ainda que as multidões sejam constituídas de judeus (cf. 7.26-29), Jesus está
se defrontando constantemente com pessoas possuídas por espíritos malignos. Na
presença de Jesus, a verdadeira natureza do combate torna-se evidente (Ef
6.12). Os demônios são desmascarados e revelam a verdadeira identidade de
Jesus, o Filho de Deus (1.1; 15.39, notas).
* 3.12 advertia severamente.
Ver 1.34, 43.
* 3.13 os que ele mesmo quis.
Marcos dá ênfase ao fato de que a escolha dos apóstolos tem origem no
determinado propósito de Jesus.
* 3.14 designou doze.
Num tal contexto, a significação do número “doze” dificilmente pode passar
despercebida. Jesus estava estabelecendo a constituição do novo Israel (Mt
19.28). Ver “Os Apóstolos”, em At
1.26.
para estarem com ele. Um sinal que aponta
para a singularidade dos “doze” é o tempo que eles passam com o Jesus terreno,
um tempo de preparação.
pregar. Outra vez (1.14, 17) é a
prioridade da missão de pregar juntamente com o exorcismo. O tempo de
preparação tem um ênfase marcantemente prática.
* 3.18 Tadeu. Marcos e Mateus
(10.2-4) listam nomes idênticos para os doze. A lista paralela de Lc 6.12-16
(cf. At 1.13) tinha “Judas” ao invés de “Tadeu”. Uma possível explicação
desta diferença é que Tadeu pode ter tido um segundo nome, Judas.
zelote. Ver nota em Mt 10.4.
* 3.19 Iscariotes.
Alguns crêem que Judas era um revolucionário político, porque “Iscariotes” pode
ter sido uma derivação do Latim sicarius, “assassinos”. Mais
provalvelmente, no entanto, a palavra deve ter uma origem semítica — ish,
que significa “homem (de)” e Queriote, uma cidade, em Israel, perto de
Hebrom (Js 15.25).
* 3.21 parentes de Jesus.
Alguns intérpretes identificam estes como a família de Jesus; outros propõem
companheiros ou amigos. Contudo, o grupo está possivelmente identificado no v.
31, como “seus irmãos e sua mãe”.
Está fora de si. A frase expressa uma
atitude de descrença para com Jesus da parte daqueles que, humanamente, estavam
mais próximos dele.
* 3.22 Belzebu. O termo grego beelzeboul,
o deus de Ecrom (2Rs 1.2; Mt 10.25, nota). Os fariseus usam esta palavra como
um nome para Satanás, e acusam Jesus de expulsar demônios pelo poder de
Satanás.
* 3.23-27 parábolas.
Ver nota em 4.2. Esta parábola ilustra a declaração de Jesus de que o reino já
chegou (Mt 12.28), porque um mais forte do que “o valente” está presente e é
capaz de amarrar Satanás e livrar o povo de seus domínios.
* 3.29 blasfemar contra o Espírito Santo.
Para várias formas de blasfêmias, ver
2.7; Êx 22.28; Lv 24.10-16; Ez 35.12,13; Jo 10.33-36; At 6.11. A blasfêmia
imperdoável especificada aqui é o ato de associar, deliberadamente, o poder e a
obra de Jesus — que está cheio do Espírito Santo — com a obra de Satanás. Isto
é identificar o bem espiritual supremo com o mal espiritual supremo endurecendo
o coração de maneira a tornar o arrependimento — e, portanto, o perdão —
impossíveis. Ver nota teológica “O Pecado Imperdoável”, índice.
* 3.31
mãe... irmãos. Ver v. 21 e nota. Os estudiosos
católicos romanos, para quem a virgindade eterna de Maria é um dogma, sustentam
que “irmãos” pode referir-se a relacionamentos mais amplos de família,
apontando para Gn 13.8; 14.16; Lv 10.4; 1Cr 23.22. Contudo, em Marcos o termo
parece ser sempre usado para significar irmãos de sangue dos mesmos pais. Mt
1.25 indica que Maria e José começaram a ter relações conjugais normais, depois
do nascimento de Jesus, acrescentando um sentido adicional à designação de
Lucas (2.7), onde Jesus é chamado o “primogênito” de Maria.
* 3.35 qualquer que fizer a vontade de Deus.
A chegada do reino de Deus muda os relacionamentos humanos. Os que se opõem ao
seu progresso — quer sejam mães ou irmãos — devem ser deixados; os que estão no
reino se tornam nossos amigos mais íntimos, mais próximos e mais queridos que
quaisquer outros.
-----------------------------------------------------------------------------
sergiovalentin