* 8.1-10 Uma segunda multiplicação
miraculosa de pães. Jesus depois indica o profundo significado teológico desses
dois milagres (8.18-21).
* 8.2 Tenho compaixão.
Posto que esta multiplicação aconteceu provavelmente em Decápolis (7.31), é
evidente que Jesus estende sua compaixão das ovelhas perdidas da casa de Israel
(6.34) aos gentios, quando cura a filha da mulher siro-fenícia (7.24-30) e
quando realiza seu ministério em território gentio (7.31-37). Por suas ações
Jesus anuncia a futura missão mundial da igreja.
* 8.4 neste deserto.
Ver nota em 1.4. A pergunta dos discípulos, diante do que Jesus já tinha feito
anteriormente — em circunstâncias semelhantes — justifica a repreensão dada por
Jesus nos vs. 17-18.
* 8.10 Dalmanuta.
Presumivelmente à margem ocidental do Mar da Galiléia, embora sua localização
exata não seja conhecida.
* 8.11 fariseus. Ver nota em 2.16.
sinal do céu. Jesus não realiza
sinais a pedido, especialmente àqueles que estão “tentando-o” (cf. 1.13; Mt
4.1-11). Os fariseus queriam um sinal para confirmar que Jesus era um Messias
político, como eles estavam esperando (v. 15, nota).
* 8.14 senão um só.
Este detalhe da narrativa liga esta passagem aos dois milagres das
multiplicações de pães.
* 8.15 fermento dos fariseus... de Herodes.
Jesus emprega o assunto cotidiano do pão, como uma metáfora (Lc 12.1, nota).
Aquilo que parece um pedido inocente e legítimo de um sinal (quanto ao desejo
de Herodes por milagres ver Lc 23.8), é, na verdade, uma rejeição do seu ministério
e de todos os seus sinais anteriores. Jesus está advertindo seus discípulos
contra concepções superficiais de seu papel, e os está preparando para o seu
ensino com relação ao verdadeiro sentido de sua vinda e de sua cruz (vs. 27,
31). Tal ensino permaneceu incompreensível para muitos judeus (1Co 1.22, 23).
* 8.17 o não terdes pão.
Os pensamentos dos discípulos são ainda dominados por preocupações de ordem
material, preocupações que os deixam cegos para a verdadeira vocação de seu
Mestre e abertos para serem tentados pelo “fermento” dos fariseus.
* 8.21 Não compreendeis ainda.
Aqui, o papel de Jesus no ensino e no treinamento dos Doze está implícito na
narrativa (3.14, nota). Sua pergunta a eles é uma censura por deixarem de
perceber que o Senhor — que providenciou alimento miraculosamente para cinco
mil e para quatro mil homens e suas famílias — é capaz de cuidar das
necessidades físicas de doze pessoas. Na verdade, eles deviam saber que Jesus é
digno de sua fé total, em tudo aquilo que lhes revelará nos dias futuros.
* 8.22 Betsaida. Uma cidade pesqueira
à margem norte do Mar da Galiléia e terra natal de Filipe, André e Pedro.
* 8.23 saliva aos olhos.
Ver nota em 7.33.
* 8.24 como árvores... andando.
A restauração da visão, neste caso, é gradual.
* 8.26 Não entres na aldeia.
Jesus tinha levado o cego para fora da cidade (v. 23), assim é plausível que a
mensagem deste milagre fosse dirigida a Seus discípulos. Eles devem entender
que Jesus está curando gradualmente sua cegueira espiritual. Enquanto no v. 21,
eles ainda não tinham entendido quem é Jesus, eles também, como o homem cego
(v. 25), estão quase para ver “claramente” o mistério de sua pessoa (vs.
27-30).
* 8.27 Cesaréia de Filipe.
Uma cidade ao sopé do monte Hermon e próxima da nascente do rio Jordão.
Herodes, o Grande, construiu ali um templo de mármore a Cesar Augusto e seu
filho Filipe mudou o nome da cidade de Paneas para Cesaréia. Para distingui-la
de outra Cesaréia — o bem conhecido porto mediterrâneo — ela foi conhecida como
Cesaréia de Filipe.
* 8.29 Mas vós, quem dizeis que eu sou.
Outra vez é enfatizada a preeminência dos Doze, na revelação da pessoa de Jesus
(v. 21; 3.14). Jesus desconsidera aquilo que o povo diz (v. 27), mas retém como
verdade divinamente revelada a confissão dos Doze (Mt 16.16, 17 e notas).
Tu és o Cristo. Lit. “o Ungido” (1Sm
2.10; Mt 1.1 e notas). Esta é a primeira vez, na narrativa de Marcos, que o
nome “Cristo” aparece (aparece também no título do seu Evangelho, 1.1). A
confissão de Pedro (como aquele que fala pelos Doze) junto com a Transfiguração
que se segue (9.2-13) são o ponto alto na revelação da pessoa de Jesus e uma
reviravolta no seu ministério terreno. De agora em diante, o seu ensino se
concentrará sobre sua morte iminente, e ele logo começará sua viagem para
Jerusalém.
* 8.30 a ninguém dissessem.
Ver notas em 1.34; 5.19, cf. 9.9. Estranhamente, neste ponto alto da revelação
vem a ordem para conservá-la em sigilo. Mas, olhando para trás, a razão fica
clara. Jesus não permite que noções políticas de sua obra Messiânica
comprometam sua verdadeira vocação de Messias Sofredor, cuja obra
essencialmente moral e espiritual da redenção será total.
* 8.31—10.52.
Esta seção conta minuciosamente a convergência do ministério terreno de Jesus
em direção ao seu clímax (8.29, nota). Contém três predições da morte e
ressurreição de Jesus (8.31; 9.31; 10.33-34); relata o começo de sua viagem a
Jerusalém e dá ensino substancial sobre a verdadeira messianidade e
discipulado.
* 8.31 necessário.
Por trás desta palavra está todo o peso das profecias bíblicas e da necessidade
divinamente ordenada (9.31; Lc 22.37; 24.7, 26, 44). As predições de Jesus
concernentes à sua morte e ressurreição procedem de seu modo de entender as
Escrituras do Antigo Testamento.
Filho do homem. Ver nota em 2.10.
sofresse muitas coisas. A predição do
Messias Sofredor vem particularmente de Is 52.13—53.12. Ver também Zc 9.9;
12.10; 13.7; e todo o Antigo Testamento sobre o tema geral do justo sofredor.
anciãos. Membros leigos do
Sinédrio, a corte que governava os negócios judeus. A corte era composta dos
anciãos, principais sacerdotes e mestres da lei (os escribas).
principais sacerdotes. Jesus prediz que as
ricas famílias do sumo sacerdócio, que eram aliadas dos saduceus, se envolverão
na sua morte.
depois de três dias. Ver Os 6.2. Esta é
também expressão convencional de um curto período.
ressuscitasse. Ver Is 52.13;
53.10; cf. Sl 110.1; Dn 13.14.
* 8.32 expunha claramente.
Em contraste com o seu ensino público através das parábolas (4.10-11), os Doze
recebem privativamente plena instrução (cf. Jo 16.25, 29). O claro ensino
particular de Jesus se tornará a base da pregação pública de seus discípulos,
depois da Páscoa (At 2.29; 4.13, 29, 31; 28.31).
Pedro... começou a reprová-lo.
Quando o próprio Pedro, líder entre os Doze, falha em aceitar que o Messias
precisa sofrer, pode-se apreciar a sabedoria do segredo de Jesus com relação ao
seu ofício messiânico. Note-se a observação de Paulo que, para muitos, “a
palavra da cruz é loucura” (1Co 1.18, cf. Gl 3.13).
* 8.33 Arreda, Satanás.
Satanás agora está operando até mesmo entre os próprios discípulos de Jesus,
não somente em Judas, mas também em Pedro, cuja intervenção teria anulado o
plano da redenção e realizado o objetivo de Satanás.
* 8.34 tome a sua cruz. Prisioneiros condenados eram geralmente
obrigados a carregar o madeiro de sua cruz até o lugar de execução (cf. 15.21).
* 8.37 em troca de sua alma.
A mesma palavra grega é traduzida aqui por “alma” e, no v. 35, por “vida”. Nenhum valor monetário ou material pode ser
pago por isto (Sl 49.7-9, ao qual Jesus talvez se refira).
* 8.38 na glória de seu Pai.
Ainda que no presente tempo de humilhação o “Filho do homem não tem onde
reclinar a cabeça” (Mt 8.20), um dia ele será revelado com esplendor divino
como o Filho de Deus (12.6-11; 14.62, cf. Dn 7.13).
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sergiovalentin